Nossa Senhora Grávida, da Expectação, do Ó ou da Hora - o Mayor Tesouro na Religiosidade de Ansião. Que poucos conhecem!
Sem menção no Livro Património Religioso do Concelho de Ansião publicado em 2008 pela Câmara de Ansião no mandato PSD dos autores António Jesus Simões, Joana Patrícia Dias e Manuel Augusto Dias
O livro reforça o que o Padre José Eduardo Reis Coutinho já tinha referenciado nesta temática no seu Livro de 1986 a que foi acrescentada a simbologia de Alminhas , cariz fúnebre e outras, a vida dos Santos e o culto mariano - apresenta alguns erros e omissões, ainda assim pioneiro sem o ícone Maior do Património Religioso de Ansião na referencia à Imagem da Senhora d´O e de património religioso desaparecido!
Tão pouco nenhum dos autores referenciou a Imagem de S. Lourenço da capela do cemitério.Por mim dada a conhecer quando a encontrei em dia que a porta estava aberta, assim prostrada no chão...Pedi ajuda do Padre Manuel Ventura Pinho que se deslocou à capela onde a Imagem foi recolocada no altar e reconhecida como sendo de S. Lourenço. Imagem em pedra antiga a reportar para semelhança da Imagem de Santa Marta e de Santa Luzia nos Escampados - o livro de baptismos na centúria de 500 com forte ligação de gente deste lugar (Vale Mosteiro) em apadrinhar crianças a merecer estudo e catalogação das Imagens.
Despertei para a existência de outras Imagens na leitura da crónica de Severim Faria
(...) o povo da Constantina veio em procissão de noite à sacristia da matriz de onde levaram uma Imagem de uma Senhora -( Paz) o orago, que lhe quiseram acresacentar para os ansos não se darem conta, pois eram muito chegados àquela Senhora - Imagem leve em roca escura e sem roupagem a evidenciar antiguidade, teria sido espólio da primitiva Igreja sediada no palcxo do actual cemitério . Sendo que a ermida de NSConceição, cujo portal de arco quebrado gótico ainda existe no tardoz da Misericórdia com orago a Nossa Senhora da Conbceição, seja a actual Imagem da padroeira na matriz- em que a diferença das duas Imagens reside na actual chamada Nossa Senhora da Paz é maior que a Imagem da padroeira. A Imagem levada da sacristia não retrata a Nossa Senhora da Paz, pela falta do Menino nos braços com o Mundo na mão e a Senhora sem o ramo de oliveira, e sim uma Nossa Senhora simples muito semelhante à Imagem de NSConceição, hoje orago da matriz, teriam ambas sido executadas na mesma oficina cuja arte do santeiro perdurou no tempo. Por volta de 1622 viveu na Constantina António Simões e Páscoa Pereira tiveram uma filha Maria Freire irmã dos Padres Manuel Álvares da Paz e de Domingos Álvares da Paz (Noronha) que viveram na Quinta das Lagoas. Os seus pais naturais da Constantina teriam sido um dos mentores para credenciar o Milagre da Fonte Santa e da construção de uma nova capela com alpendre, para albergar os romeiros que aqui aportavam em busca de curas milagrosas, ainda existe terminada em 1623.
No meu opinar, o povo da Constantina fazia parte de uma pequena comunidade judaica ali aportada na centúria de 500 explorando a actividade de moinhos de água e lagares. O Milagre da Fonte Santa, a escamoso um quilometro da Constantina foi relacionado com uma nascente que rebentou em chão arenoso e de saibro, seco, em pleno agosto, e se explica em zona cársica de algares que armazenam a água das chuvas e ao atingir a cota máxima e por razões várias, inclusive tremores de terra, faz com que nascam novas fontes e outras sequem, contudo estes fenómenos inexplicáveis na centúria de 600 se explicavam como sendo um fenómeno milagroso atribuído à sua acreditação religiosa e fanática na fé católica, a que tinham sido obrigados a professar. E o orago a Senhora da Paz da sua nova capela para atrair mais romeiros, por terem andado de fuga em fuga e guerrilhas com mouros sendo seu desejo ter paz, o orago que nasceu em Toledo.
Nossa Senhora da Paz na Constantina
Imagem de Nossa Senhora da Paz
O meu compadre Fernando Moreira ligado à Irmandade da Igreja numa das muitas conversas que temos sobre Ansião e da Igreja falou-me há anos da existência da Imagem de Nossa Senhora d´Ó . O ano passado sugeri para encetar autorização para a vir a conhecer, aconteceu em dia de Páscoa.Agradeço incondicionalmente ao Sr. Padre Manuel Ventura Pinho a oportunidade que me foi facultada. A Imagem encontra-se guardada a sete chaves em alta segurança. Mal a contemplei destapada petrifiquei pelo tamanho a rondar um metro medido pelo meu olhar, exala uma extraordinária beleza e candura imensurável, esculpida em fino e delicado detalhe por mão de artista em reportar tamanha semelhança à escultura que conhecemos da Rainha Santa Isabel pelas vestes cingidas pelo cinto de pedrarias e o manto apertado ao peito com pregadeira quadrada e a mão de dedos aberta na carícia ao ventre, de fino e delicado rosto oval ao jus ao da minha filha que herdou do pai, a reportar para genes do povo eslavo que se fixou entre Coimbra e Ansião na centúria de 300, quando a Imagem teria sido esculpida ('?), pintada em policromia, apenas os olhos a merecer restauro, o vestido com folho no términus, e botões finos na manga, os cabelos compridos, caem em caracol . Na altura o Sr.Padre Manuel Pinho disse-me que podia tirar foto para mim, mas não a podia publicar pelas razões que se compreendem, preferi não tirar. Um pormenor importante para possível autenticação desta obra ao Mestre Pêro são os cabelos caírem em caracol. Confidenciou-me ainda o Sr Padre Manuel Pinho em tempos tinha pedido ao Sr Bispo de Coimbra para a expor, que lhe respondeu não haver altar em Ansião que a suporte. O que é verdade, pois é em pedra e grande. Assim continua em reservas o maior património religioso do concelho de Ansião, apenas adorado pelo povo enquanto fez parte da capela particular dos nobres da Quinta das Sarzedas, em Ansião.
Realçar a sorte que Ansião teve por ainda deter este património de incalculável valor no seu espolio religioso se atender a tanto padre a passar pela paróquia a não lhe conferir suposta importância que bem merecia, ou não, na pretensa maior de a manter escondida e por isso não foi alvo do Inventario Artístico de 1955 em que teria a mesma sorte da Virgem de Podentes actualmente no Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra, e isso é de louvar!
Impressionada com a Imagem havia de partilhar o que senti numa conversa casual com o Renato Freire da Paz e ao falar do escultor Mestre Pêro, autor de algumas Imagens de Virgens e de Nossa Senhora d'Ó, além do túmulo da Rainha Santa Isabel e,...diz-me « esta Imagem das senhoras gravidas teve inspiração na Isís no Egipto, inspiradas em cultos mais antigos, o que não invalida a evolução da humanidade na direção a Deus . Na igreja do castelo de Montemor o Velho também existe uma.»
Escultor Mestre Pêro do séc. XIV
A vida e obra deste escultor no Matriznet
« Na história da escultura portuguesa, Mestre Pero, de provável origem aragonesa, tem sido distinguido como o escultor cuja produção se individualiza com personalidade artística própria, entre o segundo início e o fim do terceiro quartel do século XIV. Tal facto justifica-se sobretudo porque a sua oficina foi identificada documentalmente o que, por análise formal comparativa, permitiu outorgar-lhe outras obras distribuídas pela quase totalidade da geografia do território nacional, com a particularidade de ter esculpido quase todas elas em calcário oolítico extraído das pedreiras da região de Ançã. Considera-se que a primeira das suas obras tenha sido o túmulo de D. Isabel, princesa de Aragão e mulher de D. Dinis, executado para o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, plausivelmente em execução c. 1326 e já terminado em 1330. Apesar da presumível ligação ao conjunto de encomendas empreendidas sob a égide desta Rainha, só volta a surgir documentado anos mais tarde, em 1334, referido como o “mestre das imagens” do túmulo do Arcebispo de Braga D. Gonçalo Pereira (m. 1348), que executou em parceria com mestre Telo Garcia, este último identificado como morador em Lisboa, conservado na Capela da Glória da Sé de Braga. Ainda em 29 de Janeiro de 1337, o pagamento do Túmulo de D. Vataça Lascaris de Ventimiglia, dama da corte da rainha Isabel, na Sé Velha de Coimbra, volta a mencioná-lo como mestre. Por comparação estilística com a obra destes túmulos documentados e a associação ao túmulo da rainha Isabel (hoje na igreja de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra), a fortuna escultórica de Mestre Pero tem sido sucessivamente enriquecida, estando-lhe atribuídos sepulcros, como o de Domingas Sabanchais e Domingues Joanes (capela dos Ferreiros, Oliveira do Hospital), a arca tumular de Rui do Casal (São João de Alporão, Santarém), o túmulo de João Gordo conservado na Sé do Porto, uma hipotética participação na obra do Apostolado da Sé de Évora (Dias 2003), e um conjunto de imagens devocionais, que denotam afinidades nos modos de tratamento das figurações.
Segundo Reynaldo dos Santos e Vergílio Correia uma série de esculturas femininas lavradas na primeira metade do século XIV podem relacionar-se com o léxico formal dos túmulos de Coimbra e de Braga (Correia 1940; Santos 1948).
Uma Virgem com o Menino que se conserva no Museu Nacional de Arte Antiga - Inv. 984 Esc, proveniente da Colecção de Ernesto Vilhena (Carvalho 1999, p. 72) – foi identificada como a cabeça de série ou modelo deste grupo de imagens que representam Santas de várias invocações ou a Virgem Maria e aproximada do grupo da Anunciação (Arcanjo São Miguel e Virgem Maria) da igreja de Santa Maria da Alcáçova de Montemor-o-Velho. As figuras apresentam um ritmo corporal de atitude levemente sinuosa, rostos ovais emoldurados por madeixas de cabelos alisados caídos sobre os ombros - mas formando um caracol muito característico sobre a orelha -, queixos pequenos, triangulares e salientes, olhos amendoados delineados à face, mãos com dedos cilíndricos e alongados. Véus curtos, muitas vezes presos nas coroas, túnicas que envolvem os pés em pregas requebradas, drapeados de volume generoso a criarem sombras profundas nas partes inferiores dos vestidos, jóias lobuladas a ornamentarem os decotes largos ou a cingirem os mantos, cintos a reproduzirem com preciosismo o trabalho do couro, retratam roupagens que seguem a moda da época trecentista. Na composição escultórica regista-se o contraposto denunciado pela postura das pernas sob os requebros das vestes: em quase todas as imagens ora o joelho direito se anuncia flectido para deixar a perna esquerda em tensão, ora os pés se apresentam um mais avançado do que outro ao recortarem-se das bases. Nestes moldes enquadra-se não só o busto da Virgem (Inv. 3995 E22), proveniente de Montemor-o-Velho, mas também a escultura de uma Santa Mártir (Inv. 647 E19) do MNMC, a Virgem proveniente de Podentes, igualmente do MNMC (Inv. 4069 E24), como outra Virgem com o Menino do MNAA (Inv. 1087 Esc) ou as Virgens da Expectação do MNAA (Inv. 1990 Esc), do Museu de Lamego (Inv. 129 e Inv. 130) e a do MNMC (Inv. 645 E20), todas elas de maior escala do que a imagem-modelo feminina associada pelos historiadores directamente à mão do mestre. A proporção alongada comum a estas esculturas femininas seria paralela ao domínio técnico que o mestre estava habituado a aplicar nas dimensões naturais dos jacentes tumulares. Outras características formais de imagens esculpidas nos túmulos documentados, nomeadamente dalgumas personagens masculinas, como a do chapéu de copa alta e pala da arca de D. Gonçalo Pereira, repetem-se em esculturas de vulto exentas, como acontece no São Tiago do chapeirão, proveniente da Colecção do Comandante Ernesto Vilhena conservado no MNAA (Inv. 992 Esc), ou a tão característica modelação dos cabelos masculinos em dois cachos enrolados compridos dispostos paralelamente ao rosto presente, por exemplo, no São Tiago do MNMC (Inv. 644 E 17). A origem e a formação de Mestre Pero; os motivos da sua vinda para Portugal; a ligação aos círculos de encomenda da corte dionisina e isabelina; a estrutura e organização da sua oficina; a permanente opção pelo calcário brando de Ançã que tem feito com que o seu nome surja à cabeça de uma "escola" de escultura trecentista em Coimbra dominando sobre outros centros de produção nacionais, assim como a distinção entre o que foi o seu trabalho de imaginário e o dos oficiais seus colaboradores, mantêm-se historiograficamente como questões em debate.»
Nossa Senhora do Ó, Hora, Virgem do Ó, Nossa Senhora da Expectação e Virgem da Esperança
São algumas designações atribuídas à Virgem da Expectação, invocação mariana da Virgem Maria grávida, que vigorou com plena aceitação na produção nacional, repercutindo-se o protótipo medieval até aos tempos presentes.
Uma das três iconografias marianas mais representadas durante os séculos XIV e XV.
Na dissertação de Mestrado de Rooney Figueiredo Pinto sobre a Iconografia mariana no espaço jesuíta português no culto e devoção à Virgem Maria na Igreja do Colégio Jesuíta de Coimbra encontrei a melhor explicação muito completa para a difusão deste culto em Portugal e nomeadamente em Ansião e limítrofes (...)O décimo concílio de Toledo, realizado em 656, institui a primeira festa dedicada à Virgem Maria em Espanha. A festa passa a ser celebrada no dia 18 de Dezembro sob o título de Concepção da Virgem, também conhecida como celebração à Virgem do Ó. Santo Ildefonso, arcebispo de Toledo (657-667), escreve o tratado sobre a “La virgindad perpetua de Santa María” , ratificando a forte presença devocional à Virgem Maria no território espanhol. A popularidade do culto e devoção às imagens está associada à crença de que eram feitas pela intervenção divina. O calabrense João VII, que esteve no papado de 705 a 707, como devoto mariano promoveu o culto à Virgem Maria e encomendas de oratórios ricamente ornados com temas marianos (...)Na Península Ibérica, a presença islâmica provoca a adaptação e convivência entre conquistadores e conquistados. “Os territórios foram conquistados, muitos deles por capitulação, tendo os cristãos e os judeus o direito de permanecerem na posse de seus bens e liberdade de culto, em troca de um tributo” . Em Portugal, nomeadamente na antiga Aeminium (atual Coimbra), uma certa tolerância religiosa permitiu a coexistência de judeus, cristãos e muçulmanos. Foi permitido o culto cristão e a permanência do bispo na cidade o que favoreceu a permanência da devoção mariana e o culto às imagens. (...) A arte carolíngea torna-se numa forte difusora dos ícones cristãos, nomeadamente dos ícones marianos. A difusão dos ícones e culto à Virgem Maria, manifesta-se de diversas formas: materiais de uso litúrgico, objetos pessoais de bispos, relicários, etc(...) A popularização do culto à Virgem, aos Santos e ao Divino Espírito Santo era incontestável nos finais da Idade Média . Por outro lado, a pressão cultural exercida pela emergência da cultura humanista que crescia nas universidades, em especial de Paris, Bolonha e Pádua, colocava em alerta as autoridades da Igreja. A reflexão teológica humanista buscava um alinhamento entre as ideias do filósofo pagão Aristóteles e a teologia cristã, onde Deus é o princípio e o fim de todo o conhecimento. Essa racionalização da fé, com a introdução de um Deus Trino (Pai, Filho e Espírito Santo), revelava também uma maior entrada do Novo Testamento nas reflexões sobre a Encarnação do Verbo e o papel de Maria...»
Na pagina Facebook das suas Memórias o Padre Manuel Ventura Pinho
«Negavam os albigenses a Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo e, em consequência, todas as outras verdades da Fé, com especial ênfase na Sagrada Eucaristia.Para suster a expansão dessa doutrina deletéria esforçaram-se os monges cistercienses e, sobretudo, o grande São Domingos de Gusmão, que criou a chamada Ordem do Pregadores para ensinar ao povo a verdadeira doutrina e afastá-lo daquelas heresias. E o nosso Santo António, embora pertencendo à Ordem fundada por S. Francisco – os Mendicantes - para ajudar os pobres, foi encarregado do mesmo trabalho: ajudar as pessoas a compreenderem que tudo foi criado por um único Ser, o Deus amoroso de Jesus Cristo. Procurou-se também fomentar a devoção a Nossa Senhora grávida, ou seja, à tradicional Senhora do Ó.Penso que as muitas igrejas e capelas consagradas à Senhora do Ó, ou onde ainda existe essa imagem da Senhora grávida terão origem nesse movimento de contrariar essas doutrinas maléficas de achar que o corpo - e sobretudo o sexo - é obra do Diabo.É o caso da Capela da Senhora do Ó de Câneve na Cumeeira, a Senhora da Orada de Santiago da Guarda e mesmo a igreja de Ansião onde ainda existe a imagem da Senhora do Ó que foi de uma capela particular. Na altura todas as igrejas dedicadas a Nossa Senhora eram conhecidas como igrejas de Santa Maria, como se pode ver no “Catálogo de todas as Igrejas que havia em Portugal em 1320 e 1321”. Mais tarde é que aparecem os títulos de Senhora da Graça, da Encarnação, do Pranto, etc...»
« Na história da escultura portuguesa, Mestre Pero, de provável origem aragonesa, tem sido distinguido como o escultor cuja produção se individualiza com personalidade artística própria, entre o segundo início e o fim do terceiro quartel do século XIV. Tal facto justifica-se sobretudo porque a sua oficina foi identificada documentalmente o que, por análise formal comparativa, permitiu outorgar-lhe outras obras distribuídas pela quase totalidade da geografia do território nacional, com a particularidade de ter esculpido quase todas elas em calcário oolítico extraído das pedreiras da região de Ançã. Considera-se que a primeira das suas obras tenha sido o túmulo de D. Isabel, princesa de Aragão e mulher de D. Dinis, executado para o Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, plausivelmente em execução c. 1326 e já terminado em 1330. Apesar da presumível ligação ao conjunto de encomendas empreendidas sob a égide desta Rainha, só volta a surgir documentado anos mais tarde, em 1334, referido como o “mestre das imagens” do túmulo do Arcebispo de Braga D. Gonçalo Pereira (m. 1348), que executou em parceria com mestre Telo Garcia, este último identificado como morador em Lisboa, conservado na Capela da Glória da Sé de Braga. Ainda em 29 de Janeiro de 1337, o pagamento do Túmulo de D. Vataça Lascaris de Ventimiglia, dama da corte da rainha Isabel, na Sé Velha de Coimbra, volta a mencioná-lo como mestre. Por comparação estilística com a obra destes túmulos documentados e a associação ao túmulo da rainha Isabel (hoje na igreja de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra), a fortuna escultórica de Mestre Pero tem sido sucessivamente enriquecida, estando-lhe atribuídos sepulcros, como o de Domingas Sabanchais e Domingues Joanes (capela dos Ferreiros, Oliveira do Hospital), a arca tumular de Rui do Casal (São João de Alporão, Santarém), o túmulo de João Gordo conservado na Sé do Porto, uma hipotética participação na obra do Apostolado da Sé de Évora (Dias 2003), e um conjunto de imagens devocionais, que denotam afinidades nos modos de tratamento das figurações.
Segundo Reynaldo dos Santos e Vergílio Correia uma série de esculturas femininas lavradas na primeira metade do século XIV podem relacionar-se com o léxico formal dos túmulos de Coimbra e de Braga (Correia 1940; Santos 1948).
Uma Virgem com o Menino que se conserva no Museu Nacional de Arte Antiga - Inv. 984 Esc, proveniente da Colecção de Ernesto Vilhena (Carvalho 1999, p. 72) – foi identificada como a cabeça de série ou modelo deste grupo de imagens que representam Santas de várias invocações ou a Virgem Maria e aproximada do grupo da Anunciação (Arcanjo São Miguel e Virgem Maria) da igreja de Santa Maria da Alcáçova de Montemor-o-Velho. As figuras apresentam um ritmo corporal de atitude levemente sinuosa, rostos ovais emoldurados por madeixas de cabelos alisados caídos sobre os ombros - mas formando um caracol muito característico sobre a orelha -, queixos pequenos, triangulares e salientes, olhos amendoados delineados à face, mãos com dedos cilíndricos e alongados. Véus curtos, muitas vezes presos nas coroas, túnicas que envolvem os pés em pregas requebradas, drapeados de volume generoso a criarem sombras profundas nas partes inferiores dos vestidos, jóias lobuladas a ornamentarem os decotes largos ou a cingirem os mantos, cintos a reproduzirem com preciosismo o trabalho do couro, retratam roupagens que seguem a moda da época trecentista. Na composição escultórica regista-se o contraposto denunciado pela postura das pernas sob os requebros das vestes: em quase todas as imagens ora o joelho direito se anuncia flectido para deixar a perna esquerda em tensão, ora os pés se apresentam um mais avançado do que outro ao recortarem-se das bases. Nestes moldes enquadra-se não só o busto da Virgem (Inv. 3995 E22), proveniente de Montemor-o-Velho, mas também a escultura de uma Santa Mártir (Inv. 647 E19) do MNMC, a Virgem proveniente de Podentes, igualmente do MNMC (Inv. 4069 E24), como outra Virgem com o Menino do MNAA (Inv. 1087 Esc) ou as Virgens da Expectação do MNAA (Inv. 1990 Esc), do Museu de Lamego (Inv. 129 e Inv. 130) e a do MNMC (Inv. 645 E20), todas elas de maior escala do que a imagem-modelo feminina associada pelos historiadores directamente à mão do mestre. A proporção alongada comum a estas esculturas femininas seria paralela ao domínio técnico que o mestre estava habituado a aplicar nas dimensões naturais dos jacentes tumulares. Outras características formais de imagens esculpidas nos túmulos documentados, nomeadamente dalgumas personagens masculinas, como a do chapéu de copa alta e pala da arca de D. Gonçalo Pereira, repetem-se em esculturas de vulto exentas, como acontece no São Tiago do chapeirão, proveniente da Colecção do Comandante Ernesto Vilhena conservado no MNAA (Inv. 992 Esc), ou a tão característica modelação dos cabelos masculinos em dois cachos enrolados compridos dispostos paralelamente ao rosto presente, por exemplo, no São Tiago do MNMC (Inv. 644 E 17). A origem e a formação de Mestre Pero; os motivos da sua vinda para Portugal; a ligação aos círculos de encomenda da corte dionisina e isabelina; a estrutura e organização da sua oficina; a permanente opção pelo calcário brando de Ançã que tem feito com que o seu nome surja à cabeça de uma "escola" de escultura trecentista em Coimbra dominando sobre outros centros de produção nacionais, assim como a distinção entre o que foi o seu trabalho de imaginário e o dos oficiais seus colaboradores, mantêm-se historiograficamente como questões em debate.»
Nossa Senhora do Ó, Hora, Virgem do Ó, Nossa Senhora da Expectação e Virgem da Esperança
São algumas designações atribuídas à Virgem da Expectação, invocação mariana da Virgem Maria grávida, que vigorou com plena aceitação na produção nacional, repercutindo-se o protótipo medieval até aos tempos presentes.
Uma das três iconografias marianas mais representadas durante os séculos XIV e XV.
Na dissertação de Mestrado de Rooney Figueiredo Pinto sobre a Iconografia mariana no espaço jesuíta português no culto e devoção à Virgem Maria na Igreja do Colégio Jesuíta de Coimbra encontrei a melhor explicação muito completa para a difusão deste culto em Portugal e nomeadamente em Ansião e limítrofes (...)O décimo concílio de Toledo, realizado em 656, institui a primeira festa dedicada à Virgem Maria em Espanha. A festa passa a ser celebrada no dia 18 de Dezembro sob o título de Concepção da Virgem, também conhecida como celebração à Virgem do Ó. Santo Ildefonso, arcebispo de Toledo (657-667), escreve o tratado sobre a “La virgindad perpetua de Santa María” , ratificando a forte presença devocional à Virgem Maria no território espanhol. A popularidade do culto e devoção às imagens está associada à crença de que eram feitas pela intervenção divina. O calabrense João VII, que esteve no papado de 705 a 707, como devoto mariano promoveu o culto à Virgem Maria e encomendas de oratórios ricamente ornados com temas marianos (...)Na Península Ibérica, a presença islâmica provoca a adaptação e convivência entre conquistadores e conquistados. “Os territórios foram conquistados, muitos deles por capitulação, tendo os cristãos e os judeus o direito de permanecerem na posse de seus bens e liberdade de culto, em troca de um tributo” . Em Portugal, nomeadamente na antiga Aeminium (atual Coimbra), uma certa tolerância religiosa permitiu a coexistência de judeus, cristãos e muçulmanos. Foi permitido o culto cristão e a permanência do bispo na cidade o que favoreceu a permanência da devoção mariana e o culto às imagens. (...) A arte carolíngea torna-se numa forte difusora dos ícones cristãos, nomeadamente dos ícones marianos. A difusão dos ícones e culto à Virgem Maria, manifesta-se de diversas formas: materiais de uso litúrgico, objetos pessoais de bispos, relicários, etc(...) A popularização do culto à Virgem, aos Santos e ao Divino Espírito Santo era incontestável nos finais da Idade Média . Por outro lado, a pressão cultural exercida pela emergência da cultura humanista que crescia nas universidades, em especial de Paris, Bolonha e Pádua, colocava em alerta as autoridades da Igreja. A reflexão teológica humanista buscava um alinhamento entre as ideias do filósofo pagão Aristóteles e a teologia cristã, onde Deus é o princípio e o fim de todo o conhecimento. Essa racionalização da fé, com a introdução de um Deus Trino (Pai, Filho e Espírito Santo), revelava também uma maior entrada do Novo Testamento nas reflexões sobre a Encarnação do Verbo e o papel de Maria...»
Na pagina Facebook das suas Memórias o Padre Manuel Ventura Pinho
«Negavam os albigenses a Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo e, em consequência, todas as outras verdades da Fé, com especial ênfase na Sagrada Eucaristia.Para suster a expansão dessa doutrina deletéria esforçaram-se os monges cistercienses e, sobretudo, o grande São Domingos de Gusmão, que criou a chamada Ordem do Pregadores para ensinar ao povo a verdadeira doutrina e afastá-lo daquelas heresias. E o nosso Santo António, embora pertencendo à Ordem fundada por S. Francisco – os Mendicantes - para ajudar os pobres, foi encarregado do mesmo trabalho: ajudar as pessoas a compreenderem que tudo foi criado por um único Ser, o Deus amoroso de Jesus Cristo. Procurou-se também fomentar a devoção a Nossa Senhora grávida, ou seja, à tradicional Senhora do Ó.Penso que as muitas igrejas e capelas consagradas à Senhora do Ó, ou onde ainda existe essa imagem da Senhora grávida terão origem nesse movimento de contrariar essas doutrinas maléficas de achar que o corpo - e sobretudo o sexo - é obra do Diabo.É o caso da Capela da Senhora do Ó de Câneve na Cumeeira, a Senhora da Orada de Santiago da Guarda e mesmo a igreja de Ansião onde ainda existe a imagem da Senhora do Ó que foi de uma capela particular. Na altura todas as igrejas dedicadas a Nossa Senhora eram conhecidas como igrejas de Santa Maria, como se pode ver no “Catálogo de todas as Igrejas que havia em Portugal em 1320 e 1321”. Mais tarde é que aparecem os títulos de Senhora da Graça, da Encarnação, do Pranto, etc...»
Interroga o Padre Manuel Ventura Pinho os seus leitores
Porque é que as imagens da capela da Senhora da Orada de Santiago da Guarda ou da Senhora do Ó de Câneve da freguesia da Cumeeira não são de uma senhora grávida mas de uma senhora com o filho nos braços?E a resposta é que decerto as primitivas Imagens dessas capelas - que são muito antigas - seriam mesmo de senhoras grávidas mas uma outra heresia - o jansenismo - fez com que fossem retiradas do culto. Umas desapareceram mesmo outras foram modificadas ou vestidas com roupas largas e até - conta o Padre José Eduardo Coutinho que fez parte do inventário artístico da Diocese de Coimbra - houve imagens grávidas que foram modificadas para não apresentarem o ventre dilatado, pois a gravidez era considerada demasiado sagrada para ser mostrada.Há ainda quem se recorde que os leigos não podiam sequer mexer no cálix ou nos panos que o tinham limpado, pois, achava essa heresia que isso era demasiado sagrado para ser tocado pelos leigos. E diziam mais: as pessoas deviam confessar-se muitas vezes mas comungar poucas.O sexo era tão sagrado que nem se devia falar nele. Nem os pais deviam falar no sexo aos filhos!...Coisas de uma heresia, aparentemente oposta à dos cátaros ou dos albigenses, que dominou muitas mentes e que eu ainda encontrei bem viva em várias pessoas ao longo da minha vida sacerdotal. Este erro foi pouco combatido pela igreja e por isso durou vários séculos. Ainda haverá muita gente que acha que isso é que era o certo e ainda hoje deveria ser ensinado pela igreja. Mas, como diz o povo, no meio é que está a virtude.»
Porque é que as imagens da capela da Senhora da Orada de Santiago da Guarda ou da Senhora do Ó de Câneve da freguesia da Cumeeira não são de uma senhora grávida mas de uma senhora com o filho nos braços?E a resposta é que decerto as primitivas Imagens dessas capelas - que são muito antigas - seriam mesmo de senhoras grávidas mas uma outra heresia - o jansenismo - fez com que fossem retiradas do culto. Umas desapareceram mesmo outras foram modificadas ou vestidas com roupas largas e até - conta o Padre José Eduardo Coutinho que fez parte do inventário artístico da Diocese de Coimbra - houve imagens grávidas que foram modificadas para não apresentarem o ventre dilatado, pois a gravidez era considerada demasiado sagrada para ser mostrada.Há ainda quem se recorde que os leigos não podiam sequer mexer no cálix ou nos panos que o tinham limpado, pois, achava essa heresia que isso era demasiado sagrado para ser tocado pelos leigos. E diziam mais: as pessoas deviam confessar-se muitas vezes mas comungar poucas.O sexo era tão sagrado que nem se devia falar nele. Nem os pais deviam falar no sexo aos filhos!...Coisas de uma heresia, aparentemente oposta à dos cátaros ou dos albigenses, que dominou muitas mentes e que eu ainda encontrei bem viva em várias pessoas ao longo da minha vida sacerdotal. Este erro foi pouco combatido pela igreja e por isso durou vários séculos. Ainda haverá muita gente que acha que isso é que era o certo e ainda hoje deveria ser ensinado pela igreja. Mas, como diz o povo, no meio é que está a virtude.»
Não conheço a capela de Câneve em Penela.
Conheço a que foi a igreja da Orada na Granja em Santiago da Guarda referenciada nas Memórias Paroquiais Setecentistas
«A dinamização da colonização do território de Façalamim pelos cónegos regrantes de Santo Agostinho na sua granja deu origem a casais em 1141 e, mais tarde, a lugares e aldeias, gerando a necessidade de se edificar uma ermida ou uma capela e, posteriormente no século seguinte é fundada em 1259 uma pequena igreja ( hoje capela da Orada) que nesse tempo se chamava "Senhora da Hora de Façalami.." e foi matriz de Santiago da Guarda até ao século XIX» . «A 30 de abril de 1758, pelo cura da Freguesia de Nossa Senhora da Orada, Padre João Mendes Baptista, para orago da sua igreja:« Orago he de Nossa Senhora da Expectação (do Nascimento de Cristo) o que também se diz Senhora do Ó e vulgarmente se diz Senhora da Orada». Ainda hoje quando falo a gente da Senhora do Ó dificilmente alguém a identifica no estado de gravidez, na alusão do "O" fechado a simbolizar o ventre. O que quer dizer que a incultura ainda é muito grande neste século XXI...A Imagem de Nossa Senhora da Hora na Igreja da Orada encontra-se desaparecida há poucos anos, depois da década de 80, segundo o Padre José Eduardo Reis Coutinho.
Conheço a que foi a igreja da Orada na Granja em Santiago da Guarda referenciada nas Memórias Paroquiais Setecentistas
«A dinamização da colonização do território de Façalamim pelos cónegos regrantes de Santo Agostinho na sua granja deu origem a casais em 1141 e, mais tarde, a lugares e aldeias, gerando a necessidade de se edificar uma ermida ou uma capela e, posteriormente no século seguinte é fundada em 1259 uma pequena igreja ( hoje capela da Orada) que nesse tempo se chamava "Senhora da Hora de Façalami.." e foi matriz de Santiago da Guarda até ao século XIX» . «A 30 de abril de 1758, pelo cura da Freguesia de Nossa Senhora da Orada, Padre João Mendes Baptista, para orago da sua igreja:« Orago he de Nossa Senhora da Expectação (do Nascimento de Cristo) o que também se diz Senhora do Ó e vulgarmente se diz Senhora da Orada». Ainda hoje quando falo a gente da Senhora do Ó dificilmente alguém a identifica no estado de gravidez, na alusão do "O" fechado a simbolizar o ventre. O que quer dizer que a incultura ainda é muito grande neste século XXI...A Imagem de Nossa Senhora da Hora na Igreja da Orada encontra-se desaparecida há poucos anos, depois da década de 80, segundo o Padre José Eduardo Reis Coutinho.
Ansião
A Igreja de Ansião detêm inestimável património religioso
Capela do Santo Cristo
Excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas 1769 Relação do estado das Igrejas, confrarias e capelas de Ansião do Padre José Fernandes Serra « Depois desta segue-se a Capela em que está um Santo Cristo, feita de abóbada sem algum ornato, e tem mais as Imagens da Senhora do Ó e S. Roque feitas em pedra bem esculpidas e a de Santo André feita em pau necessitam de ser incarnadas; esta Capela é particular; é seu administrador atual Gaspar Godinho da Silva e Sequeira Mendanha; todas as Imagens nela colocadas lhe pertencem excepto o Santo Cristo que dizem é da Igreja; tem uma toalha, dois frontais de ostentação já muito usados, umas cortinas em damasco encarnado em bom uso, e não tem mais ornamentos alguns; já ficou prevista que o administrador mandasse fazer um retábulo quando lhe o noticiei respondeu que quando os Padres Cruzios fizeram também a tribuna que na mesma se lhe mandava, que então faria ele o retábulo.»
Capela particular, com um lagar e fazendas para a sua manutenção e celebração de 14 Missas anuais. Se em 1769 o padre diz que o administrador desta capela é Gaspar Godinho da Silva e Sequeira Mendanha reporta para a família que viveu na Quinta das Sarzedas, hoje Sarzeda, a sul da vila de Ansião com lagar que hoje ainda existe em ruína. Nesta quinta de Serzedas nasceu em 1738 a nobre Mariana Josefa Pimentel de Almeida da Silva e Sequeira Ponce de Leão de Mendanha , filha de Gaspar Godinho de Nisa e Reis Capitão Mor de Ansião e de Josefa Silva e Sequeira Ponce Leão e Mendanha. Casou com Suplício José Pimentel de Almeida nascido em Montemor-o-Velho.
E ainda sobre O Calvário do Santo Cristo, espólio da primitiva igreja de Ansião a ser usado na decoração da capela particular, até o seu donatário mandar fazer um retábulo, que nunca o mandou fazer pelo despique que teve com os padres crúzios na obrigação destes fazerem a tribuna, que nunca a fizeram.As Imagens desta capela particular eram da família do donatário, em que a Senhora d´O se deva à devoção que existia em Montemor o Velho na igreja do castelo onde existe uma Imagem da Senhora dÓ, em que esta família nobre teriam um Morgadio (?) na Quinta das Sarzedas em Ansião com capela, em meados do séc. XX foi arredada para nascente para favorecer o adro para a festa com a Imagem de Nossa Senhora da Esperança, também em pedra. A denotar os seus donatários nobres terem sido influentes exercendo cargo de poder em Ansião, pelo costado familiar da família "Feio" dos lados do Maxial, na intenção da capela particular na matriz (?).
Especular que a Imagem da Senhora d'Ó a ser obra escultórica do Mestre Pêro tinha de ter vindo da família de Montemor por ter vivido na centúria de 300 e esta igreja de Ansião onde fizeram a capela particular e colocaram uma Imagem desta Senhora data do final da centúria de 600.
O que falta? Urgente estudo das Imagens do Santo Cristo e da Senhora d´Ó por técnicos da especialidade para os credenciar atribuídos ao Mestre Pêro ou do Mestre Telo Garcia com ele esculpiu Imagens. As caracteristicas que distingui na Imagem de Nossa Senhora d'Ó de Ansião, apesar de não me recordar dos cabelos creio com muita certeza poder vir a ser classificada como obra do escultor Mestre Pêro (?) da centúria de 300. Mas a Imagem a ser mais tardia do final da centúria de 600 da construção da igreja e da capela particular, poderá ser obra do Mestre João de Ruão de Coimbra (?), em que as suas esculturas se assemelham a Mestre Pero, estou confiante que seja mais antiga.Igualmente existem quanto a mim mais duas peças em Ansião a merecer estudo se também são da autoria dos mesmos- O Calvário da matriz e a Imagem do Bispo S Martinho de Tours na capela da Ateanha.
A crónica sobre esta família em https://quintaisisa.blogspot.com/2018/09/quinta-de-sarzeda-em-pousaflores-no.html
A crónica sobre esta família em https://quintaisisa.blogspot.com/2018/09/quinta-de-sarzeda-em-pousaflores-no.html
Se tivesse foto da Imagem da Senhora d'Ó de Ansião, não a publicaria, ao estar guardada séculos, apenas me compete divulgar a sua existência. Cada um no seu Pelouro!
Igreja da Matriz de Oliveira do Hospital Capela Ferreiros
Calvário de pedra na matriz de Ansião
Rica peça em policromia aventa ter pertencido à igreja primitiva, sem estudo, em que pode ter sido o mesmo escultor da Imagem da Senhora d'Ó em reservas (?) .
No ano passado distingui as esfinges de romanos; soldado e senhora no rodapé, jamais antes referido...
No imediato algo de semelhança com a escultura do bispo S Martinho de Tours na capela da Ateanha...
Foto possível retirada do INVENTÁRIO ARTÍSTICO DE PORTUGAL DE 1955 DE GUSTAVO SEQUEIRA
Atribuída à Idade Média, não catalogada, conserva restos de policromia primitiva.
A Virgem de Podentes do Mestre Pero
Podentes pertenceu à Ordem do Templo.
Desconhece-se a origem da sua igreja.
A sua rica preciosidade uma Imagem da Virgem atribuída ao Mestre Pero foi transferida para o Museu Machado de Castro em Coimbra, sem saber em que data e a razão, ficando assim mais pobre uma terra que foi no passado com muita história.
Desconhece-se a origem da sua igreja.
A sua rica preciosidade uma Imagem da Virgem atribuída ao Mestre Pero foi transferida para o Museu Machado de Castro em Coimbra, sem saber em que data e a razão, ficando assim mais pobre uma terra que foi no passado com muita história.

Igreja do Castelo de Montemor o Velho
Virgem do Mestre Pêro na Igreja de Santa Maria da Alcáçova do
Virgem do Mestre Pêro na Igreja de Santa Maria da Alcáçova do
Antevejo uma ligação forte que existiu nos séculos entre Ansião e Montemor o Velho, embora em grandeza Ansião lhe fique aquém, na particularidade de ambas possuírem o mesmo ícone de património religioso uma Imagem da Senhora do Ó, em paralelo com famílias de nomes sonantes se terem cruzado aqui e nos concelhos limítrofes de apelidos ; Silva, Lopes, Carvalho, Leal, Reis, Pimentel, Almeida, Esteves, Simões, Gonçalves, Sá, Parente, Mota etc.
Museu Nacional Machado de Castro
Virgem do Séc. XIV do Mestre Pero
Exemplar, proveniente da Sé Velha, é uma das mais conseguidas realizações do seu grande divulgador: Mestre Pero. Das suas mãos saíram algumas das melhores imagens que se conhecem deste período. São esculturas devocionais, de vulto, quase sempre em calcário policromado, apresentando características devoção a Nossa Senhora é um dos fenómenos religiosos mais significativos do período gótico. A figuração mais original deste período é a Virgem em pé, expectante, popularmente designada como Virgem do Ó. Representa um tipo iconográfico de grande aceitação na Península Ibérica.
A Imagem de Ansião tem semelhança com esta, em policromia, os cabelos, o rosto, a mão, a pregadeira, as mangas com os botões, apenas as vestes caem com folho e nesta são direitas.
Pois bem sei que nada sou em termos académicos, muito menos em saber de História e Arte- Ainda assim imbuída em atrevimento dizer que se trata de uma obra do Mestre Pero. Venha o primeiros que me desminta!
Museu de Lamego
Mestre Pêro
Virgem da Expectação, 1330-1340, proveniente do Mosteiro de São João de Tarouca
Criada pelo trabalho escultórico de Mestre Pêro, a Virgem do Ó foi o grande modelo da invocação mariana da Expectação, no âmbito da imaginária, possuindo o Museu de Lamego dois exemplares.
«O núcleo de imaginária medieval do museu seria complementado por uma segunda imagem da Virgem da Expectação que, apesar de alterada por posteriores repintes, possui as caraterísticas das anteriores. De origem incerta, a sua presença em Lamego, deve estar relacionada com a nomeação de D. Frei Salvado Martins para a catedral lamecense, onde governou entre 1331-1349. Frade franciscano, de quem se refere a singular devoção à Virgem , foi, igualmente, uma figura preponderante na corte de Isabel de Aragão, a quem coube, enquanto seu confessor, redigir o testamento e assistir na morte a rainha (1336), sendo possivelmente de sua autoria a primeira biografia de Dona Isabel, escrita pouco tempo depois do seu desaparecimento. Como é sabido, foi justamente com o intuito de executar o túmulo da que viria a ser Santa Isabel (c. 1330, ainda em vida da rainha), que mestre Pêro veio para Coimbra .
Museu Regional de Lamego Nossa Senhora d'Ó do altar do antigo Hospital da Misericórdia de Lamego Mestre Pêro
Anjo Atlante, no Museu Nacional de Machado de Castro
Na Igreja da Aguda no concelho de Figueiró dos Vinhos encontrei o que resta da sua antiguidade a reportar para terem sido na mesma altura ou não, em que a primitiva Imagem do orago em pedra foi partida possivelmente pelos invasores franceses e se perdeu?
Bela escultura acima do lintel da porta de entrada
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| A passar despercebido e não devia... |
Sacristia, com o antigo sacrário emoldurado em baixo relevo
Capela do Pereiro, Pousaflores, Ansião
Cara de anjo com asas em cor crua
Pia batismal na matriz de Ansião

Concluir sobre o fantástico escultor do barroco
Mestre Pêro com obras atribuídas da Senhora do Ó na Igreja do Castelo de Montemor o Velho e na Igreja de Podentes, em clamar urgente necessidade de um Projecto de classificação em Ansião na parceria da sua Câmara Municipal e da sua Igreja matriz no pedido à Direção Geral do Património Cultural no que esta crónica pretende vir a credenciar com a Imagem da Senhora do Ó da Igreja de Ansião, o seu Calvário e da Imagem do Bispo S. Martinho de Tours na Capela da Ateanha, em que não deve ser descuidada análise no que resta na Igreja da Aguda e ainda a Imagem de Caneve para vir a colocar a região centro, incluindo Ansião na atribuição do maior numero de peças barrocas deste autor a destronar Lamego, onde existem três.Grande audácia!
Mais uma grande partilha de investigação no papel de autodidata a que me dedico com paixão e dever de cidadania cultural, pese embora haja índice de incultura em dizer que se devia resumir conteúdos e outros a rotular "enfandonho" debalde, História para mim impossível sintetizar!
Interesse mayor em colocar ANSIÃO NAS ROTAS TURÍSTICAS actualmente a se quedarem por Santiago da Guarda, quando se deviam estender à vila de Ansião para admirar a Igreja da Misericórdia com uma sepultura brasonado do Padre João Crisógono Figueiredo Perdigão Vilas-Boas Amaral, nascido a 22 de novembro de 1797 na vila e freguesia de Celavisa no concelho de Arganil , foi pároco em Ansião onde veio a falecer em Ansião em 23 de dezembro de 1855 com 58 anos de idades, sem ter havido nenhum historiador nem investigador a correlacionar e mais dizer, por isso no meu opinar querer exaltar a visão do executivo PS em mandato no dever de fazer e deixar obra feita na área da Cultura sendo que antes o PSD não lhe conferiu o crédito que bem merecia , apenas exceção na aquisição onerosa da ruína da Casa Senhorial Conde Castelo Melhor e indemnizações. No dever de união das partes - Câmara e Igreja em inventariar as obras mutiladas mal guardadas em capelas e igrejas em as mandar restaurar no Politécnico de Tomar, arranjando Mecenas para com orgulho e dignidade virem a ser expostas em permanência num Museu que tarda em abrir na vila de Ansião!
Porque é Hora, outro nome que foi dado à Senhora do Ó, de mais se fazer pela Cultura em Ansião
Quem de direito nesta vila no dever e obrigação de pôr a descoberto tesouros e os valorizar o que resta, e claro os guardar em segurança para que os ansianenses e o Mundo se encantem em júbilo do passado desta terra onde afinal nem tudo se perdeu, vendeu, roubou ou desapareceu!
E até hoje tão carenciada!
Tenha sido na separação do Estado com a Igreja com a implantação da República que as capelas particulares detidas nas Igrejas tenham ficado para a sua administração em que algumas Imagens ficaram em reservas como a Imagem da Senhora d'Ó, a merecer ribalta!
O meu Grito de alerta com esta partilha na esperança que o PS venha a pôr Ansião no mapa da Cultura !
Descobertas como a desta Imagem divulgada por mim em primeira mão, devia ser mote para estudo. A partilha da crónica desplantou curiosidade no meu amigo Engº Rui Manuel Mesquita Mendes como Researcher no Instituto de História da Arte ao indicar-me a especialista do Mestre Pêro - Dra Carla Varela Fernandes
Mais uma crónica de partilhar cultura em âmbito do património religioso !
Cara de anjo com asas em cor crua
Pia batismal na matriz de Ansião
Concluir sobre o fantástico escultor do barroco
Mestre Pêro com obras atribuídas da Senhora do Ó na Igreja do Castelo de Montemor o Velho e na Igreja de Podentes, em clamar urgente necessidade de um Projecto de classificação em Ansião na parceria da sua Câmara Municipal e da sua Igreja matriz no pedido à Direção Geral do Património Cultural no que esta crónica pretende vir a credenciar com a Imagem da Senhora do Ó da Igreja de Ansião, o seu Calvário e da Imagem do Bispo S. Martinho de Tours na Capela da Ateanha, em que não deve ser descuidada análise no que resta na Igreja da Aguda e ainda a Imagem de Caneve para vir a colocar a região centro, incluindo Ansião na atribuição do maior numero de peças barrocas deste autor a destronar Lamego, onde existem três.Grande audácia!
Mais uma grande partilha de investigação no papel de autodidata a que me dedico com paixão e dever de cidadania cultural, pese embora haja índice de incultura em dizer que se devia resumir conteúdos e outros a rotular "enfandonho" debalde, História para mim impossível sintetizar!
Interesse mayor em colocar ANSIÃO NAS ROTAS TURÍSTICAS actualmente a se quedarem por Santiago da Guarda, quando se deviam estender à vila de Ansião para admirar a Igreja da Misericórdia com uma sepultura brasonado do Padre João Crisógono Figueiredo Perdigão Vilas-Boas Amaral, nascido a 22 de novembro de 1797 na vila e freguesia de Celavisa no concelho de Arganil , foi pároco em Ansião onde veio a falecer em Ansião em 23 de dezembro de 1855 com 58 anos de idades, sem ter havido nenhum historiador nem investigador a correlacionar e mais dizer, por isso no meu opinar querer exaltar a visão do executivo PS em mandato no dever de fazer e deixar obra feita na área da Cultura sendo que antes o PSD não lhe conferiu o crédito que bem merecia , apenas exceção na aquisição onerosa da ruína da Casa Senhorial Conde Castelo Melhor e indemnizações. No dever de união das partes - Câmara e Igreja em inventariar as obras mutiladas mal guardadas em capelas e igrejas em as mandar restaurar no Politécnico de Tomar, arranjando Mecenas para com orgulho e dignidade virem a ser expostas em permanência num Museu que tarda em abrir na vila de Ansião!
Porque é Hora, outro nome que foi dado à Senhora do Ó, de mais se fazer pela Cultura em Ansião
Quem de direito nesta vila no dever e obrigação de pôr a descoberto tesouros e os valorizar o que resta, e claro os guardar em segurança para que os ansianenses e o Mundo se encantem em júbilo do passado desta terra onde afinal nem tudo se perdeu, vendeu, roubou ou desapareceu!
E até hoje tão carenciada!
Tenha sido na separação do Estado com a Igreja com a implantação da República que as capelas particulares detidas nas Igrejas tenham ficado para a sua administração em que algumas Imagens ficaram em reservas como a Imagem da Senhora d'Ó, a merecer ribalta!
O meu Grito de alerta com esta partilha na esperança que o PS venha a pôr Ansião no mapa da Cultura !
Descobertas como a desta Imagem divulgada por mim em primeira mão, devia ser mote para estudo. A partilha da crónica desplantou curiosidade no meu amigo Engº Rui Manuel Mesquita Mendes como Researcher no Instituto de História da Arte ao indicar-me a especialista do Mestre Pêro - Dra Carla Varela Fernandes
Mais uma crónica de partilhar cultura em âmbito do património religioso !











