quarta-feira, 19 de julho de 2017

Exposição sobre os 500 anos da Misericórdia de Lisboa

A caminho de Lisboa em tarde de calor com tempo a visita à exposição temporária a decorrer na Igreja de S.Roque, ao fundo, na lateral esquerda até 10 de setembro. Gratuita.
A primeira Casa das Misericórdias de Portugal foi fundada em Lisboa instituída no dia 15 de agosto de  1498.
" Para além da divulgação das peças em exposição, o catálogo inclui textos de vários autores, que revisitam e dão a conhecer a investigação feita sobre o Compromisso de 1516 e suas contrafações, a sua iconografia e os primórdios do mercado da impressão de livros no século XVI, bem como o papel fundamental que este texto tem na história da Misericórdia de Lisboa e das confrarias homónimas em todo o país. Declarando a missão social da Santa Casa nas catorze obras de misericórdia, sete corporais e sete espirituais, o Compromisso de 1516 é aqui divulgado não só como documento histórico mas também como “bússola para fazer o Bem”, no passado como no presente e no futuro.
Na exposição fazem parte, entre outras peças, um exemplar da primeira edição impressa do Compromisso, datada de 1516."
São 14 as "Obras de Misericórdia"
Sete corporais - "Dar de comer a quem tem fome", "Dar de beber a quem tem sede", "Vestir os nus", "Dar pousada aos peregrinos", "Assistir aos enfermos", "Visitar os presos" e "Enterrar os mortos" .

Sete espirituais - "Dar bons conselhos", "Ensinar os ignorantes", "Corrigir os que erram", "Consolar os tristes", "Perdoar as injúrias", "Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo" e "Rogar a Deus por vivos e defuntos".
 

Exibição de duas pinturas quatrocentistas "nunca antes exibidas em Portugal;
"Opere di Misericordia: Seppelire i morti", de Olivuccio de Ciccarello, pertencente aos Museus do Vaticano, e "Virgen de la Misericordia", atribuída a um pintor anónimo referenciado como "Maestro de Teruel", que faz parte do espólio do Museu de Arte Sacra de Teruel, na região autónoma espanhola de Aragão.
Museu de Aragão -atribuída ao Mestre de Turuel  da 1ª metade do séc.XV madeira
Virgem da Misericórdia
Santa Casa da Misericórdia de Montemor o Velho, séc. XVII Nossa Senhora da Misericórdia. Óleo sobre madeira
 
 Bandeira da Misericórdia de Alcochete - Pietá  1550 óleo sobre madeira Francisco de Campos
Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra atribuída a Gregório Lopes 1490"
"representativa da grande qualidade das encomendas efetuadas pelas Misericórdias portuguesas".

Interessante é que em 500 anos continuam a prevalecer os compromissos assumidos; dar pousada aos peregrinos, dar comida e saciar sede, vestir os nus, assistir os enfermos, visitar os presos e enterrar os mortos e sempre em paz misericórdia. Faz pensar!
Não há dúvida que no passado muitos sem descendência deixaram os bens ou parte deles às Misericórdias, e o devem continuar a fazer, de modo geral é bem aplicado!


FONTES
http://www.scml.pt

domingo, 16 de julho de 2017

António Coimbra nascido na Mó, Chão de Couce em Ansião

Ouvi pela primeira vez falar do apelido "Coimbra" da boca da minha mãe nos serões do correio velho quando me contava histórias do Externato de Ansião, a propósito de uma colega do Avelar, de seu nome Isabel Coimbra Mendes, no tempo namorada do que veio a ser o meu pai- Fernando Rodrigues Valente e ainda o  particular de ser a minha mãe amiga de ambos fazer de correio até que o namoro acabou com o destinatário a se apaixonar pela carteira e deste namoro vim a nascer.A minha mãe nunca mais dela soube por os pais se terem mudado para outra terra.Não se sabe o ramo do apelido Coimbra de onde lhe advêm, se de gente dos lados de Tondela, onde o apelido é forte e aportou à região para trabalhar nas minas de minério - volfrâmio e gesso no final anos 30, inicio de 40 se tendo instalado entre o Bairro e Avelar.
Alguns tópicos do apelido Coimbra na região
A família do "Capitão Constantino Freire Mascarenhas, nascido em Alqueidão (Olalhas) e de sua segunda mulher D. Josefa Maria Teresa de Moura (também já casada anteriormente), nascida no Marmeleiro (Madalena, Tomar), batizada a 19.01.1678, casados por procuração (da noiva) em Olalhas a 26.01.1713; neto paterno de Carlos Freire Coimbra e de Marcelina de Coimbra- segundo Rui Pereira http://geneall.net/pt/forum/2096/teixeira-de-castro-de-chao-de-couce/" na ligação à quinta de Mouta da Bela e da quinta da Amieira aos Teixeira de Castro e Sousas.
O apelido Coimbra tenha aportado a Chão de Couce por via destas famílias nobres com ligação a Tomar, à citada que os ostenta, e outro ramo tenha surgida por ligação patronímico a Coimbra (?) de António Almeida de S Martinho do Bispo, o que ainda falta deslindar, ou estejam interligadas com filhas duas casadas que herdam a quinta da Mó.

Sempre foi comum o nome de uma terra  ditar alcunha para ser conhecido e  noutros fidelização em apelido, para se distinguirem dos demais
No séc XIX houve muita gente registada apenas com dois nomes próprios e outros com um apelido muito vulgar (estou a lembrar-me de Freire, em Ansião),  em que alguns para se distinguirem juntaram ao Freire outro apelido para se diferenciar dos demais, ainda havia o costume de acrescentar ao nome a alcunha ou o nome da terra de onde vieram ou da mais importante da região.
Há anos numa viagem ao Alentejo a Sousel onde almocei com a minha mãe perguntei ao empregado, homem de farta idade se acaso se lembrava  nos finais de 40 de um vendedor na rota de paneiro chamado José Lucas, homem arruçado e olhos verdes, para nossa surpresa outro homem da idade da minha mãe que também almoçava nos dizer- ele tinha o hábito de deixar a carroça com o macho ali numa estalagem que já não existe, trazia uma mala com as amostras, eu era pequenito já andava com o meu pai  também vendedor, aqui era conhecido por "Zé de Coimbra"...tendo apelido Lucas- e Coimbra, a terra onde comprava a fazenda para venda, por ser a mais sonante na região em detrimento da aldeia de onde vinha; Mouta Redonda, Pousaflores ou  do concelho, Ansião.

O apelido Coimbra
Ramo do meu marido Luís Alberto de Jesus Coimbra, veio a imperar gerações em escala dispare; quer em liberdade e aventura, obstinação ao trabalho, visão negocial e  paixão pelas raízes, todos com talento e coeficiente de inteligência, o condão do brasão fiel ao meu marido a que se junta o conservadorismo e a honestidade integra, cujos ascendentes se vieram a fixar na procura de melhores condições de vida ou casamento em Lisboa, Almada, Povoa de Santa Iria, Cascais, Linha do Estoril, e os que ficaram na região; Chão de Couce, Moita Redonda, Avelar, Vale Tábuas, Pardinheira na Nexebra, Cerejeiras no Espinhal, Palheiros, Vendas de Maria em Maças de D.Maria e,...
A maior probabilidade da origem do apelido do meu marido Luís Alberto de Jesus Coimbra ter sido tomada do topónimo da cidade dos doutores mais concretamente de São Martinho do Bispo, Coimbra, vindo com António Almeida, que veio trabalhar talvez como carpinteiro(?) na Quinta de Cima, recebeu de alcunha Coimbra, a terra de onde tinha vindo, que o veio a dar de apelido ao seu filho - o primeiro a aparecer neste ramo na pesquisa do Raul Manuel Coelho, amigo do Avelar.

Pesquisas no Arquivo Distrital de Leiria 
Despertei com dois passaportes de apelido Coimbra, um oriundo de Abiul e outro de Campelo
Manuel Francisco Coimbra
1897-07-30 Idade: 26 anos
Filiação: Manuel Francisco Coimbra / Maria dos Santos
NaturalidadeCampelo / Figueiró dos Vinhos
Residência: Campelo / Figueiró dos Vinhos
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve

Passaporte de António Coimbra
Pedido em 1896-03-16 na idade: 28 anos
Filiação: Joaquim Coimbra / Florinda de Jesus
Naturalidade: Vale das Velhas / Abiul / Pombal
Residência: Vale das Velhas / Abiul / Pombal
Destino: S.Paulo ( Brasil )
Observações: Não escreve

Ainda encontrei  um Processo de inventário orfanológico de 1891 de Chão de Couce
Inventariado: Maria Rosa (que faleceu)
Inventariante: José António Coimbra (pessoa responsável pela administração do espólio do inventário)
Freguesia: Quinta Cima - Chão de Couce. 

Genealogia do apelido Coimbra
Graças aos bons amigos das Cinco Vilas - Henrique Dias e de Raul Manuel Coelho
Amantes ferverosos da genealogia  das gentes das antigas Cinco Vilas e Ansião.
Ao ler a crónica gratuitamente partilhou comigo mais saber que eu desconhecia pelo que aqui lhe dirijo um enorme BEM HAJA, gente desta estirpe o passado das Cinco Vilas e Ansião, jamais se perderá tal como o passado das suas gentes graças aos talentos de personalidade a que se juntam  dons de pesquisa, persistência e partilha dos saberes.

Raul Manuel Coelho  Apelido Coimbra - Genealogias Avelarenses
De acordo com o estado atual das nossas pesquisas, este apelido, por certo de natureza toponímica, aparece-nos no Avelar, pela primeira vez, aquando do casamento, em 1885, de José Coimbra de Almeida, natural de Portulanos, Chão de Couce, carpinteiro, com Rosa da Conceição, esta natural da vila de Avelar, filha de Joaquim Mendes Peitudo, de Viavai e de Luísa de Jesus, do Avelar.
Aqui viveram e tiveram diversos filhos, nomeadamente:
- Albertina de Jesus, que viria a casar com Abílio Henriques, da família dos Henriques Percebo, da qual, também, já falámos um pouco.
- António Coimbra, que casou, em 1920, no Avelar, com Emília de Figueiredo, 
O apelido Almeida chegou-lhe do pai, António de Almeida, natural de São Martinho, Seia.

Em 1898, casou no Avelar, um seu primo
José Firmino Coimbra, natural da Mó, Chão de Couce, com Adelaide de Jesus, esta natural do Avelar, filha de José Rosa Pudenciano, este natural da Rapoula. Foram viver para Chão de Couce. Tanto José Firmino, em 1901, como o seu filho Augusto Firmino Coimbra, em 1925, emigraram para Santos, Brasil.

Ambos eram primos, dado terem avós comuns, o primeiro por parte da mãe, o segundo por parte do pai; estes, portanto, irmãos, filhos de José António Coimbra e de Maria Rosa, moradores em Chão de Couce. 
De notar que Maria Rosa tem: ascendência Fidalga na linha dos Sousa / Borges de Azevedo; diversa ascendência Avelarense, nomeadamente nos Manso; sendo, também, descendente dos França, de quem aqui falámos noutra ocasião.

O Apelido Coimbra foi, assim, transmitido por José António Coimbra, natural de Casais Maduros, Pousaflores, filho de Pedro António, dali, e neto de Manuel da Serra Coimbra. Este nascido em 1732 no lugar da Barreira, Almoster, posteriormente residente nos Casais Maduros, pelo casamento com Mónica Maria.
Até à presente data, não encontrei, ainda, qualquer referência anterior, ao Apelido Coimbra, nos ascendentes imediatos de Manuel da Serra Coimbra, todos do Murtal, Almoster.
Pode-se pôr a hipótese de o apelido ter surgido em resultado de alguma ligação, contacto frequente ou facto relevante que algum destes ascendentes tenha tido com a cidade de Coimbra; tal não seria de admirar, dado que grande parte dos lugares do que é hoje a freguesia de Almoster pertenciam, havia já séculos, ao Concelho de Coimbra.
No Murtal nessa altura havia uma grande estalagem, ainda lá está na beira do caminho principal a caminho  de Almoster e Alvaiázere

Avelar
Possivelmente, os Avelarenses atuais que ainda ostentam este Apelido Coimbra têm-no com uma outra origem genealógica, sem ligação conhecida à supra referida
Moisés Coimbra nasceu em 1897 na Portela do Brás, do atual Concelho com sede em Ferreira do Zêzere.
Filho de Amâncio José Coimbra, natural, em 1850, do lugar do Ventoso, Beco, referido como proprietário, e de Rosa Maria Mendes, natural da Portela do Brás.
Os avós paternos são José António Coimbra e Maria Moura, moradores no dito Ventoso. 
Os avós maternos são Bernardino Mendes e Maria Rosa, moradores na dita Portela. 
Em 1926, casou no Avelar Moisés José Coimbra com Maria da Conceição Duarte Moreira, esta natural do Terreiro da Guia, Avelar filha de Manuel Duarte Moreira e de Carolina Nazaré, naturais da Abrunheira, na Aguda.
Amâncio José Coimbra, filho de José António Coimbra, da Carvalheira, Janafonso, Beco e de Maria Moura, da Foz d´Alge, Arega.
António José Coimbra, pai do supra referido José António Coimbra, nasceu em 1792 na freguesia dos Santos Reis Magos do Campo Grande, em Lisboa. No entanto, os respetivos ascendentes eram oriundos da freguesia do Beco, parte pertencente à freguesia de Rego da Murta. Não constando, nos registos consultados, que qualquer deles tivesse tido o apelido Coimbra.
Moisés Coimbra casou no Avelar em 1926 com Maria da Conceição Duarte Moreira. Faleceu no Avelar em 1963.
No ponto atual das pesquisas, terá sido este o primeiro desta família a usar o apelido Coimbra. Como hipótese da respetiva origem temos, como mera possibilidade, o facto de, em Lisboa, quase ninguém saber onde era o BECO, razão para o diferenciarem de outros António José, talvez, pela referência geográfica seguinte, mais comum à época, o Bispado. Lisboa, a capital, pertencia ao Patriarcado, que ía apenas até Tomar. O Beco pertencia já ao Bispado de Coimbra. Mas, pode muito bem a explicação ser outra.
No curso para os Correios da região centro a irmã mais velha da minha mãe  nascida em 1911 foi colega  do Sr. Moisés Coimbra e da sua esposa que começaram por trabalhar em Ansião para se radicar no Avelar onde tinham casa.
Na entrada do cemitério do Avelar vi pelo menos uma campa com este apelido - de Maria de Jesus Coimbra, nascida em 1932.
Seguindo a linha de genealogia do meu marido investigada por Raul Manuel Coelho
Luis Alberto de Jesus Coimbra Valente
1- O descendente em estudo Manuel da Serra foi Pedro António, nasceu e faleceu em Casais dos Maduros, Pousaflores, casou com Maria de Jesus do Martim Vaqueiro, Pousaflores.

2 - O descendente de Pedro António  foi José António Coimbra, nasceu em Casais Maduros, Pousaflores, casou com Maria Rosa  de ascendência Fidalga na linha dos Sousa / Borges de Azevedo,nascida e falecida em Chão de Couce onde ele também faleceu 
Aqui acontece o entroncamento a Chão de Couce de Pedro António que teria vindo trabalhar para a quinta de Cima onde conhece Maria Rosa filha natural dos donos, por não terem apelidos nem ele nem ela, e se estranha nela, quiseram presentear o filho com o apelido Coimbra, a alcunha do suposto cunhado António Almeida "Coimbra" casado com uma irmã de Maria Rosa, por isso elas herdam uma quinta na Mó? Em que os filhos de ambos são primos direitos a viver entre Portelanos e Mó. O primeiro enigma em deslindar a razão do avô do meu marido ter naquele tempo tanta terra que foi uma quinta?

3 - José António Coimbra, ficou viúvo pelo menos com um filho - Manuel Coimbra
Que entronca na pesquisa do Processo de inventário orfanológico de 1891
Inventariado: Maria Rosa (que faleceu)
Inventariante: José António Coimbra (pessoa responsável pela administração do espólio do inventário)
Freguesia: Quinta Cima - Chão de Couce

4 - Manuel Coimbra, nasceu em 6 julho 1840 em Outeiro da Mó, Chão de Couce, foi batizado em 14 julho desse ano em Chão de Couce, onde se casou em 22 agosto de 1876 com Carolina Augusta nascida em 1846,  Exposta.Ambos faleceram no Outeiro da Mó, Chão de Couce.
Casado com uma mulher  exposta na roda, portanto filha de pais incógnitos;  num tempo de senhores de quintas e seus filhos - os Meninos, assim chamados pelas criadas usavam e abusavam das serviçais da casa, sem quaisquer regalias, desonradas e despedidas. Igualmente filhos de pais incógnitos e  também de mãe rica e de religiosas, eram deixadas na roda dos expostos. Em pesquisas que tenho feito a filhos incógnitos no concelho de Ansião, encontrei mães que deram os apelidos dos progenitores aos filhos, apesar deles não os terem aperfilhado, revela terem sido mulheres de grande inteligência e ousadia, em prol de lhe darem o seu apelido ou apelidos relacionados com a igreja. Reza a história que alguns bebés deixados na roda com uma carta ou fio, para mais tarde serem reconhecidos para possivelmente lhes darem a mão e os orientarem na vida dando parte da herança.

5 - Descendentes de Manuel Coimbra e de Carolina Augusta
Dois filhos
Alfredo António Coimbra, nasceu em 31 janeiro 1884 em Outeiro da Mó, Chão de Couce .Batizado em 26 fevereiro do mesmo ano em Chão de Couce. Casou em 3 maio 1905 em Pousaflores com Maria Augusta Ferreira nascida em 27 de novembro de 1883 da Moita Redonda, irmã da minha avó materna Maria da Luz Ferreira. 
O bisavô do meu marido, conhecido pela alcunha "Ti Carolino" do nome da mãe - Carolina.
Conta a minha mãe que o chegou a conhecer - homem de estatura atarracado, andava sempre com o casaco pelas costas, no dizer das bocas do povo não fazia nada, vivia à conta dos pais, mulherengo , cobiçado por mulheres para casarem com ele as filhas, pela fama de ser rico...Parava no Furadouro na beira da estrada numa casa de uma costureira baixa mas jeitosa, solteira, vivia com a mãe doente, acamada que o pai  queria para genro...Um dia o presenteou com uma omelete, a mulher na cama cheirou-lhe a comida fazendo estridente ruído com o nariz... a que o marido lhe respondeu de má voz - não tem nada que cheirar, o petisco aqui é para mim e mé compadre Carolino para os três vinténs da minha Marquitas entre as pernas deste homem..."
Diz a minha mãe que esta mulher se casou com outro, um "cornabancas", ao lhe perguntar o que queria dizer- refere-se a má conduta que ele aceitava...chegou a ir a casa dos meus avós costurar para um dia a minha avó deu com ela e o meu avô enrolados, no recato o chamou à razão logo ali se desculpou - "atão andas com uma roda de filhos, foi para te poupar..."
Veio a casar com a irmã da minha avó materna- a Maria Augusta Ferreira da Mouta Redonda, pesar dos avisos de que não seria bom partido para ela pela má fama de mulherengo - mulher robusta, alta e prendada, aprendeu costura na Quinta de Cima. Apaixonada, não deu ouvidos à família, vieram a construir a sua casa de sobrado na Mó,  ao entroncamento dos Outeiros para a serra e para os vales, onde havia pela frente um grande tanque de água. Alegadamente não foi tratada como bem o merecia, ele bebia muito,  os excessos da bebida fora e em casa, o transformava em demónio...

José Firmino Coimbra
Filho de Manuel Coimbra, da Mó e Carolina Augusta, exposta da roda de Chão de Couce, moradores na Mó, jornaleiros.Nasceu na Mó, mais novo que o primogénito 7 anos, casou no Avelar em 1898 com Adelaide de Jesus, do Avelar, filha de José Rosa.
Emigrou em 1901 ao Brasil.E o filho dele emigrou em 1925.
No pedido de passaporte o apelido "Coimbra" não consta

Passaporte de José Firmino de 1901-06-11 Idade: 22 anos
Filiação: Manuel Coimbra / Carolina Augusta
Naturalidade: Outeiro da Mó / Chão de Couce / Ansião
Residência: Chão de Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Tanto José Firmino, em 1901, como o seu filho Augusto Firmino Coimbra, em 1925, emigraram para Santos, Brasil.Segundo o seu primo, o meu sogro Fernando Coimbra, o José Firmino viveu em Lisboa ao cimo de umas Escadinhas, ao Martim Moniz.

6 - Descendentes de Alfredo António Coimbra
António Coimbra 
Artur  Coimbra
Alberto Coimbra
Júlio Coimbra

O mais velho, o avô do meu marido 
António Coimbra 
Filho de Alfredo Coimbra e Maria Augusta
Nasceu no Outeiro da Mó
Carpinteiro
Casou com Rosa Marques mulher mais velha, na altura se dizia passada da idade, nascida na Mouta Redonda, conhecida por "Ti Rosa da quelha", se conta que o casório aconteceu no julgar dos pais para ele assentar, por ser mais velha e madura, debalde na cabeça dele casou para ter dinheiro para emigrar , o mesmo destino de outros, um de Lisboinha e também do Avelar para a ilha de Fernando Pó, cujos passaportes encontrei:
Passaporte nº 490 de 15.03.1929 António dos Santos (Coimbra) o suposto lapso do apelido era usual
Filho de Alfredo Coimbra e Maria Augusta
Casado. Carpinteiro de 22 anos.
Altura 1,66. Sabe escrever e contar.
Naturalidade - Outeiro da Mó
Residência - Mouta Redonda.
Destino - Fernando Pó

Passaporte para Fernando Pó - África
6.3.1929 de António Xavier dos Santos 33 anos – Lisboinha 

António Coimbra nascido na Mó
Pela foto da caderneta militar era um homem de corpo atarracado como o pai, dele se falava ser um homem de perfil instável, sempre armado nas mãos com o seu pau, era uso naquele tempo, temperamento fogo, violento, conflituoso, nutria o gosto de aventura e liberdade, sem compromissos.Deixou a mulher grávida sem ainda o saber, quando ela lhe escreve a contar a notícia, mostrou surpresa...
O pai do meu marido nasce a 26 de novembro de 1929..
Foto da "Ti Rosa da quelha"(Rosa Marques) com o seu filho Fernando Coimbra, tirada na Casa de Fotografia Paz em Ansião .
Mulher com o filho para lhe enviar para  não se esquecer deles...Que esqueceu!
O padrinho de batismo do meu sogro Fernando Coimbra foi Alberto Mendes Rosa, o mestre de marceneiro que tinha sido colega do seu pai António Coimbra, também emigrou para os Estados Unidos, onde foi bafejado pela fortuna, quando vinha a Portugal ficava hospedado no Hotel Tivoli onde sempre presenteava os meus sogros com um jantar, trazia roupa usada em bom estado que se distribuía em Chão de Couce a famílias mais pobres. O avô do meu marido António Coimbra, foi acometido de uma doença venérea tendo disso morrido. Muitos anos mais tarde um vizinho dos lados do Avelar que também esteve emigrado em Fernando Pó, ao encontrar na camioneta a minha sogra com o casal de filhos, os olhando, lhes achou muita semelhança do seu olhar azul forte travando conversa com ela, chegando ambos a consenso que a sua intuição de meter conversa estava certa - eram de facto os netos de António Coimbra que esteve com ele em Fernando Pó. Graças a este homem atento se conseguiu a certidão de óbito, pois até aí, uma vida , a avô do meu marido, a "Ti Rosa da quelha" foi casada e na verdade o era há muito viúva...
Encontrei há muitos anos numa gaveta o que restava da sua Caderneta Militar de 1927, já sem capa e de lombada descolada, pela humidade...
 
Pertenceu ao Batalhão de Pontoneiros
 Notas: Multas, dia de detenção
Autorização de Licença temporária para Fernando Pó desde 24 de março de 1929
Porventura deixou descendência na Ilha de Fernando Pó!
António Coimbra faleceu na ilha de Fernando Pó, a família só teve conhecimento anos mais tarde por mero acaso numa camioneta do Pontão para Lisboa seguia alguém que esteve com ele emigrado, ao ver o meu marido e a irmã de olhos azuis e parecenças travou conversa, graças a essa pessoa que se conseguiu a certidão de óbito, até então a mulher não sabia se era casada, ou viúva..

O descendente de António Coimbra foi Fernando Coimbra
Fernando Coimbra, filho  de António Coimbra e Rosa Marques natural da Moita Redonda, nascido a 26 de novembro de 1929.Casou com Ermelinda de Jesus da Moita Redonda em 26 de janeiro, dia da feira dos Pinhões em Ansião do ano de 1953

7 - O descendente de Fernando Coimbra foi Luís Alberto de Jesus Coimbra +irmã
Luís Alberto de Jesus Coimbra Valente nasceu em Lisboa precisamente 9 meses depois do casamento a 28 de outubro de 1953 . Casou em Ansião com Maria Isabel Afonso Rodrigues Valente nascida a 05.05.57 em Coimbra , ambos trocaram os apelidos que passaram a usar.
 
8 - O descendente de Luís Alberto Jesus Coimbra Valente é Dina Isabel Coimbra Valente
Dina Isabel Coimbra Valente, nasceu a 21 de maio de 1982 em Lisboa onde vive com o companheiro Samuel Filipe da Silva Moreira, pai dos filhos.

9 - Os descendentes de Dina Isabel Coimbra Valente são até ao momento:
Vicente Coimbra Valente da Silva Moreira 
Laura Coimbra Valente da Silva Moreira
Os meus adorados netos na vida adulta com panóplia de tanto apelido para escolha predileta !


As nossa uvas da Mó quando as há, são biológicas.
O bisavô do meu marido herdou chão de grandes vinhedos na Mó de grande qualidade as cepas altas de várias castas desde Fernão Pires, as mais doces, e outras que se chamavam de mesa, por se mostrarem em cachos grandes de bons bagos desenxovalhados, cuja ínfima quota parte foi herança do meu marido para jazerem em abandono há anos, hirtas a morrer lentamente de pé, mas que em anos sem moléstia se enchem sem cultivo de boas uvas...Era um vinho distinto de sabor único, um palheto escorregadio sempre a pedir mais um copo...quiçá a  rivalizar qualquer outro de chão francês!Acredito que a herança na Mó vem da avó  de Alfredo e Firmino Coimbra, a Maria Rosa de origem fidalga, falta saber a razão de apenas se chamar  Rosa Maria e  se era filha natural dos senhores da quinta de Cima ou bastarda. Que lhe tenham dado uma grande quinta na Mó que o filho Manuel Coimbra herda e se divide pelos dois filhos.
Teria sido a actividade de moinhos de vento e Mó  a ditar o nome ao lugar, arte trazida pelos judeus.
A casa onde viveram os bisavós do meu marido na Mó encontra-se há anos adoçada com uma casita de família aqui aportada do norte a trabalho e passou a residir.
A poente há vestígios de ruína de outra casa que poderia ter sido a primitiva do trisavó Manuel Coimbra.
 Vista da casa do lado norte no tardoz com vinhedos
Quer queiramos quer não muitos nesta região das Cinco Vilas e Ansião estamos definitivamente ligados a estas terras por raízes familiares de primos casados com primos- o meu marido na escala é meu 4º primo, emoções, saudade, mas também admiração!
Mas ainda os nossos ascendentes judeus que se cruzaram com mouros e povo franco.
Apelidos Afonso e Ferreira são judeus e Almeida de Trás os Montes da Casa de Mateus do tempo dos Marqueses de Vila Real que tinham bens nestas terras como a Quinta de Cima, Aguda e Ameixieira.


FONTES
Henrique Dias  e Raul Coelho sobre a genealogia da família Coimbra
http://geneall.net/pt/forum/70011/familia-coimbra/
http://geneall.net/pt/forum/2096/teixeira-de-castro-de-chao-de-couce/
Wikipédia


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Lisboa ribeirinha a oriente em franca remodelação !

Passeio de Santa Apolónia ao Cais das Colunas !
A sapiência no meu caso é fruto de uma vida a observar, a questionar desde criança o gosto pelo património e pela história, a que juntei algum talento para compilar em crónicas.  Obviamente se não houvesse cultura de base a que acrescento a cada dia mais, seria impossível desenvolver pesquisas na net !
Sociedade Abreu Advogados 
Vinda de Santa Apolónia onde deixei os meus netos no comboio para umas mini férias com os outros avós apesar do calor comprei um gelado de limão e em caminhada apreciei o antigo edifício da APL (Administração do Porto de Lx), com 8000 m2 de área bruta de construção e 100 metros de fachada frontal para o Tejo adquirido pela Fidelidade, onde investiu 13 milhões de euros para adaptar o espaço ao seu inquilino - a sede da Abreu Advogados com 200 colaboradores . Prédio sóbrio, no gaveto para a travessa a entrada para o parque de estacionamento implantado no r/c, seguida da entrada com o nome da sociedade de advogados na ligação aos dois blocos.
No caso estes prédios da APL que conheci em total abandono, por ir amiúde a Lisboa aqui passo tendo dado conta das obras de reabilitação, para agora reparar na placa da sociedade de advogados sendo fácil pesquisar, e porque tenho este hábito de partilhar cultura, sou adversa a jogos em telemóveis, mensagens e partilha de coisas fúteis, gosto sim de Portugal, de opinar, e fazer análise crítica no dever de cidadania. Muitas crónicas que tenho feito sobre Lisboa tem tido visualizações extraordinárias onde é fácil verificar substanciais mudanças , fruto de pessoas como eu que observam e facilmente sabem opinar para a sua rápida resolução. Nada me deixa mais rica e satisfeita.Chama-se a isso ser zeladora dos bens públicos tal como o bom governo dos bens particulares que recebi de herança.A título de exemplo quando vou à província ando de enxada na mão com o meu marido a roçar, limpar, podar, cozinho ao lume, sou mulher polivalente, contudo há vizinhos não dão um passo a pé, passam a vida a andar de carro a toda a hora, sentados em esplanadas a exibir as unhas de gel com eucaliptos à porta de casa como se fossem flores...
Novo terminal de Cruzeiros
Arquitetura moderna

Palácio dos Condes de Linhares ou Coculim 
Em fase final de retirada de escombros e limpezas na frontaria


Estacionamento subterrâneo no Cais de Santarém 
Em rota de velocidade depois dos arqueólogos aqui terem andado. 


Parque subterrâneo do Campo das Cebolas
Já se encontra em fase final com plantio de pinheiro manso e vista desafogada.
 


Fundação José Saramago
A sua oliveira a necessitar de poda e a pegada do elefante...
 Escultura a ser montada
 Raízes aéreas entrelaçadas a lembarr como é bom um abraço!
 Igreja da Conceição velha 
Aqui foi na idade média uma sinagoga. O portal da igreja  é o que resta da capela da Misericórdia de Nossa Senhora mandada construir pela rainha D.Leonor viúva de D.João II destruída pelo terramoto de 1755, considerado dos maiores exemplares do estilo Manuelino de Portugal em paralelo com os Jerónimos e a Torre de Belém.
A tarja da Misericórdia na frontaria, levou-me a entrar, há dois anos a última vez que aqui estive, lembro que era muito escura e degradada, aguardava donativos para as obras... 
Pasme-se fiquei maravilhada com o restauro, de notar a estética e a cromática das pinturas, mote a meu ver está a ser seguido noutros restauros de capelas e igrejas.  A sacristia antiga que seria para a frontaria ao lado nascente, com o terramoto foi adoçado um prédio. Nesta requalificação mudou de sitio para junto do altar mor à direita com chão em lajeado primitivo com ligação a um pequeno pátio, fiquei à porta a falar com o segurança que visualizava as imagens dos visitantes, dando conta da claridade que vinha de fora. Ainda não está pronta. Precisam-se de mecenas!
Actualizei a crónica com as novas imagens http://quintaisisa.blogspot.pt/2014/07/igreja-de-nossa-senhora-da-conceicao.html

 Imagem de Nossa Senhora é de uma beleza extraordinária
 
Cais das Colunas 
Continua a exposição de estatuetas de pedras secas ( sobrepostas umas nas outras sem mais nada, em puro equilíbrio) a desafiar as ondinhas dos barcos...onde há mais fotos que moedas deixadas para o escultor!

Não me posso esquecer da exposição "Debaixo Dos Nossos Pés", no Torreão poente, segunda feira, dei com o nariz na porta!
Lisboa está a melhor a olhos vistos a cada dia, por isso um forte fascínio reter em memória para confrontar substanciais diferenças!

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