segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Agosto e as festas de Ansião em 2018

A primeira vez que recebi convite para a abertura solene das Festas de Ansião, debalde a minha ausência prendeu-se por ter os netos a meu encargo que não podia negligenciar a sua atenção, mas fiquei triste!

Dia do Cortejo
Em casa com os netos na sesta quando comecei a sentir alvoroço na minha rua, mas nada como me lembro de outros anos na década de 60, ai sim é que era povo em massa!
A minha irmã  toca à campainha para aliciar os cachopos para a festa cujo desfile do carro da Lagoa Parada vindo do Ribeiro da Vide se anunciava.
Mais um ano em que o desfile se apresentou com poucos carros e motivos repetidos ou recriados, debalde sobressaiu alguma criatividade!
Ano de substanciais mudanças em encurtar a rota do cortejo que deixou de passar pelo Fundo da Rua, o que deixou alguns amofinados...Não me chocou era um circuito muito grande. O cortejo alegórico depois de descer a Avª Dr Vitor Faveiro tomou a direção da vila pela Rua dos Bombeiros Voluntários,  na direção da Mata.
Inédito o uso de cartazes a explicar o tema alegórico. Excelente e boa iniciativa.
Netos
A Associação ALN dos Netos tem vindo a revelar o seu cariz unânime em conjugar com êxito a escolha temática e a estética usada nos pormenores, este ano merece destaque a escolha do tractor, bem antigo, estimado a  reluzir o encarnado no contraste com as flores em preto a exaltar a obra em ferro, a prata, e esta com a grelha . Parabéns. Equipa de sucesso no trabalho PowerMaint em pôr em pratica boas ideias. 
O carro dos Netos surpreendeu mais uma vez ao trazer uma escultura de uma cabeça de máquina de costura. Obra magnifica de extraordinário talento e engenho ditou o mote ao Sr Presidente da autarquia no seu reaproveitamento como escultura urbana na vila de Ansião. Não faço ideia onde vai ser colocada. A ter a menção "NETOS" na minha opinião, o local certo seria engrandecer o Lugar dos Netos, porque urge a necessidade de crescer e se alargar por quintais adentro, que o sinto em demasia abafado. Há que pensar no futuro a serem tomadas medidas de gesto benemérito em dar chão ou outras dádivas para inauguração de um espaço lúdico em fausto largo onde a obra escultórica o embelezaria em convívio com equipamentos urbanos; bancos, mesas, aparelhos de geriatria e uma fonte seria benéfica  para se confraternizar em descanso na partida e chegada de caminhadas, trilhos ou piqueniques tendo por sombra um frondoso carvalho cerquinho ou vários!
 
Lagoa Parada 
O motivo deste ano prendeu-se na angariação de fundos do povo da Lagoa Parada para ajudar na construção da igreja de Santiago da Guarda, quando a sua primitiva sofreu um incêndio que ainda me recordo dela.
 
Alvorge
O Alvorge trouxe o motivo da Lenda dos irmãos Germanelos.
Bem me recordo de o terem trazido há mais de 30 anos, na diferença que os montes eram mais parecidos em cone e mui verdes e agora mais a mato. Contudo gostei mais deste por trazer os ferreiros no topo na partilha do martelo dando mote à lenda quando descabou e do pau nasceu um zambujo, hoje o Zambujal.
 
Lamentavelmente assisti a muito pouca gente pelas ruas...
A minha irmã com a minha neta Laura a caminho do cabeleireiro para saber se a minha mãe já estava bonita.
Depois de acompanhar alguns carros alegóricos no desfile em direcção da festa vimos algumas pessoas na sombra que o calor castigava.
O meu marido levou pela mão a Laura e eu não podia faltar na minha selfie com o Vicente...
Houve também mudança do local do pódio onde todos os carros são objecto de aclamação e engrandecimento pelo motivo e pela vinda.O cortejo ao deixar de passar pela frontaria dos Paços do Concelho foi desviado uns metros ficando na mesma na sua imediação onde distingui no palanque o Sr Presidente com o staf camarário, convidados e outros que ali se quiseram sentar. Do lado norte na bancada faltou uma pala para cortar o sol, por isso quase vazia...Não conheço quem foram os oradores, o que senti não me cativaram o suficiente quando passei para me deixar ficar...o tenha sido pelo meu conservadorismo, ainda no ouvido guardo vozes emblemáticas que recordo com saudade...Entendo que um orador deve ter perfil carismático, conhecedor do que foi o passado e as tradições e ainda dono de voz sonante, quente e poética para encher o público de cultura e ainda olvidar a estorreira do calor de agosto!
Escrevo esta crónica com muito atraso no lamento em não me conseguir lembrar do que ouvi quando o orador falava do Alvorge a propósito do solar  dos Guerras com brasão dos Carneiro Figueiredo que me pareceu não estar correcto (?) debalde a minha memória atraiçoa-me!
Santiago da Guarda 

A escolha temática prendeu-se do antes e do agora ou seja do passado e do presente na arte do barbeiro.
Tenha sido este ano para mim o tema que se apresentou mais pobre. Faltou na arte de barbeiro uma cadeira de barbeiro, tão emblemáticas já devia haver uma em Espaço Museológico no concelho, não vi as navalhas de fazer a barba nem os acessórios, muito menos da bacia em faiança que o barbeiro quando ia a casa levava, tinham-me pedido que emprestava a minha. Em Ansião quem me cortou o cabelo pela primeira vez foi o barbeiro o Sr Júlio de Albarrol.
Ansião

O trigo na alusão ao pão que mata a fome ao povo!
A arte da debulha na eira de pedra com as alfaias; o malho e o ancinho onde não faltava a cesta do farnel coberto por toalha de linho com bela renda.
Amei rever as pedras da eira sentir o trigo da cor d'oiro em contraste ao linho da toalha e da renda que mãos cuidadosas e hábeis crochetou. 
Já quase ninguém se lembra do Engenho de Linho que existiu na quinta do Sr António Freire Parolo natural de Albarrol , emigrado no Brasil em principio do século XX tendo comprado parte de uma quinta (hoje o Bairro da Câmara)  onde fundou um Engenho, palavra trazida do Brasil na alusão aos engenhos do açúcar, erigido onde foi construída pela segunda vez as Escolas Primárias e ainda levantou uma grande casa com 12 janelas virada a sul com escadaria e jardim. O seu neto, o Carlitos Parolo a quem sempre assim o chamei pelo carinho que o meu pai sentia por ele se recorda a vibração sonora dos carolos em azinho...
 
Avelar
Gostei francamente do carro da vila do Avelar trazendo mais uma vez o belo Forno de Nossa Senhora da Guia com o seu escadatório por inovar ao trazer o grupo cénico de Penela na deixa medieval, em que todos se notaram belos actores, carismáticos e de excelente figura a que acresce pela primeira vez , pois não me recordo antes de ter visto trazerem  fogaças, ao jus de antanho que eram cozidas no forno de NSGUIA, que o Dr Fernando Inácio, PJFA me obsequiou e não resisti ao saborear da Padaria Rocha, apesar de estar ainda com resquícios de uma brutal virose que apanhou muitos como eu, mas não foi da água!
As fogaças e que bonitas e deliciosas estavam. Parabéns!
 
Questionei o aparente austero personagem corpulento de cabelos e barbas alvas e ainda dono de olhar forte se sabia a origem do apelido "Caspirro" que existiu no Avelar. Resposta ao sabor do humor sarcástico, debalde distraída não lhe apanhei a deixa por ser actor de craveira em que tola fiquei por a perder para apenas no respigo dizer Caspirro tinha sido um escravo do rei em Penela...
 
Mulher quiçá da região de Sicó bonita com charme, dona de belo olhar a cortar um pedaço de fogaça com a mão como o deve ser e o Pão de Ló assim também o foi e ainda é no Minho.
Torre de Vale de Todos
Trabalho muito artístico ao trazer a arte da cestaria com o vimieiro esplendoroso aberto em leque, qual pavão de cauda aberto a vaidosar os demais. Obra magnifica a rivalizar a convidada, uma das mulheres mais belas da terra, morena de olhar estonteante e sedutor a reivindicar genes de antepassados do Couto de Torre de Vale de Todos. Só faltou um cabaz à laia dos que se mandavam com batatas e feijões na carreira para Lisboa...
 
Pousaflores
Trouxe a rede de fontes e de tanques na freguesia
Registei a minha querida mãe a olhar as fotos a preto e branco dos vários lavadouros da sua freguesia de Pousaflores  quando uma mulher irrompe e lhe diz- olhe -  está aí o da sua Moita Redonda!
Revestiram o carro com fotos a preto e branco do património de fontes e de tanques, alguns ainda não foram requalificados.
Pousaflores detém de património cultural um trunfo que julgo nunca apresentou.
Faltará alma e ensejo à equipa para aqui o vir representar?
Expoente máximo destas festas o cortejo alegórico a merecer atenção para se engrandecer e não morrer. Ao que parece  em deliberação da assembleia camarária o cortejo que se fazia de dois em dois anos, doravante será de quatro em quatro. Está gasto, digo eu, a evidenciar algo tem de mudar porque o mundo também mudou e o que ontem foi bom hoje já não é a mesma coisa. Obriga a árduo trabalho a ser desde já incrementado nas escolas e nas gentes das freguesias para de novo sentir orgulho em participar e não ficar em casa. Quem não sente orgulho na obra escolhida pelo povo da sua freguesia para vir desfilar na sede de concelho, por certo não será um suposto bom cidadão -, aquele que se preocupa com o sucesso da sua terra e gosta de ouvir criticas, em geral abonatórias, porque os carros trazem o melhor que o povo neles quis incutir a que lhes junta sempre instrumentos e acessórios do passado na valorização das tradições.Por isso não se pode perder esta grande valia do povo em que a sua participação é fulcral por se mostrar em massa em que é fulcral dever sentir brio para voltar para casa envaidecido, feliz, por ter cumprido a sua missão no melhor que pode e soube.Pessoalmente sempre senti um extraordinário orgulho em participar e em acompanhar o carro do Ribeiro da Vide e Bairro de Santo António. Nas lembranças que tenho de criança recordo do cortejo atrair muito forasteiro e gente do concelho à vila , sobretudo porque havia sempre um carro que deliciava todos pela comida ou bebida, atributos os comes e bebes , são fundamentais para presentear quem está no palanque e outros no expoente máximo da partilha. Tempos em que se cozia o pão, merendeiras dos Santos, fritavam filhoses, destilava-se aguardente, retratava-se o S.Martinho e o vinho novo, as castanhas assadas e as nozes, a curtição dos tremoços o marisco do pobre e a arte em retalhar as azeitonas jamais alguém se lembrou da marmelada que se fazia em casa e do doce de tomate e ainda do fumeiro, da nossa chouriça e claro do leitão que começou por ser rei na Nexebra no frenético dinamismo em entrosar as tradições com o público em o distrair levando a saborear e comprar na feira, sapiência que não pode morrer, antes incentivada com marketing.

Gostei francamente do carro da vila do Avelar 
Derradeira escolha já de noite a caminho do arraial  onde sem peneiras me sentei no seu escadatório para sentir rainha por breves segundos onde me fiz à foto!
No recinto encontrei um elemento da JFA, aqui me desculpo de não recordar o seu nome, extremamente simpático, tabelámos conversa agradável sobre o Avelar e o seu engrandecimento!  
A deslocalização para  o antigo campo da bola
Apreciei a escadaria nova em ziguezague moderna em cimento armado, a olho nu mais de uma  tonelada de cimento...Bom projecto!
Dá uma dimensão de grandeza ao espaço e às festas!
Apreciei a Mata desocupada na perspectiva de pulmão e fresquidão a cativar o romance de gente sentada nos bancos de pedra ou a caminhar desafogadamente.E eram muitos os que andavam nos trilhos de noite...
Até que enfim Ansião se revela em grandeza em obra de envergadura!
Óbvio que também não fui alheia às mudanças na organização das festas para imediatamente me inteirar e perceber que foi uma boa aposta. Não  me chocou parte dos eventos que aconteciam na Mata tenham passado para o campo que foi de futebol, afinal em verdade apenas foi deslocalizado o restaurante do Clube dos Caçadores, um palco manteve-se e a casa Erbach este ano não abriu. 
O executivo PSD já antes tinha optado por transferir o antigo campo da bola para um estádio, obra megalómana na Quinta das Lagoas onde ainda construiu a casa da Amizade de Erbach, ambos de grande custo para a autarquia supostamente a pensar arrecadar dividendos com a venda do projecto para o velho campo da bola, debalde ao que se fez ouvir foram alertados de que não se podia vender... Reza na escritura da sua doação - campo para se jogar à bola a ter outra finalidade (urbanística) voltaria para os herdeiros da família que o doou. Uma intenção muito em voga entre o século XIX e XX. Nesse pressuposto e uma vez herdado o campo de piso asfaltado pareceu-me muito bem enquadrar  no seu recinto a festa que se apresentou mais arrumada  onde o convívio se sentiu salutar entre expositores, palcos, restaurante (s) com casas de banho. Apreciei os toldos nos corredores dos stands para cortar o sol. Senti agregação na concentração dos expositores, comes e bebes e palcos, ao jus de outras terras em fazer obra grande em prol de obra dispersa. O espaço pode vir a  enriquecer no futuro se for apetrechado de tascas a vender os produtos da região com tapas diversas; presunto, chouriça, morcela, farinheira outras com variedade de queijo da região de pasta fresca, mole, meia cura e curado e ainda  omeletes com os bons ovos da região, peixinhos da horta, pataniscas, filetes de bacalhau e petingas albardadas,  iscas e rim frito, pastéis de carne que as criadas faziam nas casas mais ricas, comesanas do genuíno gastronómico da nossa terra. A sopa de carnes lamentavelmente nunca o povo desta terra teve imaginação para lhe dar um nome para outros de olho aberto no Ribatejo a copiaram quando os ranchos das beiras ali se deslocavam às vindimas e pela apanha da azeitona. Noutro tempo não era uso a cenoura e sim a abóbora que no verão a sopa é feita com feijão de debulhar e de inverno com feijão seco.Os aferventados de couve galega e de nabo com feijão frade ou chicharo tão caracteristicos da nossa terra e requentados que a minha avó Maria da Luz chamava fertungado.Na sua continuada ausência progride comida fast food com atendimento em fila para receber um embrulho atulhado de vegetais cortados em juliana abarrotar de molhos...
Há que saber privilegiar na diversidade a gastronomia da região e isso devia começar nas escolas!
No recinto da festa ouvi de uma feirante o seu estar de  agrado que transmitia a alguém que não conheço, acrescentando que se as pessoas não vendem, as razões serão de outra ordem por apostarem em materiais  e produtos que nos dias d'hoje já não oferecem ao visitante a vontade de os adquirir. Falta-lhes criatividade e inovação. Concordo na integra!
Pessoalmente amei a ideia criativa "Ansião Coração de Sicó" dado pelo misto da alusão à pedra calcária esculpida pela erosão, rainha de Sicó, em paralelo à cor da terra rossa do Maciço de Sicó ao sangue que bombeia vida, no coração. Ideias novas , empreendedoras a chamar o turismo de massas, são sempre bem vindas. O que não invalida a necessidade de ajustamentos. Gostei das lonas e dos slogans por invocar a maioria do património do concelho afixados na frontaria dos Paços do Concelho, acerca  desta temática elaborei uma crónica onde apontei o que achei menos bem, para em agosto as lonas terem sido retiradas.
Admito que não seja fácil para ninguém tomar as rédeas de um executivo camarário cimentado há mais de 4 décadas na linha da direita e na transição receber obras em curso a que tem de dar continuidade entre outras medidas encetadas. As pessoas são diferentes, ninguém é dono da perfeição, os valores que defendem tem  pontos de vista que podem parecer estranhos e não agradar a todos em determinadas estratégias.Em verdade em cada partido a tomada de opções diferentes  jamais agrada a todos!
Desde o 25 de abril que muitos entraram para a politica na sorte abençoados por "padrinhos e cunhas " que lhes abriram horizontes na ascensão a lugares de topo e conhecimentos, quantos sem saber o que é politica. Tristeza o que todos vemos na assembleia da república com gente que nada ou pouco faz e outros vagueiam pelos bastidores  públicos em espera de poleiro sem jamais provas dadas em cidadania...Mas também os houve e continua a haver que subiram por mérito próprio, tem dignidade, e deixam obra. A esses valorizo em dobro!
Rematar com o pensamento muito assertivo de «Maria Filomena Mónica sobre os OS MITRAS, OS BOYS E OS BETOS...Alguns têm pais que fizeram sacrifícios para os mandar para a universidade, outros provêm de famílias das classes médias com relações políticas, outros ainda nasceram nos berços de oiro há muito na posse dos antepassados. Para usar a terminologia moderna, são os mitras, os boys e os betos. Em comum, apenas têm a idade, entre 20 e 35 anos. Dentro de cada grupo, há de tudo. Uns são inteligentes, outros burros; uns são trabalhadores, outros preguiçosos; uns são cultos, outros ignorantes; uns são de esquerda, outros de direita; uns são rapazes, outros raparigas; uns são ambiciosos, outros resignados; uns são activos, outros passivos. Mas todos, em maior ou menor grau, olham o futuro com apreensão. Nem todos sofrerão da mesma maneira, mas o que aí vem é terrível. Enquanto os betos têm a família por detrás e os boys as alavancas dos partidos, os mitras acabarão em empregos mal remunerados e no desemprego. Em Portugal, a mobilidade social é um mito.»

Ensombrou as festas o inesperado acidente que ceifou a vida ao jovem promissor André Mendes da freguesia da Lagarteira que consternou todos de grande mágoa e inevitavelmente empobreceu as festas, que julgo tinha um carro e não o trouxe. Pêsames a todos os familiares e muita força.

FONTES
Excerto retirado da página facebook de   Maria Filomena Mónica sobre os OS MITRAS, OS BOYS E OS BETOS...

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O mayor Bem Haja ao Sr Padre Manuel Ventura Pinho, um mentor!

Sinto a evasão de uma nostalgia em aperto ditada pela saudade anunciada de que o Sr Padre Manuel Ventura Pinho da paróquia de Ansião  prestes a deixar o sacerdócio, enfim com toda a justiça mudar de estatuto com a mais que merecida reforma. No dia 16 do corrente vão tomar posse os novos párocos com a presença do Sr Bispo em Ansião. Não posso estar presente, mas estarei em espírito. Com todo o direito e justiça o Sr Padre Manuel Ventura Pinho depois de 32 anos a paroquiar Ansião e há anos a Cumieira,  vai gozar o descanso merecido depois de árduo trabalho em que a falta de saúde nos últimos anos foi acentuada. Pese embora já me tivesse dito desta sua real intenção foi pelo Jornal Serras de Ansião que percebi estaria para breve, o que se veio a confirmar com o anúncio da data de apresentação dos novos párocos na sua Página do Facebook .
Tenho ouvido com agrado na voz do povo « Ansião nunca mais vai ter um padre como ele» Corroboro na integra esta afirmação. Ao alto dos meus 60 anos em que conheci alguns padres para dizer com franqueza apenas guardar estimável recordação do Sr Padre Manuel Ventura Pinho e do Padre José Eduardo Reis Coutinho, de quem aliás sou amiga de ambos, no julgar que a simpatia seja mutua.
Aos novos párocos prevejo inicialmente vida pouco facilitada porque a bitola atingiu um máximo difícil de se igualar ou superar. Apesar de não haver pessoas insubstituíveis, todos somos diferentes, pelo que o esforço e a vontade em mostrar trabalho tem de ser elevado para manter o nível diversificado a que o povo e o Mundo está habituado. Dita o bom senso que o melhor é esperar  e dar tempo ao tempo para que se adaptem à vila e aos novos paroquianos, sendo justo por parte de todos a ajuda facilitada ao seu laboro paroquial. Com muito respeito formulo votos de boas vindas aos novos párocos para que a família paroquiana os acolha como bem merecem, e os ajude nas suas necessidades, ao jus dos costumes de povo hospitaleiro. Espero ainda que continuem dar voz  à Pagina do Facebook  da autoria do Sr Padre Manuel Ventura Pinho em levar a mensagem de Ansião e da sua Igreja ao Mundo, papel que foi desempenhado com sapiência em agregar a juventude se mostrando aberto e sempre atento à inovação, abrindo a igreja a novas iniciativas musicais; corais  e concertos com a orquestra da Filarmónica Ansianense Santa Cecília a que se juntaram tantas outras iniciativas católicas com as crianças, os pais, as catequistas e ainda  o seu estar participativo em confraternizar com o rebanho católico de todos os Lugares e ainda com as três Irmandades actualmente em vigor- Ansião, Sarzedela e Constantina. Um Padre com vida exemplar, de cariz humano, bom mediador no diálogo pela diplomacia na defesa do que acredita, justo e leal, senti que evita assumir posturas extremistas, procurando sempre um meio-termo que lhe permita agradar a toda a gente, o que francamente me apraz dizer. Aparentemente de semblante calado mostra-se bastante sociável e comunicativo, um bom conselheiro, e ainda não poupa palavras para elogiar ou valorizar os outros em que lhes sinta talento, ainda agora por altura das festas da Constantina incentivou o Ilídio da Paz a escrever , enfim um homem de caracter extraordinário e fenomenal!
Apesar de viver afastada  200 km de Ansião há precisamente 40 anos celebrados este mês, em contraste com a vivência paroquial do Sr Padre Manuel Ventura Pinho de 32 anos nesta terra jamais impeditivo de estabelecer contacto ao longo dos anos através das novas tecnologias em que sempre se mostrou dinâmico, interessado e disponível em corresponder a todas as minhas solicitações de raiz histórica e religiosa  sobre a igreja, cemitério, Senhor do Bonfim, Capela de Santo António, Capelinha de Nossa Senhora do Penedo, Ermida de S.João nas Lagoas e até da Imagem do Senhor dos Passos de joelhos num altar em madeira que no meu tempo de criança fazia parte da procissão com gente mais velha se lembra de ir para a escola e todos os dias ao chegar à vila ia espreitar o "Santinho  na Misericórdia". Pelos vistos desapareceu e ninguém sabe dizer como, teria sido vendido? Seria interessante a actual Provedora da Misericórdia Dra Teresa Fernandes se interessar neste espólio da Misericórdia que ainda existia no século XX ser verificado nos mandatos anteriores afim de deslindar a razão do que aconteceu a esta Imagem enorme, fazia parte do passado religioso de Ansião, possivelmente o seu desaparecimento tenha acontecido por altura que passou à valência de capela mortuária (?)!
O Sr Padre Manuel Ventura Pinho não celebrou o meu casamento, nem batizou a minha filha, nem os meus netos, apenas o mais velho, o Vicente com  2 meses teve o papel de fazer de Menino Jesus na Missa do dia de Natal, que tanto orgulho enalteceu a família .
Não posso deixar de voltar a agradecer a sua amabilidade e empenho  na facilidade em ultrapassar dogmas da igreja e ainda solicitar autorização ao Sr Bispo de Coimbra para a realização excecional do batismo dos meus netos na Capela de Santo António ao Ribeiro da Vide, e ainda a colaboração em preparar os instrumentos para a celebração do mesmo porque a Capela não tem pia batismal. A celebração foi possível porque o Sr Padre José Eduardo Reis Coutinho então a prestar serviço no Convento do Louriçal, mas em dia de celebração da sua padroeira, muito atarefado, ainda assim imediatamente acedeu  ao meu pedido para gentilmente se deslocar à matriz para recolher o material e na volta o foi entregar. Salientar ainda que a homilia neste dia 15 de agosto superou as minhas expectativas ao evocar a Batalha de Aljubarrota e da Ascensão de Nossa Senhora ao céu na sua celebração neste preciso dia. A sua disponibilização e a invocação destes valores na homilia os  considerei de alto préstimo pelo gosto em retratar um episódio da história de Portugal  em paralelo com outro não menos importante da Religião Cristã que em resenha deu a conhecer aos presentes e avivar a outros cultura, acto que considero uma nobre atitude em partilhar conhecimento que devia ser alvo de premissa a seguir nas boas práticas da Igreja. São condutas desta natureza de quem está no exercício do sacerdócio que de melhor pode oferecer aos seus paroquianos em ser prestável e passar  mensagens de cultura. A propósito disto lembro a Dra Carmita Antunes que este ano me confidenciou " o quanto gostava das suas homilias na Igreja de Santa Cruz em Coimbra e que quando um dia falecer gostava que fosse ele a encomendar o seu corpo."  Bem sei que alguns paroquianos não sentem o mesmo entendimento sobre o Padre José Eduardo Reis Coutinho "dizendo que mistura religião com politica" e,.... Uma coisa é certa, o grau cultural no rebanho é díspar para uma maioria nada ou pouco entender do que cabalmente ele fala, quantos não sabem o que é politica, apesar de consumirem televisão há mais de 40 anos...O Padre José Eduardo Reis Coutinho  foi e é um estudioso versado em várias áreas, por isso de alto valor credetício sendo dono de uma inteligência rara, cujo temperamento frontal possa não agradar a todos, mas jamais se pode subestimar a sua sabedoria. Caricatamente tentei mudar a sua opinião para começar a usar as novas tecnologias, debalde não o consegui, para mais tarde me lembrar em 1980 tive um chefe no banco que entrava ao serviço mudo e saia calado, mas no entanto irradiava algo extraordinário no seu estar em que ainda adolescente tanto o espicacei e jamais lhe consegui arrancar palavras, de seu apelido "Guimarães" na possibilidade a sua descendência de Ansião onde existiu este apelido até ao século XX que desconhecia, seguramente com genes judaicos, por isso de personalidade vincada, mas sentia era muito boa pessoa e disso o demonstrou.
Tenho elevada estima pelo Padre José Eduardo Reis Coutinho ao jus em o comparar com o que foi seu colega em Coimbra - Luís de Mello, irmão do Dr Pascoal Mello dos Reis ter provocado um grande alarido no Cabido de Coimbra como jamais outro assim houve, matéria que encontrei numa Monografia de um pároco de Ferreira do Zêzere,  em que encontro semelhanças no caracter, tenacidade e na sabedoria extraordinária  dando voz ao que entende deve ser feito em luta imparável , correndo o risco do prejuízo, mas por fim, venceu. Compreendo este estar desenfreado pelo costado familiar  e judaico que me é peculiar por o comungar, por isso na vida recebi de certa maneira o mesmo modo em granjear inimizades!
A estes dois Padres - Manuel Ventura Pinho e José Eduardo Reis Coutinho embora de personalidade diferente sinto por ambos extraordinária cumplicidade, encanta-me a aparente timidez no desafio da comunicação onde sempre irradiou luz e conhecimento na partilha de sabedoria por comungarmos o mesmo gosto pela história do passado de Ansião e das suas gentes, em que me aproximo da frontalidade com o Padre José Eduardo em prol do mais acentuado bom senso e do estar mais equilibrado do Padre Manuel Ventura , contudo igualmente directo-, na última Páscoa à porta da sacristia quando me despedia  diz para o meu marido - «admiro a sua paciência para acompanhar a sua esposa...» a propósito de cantos e recantos onde me embrenho para mais descobrir sobre Ansião que originou forte risada para fechar o adeus com dois recados que interiorizei com muita gratidão, não fosse ele o meu principal mentor nesta odisseia a que me dediquei há anos a especular mais sobre o passado de Ansião e a descobrir locais e pessoas que nos anais da história estavam esquecidos ou superficialmente abordados para publicamente no meio virtual  na minha e na sua Página do Facebook  por várias vezes tecer elogios ao meu talento de cariz observador e ao jeito fácil em  agregar informação, como outro assim jamais alguma vez o tenha feito, embora há anos a receber mensagens abonatórias para continuar a escrever e de outros incentivos ouvidos pessoalmente, publicamente foi o único, e disso não posso deixar de salientar.
A existência ou não de um pequeno mosteiro sito ao Vale do Mosteiro tenha sido a questão mais relevante que temos opinião contraditória, em que me disse "nunca viu nada escrito que fale da sua existência, nem do tempo que paroquiou Figueiró dos Vinhos e leu bastante, do mesmo modo o Padre José Eduardo Reis Coutinho entende que também não existiu, apenas fazia parte da herdade do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra". Debalde a minha teimosa é grande para continuar a dizer que ali ao Vale do Mosteiro, assim era a grafia em 1903 existiu um pequeno mosteiro . Mais sorte a menção escrita de outros três mosteiros que existiram na região centro  sediados a nascente que se localizaram na beira de troços da via romana usada na era medieval de Espanha para o litoral na ligação a grandes cidades como Coimbra, Tomar e Leiria, referenciados em https://digitalis-dsp.uc.pt de Maria Alegria Fernandes Marques no Arcediagado de Penela « mosteiros de Pera, Alge e Murta (Ferreira do Zêzere)» Destes mosteiros hoje praticamente nada existe, só o de Murta as ruínas algures perto da Torre do Girão em propriedade particular, antes de Areias. Se a estrada medieval mais importante da reconquista cristã passou por Ansião onde estaria o Esmoliadouro encastrado a poente de Ansião como é referenciado na escritura da propriedade, não podia ser apenas uma casa de alguém rico, mas claro pode ter sido uma construção visigótica reutilizada mais tarde a que foi acrescentada a adega, é preciso certificar as pedras para saber se são da mesma origem com o portal da Misericórdia .Em sitio escolhido ao jus de forte em formato de "L" a poente com duas entradas francas uma a norte e outra a sul na perfeita escolha do local certo na beira da estrada, por onde passavam viandantes de todas as estirpes desde o clero, nobres, mercadores, almocreves, ciganos e mendigos nacionais e estrangeiros, porque Ansião passava o Caminho de Santiago de Compostela até descobrir uma Monografia de um açoriano sobre a Metrologia (Pesos e Medidas) em que baseou a sua tese nas diferenças das medidas que  existiam em Ansião em comparação doutras terras ao encontrar na Torre do Tombo uma contenda com almocatés em Ansião em 1359, o que atesta esta riqueza laboral de moinhos e de lagares nesta terra ser bem antiga. Deu-me o mote para descobrir o terreno nas margens da Ribeira da Mata desde a Lagoa do Pito à sua foz na ribeira do Nabão, e neste até ao Rebolo, onde de facto encontrei alguns ainda de pé, em ruínas e ainda outros que foram transformados. Um extraordinário património que  existiu em Ansião jamais abordado por historiadores, com balogueiros, os ribeiros abertos a força de mãos para desviar a água da ribeira principal para o moinho ou lagar e depois da sua viagem voltar à ribeira. A minha dificuldade em traduzir fielmente o português arcaico para o actual faz com que ainda subsistem dúvidas na interpretação do que o autor açoriano traduziu, em verdade nem sabe onde fica Ansião, nem tão pouco interessado noutros pormenores do seu passado, apenas focado na contenda para explicar que nesta terra as medidas para pagar os foros aos arrendatários era menor que em Santarém e noutras terras, matéria que  exarei em crónica, em verdade sou autoditata onde depreendo que há trechos que se parecem referir ao Prior do Convento e do Mosteiro de Santa Cruz, em implícitar que antes em Ansião houve um pequeno convento e não mosteiro, apesar de na toponímia ter sido atestado  Vale do Mosteiro, por de facto as terras serem pertença ao Mosteiro de Santa Cruz. Fundamental a visão sobre o que acabo de relatar e ninguém melhor do que o Padre José Eduardo Reis Coutinho, debalde há muito que não lhe ponho a vista em cima , por isso a lacuna ainda em aberto. Conheci o local a que se chama mosteiro em 1964 onde entrei com a minha irmã em dezembro  na estreia das cestinhas de verga de meio quilo feitas pelo "Ti Zé Mau" a pedido do nosso pai e vaidosas com elas a baloiçar pelas mãos pelo caminho pedregoso sem saber que foi estrada real, até que chegadas ao quinhão que o nosso pai herdara do seu avô Elias da Cruz, a Vinha (nome da propriedade do que foi no passado a vasta vinha do mosteiro) fazer de conta que apanhávamos azeitona para retalhar, mas o tempo de repente enegreceu adivinhava-se trovoada forte e na pressa o abrigo no mosteiro o que nos ocorreu, e fomos na sua descoberta como crianças curiosas e aventureiras.Na entrada a sul havia uma nogueira enfezada em relação à que havia no nosso quintal já não havia homem que se aventurasse a varejar, que se torcia junto da parede de uma pequena casita para no lado direito se abrir um rectângulo coberto a erva debruado a sapata em pedra com fino friso em que tivemos de alçar a pernita para a subir e encaminhar para norte onde estava um portal oval igual ao que já conhecia no tardoz da igreja da Misericórdia, nas vezes que brinquei no jardim dos Paços do Concelho, na diferença deste grande fechado por porta de madeira a cair de velha com buracos onde foi a fechadura cheio de cordéis. Atrevida sem aparente medo entrei com a minha irmã  e ambas caminhamos por passadeira de laje branca, quadrada, alva como a cal da parede e dos lados terra onde ao fim do corredor se abria um espaço amplo reaproveitado em casa de habitação onde havia um quartito a norte que tinha uma pia de água benta e uma Cruz alta em pedra, suposto dizer ali encerrados para não serem profanados, no cimo das paredes haviam restos de arcos que teriam feito parte do tecto primitivo. Assustadas pelo cenário do incêndio com os barrotes em descida sobre as nossas cabeças saímos por uma porta do lado norte onde na rua havia um portal com portão em ferro forjado airoso cuja ombreira terminava com um pináculo de pedra  em forma de pescoço elegante encimada com esfera como assim já tinha visto no convento de Tomar.Óbvio que se passaram muitos anos até estar disponível e com tempo para me debruçar de novo sobre as Coisas que eu Gosto. Graças à facilidade que tenho de travar conversa com qualquer pessoa a que junto memórias tenha sido a minha prima Júlia Silva do Bairro a falar-me da existência de um arco atrás da casa que foi do Sr António Serrador onde me levou e constatei que se tratava de um arco de volta perfeita onde acabei por descobrir uma grande pedra com um buraco sem saber a sua funcionalidade,  foi graças ao Padre José Eduardo Reis Coutinho que mais tarde levei ao local e me informou que se tratava de uma pedra de lagar, o que veio credenciar a existência de um lagar, ainda lhe mostrei outro arco de volta perfeita que tinha entretanto descoberto entaipado para uma arrecadação na década de 30 e na saída noutra casa lhe mostrei a escadaria cujos degraus foram postos ao contrario, reutilizados da tal sapata que na primeira vez alcei a perna para subir. O "António Arrebela" que ali nasceu e viveu na Costa, também me contou pormenores que desconhecia dos parapeitos em pedra que haviam na Capela e um deles foi reaproveitado na casa do Sr António Serrador, do túnel que possivelmente existiu na frente da Capela e no tempo se desmoronou e a Miguela usava como curral dos coelhos e outro na ligação à capela de Santa Marta, este não acredito, a ter existido faz mais sentido na ligação ao burgo primitivo que foi localizado no actual cemitério. Na oralidade ainda se fala que antes do terramoto de 1755 havia uma ligação de arcos de volta perfeita como o que ainda se encontra a norte a ligar ao Senhor do Bonfim, pessoalmente não corroboro esta teoria olhando ao desnível do terreno. Também alguns falavam da existência da cama da rainha em pedra, onde dormia nas vezes que passou por Ansião e teria sido destruída quando o espaço foi vendido e adaptado a casas.  Havia  onde hoje é o Intermaché um poço de chafurdo com escada que dele me falou o Renato Freire da Paz, e a Natércia Murtinho falou-me da janela com gradeamento que ainda existe a norte . Apenas me lembro de aqui haver uma espécie de palmeira delgada das primeiras que vieram para Portugal, há anos que morreu, teria sido trazida por árabe do norte de África, porque nesta região houve gente daí oriunda e que deles hoje ainda há descendência cruzada com os primeiros povoadores de origem franco e judeus, basta ser atenta para perceber facilmente os genes em muitos de nós. O mesmo do cedro-do-Líbano que se encontra junto da ruína da casa da quinta do Dr Faria.
Muito ajudou o meu poder de observação e de questionar no caso com o "António Arrebela" no propósito em atestar a antiguidade do mosteiro com o pormenor das telhas quando lá entrei em miúda eram em telha Marselha, igual à da casa dos meus pais, quando nas outras casas naquele tempo a telha que conhecia em geral eram de canudo? Foi quando me disse que o mosteiro tinha sido comprado por várias pessoas onde cada uma delas na parte que lhe coube fez uma casa. Confirmou ainda onde eu entrei com a minha irmã tinha sido a Capela vendida ao Miguel e Miguela que um incêndio ditou a venda  com os talhos de terra tendo o casal emigrado para o Brasil, de onde não voltaram.A Lúcia Parolo também lá entrou e confirmou e a Carmita do Bairro que veio a herdar o palco onde foi a capela havia de mais tarde dispensar o tal portal gótico e o corredor lajeado para a Deolinda fazer a cozinha, pois o seu quinhão era muito pequenino para fazer a casa que ainda lá se encontra. Não havendo qualquer duvida que ali existiu uma Capela, e era grande onde hoje é a vivenda do Nito e da Ausenda.No sitio que eu digo existiu um pequeno mosteiro ou convento ainda sobrevivem alguns arcos de volta perfeita que fariam parte da adega dos frades e a pedra do fuso, espaço recentemente comprado  pelo Nito e a Ausenda.
Anos mais tarde num funeral encontrei a  Capela do cemitério aberta dando conta de estar no chão uma Imagem que não consegui perceber quem retratava, registei foto e perguntei ao Sr Padre Ventura que Imagem seria aquela, pois nunca antes vira nada igual, imediatamente fez o favor em se deslocar ao local para confirmar tratar-se da Imagem de S Lourenço.
Para mim este Santo veio da Capela que acabo de falar e existiu onde digo houve um mosteiro quando foi vendido depois de 1875 por altura que o Dr Domingos Botelho de Queirós adquiriu a grande quinta com o cemitério no meio e a quis murar, tendo sido acusado de profanar ossadas humanas, na altura o padre em exercício as mandou trasladar para o cemitério tendo uma  faixa de terreno sita a poente com a estrada medieval comprada pela Junta da Paróquia onde se veio a construir a actual Capela do cemitério. Para mim esta Imagem de S.Lourenço foi o originário orago da Capela ( mosteiro) por este Santo ser considerado o protector dos tesouros da Igreja. Por isso o local certo para o Esmoliadouro onde os frades protegiam as esmolas dos salteadores e as distribuíam, verossímil dizer,  embora só existe referência documental de uma Capela sita a poente no olival de S.Lourenço em 1627,sem dizer que foi pertença de um mosteiro. Esmiuçando os relatos de padres nas Memórias Paroquiais percebe-se facilmente o uso de parcas palavras, pouco descritivos, com grande falta de sensibilidade para dizer mais do passado para as gerações vindouras lhes ser mais fácil investigar.
A igreja primitiva de Ansião erigida segundo os historiadores por volta de  1229 no burgo que hoje é o cemitério, o seu sitio tenha sido na imediação do cemitério velho com o novo a nascente, já assim o afirma o Padre José Eduardo Reis Coutinho em que eu lhe confirmei que esse terreno foi do meu bisavô Elias da Cruz e se chamava Ribeiro da Igreja, e de facto o ribeiro corre-lhe a escassos metros que o credencia e antes no século XIX o juiz Júlio de Lemos Macedo também lhe fez referência num documento que foi transcrito pelo Dr Manuel Dias para mais tarde descobrir numa reprodução da aguarela de Pier Maria Baldi de 1669 feita em 2016 pelo Dr Leonel Antunes em que a panorâmica de Ansião revela pontos que antes ninguém abordou. O facto de contemplar o tardoz da igreja com o óculo de iluminação dita que não foi retratada a actual matriz , nem tão pouco a frontaria desta primitiva que o era para poente e com isto dizer que a comitiva do príncipe Cosme de Médicis ao deixar a vila retratou a igreja velha do velho burgo desativado, por isso foi proferida a frase desabonatória - Infelice burgo. Dita ainda que a comitiva vinda de sul entrou no Bairro onde pernoitou e não seguiu no dia seguinte a caminho do Vale do Mosteiro, porque em 1669 a Vintena na Cabeça do Bairro já era uma realidade com novo caminho aberto na quinta do Bairro a passar ainda hoje na frente da casa dos meus pais ao Largo do Ribeiro da Vide para subir a actual Rua João de Deus para entroncar  ao inicio do Cimo da Rua e descer à vila seguindo a caminho do cemitério para sair pela estrada medieval  porque a Ponte da Cal ainda não existia.
Quando escrevi sobre a Quinta das Lagoas recebi um  testemunho do Sr Padre Manuel Ventura Pinho « celebrei missa na Ermida de S João na quinta das Lagoas onde existia uma Imagem de Nossa Senhora da Boa Morte, que não tirei foto » .Seria importante a Câmara saber onde está a Imagem para não se perder.
Tive ainda a sorte em me ter sido  facultado por um membro da Irmandade um antigo Livro da Confraria do Santíssimo Sacramento de Ansião que mencionei em crónica onde vim a descobrir Dom João de Mascarenhas Sarmento Vellasquez  e Alarção cujo belo jazigo capela se encontra na entrada do cemitério e antes ninguém dele tinha falado nem da Quinta de Além da Ponte onde nasceu.
Sobre a arquitectura anos 30 da Capelinha de Além da Ponte por não denotar antiguidade  também tivemos troca de ideias . Esta Capelinha mandada erigir pelo Mestre jesuíta Dr António dos Santos Coutinho  aquando da ampliação da Ermida de Nossa Senhora da Conceição em Igreja da Misericórdia em 1702, em que veio a receber um Morgadio que se estendia de Além da Ponte às imediações do Rabaçal , para dizer desde sempre me intriguei na razão da minha família paterna ter tanto chão em Além da Ponte, para nas Memórias Paroquiais conseguir fazer correlação de factos e de os colocar nos espaços que tiveram no passado. Passados poucos anos houve um forte vendaval que destelhou a Misericórdia provocando muitos estragos em que a Imagem de Nossa Senhora da Graça foi recolhida na matriz e assim se manteve muitos anos para voltar esta igreja da Misericórdia a ser alvo de reparação em finais do século XIX, esta noticia inspirou-me em virtude da Capelinha de Além da Ponte se encontrar na mesma direção da Misericórdia,  em que o vendaval a tenha também destruído, já que era de porte menor, para ser de novo levantada na mesma altura da Misericórdia mas por Abel Falcão que tinha regressado de Moçâmedes e comprado a quinta de Além da Ponte a conterrâneos do Espinhal, ao que parece trouxe afilhados mulatos, a cor da pele das crianças tenha sido alvo de preconceito no suposto de os assumir afilhados quando seriam filhos, e para calar o povo a tenha erguido , por isso pequenina, para não gastar muito dinheiro e ainda ofereceu a Imagem do S.Pedro que seria do oratório da quinta e o S.João Batista da Capela do Moinho de Além da Ponte, este referenciado nas Memórias Paroquiais. Como se vivia um tempo de incertezas com a República em que o povo massacrado andava de avessas com a igreja  e por todo o País se transformou muita capela em curral, para aqui desistir do oratório de casa, por ser suposto ateu, oferecendo o "Santo" ao povo, e assim o calou e ainda ficou por cima, bem visto.
Caríssimo Sr Padre Manuel Ventura  Pinho narro esta crónica no fio da navalha com as ideias em atropelos a que os dedos apesar de ágeis no teclado não acompanham... Peço desculpa se cometi algum erro, não fui confirmar estas temáticas há muito escritas, apenas me deixei fluir em recordar e valorizar a tamanha parceria diversificada que tivemos ao longo dos anos. Em todas as histórias é fundamental acrescentar estórias, e assim nasce este jeito de compilar memorias com 50 anos, e aos 60 onde destaco o papel fulcral do Sr Padre Manuel Ventura Pinho, a que juntei a correlação de matéria exarada nas Memórias Paroquiais, do Livro de 1986 sobre Ansião do Padre José Eduardo Reis Coutinho  e de outra retirada das Atas da Câmara que sobreviveram ao incêndio de 1937 retratadas na vida de Ilustres Ansianenses dos dois Livros do Dr Manuel Dias e mais dispersa literatura de Penela, e ainda dos muitos testemunhos orais, tem sido possível mais saber .

Nunca é demais dizer 
Bem haja Sr Padre Manuel Ventura Pinho
Pela força e partilha de tanto conhecimento que me iluminou  na coragem para avançar!

Há anos confidenciou-me que tinha solicitado um Livro temático sobre a Religiosidade de Ansião até ao século XV ao Padre José Eduardo Reis Coutinho. Esperei ansiosamente a cada dia por esse Livro, na mesma certeza o Sr Padre Ventura para em comum o sentimento de nostalgia ao não o ver editado como seria de esperar durante a sua estada na paróquia de Ansião, uma vez que foi encomendado por si.Contudo esta longa espera, sem data anunciada, fez em mim e em si desencadear naturalmente uma vontade em escrever nas redes sociais, pese embora me tenha confessado que quando abraçou a paróquia alguém o tenha de certa forma desmotivado em dar voz na escrita como tinha sido a sua vida em Figueiró dos Vinhos.Ainda bem que este aviso depois de tantos anos se veio a desvanecer e fez aquilo que devia ser feito, por isso tanto lhe agradeço.Graças à sua partilha, sobretudo de textos transcritos das Memórias Paroquiais relativos ás Vintenas do concelho e ao espólio que existiu em capelas e das matriz relatados nas Informações do Padre Serra, para mim o mais descritivo de todos entre outros excertos para concluir que sem nos darmos conta ambos bebemos de cada partilha que cada um publicava, sem jamais haver atropelos em prol do ganho de maior conhecimento.Ambos sentimos o mesmo apelo de transmitir o que sabemos e descobrimos no gosto de o partilhar gratuitamente e isso é uma grande bênção.
Lamento que o Sr Padre José Eduardo Reis Coutinho por principio não seja adepto das novas tecnologias, apesar de credenciado, porque esta via tem a grande a facilidade de ao momento  se poder trocar rápida informação que no mais ínfimo de mim tinha um  objectivo final - compilação em livro sobre o passado de Ansião feito pelos três!
Valorizo incondicionalmente o esforço do Sr Padre Manuel Ventura Pinho junto do Sr Bispo para poder mostrar a maior riqueza sacra do património da matriz de Ansião.Bem recordo a resposta do Sr Bispo - não existe altar para a suportar. Trata-se de uma Imagem que foi pertença da primitiva igreja de Ansião. Uma coisa é certa, Ansião teve a sorte de manter a Imagem até hoje, embora guardada em prol de outras igrejas e capelas em que viram peças do seu espólio sair para enriquecer o espólio do Museu Machado de Castro em Coimbra.
Segundo Severim Faria em 1625 « o povo da Constantina veio à sacristia da matriz de Ansião  de noite para os ansos não se darem conta buscar uma Imagem da Senhora da Paz, pois eram muito ligados a esta Senhora» A escolha desta Imagem o tenha sido por ser em roca, mais leve que a Imagem em pedra de Nossa Senhora d'Ó de imensurável beleza encontra-se encerrada a 7 chaves. Agradeço o privilégio da sua amostragem. Não existem palavras para dizer o que senti naqueles breves momentos pela irradiante e tamanha beleza  que a escultura me inspirou dada pelo talhe delicado da doçura do rosto, da mão aberta que acaricia o filho no ventre  vestida à semelhança da Rainha Santa Isabel, falecida em 1336 pelo cinto em pedrarias a prender a cintura e a fivela a fechar o manto.Imagine-se estudiosos em arte sacra o que falariam desta Imagem!
Resta a tristeza que não tenha sido pela sua mão que esta Imagem finalmente voltasse à ribalta na sua exibição em  público, valeu o esforço a que se deve dar continuidade! No entanto valorizou duas telas em mau estado guardadas sem cautelas que as mandou restaurar e hoje engrandecem a Capela mor da matriz.

Para aqui deixar um repto aos novos párocos :
Desconheço se existe inventário de Imagens mutiladas em reservas de todas as capelas e igrejas do concelho de Ansião, é importante que exista e esteja todo o espólio fotografado.
Haja vontade em lançar mecenato em pareceria com a câmara de Ansião a que devem juntar filantropos que queiram deixar o seu nome ligado no testemunho benemérito para as gerações vindouras no patrocínio do restauro dessas Imagens , saliento as que conheço; matriz de Ansião e antiga matriz da Orada para integrarem um  Espaço Museológico de Arte Sacra em Ansião. E adianto-me, o meu olhar distingue na matriz a seguir ao batistério  na porta a norte onde há espaço no tardoz para se fazer em segurança como as normas ditam.
Porque a Imagem da Senhora d'Ó merece ser vista e apreciada por todos os ansianenses e no justo dever de chamar o turismo nacional e estrangeiro dos caminheiros para Fátima, Santiago de Compostela e outros. Não seja adequado que se continue a viver e a morrer nesta terra desprovido de a apreciar, vasta todos e foram muitos desde o século XVI , convenhamos é demasia de tempo!
Também não posso deixar de referir a rapidez e empenho que deu na tramitação em remover uma árvore do adro da Capela de Santo António cujas raízes estavam a entupir a canalização da casa da minha mãe. 
Para não me tornar enfadonha o Sr Padre Manuel Ventura Pinho foi para mim uma inspiração, o mentor principal pela picardia que em mim incitou por ser mais conservador em prol da minha maneira de ser que gosto mais de sair da base de conforto para dizer o que penso, correndo o risco de me enganar, o que já aconteceu várias vezes, talvez por ser mulher e ter vivido tantos anos de castração a confrontar  limites do certo e do errado,  para hoje mais madura fazer investigação histórica do concelho de Ansião de uma maneira descontraída sem desprezar e almejar a raiz da verdade por conseguir situar-me no tempo  dos factos para melhor entender como aconteceram, sem medo de exprimir o que sinto ditado pelo instinto e pelo que os meus olhos me dizem e disso tenho publicado crónicas temáticas neste blog, em que me confidenciou as dificuldades que sente na leitura directamente no écran do computador para se dar ao trabalho de imprimir para assim ler melhor .
Sem ser poetisa tão pouco escritora em desfecho dizer o quanto o considero como se fosse um membro da minha família, agradecendo toda a auto estima e partilha de saberes que sempre me distinguiu.
Espero ainda que a saúde lhe permita continuar a escrever, sobretudo sobre a vida do Conde de Mira cujo solar ainda existe e conheci há perto de 40 anos quando a minha mãe nos verões trabalhou nos correios na Praia de Mira, e recordo de me terem dito que ficou na pobreza, pois deu tudo aos pobres. Espero ainda que abra uma nova conta no Facebook para dar voz à continuada amizade.
Por último seja de esperar da autarquia de Ansião em  lhe dar o merecido destaque como no passado outros da autarquia receberam - Medalhas de Honra, e quanto a mim não fizeram tanto por Ansião, e ainda que o executivo camarário tome como prioritário na sua agenda  a mudança de alguma da toponímia, sendo inadmissível em pleno século XXI  ver atribuição de nomes que nada tiveram ou deram à vila ou ao concelho.Há muita atribuição caduca sem sentido; Rua Dr Oliveira Salazar, o estadista nada fez por Ansião, basta ser homenageado na terra natal Santa Comba Dão, o mesmo da Avª Dr Sá Carneiro; Av Luís de Camões; Rua Gago Coutinho; Rua João de Deus; Rua de Angola e,...É prioritário mudar com visão de futuro e credenciar gente amada que deixou trabalho pelo desenvolvimento do concelho!
Escolhas descontextualizadas aprovadas em maioria por gente supostamente inculta, sem sensibilidade para a temática cuja importância maior deve privilegiar os valores do passado a deixar aos vindouros, e a quem faça investigação ajuda muito. Deve-se valorizar os nomes antigos de gente nascida, ou aqui destacada que se evidenciou, e ainda as memórias ancestrais do povo. Estou a lembrar-me de uma rua que ainda não tem placa toponímica à imediação do Salgueiro, porque dois moradores não concordam com o nome que os antigos sempre lhe chamaram- Gatina, um local com habitantes que compraram lotes para construir que supostamente desvalorizam as tradições do passado, e isto não devia ser permitido. O que deve ser feito é pesquisa para entender a razão daquele topónimo.Em repto seja perfeitamente entendível que o nome do Sr Padre Manuel Ventura Pinho deva a meu ver ser objecto de discussão para menção na toponímia por ter levado Ansião a ser conhecida no Mundo com milhares de visualizações e de todo o demais trabalho.Mérito da sua obra que não deve ser desvalorizada, antes credenciada, pese a sua modéstia  tão elevada , bem sei não espera tal reconhecimento, mas o entendo mais que merecido!
Seria interessante no dia da festa dupla do ADEUS e  benção de BOAS VINDAS houvesse alguém no empenho de lavar e passar a ferro as opas roxas da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Ansião há anos guardadas, para o desfile de gratidão, isso é que era ter iniciativa inédita altamente louvável!

A vaidosar na sua praia de Mira em agosto, longe da confusão mais para sul onde me lembrei de si!
Por não gostar de despedidas deixo um enorme e fraterno abraço com  um até já  para se deleitar na leitura de um soneto que escolhi por espelhar o mesmo jeito em si e em mim na facilidade em escrever.
Soneto do ilustre de Ansião  João Valente do seu Livro retirado do  seu Livro - Isto, Aquilo e o Resto editada pela CMA em 1987 , escrito em 23-3-1964.
Como se faz um soneto
Um velho amigo meu, muito estimado.
Disse-me há dias em tom complacente,
Que o versejar, assim, continuado.
«secava» a inspiração rapidamente.

Meu caro amigo, tu estás enganado,
Os versos saem tão naturalmente,
Que eu a falar contigo e descuidado
Já fiz as duas quadras facilmente.

E agora,como vês, p'ra terminar,
Atiro umas larachas, ao calhar,
E, quase sem querer, fecho um terceto;

O resto, amigo,já tu adivinhas,
Gastam-se, p'ra encher, mais duas linhas
E chegamos ao fim. Eis o soneto!

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