terça-feira, 12 de setembro de 2017

Políbio Gomes dos Santos poeta de Ansião

 
A foto a preto e branco do jovem poeta revela o rosto de um homem bonito, abençoado de belo olhar lânguido, a lembrar um lago de nenúfares, transparente e doce, com boca carnuda de encantar, no enlace maior o remate do borsalino, o chapéu de felpo-, um fedora, de bela aba semi levantada e copa de vinco bem marcada, ornado de bonita fita em seda que fecha com laço.Sem dúvida alguma um homem galante e sedutor!
Nem ele nem a irmã deixaram descendência.
A fraca qualidade das fotos deve-se à sala museológica com espólio do poeta e da família receber muita luz vinda de fora, as janelas deviam ter cortinas em pvc , e também porque andava um casal jovem a tirar fotos com uma boa máquina e não quis incomodar, os encontrei em dois dias...
Em Ansião, em plena República  nasceu até hoje o maior poeta  conhecido - Políbio Gomes dos Santos. 
Os seus pais quando casaram foram viver no  r/c do solar dos pais do Coronel Vitorino Henriques Godinho onde nasceu  num quartito nos fundos a 8 de agosto de 1911 .
Na década de 60 a GNR funcionava no 1º andar deste solar, e o r/c ao portão era a oficina de  dois irmãos dos lados da Lagarteira que ali consertavam bicicletas e motorizadas.

Pais do Políbio Gomes dos Santos 
Albertina de Sá e João Gomes dos Santos 
O apelido "Sá" é oriundo de Soure e Montemor o Velho, por casamento aparecem no Alvorge, de onde a sua mãe supostamente terá nascido, o pai é de Ansião, nasceu no tardoz da Albergaria da Misericórdia.
Prédio na vila onde os pais inicialmente moraram, como o conheci
Tinha lindos tectos em estuque que os via da escola primária
As fotos possíveis pela luz que se crava nas fotos...
Os irmãos
Políbio Gomes dos Santos e Paulete de Sá Santos
Foto de família de Polibio com a mãe, a irmã e o avô paterno (?) por certo foi tirada no atelier do fotografo Manuel Freire Paz, pelo enquadramento do atelier, para enviar ao marido em África, um hábito para não se esquecerem da família...
Foto do pai do Polibio em África, julgo Moçamedes (?), quando emigrou com outros conterrâneos que voltaram ricos. O fotógrafo é francês.
Foto tirada no atelier fotográfico do amador Adriano Freire Paz  e Cª filho do 1º fotografo de Ansião que aprendeu a arte no Brasil.
Esta foto diz-nos ainda que o Manuel Freire da Paz já tinha deixado a arte de fotografo e passado ao filho que ainda conheci conhecido por "Adrianito da praça".
Políbio Gomes dos Santos após concluir o ensino primário em Ansião frequentou o Colégio Militar dos Pupilos do Exército, em Lisboa, como aluno interno, no período de 1922 a 1925. Interrompeu os estudos por motivo de doença, regressando então a Ansião, para se restabelecer.
Retoma os estudos liceais, desta vez em Coimbra, no liceu Dr. Júlio Henriques no ano de 1928. Mais tarde, entre 1933 e 1937, frequenta os cursos de Direito e de Letras da Universidade de Coimbra.

Polibio vestido com a farda dos Pupilos do Exército
 A sua mala dos Pupilos do Exército
Ao tempo da escola primária já indiciavam a sua veia poética
José Marmelo e Silva, no prefácio à edição de Poemas, da Limiar, de 1981, inclui estas quadras simples da infância de Políbio, que mostram bem o seu talento precoce:

E minha terra Ancião
A terra onde eu nasci;
Dá-me baques o coração
Cuando me lembro de ti
Teus campos tem Olivedos
Encarados pelo sol;
E teus quintais tem Silvedos
Onde canta o rouxinol…

 Os irmãos - Políbio e Paulete
Se o poeta Políbio tinha também o gosto pela pintura supostamente herdou a veia da arte por parte do pai  que desenhou a antiga Placa em triângulo com bancos, o sitio de onde anteriormente já tinham retirado o Pelourinho em 1902 para o local atual, com suporte de novas esferas, que a filha Paulete, bem se empertigou nesse tempo. Teve gosto também pela música. Nos últimos anos do ensino primário tocou flautim na Filarmónica de Ansião, e chegou a compor músicas.

Espólio do poeta doado pela irmã
Desde que me lembro sempre dele ouvi falar e da intenção da sua irmã o doar, e também da casa para nele se instalar um Museu . Por ter tido uma vida longa, julgo que chegou a concretizar a intenção para a desfazer várias vezes, para no último reduto a ter doado à Misericórdia, que a viria a vender posteriormente à sua governanta que dela cuidou até falecer.
Para mim a ilação a retirar sendo  mulher culta, não tendo descendência, a casa  feita pelo pai e tão arreigada à terra deveria ter percebido que depois da morte o que fica é o legado do património, e se o tivesse doado à Câmara com contrato de apoio no complemento da velhice, hoje  prevalecia em Ansião a Casa Museu Políbio Gomes dos Santos.
Suposto dizer que ao não ter feito o que devia, mostrou a meu ver arrogância e altivez, aliás postura defendida na boca de quem a conheceu, basta lembrar que exigia o trato à francesa "Paullete) que determinou ficasse escrito na sua campa fúnebre...
Senhora dona de personalidade vincada em manias e caprichosa.Na boca de outras pessoas a retratam de temperamento extremamente tímido, instável e de difícil acesso, solitária, nada dada a afectos, fechava-se no seu casulo com os seus papeis e memórias. Quiçá tenha sofrido de dor de cotovelo (?) , por não ter sido tão Grande, como afinal o seu  irmão o foi em poucos anos de vida, em prol dela que teve uma vida quase centenária, mas pelos vistos vã de coisa válida, apesar de ter percorrido o mundo por duas vezes...
Em nova se apaixonou por homem da terra que a preteriu, que também não tratou nem respeitou a esposa, por a ter também  trocado pela governanta que amou eternamente...
Conhecia a D.Paulete quando era miúda no dia de Todos os Santos, quando com os cachopos do Bairro de Santo António fomos a sua casa pedir os "bolinhos dos Santos", tanto ela como a mãe se mostraram sorridentes com a alegria das crianças, dando-nos uma nota de 20$00.  
Obviamente teria qualidades, fui ao seu funeral, bem recordo o padre José Eduardo Coutinho que tendo convivido com a senhora na missa  lhe teceu rasgados elogios, para também reparar que os primeiríssimos a abandonar o cemitério foram precisamente quem estava ao tempo na Provedoria da Santa Casa, a quem ela deixou o património...


Vitrines na sala museológica dedicada ao poeta integrada na biblioteca de Ansião
 
Exame de Admissão aos Liceus em 1923
Da esquerda para a direita de pé
Manuel Esteves Alves; Joaquim Rodrigues Maneira; Edmundo Dias; Júlio Gomes da Silva; Amaro  da Costa Faria e José Esteves Alves
Sentados da esquerda para a direita 
Alfredo Simões Lopes Silveira;o Sr José Maria Vaz Prof destes alunos, e Polibio Gomes dos Santos
Não ficou na fotografia António Caseiro por não estar na terra.Retrato tirado 4 anos depois em setembro de 1927.
O Professor José Maria Vaz, tio do Dr. Alfredo Simões Lopes Silveira  natural da Venda Nova, no limite de Chão de Couce com Maças de D. Maria na beira da estrada ainda se encontra a casa na frente baixa em relação há chaminé que se mostra grandessíssima, no cemitério de Ansião há um jazigo de família onde se encontram sepultados.
Venda Nova a casa com a grande chaminé
 O jazigo no cemitério em Ansião
Dedicatória do poeta Fernando Namora, passou férias na casa de uma avó no Vale Florido no Alvorge

Casa construída pelo pai da D.Paulete e de Políbio Gomes dos Santos
O pai do poeta nasceu numas casas atrás desta que pertenceram à albergaria da Misericórdia de Ansião construida depois de 1652. 
Albergaria da Misericórdia
Suposto dizer que foi com o dinheiro trazido de África que o pai de Políbio comprou o lote de gaveto e construiu a casa em arquitetura romântica, airosa, onde não falta o telheiro no tardoz e as pedras laterais nas janelas.Na verdade naquele tempo os que voltavam da emigração com dinheiro as suas casas mostravam a diferença, em contraditório da década de 60, em que os novos emigrantes construiriam aberrações...
Homem de grande habilidade manual e na arte do desenho. Nasceu num casario atrás da taberna que no meu tempo era explorada pelo Carlos Antunes, e haviam no tardoz uns barracões da antiga estalagem que aqui existiu na vila junto da ermida de Nossa Senhora da Conceição. 
Construiu esta casa ao estilo art déco, quando se avizinhava fazer a avenida. A filha Paulete começou por ser professora na Ameixieira,  no seu funeral apreciei antigas alunas do Ribeirinho. 
Um episódio que me contou a D. Piedade Lopes- a sua filha Tininha  teve um azedume com a D.Laura Simões e não queria voltar à escola, era o marido Sr Diamantino que a levava à Ameixieira dando boleia também à professora D.Paulete.
 Textos- Políbio escrevia em qualquer papel


Citar excerto de https://terrasdaribeirinha.wordpress.com/category/polibio-gomes-dos-santos
"Apesar de uma vida curta e de uma obra não muito extensa, não deixa de ser reconhecido como um grande poeta. Segundo os críticos, a sua poesia possuía influências presencistas caracterizada pelo seu tom intimista. Apesar destas influências não deixou de fazer emergir uma intenção social, o que o aproximou do Neo-Realismo.Apesar de uma vida curta e de uma obra não muito extensa, não deixa de ser reconhecido como um grande poeta. Segundo os críticos, a sua poesia possuía influências presencistas caracterizada pelo seu tom intimista. Apesar destas influências não deixou de fazer emergir uma intenção social, o que o aproximou do Neo-Realismo.
O movimento do Novo Cancioneiro constituiu-se a partir da publicação de uma colecção de poemas, por parte de um grupo de jovens poetas que, enquadrados no movimento do Neo-Realismo, tentaram criar uma poesia de carácter social de oposição ao regime de Salazar. Deste grupo faziam parte: Políbio Gomes dos Santos, Manuel da Fonseca, Fernando Namora, Joaquim Namorado, João José Cochofel, Mário Dionísio, Sidónio Muralha, Álvaro Feijó e Francisco José Tenreiro."

Tem dois livros publicados

Um, em vida, “As Três Pessoas”, editado em 1938

A “Voz que Escuta” publicado postumamente em 1944, pelo grupo do Novo Cancioneiro.


Imagem relacionada
Poema Radiografia deste poeta maior ansianense, escrito em Fevereiro de 1939
Interprete: Maria Barroso Ano: 1966
Radiografia
Não sei se era uma esplêndida loucura.
Porém a noite escura, àquela hora,
Veio pôr-me nos olhos
Uma super-visão de Raios X.
Tudo transparente e sombrio!:
Nas caves os criados trintanários,
Sonolentos, senis, alquebrados,
Como em pego profundo, no fundo dum rio,
Deitados.
E em sobrados nos altos das casas
Pessoas suspensas e presas
Nas invisíveis asas.
O clarão dos escuros e silêncios
Apunhalava as coisas indefesas
E era o meu guia.
E eu via, via tudo, entretinha-me a ver,
Aplaudindo em meus olhos
A tragédia funérea de ser. A mulher que eu amava dormia.
E lá estava perdendo a magia
Das formas,
O mistério das coisas opacas.
Ai, eu via os seus órgãos medonhos, eu via,
Comprimidos boiando em fluidos
De estranha alquimia.
As donzelas! as puras donzelas!
– Como eram iguais seus esqueletos
E gesto de guardar a virgindade
Num halo,
Fechadas nas casas, sonhando!
E aqui, ali, além, de quando em quando
As cenas abismais,
Infiltrações letais – promiscuidade!:
Nos ângulos mornos de alcovas solenes,
Dormiam, jaziam casados,
Ventrudos, coitados, casais de burgueses!:
Um respirava o ar que o outro expira,
Cantado, resfolgado,
Como o vapor em máquinas cansadas
Ou moléstias em papos de reses;
E na parede, sobre a mesa de pau-santo,
O cuco do relógio veniava
Quatro vezes.
E ó ruas, ó ruas viscosas,
Dormindo venenosas, como cobras
Digerindo!
Ó casas leprosas,
Envenenando o ar amigo meu e deles!
– O ar já gás emagrecido, manso mas cansado,
Azul e quente,
Pairando sobre as camas a gemer,
Piedosamente!
Ó gente,………………. E lá vinha, e lá vinha a elevar-se do rio,
Um calmo doentio nevoeiro grosso!
Tão velho rio!
Cantado pelos bárbaros poetas…
Tão límpido!
Mostrando-me as enguias nas buracas
E os cadáveres inchados
De afogados,
Espetados nas estacas.
E o silêncio!
Eu e uma cidade!
Apenas o rumor de traças infernais,
A roerem humanos, ocultas, danadas,
Como caruncho em madeiras
De casas abandonadas.
Eu e uma cidade…
Que a lava da noite veio sepultar
Dentro de mim…
Esta Pompeia que me entrou plos olhos,
Com suas mil estátuas e cenas do fim…
Este burgo dos ídolos partidos e painéis
Cruéis, sumidos,
Que a minha alma ansiosa anda a escavar,
E que o loiro dinheiro dos Lords
Não pode comprar.

Em 1938 é internado no Sanatório Sousa Martins (Guarda) com tuberculose, doença que o levaria, prematuramente, à morte apenas com 27 anos de idade a 3 de Agosto de 1939.

Vitorino Nemésio 
Dedica a Políbio um poema, integrado na obra “Eu, Comovido a Oeste”. É muito significativo do afeto e da consideração que por ele sente.Este poema está escrito na sua sepultura. 
      
À Memória de Políbio Gomes dos Santos

O poeta que morreu entrou agora,
Não se sabe bem onde, mas entrou,
Todo coberto de demora,
No bocado de noite em que ficou.

As ervas lhe desenham
Seu espaço devido:
Depressa, venham
Lê-lo no chão os que o não tenham lido.

Que o sorriso que o veste
Já galga como um potro
As coisas tenebrosas,
E esquecido – só outro:
Este
Nem precisa de rosas

 

Os pais e os dois irmãos: Paulete e Políbio Gomes dos Santos jazem lado a lado eternamente!

 

As Três Pessoas
Testamento Aberto
Só para ver curar minhas pernas partidas
Nas dores eternas
Dos saltos gorados,
Eu amo a aparente inconsciência dos loucos,
Embora fique aos poucos nos meus saltos
Desabridos e falhados.

Apraz-me, no espelho, esta face esmagada,
À força de querer transpor o além
Da minha porta fechada...
Porém,
Seja o que for, que seja,
Se uma CERTEZA alcanço
E uma mulher me beija.
Que importa
Que eu fique molemente olhando a minha porta
Aberta,
Ou que eu parta e a morte me espreite
Num desfiladeiro?...
E quem virá chorar e quem virá,
Se a morte que vier for a de lá
Certeira e minha...

E merecida como um sono que se dorme
Após a noite perdida?...
E que piedade anda a escrever um frágil,
Na embalagem dos ossos
Que trago emprestados...
Que deixarei ficar ao sol e à chuva
E que serão limados

No entulho dos calhaus que também foram rocha?...
Para quê, se mil vezes provoco
Os tombos do chegar e do partir?!
- A minha fragilidade
Foi-me dada
                                                                        Para me servir.
Imagem relacionada 
Recorte do jornal Serras de Ansião (Ano XVIII, nº 206, 15 de Agosto de 2007, p. 17) 
"A Câmara Municipal de Ansião instituiu e retomou este ano, no âmbito da sua política cultural, o Prémio Literário Políbio Gomes dos Santos. O prémio, dedicado exclusivamente à poesia e tendo como "patrono" aquele poeta natural de Ansião, é promovido com a colaboração da Associação Portuguesa de Escritores, que indica dois dos três membros do júri.No passado dia 13 de Agosto podia ler-se o seguinte na página de entrada do site do Município de Ansião: Foi revelado no dia 12 de Agosto, em cerimónia integrada nas Festas do Concelho 2007,o vencedor do Prémio Literário Políbio Gomes dos Santos. O vencedor foi Porfírio Simões de Carvalho e Silva, de Lisboa, com o trabalho Horas do Tempo Comum. Para além do prémio monetário de 2.500 Euros, o autor teve a satisfação de, logo no momento de revelação da sua vitória, uma editora ali representada ter manifestado interesse na publicação do seu trabalho.
Este Prémio Literário tinha 68 trabalhos admitidos a concurso, um sinal inequívoco do seu mérito e do interesse que suscitou."
Não consegui apurar se este prémio literário foi descontinuado...(?)
O poeta publicou no jornal Novo Horizonte do concelho de Ansião no dia 1 de Janeiro de 1931, o poema “Soneto”.

Placa toponímica prostrada no chão...
Agosto de 2017, o prédio de gaveto onde estava a placa toponímica com o nome do poeta foi retirada por o prédio ter sido recentemente requalificado, tendo sido a placa retirada, não fazendo sentido, só se a pretendem renovar, senti profunda tristeza ao vê-la prostrada no chão jazendo em abandono sem honra nem brilho...
Anda muito mal o nível cultural de muitos, e não menos  parca ou nenhuma fiscalização nesta terra!


FONTES
Fotos da sala museológica do poeta na biblioteca de Ansião
http://maquinaespeculativa.blogspot.pt/2007/10/prmio-literrio-polbio-gomes-dos-santos.html
http://www.coisas.com/
https://terrasdaribeirinha.wordpress.com/category/polibio-gomes-dos-santos
Jornal Serras de Ansião (Ano XVIII, nº 206, 15 de Agosto de 2007, p. 17) 
https://aviagemdosargonautasdotcom.files.wordpress.com/2015/02/soneto-de-polc3adbio-gomes-dos-santos.jpg

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Dom João de Mascarenhas Vellasques Sarmento e de Alarcão

Para que não se percam as memórias dos locais e das suas gentes
Desde miúda às quintas feiras quando me deslocava ao cemitério com a minha tia Maria do Bairro para  enfeitar as campas dos familiares extasiava no jazigo de  garboso rendilhado em pedra, a imitar crochet,  sem conseguir decifrar a letra, e o porquê do Dom - tão pouco nenhum dos apelidos me ser familiar em Ansião, anos mais tarde em Almada  descobri que o donatário nobre da Quinta da Torre, no Monte de Caparica foi o Conde dos Arcos com os mesmos apelidos  que vim a associar a origem num ramo familiar na quinta do Engenho, no Espinhal, aqui aportados de Espanha com a corte do rei D Filipe I de Portugal, e hoje  com descendência de  Professores Doutores em História, Arqueologia  e ainda da nobre que viveu em  Vale da Couda, sepultada no cemitério de Almoster, num jazigo capela. 
Agradeço a gentil partilha do Representante  Conde dos Arcos 
« A Quinta da Torre foi objecto de expropriação (Diário do Governo, II série, nº 231, 3/10/1974). De referir que não foi aceite a petição dos proprietários de não fazer incluir na expropriação os prédios urbanos e a Ermida de São Tomás d’Aquino, o que é estranho e inexplicável atendendo ao facto de que a Quinta da Torre esteve na Família quase seis séculos!
A expropriação foi efectuada pelo então Fundo de Fomento de Habitação, pelo que os terrenos que não ficaram afectos à Universidade deverão ser propriedade do actual Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado»
Graças ao meu peculiar e curioso olhar sobre o passado, valores sempre em mim a despertar fascinação sobre tudo o que me desperta para correlacionar a terra que amo- Ansião com Almada, onde vivo em permanência há mais de 40 anos, na feliz coincidência de mais descobertas das Coisas que mais Gosto! Bem hajam também os meus pais por me terem proporcionado televisão em 1960 e viagens nas terras circundantes no Maciço de Sicó em festas e romarias, a que juntei o gosto de falar da história e do património para me deixar a questionar, procurar mais e meter conversa com muita gente, pese as vezes sentir o encolho de ombros no errado julgamento o que interessa falar de mortos...A partir de 2009 neste Blog dei inicio a este gosto a falar do património, viagens, pessoas e afectos. Sem mais ajuda, a ouvir coisas que também não gosto, sem jamais perder a vontade depois de ninguém me saber explicar em Ansião quem tinha sido o jazigo da família de Dom João de Mascarenhas Velasquez Sarmento e de Alarcão para em idade madura tanta memória  arquivada se fundir em correlação de mais saber com ajuda fulcral de leituras das Memórias Paroquiais Setecentistas, onde muito consegui deslindar e correlacionar, talento desconhecido aqui exaltado em colocar determinada informação nos espaços que foram o seu palco, e antes jamais alguém o fez no mesmo propósito, embora em história o resulto final quase sempre incompleto, sem medo de sair da base de conforto e de partilhar o que me parece verossímil afirmar, para neste caso à posterior a sorte de ter tido informações de dois descendentes - um apenas se identifica "Alarcão" o outro Representante Conde dos Arcos - ao lerem as minhas crónicas sobre a sua família foi achega de  mais valia a partilha de informação e sem vergonha alterar o que foi a história das gentes que fizeram parte do passado de Ansião e Almada na giza "Remexer no passado adormecido, é um dos deveres de quem está vivo" segundo o meu grande amigo e mentor Rhodes Sérgio.

Quinta da Torre, no Monte de Caparica  da família Alarcão
A Quinta do Neiva a nascente do terreiro da Quinta da Torre tomou a designação da antiga e histórica Quinta da Torre.«Quem também não gostou do suposto e abusivo roubo do nome verdadeiro da Quinta da Torre foi o  12º Conde dos Arcos, D. José de Alarcão, que escreveu ser o  proprietário da verdadeira e única Quinta da Torre, e mandou apor nesta uns azulejos com a inscrição "Quinta da Tôrre, 1570". O relato das minhas crónicas:
http://quintaisisa.blogspot.pt/2016/04/quinta-da-torre-sua-ermida-casa-dos.html e noutra
http://quintaisisa.blogspot.pt/2016/04/quinta-da-torre-sua-ermida-casa-dos.html

Depois da expropriação, há décadas em marasmo a perder-se urge tempo de encetar conversações com a Câmara de Almada para não se perder o que devia ser preservado e dele ainda há memória.Igual atitude em Ansião tem sido a perda de tanto património e do conhecimento cultural das famílias nobres que viveram e quase nada se sabe, e a crónica pretende mais aclarar!
Foto da Quinta da Torre retirada do livro Homens e Mulheres vinculados às terras de Almada 
Origem da família Alarcão do Espinhal
De Toledo, Espanha , acompanhou a corte do rei Filipe I de Portugal, recebendo honras com terras no Espinhal, excerto (...) D. P.° Velasques Sarmento filho 3.° de D. Thomas Velasques Sarmento n. 2. Sucedeo a seu pae na Comenda de S. Eufemia de Penella na ordem de Aviz a qual teve cõ o habito de Christo. Casou em Penella cõ D. Anna Mascarenhas filha de Gaspar Coelho E de sua m." Leonor Maz. e teve 4 D. Thomaz Velasqs. Sarmento 4 D. João (A) Velasques Sarmento 4 D. P.° Velasques Sarmento 4 D. M.*1 Velasques Sarmento (X) — Casou no concelho de Unhão cõ D. I.* f.*(X) — Casou no concelho de Unhão cõ D. I.* f.* de Chrlstovào da Maya Coimbra E de sua m." D. Mag.n*.»
Quinta do Engenho no Espinhal 
Em venda, foto retirada do Google
Jazigo da Família no cemitério de Ansião
De Dom João de Mascarenhas Sarmento e de Alarcão 
Na entrada do cemitério à direita, encontra-se um belo jazigo da família de Dom João de Mascarenhas Sarmento e de Alarcão , juiz de Direito, natural da freguesia e Comarca de Ancião.
Na lateral apresenta  placa de perpétuo, não pode ser trasladado.
Olhando através da cortina de renda  distinguem-se gavetões fechados tendo pela frente uma prateleira com fotos.
Segundo comentário de um descendente de apelido "Alarcão" a quem agradeço a partilha
«A senhora Dona Maria Mascarenhas Sarmento Velasquez de Alarcão, única filha de Dom João Alarcão, viria a receber em testamento além deste jazigo de Ansião, o de Almoster e outro em Penela,  propriedades, e a casa de família da Quinta do Arinto no Espinhal  e outra em Penela, à sua morte sem filhos, a herança foi repartida pelos seus sobrinhos.» 
Requinte da escultura em pedra
O pináculo floral da direita  partiu-se, encontra-se actualmente em cima de um cepo de um cedro cortado junto ao muro...
Depois do pináculo ter estado anos na frente da porta do jazigo, que denunciei,  alguém o deslocou para o canto junto ao muro...
Tardoz do jazigo
Pequena portada com dois puxadores
O despertar graças a um registo vincular da família
http://www.uc.pt/auc/fundos/ficheiros/GCC_RegistoVincularDistritoCoimbra num «Pedido de Registo Vincular nº 17 Dom José Casimiro de Mascarenhas Velasques Sarmento de Alarcão da Quinta de Além da Ponte, concelho de Ansião para três capelas e três morgados de que é o actual administrador, senhor e possuidor, em 21 de Fevereiro de 1863.
Filho de: Dom João Casimiro Mascarenhas Velasques de Alarcão Sarmento. Este vínculo é constituído por três morgados e três capelas, todos no concelho de Penela.
Morgados:
a) o instituído por Gaspar Coelho Mascarenhas, em 17 de Junho de 1691;
b) o instituído pelo reverendo padre Dom Pedro Coelho Sarmento Mascarenhas, por escritura de 3 de Fevereiro de 1692
c) o instituído por Dom Manuel Velasques Sarmento, em 7 de Setembro de 1713.
II Capelas
a) a instituída por Pedro Fernandes de Pontes, em 3 de Abril de 1607;
b) a instituída por Dona Margarida Simões, em 14 de Março de 1641;
c) a instituída por Dona Isabel de Mascarenhas, em 2 de Fevereiro de 1676."

Dom João de Mascarenhas Velasquez Sarmento e de Alarcão
Nascido em Ansião, na Quinta de Além da Ponte, filho de Dom José Casimiro de Mascarenhas Velasques Sarmento e de Alarcão  E Dona Maria Delfina de Lima. Filha do Dr.Francisco José Mendes Lima, bacharel em Medicina  a mãe  Ana Umbelina Godinho Freire, naturais de Ansião.
Percurso académico retirado de http://pesquisa.auc.uc.pt/details?id=221500
João de Mascarenhas Alarcão Velasques Sarmento (D.)
Datas de produção
1860-10-03 a 1865-07-14
ProdutorUniversidade de Coimbra
História administrativa/biográfica/familiar
Filiação: José Casimiro de Mascarenhas Alarcão Veslasques Sarmento (D.)
Naturalidade: Ansião
Faculdade: Direito
Matrícula(s): 03.10.1860
Exames: 3.º 17.06.1863 Aprovado Nemine Discrepante, Atos n.º 23, fl. 51v.
4.º e grau de Bacharel 09.07.1864 Aprovado Nemine Discrepante, Atos n.º 24, fl. 108
Formatura 14.07.1865 Aprovado Nemine Discrepante, Atos n.º 24, fl. 192
Depois de formado voltou a Ansião onde foi confrade da Irmandade do Santíssimo Sacramento de Ansião em 1866- Lamentável ao tempo o registo feito pela mão do próprio com dificuldade na leitura, no caso o nome deste confrade mostra-se bem perceptível, por ser licenciado, ainda solteiro .



Árvore genealógica enviada por Henrique Dias
O juiz teve uma única filha Dona Maria Mascarenhas Sarmento Velasquez e de Alarcão, não teve filhos, aquando da sua morte em testamento deixou os três jazigos aos sobrinhos (Ansião, Penela e Almoster).
O certo seria a toponímia na rua actual de S Pedro ?
Vir a ser atestada Rua Juiz D João de Mascarenhas Vellasques Sarmento e de Alarcão
No gaveto da rua detectei esta ruína atrás de um muro com uma janela de avental e pedras a ladear a mesma. De quem teria sido esta casa?
Foi aqui que viveu a família Alarcão?Ou...
                         
A Quinta de Além da Ponte, em Ansião
Ganhou este nome depois da construção da Ponte da Cal sobre o Nabão em 1648, data que correlacionei da sua adjudicação a um mestre de obras de Fala, Coimbra.
Esta quinta tenha nascido da desmembração da quinta das Lagoas dos Menezes e Noronha que entroncaram com esta família.

As Memórias Paroquiais Setecentistas  do  juiz, Manuel Rodrigues em 1721 fazem referência a uma
"Capela que instituiu Joana Baustista do Moinho d'Além da Ponte termo desta vila  a dita instituição aos 13 de setembro de 1696 annos; he possuidor e administrador della Manoel Matheus do mesmo termo; manda dizer quatro missas cad'hum anno."
Este excerto revela em 1696 Manoel Matheus era possuidor e administrador da capela mandada instituir por Joana Baustista. Não tenho dados se os focados eram marido e mulher. Podiam ter sido, na possibilidade dele ter ficado viúvo ficou dono e administrador da capela, o que explica a data do lintel da casa virado a sul de 1676 (?), ser a data da institualização da capela pela mulher. Hipótese a investigar se é verdade, que me parece verossímil de afirmar!
A quinta nasce na margem norte da ribeira do Nabão, seria do Mosteiro, aforada com a actividade da moenga do moinho de água, servida  pelo caminho para na Constantina.
A família Alarcão tenha vivido na  Quinta de Além da Ponte  neste solar do Moinho,  outro ramo familiar teve uma casa e moinho, aos Moinhos no Espinhal  com brasão, aqui também deveria ter, mas não existe, outra eventualidade teria sido na "Quinta conhecida  D Fernanda 29",  requalificada durante o século XX.

A casa antiga junto do Moinho d'Além da Ponte em requalificação
1676?
Segundo um registo em Memórias Paroquiais 
"(...) de 1792 sobre a nova circunscrição ansianense o corpo da vila tinha 61 fogos, o Bairro de Santo António 10 e Além da Ponte 2".
Não se sabe quando aqui se instalou a família Alarcão.  Se em 1792 em Além da Ponte, apenas viviam duas pessoas, instiga a dizer seria um casal , ainda sem filhos.
Nos Moinhos, Espinhal,  existe uma casa brasonada de outro ramo desta família, instiga a dizer que se foram fixando com a actividade de moengas, moinhos de água.
No solar conhecido pela "Quinta da D Fernanda 29", pese ter sido requalificado, no entanto a parte da adega ostenta uma cantaria numa janela muito semelhante ao padrão do Fundo da Rua que foi erigido em 1686 , teria tido capela ou oratório de orago a S. Pedro. A  venda da Quinta no final do séc XIX o novo proprietário a tenha demolido. Plausível a família tinha brasão e se perdeu.
A Quinta de Além da Ponte foi uma das quintas do Mosteiro de Santa Cruz, verosímil  em meados da centúria de 600 quando o Dr António dos Santos Coutinho veio a Ansião para construir uma nova capela para a Misericórdia e instituir em seu nome um Morgadio, no termo de Ansião, o vim a correlacionar na margem norte da ribeira do Nabão, a poente da estrada de Além da Ponte e do outro lado da estrada o palco doutro Morgadio, que se aborda nesta crónica da quinta de Além da Ponte. A extinção dos Morgadios por D. Luís e a guerra liberal ditou a muitos nobres  tomaram partido de D. Miguel, este saindo perdedor do trono de Portugal para o seu irmão veio a precipitar a venda de  património e a fuga de nobres, sendo perseguidos e alguns mortos.  Na verdade ao que parece aporta a Ansião em finais do século XIX um conterrâneo da família Alarcão dos lados de Miranda do Corvo, chamado Abel Falcão, regressado de  Moçâmedes, rico, comprou a Quinta de Além da Ponte onde se instalou com afilhados mulatos, suposto serem filhos, tenha sido para calar o cliché do povo a sua iniciativa em mandar erguer na margem da ribeira uma capelinha para o povo,  por isso pequenina, doando as Imagens de S Pedro da capela ou oratório da sua quinta e o S. João da capela do moinho, que se destacam na capela em relação à Imagem da Rainha Santa Isabel, moderna, segundo informação oral a Rainha Santa Isabel vinha dentro de um oratório, sem se saber de que casa.
Na verdade a capelinha deAlém da Ponte nada indicia do seu passado setecentista, nem estela, apenas viva na tradição oral dos familiares do Padre José Eduardo Reis Coutinho, seu descendente. O que se destaca  é uma construção ao género das Alminhas, espalhadas pelo concelho do séc XX . Em meados deste século a quinta de Além da Ponte seria desmembrada em duas, uma parte foi vendida ao comerciante da vila "29" e a outra parte do moinho , segundo a Carmita, filha, do Sr Pires da Sarzedela, a quinta era de uma senhora da Granja que a vendeu ao seu pai. O moinho ou munho, como também era conhecido ainda laborou no meu tempo. Ainda na penumbra as transacções desta quinta, instiga a pensar se a senhora que vendeu era da Granja, aconselharam-me a falar com a Ti Celeste da Constantina.

Abel Falcão
Irmão do militante do Partido Republicano Francisco Fernandes Rosa Falcão,  veio a ser Presidente da Câmara de Ansião, havia de merecer honras na toponímia ao Fundo da Rua para Além da Ponte. Sem ter lido a acta da Assembleia camarária de atribuição, fica lançada a dúvida, se designa o que foi o dono da Quinta de Além da Ponte - Abel Falcão ou o irmão - Francisco, o que foi Presidente da edilidade e Governador Civil, atestado na toponímia em Avelar por Dr. Rosa Falcão.

Capelinha de Além da Ponte
O Padre José Eduardo Coutinho escreveu no seu Livro sobre Ansião
« Segundo uma tradição oral familiar o seu ascendente Doutor António dos Santos Coutinho foi quem mandou erigir a Capelinha em Além da Ponte.»
A foto mostra a Capelinha seguida da casa do Dr. Vitor Faveiro adoçada na casa que foi dos avós paternos do Padre Coutinho, seguida de casario de outros familiares. O Dr António dos Santos Coutinho veio a Ansião construir a capela da Misericórdia e lhe anexar uma albergaria que terminou em 1702. Nessa altura instituiu um Morgadio cujo chão desde a margem norte da ribeira do Nabão até à imediação do Rabaçal, o que correlacionei nas Memórias Paroquiais, onde teria erigido duas capelas em memória da Rainha Santa Isabeluma capela ao inicio, junto da Ponte e outra na Junqueira.Porém em 1706 um forte vendaval destruiu a capela da Misericórdia, se olharmos ao enfiamento com a capela de Além da Ponte que era da Rainha Santa Isabel  dizer também se tenha destruído.A capela da Misericórdia esteve inoperacional  até ser de novo requalificada na centúria dos meados de 800. Na passagem dos desertores franceses do Buçaco não há registo de incidentes com esta capela de Além da Ponte, e na Misericórdia há marcas de duas fogueiras no seu lajeado onde estiveram com os cavalos.

A Capelinha de Além da Ponte de evocação a S. Pedro já existia antes de 1903
Atestada por Alberto Pimentel no seu Livro Estremadura Portuguesa
A capela nasceu para evocação à Rainha Santa Isabel em Além da Ponte, no inicio do Morgadio do Mestre Dr António dos Santos Coutinho, de quem era ferveroso devoto para não se perderem as memórias da sua passagem por Ansião, a tenha mandado erigir mais acima do local onde hoje se encontra, por causa das cheias .Debalde perdeu-se em parte a evocação à Rainha Santa Isabel nesta Capelinha de Além da Ponte passando a ser venerada em segundo plano, sendo o orago S. Pedro, evidencia  que a nova Capelinha pretendeu invocar não a Rainha Santa Isabel, o seu primitivo orago e sim o S Pedro, a Imagem que veio da capela do solar da quinta de Além da Ponte.
Havia esta capelinha de sofrer nova requalificação pelo Dr. Vitor Duarte Faveiro quando ampliou a sua casa para sul, anos 30/40 a deixando encravada dentro da sua propriedade, porque antes se passava por detrás , ainda na memória do povo.  
Casa do Dr Vitor Faveiro e a capelinha
  Euzinha sentada na Ponte da Cal a pensar no que foi este rico passado em Ansião

Fontes
http://www.uc.pt/auc/fundos/ficheiros/GCC_RegistoVincularDistritoCoimbra
https://almada-virtual-museum.blogspot.pt/2014/11/conde-dos-arcos.html
http://www.jf-espinhal.pt/historia.php
https://play.google.com
Livro das Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes
Livro de Ansiâo do Padre José Eduardo Reis Coutinho 
Arquivo da Universidade de Coimbra  RegistoVincular n 10
Alberto Pimentel no seu Livro Estremadura Portuguesa.   
https://www.vortexmag.net/talvez-tenha-origem-judaica-e-nao-saiba-lista-de-apelidos-judaicos-em-portugal-e-no-brasil/3/ 
Partilha de dois descendentes "Alarcão"

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