quinta-feira, 15 de novembro de 2018

António João, pedreiro, morador em Fala, obrigação e fiança, à obra da Ponte de Ansião

A Ponte da Cal em Ansião
No Séc. XX enegrecida sem vida, para rejubilar com a chegada da primavera de copa amarelo canário a fausta mimosa na frente da casa do Sr. Albertino, sem pedir licença se vestia resplandecente em cenário estonteante o brutal contraste, ao jus do meu regalo a enaltecer o olhar!
A travessia do Nabão em Ansião
Sobre a datação do monumento histórico da Ponte da Cal em Ansião o Padre José Eduardo Reis Coutinho escreveu no seu Livro de 1986 « A ligar as duas margens do rio Nabão e no seguimento do troço viário, então reaproveitado (?) das Lagoas para o centro da vila, passando junto a edificações novas,em finais do séc. XVII foi construída a Ponte da Cal, de alvenaria, com dois arcos em cantaria siglada, sendo o do norte dividido por um estreito passeio que, ao centro, delimitado por dois tanques de banhos:um para homens, outro para mulheres, e este, com uma pia mais funda,onde, segundo a tradição lendária, a Rainha Santa Isabel banhou os pés». Até hoje sem mais historiadores e investigadores a se debruçar nesta temática o que se estranha, se atender ao seu valor patrimonial, a saber dos mais antigos que existem em Ansião; a porta ogival gótica no tardoz da Misericórdia a reportar ao séc. XII ou anterior, o Pelourinho de atribuição de Foral em 1514, a Igreja Matriz de 1593, a Casa e Albergaria da Misericórdia de 1652, a Igreja da Misericórdia ampliada em 1702, Padrão ao Senhor de Ansião Luís de Menezes em 1868 e a Ponte da Cal data de 1648 no total de sete testemunhos ainda vivos na vila de Ansião a merecer estudo, preservação e autenticação!
O governo do Rei Filipe IV de Espanha, III de Portugal
O seu governo durou até 1665 assumindo papel determinante o Compromisso da União Ibérica  no melhoramento e rasgo de novas estradas e pontes. No verão a região de Sicó revela caudais quer no rio dos Mouros quer  no Nabão de secura extrema.  Desde miúda ouvia falar dum Rei filipino ter passado na Constantina...Apenas descobri uma viagem de Filipe III de Portugal a passar por Tomar na grande probabilidade da sua passagem por a Constantina, na ligação de Coimbra a Tomar por estradas romanas recalcadas com troços medievais e outros novos no uso cumulativo dos leitos secos ou com pouca água dos rios Mouros e Ribeira da Mata na lagarteira e o Nabão fosse a pé, cavalo, coches e carroças para o ser totalmente impossível no inverno pela fartura de águas  a determinar a urgência da construção de uma Ponte na Fonte Coberta adjudicada em 1637 para outra a sul, a Ponte de  Ansião mais conhecida por Ponte da  Cal e outras na mesma centúria de 600 na região de Coimbra.
Solicitei parecer sobre a sua estada na Confraria da Constantina ao Padre Manuel Ventura Pinho  que falou com o Ilídio Valente para confirmar a veracidade do que pensava « Sei que o alvará régio foi assinado pelo rei Filipe III de Portugal, IV de Espanha em Lisboa em 30 de Outubro 1624 no entanto não tenho conhecimento documental da sua vinda à Constantina.» 
Mestre de Obras José da Fonseca
Natural de Ansião autor da Ponte na Fonte Coberta.
Investiguei o seu nome nos Livros de Óbitos e Casamentos desde 1578 a finais da centúria de 600 onde não encontrei este apelido em ninguém, pese embora seja difícil a sua análise por quem não domine a ortografia da época com uso e abuso de palavras reduzidas em caligrafias de vários padres, um verdadeiro desafio nem mesmo à lupa se mostrar trabalho demorado e exaustivo, apesar deste apelido ainda se manter vivo em Ansião, acabando por declinar a minha teoria  em lhe atribuir  o cunho da obra da  Ponte da Cal para em  melhor racionalização voltar o ano passado em caminhada até Além da Ponte para mais uma vez olhar mais de perto a  graciosa e emblemática Ponte da Cal com os seus airosos bancos, os arcos esculpidos aqui e além com algarismos, os tanques lajeados de chafurdo cujos rebordos apresentam furos de encaixe a frágeis tabuados na proteção dos banhos em maior privacidade, a pia comprida atribuída erradamente à Rainha Santa Isabel, o seria para crianças, pormenores a  não passarem despercebidos ao meu olhar atento, curioso e peculiar enxergados em bela manhã a ditar jamais outros lhe deram a mesma atenção, tão pouco alencar a razão da sua construção naquele local.A falta de prova documental esteja interligada ao incêndio no Tribunal em 1937 fatal para livros e demais documentação pelo que pouco mais me restava senão especular aflorando dados credíveis, pese embora sem prova documental vaticinei continuar ao que me tinha proposto há mais de dois anos para há dias graças à passeata pela Cova da Piedade a mirar o Tejo na praia da Mutela a saborear o sol soalheiro do adeus ao verão de S. Martinho despertei para uma nova perspectiva de mudar o rumo à pesquisa bajulada de teimosia bastante e  persistência em descobrir o que realmente procurava em flash o meu golpe de sorte no meu papel de aprendiz em investigação de raiz histórica em descobrir a concessão da Ponte da Fonte Coberta que ostenta há uns anos um painel azulejar com essa menção que já conhecia, o ânimo de continuar para no final da listagem a menção da Ponte de Ansião, o verdadeiro pedreiro desta obra , a minha glória e o meu  mérito!
Brutal descoberta
A primeira a autenticar a data da sua construção.
Excerto de  «https://www.cm-coimbra.pt Notas, nº 9, 1641-1648 Escrivães da Câmara: Diogo Soeiro de Azevedo Simão de Morais da Serra «Em 1648, Janeiro, 31, Coimbra. Obrigação e fiança de António João, pedreiro, morador em Fala, à obra da Ponte de Ansião, “em preço de 280 mil rs”, sendo seu fiador Manuel da Rocha, morador nos Silvais, termo da cidade de Coimbra. AHMC/Notas, nº 9, fl. 138v». Finalmente credenciar a minha inicial teoria sem base documental em a atribuir a meados do século XVII pelas evidencias acima enumeradas para agora com total propriedade atestar o começo da obra em 1648.Sou realmente uma Valente!
Contudo triste porque gostava que tivesse sido obra de um mestre de Ansião. A ter sido oriundo de Fala, nos arrabaldes de Coimbra reportou-me para um contínuo, o Sr Duarte dos Telefones em Coimbra onde trabalhei em 78/9.
Ligação da Constantina para Ansião
A via secundária romana vinda da Constantina para sul a passar pelos Netos , Lagoas e Ansião para ter  surgido na época medieval um novo troço a passar pelo Moinho de Além da Ponte com  capela a S. João Baptista referenciado nas Memórias Paroquiais Setecentistas « a capela foi mandada instituir por Joana Baustistae em 1696 sendo Manoel Matheus seu possuidor e administrado » evidencia a escolha do orago ao jus do seu apelido, e ainda a sua instituição aconteceu em tempo anterior à sua efectivação a ditar essa vontade anos antes por altura da construção da Ponte da Cal o que faz sentido dizer, encontrando-se hoje parte desse caminho estrangulado pelo IC8. Para concluir houve escolha do local para intercessão da Ponte da Cal na ribeira do Nabão cujo leito a montante e a jusante se mostra ainda hoje estreito em relação ao local escolhido mais largo no propósito espraiado sobretudo na margem a poente para a ponte abarcar dois arcos quando seguramente apenas um seria suficiente  acima ou abaixo do seu  leito a evidenciar ainda a lógica dos tanques de chafurdo por as águas naquele tempo serem consideradas milagrosas em afirmar o seu enquadramento foi pensado a preceito para ser executado naquele local escolhido de maior acessibilidade do povo aos banhos pelo lado poente em rampa.
Nabão a montante da Ponte da Cal, estreito
O primeiro burgo de Ansião 
A aguarela de Pier Baldi de 1669 retrata uma panorâmica de Ansião, jamais interpretada, para mim evidencia três núcleos distintos. A comitiva do Príncipe Cosme de Médicis III vinda de sul entrou na Cabeça da Vintena sediada no Largo do Bairro onde pernoitaram. Porque afirmo isto? Porque Pier Baldi deixou retratada a Estalagem em destaque na frente da aguarela, foram horas à lupa para a desmistificar. Conheço bem o Largo do Bairro, as suas ruínas e as estórias com história para finalmente a ter identificado, o que resta dela onde foi o seu palco.A comitiva partiu no dia seguinte 22 de fevereiro em  dia pequeno a caminho da estalagem da Fonte Coberta. Suposto dizer que só há noite nas estalagens o aguarelista as pintaria com as notas recolhidas durante a viagem, se atender que viajavam em carros ao género de diligências, Pier Baldi na saída da Cabeça do Bairro se teria sentado na esquerda da mesma, privilegiando o poente onde lhe foi fácil observar a paisagem deixando a direita mais desfalcada de observação, mas também denotar mente de artista, misteriosa em só registar o que lhe dava na realgana sem explicação aparente ao não deixar retratada a capela de Santo António implantada em pequeno promontório pelo menos desde 1647 a escassos metros ao deixar o Bairro, tão pouco a nova Matriz de Ansião por onde a comitiva passou a caminho da Ponte da Cal, nem na esquerda deu importância à ermida de NS Conceição e à Casa e Albergaria da Misericórdia para se exclamar a razão da ruína com 106 anos do primitivo burgo em total abandono a ser imortalizando com o tardoz do corpo da primitiva  igreja com o óculo de iluminação e torre com duas aberturas avistada 200 metros a poente sendo proferida a frase desabonatória « infelice burgo».
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Casa e Albergaria da Misericórdia e o seu primeiro Hospital 
A Casa e Albergaria da Misericórdia segundo a minha interpretação a correlacionar  as notícias do Bispado de Coimbra de 1721 Memórias Paroquiais Setecentistas redigida pelo juiz Manuel Rodrigues "(...) fez o Dr António dos Santos (Coutinho) huma Igreja de Misericórdia que não tem rendas à qual se anexou huma Albergaria de Nossa Senhora da Conceição." e "A Casa da Misericórdia, e Hospital foram fundados pello povo haverá sincoenta annos" .
Se a igreja da Misericórdia ostenta estela com a data de 1702 se subtrairmos os 50 anos foram construídas em 1652, após a construção da Ponte da Cal tendo sido vendidos por volta de 1902 por altura da construção fora da vila ao Ribeiro da Vide, de um segundo Hospital. O sitio do primeiro Hospital é hoje a CGD. A Casa e Albergaria o edifício ainda existe, mantém uma janela de avental e uma cisterna na cozinha, mérito pessoal em os datar e os colocar nos seus palcos.
No mesmo modo sem explicação Pier Baldi ao passar na paisagem pelo vale do Rabaçal não deixou  imortalizado os celebres montes em forma de cone, um ícone na paisagem cársica!
A comitiva pernoitou na Estalagem da Fonte Coberta onde apenas a deixou retratada.
Ponte da Cal anos 20 antes da luz eléctrica em 1938 (?)
Quem sabe se não é a foto mais antiga deste local?
Onde hoje é a casa do herdeiro do Dr Vitor Duarte Faveiro vislumbra-se apenas o telhado de uma casa/barracão adoçada à casa alta .O muro da ponte a poente além do postalete do lampião de iluminação a petróleo apresenta três outros sem saber a que se destinavam.Não se vislumbra a Capelinha de Além da Ponte, segundo Alberto Pimentel no seu Livro a Extremadura já existia em 1902 mas no postal dos anos 20? Pelo traje das mulheres com as saias abaixo do joelho.
  Lampião a petróleo e  saias abaixo do joelho
Analisei à lupa a foto sem saber se enxerguei o que podia ser o telhado da Capelinha, quem sabe se não foi  inserida mais acima no terreno onde hoje é a casa (?) ...
Euzinha no séc XXI sentada num belo banco de pedra
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No século XX uma nova estrada Pontão/Pombal veio cruzar a Rua Direita e originar os topónimos a norte Fundo da Rua e a sul  Cimo da Rua (Direita) onde se veio a concentrar novo casario.
Ponte da Cal anos 70 
De onde lhe advêm o nome?
No querer em a alindar a branco, com cal. Na saída da Sarzedela ainda existe um forno de cal.Resultado de imagem para ansião ponte da cal + fotosLetreiro publicitário da Ponte da Cal contém  erros...
A ser removido e reposto um novo com a data da ponte ao jus do painel azulejar na Fonte Coberta.
  
Partindo dos tópicos 
"em finais do séc. XVII foi construída a Ponte da Cal"
Não sei as razões que levaram a teorizar "em finais do séc. XVII".
Comecei por equacionar a sua construção após a edificação da nova Igreja em 1593  em obrigar abertura de um novo troço medieval da vila para as Lagoas em que a construção da Ponte da Cal se revelava fundamental  por fazer parte do eixo viário importante na ligação norte/sul.



« fez parte do antigo eixo que ligava Coimbra a Lisboa»
O primeiro eixo viário a passar por Ansião foi a via romana secundária de Santiago da Guarda , Lagoa do Castelo, Albarrol, Almoster... No tempo da Rainha Santa Isabel ou antes tenha surgido outro caminho medieval na derivação à Junqueira ao Freixo para entroncar com a via romana secundária  vinda da Constantina aos Netos na direção das Lagoas onde descia ao Nabão às Lameiras para subir ao Vale do Mosteiro, Escarramoa  onde se bifurcava para nascente para a Venda do Negro, Alvaiázere no Caminho de Santiago de Compostela e para poente pela Sarzeda, Macieira, Venda da Gaita, Pulga, Arneiro onde entroncava com  a estrada real para Abiul e para Ourém. No Crucial existe uma Capela em  homenagem  à Rainha Santa Isabel e outras para sul no troço poente Macieira etc. O terceiro eixo viário a privilegiar a Ponte da Cal a entroncar no troço romano das Lagoas, foi utilizado desde a sua construção depois de 1648 na ligação de Coimbra a Lisboa.
«Ligada intrinsecamente à passagem da Rainha Santa D.Isabel de Aragão»
Segundo o Padre Manuel Ventura Pinho de Ansião «A tradição diz que por aqui passou, em 1320, a Rainha Santa a caminho de Lisboa para acalmar as fúrias do filho D. Duarte, o futuro rei de Portugal, que tinha declarado guerra ao pai, por pensar que a sua sucessão ao trono estava ameaçada pelo seu irmão bastardo, Afonso Sanches.Em 1336, Afonso IV declarou guerra ao seu sobrinho, o rei D. Afonso XI de Castela, filho da infanta Constança de Portugal, e portanto neto materno de Isabel, pelos maus tratos que este infligia à sua esposa D. Maria, filha do rei português. E a Santa Isabel lá partiu para Estremoz como medianeira da paz, tendo passado novamente por Ansião. Por aqui passou novamente já defunta a caminho de Coimbra.Mas o mais provável é que tenha sempre passado pela estrada real que vinha de Santiago da Guarda e atravessava o Nabão pela Ponte Galiz. Afinal a vila no tempo da Rainha Santa ainda estava edificada na zona da Igreja Velha e a Ponte da Cal não existia, nem existiriam habitações no hoje chamado lugar de Além da Ponte, nem sequer no que hoje é a vila de Ansião . Mas a história contada de geração em geração vai-se adaptando. E assim os tanques do “banho santo” fizeram-se não onde a rainha se banhou, mas debaixo da nova ponte.E o mesmo sucedeu com a construção da Capela em honra da mesma Santa. Mas até teve uma vantagem: a Ponte Galiz ficava longe e a devoção à Rainha Santa era capaz de se perder.»
A ligação da Ponte da Cal à Rainha Santa Isabel é mitológica porque viveu no séc. XIV em que esta Ponte da Cal ainda não se encontrava edificada. Em Ansião tenha passado como o Sr Padre Ventura diz pela Ponte Galiz ou mais a nascente  na requalificação do Nabão no troço de ligação Lameiras às Lagoas onde não há vestígios de alguma vez ter existido uma Ponte, apenas pedonal em pedra para uma pessoa que ainda a conheci com as margens norte e sul da ribeira do Nabão estranguladas nos muros e ainda em pontos desencontradas, uma a montante e outra a jusante para passagem de carroças e cavalos.A Rainha Santa Isabel jamais por aqui passou porque este troço medieval nasceu na ligação com a Ponte da Cal depois de 1648.  Em 1135 já se fala da " estrada de Coimbra" a passar pelo Rabaçal.
Debaixo de cada arco da Ponte da Cal existem dois tanques de pouca quase nenhuma profundidade a reverter para tanques de chafurdo no mesmo propósito de alguns poços de chafurdo que ainda existem na região, no verão à medida que a água se mostra escassa as pessoas entram neles por escadas no próprio poço  para no fundo na sua mina apanhar água, chafurdando nas águas residuais. Os tanques debaixo do arco a norte era para homens e os tanques debaixo do arco a sul para as mulheres em que dentro do mais a sul existe uma pia estreita e comprida, erradamente se atribui à Rainha Santa Isabel, claro que a sua serventia seria para as crianças não se afogarem em que as mulheres no mesmo tanque delas tomavam conta.
Capela em honra da Rainha Santa Isabel
Memórias Paroquiais «Junto de uma margem do rio erigiu-se uma pequena capela em honra da Rainha Santa Isabel » não é explicita a informação quando foi construída e por quem. O Padre José Eduardo Coutinho diz no seu livro de 1986 que segundo uma tradição familiar foi obra do seu ascendente Mestre Jesuíta António dos Santos Coutinho»
"Esta ponte possui dois tanques de banhos, destinados às mulheres e aos homens"








"Segundo a lenda a Rainha Santa na sua passagem por estas terras se refrescava as tornando milagrosas. Iniciou-se a tradição dos "banhos santos..."
Pura lenda. Em verdade as águas sempre tiveram carateristicas medicinais para em séculos mais tarde terem sido apuradas, mas em tempo remoto em que o povo sentia que lhes fazia bem a maleitas e eczemas da pele ditar a facilidade em lhe atribuir curas milagrosas. "Na verdade o sabão e os banhos públicos foram introduzidos por povos que habitaram esta região, os romanos e as suas termas, e os árabes com os hammams a partir do século XIII em que o sabão era recomendado pelos médicos como benéfico para a pele. Desta forma a sua utilização no banho generalizou-se.No séc.XVII a utilização regular do sabão constituía uma pista usada pela Inquisição espanhola para distinguir e localizar os muçulmanos convertidos em cristãos novos.Os Banhos eram praticados no âmbito de preceitos higiénicos de profunda influência muçulmana entre nós, para mais tarde terem sido condenados pela Igreja que os considerava perniciosos, por propiciarem práticas devassas e o "amolecimento" dos costumes... "
"Os banhos públicos devem ter desaparecido nos finais da Idade Média, em favor duma maior privacidade do acto de lavagem do corpo e da própria evolução das mentalidades que conduziram a práticas mais evidentes de pudor corporal e sexual". 
«Há conhecimento de um contratador de sabão que se instalou em Ansião por volta de 1630, como queimava muita lenha de carvalho, os foreiros fizeram queixa dele ao Mosteiro de Santa Cruz, com menos bolota para alimento dos porcos não podiam suportar os foros e acabou a saboaria". 
Tenha sido a herança deixada por estes povos na região a que acresce as grandes amplitudes térmicas com muito calor no verão para aposta da construção dos tanques na valia das pessoas chafurdarem e se refrescar do calor em águas que achavam milagrosas, sendo na verdade medicinais onde também se livravam dos cheiros do suor ressequido e da bichesa; lêndeas, piolhos e pulgas. Num tempo que só gente mais esclarecida tomava banho de quando em vez, outras de vez em quando, para após o 25 de abril  se assistir a uma mudança neste hábito de higiene do banho diário trazido pelos retornados regressados de países mais quentes e húmidos
O Banho Santo
No Livro Penela História e Arte do Dr. Salvador Dias Arnault e Pedro Dias "A Rainha Santa Isabel, diz a lenda, indo de Coimbra para sul, parou, muitíssimo cansada, na margem de uma ribeira, onde lavou os pés. Era perto da morada de um ancião, a que a Rainha costumava dar esmola nas suas passagens por ali. As águas ficaram a ser consideradas santas ou milagrosas - e o banho santo na água da ribeira, em Ansião, surgiu naturalmente, praticado ainda neste século (XX)." Ritual pagão praticado na ribeira do Nabão em chafurdar de vestes arregaçadas nas águas milagrosas de facto as águas tem poderes curativos para maleitas da pele pelas propriedades químicas que desconheciam tenha começado por acontecer entre a atual Igreja Velha onde embocava a estrada real para se afirmar a nascente com a construção da Ponte da Cal com alteração da rota da estrada medieval onde peregrinos, viandantes e doentes se fariam chegar na procura de cura para as suas maleitas da pele. A minha avó Maria da Luz Ferreira da Moita Redonda aqui veio com o filho Alberto Lucas em meados dos anos 20 do séc. XX na procura de cura para as suas maleitas de pele, conta a minha mãe que era doença hereditária do seu pai que ela também foi enferma com excreção de pus nas feridas, antes de se curar usava vestidos de manga comprida para não mostrar as feridas, antes o seu pai foi a termas a Monfortinho para aqui se curar e depois passaram a ir ao Agroal. Para não se perder a tradição do banho santo foi ponderada a construção da Ponte da Cal com a decisão de terem sido feitos os tanques para os banhos. Este ritual veio a  desvanecer por um lado pela escassez de água com as grandes secas ocorridas em 1939 e na década de 40 quando já dava cartas o afluente do Agroal, cujas águas provem do mesmo algar cársico do Maciço de Sicó com as mesmas carateristicas químicas. Em miúda ouvi falar de uma experiência nos anos 40 no poço de chafurdo da Ameixieira onde meteram laranjas tendo ir parar à nascente do buraco do Agroal, assim se chamava onde durante anos vi muita gente a se lavar com sabão azul e branco junto da roda tradicional do Nabão...
Milagres
Num tempo de forte beatização e analfabetismo qualquer fenómeno sem outra explicação pela incultura e falta de globalização em horas de aflição tudo valer para se acorrer onde for preciso sem questionar o certo e o errado se atribuía ao fenómeno milagre, nesta intemporalidade afirmar não acredito facilmente em Milagres!
Em Ansião existe uma Imagem de Nossa Senhora d'Ó
Foi pertença da primeira Igreja provavelmente datada por volta de 1259 em pedra, para mim a sua bela fisionomia foi após o falecimento da Rainha Santa Isabel ocorrido em 1336 se vir a mostrar cópia esculpida à sua semelhança, dado pelo traje cintado com cinto a predarias e capa com pregadeira de lado a que juntaram a coroa e o brasão.E não o inverso.
Lástima é o povo viver e morrer sem conhecer esta magnífica Imagem pertença e tesouro desta terra de Ansião na continuidade com gente sem ação marcada em determinar fazer bem feito!
Ponte da Cal e os seus tanques de chafurdo para o banho santo
Água corrente do Nabão
A falta de limpeza do rio e dos tanques...Em pleno 20 de abril de 2017 o pelouro da limpeza urbana mantinha o Nabão na Ponte da Cal assim como a foto documenta...Mas que grande lástima!
 Os tanques debaixo dos arcos 
  
Furos ao longo dos muros dos tanques
Os tanques eram vedados por portadas de madeira que se enfiavam na pedra, cujos furos ainda visíveis.Segundo o Sr. Augusto Duarte da Paz com mais de 80 anos ainda se recorda de as guardas dos tanques serem em ferro que foram removidos aquando duma obra. Não me recordo de alguma vez as ter visto, nasci em 57.
A pia dentro do tanque das mulheres seria para as crianças  
Que o povo atribui à Rainha Santa, dito que passou de boca em lenda e não é verdade!
Nem o Padre José Eduardo Coutinho nem o Dr Salvador Arnault equacionaram o tempo de forte beatização em que qualquer fenómeno sem outra explicação pela incultura e falta de globalização se atribuía a facilidade de milagre.Em que a palavra "banho" herança dos romanos continuada pelos árabes e judeus nesta terra de Ansião no hábito banhos a chafurdar nas aguas dos tanques  nas águas com poderes curativos para maleitas da pele fidelizada na Ribeira do Nabão como prática antiga do seu povo em que com a minha irmã vínhamos de bicicleta para tomar banho na ribeira na frente da propriedade dos nossos pais logo abaixo da ponte da Cal junto da foz do Ribeiro da Vide escondidas pelos altos milheirais em aventuras de adolescentes...E que bem nos sabia!
Debaixo dos arcos da ponte letras e algarismos esculpidos 
Não passa despercebido ao olhar atento como o meu a incisão de algarismos e letras nos arcos da ponte. Revela quanto a mim a marca do pedreiro que trabalhou e afeiçoou as pedras para no final do dia o Mestre da pedreira saber quantas tinha executado para efectuar o seu pagamento. O que faz sentido dizer, pela panóplia e diversidade simbólica - algarismos e letras.
                   
                   
Vista do acesso pedonal lateral à Ponte da Cal 
A ponte apresenta-se alindada com bancos em cima que continuavam para sul na margem direita para em meados dos anos 50 haver necessidade de alargamento da entrada da ponte com a retirada de alguns alguns bancos e o coreto foi para o adro da Capela do S.Brás. 
A ponte pedonal em ferro e madeira já devia daqui ter saído
Óleo 61cm x 47cm de Jorge Santos 
Tributo a Vincent Van Gogh pintor pós impressionista na celebração do 125º aniversário da sua morte .
Foto retirado de http://tributoavincentvangogh.blogspot.com/2015/05/ponte-da-cal-ansiao.htm

Desde 2009 que a escrita me liberta e abre novos horizontes para nos últimos anos me ter aventurado num caminho quase desconhecido de investigação de raiz histórica, pese embora os vícios herdados na vida profissional em redigir contando caracteres para agora em área totalmente contrária, ainda assim sinto cumplicidade no desafio com a  mesma teimosia, intensidade e determinação no empenho  antes reconhecido a tratar e gerir reclamações, crédito mal parado e outras questões paralelas à concessão de crédito para aqui teimar em mais procurar até achar ou chegar mais perto, para sentir a cada dia substanciais melhorias, para isso muito contribuiu e fez a total diferença os muitos comentários a  valorizar esta minha nova faceta neste gosto especial e da força para continuar apesar de se mostrar terreno pantanoso por a história não ser ciência totalmente exacta.No resulto a sapiência da troca  de áreas sensíveis no mesmo prevalecer o mesmo sentido de rigor e intensidade a meta do sucesso a que por gozo chamava e continuo a sentir  - Orgasmo Intelectual!
E ainda passível e susceptível em colidir com mentes credenciadas por me apresentar autodidata. Tamanha força a valorizar e capacitar as minhas faculdades propicias em análise e destreza a correlacionar em que o talento e a memorias se completam sem qualquer esforço sempre com muita paixão de mais apurar desta terra de Ansião sempre no prazer de mais partilhar as Coisas que Gosto pese o risco desta ingénua  liberdade sem medo de coisa alguma e de  ninguém, o constante desafio!

FONTES
Livro do Padre José Eduardo Reis Coutinho de 1986 e Numária do antigo cemitério de Ansião
Notícias do Bispado de Coimbra de 1721 nas Memórias Paroquiais Setecentistas do juiz Manuel Rodrigues 
https://www.freguesia-pombal.pt/lenda-do-mouro-al-pal-omar-pombal
Testemunhos do Chico Serra, Augusto Duarte da Paz e Júlia Valente
Testemunhos do Padre Manuel Ventura Pinho e do Ilídio Valente
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/
http://www.castelosemuralhasdomondego.pt/website/personagens.php?p=sesnando_davides
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/12224/1/ulfl157009_tm.pdf
Livro de Memórias Paroquiais
http://tributoavincentvangogh.blogspot.com/2015/05/ponte-da-cal-ansiao.html


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Maçonaria na região de Ansião, circundantes e antigas Cinco Vilas ?

Atribuo a televisão que consumo relativa a 90% ao Canal 2 onde na semana passada despertei para um documentário sobre a Maçonaria em Portugal, no imediato me remeteu para a partilha de uma simples conversa recente onde foi abordada com o meu bom amigo João Patrício, espero não leve a mal a partilha, em abono da verdade trata-se de transmissão de Cultura!
Pentagrama
«Com a letra G a indiscutível melhor significação da Gnose, ou seja, Conhecimento. Esquadro e o compasso por detrás da história maçónica com a letra G a sétima letra do nosso alfabeto com os seguintes significados: Gravitação;Geometria;Geração;Génio;Gnose;Glória;Grandeza e Gomel.»
 

« - Olá. Sempre à espreita de um novo "post" teu. Seja sobre o que for. Ás vezes pela tua escrita tão peculiar. Desta vez chamou-me à atenção o tema "pedras" . E pus- me a pensar. Não tendo tu passado ao lado da “vida”, de maneira nenhuma... fico sempre com a sensação se não devias publicar as tuas investigações ou simplesmente as tuas “divagações “. Mas hoje não era isso que te queria falar. Ao ler “ Uma pedra” ...lembrei- me do simbolismo da Maçonaria . Serás tu “Iniciada”??? Desculpa isto nunca se deve perguntar!!! 
Muito obrigado por leres a crónica https://quintaisisa.blogspot.com/2018/09/quinta-de-sarzeda-em-pousaflores-no.html e mais uma vez enalteceres este gosto que a escrita me confere. 
-Também porque pelo que conheço de ti estás muito próximo dos ideais da Maçonaria.
Sobre a questão que colocas de facto nunca me inteirei sobre o que trata efectivamente a Maçonaria tendo ouvido pela primeira vez este nome no BPSM onde trabalhei quando foi integrado no BCP em que acordei para uma novíssima forma comportamental dos seus dirigentes dado pelo estar intelectual, altivo, snobe e conservador com punhos d'oiro, os escolhidos para desempenho de altos cargos tendo apenas em mira o sucesso, sem olhar a que preço a esminfrar clientes e empregados, brutal imagem em nada a obedecer aos meus padrões de liberdade, tão pouco ao prazer de partilha gratuita em ajudar todos sem olhar a quem, na premissa quanto mais ensino mais sei,difícil foi encontrar alguém com as mesmas capacidades... E sim, nunca mais visto um tailler, em verdade os fatos que tive de usar nesse tempo na minha irreverência alindava com conjuntos em ouro tudo a condizer comprado com prémios nos leilões da CGD, a faísca e show indirecto de tanto brilho em contraste à fazenda escura na minha forma de rebeldia mas também em espicaçar o sistema...Mais tarde a minha casa foi assaltada e roubado todo o espólio da montra áurea. Lembro um porém por altura da fusão e do conhecimento do pessoal ocorreu por altura da notação profissional em que por cautela ou falta de firme postura comportamental de quem procedeu à notação não a ter executado em rigor que a mesma merecia pautando toda a equipa por igual não destacando quem era polivalente, substituía o subgerente estando sempre disponível para acorrer a tudo, sem receber horas extraordinárias, para no confronto lhes dizer que não concordava com a atribuição da  letra "C" não acreditando que os meus colegas por estarem abaixo  jamais receberiam um "D"  e assim todos eram pautados por igual quando o desempenho era diferenciado, afinal de que valia a notação profissional, era fachada? Inflamada  disse-lhes que nas minhas veias corria sangue e não água, sem qualquer culpa do meu líder não saber reconhecer a destrinça e qualidade do trabalho de cada um por estar sempre fora do balcão, mas também por desinteresse, bastava analisar os objectivos concretizados, pelo que me restava a partir de amanhã passar a ser mais uma funcionária normal  apenas no cumprimento de horários para receber o ordenado e,...Falei da boca para fora, na verdade sempre fui obstinada no trabalho e nada me faz esmorecer nem mesmo a negligente falta de visão que o meu gerente teceu sobre mim para no dia seguinte de semblante triste pelo ocorrido na véspera desenvolvi a minha rotina  laboral aproveitando as oportunidades que ao longo do dia apareceram no balcão e foram algumas e boas...Já passavam das 18 horas e continuava a trabalhar acompanhada pelo subgerente quando o director lhe telefona e o questiona para responder honestamente como tinha sido o meu dia de laboração em que lhe responde abonatoriamente tecendo elogios no destaque, nunca assim  outro profissional conheci, em verdade não tinha como dizer o contrario, só se fosse por má fé ...Tenha sido a descoberta de talentos que os obrigou à necessidade de saber de onde eu vinha, quem foram os meus ascendentes, se era da família de "sicrano e beltrano"para num deles acertar, igualmente sem licenciatura, na valia ser homem em prol de mim mulher acrescida de ter vindo de um Banco considerado com gente retrógrada, na faixa dos 40 anos, para os alertar a tamanha versatilidade ao seu produto estrela muito antes dos demais começarem a dar cartas  pela tenacidade, empenho e  vitória onde o dissabor também se fazia ouvir pelas vezes que os questionava quando não entendia as novas regras para ouvir sobre mim falar que era uma chata de gente rotulada com licenciaturas que de banca e negócios nada abonavam para enfim ter sido elevado o crédito de novo aprendizado em apreciar algumas mulheres que dignamente as vieram a honrar no posto de gerência, sem cunhas, pelo profissionalismo, fui uma delas! 
Mas atenção apesar de tanto elogio e pancadinhas nas costas apenas conhecida pelo número mecanográfico onde jamais senti ponta de humanismo quando no BPSM sentia o seio de uma família. Gente mirabolante, poderosa com mira apenas no lucro onde existia um Pelouro para ajudar a solver problemas internos e a dar "gracha" assim o passei a conhecer quando me ligaram a dirigir convite para um evento anual de nomeada quando mais ninguém do balcão o tinha sido...
- BCP e maçonaria? Pois !!!
- Nessa altura ainda não havia Maçonaria Feminina em Portugal. Tem poucos anos, mas segundo me parece está com muita força.Sociedade discreta ,quase secreta.

A maçonaria portuguesa feminina tem 20 anos, perfilha tal como a masculina a mesma linha de fachada dos ditos altos valores  que se devem professar em sociedade, mas na  pratica é elite só para alguns angariar ganhos para mais  riqueza ...Sabes que conheci o Grão Mestre Dr António Arnault?
- Quanto ao Dr Arnaut, teve consultório junto aos correios (antigos) em Ansião. 
O Dr Arnault advogado, natural da Cumeeira (Penela) recentemente falecido, conheci-o no tempo que teve esse escritório em Ansião, sabias que foi colega do meu pai no Colégio Nuno Álvares em Tomar. Em Coimbra ele seguiu Direito e o meu pai matriculou-se em Economia, mas abandonou para casar porque a minha mãe estava grávida de mim, quando inesperadamente o meu pai faleceu em 1972 foi o primeiro a dirigir-se a nossa casa para prestar condolências. A seguir ao 25 de abril chumbei a ciências no 5º ano tendo ido receber explicações com colegas de Ansião ao Colégio do Avelar, íamos na camioneta para num dia não ter havido e não me apetecendo por lá ficar , fiz mal devia ter percorrido o Avelar para mais me lembrar do seu passado, ao jus de um repente inexplicável deu-me na veneta para me pôr a pé sozinha a caminho de Ansião, e ao endireito da britadeira, ao alto do Camporês, num tempo de poucos quase nenhuns carros eis que passa o Dr Arnault olha para mim sem me dar boleia, também não pedi, não me conferiu importância alguma, para antes do ramal do Maxial passar uma camioneta dos Transportes Serras de Ansião com o motorista Costa que o conhecia de vista de o ver como outros a limpar a frota ao Ribeiro da Vide, esse sim deu-me boleia. 
- Tinha acabado falar de ti, estive em Ansião.Fui com os meus pais a uma consulta de rotina e levei as minhas irmãs da Rua Trouville 4 no Monte Estoril .
Onde vai a vivência do colégio religioso no ano de 71/2 e a vivência com a tua irmã Fernanda que abraçou o espírito de casar com Deus... 
Numa feira de velharias em Figueiró dos Vinhos fui abordada por um apaixonado pela Maçonaria que me perguntou se tinha símbolos para um museu que tinha em Pedrogão Grande.Trazia uma coleção de loiça "ratinha" de boa qualidade a um preço exorbitante, debalde nem se estreou... 
- Esse senhor que te pediu símbolos maçónicos é Aires Henriques em Troviscais Cimeiros no concelho de Pedrogão Grande.
Museu da Republica e Maçonaria 
Citar excerto de https://universatil.wordpress.com/2010/02/03/coleccionador-constroi-museu-da-republica-e-maconaria-em-pedrogao-grande/ «Economista construiu um edifício com características neo-medievais para instalar o Museu da República e Maçonaria, com base num acervo de centenas de peças raras. Aires Henriques associou ao seu projecto de turismo rural Villa Isaura, na aldeia de Troviscais, uma unidade museológica que constitua “um pólo de referência política, cultural e histórica dos valores da igualdade, da liberdade e fraternidade universais”. Várias colecções e temas integram o espólio, que abrange o período entre o Ultimato Inglês, em 1890, que marca a ascensão do republicanismo face à Monarquia, e o Estado Novo, passando pela I República, as primeiras revoltas contra Salazar e a II Guerra Mundial. Enquanto percorria o país de Norte a Sul como inspector do Ministério da Agricultura, Aires Henriques já aposentado foi juntando peças diversas, com destaque para adereços, documentos e instrumentos maçónicos ou identificados com a República. Ao todo, são centenas de objectos do quotidiano, como estatuetas, pratos e outras peças de cerâmica, relógios, cartazes, postais ilustrados, fotografias de dirigentes políticos, jóias, espadas, livros raros, caricaturas e ilustrações. “Houve todo o meu interesse em não deixar morrer este espólio nas arcas e nas vitrinas” 
“(...)Esta é uma colecção de gente humilde, mas também do que foi possível juntar ao longo destes anos”, afirma. Ao longo de quase 25 anos, “as viagens levaram-me a conhecer a realidade deste país, a repressão e a limitação das liberdades” durante o Estado Novo, refere. “Deste modo, fui também formando o meu espírito democrático e participativo”, conta, ao folhear um álbum de fotos de presos políticos dos anos 30, bem como dos primeiros deportados para as ilhas dos Açores (Angra do Heroísmo) e Cabo Verde (Tarrafal). Presidente da Casa de Pedrógão Grande em Lisboa e autor de vários estudos locais na área cultural, Aires Henriques idealiza um Museu da República e Maçonaria como “projecto aberto à comunidade”.

“(...)Há aqui um campo aberto para uma colaboração entre a Villa Isaura e as escolas e universidades”, reitera. Através das peças, “devidamente tratadas e estudadas”, o coleccionador projecta “um futuro de democracia, participação, convívio e entreajuda” dos concidadãos. “É um conjunto muito equilibrado e significativo de objectos ligados à Maçonaria, ao movimento republicano e à I República”.
O Museu da República e Maçonaria, em Pedrogão Grande, encerra ao público em geral no final do ano, mas em 2019 o proprietário permitirá ainda a visita de membros das diferentes obediências maçónicas."a decisão de fechar está tomada", independentemente do destino que venha a ser dado ao acervo. 
A Torre do Inferno do Rei do Lixo em Coina 
Quando visitei a torre do Inferno em Coina também conhecida por outros nomes mandada construir por Manuel Martins Gomes Júnior conhecido como o "Rei do Lixo" pelo exclusivo da recolha dos detritos da cidade de Lisboa que trazia em barcaças para engorda de porcos em pocilgas que tinha na margem do rio Coina, quando este ainda era navegável, hoje completamente assoreado com canaviais se fosse limpo seria lindíssimo com os seus moinhos de maré... Há historiadores que defendem que o palácio com a torre foram idealizados para ser a sede da Maçonaria por na altura ter ardido a de Lisboa .

Obviamente foi tema para outra crónica http://quintaisisa.blogspot.com/2016/09/palacio-ou-castelo-do-rei-do-lixo-torre.html. 
Depois destes episódios ocasionais jamais aprofundei a Ordem da Maçonaria para te ser sincera nem tão pouco me inspira. Talvez porque não atino com a imposição de regras rígidas, embora sempre me pautei por as cumprir e gosto que se façam cumprir, o seja pelo meu lado irreverente e a necessidade de me sentir livre sem amarras a rituais em que a cena do avental me reporta à origem celta do kilt com sacola usada pelos escoceses, apesar da simbologia fundamentada, acho que tudo tem o seu tempo se a comparar com as mulheres cristãs, em criança costumava entrar na igreja de véu a cobrir a cabeça que veio a cair em desuso, em verdade se comparar os últimos 50 anos, muito se mudou na vida, alterou e caiu em desuso com a globalização na maneira de estar, pensar e agir no que respeita a simbologia em rituais do passado!
O que sei e sinto um gosto desalmado por pedras, na Maçonaria gostam delas "brutas" e eu não, as brutas não me dizem nada, gosto da pedra esculpida pelo homem para no Louvre me deixar perplexa, extasiada, moribunda com tanta e brutal beleza, igualmente adoro as pedras esculpidas pela erosão, sobretudo as que encontro na serra que durante anos te fez sombra em Lisboinha. A família do meu avô paterno teve homens na arte de pedreiro, com a minha irmã na idade de imitar os adultos acompanhámos o reforço de uma placa da padaria dos nossos avós onde foi aplicada rede com cimento, o mote para fazer uma casota para o nosso cão, debalde não procedemos à dobragem da rede com mestria para a placa se apresentar nos cantos com rede saliente, um empecilho, onde de vez em quando se prendia a corrente do cão...mas durou mais de 20 anos sendo apenas demolida para se fazer uma calçada no patim.Mas sim identifico-me com alguns dos seus preceitos, sobretudo nos fins filantrópicos, educacionais, filosóficos, progressista e ação educativa. Assim tem sido o meu papel de mais partilhar sem nada receber muitas das vezes em resposta ao incentivo de amigos como tu que me estimulam a continuar este caminho de contadora de estórias com história.
Um pedreiro a desbastar pedra bruta
A história como a vemos sempre foi uma Nação de Religiões contrárias ao Papa em que a célebre Batalha de Ourique disso é exemplo em que uns e outros com Reis contra Reis tendo por detrás de tudo o que se fazia a mão da grande organização anti-papal " Os Pedereiros Livres" em meter irmão contra irmão e Rei contra Rei ao jus de um anjo S. Miguel contra um S. Pedro? Em que um era o Libertador contra o outro Absolutista!
Esta luta sobre quem ia salvar os povos das trevas travava-se dentro da fronteira às vezes em plena vista mas de certo na maioria às escondidas, em que a Maçonaria de certeza descendeu daqueles frades Templários que se transformaram na Ordem de Cristo e que se manteve secreta até o seu poder ser igual ao da Inquisição do Papa para em 1700 o pai do Marquês de Pombal ser conhecido como Maçon, viveu numa quinta no concelho de Pombal cujos apelidos "Carvalho Mello" o indiciam com ascendência judaica. Em mente tanto de um lado como do outro se controlava a propaganda que lhes assegurava a ascendência ou a queda do poder, a arma secreta do poder absoluto sobre os demais a se ajoelhar em desígnio de má sorte!
- Apesar de Tomar ser a terra da " Pedra trabalhada", segundo sei não há "Lojas" Maçónicas" por cá. Ironia do destino???!!
Um dos principais símbolos da Maçonaria mostra o pedreiro com o maço e o cinzel vestido de avental, peça de vestuário que se amarra à cintura, utilizado para proteção dianteira da roupa do próprio usuário quando desbasta a pedra bruta e a alavanca representa a força utilizada de modo sábio, ajudando a recolocar as pedras nos seus devidos lugares.
O termo maçom ou mação provém do inglês mason e do francês maçon, que quer dizer pedreiro, construtor. Histórias sobre os primórdios de sua existência com vertentes afirmando que teve início na Mesopotâmia, outras confundem os movimentos religiosos do Egito e dos Caldeus como sendo trabalhos maçónicos. Há escritores que afirmam ser o Templo de Salomão o berço da Maçonaria fechado com a flor pervinca.No documentário televisivo sobre a Maçonaria despertei pela simbologia de um símbolo esculpido numa pedra da letra "A" em que o traço a cortar a letra se mostra um delta invertido.
Jerusalém
Pervinca
Flor de cinco pétalas usada pelos trovadores depois de serem aceites na Ordem outros ofícios além dos pedreiros.Planta herbácea que conheço de miúda havia ao cimo do quintal dos meus pais na envolvente do poço de chafurdo e que cobre parte do ribeiro ao Vale na Moita Redonda a ditar um cariz lúdico e fresco a lembrar Sintra.
A letra "A" imediatamente me reportou para outras duas semelhantes que encontrei esculpidos ao meio do arco Manuelino do que foi um palácio em Abiul que revisitei em agosto. 
Citar excerto de http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/327730Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público por Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002. 
Segundo Catarina Oliveira -« Pensa-se que este arco integrava originalmente o portal principal do solar de André de Sousa Coutinho, que adquiriu parte do senhorio da vila ao Mosteiro do Lorvão. Depois da sua morte, a vila passou para os domínios dos Duques de Aveiro. »
Contrariando de certo modo a autora em história e arte, para mim do que ainda existe em Abiul aventa ter sido um palácio e não solar e ainda o apelido do dono não seria "Sousa" e sim "Silva"para realçar o mais importante não encontrei referência dada à relevância das letras esculpidas onde o arco fecha.
Arco Manuelino em Abiul
«Uma coluna é um elemento arquitectónico destinado a receber as cargas verticais de uma obra de arquitectura ( arco como barramento,arquitrave,abóboda) transmitindo-as à fundação. Representam o suporte de algo superior e dão sustentação à obra. A maçonaria utiliza tanto colunas inspiradas no templo de Salomão quanto as colunas da Arquitectura da Grécia Antiga. 
O conjunto de três colunas gregas formam As três pequenas Luzes. 
A coluna de Ordem Dórica, mais robusta e de ângulos retos representa a força e o Primeiro Vigilante, a de Ordem coríntia, adornada de folhas de acanto, representa a beleza e o Segundo Vigilante e a coluna da Ordem jónica, onde é enfeitada com volutas, representa a sabedoria e o Venerável Mestre.» 
Estarão as letras ligadas à Maçonaria? 
«A origem da Maçonaria, segundo o manuscrito hebreu .Acredita-se que a Franco-Maçonaria moderna tenha sido criada em 1717 quando a sua Grande Loja da Inglaterra foi estabelecida. Se este palácio que teve este arco Manuelino segundo Matos Sequeira (1955), descreve: “…é um dos elementos que resta do solar de André de Sousa Coutinho, (também referiu mal o apelido, devia ser Silva) edificado entre os finais do século XV e os primeiros anos do século XVI.»
Ao meio das duas letras "A" aparece o "G" seguido de NF(?) onde passa o fio de iluminação parece outra letra (?). Os "A" cortados em cima e em baixo reportam para a tradição Celta, a necessitar estudo!
 
Cemitério do Avelar
Onde encontrei simbologia ligada aos ofícios de pedreiro e outros.
Tardoz da igreja da Aguda
Brasão dos Duques de Vila Real a parte final em delta invertido ...
O que transparece é que a Maçonaria teve na região centro em Ansião, circundantes e antigas Cinco Vilas discípulos e apaixonados onde se destacou o Dr António Arnault como Grão Mestre. Por não haver informação escrita deste passado na região ou a havendo, desconheço para numa pequena abordagem pela rama falar do que conheci e sinto sobre a Maçonaria. Uma teoria sobre a mística origem seja reportada aos povoadores aportados à região com ascendência franco/judaica vindos de países europeus e do Médio Oriente que se expandiam pelo País, Ilhas, Brasil e no Mundo a denotar cariz aventureiro e sapiência em atingir metas de riqueza sem olhar a meios para atingir os fins vestidos de temperamento reservado mas visionário a novos filões de negócio de tenaz astucia encapuçada com préstimo de amparo onde privilegiados recebem ajuda de bandeja de bons empregos enquanto outros menos afortunados, sem ser aprendizes, gente de trabalho supostamente se aproveitaram deles até ao tutano sugando o seu talento para angariar maior riqueza com reverso da medalha pouco, quase nada receber, francamente sinto grande desigualdade para me desculpar nesta frontalidade, Ordem à qual jamais podia ser membro por não a compactuar ao ser pautada por Escolhas, em que só uma elite tem acesso vestida de roupagem com finalidades aparentemente convincentes que aprecio e gosto de praticar, a meu ver no passado tenham tido mais realce do que no presente para comparar a sua suposta filosofia com gente enigmática onde o cariz ao embuste e recurso à mentira compulsiva seja repleta de manietação com engano e desengano em uso e abuso de praticas testadas ao limite com um único desígnio - Fortuna, sem equacionar prós e contras, antes desprezando o incalculável prejuízo a terceiros, engodo desprezível em que não me revejo, também por coroar supostos "afilhados" maçons no trampolim da fama com ascensão a bons cargos políticos e outros cargos meritórios em grandes empresas de referência, sem aparente teste ao seu perfil nem ao teor de conhecimento de onde outros supostos emergiram à laia da maçonaria passando a ser reconhecidos pelo número de processos de alegada corrupção e engrandecimento de riqueza pessoal de milhões, comandita ideológica que alcunhei " punhos d'oiro" ao género dominante gente com apetite vaidoso, sedento de status social e de angariação rápida de riqueza pessoal onde um porém é muito evidenciado - o trajar conservador inglês coroado de charme sedutor em falar calmo e calculado, para noutros se evidenciar de linguagem ditada pelo raciocínio ágil no fio da navalha a ditar inteligência no ensejo de encantar, puro engano da mentira presente para quem ouve, acreditar ser verdade, ambas as formas da transmissão da palavra em aviso, as aparências iludem! A que acrescia no ambiente de trabalho o alegado desprezo de quem vinha de uma classe considerada inferior a ser usado no implantado sistema importado do mercado financeiro, estratega mirabolante e assustadora a labuta no dia a dia a esminfrar o couro e o cabelo a clientes na concretização dos objectivos em revertido proveito pago na prática dúbia de excessivos louvores escritos e orais, a cegueira de ingénuos por lhes bastar e míseros trocados, em que os altos lucros eram distribuídos por quem pouco produzia em cargos de Direção. Deficiente era o desempenho da sua cabal função que se distinguia aquém do expectável no apoio à rede de balcões, poleiro ganho pela licenciatura sem aprendizado da real função só alcançada por quem começa de baixo, subindo todos os patamares. Tão pouco valia ao incentivo maior do que devia ser o intercâmbio gerencial "graxa de encantamento e lambe botas de criadagem" para auspicio de promoções e ascensão na hierarquia.Proliferou a inexistência de humanismo na alegada abertura da rede secundária de balcões para clientes de segunda linha onde recém licenciados alegadamente injectados de novas práticas comerciais na venda agressiva de produtos sem olhar ao perfil do cliente na meta de atingir altos ganhos a trabalhar desalmadamente sem horários com alguns a não aguentar a alta pressão onde se constou a surpresa da morte precoce... Em paralelo autodidatas de aprendizado no terreno sem formação académica no direito e normativo bancário, nem estágios, no mesmo ritmo laboral e do excesso de carga horária tomados pelo stress e vícios laborais trazidos na bagagem da herança da banca tradicional a contornar situações viria a ditar também o azar a surpresa do despedimento, em que se salvaram supostos afortunados pela ajuda fulcral da figura do "padrinho" apesar do total desaire e prejuízo à casa eram jogados na prateleira, melhor sorte que outros por muito menos ao mínimo deslize o fatal abandono, sem palavras a passar de bestial elogiado a besta despido e denegrido, sem eira nem beira!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O que existiu na quinta do Vale Mosteiro de Cima em Ansião?

Neste último verão à laia  de Françoise Choay historiadora e investigadora das teorias e formas urbanas e arquitectónicas mui atenta, esforçada com muito empenho na interpretação do "espírito dos lugares" que nos permitem compreender como emergiu e se desenvolveu a preocupação pela preservação dos edifícios, mas sobretudo as confusões e amálgamas perigosas que estão associadas à noção de "património" actualmente omnipresente nesta época de globalização, contra tudo aquilo que tende a transformar o espólio arquitectónico em objecto de lucro ou em museu...Para assim comandada  nessa grande vontade de aclarar  outras questionáveis hipóteses afinal do que existiu na quinta do Vale do Mosteiro de Cima para em luz dizer tudo menos um mosteiro!
Pecadora me confesso ao ter durante anos acreditado piamente que tenha existido!
Abri o poder da mente depois de revisitar Abiul onde existem vestígios visigóticos que desconhecia para no imediato me catapultar para a Nazaré e a sua igreja de S.Gião, para numa conversa a esse propósito mais aprofundar com o meu bom amigo Renato Freire da Paz me falar que a devia conhecer para nesse contexto questionar Ansião, sobre a sua pequena ermida que conhecemos de NSConceição (hoje igreja da Misericórdia) edificada no séc.XII pelo portal gótico a merecer estudo, sita a nascente do então burgo primitivo a poente, onde entre ambas se encontra o actual cemitério  que antes foi medieval e o "vulgo mosteiro onde existiu um portal gótico igual, mas maior"  que o  conheci, mas já não existe .Fulcral contrabalançar a razão da implantação desta ermida com portal gótico a nascente sem aparente outro casario nem caminhos no século XVII a balizar outra capela  com igual portal gótico , apenas muito maior  que  existiu a poente onde no seu palco ainda estava a pia de água benta e uma Cruz alta na beira da estrada medieval,  a mediar 200 metros  da ermida de NSConceição, hoje capela da Misericórdia a nascente, ditar a possibilidade desta ermida tenha sido antes um morabito árabe ou  capela do tempo romano-gótico (?) para nos séculos seguintes ter sido transformada em ermida cristã e dela hoje apenas resiste o seu portal gótico. Sou particularmente observadora, conheço pelos menos dois morabitos um em Almada e outro no Cabo Espichel porque quando se passeia  ou caminha é fundamental observar para se interrogar os testemunhos  e mensagens do passado que as ruínas e as pedras ainda nos podem  transmitir!
Se juntar a passagem dos romanos nesta terra com a permanecia de mouros durante séculos e ainda a escassos metros desta ermida de NS Conceição a existência de duas cisternas, uma entupida no actual parque de estacionamento junto da CGD, no meu tempo de escola ali a passar todos os dias me reportava para uma Citânia de Briteiros, anos mais tarde ao espreitar apanhei o maior susto da minha vida , a casita de pedra redonda há muito tinha perdido o telhado com as dobradiças onde esteve uma porta ao léu,  afinal encerrava um poço muito fundo, como outro nunca assim antes nem depois enxerguei, muito bem empedrado, sem saber a razão da casa na sua volta e ainda no passado ter tido telhado como se enchia?Apenas com a água da chuva repassada pela terra? Não teria no tempo caleiras que se perderam, o mais sensato como nas Degracias. Anos mais tarde ao falar com o Carlos Silva, neto do dono da propriedade a quem agradeço a partilha por me confidenciar que se tratava de uma cisterna havendo outra a escassos metros dentro da cozinha da pensão da prima Quitas onde antes foi a Casa e Albergaria da Misericórdia, (cabe-me a eleição de a ter colocado no seu palco), cisterna que servia cumulativamente a cozinha da Albergaria e o Hospital servia-se por uma janela ( o local do 1º hospital  também me cabe a honra de o ter colocado no seu palco na casa onde morou Alfredo Simões) esta cisterna acredito ainda existe. A prática em reter água nesta região por ser parca no verão atestada com a cisterna romana no Carvalhal em Santiago da Guarda e aqui na quinta do Vale do Mosteiro de Baixo em Ansião pela existência de duas cisternas a escassos metros da ermida (se a considerar antes tenha sido morabito ou capela gótica-romana ) venha ditar que ali houve casario romano e mais tarde árabe que teria sido reaproveitado em meados da centúria de 600 para ser construída a Casa e Albergaria da Misericórdia e o seu humilde Hospital. Se juntar o número de poços de chafurdo que ainda existem desde Santiago da Guarda, Sarzedela, Ansião onde conheci alguns, sendo o maior o Poço da Ameixieira e no Bairro no quintal dos meus pais existe outro em formato abaulado para finalizar com a Fonte da Bica às Lameiras, e o seu grande tanque de chafurdo a reportar termas romanas ou a prática de banhos árabes, infelizmente soterrado debaixo do nó do IC 8, a fundamentar esta teoria na visita a Abiul  com o abrir do espírito dado pela presença visigótica, afinal tão perto de Ansião para na visita à Sarzeda num lagar velho a visão de uma parede em adobe lindíssima que me deixou pasma por não saber a sua origem, graças a um documentário televisivo sobre a vida do pintor Delacroix  na sua viagem a Marrocos enxerguei a prática do adobe proveniência da cultura árabe onde distingui uma parede cheia de pequenos buracos em quadrado que outra assim distingui à dias na Fortaleza de Sesimbra, para enfim entender muitos dos testemunhos deixados pelos romanos e árabes nem sempre valorizados pelo desconhecimento cultural  que devia ser dever das autarquias investir e incutir aos seus concidadãos na valorização desta arte ancestral do adobe, cada vez são mais raros os seus testemunhos na região de Ansião a Ourém, apenas encontrei na Sarzeda, em Almoster, na Freixianda e Rio de Couros que se vão a cada dia perdendo salpicos de paredes  com buracos redondos em adobe  ou simplesmente feitas a barro com seixos, calhaus rolados e telhos a serem derrubadas para se fazerem mamarrachos em tijolo de cimento...
Fundamental o cruzar de mais informação para em claridade dizer que ali na quinta do Vale do Mosteiro de Cima não existiu nenhum mosteiro.Até porque não existe qualquer documento que o ateste!
Reconheço a facilidade intrínseca em mim de querer acreditar que ao Vale Mosteiro de Cima em Ansião existiu um pequeno mosteiro desde sempre inspirada pela toponímia - Vale do Mosteiro... A que acresce o meu perfil curioso, autodidata, sem formação histórica nem arqueológica, apenas feeling em que tem sido fundamental a minha cultura geral e paixão pelo património de Ansião na  mirabolante procura de mais de 50 anos de mais querer saber do seu passado com avanços e recuos, também a errar, para mais tarde emendar como agora, sem pejo de enxovalho ou coisa que o valha, jamais de orgulho bizarro porque investigar é moroso requer cuidado e nem tudo o que parece o é por isso exige cautela, e claro reconheço a minha cota parte de ingenuidade ao me ter deslumbrado aos 8 anos quando conheci o "vulgo mosteiro" no que tinha sido o palco de uma Capela onde entrei com a minha irmã por um belo portal gótico a que juntei lendas e ditos ainda vivos na tradição de boca em boca  das minhas primas Júlia e São e da Lúcia Parolo quando as instigava sempre me falavam que ali houve uma cama em pedra que se dizia ter sido da Rainha Santa Isabel. Em que o Ti Inácio do Bairro de Santo António veio a ser receptor da pia de água benta que vendeu em Lisboa na feira da ladra e a Cruz em pedra foi vendida pelo marido da Carmita do Bairro para o cemitério novo de Santiago da Guarda. Por fim quando soube que existiu um  Esmoliadouro na extrema da herdade de Ansião a poente tenha sido achega para ter sido supervisionado por frades, a que acresce na toponímia em Ansião a existência do Vale Frade para o lado das Matas e a vivência de três ermitas na centúria de 800 em Ansião referidos nas Memórias Paroquiais sem qualquer suporte documental a credenciar a existência de um pequeno mosteiro em Ansião, para enfim reconhecer devia ter valorizado as informações que dispunha solicitadas ao Sr Padre Manuel Ventura Pinho e as retiradas do Livro do Padre José Eduardo Reis Coutinho .
Portal gótico da Igreja da Misericórdia de Ansião
Também é da minha lavra o ter dado a conhecer ao Mundo.

Questionei sobre este assunto o Sr Padre Manuel Ventura
«Sobre o Vale Mosteiro pouco ou quase nada sei. Penso que a toponímia se refere apenas à posse do Vale pelo Mosteiro de Santa Cruz. Como sabe, a igreja velha de Ansião ficava para aqueles lados (perto ou dentro do atual cemitério, que deve ter incluído o cemitério do adro da velha igreja) e era pertença daquele Mosteiro. O próprio lugar de Ansião estava implantado naquela região. Penso, mas não vi isso em nenhum documento, que perto da Igreja teria de haver residência para os párocos frades que serviam a paróquia. O mosteiro de Santa Cruz era abastado, pois o próprio D. Afonso Henriques o dotou com muitas propriedades e, por isso, devia ter naquela zona um bom solar para servir de residência aos frades que viviam ou visitavam a zona. O mais provável é que tivessem dentro do próprio solar uma capela, para não terem de se deslocar por tudo e por nada à igreja, quando atendiam pessoas ou faziam as suas orações comuns. A esta residência não chamaria "Mosteiro" mas uma sucursal do Mosteiro. O povo entretanto era capaz de lhe chamar mosteiro. Lembro-me de quando eu estava em Figueiró ter consultado muitos livros e documentos sobre mosteiros na Biblioteca da Universidade de Coimbra e na Torre do Tombo e nunca me apareceu referência a mosteiro algum em Ansião. Figueiró teve dois: um masculino e outro feminino. A extinção das Ordens Religiosas no século XIX fez com que o património dos conventos fosse vendido ao desbarato e encontrei a igreja do convento feminino de Figueiró dos Vinhos totalmente derrubada e a servir de cerca de galinheiro. Na altura ainda se viam alguns azulejos antigos.Quanto a mosteiro no Vale do Mosteiro de Ansião penso que havia apenas umas instalações para recolha das rendas para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e uma casa (ou casas) para os Frades que paroquiavam a Igreja de Ansião, e eventualmente outro pessoal que estava ao serviço do referido Mosteiro."
Padre Manuel Ventura Pinho «Com a extinção das Ordens Religiosas os bens dos Conventos e Mosteiros foram dados a amigos ou correlegionários ou vendidos ao desbarato, pelo que acho verosímil afirmar que muitas peças de culto religioso da residência dos párocos/frades que servia a paróquia de Ansião seja pertença do Mosteiro de Santa Cruz. E devem ter tido o mesmo destino outras da Igreja de Ansião.»
Excerto http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/ "O Vale Mosteiro está limitado a Norte pela Igreja Velha e a Sul pelo Ribeiro de Vide. Para o Padre José Eduardo Reis Coutinho no Livro de Ansião de 1986 o  topónimo "designa não um mosteiro ali existente, mas o vale pertencente ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra". Pois segundo o autor, as estruturas que observou no local, eram propriedade daquela instituição religiosa, até à extinção das Ordens Religiosas, em 1834, de acordo com o que refere o Livro de D. João Teotónio, fl. 10 e 142 v.º a 144 v.º, sobre a aquisição e localização da herdade de Ansião pelo Mosteiro. A própria tradição popular (lenda da Rainha Santa) é reveladora da importância de Ansião como possível ponto de paragem para descanso dos viandantes, bem como da existência de um esmoliadouro. Este topónimo indica que havia um local, propositadamente preparado para que os viandantes deixassem as suas esmolas, o que logicamente seria junto à estrada. Também o Livro de D. Teotónio o refere, onde entre as delimitações registadas da herdade de Ansião, aparece o "esmoliadouro". Assim a estrada designada por "estrada coimbrã", passaria por Vale Mosteiro e Igreja Velha. No decurso da prospeção levada a cabo numa área com 166.980m², foram detetadas a Sudeste do estaleiro do município de Ansião, num local que se encontra ocupado por uma construção devoluta, estruturas que, pela sua volumetria aparentam estar parcialmente soterradas, e que foram reutilizadas para o levantamento daquela construção. Numa habitação contígua identificaram-se também alguns elementos arquitetónicos, que poderão estar relacionados com as estruturas detetadas. E que se encontram integrados numa escadaria, que permite o acesso ao primeiro andar da habitação. O sítio em questão faz parte do conjunto de sítios que se identificaram no perímetro urbano da vila de Ansião, onde foram detetados vestígios com interesse arqueológico. Tendo em conta a informação existente sobre a localização e o tipo de espólio que foi detetado, é lícito interpretar a mancha de ocupação em causa, associada aos vestígios que se encontraram por uma vasta área na malha urbana da vila de Ansião, que vai desde a Igreja Velha até ao Vale Mosteiro (limite Oeste da vila), passando pelo centro da povoação, na Avenida Victor Faveiro. Neste sentido, poder-se-á estar na presença de um assentamento do período romano (uma possível Villa) e do período medieval."
Voltar a questionar o Sr Padre Manuel Ventura Pinho « li os artigos que me indicou e achei muito interessante o que aí diz. Fiquei com a sensação de ver na sua descrição os restos dum palacete com capela, como houve vários nesta freguesia e em muitas outras: o Solar dos Veigas nas Lagoas é o único que está de pé. Como toda aquela zona de que fala pertencia ao Mosteiro de Santa Cruz, devia estar aí a residência monástica da delegação do Mosteiro de Santa Cruz que actuava em Ansião."
«Há um documento de 1627, feito no Cartório de Santa Cruz de Coimbra, que fala da Capela de S. Lourenço "no adro velho", alusão ao adro da igreja velha. Pensa-se que o Cemitério da Igreja velha tenha sido incluído no que foi feito na segunda metade do século XIX. Na altura já existiam na freguesia de Ansião as capelas do Escampado de Santa Marta, Casal de S. Brás, Espírito Santo e S. Silvestre na Sarzedela, S. Luís da Fonte Galega, Nª S.ra da Paz da Constantina e Nª S.ra dos Anjos na Ribeira do Açor. É interessante que tirando a da Constantina e a da Ribeira do Açor que era particular e já não existe, todas as outras guardam imagens do século XVI. Deste século é também a fundação das paróquias de S. Tiago, Ateanha, Torre, Lagarteira e Cumeeira, entre outras. E todas têm imagens quinhentistas. »
Tombo de Anciaõ, Livro 56 do Cartório de Santa Cruz «Num Auto de Reconhessimento que fez o Reuerendo Antonio Martinz Vigário da Igreja de Ansião  a 19 de Março de 1627, é feito o elenco das capelas « a dita Igreja estão unidas as ermidas seguintes (...) São Lourenço no adro velho (...) fabricadas pelos fregueses  sem para isso o mosteiro Contrebuir Com Cousa algua sem obrigação alguma do mosteir
A descoberta

O excerto diz-nos que a ermida de S. Lourenço foi instituída como as outras referidas «fabricadas pelos fregueses  sem para isso o mosteiro Contrebuir Com Cousa algua sem obrigação alguma do mosteir .
Em que a ermida que se veio a chamar capela S. Lourenço foi pertença não de um solar, mas sim de um albergue,estalagem ou albergaria,a primeira em Ansião entre 1100/1200 a privilegiar a escolha onde se implantou pelo vestígio do portal gótico da capela  que conheci, possa ter sido antes uma capela romana-gótica .
Para finalmente clarificar o ponto 2.1.3.6. do Livro do Padre José Eduardo Reis Coutinho - Clérigos Franceses «(...)Dom Edme de Salieu, abade de Claraval, veio à Península Ibérica visitar as abadias cistercienses em companhia de uma comitiva, entre os quais o seu secretário, Frei Claude de Bronseval, o autor do diário das viagens, onde descreve as sínteses das ocorrências: - Dia 6  de julho de 1532, depois de percorrerem uma péssima estrada que os trouxe do Rabaçal, chegaram ao lugar campestre de Ansião, onde foram bem recebidos num bom albergue;ali almoçaram bastante bem e dormiram. Dia 7, de manhã, ouviram Missa na capela onde na véspera já tinham celebrado, e meteram-se por um terrível  caminho  através de montanhas extremamente altas, arborizadas e cobertas de rochas. Como não havia outra estrada directa a Alvaiázere, os viajantes atravessaram a serra, por um caminhos de cascalhos e de calhaus que enormemente fatigavam os cavalos...»
Este extraordinário excerto do Peregrinatio Hispanica 1531/1533 de Frei Claude de Bronsevaltranscrita em 1986 pelo Padre José Eduardo Coutinho as vezes que o li sem o pensar atento, para agora com maior atenção nos dar a imensa luz do que aqui se pretende especular - Dia 7, de manhã, ouviram Missa na capela onde na véspera já tinham celebrado- em 1532 só havia a igreja primitiva que se aventa existir desde 1259, e foi localizada a nascente do actual cemitério novo, o autor ao referenciar capela, diz-nos que o complexo que julguei anos ter sido um pequeno mosteiro outra coisa não foi que o primeiro albergue como lhe chamou, em Ansião então sito na beira da estrada real ou coimbrã que teve de facto uma capela a S. Lourenço e dela ainda conheci o palco, no mesmo modo em Almoster outra avento existiu com capela ao Senhor do Mundo para na sua ruína se  construir a primitiva igreja.E ainda quem as explorou foram judeus vindos de norte tomando a estrada medieval para se fixar e ganhar a vida.
Este enxergar de maior claridade do primeiro albergue de Ansião com capela ,a dizer não foi um mosteiro!  

Segundo as Memórias Paroquiais
«Designação da propriedade - Um Olival chamado o S Lourenço. Antes tinha Foros e outros encargos . Foreiro em dois alqueires de azeite a Senhora da Conceição, computado em dois mil e trezentos e cincoenta réis.»
O albergue ou estalagem englobado numa quinta  que o Padre José Eduardo Reis Coutinho no Livro de 1986  « (...) em Junho do ano seguinte, 1176, o Mosteiro completa a compra(da herdade de Ansião) com a aquisição da última parcela, o oitavo final, a Pedro Soares e a sua mulher Maria Pais, por igual preço do anterior». A ditar tenha sido esta, por ter o albergue por todas as valias.Que nos Cadernos de Estudos Leirienses nº9 de Saul António Gomes e Mário Rodrigues - O Povoamento do Território de Ansião nos séculos XII/I  referem apenas «Pedro Soares e a mulher Maria Pais vendem ao MSCC  uma herdade em Ansião» A ditar que o Padre José Coutinho foi mais completo na sua analise para mais dizer e assim mais se especular que esta foi a última parcela da herdade a mais difícil em adquirir.
Após a extinção das Ordens Religiosas  em 1834  a venda tenha sido mais evidente por volta de 1875 com a instauração da Comarca de Ansião da venda em haste pública dos bens afectos ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, em que no Vale do Mosteiro de Cima o complexo ruinal do primeiro albergue com capela foi comprado por  vários particulares a ditar a pobreza estrema para tão parco espaço ter chegado aos dias d'hoje ainda pertença de vários donos, no contraste da terra da mesma herdade ter sido vendida em grandes extensões a uma meia dúzia, os novos ricos da vila de Ansião. Em que a Imagem do S. Lourenço em pedra, antiga, seja verossímil dizer daqui saiu nessa altura para engrandecer a nova capela do cemitério em 1875 reinstalado no mesmo local onde o foi no tempo medieval.

Vista sobre o sitio do "vulgo mosteiro" ao Vale do Mosteiro  na beira da rota da  estrada medieval
A primeira casa em azul era da Deolinda irmã de " António Arrebela" 
Quando aqui vim pela 1ª vez em 64/65 não existia. Por não ter espaço para fazer a cozinha, confidenciou-me a entestante a norte, a Carmita do Bairro nessa altura lhe dispensou o corredor da capela com o portal gótico, por onde eu com a minha irmã entrámos.
A sapata em pedra com fino friso que havia na frente veio a ser reutilizada nos degraus da sua escadaria colocados ao contrário.Mostrei ao Padre José Eduardo Coutinho e também a fotografou.
Conheci o local após um incêndio  cujos moradores, Miguel e miguela já o tinham vendido e emigrado para o Brasil onde julgo tinham familiares. O sogro da Carmita do Bairro que vivia no Carvalhal veio a adquirir o espaço depois herdado pelo seu marido onde um dos seus filhos, o Fernando veio a construir a sua vivenda quando casou com a Ausenda, no que foi o palco da capela de S. Lourenço. 
A foto onde é a chaminé da casa da Deolinda onde foi o portal gótico para a entrada da capela
Entrada a sul para o "vulgo mosteiro" 
Local de escolha eleita para o albergue por volta de meados de 1100 edificado na beira da estrada medieval a dividir duas quintas; Vale do Mosteiro de Cima e para nascente Vale do Mosteiro de Baixo.
Em que a quinta do Vale Mosteiro de Cima implantou num pequeno promontório em formato quadrado ao jus de forte sustentado por um alto muro em pedra a poente e a norte onde existe um portão de acesso às cavalariças e ao vale e a outra entrada, a sul com entrada para o albergue e capela.
A minha primeira vez na visita a este local  aconteceu em dia em dezembro com  a minha irmã  na entrada do caminho na esquerda havia uma pequena casita com uma nogueira e do outro lado  deparámos com uma sapata  em pedra com fino friso a ornar um retângulo com erva para o subir tivemos de dar um impulso à pernita a evidenciar tenha sido aqui os cómodos do albergue, ao fundo a norte havia uma grande porta ornada de arco afunilado de pedra muito bonita, gravada na minha memória muito maior da que conhecia atrás da Misericórdia que me deslumbrava quando brincava no jardim dos Paços de Concelho, só anos mais tarde na escola percebi que se tratava de um portal gótico de arco quebrado com frisos em ogiva. Entrámos por uma porta de madeira a cair de velha  com muitos cordéis presos nos buracos da que foi a fechadura depois de empurrada abria-se um corredor onde caminharmos numa passadeira de lajes quadradas polidas imensamente brancas de calcário a fazer lembrar cal para ao fundo entrar no que foi o palco da capela que  conheci reconvertido em casa habitacional onde tinha havido um incêndio com vestígios de restos de arcos no tecto e num quartito a norte encerrados a pia de água benta e uma Cruz alta em pedra, a justificar que o altar fosse a sul de orago a S. Lourenço dado a conhecer numa relação de capelas afectas à igreja de Ansião de 1627,o Santo considerado o patrono dos bens da Igreja .Saímos assustadas com a brutalidade do cenário de incêndio com barrotes negros a descer sobre as nossas cabeças  por uma porta mais à frente virada a norte que nos deu acesso já na rua a um portal de pedra com remate de esfera cravada em pescoço elegante também gravado na minha memória por ser tão requintada que outras assim me recordou ver no Convento de Cristo em Tomar.

Esta foto mostra os muros do lado esquerdo do caminho, teria sido a estrebaria ou cavalariça.
Na frente da casa azul no meu tempo havia um grande buraco onde alguém criava coelhos, se especula podia ser a entrada de um túnel que se desmoronou. Pelo desnível só podia ir daqui para o burgo sediado no actual cemitério (?).
Lado norte
Um portão cujo remate apresenta uma caracteristica  de casario antigo com a ombreira em pedra a rematar com outra igual no muro tipo "L" .
Janela com gradeamento
Aqui foi com muita certeza a primeira cadeia

Do portão dava comunicação para o lagar e adega , na frente o  seguimento do caminho com uma palmeira das mais finas de Portugal, as primeiras que vieram, ainda me recordo dela, depois morreu e descia-se ao  vale agrícola.

A centralidade  da estalagem em plena estrada romana/medieval/ estrada real 
Baptizada Avª Sá Carneiro...

A entestar a estrada seria o corpo da estalagem que abrangia as duas entradas.
No meu tempo já não haviam janelas tendo sofrido em parte demolição aquando do alargamento da Avenida Sá Carneiro, ainda visíve ao meio o muro mais grosso com outro fino.

Verossímil dizer algures foi encastrado o Esmoliadouro
O Esmoliadouro referenciado na extrema a poente da herdade de Ansião na beira da estrada medieval por onde passava toda a estirpe de viandantes desde nacionais e estrangeiros, clero, nobres, reis, almocreves, mercadores, ladrões e mendigos,  ricos e pobres, as esmolas eram muito comuns na altura e o local tinha de ser vigiado. A  recolha das esmolas seriam para distribuir pelos pobres que aqui acorriam doentes e famintos, sem recursos .
Pela situação privilegiada na beira da estrada medieval o Esmoliadouro teria sido sediado na entrada sul ou na entrada a norte.
Espectável a casita na entrada a sul, teria sido a portagem? 
Entrada a norte do casario antigo dito mosteiro
Beco por onde saí com a minha irmã, ao fundo onde é a casa branca recuada por um portão era a capela e tinha um portelinho para o beco.
Entrada a norte onde hoje existe esta casa, e ao fundo se de facto existiu uma cadeia tenha sido aqui a localização  do Esmoliadouro (?).
Arco de volta perfeita a norte a descoberto no casario
Na segunda vez que visitei o local quis perpetuar a minha linda mãe pela sua bondade ao me acompanhar nas minhas deambulantes aventuras em local emblemático sentada na pedra de fuso a lembrar um miliário romano que também os houve deste formato, tendo sido reutilizados séculos mais tarde para pedras de fuso de Lagares de vinho.
 
Ao limite do muro uma coluna pequena partida ao meio aventa ser do século XVIII
Há anos quando fotografei o único arco de volta perfeita visível da rua a coluna estava sobreposta junto ao muro a norte
 
Contraste da pedra de fuso do lagar antes e agora 
A Fátima e a irmã as penúltimas donas do imóvel ao ler a crónica inicial a quem informei iria voltar ao local para indagar melhor, apenas me aconselhou a ter cuidado por  estar em derrocada. Na 3ª vez fiz-me acompanhar pelo Padre José Eduardo Reis Coutinho que me confirmou tratar-se de uma pedra de fuso de lagar. Esta informação foi importante para afigurar a hipótese de adega cuja existência de vinhas naquele tempo eram grandes e ainda hoje na toponímia a minha irmã tem casa num lote com esse nome "Vinha" a escassos metros para sul.
Arcos de volta perfeita do lagar e adega da estalagem
Os arcos seguem-se debaixo do casario vindos do norte da capela onde a adega seria adoçada.A quarta vez em visita ao local aconteceu em agosto de 2014 mas esqueci-me de levar a máquina fotográfica tendo descido ao vale onde constatei o muro de sustentação.Voltei uns dias depois tendo reparado que alguém nesse entretanto arrombou na cave uma porta cedendo a estrutura da parede frágil tendo ficado a notar-se um novo arco visível , o arco foi entaipado em 1933 onde foi deixado escrita a data no caliço quando foi feita a arrecadação. 
A descoberta de um novo arco a juntar a outros dois que existem debaixo da casa da Deolinda somam na totalidade quatro, sem saber no restante casario de permeio se ainda existem mais!

Ruína limpa o que  ainda pode catalogar desse tempo primitivo?
A parte dos herdeiros de "António Serrador" esteve anos em venda tendo sido concretizada este ano.
Não se vislumbram no que existe ombreiras nem linteis gravados, nem datas.
Em agosto de 2018 percebi da intervenção de limpeza de hera  que cobria totalmente esta parede tendo entrado uma última vez para fotografar só por fora. À posterior vim a saber que tinha sido adquirido pelo Nito meu amigo de infância, espero não seja motivo de desagravo, em verdade as fotos servem para mais se especular património edificado do passado de Ansião.
As pedras de suporte ao longo da parede a evidenciar que ali houve parreiral. 

A sequência de arcos  de volta perfeita e a pedra de fuso de lagar a ditar um lagar de vinho
Parte da coluna partida espero que não se perca.
Parte de uma coluna desirmanada a evidenciar atribuição ao séc XVIII .A requerer estudo arqueológico os arcos existentes podem reportar à mesma época, em que a  igreja primitiva do séc XII pelo portal gótico que nela existiu e conheci tenha sido mais tarde reaproveitada em capela a S. Lourenço pelos povoadores com origem franco/judeus se olhar ao último vendedor de apelido "Soares"  e "Pais"  além da exploração de vinha teriam outra de porcos que se alimentavam de lande pelos costados da Costa.
 
Casa que foi do Sr. António Serrador
Foi construída sobre os arcos do Lagar/adega, de sobrado com reutilização da pedra de varandim pertenceu à capela a norte, segundo me confidenciou o "António Arrebela" que nasceu por aqui, haviam dois varandins sendo hábito as pessoas reaproveitar o que podiam.
Cave da casa que foi o lagar/adega 
Apenas com a porta e uma janela com grade

Resta ainda outro casario reconvertido no espaço
A merecer vistoria por um arqueólogo na eventualidade de serem encontrados outros vestígios.
Complexo ruinal que fotografei da terceira vez um pilar de pedra antigo  a norte e portas  com ferrolhos em ferro e tranca de madeira, de quem ali morou depois de 1875.
Em finais de 2018 uma nova perspectiva de abordagem ao que efectivamente existiu na quinta do Vale do Mosteiro de Cima em Ansião , o primeiro albergue ou estalagem em Ansião, com cadeia e a primeira unidade de Enfermaria, para mais tarde  ditar o Hospital na vila, na minha perspectiva.


Fontes 
Livro Memórias Paroquiais
http://arqueologia.patrimoniocultural.pt
Testemunhos do Padre Manuel Ventura Pinho
Livro do Padre José Eduardo Reis Coutinho
Tombo de Anciaõ, Livro 56 do Cartório de Santa Cruz
Cadernos de Estudos Leirienses nº9 de Saul António Gomes e Mário Rodrigues O Povoamento do Território de Ansião nos séculos XII/I 

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