O culto a Nossa Senhora da Paz na Constantina, em Ansião, com origem num fenómeno inexplicável na época em plena secura de agosto começar a brotar do saibro uns olhos d'água - facto extraordinário que chamam milagre, a um escasso km, na que veio a ser chamada - Fonte Santa, mereceu crónica própria.Há partida estranha-se não ter sido no local levantada uma capela para glorificar o local do milagre, só no séc XX com a fonte seca...graças a um benemérito. Óbvio na centúria de 600 houve alguém que puxou a razão do milagre para perto de casa. Verossímil dizer onde já havia uma ermida pequena para em dois anos outra maior, a actual, ter sido levantada, para acolher romeiros que deixavam fartas esmolas.
Capela de Nossa Senhora da Paz na Constantina
Capela de Nossa Senhora da Paz na Constantina
Recordo a nítida má impressão da minha primeira visita já lá vão muitos anos com a escadaria descarrilada, muito por culpa das raízes das raquíticas oliveiras da encosta sul na subida para o adro onde me deixei ficar de boca aberta com a antiga pia de água benta reutilizada em lava mãos, bem maior e graciosa que as novas substitutas, que lhes achei pouca graça ...A segunda visita aconteceu ao entardecer por altura da festa com a capela engalanada onde apreciei a platibanda negra em balaústre assim igual no mesmo efeito havia na matriz a dividir o corpo da capela com o altar mor.Na terceira vez reparei que tinham decorrido obras com casas de apoio à Confraria e à festa a poente do adro onde foi ponderada a intervenção em graciosidade com os avançados suportados por colunatas na franca analogia ao telheiro da capela tendo gostado francamente das alterações em que a antiga pia de água benta agora em novo enquadramento enriquecida com o pormenor estético da torneira moderna na univalência do velho e do novo que gostei, ainda o arranjo dos canteiros com os calhaus rolados, não me chocou em nada. Falta na envolvente do adro espaço - para poente ou norte onde devia nascer um parque de estacionamento para desafogar a Constantina, aldeia castiça das poucas concelhias ao género de casario concentrado na maioria requalificado na traça antiga e outro em vias disso a prestigiar os seus donos em manter os legados herdados do povo romano que se cruzou com o povo franco, judeu e mouros, os genes que ainda persistem!
A origem e os meandros deste culto a ser tratado noutra crónica.
Testemunho do Sr. Padre Manuel Ventura Pinho A origem e os meandros deste culto a ser tratado noutra crónica.
« O padre José Eduardo Coutinho está por dentro de muitas das coisas históricas desta terra, como sabe. Há uns 10 anos pedi-lhe para fazer outra monografia sobre a igreja e capelas da freguesia e ele diz-me que o trabalho está adiantado. Vamos ver se sai o 1.º volume para o ano que vem 2016 . Ficou combinado ser dos primórdios até ao final do século XVI. Sobre estes séculos pouco sabemos até agora.»
Desconheço os motivos para em final de 2018 o Livro do Padre Coutinho ainda sem edição à vista para o mesmo tema ter sido editado em 2008 pela Câmara de Ansião - Património Religioso do Concelho de Ansião de António Jesus Simões, Joana Patrícia Dias e Manuel Augusto Dias cuja leitura deixou-me francamente abaixo da expectativa, pese a valia de pioneiro na compilação da maioria do património religioso concelhio, contudo incompleto, em que a ordenação não se mostra seguida a baralhar o leitor de informação saltitante, erros crassos sem visualização de muitos locais, esteticamente mal conseguido, em resulto dizer - a não existir nada, existe qualquer coisa!
O primeiro pioneiro a escrever sobre a capela da Constantina que eu conheça foi o Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu livro de 1986, pese ter lido a crónica de Severim Faria de 1625 apenas ênfase « do milagre da fonte e que a Constantina tinha uns 50 vizinhos e era local de romarias» com enfoque ao importante e rico património sem referência ao episódio recambolesco do povo da Constantina ter ido de noite a Ansião buscar Imagem da Senhora -da Paz, a nova atribuição, a meu ver guardada em reservas na sacristia da matriz...
Por outro lado os autores do Património Religioso apenas fazem alusão «este bonito templo, rico pela sua história e pela sua arte pictórica que ostenta, está em vias de classificação».
Por outro lado os autores do Património Religioso apenas fazem alusão «este bonito templo, rico pela sua história e pela sua arte pictórica que ostenta, está em vias de classificação».
Blog Viajando no Tempo do Dr Manuel Augusto Dias
«A Irmandade de N.ª Senhora da Paz foi erigida numa conjuntura particularmente difícil, como foi a do século XVII (tempo de guerras, fomes e pestes), e é, quase sempre, em momentos de grande sofrimento que a religião, a fé e os milagres assumem particular relevância na mentalidade e comportamento populares. Aliás, a religiosidade popular da época, conhecia um florescimento do culto mariano, não só em Portugal, como em Espanha e na França. Um pouco por todo o País, o culto a Nossa Senhora ia-se generalizando em torno de pequeninos templos que veneravam N.ª Senhora, sob diversas invocações. O nome de Maria, que chegou a ser evitado no baptismo por escrúpulo, começou a ser adoptado como homenagem à Mãe de Deus, por especial devoção das pessoas mais dedicadas ao seu culto. Em 1623, precisamente na data em que se erigiu a Confraria de Nossa Senhora da Paz da Constantina, o Papa Urbano VIII, confirmou a Instituição da Ordem Militar da Conceição da Virgem Imaculada que, 17 anos mais tarde, a 8 de Dezembro de 1640, D. João IV coroaria Rainha de Portugal e se tornou, também, a padroeira da paróquia de Ansião. Assim se compreende melhor, a expansão que esta Confraria conheceu no século XVII, tendo como confrades inscritos, pessoas de toda a região centro, mormente da área demarcada pelo rio Mondego ao Norte, e pelo rio Tejo ao Sul, se bem que haja também pessoas, embora em muito menor número, de terras do Alentejo, e de localidades a Norte de Coimbra. Em torno da devoção a N.ª Senhora da Paz, milhares de pessoas foram em peregrinação à Constantina, ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Nos finais do século XIX, com a retirada das feiras pela Câmara de Ansião, que as transferiu para a vila (sede do concelho); e, na segunda década do século XX, com o fenómeno de Fátima - a escassos 40 Km de Ansião - o santuário mariano da Constantina entrou em decadência acelerada, perdendo quase toda a resplandecência de outrora. Hoje, a capela mantém a imponência dos tempos idos, mas a Confraria é pobre, sobrevivendo da cotização dos seus membros; dos superavits que resultam das festas que os mesários da Confraria continuam a organizar, anualmente, à Senhora da Paz e a Santo António; do dinheiro que cobra pelo acompanhamento dos funerais daqueles que não são seus confrades ou das respectivas famílias; e de uma ou outra iniciativa, de entretenimento ou afim, levada a cabo exactamente com o objectivo de angariar alguns fundos.»
O autor não especifica no livro da Confraria quando a Imagem de Santo António fez parte do culto desta capela.
Monumento de Interesse Público em 2011
Excerto de http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/155603
Arquitectura Religiosa / Capela Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público
Edital de 29-05-1996 da CM de Ansião
Despacho de concordância de 23-11-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 20-07-2011 da DRC do Centro
Catarina Oliveira GIF/IPPAR/ 20 de Julho de 2005
« A Capela de Nossa Senhora da Paz foi edificada em 1623, sendo referida a sua existência por Manuel Severim de Faria em 1625, que descreve esta "(...) igreja fabricada de dous anos para qua no termo da villa de Ancião no Lugar da Constantina." (MALVA, Filomena, 1996, p. 54). Segundo a tradição local, a imagem de Nossa Senhora da Paz foi transferida da Matriz de Ansião para uma pequena ermida existente em Constantina cerca de 1622, originando uma série de acontecimentos milagrosos no local. Por este facto, edificou-se um novo templo naquele lugar, que se tornou num centro de romagens, passando a ser administrado pela Confraria de Nossa Senhora da Paz, instituída no ano seguinte e confirmada por alvará de Filipe III editado em 1624.
A capela apresenta uma estrutura chã de gosto classicizante e linhas sóbrias. O corpo do templo é precedido por uma galilé alpendrada composta por dez colunas. A fachada apresenta ao centro o portal principal, de moldura rectangular, onde foi gravada no lintel a data de fundação, 1623, encimado por um nicho concheado ladeado por enrolamentos e encimado por um friso. O conjunto é flanqueado por duas janelas com grades de ferro.
O espaço interior de nave única é coberto por tecto de madeira, destacando-se no programa decorativo os retábulos laterais de talha de estilo nacional. O arco triunfal é gravado em toda a superfície com relevos de motivos geométricos e florões. A capela-mor é coberta por tecto de caixotões decorados com pintura de brutesco, no fecho dos quais foi pintado o símbolo da Dinastia de Bragança, tendo este conjunto sido realizado no período pós-Restauração. As paredes laterais são decoradas com telas alusivas ao Pecado Original e à Imaculada Conceição, "(...) que pela sua plasticidade técnica, de fraco teor regionalista, parecem situar-se no período joanino." (Idem, ibidem, p. 66). Ao centro da capela-mor foi edificado o retábulo de gosto maneirista, num modelo de estrutura arquitectural de linhas chãs. Este conjunto retabular de talha dourada, decorado com relevos de motivos grotescos, integra cinco tábuas a óleo com temática alusiva à Vida da Virgem. As pinturas dividem-se pelos dois registos do retábulo, dispondo-se à volta da imagem de Nossa Senhora da Paz, colocada no nicho central. Ladeando a escultura foram colocadas a Visitação e o Aparecimento de Cristo à Virgem, correspondendo-lhes no registo superior a Imposição da casula a Santo Ildefonso, a Adoração dos Pastores e a Virgem com o Menino. Desconhecendo-se o autor das telas, executadas cerca de 1630, este conjunto de pintura maneirista de cariz regional, com uma "(...) linguagem de ambivalência entre o culto mariano e a contextualização filipina" (Idem, ibidem, p. 56), apresenta uma notória influência dos modelos tardo-maneiristas executados à época em Lisboa.»
No meu opinar
A merecer avaliação e inventariação todo o espólio desta capela, no dever cívico de ser fotografado e devidamente seguro, porque é património sacro da Constantina, de Ansião e do Mundo!
Padre Manuel Ventura Pinho na Página da Igreja de Ansião no Facebook « nunca é demais enaltecer o autor do livro, porque vem dar a conhecer a alma destas boas gentes que vivem à sombra da Senhora da Paz.
Quando, em Outubro de 1985, visitei pela primeira vez a capela de N.ª S. ra da Paz, logo me apercebi de que tinha sob os meus olhos um legado precioso, cuja grandiosidade não tinha par nas capelas do Norte do Distrito de Leiria. Um conjunto arquitectónico muito agradável, basta riqueza de talha dourada e policromada e pinturas artísticas em grande número. Quanto a estas, parecia que por ali tinham passado há uns anos os vândalos ou então ainda estavam como as tinham deixado os franceses na sua fúria destruidora de há quase dois séculos. Em conversa com algumas pessoas que me acompanhavam, soube que muitas diligências já tinham sido feitas para encontrar remédio para o mau estado do conjunto artístico, mas que todas as portas se lhes fechavam.Deixei palavras de esperança e quando cheguei a casa fui consultar enciclopédias e livros de arte para ver se havia referências a esta Capela da Constantina e deparei com a seguinte frase do Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Leiria, dirigido por Matos Sequeira e já publicado em 1955: "O sacristão disse que o templo estava muito desmoralizado, e os inventariantes estiveram de acordo".
Falei com algumas pessoas conhecedoras e tentei que fosse encontrado alguém capaz de restaurar, com qualidade, altares e telas. Na Cúria de Coimbra foi-me dito que havia um senhor que já tinha restaurado algumas telas para a Casa Episcopal e que o Sr. Bispo tinha gostado do seu trabalho.
Pedi orçamento ao restaurador e logo a Mesa da Irmandade me disse que o Sr. João dos Santos, residente em Aveiro, mas daqui natural, oferecia a totalidade do custo. E, em poucos meses, o estado da Capela-Mor era outro. O Sr. João dos Santos mandou avançar com o restauro dos altares, e aqui, onde menos se esperava, é que apareceram muitas dificuldades em arranjar alguém competente. A obra chegou a estar entregue, mas o restaurador acabou por se negar a fazê-la, apesar de a Mesa da irmandade ter acedido a todas as novas exigências que ele ia fazendo. Até que, passados alguns anos, se entregou o trabalho dos dois altares laterais à Escola Superior de Tecnologia de Tomar, que está agora a ultimar o último destes altares. O Altar-Mor e talha lateral aguardam a sua vez.
Achei que tinha interesse fazer esta resenha da história mais recente desta Capela, porque por ela se vê que as sucessivas Mesas da Irmandade de Na S.ra da Paz e o Povo da região da Constantina nunca perderam o sentido da riqueza espiritual e cultural deste santuário e foram fazendo o que estava ao seu alcance para o conservar.»
«Eu El Reyfaço saber aos que este Alvará virem que os officiaes da confraria da nossa senhora da paz do Lugar da Constantina na freguesia de Ansião termo da cidade de Coimbra me emviarão dizer por sua petição que a dita comfraria hia em grande augmento por causa das grandes maravilhas e mylagres que a Virgem nossa senhora obrava cada dia e pêra que o serviço da senhora se podesse conservar e se fizesse com a perfeição que comvinha ordenarão por comum consentimento de todos o Compromisso que oferecido o qual corregedor e provedor daquella comarca vira e aprovara como constava do assento que disso sejizera Pedindo me lhes fizesse merçe de lho mandar confirmar, E visto seu Requerimento e a informação que se ouve pello doutor Diogo ferreira de Carvalho dezembargador da casa da suplicação que vio o dito Compromisso e he o atras escrito em onze meãs folhas como esta e querendo lhes fazer graça e merçe hey por bem e me apraz de lhes confirmar como de feito por este Alvora confirmo hey por confirmado o dito compromisso na forma e nossa maneira que neíle se contem e quero que assise cumpra eguarde como nelíe se declara e mando a todos os dezembargadores, corregedores, provedores, ouvidores, juizes, justiças officiaes e pessoas a que o conhecimento disto pertencer que assi o cumprão e guardem ejaçam inteiramente comprir e guardar. E me praz que valha tenha Jorça e vigor como sejbra carta Jeita em meu nome por mim assinada sem embargo de ordenação do segundo Livro titolo corenta em contrario Pedro Alvarez o fez em Lisboa a trinta de Outubro de mil seiscentos e vinte e quatro. Manoel Jugundez o Jez escrever.
Primeiro Compromisso da Confraria da Constantina
Segue- se a assinatura de Filipe IV do Alvará que Vossa Magestade he por bem de confirmar aos officiaes da confraria de nossa senhora da paz do Lugar da Constantina freguesia de Ansião termo da cidade de Coimbra, este Compromisso na forma que nelle se contem pello mandado acima declarado. Seguem-se duas assinaturas».
«CAP.° 1 do Recebimento dos Irmãos nesta Confraria
Todos os Fieis Christãos; que por serviço de Nossa Snrã da paz se quizer meter por irmão desta sancta Confraria será assentado no Livro della, e dará cada hum de entrada conforme sua possibilidade, que a menos será de cada hum vinte reis e sendo pobre dez reis, e quando falecer deixe a dita Confraria de seus bens o que quizer, e será participante em todos os benefícios que o Senhor Deos e o Padre Sancto o Papa nosso Senhor outorga aos confrades que nesta confraria entrão
CAP.° II da pena que averão, os que não aceitarem o Serviço da Confraria
Ordenamos e estatuímos, que cada hum dos ditos irmãos que sair por official desta Confraria se não escuse do cargo que lhe for lançado e aquelle que o recuzar sem legitimo impedimento pagara sinco arráteis de cera se for mordomo ou Escrivão, mas se for Juiz dez arráteis de cera em pena de não aceitarem o serviço da dita confraria.
CAP.° III da ordem que avera no dizer das Missas
Nesta Confraria como dito he avera hum Juiz, dous mordomos, hum Escrivão, e hum Cappelão o qual dirá missa pellos irmãos confrades e benfeitores desta Sancta confraria, e caza e vivos e defunctos, todos os dias de Nossa Snra que ha pella roda do anno, e Domingos e Sanctos delle e assi mais os primeiros Domingos de cada mes se dirá nua missa em memoria dos doze Apóstolos de Christo para que roguem a Deos por nós pecadores tudo a custa da Confraria, e os officiaes que servirem darão candeas ou vellas aos confrades que terão acezas em suas mãos, emquanto estiverem a dita missa e o Capellão antes do Prefacio ao tomar do lavatório será obrigado a dizer pellos vivos e defunctos e benfeitores desta caza a oração do Padre nosso, e Ave Maria, e os confrades prezentes o rezarão também pedindo ao Senhor Deos haja por seu Sancto serviço aver misericórdia das almas de nossos irmãos e confrades vivos e defunctos.
CAP.° IIII Como por ordem do Juiz se mandarão dizer as missas
O Juiz terá cuidado de mandar dizer as missas sobreditas para que a Senhora seja bem servida e assi tudo o mais que he bem parecer, conforme a possibilidade da dita confraria e para honra de Deos e de nossa Senhora e proveitos de nossas almas e dos defunctos.
CAP.° V que o Juiz que se elleger tenha as partes que se requerem
Na elleição do Juiz se terá muita consideração para que se elleja pessoa que tenha as partes que para o dito cargo se requerem: e a mesma se terá na elleição dos demais officiaes, e ao fazer delles se lerá este capitulo aos cabiduães que os hande elleger
CAP.° VI de como se ellegerão os seis cabiduães, e os mais offíciaes que hande servir a Confraria
Mais ordenamos que em cada hum anno se ellejão primeiramente seis homens dos irmãos da Confraria de boa e sam consciência e fama que sejão Cabiduães elleitores e que estes ellejão os ditos offíciaes como dito he, e o Juiz Velho da confraria lhe dará juramento para que bem e verdadeiramente sirvão seus offícios, que na dita Confraria me forem dados guardando primeiramente o Serviço de Deos e de Nossa Senhora e bem do prol commum segundo suas consciencias: estes seis homens se hande elleger em cada hum anno pello dia de Nossa Senhora da Paz para a dita elleição como dito he.
CAP.° VII da obrigação dos mordomos e como terão em seu poder as pessas e ornamentos da Confraria
Ordenamos que os mordomos que servirem e ao diante forem terão em seu poder todas as pessas ou prata e mais ornamentos e as demais couzas da Confraria que se terá dentro em hum caixão que mandarão fazer para terem as cousas sobre ditas da Confraria e terão muito cuidado e lembrança destas e de todas as mais cousas que lhe pertencem convém a saber de mandarem pedir para as missas de Nossa Senhora e suas obras na qual igreja e hermida avera alem disso huã caixa para nella os Romeyros e fieis christãos deitarem esmola para as obras de Nossa Senhora a qual terá duas chaves com boas fechaduras differentes-huã das quaes terá o Juiz da dita Confraria e outra hum dos mordomos e isto em quanto servirem o seu anno e terão muito cuidado de mandarem fazer, e pôr em recado todas as cousas que pertencem a Confraria e de as mandar fazer e comprar cada huã em seu tempos sob penna de pagarem de suas cazas a Confraria tudo aquillo que por sua negligencia ou culpa se perder; e de tudo o que Receberem e despenderem lhe será tomada conta pello Juiz e officiaes que de novo entrarem a servir a Senhora da Paz, a qual darão tanto que acabarem de servir seu anno dentro em quinze dias ao mais tardar, sob penna de mil reis para a cera e obras da Confraria.
CAP.° VIII como as cousas da Confraria se arrendarão ou arrematarão
a quem por ellas mais der
Todos os bens que ouver da Confraria se arrematarão em pregão a quem por elles mais der e o que Renderem se carregara em termo apartado no livro das Receitas desta Confraria.
CAP.° IX de que avendo duvida na elleição se ellegera por votos de
toda a Irmandade o Capellão
Ordenamos que avendo duvidas entre os seis elleitores Cabiduães, Juiz e officiaes da Confraria sobre a elleição do Cappellão dela, se ellegera a mais votos de todos os irmãos e confrades para que não aja scandalo entre os officiaes e se faça o que for mais proveito da Confraria porque assi entendemos será a Senhora mais bem servida.
E Porque de todo o conteúdo neste Compromisso somos contentes Pedimos a Vossa Magestade nos faça merçe de o mandar confirmar e mandar que o Juiz da dita Confraria tenha poder e auctoridade para obrigar ou executar nas pennas sobreditas aos irmãos que não quizerem aceitar os cargos e officios que nesta Confraria da Senhora da Paz lhe forem dados, E, R, M.»
In “O retábulo-mor da Capela de Nossa Senhora da Paz no lugar da Constantina”de Filomena Malva
In “O retábulo-mor da Capela de Nossa Senhora da Paz no lugar da Constantina”de Filomena Malva
O Retábulo Tardo-Maneirista de Constantina «O presente trabalho monográfico de Filomena Malva dedicado ao recheio artístico de um pequeno monumento do Concelho de Ansião, a Ermida de Nossa Senhora da Paz em Constantina, assume-se como uma oportuna lição de (e sobre) História da Arte portuguesa, que não só reabilita os valores patrimoniais de um imóvel ainda hoje muito esquecido, como contribui para ampliar o nosso conhecimento sobre a conduta dos mercados regionais durante a Contra-Reforma e o tempo de dominação castelhana.
Nessa perspectiva, deve louvar-se, antes de mais, a coragem da autora, que não temeu aventurar-se na abordagem de um edifício sobre o qual era quase nula a bibliografia (com a única excepção de uma referência marginal do Inventário Artístico de Portugal da Academia Nacional de Belas-Artes, no tomo de 1955 respeitante ao Distrito de Leiria), e sobre cuja história poucos dados documentais estavam disponíveis.
Agora, fruto do estudo histórico empreendido a respeito dos diligentes mesários da Confra-ria de Nossa Senhora da Paz, pode esclarecer-se melhor o percurso e as diligências empreendidas pelos membros fundadores da irmandade no sentido de dotarem o templinho com um programa artístico adequado às exigências didascálicas do seu preciso tempo: o culto de Nossa Senhora da Paz como imagem de identidade do sítio, o dispositivo ideológico da narrativa como imagem tridentina á fidelidade aos valores católicos estabelecidos, e a imagem adoçada da Contra-Maniera como veículo para um discurso de alinhamento com a situação política da União Ibérica. Assim, o retábulo da Ermida de Nossa Senhora da Paz em Constantina (Ansião), a peça mais aprimorada do conjunto pela qualidade do entalhe de raiz serliana e pelos acertos das cinco pinturas integrantes, obra de uma ignorada oficina tardo-maneirista acaso de Coimbra, constitui um interessante testemunho dessa arte de raiz oficial, tridentina e integracionista, que chega a incluir uma destacada representação de Santo Ildefonso, patrono das Espanhas, rara na nossa iconografia seiscentista, e outras receitas iconográficas de não-perturbado alinhamento iberista. Como sucede, de resto, em muitos outros retábulos portugueses da primeira metade do século XVII, no essencial avessos à modernidade do novo figurino barroco, tão-só balbuciado numa ou noutra solicitação ao penumbrismo...O retábulo que aqui se estuda e cujo programa ideológico se reconstitui (infelizmente sem dados precisos sobre os seus autores de talha e de pintura) não será, convenhamos, uma obra de superior qualidade - antes um produto de Maneirismo tardio, e regionalista, dotado de uma certa dimensão cultural periférica -, mas é nessa esfera que ele se impõe como documento artístico preciso, como acertadamente a autora põe em destaque, à luz dos valores que a Confraria estabe-lecera como seus. Sobre o mestre entalhador, é possível que possa ser ligado ao pequeno mundo oficinal de Simão da Mota e de outros artistas e artífices actuantes no aro de Coimbra. Sobre o mestre pintor, se revela artista informado, razoável conhecedor de estampas maneiristas italo-flamengas, e dotado de certa dimensão deformadora dos cânones e formas (veja-se o Cristo com as varas da Justiça do primeiro registo, na edícula esquerda do andar principal) reflecte o mesmo espírito de algumas oficinas tardo-maneiristas conimbricenses (Álvaro Nogueira, Pedro Alvares Pereira, etc), cujas obras se conhecem, assim como de alguns "ateliers" de Leiria e Santarém (como o Manuel Lampreia da Mata), sem que possa ainda haver uma certeza sobre a sua exacta identidade, à míngua de correlativos estilísticos e de documentação precisa. Mas fica a nota, esclarecedora, de paralelos artísticos, fruto de uma investigação bem organizada, que se estende ainda à iluminura do Compromisso original, e a outros elementos decorativos da própria ermida.
Um bom trabalho de História da Arte e um contributo para a revalorização desse património artístico ainda obscuro, eis o que Filomena Malva propõe nesta sua leitura analítica sobre uma peça que as condicionantes do isolamento e a desmemória sobre os lugares recônditos do país tornaram uma verdadeira relíquia do esquecimento.
Vitor Serrão (Professor de História de Arte da Faculdade de Letras de Lisboa)»
Vitor Serrão (Professor de História de Arte da Faculdade de Letras de Lisboa)»
O retábulo da Capela-mor da Constantina (III) «Numa leitura que seguimos, pela colocação e pela mensagem que traduz - "IUSTITIA ET PAX OSCVLATAE SUNT"-, a exposição pictórica da Virgem com o Menino ao Colo é bem reflexo da concepção naturalista na largueza dos paisagísticos antuerpianos na representações vegetalistas. A composição geometrizante das personagens, cujo debuxo obedece aos programas das gravuras (que neste caso nos parece ser a de um gravado segundo Guido Reni), traduz um vocabulário maneirista bem apreendido na concepção das mãos, mas inábil no posicionamento amaneirado da perna da Virgem. O seu rosto santificado, por expressão de um forte vocabulário moralesco, parece vir mesclar-se com as quedas de água que, segundo cremos, simbolizam o milagre ocorrido no Lugar da Constantina numa expressão de interiorização do artista com o meio ou numa petição dos encomendantes que aí reflectem o acolhimento dos seus anseios político--religiosos reforçados pela legenda, atrás referenciada, onde o Menino traduz a "Justiça e a Senhora a "Paz".»
«Do lado esquerdo está o interessante quadro representativo da Adoração dos Pastores sob a presença da Virgem e S. José, segundo padrões iconográficos persistentes. 0 traçado desta composição está em consonância com as linhas diagonais que induzem o espectador a fundos paisagísticos, penetrando com as suas "touches" lumínicas na intimidade da cena onde está inclusa a rígida e intrigante imposição do pastor do bordão. Esta obra, quando confrontada com as dos maneiristas que versam o mesmo tema-Campelo (tábua torrejana do Convento de Santo António, e mural do Refeitório de Santa Maria de Belém), Simão Rodrigues (Convento de São Domingos de Elvas), da parceria deste pintor e Domingos Vieira Serrão (Igreja de Nossa Senhora do Carmo e Capela da Universidade de Coimbra) passando pelas pinturas teixeirianas de Alcochete e de Figueiró – reflecte uma pessoal intencionalidade do pintor em tomar aquele figurino como o conivente interlocutor da simbologia existente entre as quedas de água e a Virgem, relevando-o pelo cromatismo e pela escala das composições do bordão e humana num contraposto incorrecto e fisionomia de esgares mal concebidos, limitações do autor no domínio de técnica e de signos pictóricos.Na continuação do estudo analítico do quadro sobreleva-se o aspecto bem vincado de naturalismo tenebrista, baseado nas raízes sevilhanas, que confere ao conjunto harmonioso das personagens, de forte tratamento do claro-escuro, um papel secundário em prol das fortes modelações lumínicas que divergem em gradações sequenciais da Virgem, modelo garbosamente rural, ao Menino, enaltecendo-a num brilho diáfano tradutor da pintura de circa 1600.19. Do cotejo que fizemos sobre o formulário global do quadro concluímos que o mesmo está bastante adstrível ao gravado do flamengo Cornelis Cort, de 1568 20, muito difundido pelas receitas do movimento maneirista, que os virtuosos epígonos de Campelo assumidos com a ideologia pós-tridentina, fizeram transparecer num vocabulário de estética de composição austera e mais despojada de elementos classicizantes. Nesta singularidade de linguagem pictórica o pintor da Constantina fez jus a esse vector, cumprindo a petição religiosa da Confraria da Nossa Senhora da Paz reiterada pela legenda TERRA PAX HOMINIBUS", e ao discurso laudatório da modernidade estética pelo tratamento da aparência dos figurinos e clareza dogmática dos princípios contra-reformistasl Esta representação imagética busca-se como o princípio e o fim da epifania do proto -barroco no conjunto retabular da capela.»
«Distanciada, a Virgem entrega a "dalmática" numa aproximação entre o celestial e o terreno. O tratamento artístico da casula, do báculo e da mitra traduz uma minúcia de pormenor detalhadamente naturalista, e remete para segundo plano as incorrecções que mãos intrometidas repintaram no manto da Senhora.
A cena descreve-se numa ambiência intimista, só quebrada por um arco de volta inteira que comunica com o exterior deixando vislumbrar uma "loggia" encimada por uma coluna perspectivamente mal concebida, e deixando penetrar as nuvens que o tratamento de luz e sombra concretizam.
O rigor da composição geométrica obedece ao novo formulário gramatical proto-barroco, pelo traçado de diagonais que se entrecruzam sobre o escapulário, numa concepção mais alargada do espaço, e permitem pontos de fuga que o artista perspectivou, conferindo fortes pinceladas lumínicas que dimanam da Virgem e se reflectem no cromatismo da casula, contrastando com o escuro das sombras da parte anterior dos panejamentos e dos fundos arquitecturais
A sua leitura iconográfica, contextualizada num momento de revigoração do culto mariano pós-tridentino na União Ibérica, refere-se à Imposição da Casula a Santo Ildefonso, governador da arquidiocese toledana de 657 a 667 pela sua diversificada actuação no âmbito da participação no VIII e IX Concílio de Toledo (ainda abade), de poeta, de orador e de teólogo inflamado na retórica que buscava os princípios ao Livro das Escrituras.»
Como eu vi a capela de Nossa Senhora da Paz
Altar Mor
Como eu vi a capela de Nossa Senhora da Paz
Altar Mor

Esta Imagem da Nossa Senhora da Paz na primeira vez que a vi lhe achei brutal semelhança com a Imagem da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Ambas são Imagens em roca cuja semelhança se possa aventar com segurança terem sido esculpidas na mesma altura , sem se saber se a Imagem de Nossa Senhora da Conceição pertenceu à ermida onde hoje é a igreja da Misericórdia.
Imagem que um grupo de pessoas da Constantina em 1623 foi de noite buscar à sacristia da matriz de Ansião, para os ansos não se darem conta, segundo Severim Faria na sua peregrinação a este Santuário em 1625 na companhia do Chantre de Évora, lhe dando o nome- Senhora da Paz, não o seria por se apresentar apenas sozinha de mãos erguidas em que este culto nascido em Toledo é representado por Maria Santíssima com o Menino Jesus no Braço esquerdo, segura com a mão direita um ramo de oliveira, símbolo da paz. Jesus tem na mão direita uma bola que representa o mundo e na esquerda outro ramo de oliveira. Quando a invocação é de Nossa Senhora Rainha da Paz, está geralmente coroada.
Tive conhecimento da existência de um Menino Jesus mutilado guardado numa gaveta e outro em ouro que se diz oralmente ter sido enterrado pela altura da 3ª invasão francesa...O vestido da Senhora é recente, em 1986 tinha no peito e na barra estrelas de David.
Procissão das velas da capela da Constantina para a capelinha da Fonte Santa e vice versa
Filarmónica de Ansião
Vista da frontaria da capelaFilarmónica de Ansião
No seu esplendor com o Maestro Simão Castela, um jovem promissor com muito mérito
De facto a capela é um belo exemplar que outro assim não há igual nas redondezas, absolutamente grandioso pela volumetria, pelas pedras, pelas colunas e pelo interior riquíssimo.
Alpendre com colunatas a lembrar a arquitectura romana
Lajeado no átrio do alpendre
Apresenta marca da fogueira deixada na passagem pelos desertores franceses da 3ª invasão depois de perdida a batalha do Buçaco na vez de se dirigirem para as Linhas de Torres para tomar Lisboa, fugiram pelas nossas terras matando, roubando e destruindo. Incendiaram a ermida de S. João das Lagoas e a do Senhor do Bonfim, ambas restauradas no século XX.Aqui na Constantina fizeram duas fogueiras uma no átrio e outra no corpo da capela, na Igreja da Misericórdia e na capela de Santo António ao Ribeiro da Vide, em todas a primeira a dar conhecimento das marcas.
A marca no lajeado do corpo da capela segundo me confidenciou o "Fernando Paciência".
Em pedra que mereceu limpeza, parece novo
Vista sobre o adro da capela de Nossa Senhora da Paz
No objecto de engrandecimento que o adro sofreu melhoramentos em virtude do pedido de classificação como Imóvel de Interesse Público.Há anos que aqui não vinha devo confessar que as demais benfeitorias foram feitas com sentido estético no bom gosto em nada fere o património.
Antes foi vendido o terreno para se fazer a escola primária e quando deixou de ter funções voltou a ser da Confraria. De arquitectura simples sem chocar o património religioso onde foram colocadas pequenas colunatas à semelhança do alpendre da capela e ainda na frente um espelho em mármore debruado a calçada portuguesa. Bom gosto.
A norte do adro o espaço foi ajardinado com canteiros enriquecido com calhaus redondos de boas proporções, numa visita na mesma altura encontrei um destes num muro nos Loureiros, em dizer tenham vindo de algures aqui perto- reporta para o passado geológico de milhões de anos, houve um grande rio e os calhaus ficaram depositados em camadas sedimentares, os volto a encontrar deste tamanho depois da Perucha, a caminho do Agroal, e mais pequenos onde hoje é o Intermaché, seria o leito do que hoje chamamos Nabão?
Podiam optar pelo plantio de mais oliveiras podadas em copa redonda como agora é uso, afinal a única árvore que aqui não colide com nada e convive bem com este passado rico.
Porta fechada para poenteEscadaria para o sino
Ao jus da que existe na capela da Venda do Negro
Sino datado de 1692.
Procissão à Senhora da Orada em Santiago da Guarda
«Em 1714, ano de grande seca aparece a referencia nas Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas do Licenciado Padre Cura Manuel Mendes, pároco de Nossa Senhora da Orada, da paróquia de Santiago da Guarda, que o Sr. Padre Manuel Ventura Pinho actualizou a grafia do texto «houve grande falta de água nesta terra, e pelas mais circunvizinhas, e da oitava do Natal até vinte e nove de Abril não choveu; fez-se nesta freguesia (da Orada) numa grande procissão, em que ia o Cristo da Igreja, a Nossa Senhora da Paz. Foram desta freguesia dezoito tabuleiros de trigo de oferta à Senhora. Ia muita gente acompanhando o Cristo, não somente desta freguesia mas das circunvizinhas todos a pedir água, por haver dela grande necessidade. Eu me ofereci a ir pregar de devoção, fomos tão bem sucedidos na nossa petição que quando dela viemos começam os ares a dar mostras de água, e naquela noite seguinte choveu por espaço grande e no dia seguinte todo o dia. Atribuímos que fora milagre da Senhora, e dali a nove dias fomos buscar o Cristo, em procissão com grande veneração, e naquele dia fizemos sermão à Senhora da Paz em acção de graças etc. e por verdade e lembrança para os vindouros fiz este acento hoje cinco de Maio de 1714.»
Casa do Capelão «Está escrito que a Confraria da Senhora da Paz pagava a um padre capelão para celebrar Missa pelo menos aos domingos e dias santos e conhece-se mesmo o nome de diversos capelães.
Se não lhe acodem a tempo, acaba como outros imóveis de interesse neste concelho.


A casa do capelão no alto sobranceira ao adro da capela
Achamento de pequena coluna
Aposta interessante seria a sua aquisição para nela instalar um auditório/galeria para exposição de artes e espolio que desejem ofertar para engrandecimento da terra e chamar o turismo.
A tradição dita que a casa do capelão seria a sua residência . Trata-se de uma casa muito grande com janelas de avental devia servir para hospedar outras pessoas que vinham à capela e às feiras francas duas vezes por ano. Parece datar de 1731 que não deslindei.
Se não lhe acodem a tempo, acaba como outros imóveis de interesse neste concelho.
Aposta interessante seria a sua aquisição para nela instalar um auditório/galeria para exposição de artes e espolio que desejem ofertar para engrandecimento da terra e chamar o turismo.
Não tenho a certeza, ficaram de me confirmar nesta Casa viveu uma família de apelido "Vaz" .
Teria sido Carlos Manoel Vaz falecido em outubro de 1928, cuja campa se encontra no cemitério de Ansião?Cuja sua 1ª esposa se chamava Constantina, com campa alta que se encontra na 1ª fila na entrada à esquerda do cemitério em pedra recentemente limpa.
A casa do capelão no alto sobranceira ao adro da capela

Em obras de remodelação da escada para o sino, apareceu há anos esta pequena coluna.
Poderá ter sido da primitiva capela? Pode até ser romana? Segundo Ilídio Valente, também existe um lavatório em cantaria semelhante que se encontra na sacristia.
No recinto do adro onde se faz o magusto dos irmãos da Confrariana na encosta visualiza-se uma pedra que parece de cantaria (?), a meu ver deveria ser avaliada e outras que supostamente poderão estar soterradas no local serem pertença da antiga ermida (?), seria interessante perceber a época que foi mandada construir.
Almoço onde distingo na primeira linha o Arlindo Moreira (Pirão) do Casal S. Brás casado com uma filha da terra a Graciana, foi meu colega no Externato, em baixo o Fernando(Paciência) e na diagonal é um Paz
Vista para sul da rampa da escadaria
Há anos estava muito descarrilada com as raízes da oliveiras. Pareceu-me francamente melhor.
O certo na toponomia?
Rocio da Capela
Livro Manuel Severim de Faria e a sua ida a Maçãs de D. Maria
Autor: Engº Ricardo Charters d’Azevedo
«(...) Manuel Severim de Faria, clérigo nascido em Lisboa, respigando o que outros autores escreveram mais ou menos desenvolvidamente sobre ele. Apesar da sua actividade intensa como sacerdote, historiador, arqueólogo, numismata, genealogista e escritor, incide-se especialmente na sua faceta de cronista de viagens, em particular nas páginas 146 e 147a viagem que fez na companhia do tio Chantre de Évora, de onde partiram e aonde voltaram, para conhecer os santuários da Nazaré, Ansião ( Constantina) e de Nossa Senhora dos Covões em Alvaiázere , sendo que depois de Tomar passaram por Ceiras, narrando a forma como foi recebido em "Maçans de Dona Maria" onde pararam em casa da sua irmã alegremente e regalados com contínuos banquetes de diuersas iguarias assi de carnes como de fruitas e pescados" . (...) afirma que a Vila aem Agosto de 1625, tem 27 vesinhos e posta em hum pequeno monte donde fica muito descuberta aos ventos, que nela naõ faltaõ. Tem muitas e boas fontes, he bastantemente abundante de fruitas, assi sedo como do tarde, os edifícios são pobres, a comenda della possue hoje D. Cristóvão Manoel, em cuja casa estivemos, 3 feira que foraõ 12 d’Agosto partimos para Nossa Senhora da Paz, que he hua Igreja fabricada de dous annos para qua no termo da Villa de Ansiaão no lugar de Constantina, que será de 50 vesinhos pouco mais ou menos. Era esta igreja antigamente uma pequena ermida e porque estava falta de imagem pedirão aos d’Ansião lhe desse esta senhora, que eles tinhaõ na Samchristia, por ser perceito do Bispo, que não tevessem na igreja imagem vestida. Comsedeosele aos da Constantina o pediaõ. Porem pela muita devoção que os moradores da vila tinhaõ a esta Senhora foi necessário trazerem a Imagem de noite por evitar algûa repugnância, que os Ansos de Ansião podiaõ fazer se se viraõ despoiados deste tesouro dispois de hum anno, que hauia a Senhora estava nesta hirmida (...) A Imagem da Senhora, sem se saber a origem do seu orago, teria sido espólio da primitiva igreja, em reservas na sacristia, levada de noite em 1622 para engrandecer a nova capela da Constantina no culto dinamizado em Toledo à Senhora da Paz no apaziguamento de guerras religiosas que grassavam ainda em Espanha entre cristãos e mouros.
Excertos transcritos de documentos que esta Confraria possui publicados em livro pelo Dr Manuel Dias SEM QUALQUER CORRELAÇÃO cuja leitura distingo e partilho.
«(...) em 25-06 de 1697 o alvará das feiras francas, a conceder autorização aos oficiais da Confraria para cobrança do terrádego aos feirantes, alugava tábuas, alpendres e ainda disponibilizava duas casas.Existem alguns aforamentos entre 1815/8 de vendedores que se deslocavam de longe desde Tomar, chegavam de antevéspera ou véspera para arranjar melhores locais. Aforão nove lugares de Vala (de Ourique)- que o autor não conseguiu decifrar (?) Jozé da Cruz Marto; Manoel Marquez Loirenço e da outra banda Joze Marquez Loirenço; aforão José Pedro de Condeixa, em 1815 dois lugares pegados à capella; aforô Manoel António Roriz Guimaes o lugar pegado à loja de baetas de João Batista de Soire da parte de tras em 24 de janeiro de 1817; aforô Sr Joze Caetano de Soire hum alpender o de cima o Lugar do meio - 1.000 por cada um , 23 de janeiro de 1815» A centúria de 800 com sourenses vendedores na feira Franca dos pinhões na Constantina, segundo registos da Confraria.
«Em 1775 venda do olival do Rossio em volta da capela por preço muito inferior ao valor real que provocou grande consternação por muitos irmãos...» Denota jogo de interesses familiares, sem olhar ao conceito da Irmandade da Confraria, em privilegiar apenas um em detrimento do todo .
Segundo o autor João Freire seria irmão Francisco Freire, ambos dos Netos, este em 1775 Mordomo da Confraria e nesta data João Freire aproveitando-se da função do seu irmão ser o Mordomo, comprou o olival do Rossio da Capela, sem ter dinheiro contraindo um empréstimo de 57.600 réis de valor inferior , quando valia 150.000 réis.Explica o sofisma que está desde o inicio interligado ao conceito do Milagre, das esmolas e dos empréstimos a juro - o início do conceito da Banca.
«Em 1774 aparecem nomes a quem foi dado empréstimos:Manuel Roriz Valente ;Manuel Simões, João Freire;Lucas Pr.a Pegado; Manuel Roriz;João Pires;Maria dos Anjos, viúva de António Freire; Luísa Maria, viúva; João de Barros;Maria Godinha; Manuel Roriz da Paz;Manuel da Costa;José Mendes ;António Duarte Faveiro;Joaquim Marques;José da Silva; Narciso Caetano;Francisco Dias e,...» Dá uma dimensão dos apelidos existentes na altura,
«Em 1786 roubo na capela, vários objectos em ouro foram roubados da NS da Paz durante a norte com arrombamento da porta a norte.» Não especifica os objectos roubados.
A casca grossa das pinheiras rica em taninos foi usada para curtir couros cuja indústria veio a florescer em Pernes, mas a sua origem tenha sido Guimarães, explica a migração interna de gente de norte para sul e sua concentração no centro e daqui para a região de Torres Novas e ainda do apelido - Guimarães, em Ansião foi vivo até meados do século XX . Por fim jamais foi entrave a serra das Degracias para casamento, vendedores na feira da Constantina e a trabalho.
«Em 1811 as invasões francesas na sua passagem a feira de 24 de janeiro não se realizou, nem missas e as casas e alpendes da confraria foram incendiados.» O autor não fez menção das duas marcas de fogueira, uma no lajeado do alpendre e outra no corpo da capela.
«Em 1850 a confraria recebeu um legado de 200 000 réis que reforçou a carteira agora com 350.000.» Não é mencionado quem fez a doação.
«Em 1892 as feiras francas - 24 de janeiro e 2 de julho transferiram-se para Ansião , por deliberação camarária, a pedido dos comerciantes da vila.» O autor nada refere sobre o que ficou acordado e não se veio a cumprir.
«(...) em 25-06 de 1697 o alvará das feiras francas, a conceder autorização aos oficiais da Confraria para cobrança do terrádego aos feirantes, alugava tábuas, alpendres e ainda disponibilizava duas casas.Existem alguns aforamentos entre 1815/8 de vendedores que se deslocavam de longe desde Tomar, chegavam de antevéspera ou véspera para arranjar melhores locais. Aforão nove lugares de Vala (de Ourique)- que o autor não conseguiu decifrar (?) Jozé da Cruz Marto; Manoel Marquez Loirenço e da outra banda Joze Marquez Loirenço; aforão José Pedro de Condeixa, em 1815 dois lugares pegados à capella; aforô Manoel António Roriz Guimaes o lugar pegado à loja de baetas de João Batista de Soire da parte de tras em 24 de janeiro de 1817; aforô Sr Joze Caetano de Soire hum alpender o de cima o Lugar do meio - 1.000 por cada um , 23 de janeiro de 1815» A centúria de 800 com sourenses vendedores na feira Franca dos pinhões na Constantina, segundo registos da Confraria.
«Em 1775 venda do olival do Rossio em volta da capela por preço muito inferior ao valor real que provocou grande consternação por muitos irmãos...» Denota jogo de interesses familiares, sem olhar ao conceito da Irmandade da Confraria, em privilegiar apenas um em detrimento do todo .
Segundo o autor João Freire seria irmão Francisco Freire, ambos dos Netos, este em 1775 Mordomo da Confraria e nesta data João Freire aproveitando-se da função do seu irmão ser o Mordomo, comprou o olival do Rossio da Capela, sem ter dinheiro contraindo um empréstimo de 57.600 réis de valor inferior , quando valia 150.000 réis.Explica o sofisma que está desde o inicio interligado ao conceito do Milagre, das esmolas e dos empréstimos a juro - o início do conceito da Banca.
«Em 1774 aparecem nomes a quem foi dado empréstimos:Manuel Roriz Valente ;Manuel Simões, João Freire;Lucas Pr.a Pegado; Manuel Roriz;João Pires;Maria dos Anjos, viúva de António Freire; Luísa Maria, viúva; João de Barros;Maria Godinha; Manuel Roriz da Paz;Manuel da Costa;José Mendes ;António Duarte Faveiro;Joaquim Marques;José da Silva; Narciso Caetano;Francisco Dias e,...» Dá uma dimensão dos apelidos existentes na altura,
«Em 1786 roubo na capela, vários objectos em ouro foram roubados da NS da Paz durante a norte com arrombamento da porta a norte.» Não especifica os objectos roubados.
A casca grossa das pinheiras rica em taninos foi usada para curtir couros cuja indústria veio a florescer em Pernes, mas a sua origem tenha sido Guimarães, explica a migração interna de gente de norte para sul e sua concentração no centro e daqui para a região de Torres Novas e ainda do apelido - Guimarães, em Ansião foi vivo até meados do século XX . Por fim jamais foi entrave a serra das Degracias para casamento, vendedores na feira da Constantina e a trabalho.
«Em 1811 as invasões francesas na sua passagem a feira de 24 de janeiro não se realizou, nem missas e as casas e alpendes da confraria foram incendiados.» O autor não fez menção das duas marcas de fogueira, uma no lajeado do alpendre e outra no corpo da capela.
«Em 1850 a confraria recebeu um legado de 200 000 réis que reforçou a carteira agora com 350.000.» Não é mencionado quem fez a doação.
«Em 1892 as feiras francas - 24 de janeiro e 2 de julho transferiram-se para Ansião , por deliberação camarária, a pedido dos comerciantes da vila.» O autor nada refere sobre o que ficou acordado e não se veio a cumprir.
«A ecção da Confraria de NS da Paz , resultou da necessidade que se sentia, na freguesia de Ansião, de cuidar do culto a N S da Paz e de dar boa arrecadação às esmolas , que eram ofertadas em grande número , em virtude de muita gente que ia, em romagem , à Constantina e Fonte Santa. Foi em Ansião a 17 de outubro de 1623 , estando presentes o juiz do lugar e o juiz da igreja mais «outo homens dos Acordos dos ditos Concelho de Ancião(...) e porellesluizes foi dito aos outo homens dos Acordos, e ao pouo que presente estaua que pois a Sra da Paz lhes fazia tantas merces sendo seruda de os fauorecer comtantos; tam cõntinuos milagres; por essa causa auer muito grande concurso de gente devota que aella vem com suas esmolas e procissões que também vinhão a Senhora ; por conuir ao serviço da dita Senhora ; bem espiritual das suas almas, disserão elles os juizes aos dito outo homens do concelho; mais povo queera bem de todos juntos instituissem , & ordenasse Confraria à dita Senhora e se escrevessem por seus irmãos e confrades, e de todos se elegessem oficiais.Logo aí foram empossados pelo juiz do Lugar Thomé Roriz lhes deu juramento dos Santos Evangelhos em que puzerão as mãos , os primeiros oficiais que serviram a Confaria- Juiz João Freire o velho. Mordomos Gaspar Nunez de Ancian e Gregório Roriz da Ribeira (da Mata que vem do Alvorge para a Lagarteira).Escrivão - António Jorge da Constantina.
Acta nº 10 da sessão de 7 de julho de 1892
Cortesia da Dra Teresa Falcão da Biblioteca de Ansião
Tradução «José Lopes Vieira, José Simões, Manuel Leal Lopes, José Luiz Pinto Xavier Delgado como Administrador do concelho (...)Em seguida foi presente à comissão uma representação assinada por vários indivíduos, quase todos moradores nesta vila, pedindo-lhe a transferência das feiras que se costumavam fazer anualmente no lugar da Constantina, freguesia de Ansião, para esta vila. A câmara resolveu transferir para aqui as dictas feiras, onde deverão realizar-se nos mesmos dias em que se realizavam na Constantina, o qual se deverá fazer público por editais; e para não prejudicar os interesses da Confraria da Senhora da Paz, no mesmo lugar da Constantina pois que aquelas feiras lhe davam ali alguma receita para ajudar a fazer face às suas despesas, resolveu também incluir anualmente nos seus orçamentos, sendo necessário à referida corporação para custear as suas despesas, um contributo equivalente à importância que dantes ela lhe conferia.(...)» A Confraria da Senhora da Paz da Constantina no século XVII com o intuito de ajudar na conservação da sua Capela granjeou duas feiras para suportar as despesas. Ao terem sido transferidas para Ansião por decreto camarário de 1892 , constata-se na acta o compromisso da câmara contemplar no seu orçamento o montante que a Confraria angariava anualmente nas mesmas. Assim sendo como se explica a ponto do “O Inventário Artístico de Portugal” de 1955 inserir a respeito o seguinte desabafo: «O sacristão disse que o templo estava muito desmoralizado, e os inventariantes estiveram de acordo.»
Reflexão
Das duas uma - a câmara não procedeu aos pagamentos prometidos em acta, ou os fez durante algum tempo, sem se saber o destino que lhes deu o tesoureiro da Confraria! Seja óbvio nos livros da Confraria estejam mencionadas as verbas ou a falta delas para se deslindar a explicação para num hiato de 98 anos em que a capela pouco ou nada recebeu de obras de benfeitoria. E ainda saber se a Confraria durante um século tivesse alguma vez solicitado apoio financeiro à câmara para a reabilitar, uma vez que tinha perdido as receitas com as feiras, seria um pedido mais do que justo. O que transparece e desculpem a franqueza de suposto continuado esquema de enriquecimento pessoal quando o certo era ser da Confraria, para se deixar tanto ano seguido sem a mesma valorizar o seu mais rico património, no mesmo agravo os párocos que passaram por Ansião apenas se salvou o Padre Manuel Ventura Pinho na primeira vez que a visitou logo enxergou o real património!
Criminalidade na feira dos Pinhões na Constantina
Excertos https://archive.org/stream/memoriasdotempop01henr/memoriasdotempop01henr_djvu.txt
" 1802 — 4, 14 para 15, 20 (dois crimes neste dia), 23 e 31 de janeiro.Excertos https://archive.org/stream/memoriasdotempop01henr/memoriasdotempop01henr_djvu.txt
D — Noite de inverno,
n — 2 e 2 para 3 de fevereiro.
E cinco datas totalmente incertas, isto é, sem dia, nem mez, nem amio designado.
Nào se creia porém que está tudo dicto acerca das maldades da quadrilha.
A sentença depõe 1." de que alguns crimes foram descobertos ao acaso, isto é, por occasião de se investigar do outros que eram conhecidos
2.° e de que por esses mesmos de que ella se occupa, e porventura por outros mais não houve em tempo competente o menor procediínent o judicial .
Todas estas maldades se practicavam á vista das auctoridades publicas, cuja inércia somente pode explicar a existência e persistência do bando.
A sentença dá testemunho de que uma pistola havida pelo crime a tinha adquirido o escrivão da caudelaria, por compra, termo talvez empregado adrede para o salvar do crime de receptação e acoitador.
"Anno de 1803 - Salteadores
António Gomes (pae), 54 annos, natural de Constantina, concelho de Sarzadella, comarca de Coimbra, casado, trabalhador.
«(...) de Soares do sitio da Feira da Paz, concelho de Sarzadella (Constantina), onde a mesma
quadrilha practicou os escandalosos insultos, que ficam recontados, diz a sentença,
de certo no intuito do estupro violento, practicado ahi pelo réo. Foram alem dos
condemnados em penas pecuniárias desde 20;5000 a 200;)000 réis para 08 despezas
da Relação, já se sabe, e junctamente cora os cúmplices de menores penas também
nas custas do processo (a). "
Na década de 90
Graças ao empenho do pároco de Ansião Padre Manuel Ventura Pinho quando aqui veio imediatamente reconheceu o valor deste património religioso pelo que encetou o possível restauro do que era mais urgente. Fulcral a ajuda financeira dos grandes beneméritos, o Sr. João Pires e da sua esposa sendo ele daqui natural, a viver na região de Ílhavo, filantropo, atestado na toponímia, com muita honra pela grande ação benemérita, mais que merecido.Falta prestar honras ao Sr Padre antes que se reforme em o igualar no mesmo mérito em Ansião de ver o seu nome atestado na toponímia.
O grande benemérito João dos Santos Pires
Foto retirada da Página do Facebook da Confraria de Nossa Senhora da Paz
Sr. João dos Santos Pires com a esposa e os irmãos.
Só lá falta uma irmã que está no Brasil e, naturalmente, a que faleceu em criança. Alguns dos irmãos presentes nesta fotografia também já faleceram. Retirei um enxerto «HOMEM, também natural da Constantina, deu boas ajudas monetárias às principais Associações de Ansião: Centro Paroquial, Santa Casa da Misericórdia, Bombeiros Voluntários, Filarmónica Ansianense, etc e há Capela da sua Terra (Constantina) ofereceu a restauração das telas da capela-mor e dos altares laterais, assim como pagou a maior parte do último restauro do largo e nova capela da Fonte Santa.O Sr. João Pires nasceu a 27 de junho de 1926 e faleceu a 1 de maio de 2011. Natural da aldeia da Constantina, foi o 2.º filho mais velho de uma irmandade de 8 filhos. Uma das filhas morreu de acidente quando ainda era criança.Após o grande ciclone de fevereiro de 1941, apareceram por cá uns homens da zona de Aveiro para comprar e levar algumas árvores caídas que davam para a construção de barcos de pesca. O João tinha então 14 anos e foi um dos trabalhadores assalariados para o corte dessas árvores e seu transporte. Esses homens gostaram tanto dele que pediram autorização aos pais para o levar para Aveiro. E lá começou bem novo a luta por uma vida melhor. Na Gafanha da Nazaré conheceu aquela com quem casou – Graciana Ramos Loureiro, dali natural – o que o fixou definitivamente a essas paragens. Mas nunca esqueceu a Terra de origem e a família. Depois de uns anos a trabalhar por conta de outros, estabeleceu-se por conta própria e acabou por criar a fábrica de tratamento e secagem de bacalhau – a FRIAVEIRO – na Gafanha da Nazaré, talvez a melhor no seu ramo. Fui um dia visitá-lo com mais dois amigos e encheu-nos o carro de bacalhau. E do melhor que comi na minha vida!
Era muito amigo da esposa e, como não tinham filhos, criaram um sobrinho como se fosse filho, sem contudo nunca esquecerem os restantes familiares. Se alguma associação de bem-fazer lhes batia à porta, nunca iam embora de mãos vazias. A esposa faleceu pouco depois dele, em 23 de julho de 2011. Havia nascido em 25 de janeiro de 1932.
A Confraria da Constantina está-lhes muito grata!»
Um grande filantropo!
Um grande filantropo!
A Lenda da Fonte Santa em Ansião mereceu outra crónica .
FONTES
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/155603Pagina facebook da Igreja de Ansião
Livro da Confraria de Nossa Senhora da Paz do Dr Manuel Augusto Dias
Blog Viajando no Tempo do Dr Manuel Augusto Dias
Wikipédia
In “O retábulo-mor da Capela de Nossa Senhora da Paz
No lugar da Constantina”de Filomena Malva da Editora Serras de Ansião
Livro do Padre José Eduardo Reis Coutinho de 1986
Património Religioso do Concelho de Ansião de António Jesus Simões, Joana Patrícia Dias e Manuel Augusto Dias
Testemunhos; Padre Manuel Ventura Pinho e Renato Freire da Paz
Fotos da Pagina da Confraria de Nossa Senhora da Paz
Acta nº 10 da sessão de 7 de julho de 1892
Livro Manuel Severim de Faria e a sua ida a Maçãs de D. Maria do Engº Ricardo Charters d’Azevedo
Memórias Paroquiais Setecentistas
https://archive.org/stream/memoriasdotempop01henr/memoriasdotempop01henr_djvu.txt




















































