quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Igreja de Areias em Ferreira do Zêzere

Deslumbre pela tamanha monumentalidade. Merecia ser melhor conhecida e estudada, praticamente nada encontrei,  revela da terra não haja historiadores? E toda a história da envolvente?
De orago em honra de NS Graça . Quem não conhece deve visitar para se sentir mais rico.
Espero que o espólio esteja inventariado, fotografado e protegido com seguros, alarmes e trancas!
Igreja de Areias no concelho de Ferreira do Zêzere.
A minha escolha para assistir à missa no último 15 de agosto. 
«Segundo o DGPC a povoação de Areias foi ocupada desde o Paleolítico, e mais tarde integrou os domínios do antigo castelo de Ceras, situado nas imediações de Tomar. Esta fortaleza, bem como todos os territórios que lhe pertenciam, foram doados aos Templários por D. Afonso Henriques em 1159, e depois da extinção da Ordem do Templo em 1312, os bens que esta possuía em Portugal passaram para a instituída Ordem de Cristo.
Desta forma, no ano de 1321, quando a Ordem de Cristo dividiu os seus domínios territoriais em diversas comendas, a povoação de Areias foi designada pelo grão-mestre D. João Lourenço sede da comenda de Pias.

A igreja matriz da povoação terá sido fundada no século XV, havendo notícias da sua existência em 1489 (SEQUEIRA, Gustavo de Matos, 1949). Esta data corresponde, sem dúvida, ao início da construção do templo, uma vez que a capela-mor foi mandada fazer em 1502 por D. Manuel, e a sacristia foi terminada em 1510 (Idem, ibidem).
Dedicada a Nossa Senhora da Graça, a igreja foi reconstruída cerca de 1548, numa campanha de obras dirigida por João de Castilho (SERRÃO, Vítor,2002, p. 67), o arquitecto responsável pelas grandes obras da Ordem de Cristo na época da reforma empreendida por Frei António de Lisboa.O templo manteve a estrutura de gosto gótico, com planta rectangular disposta longitudinalmente, cujo espaço interior se divide em três naves. A fachada da igreja, transformada na campanha de João de Castilho, apresenta um corpo avançado de três registos, num modelo de fachada-torre , onde foi edificada no piso térreo a galilé assente sobre robustas colunas jónicas e coberta por abóbada de nervuras. No segundo registo foi colocado um nicho com baldaquino, sobre o qual foi aberta a janela que ilumina o coro-alto. No último registo foram abertas as sineiras, e uma empena remata o conjunto.
No interior, vários arcos de volta perfeita assentes sobre colunas jónicas marcam a disposição das naves, cobertas por tecto de madeira. A capela-mor é coberta por uma abóbada de nervuras cujos espaços entre nervuras são totalmente decorados com pintura de brutesco , possivelmente executadas no século XVII. As chaves da abóbada são decoradas com a Cruz de Cristo e o escudo de Portugal, gravados em relevo.
As paredes laterais da capela-mor são cobertas por painéis de azulejos de padrão seiscentistas, azuis e amarelos, e ao centro foi colocado o retábulo de talha dourada barroca.
No programa decorativo interior destaca-se ainda o retábulo pétreo, edificado na primeira capela lateral do lado do Evangelho, datado de 1596.»
 

 A pedra sempre em primeiro plano

Adorei as gárgulas que existem a nascente do templo que apesar de menores me reportaram para a Notre Dame em Paris, umas figurativas e outras em canudo...

 Bancos exteriores para o adro
Uma curiosidade - esta igreja tem tanto no exterior como no interior bancos corridos em pedra, que em mais nenhuma recordo tenha antes visto.
Bancos de pedra no interior
 Pia de água benta carcomida
 O chão lajeado, bonito como deve ser em manter a traça antiga
 Santo de roca?
Grandes pinturas expostas, sem perceber se são antigas e restauradas ou novas (?)
 
 
 Belos altares
 
Chão fez-me lembrar o da igreja do Seminário de Cernache do Bonjardim
  Os azulejos em amarelo e azul magníficos lembram a sacristia do seminário de Almada


 Carrinhas do Lar transportam pessoas para a missa em cadeiras de rodas. Gostei de ver.
 
 
 A toponímia - Poço da Ordem atesta que foi terra dos Templários.

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