quarta-feira, 21 de março de 2018

António Joaquim de Bastos Guimarães meu ascendente de Fafe

Interessei-me pela genealogia de António Joaquim de Bastos Guimarães que localizei em https://geneall.net/pt/forum/166442/ansiao-antonio-joaquim-de-bastos-guimaraes/  na procura de ascendentes Rosanna, a viver no Brasil,  filha ou neta de um dos dois irmãos Lopes, do Alto, ao Vale Mosteiro, emigrados em Santos, desde os anos 50, com outro irmão  o "Zé Carates", primos  em 2º grau do meu pai Fernando Rodrigues Valente, por parte da mãe deles com o meu bisavô Elias da Cruz.
Jorge Resende respondendo a Rosanna- Pesquisar o assento de batismo é muito difícil, pois que em primeiro lugar, os nomes dos pais não são conhecidos; Guimarães cidade tem várias freguesias, e apenas pelo nome de António exposto, decerto que vários aparecerão sem se ter a certeza de qual seja na realidade, a menos que ele tivesse sido adotado por alguém que tivesse legitimado essa adoção e junto do padre da igreja da paróquia onde ele foi batizado apenas como António exposto, tivesse havido uma transcrição do real batismo dele e só assim se tinha a certeza. Nasceu em 1808 natural da Freguesia de Fafe, Bispado da Cidade do Porto.O seu filho José Joaquim escreveu que o seu pai tinha mais ou menos 70 anos quando morreu, era natural da cidade de Guimarães, e ficou com um carimbo para toda a sua vida, por infelicidade dele, pois foi um ser exposto, ou seja, no momento do seu batismo, não se lhe conheciam os pais, e foi posto na roda, ou seja, foi abandonado com dias numa caixa rotativa que havia nas igrejas portuguesas para acolher os bebés abandonados
O seu casamento com 20 anos devia ter ocorrido depois de 1828 em diante e antes de 1848, só não sei se em Ansião ou em Maças de D. Maria.
A minha árvore genealógica feita por Henrique Dias
Falar de António Joaquim de Bastos Guimarães, meu ascendente 
Exposto na Roda em Guimarães
Razão de ter vindo aportar ao Bairro de Santo António, Ansião? 
Se foi exporto, das duas uma, ou era filho de alguém importante fruto de uma relação fora do casamento contudo não o quis descuidar , até porque sendo menino o quis proteger pagando para ter estudado ou teria sido algum padre  que o apoiou,  para aportar a trabalho no Tribunal da Cabeça da Vintena sediada no Bairro de Santo António, em Ansião.Mas porquê Ansião? Ele vinha de Guimarães e provavelmente vinha  a caminho de Lisboa, pela estrada que então passava pelo Bairro, em Ansião, ali parou para comer e até dormir numa estalagem, onde  conheceu a mulher com quem veio a casar ficando a meio caminho do destino  e por saber ler e escrever teve emprego no Tribunal da Vintena ali sediado na Cabeça do Bairro. Casou-se  com a Ana da Purificação, natural do Bairro de Santo António em Ansião
Tiveram  quatro filhos.
1- Maria da Piedade batizada em Maças de D Maria casou com Manuel Leal da Fonseca Junior  de Ansião talvez em 1879 . Tiveram Ludovina de Jesus (1885-1963) casada com Adelino Lopes (1884-1968) ela de Ansião ele do Marquinho,  Santiago da Guarda. Tiveram um filho Eduardo Fonseca, Piedade Lopes da padaria e mais irmãos.

Adelino Lopes (1884-1968) do Marquinho, São Tiago da Guarda, casou-se em Ansião
Filho de Francisco Lopes (1846) e Augusta Rosa(1851)ambos de Marquinho
Neto paterno de Manuel Lopes e Joaquina Maria
Materno de Manuel Gomes e Margarida Rosa (1812)

Manuel Lopes (Avessada de Baixo) 

Filho de Manuel Lopes e Veríssima Maria
Neto paterno de Manuel Lopes e Mariana Freire
Materno de Mathias Lopes e Teresa Freire

Joaquina Maria
Filha de Manuel Mendes e Maria Josefa
Paterna de Manuel Mendes e Rosa Maria
Materna de Maria Jerônimo

Todos de São Tiago da Guarda/Ancião

Outro ramo dos Lopes
Da tia do Alto, irmã da minha trisavó Adelina Augusta, mãe de 3 filhos, dois vivem em Santos no Brasil, o pai era conhecido pelo Ti Francisco da Vinha.

2 -Adelina Augusta  batizada em  1848? em Maças de D Maria - A minha trisavó.
Casou com Manuel da Cruz de Tornado, Alvaiázere, batizado em 1851. Ferrador
Filhos:
Elias da Cruz, meu bisavô nascido no Bairro de Santo António em 1881.
Casou com Maria Jose da Conceição de Ansião e viveram ao Alto, Vale Mosteiro
Tiveram Piedade da Cruz a minha avó paterna  e Maria do Carmo; Maria da Luz, Ermelinda, Amélia, Fernando, este sem descendência.


Portanto a Ludovina de Jesus e a Adelina Augusta eram primas direitas nascidas no Bairro. Incita a dizer o avô delas António Joaquim de Bastos Guimarães depois da extinção das Ordens Religiosas comprou em haste pública um grande quinhão da que foi a quinta do Vale Mosteiro de Cima, chamado Vinha do Alto, onde teria havido uma estalagem para viver o meu bisavô Elias da Cruz e a irmã da minha bisavô a tia do Alto e demais descendentes com terras.
A quinta do Vale Mosteiro de Baixo teria sido adquirida por Manuel Leal da Fonseca Júnior e por fim foi de José da Fonseca Lopes que vendeu parte ao Dr Domingos Botelho de Queiroz . Morreu e a sua viúva , Maria Francisca  vendeu-lhe o último quinhão, vivia na casa na vila, na rua de trás onde veio a morar a tia do meu pai, Maria do Carmo da Cruz., irmã da minha avó. Ainda hoje vivem no seu palco familiares.

3- José Joaquim Bastos Guimarães casou com Genoveva Maria Ferreira, da Cumeada, viveu em Ansião teve um filho José,  que  faleceu.

4- Maria das Dores com descendência em Figueiró dos Vinhos

António Joaquim Bastos Guimarães 
Foi oficial de diligências do Tribunal da Comarca de Leiria, ou seja, tinha como incumbência chamar à porta das salas de audiências os indivíduos que iam para julgamentos, testemunhas, etc, além de outras funções, com muita certeza no Tribunal na Cabeça do Bairro de Santo António em Ansião onde este poder se manteve até 1875.
Imagem 193 do livro de óbitos de Ansião de António Joaquim de Bastos Guimarães 
O seu falecimento deu-se por volta de 1878 em Ansião.Tinha mais ou menos 70 anos .
Registo de falecimento enviado por Henrique Dias
Aos 8 dias de fevereiro de 1878, deixou testamento e filhos. Foi sepultado no cemitério público.


José Joaquim Bastos Guimarães 
Nasceu na "distinta Vila de Maçãs de Dona Maria" cerca de 1855, e era Oficial de Diligências na Vila de Ansião, onde residia. Era filho de António Joaquim de Bastos Guimarães natural da Freguesia de Fafe, Bispado da Cidade do Porto, e de Ana da Purificação natural do Bairro de Santo António, Freguesia de Ansião e casou em Maçãs D. Maria em 09.02-1880, com Genoveva Maria Ferreira natural da Cumeada, M. D. Maria. Uma das testemunhas era Escrivão do Juízo de Direito da Comarca de Ansião.

Ansião Rua Políbio Gomes dos Santos
Casa onde viveu José Joaquim Bastos Guimarães .
Conheci  a casa em ruína onde passava depois da meia noite com a minha mãe após o turno do PBX no correio velho  e tinha medo. No portão da garagem houve um latoeiro , o Serralha, era do Bairro, viviam na que foi a prisão feminina, depois de desativada .
O casal viveu em Ansião, o único filho José faleceu deixando a mãe dele a herança a uma irmã da família"Namora"do Alvorge  - D Deolinda casada com o  Sr. Pires. Outra irmã delas era a esposa do Sr Júlio José da Silva do Fundo da Rua.A casa  esteve uma vida alugada ao Dr. Melo e à Sra D. Otília 
A casa onde faleceu a viúva de  José Joaquim Bastos Guimarães
Para onde se teria mudado depois de viúva ou depois da morte do único filho José, mais próxima da vila Nos anos 40 a Tina Parolo ou a irmã Lúcia confidenciaram-me que se sentavam ao entardecer nos bancos namoradeiros das janelas da frente, as duas à vez vinham aqui dormir fazendo companhia à senhora diziam se chamar Maria Augusta , já a conheciam do tempo que morou na outra casa, mais perto do Ribeiro da Vide, defronte da quinta do avô delas, hoje o Bairro da Câmara.
No cemitério de Ansião existem sepulturas onde é imperceptível decifrar o epitáfio, uma delas deve ser desta família Bastos Guimarães.

Figueiró dos Vinhos 
Foi Presidente da Câmara desta vila entre 1926/30 o Dr. Mário Guimarães Cid das Neves e Castro, filho de Francisco Augusto das Neves e Castro de Figueiró dos Vinhos, bacharel aprovado em direito, suficiente, com 10 valores em 1902.De onde teria herdado o apelido Guimarães?
No Bairro de Santo António, viveu a a família dos Seralhas/Castro, um descendente Levi que viveu ao Fundo da   Rua.Sem saber se existe alguma ligação(?).


Fontes
https://geneall.net/pt/forum/166442/ansiao-antonio-joaquim-de-bastos-guimaraes/
Memórias de Figueiró In: União Figueiroense, n.º 370 (1 de fevereiro de 1918), p. 2. D. Henriqueta Guimarães Cid das Neves e Castro.
Testemunho da Tina e Lúcia Parolo 
Testemunho de Maria de Fátima Fernandes

sábado, 17 de março de 2018

Lobbis em deslocar a mostra da feira de antiguidades e velharias de Setúbal

Recebi à algum tempo uma circular  dando nota de reunião marcada para um departamento do Mercado em Setúbal  para esclarecimentos e novos procedimentos na MAV de Setúbal, à qual não assisti porque não sou feirante assídua, apenas faço algumas feiras quando me apetece, é mais um hobbie para descomprimir com gente anónima pela partilha de saberes que em abono da verdade me dá sempre prazer inexcedível, e claro rever os meus bons amigos, que alguns considero como família. Debalde estive ausente na província e faltei a duas feiras, ainda assim o ganho e sorte da boa amiga, a Maria,  pelo telefonema que me distinguiu dando conhecimento da sua apreensão com as substanciais alterações  que por aí se anunciavam, contudo sem saber se seria boato ou verdade. De imediato enviei um email ao departamento de feiras cuja resposta trazia um organograma do novo espaço onde doravante se passa a desenrolar o certame  e ainda um telefonema despoletado pela incerteza que podia pairar numa maioria de feirantes,  porque a última feira também não se realizou pelo mau tempo não tendo sido entregue circular dando conhecimento dessa realidade. Apenas foram afixados alguns prospectos na baixa da cidade com a indicação da mudança do local da feira, não havendo nenhum Out  door publicitário, o que inviabiliza à partida o insucesso da mesma no acrescer a outras arbitrariedades focadas descaradamente aos feirantes. Fiquei chocada ao saber que na reunião de 22 de fevereiro no Mercado de Setúbal, foram informados dois representantes dos feirantes - Sr Vitor Neves e Sr António Pires,  sobre as novas mediadas a implementar na MAV em deslocar do terreiro habitual  o jardim Luísa Todi  para o Largo Zeca Afonso a partir de 17 de março. Aos meus olhos com dois dedos de testa, trata-se de um lugar desabrigado, uma parovela invadida por gaivotas a esboçar na roda dos caixotes de lixo e habituadas aos empregados dos restaurantes que se divertem em atirar ao ar  carcaças secas para o terreiro onde doidas em magote se debatem em voos a pique até que as picam...Se a feira já se mostrava fraca sendo o seu local central, aqui pela certa será fracasso total por se mostrar desenquadrado dos meandros geradores de grande movimento como o  Pingo Doce, Mercado, centro histórico e do movimento das excursões.
O novo terrado em  calçada antiga já com bastantes aluimentos hoje se mostrava alagado em grandes poças de água, os lugares não estão marcados, antes medidos a "olho", quando o deveriam ser pela medida certa, a que efectivamente é paga, como em qualquer outro certame assim ditam as regras, embora pese a ideia que um bocadito a mais não implica em nada, e nisso se tem o staf mostrado benevolente. O que se lamenta e protesta é a atitude apressada com a brutal mudança de local  o habitué efectivo há anos para vendedores e clientes fidelizado por ambos na restauração ali a dois passos, e do  buliçoso movimento gerador dos vários pólos; Museus e do Mcdonald's, mas sobretudo das excursões pela novidade que lhe davam vida, havendo  sempre alguém que compra alguma coisa, porque o Sado, esse belo rio azul em distância  se mostra relativamente, a mesma. O lobbie do estacionamento na avenida, necessário para os turistas que enchem os hotéis...o que falta fazer pela câmara é  um silo com restaurante panorâmico no mirante e resolver a falta de estacionamento!
Desagrada substancialmente a forma como os vendedores foram tratados, sem respeito algum que bem o mereciam, quer pelos seus representantes, em abono da verdade não reconheço os nomes, podendo até os conhecer de vista, o certo é qualquer pessoa que aceite ser líder de uma comandita para os representar deve ser  pessoa armada de perfil bastante para se debater nos interesses que representam, com garra para marcar posição e destaque, quiçá se  impor determinado às contrariedades, e na verdade constatei que ninguém me abordou sobre esta temática ou me transmitiu fosse o que fosse, afinal pergunta-se que papel tiveram estes representantes a favor dos seus interesses e o dos colegas?
Também desprestigiar o papel da Sra Presidente da edilidade, sendo uma senhora filiada no partido comunista, de quem à partida pelos normativos que se rege esperava sinceramente mais na abordagem pessoal, no terreiro da feira, onde supostamente nunca foi e devia ter ido para auscultar da boca dos feirantes, as suas mágoas, entre muitas estiveram anos a fio sem casas de banho, apenas agora o foram recentemente abertas ao público e a pagar, e ainda a imposição do impropério na obrigatoriedade de todos terem chapéus brancos para o sol para o certame se apresentar esteticamente harmonioso, digo eu... o que a sra Presidente devia ter feito era o trabalho de casa e deslocar-se a Lisboa a feiras como Belém, de grande afluência turística e retirar proveitos, local onde a JF disponibiliza um atrelado com as bancas e respectivos telheiros fazendo publicidade à freguesia, e assim todas as bancas se mostram no certame iguais que em nada colidem com ninguém aos pés dos Jerónimos,  somente a sala de visitas a poente de Lisboa!
Estranhei pelo Natal a colocação de uma enorme árvore alusiva à época natalícia patrocinada por um hotel, ao meio do jardim,  sem aviso prévio obrigou à deslocalização de alguns feirantes, que os vi coitados durante o tempo que ali esteve andarem na procura de um lugar provisório para armarem a banca.Não é justo, os feirantes tem direitos e obrigações, mas todos lhes faltam ao RESPEITO. Nomeadamente a sra Presidente feliz com a nova viragem que a cidade está a tomar comandada pelos grandes interesses de meia dúzia de capitalistas milionários depois de quase toda a Lisboa já comprada alguém do imobiliário lhes abriu os olhos para investirem a 50 km, atendendo às acessibilidades das duas pontes em meia hora estão na capital. Lembro-me bem como era Setúbal desde há 20 anos onde em geral me deslocava todos os sábados para desfrutar do centro histórico que me deleitava e fazia compras sobretudo no Mercado, de todos os que conheço no País o mais deslumbrante pelo painel azulejar azul e branco da parede sul, do buliço e policromia na abundância de peixes, frutas, legumes, queijos e pão... Para assistir a se definhar abruptamente com lojas a fechar e a galopante  reviravolta que se assiste há uns poucos anos pelas grandes obras de vulto, que a cidade bem merece para desfrute de todos os concidadãos quer setubalenses e os demais que aqui  aportam. A grande explosão imobiliária que está a acontecer a olhos vistos nas malhas da cidade de Setúbal não é alheia a ninguém que vá ouvindo o que diz o povo desprotegido, ao que parece alegadamente estão a desalojar um grande mamarracho perto do Mercado para se fazer mais um hotel. E são estes os lobbis de grandes interesses que chama  turismo de massas e gente muito endinheirada que alegadamente exerce  forte pressão na autarquia para a libertação do jardim Luísa Todi para se poderem fazer passear livremente no passeio púbico, à imagem do século XIX...Portugal a cada dia mais pobre a vender-se descaradamente aos estrangeiros, não me conformo!
Medidas desta natureza drásticas, desprestigiando o cidadão feirante, aquele que tem menos recursos sem quaisquer atenção, tão pouco o merecido respeito em os rotular de coitadinhos, emergentes desempregados, sem eira nem beira, uns pobretanas, tanto descrédito aos profissionais mercantis ambulantes que se desgrudam para ganhar alguma coisa e ainda se habilitam a confrontar as intempéries do mau tempo de chuva, calor e vento, quantas vezes a perder mercadoria e a sair da feira sem fazer um euro, ainda tem de acatar o que lhe ditam sem refilar, ninguém lhes dá ouvidos, ninguém os protege, ninguém os defende, é comer e calar, analisados com altivez de cima para baixo sem lhes denotar qualquer crédito, actuação fria e calculista porque os reconhecem como arraia miúda , sem voto, ou o tendo não lhe dão qualquer valia nesse continuado desprezo, agora de maior verticalidade este vexame de os enxotar para fora de portas para um infinito marasmo imensurável de chão a perder de vista, por se mostrar tão cru nem apetece ao comum visitante atrevimento de o ultrapassar, mal alindado de pórtico inestético, quanto a mim o grande Zeca Afonso merecia  ser perpetuado com arquitecto de melhor traço e ainda urbanista em retraçar o terrado que se mostra um fracasso naquela urbe.

Tamanha  descredibilização e irritação neste mau estado a que acrescento no último mês ter assistido em Algés à passeata do Dr Isaltino Morais a ser abordado por uma  colega  sobre a questão da entrada das viaturas no recinto, que lhe responde - "estou em dia de folga, por favor não me incomode"...quando o certo é todo e qualquer presidente camarário estar sempre presente, a toda a hora, para auscultar os seus cidadãos por isso se candidatam a um cargo de extraordinária exigência, e ainda o dever em ser delicado sem magoar na resposta ali a feirante que usou um tom frio e ríspido, que era também sem ele o saber, o dia do seu aniversário!Podia ter tido a sapiência de responder por outras palavras, sem magoar!
O meu grito em repto no lamento que nas últimas autárquicas o PS não tenha ganho as eleições em Setúbal!
Engº Fernando Paulino  candidato à Câmara PS e o seu staf
Citar excerto do Diário da Região
" O Engº Fernando Paulino, candidato à Câmara Municipal, salientava que “a lista para a Câmara Municipal era constituída por número igual de homens, mulheres e de independentes” e que a candidatura se alicerça “nas pessoas, nos jovens e menos jovens, pessoas que nos diferentes órgãos autárquicos do concelho se candidatam para afirmar a sua cidadania, em prol da sua terra e das suas gentes, para tornar Setúbal a capital da igualdade e da solidariedade”.
O programa estratégico do PS para os próximos quatro anos de mandato “assenta em seis eixos, Setúbal Qualifica, Setúbal Emprega, Setúbal Aproxima, Setúbal Solidária, Setúbal Justa e Setúbal Melhor”.
Os portugueses sabem hoje que, graças ao governo do PS, temos um Portugal melhor. Pois também os setubalenses e azeitonenses sabem que confiar no PS para liderar a Câmara Municipal é sinónimo de uma Setúbal de todos e para todos, uma Setúbal Melhor”, afirma o cabeça-de-lista à Câmara Municipal para vincar os compromissos assumidos pela candidatura socialista."
Conheço o Engº Fernando Paulino há anos, cliente e visitante habitual do certame de velharias de Setúbal e de Azeitão, onde há mais de 10 anos numa banca o meu marido apreciava um relógio para encaixar numa peça que herdou do pai , até ao momento que se aproxima acompanhado da esposa, apenas nos conhecíamos de vista das feiras na cumplicidade do mesmo gosto de apreciar e comprar, que ao se aperceber tira do bolso um relógio já comprado na feira e ali nos oferece. São gestos simples como este, independentemente do valor facial que nos deve engrandecer e fazer acreditar que se trata de pessoa de valores credíveis e altruísta, teria sido a escolha certa no voto útil dos setubalenses, e o não foi porque infelizmente o grau cultural das gentes é ainda muito baixo a que acresce a "cassete riscada da cdu" que ainda se mostra tão vincada em muita mente apesar de mais de 40 anos de globalização e televisão sem qualquer ganho ou capacidade de pensar filosófico, de gostar do seu eu, de ser lutador da sua causa e audaz em fazer aquilo que meditou e achou melhor para si e para a sociedade onde vive. 
Em Almada por a cidade estar mais perto de Lisboa  mostrou-se primeira a consegui-los derrubar....e muitas outras câmaras ganhas pelo PS.Felizmente!
Havia de o vir a reencontrar na feira após as eleições e dizer-lhe no meu jeito frontal e espontâneo faltou-lhe ter na campanha uma pessoa da minha estirpe,  nas redes sociais apesar de não votar pela terra que amo Ansião, desempenhei desalmadamente esse papel -  diz-me ele, pois foi e ganharam em Ansião, ao que lhe respondo, ao Engº faltou-lhe alguém para acordar mentalidades e abrir os olhos a quem tem MEDO DE MUDAR, partindo da premissa de valorizar  cada um em lhe dizer cara à cara tu tens de decidir o melhor para ti e não para os outros no voto que é secreto... ambos a rir  no adeus em aceno de vitória ... 
Na verdade este episódio dá-nos conta que este candidato é apreciador do certame antiguidades e velharias ao invés da Sra Presidente que se mostra sem gosto algum, aliás o desprestigia e de que maneira mais imprópria e contundente, sagaz e desumana!
Hoje desloquei-me a Setúbal sob uma chuva intensa com muitos lençóis de água abundantes que se mostravam de perigosidade. Chegada ao local os representantes do departamento que se tem revelado pessoas amigáveis de boa formação e capacidade de encaixe para aguentar reclamações, mas de pés e mãos atadas, em resolver mais do que o estipulado. Não me agradou em nada o local. Pior fiquei ao ter conhecimento por um transeunte que a sra Presidente supostamente se encontra no Brasil no gozo dos últimos resquícios do verão e nós ali todos encharcados. Não que a senhora não mereça férias, como qualquer outro cidadão, claro que merece, o que estranho é ter ido para o Brasil, quando se fala que os filiados no partido comunista tem de entregar alegadamente uma parte do seu salário ao comité central.  A deixar-me guiar pelo presidente da CDU o Sr Jerónimo de Sousa, se mostra pessoa pacata nem deve passar férias cá dentro, quanto mais lá fora ...A Sra Presidente na voz de quem a conhece é de boas famílias e endinheiradas, alegadamente dinheiro é coisa que não lhe falta...Será que tanta riqueza se mostra compatível com a doutrina de esquerda?
Prudente estar alerta sob o que possa alegadamente estar acontecer em Setúbal, se especula à boca cheia haver supostos lobbis e supostas  contrapartidas a deslindar por quem tem competências nesse juízo no justo direito de se isentar uma câmara destas insinuações desabonatórias olhando à sua cor politica de esquerda, a certeza e o dever de ser ainda mais do que qualquer outra se  mostrar idónea na defesa dos interesses dos seus concidadãos mais desfavorecidos em todo e qualquer certame por chamar mais gente e da vida que acrescenta à cidade,  no rigor e elegância de jamais se deixar corromper com o deslumbre dos milhões e da suposta boa vida caliente em águas mornas na crista da onda da corrupção, porque cá ainda mandam os portugueses e ainda são eles a ditar ordens e não o contrário, era o que mais faltava!
Feira de Setúbal 
Não sou guarda tão pouco fiscal, mas levo jeito!

O certo seria repor o certame no jardim Luísa Todi, enquadrado esteticamente, para poder coexistir sem chocar o coletivo da urbe e passeantes, para isso a autarquia a cobrar terrado deve patrocinar as infra estruturas como Belém com vigilância para manter a ordem e controlar exageros e ainda  fazer a cobrança via Multibanco, porque estamos no séc XXI , de grande avanço tecnológico.
Aguarda-se a reposição do que deve ser feito na sapiência em discernir o certo, proteger os mais desfavorecidos,  e não se deixar levar na suposta  loucura  do deslumbramento fulminante sem se acautelar da perigosidade, a queda, no mau presságio lhe possa vir a ser fatal!
No meu ponto de vista dita a mudança do local a morte do certame pelo que devia ser Gratuito, e ainda assim se mantém as reservas do insucesso do certame MAV, Para já a única vantagem a do estacionamento gratuito em chão de terra e de entulhos de areia e afins...
Em repto sem ser bruxa nem astróloga quero expressar o desígnio do último reinado cdu, na câmara de Setúbal, se não voltar atrás neste hediondo proceder que envolve a  nefasta alteração !
Emano votos para que cresça de vez este povo  conservador e nas suas cabeças se faça luz à fulcral e urgente, a benvinda Mudança!

sexta-feira, 16 de março de 2018

As estalagens até a meados do século XX em Ansião.

Para não se perderem as Memórias da estalagem representada na aguarela de Pier Baldi de 1669 de Ansião na especial reprodução a cores do pintor Jorge Estrela, de Leiria, já falecido, pela claridade que a policromia dita.
A aguarela retrata a comitiva da viagem de peregrinação a Santiago de Compostela do futuro Cosme III de Médicis nos anos de 1668-1669, com vários relatos de Lorenzo Magalotti, Filippo Corsini, Giovan Battista Gornia, Jacopo Ciuti e Filippo Marchetti . Almoçaram na estalagem da Venda da Gaita, Almoster, partindo de seguida para Ansião pela estrada real onde chegam ao Largo do Bairro de Santo António a 22 de fevereiro de 1669 e se alojaram na estalagem à sua direita a finar o limite do largo com a cadeia onde os presos suplicavam esmolas aos viandantes. A cadeia sem se saber a sua fundação na privilegiada situação da estrada real tenha acontecido muito antes do poder politico instaurado com a Vintena na Cabeça do Bairro. A data de 1667 na porta lateral a nascente da que foi a Casa da Câmara,Tribunal e curral de gado daninho com sobrado envaidecido por janela de avental na última requalificação retirada e na frente um átrio lajeado com duas grandes colunas quadradas, teria ruído o telheiro para o largo e ainda conheci. Do largo para nascente foi rasgado novo caminho para a vila no chão da Quinta do Bairro em teorizar o seu donatário com nítido interesse em detrimento tirar movimento de viandantes da estrada pelo Vale Mosteiro a rivais estalajadeiros com passagem ao limite da sua quinta desde o termo da vila ao actual Cimo da Rua ao largo do Bairro dada pela alteração do burgo para nascente e da construção da ponte da Cal em meados de 600, sem haver ainda a estalagem da Misericórdia, só fundada em 1702. Dessa expropriação resultou ao Ribeiro da Vide um promontório onde foi construída uma capela virada a nascente com orago ao Santo dos viandantes o Santo António, instituída por João Freire em 1603, ostenta a lápide de 1647, sem se saber a data que foi efectivamente erguida.No final do séc. XIX sofreu nova remodelação para norte, maior com escadatório.
O artista italiano Pier Baldi ao ter deixado imortalizada a estalagem da Venda da Gaita em Almoster e da Fonte Coberta no Rabaçal igualmente a de Ansião também a deixou imortalizada bem na frente da aguarela , cercada para enaltecer o seu palco.

Pedidos de estalajadeiros para estalagens na vila de Ansião

Citar o Livro de Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas
"Em 14 de fevereiro de 1444, D Pedro, regente na menoridade de D Afonso, concedeu a Lançarote Afonso, "morador em Ansiam, o "privilégio de stalajadeiro na forma costumada. Em 13 de julho de 1445, o mesmo regente, considerando que Gil Afonso, "morador em Ansiam por quanto"tinha ai uma estalagen E or novamente" queria "acrescentar em ella E manter a dicta estalagem" concedeu-lhe a ele ou a quem por ele aí estivesse "por estalajadeiro" que não fosse obrigado ao transporte de presos ou de dinheiro e que não fosse "titor nem curador de algumas pessoas que sejam nem"pagasse "nenhumas petas fintas talhas pididos Enprestidos serviços nem em outros nenhuns encarregos" que poe el rei ou pelo Conselho fossem lançados.Mandou também o regente "que as bestas que elle"tivesse "per sy ou per sseus mançebos E lhe "acarretassem "pam ou vinho E carne e pescados E palha e lenha E outras quaeesquer viandas. E cousas necessarias aa dicta estallagem que lhe nom" fossem " tomadas pera nenhumas carregas nem serujdões de alguumas pessoas. Mais mandou o regente "que nas coussas que asy "tivesse"pera mantijmentos da dicta estallsgem que lhe nom" fosse "em ellas posta almotaçaria alguma Elhas "deixassem "vender aa ssua vontade a quem elle"quisesse "e pelo preço que lhe "aprovesse. O mesmo Gil Afonso, enquanto fosse estalajadeiro ficava dispensado de "serujr aa guerra per mar nem per terra a nehumas partes", tanto em tempo de paz como em tempo de guerra, e não seria "posto por besteiro do conto", nem "na vintena do mar".
A sua estalagem não podia ser "dada nem tomada de poussentadaria a nenhumas pessoas que "fossem, de modo que quem aí pousasse pagasse "as camas E pousada E cousas que lhe asy" tomassem "pera sseu mantimento". O estalajadeiro ficava obrigado "de teer pam e vinho E carnes e pescados Ceuada e palha E todallas outras coussas que aa dicta estallajem conprir e fezer mester pera quaeesquer pessoas que hi chegarem. E camas as quaes coussas" o regente mandou "que lhe sejam dadas por sseus dinheiros", O estalajadeiro podia trazer "vinho de fora nom embargando o previlégio E custume do dicto lugaar" e vende-lo " em a dicta estallajem. No mesmo dia e ano, o regente concedeu outra carta de privilégio de estalajadeiro a Jorge Dominguez, igualmente "morador em ansiam" com o mesmo teor da carta anterior. 
A 16 de julho de 1449, reinando DAfonso V  que atingira a maioridade a 15 de janeiro de 1446, o privilegiado com outra carta de estalajadeiro foi João Dominguez, igualmente "morador em ansiam", que então fez e acrescentou "humas suas casas que "eram "no dicto logo pera seerem staaos, cujos direitos eram identicos aos que constavam da carta de previlégios dada poucos anos antes a Gil Afonso."
Tendo a noção do trajecto da estrada romana/medieval de norte para sul vinda do Nabão, Vale Mosteiro,  Bairro de Santo António, Carvalhal , Casal do Galego (hoje Pinhal) Barranco, Chã Galega se bifurcar ao fundo do pequeno costado da Escarramoa, onde uma variante seguia em frente para Cavados, Barreira, Gramantinha, Venda do Negro e Alvaiázere no Caminho de Santiago de Compostela, a outra variante seguia para poente pela quinta das Sarzedas, Macieira, Venda da Gaita em Almoster e Arneiro.

O sitio da última estalagem da Ti Maria da Torre  no Bairro
Funcionou até anos 20/30, a "Ti Maria da Torre" mulher da Torre de Vale Todos aqui radicada. Já vinha antes de 1880 e durou até anos 30 do séc XX, viveu mais de cem anos até inicio de 50.A estalagem desenvolvia-se a poente do Largo do Bairro com um grande portão, junto  uma velhinha glicínia de cachos lilazes com o gaveto da estalagem a norte no r/c o salão  e no tardoz a cozinha, o poço no quintal. Na frente depois da porta de entrada havia a escadaria na esquerda para o sobrado , onde tinha uma porta de ligação para a cavalariça, esta tinha um arco de volta perfeita para entrada dos cavalos e nas paredes grandes cabides onde se penduravam os arreios e selins, no chão havia uma pedra sepulcral branca, sem inscrição. Os  aposentos eram no sobrado. A parte da estalagem dos cómodos veio a ser vendida ao "António Trinta". Após a morte da estalajadeira com mais de cem anos a cavalariça foi alterada para duas casas adoçadas no gaveto a sul a Ti Laurinda e do Sr Inácio e ao meio outra casa com paredes e janelas de portada de madeira e duas portas, vazia  por dentro, e chão de terra com a lápide grande , no tardoz havia uma cisterna onde os animais saciavam a sede, mas também se dizia jogavam viandantes depois de espoliados das suas riquezas...em ditar maldição do adágio "Ansião terra de 30 moradores e 31 ladrões" ou "Em Ancião trinta habitantes e 31 ladrão " e no meu tempo ouvia - Ansião terra de 30 moradores e 31 ladrõesO Padre  Coutinho no seu Livro de 1986 aborda o primeiro aforismo (...) em Junho do ano seguinte, 1176, o Mosteiro completa a compra com a aquisição da última parcela, o oitavo final, a Pedro Soares e a sua mulher Maria Pais, por igual preço do anteriorEntretanto em 1216 o Mosteiro decidiu fazer o aforamento dessa sua propriedade a 30 bons povoadores, com o encargo de lhe darem todos os anos pelo S. Miguel a décima parte de tudo quanto nela colhessem. De facto, não se sabe durante quanto tempo, toda a referida propriedade de Ansião esteve entregue a 30 famílias e a mais ninguém.
Se por estas estradas medievais passaram muitos viandantes de todas as estirpes; clero, nobreza, mercadores, almocreves, peregrinos, ciganos, pedintes nacionais, estrangeiros e ladrões num tempo que se faziam acompanhar com os seus bens, sendo provável alguns tenham sido saqueados e até mortos em emboscadas, estalagens e tabernas, ainda se ouve na oralidade gente que chegava doente e morria de morte natural, disso comprovam os mortos diários no hospital da vila levou à necessidade de se fazer uma capela da Misericórdia maior para os acolher nos sacramentos, outros com o vinho nas estalagens se esquinavam sendo fácil gerar conflito e brigas na facilidade de se puxar por uma faca e mais tarde pistola e ainda todo aquele bem vestido, indicador de riqueza, seriam mote fácil de saquear no dia a dia e quando acontecia este fatal desfecho da morte de alguém, o que fazer com o seu corpo? Testemunho da "Ti Augusta do Tarouca" "o seu pai tirava e levava o estrume das cavalariças da estalagem da Ti Maria da Torre em grandes galeras puxadas por mulas , e no meio punham os homens mortos, perguntei-lhe que homens-, respondeu os que morriam na estalagem, iam descarregar o estrume com os mortos para lá do Casal das Pêras numa fazenda sua antes da casa do Ti Jacinto e da Ti Margarida... »
O sítio da estalagem da Ti Maria da Torre no Largo do Bairro de Santo António
A parte norte em cor creme a única resistente da estalagem
Vista do Largo do Bairro em obras
A estalagem de caras para o Largo na beira da  estrada medieval vinda de norte.Sem se saber a data da sua fundação, atendendo ao arco de volta perfeita que teve,  aventar grande antiguidade. 

Na frente a Estalagem da Quinta do Bairro
Onde avento tenha ficado a comitiva do Príncipe III Cosme de Médicis
A estalagem encontra-se na esquerda do Largo a quem chegava vindo de sul junto da prisão onde se encontra o portão preto no enfiamento da estrada onde os presos clamavam esmola aos viandantes pela grade da janela.

O que resta da primeira estalagem da Quinta do Bairro
Heranças e vendas se finou quase o palco desta estalagem.
Actualmente  em agosto de 2019  em requalificação
Neste momento a única parte que ainda existe testemunho desse passado está em requalificação, resiste a porta retratada na aguarela, a parte larga hoje um portão verde foi intervencionado na década de 60 pelo Sr Raul Borges .A casa alta adoçada da família Cunha foi pertença da estalagem, por o espaço ser pequeno fizeram a casa em altura.Ainda adoçada a esta para norte a que foi a cadeia das mulheres, guarda ainda a grade e o lintel com a data de 1777, a muito custo a deslindei , parece um reaproveitamento. Em agosto deste ano deslindei na casa onde teria sido a cavalariça ou o aumento da estalagem que um dos estalajadeiros faz referencia , requalificada no inicio de 50, conhecida como casa do Ti Paulino, deslindei um lintel com a mesma data 1777 a comprovar a data da cadeia e aqui teria sido a casa do carcereiro?.
A cadeia que existiu sem se saber a sua fundação que a privilegiada situação da estrada real tenha acontecido muito antes do poder politico instaurado na Vintena na Cabeça do Bairro. A data de 1667 na porta lateral a nascente da que foi a Casa da Câmara,Tribunal e curral de gado daninho com sobrado envaidecido por janela de avental na última requalificação retirada e na frente um átrio lajeado com duas grandes colunas quadradas, teria ruído o telheiro para o largo, que ainda conheci. Do largo para nascente foi rasgado novo caminho para a vila no chão da quinta do Bairro, teorizo o seu donatário com nítido interesse em detrimento tirar movimento de viandantes da estrada pelo Vale Mosteiro a rivais estalajadeiros para a passagem  ao limite da sua quinta desde o termo da vila ao Cimo da Rua até ao largo do Bairro, que a  alteração do burgo para nascente, e a construção da ponte da Cal em meados de 600 sem ainda haver a estalagem da Misericórdia,só fundada em 1702. Dessa expropriação resultou ao Ribeiro da Vide um promontório onde foi construída uma capela virada a nascente com orago ao Santo dos viandantes - Santo António, instituída por João Freire em 1603, ostenta a lápide de 1647, sem se saber a data que foi efectivamente erguida.E no final do séc. XIX teve nova remodelação para norte, maior com escadatório.
 Porta original da estalagem da Quinta do Bairro
O testemunho mais antigo da estalagem da Quinta do Bairro que ainda se conserva
Um contraforte de vários que teria, estrutura muito antiga , apenas conheço no concelho de Ansião na que foi a estalagem da Gaita e na igreja da Orada em Santiago da Guarda.
Onde teriam sido as cavalariças ou aumento da estalagem?
Esta estalagem teria sido desativada por volta de 1777 ao ser ao meio integrada com a prisão  feminina,  a mistura de homens e mulheres na necessidade de os dividir.
Foi com imensa dificuldade que distingui a data no lintel da porta desta prisão, talvez por o lintel ter sido reaproveitado, mais tarde a graça de descobrir outro lintel com a mesma data na casa ao lado, e antes nunca nele reparei...com a mesma data , seria a casa do carcereiro?
Hoje ainda resta o palco da cadeia feminina com  a grade da janela.O aumento em altura foi feito pelo Sr Raul Borges quando adquiriu a casa ao Sr Paulino, para as deixar iguais.
Casa que foi do Sr Paulino
A ombreira da esquerda apresenta  traços enviesados
 Actualmente o Largo do Bairro visto de sul
Tetia sido da esquerda para a direita - Casa da Roda, Casa dos Almocatés, com lintel de 1680 e ao fundo do corredor no tardoz da  Casa da Câmara os armazéns dos cereais e afins
Taberna do Ti Moreira
Na estrada real no meu tempo houve uma taberna explorada pelo Ti Moreira e esposa, a Ti Maria era da Costa do Escampado, em 2ªas núpcias, negócio na continuada tradição favorável na passagem de muitos viandantes que só fraquejou com a nova estrada ao Ribeiro da Vide no final do século XIX.
 Quintal da casa do Ti Moreira e da Ti Maria
Quinta do Atalho onde avento outra estalagem, vista de norte
No seguimento do Bairro para o Vale Mosteiro na beira da estrada real ainda existe casario em pedra com balcão. Agradeço a cortesia da visita à Tina Parolo .A tamanha semelhança a um  palco de uma estalagem para dizer o que aqui existiu dado pela situação privilegiada na beira da estrada para quem chegava antes ou depois de passar pelo Largo do Bairro, e com dosi grandes poços, um deles de chafurdo.
Balcão em pedra tendo ao lado um barracão no passado seriam as cavalariças
 
A minha prima Júlia Silva falou-me que a casa tinha um pequeno oratório e claro fiquei com a pulga atrás da orelha.
Tina Parolo, apesar das poucas forças teve a gentileza de me mostrar a casa no sobrado que me deixou verdadeiramente fascinada.Esta casa fazia parte da quinta do Atalho que o seu avô de Albarrol depois de regressar do Brasil com dinheiro a comprou. 
Janelas viradas a poente
Sobrado
Pela antiguidade da casa  caiada por dentro com oratório e as buracas  foi de gente abastada
Quem teria sido a família que aqui morou na beira da estrada medieval? Não foi João Freyre, o que instituiu a capela a Santo António, se fosse ele teria instituído a capela de Santo António no promontório defronte onde veio no séc. XIX construído o Hospital da Misericórdia.
E a capela a ter sido construída no outro promontório mais baixo defronte da quinta do Bairro, seja verossímil dizer morou defronte onde ainda resiste um casario antigo e era estalajadeiro no Largo do Bairro.
 As típicas prateleiras de concavidade em  pedra nas paredes
 Um lintel em madeira curvado, julgo já foi o pai que aqui o pós, o anterior devia estar estragado

Impressionada ao ver escavado na parede um pequeno oratório 
Ao tempo comum nas estalagens haver uma Imagem dedicada a um Santo. E ao lado uma concavidade em quadrado possivelmente para se pôr a arder a candeia de azeite (?).
Buracas frescas metidas na parede
Na parede da frente outra prateleira quadrada e abaixo dela duas concavidades redondas onde meti a mão e senti ser o fundo em redondo cerâmico.Serviriam para guardar coisas frescas .
 
 
Vista da estalagem que ficava ao meio a quinta do Atalho entre o  Vale Mosteiro e o Bairro

A Tina Parolo além de uma boa pessoa amiga de partilhar saberes exibe com delicadeza belas flores no seu jardim.
 
E pedras marinhas
O marido Fernando Luís nascido para os lados do Mogadouro se mostrou um ferveroso amante que as foi trazendo de vários locais onde ia à caça.
Um belo exemplar de " pudim" por ser constituído por detritos de calhaus rolados arredondados se fosse constituído por detritos chamava-se "brecha", como a famosa pedra, a brecha da Arrábida . 
Aprendi em Mineralogia e jamais esqueci.
 
Um valente calhau  rolado
 
Entroncamento da estrada real com o novo caminho aberto em final do século XIX para os Escampados a partir do Ribeiro da Vide
Taberna do Ti Carlos Parolo onde saboreei muito pixel de abafado

Estalagem ao Alto da Vinha do Vale Mosteiro
A casa foi do meu bisavô Elias da Cruz . A sua tipologia sob o comprido onde na ponta norte veio a fazer a padaria, pela chaminé enorme da cozinha, o alpendre a poente para o pátio abrigado e fechado com grande barracão com colunas em redondo, outras casas em pedra , o poço e a eira a indiciar que foi palco de uma estalagem.
Actualmente alterada  sendo retirada a porta da frente  entre as duas primeiras janelas
Vista de norte 
A estrada medieval na sua frente vinda de norte a caminho do Bairro 
Entrada para o pátio interior

 Vista da Avª Dr Sá Carneiro a poente
A dimensão das estruturas a aventar foi palco de uma estalagem
Estalagem da quinta do Vale Mosteiro de Cima
Os limites da Herdade de Ansião pela primeira vez conhecidos no Livro do Padre Coutinho, onde é mencionado a poente Osúmio e um Esmoliadouro,  os historiadores das Memórias Paroquiais fazem menção com outro nome diferente Sumo , encontrei alguém dali natural preso em Ourém, e no Mapa do Padre Serra aparecer Somio. Consegui a partir da palavra difícil do padre Coutinho atestar o local a norte da Sarzeda, hoje Suimo.
O Esmoliadouro tinha ser na beira desta estrada e bem guardado dos viandantes de todas as estirpes, cujas esmolas seriam distribuídas pelos doentes que ali chegavam cansados, doentes e famintos.
O local é de excelência ao jus de forte nascente/poente com muro alto de sustentação com duas entradas para a estrada romana/medieval, a norte com acesso à lateral da capela, por onde sai por um portal que tinha uma bela pedra de pescoço alto encimada por esfera, lagar e adega e cadeia pela janela com gradeamento forte?
O acesso ao lado norte também dava para o vale de cultivo.
A  entrada a sul dava para a capela com portal de entrada virado a poente, seria a estalagem e outros cómodos na entrada onde nasceu a nogueira tinha uma casita pequena, caiu há anos, quem sabe se foi ali o esmoliadouro? Ou do pagamento da passagem nas terras?
Depois da extinção das Ordens Religiosas em 1834 as ruínas da estalagem, capela, adega, estribaria, cavalariça foram vendidas em haste pública, só gente pobre comprou e vários, o que dita a grande pobreza, seriam uns cinco, cada qual no quinhão adquirido construiu a sua casa para viver.Conheci o local tinha 8 anos com a minha irmã entrámos pelo portal gótico onde se abria uma passadeira lajeada imensamente branca, grande e quadrada, ao fundo onde foi o corpo da capela tinha sido uma casa que sofreu um incêndio, os donos venderam e emigraram para o Brasil.Havia a pia de água benta e uma Cruz alta em pedra, o povo falava também da cama da Rainha Santa Isabel onde dormia nas suas viagens com passagem por Ansião...
De todo o casario na reconstrução o mais imponente de sobrado foi a casa do Sr António Serrador, bisavô da minha amiga Fátima Carvalho a quem solicitei autorização para fotografar há anos quando a pôs à venda. Entretanto o vale junto ao muro de sustentação ao jus de forte para poente e nascente convive com estufas de caracóis, perdendo-se para sempre o conhecimento de inertes bem poderiam ajudar a esclarecer este local histórico, debalde sem ninguém teimar em querer nele acreditar e explorar .
A minha querida mãe imortalizada sentada na pedra de fuso do lagar sob o arco de volta perfeita
Desta vez na minha companhia, dizia o povo este arco, então o único visíveltinha resistido ao terramoto de 1755 dos outros caídos na ligação ao Senhor do Bonfim.

No meu tempo de cachopa em frente do sitio da capela, hoje está uma vivenda virada a poente, na altura entrei pelo portal gótico, na junção desta com a vivenda azul, aliás a cozinha desta casa foi feita por a dona do portal lho dispensar. Pela frente no caminho havia um grande buraco onde alguém criava coelhos, em alvitrar tenha sido uma derrocada de um túnel ? Dele se fala ia para a capela de Santa Marta, no Escampado, conhecendo o local não acredito, também não acredito nos arcos na ligação da capela do Senhor do Bonfim dado o grande desnível. As Memórias Paroquiais de Ansião de 1758 perderam-se, eram fundamentais para mais interpretar olhando às outras da mesma época que são descritivas.Olhando ao que outros padres escreveram na região banhada pelo Nabão, o chão levantou-se, muito barulho, secaram fontes e outras nasceram, as águas turvaram, o Agroal secou... Onde está o Intermaché no tardoz abruptamente o chão quebra para um vale onde corre um ribeiro, seria que o terramoto o alterou? A remoção de terras a minha irmã pediu umas duas carradas vinham cheias de calhaus rolados, a indiciar que aquele ribeiro hoje seco de verão o foi no passado de caudal e os calhaus disso são testemunho tendo ficado em camadas sedimentares na sua margem.Na zona da Perucha na Freixianda se olharmos as bermas, as encostas dos pinhais tem calhaus grandes.A haver um túnel seria de ligação do burgo sediado no chão do actual cemitério,do tempo romano, o mais provável (?).

Junto ao muro de sustentação para norte uma pequena coluna partida ao meio, bem antiga. 
Fica a reportagem, o património perdeu-se!
Pedra do fuso do lagar da estalagem
No buraco enfiava o fuso em madeira , o senfim, há força de braços se prensava. Além desta pedra  a primeira que conheci em Ansião, vim a conhecer outra no Marquinho e depois duas num lagar na Sarzeda, que pertenceu à quinta das Sarzedas.
A entrada a sul
A casa azul os degraus da sua escadaria foi um reaproveitamento do patamar ou sapata que conheci com 8 anos e ultrapassei para entrar no palco da capela, vim a identificar ali virados ao contrario, o friso está para baixo, em dizer que só um olhar curioso e atento detecta pormenores importantes.

Descomunal desconhecimento cultural a que chegou o emblemático, mítico e ancestral Vale Mosteiro, habitat romano/visigótico? O ano passado numa atenta leitura a um relato de um viajante por Ansião a fatal resignação e teorizar afinal não foi um pequeno mosteiro que ali existiu, antes uma estalagem , dela ainda conheci o vestígio mais antigo, um arco gótico da capela de S. Lourenço igual, mas maior do que ainda existe no tardoz da capela da Misericórdia e foi da ermida de NSConceição.
O Padre Coutinho deu o mote para investigações arqueológicas realizadas em 2010, sobre as quais já fiz uma crónica. De facto desde o Nabão, no que hoje se chama e mal Igreja Velha, até aqui ao Vale Mosteiro, foi palco de um habitat Romano . Disso não há dúvida alguma, falta saber é se as ruínas que ficaram deles foram reaproveitadas pelos visigodos, na região deixaram vestígios em Abiul e Rego da Murta. O padre Coutinho noutro excerto aborda um viajante « chegados à estalagem de Ansião onde foram bem recebidos e acomodados no dia seguinte antes de partir esperaram para ouvir missa onde na véspera também tinham ouvido na capela, mas o padre não apareceu seguindo viagem » O padre Coutinho a meu ver não correlacionou o trecho com indicações claras que o viajante exarou - estalagem com capela seria esta na centúria de 500, em detrimento de terem ouvido missa na igreja a 100 metros, então no chão do actual cemitério, ainda não havia a actual. Tendo seguido viagem sem missa porque o padre não compareceu.
Em 2010 os arqueólogos ainda tinham boas pistas para explorar, não houve foi iniciativa bastante e líder para comandar com paixão e mais descobrir do passado de Ansião!

Arco de volta perfeita que localizei entaipado anos 30 para fazer uma arrecadação
Na frontaria do lagar/adega os piais de pedra do parreiral
E tudo isto já se perdeu este ano...não foi há 50 anos...
Palanque de pedra na frente da janela a capela teve um igual
Vista actual depois da limpeza...
Os muros em ruínas se se encontram na frente teriam sido da cavalariça

Este ano o imóvel foi vendido. Em agosto ao passar de carro constatei consternada que tinha sido derrubado...Como é possível em Ansião se continuar a perder património edificado, a destruir pedras que foram afeiçoadas que contam estórias com séculos de histórias, arcos de volta perfeita que foram da adega da estalagem e a pedra do senfim, os piais na fachada da latada típicas desde os primórdios do plantio da vinha , o parapeito da janela que era igual ao da capela e,...
Lamento o desconhecimento e fatal desinteresse de proprietários por falta de Lei Municipal que obrigue a preservar os testemunhos do passado e a valorização das pedras , afinal testemunhos deixados pelos nossos antepassados que devem ser de todos de nós para se deixarem às gerações vindouras, o nosso Compromisso cultural!
Onde teriam sido despejadas as pedras? Já antes o mesmo com o arco gótico? Será que daqui a 100 anos alguém as vai descobrir imagino a dificuldade imensurável da investigação para as colocar no seu real palco, onde nasceram!
Ainda existem espaços na entrada e num terreno do Tarouca, onde distingui uma pedra para escoamento de águas, ainda pode ser intervencionado arqueológicamente, se para isso houvesse interesse.Pelos vistos nunca houve e difícil é reverter este pensar!

Como vai mal e incorrecta a toponímia em Ansião
Os troços ainda existentes da via medieval deviam ser catalogados, com manutenção e sinalética.
Em Ansião à Estrada Real foi dada dispersa toponímia-Igreja Velha, Avª Dr Sá Carneiro,Travessa Dr Sá Carneiro,  Rua do Vale Mosteiro, Rua do Hospital, Rua 13 de Junho, Carvalhal,  Pinhal. A partir do Barranco o troço para a Escarramoa, inacessível a merecer limpeza e também daqui para a Barreira.
As duas entradas do palco da estalagem do Vale Mosteiro, afinal Becos, rebaptizados Canto da Nogueira e Canto do Sossego quando o certo seria Beco da Cadeia, do lagar ou da estalagem e Beco da Capela de S Lourenço.
Desprestígio ao seu passado com esta atribuição, afinal o Canto da Nogueira quando esta, a nogueira não teve de vida mais de 40 anos, de tronco enfezada e ramos podres ali nasceu por acaso em terra que não lhe foi favorável para se desenvolver contudo a merecer menção na toponímia... E sossego?Querendo se referir a quê? Haja vergonha, talento e discernimento para alterar o que vai mal na toponímia.
O Hospital nunca teve entrada nesta rua, a barreira era altíssima...
Rua por onde passou a comitiva estrangeira do Príncipe Cosme III de Médicis, chão do donatário da grande Quinta do Bairro , João Freire instituidor da capela a Santo António, talvez o empreendedor a manipular o poder para aqui se centrar em relação à vila onde tinha sido instalado desde 1593. Onde depois viveu Belchior dos Reis, cuja descendência ainda hoje com chão .
Perceber a história e a dissecar é talento para alguns, a maioria está distante da realidade cultural, por isso a partilha!


Fontes
Livro das Noticias e Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes
Testemunho da Tina Parolo, que muito agradeço.

Seguidores

Arquivo do blog