segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O cónego da Sé de Coimbra Luís de Mello natural de Ansião

Luís de Mello
«Natural de «Ancião do Bispado de Coimbra, onde nasceu no ano de 1718, baptizado a seis de Setembro do mesmo ano, pelo Vigário da Redinha, Frei André, tendo sido seu padrinho o Vigário de Ansião, o reverendo António Freire. É filho legítimo de Belchior dos Reys e de sua mulher Faustina Freire de Mello, residentes na vila de Ansião. Neto paterno de Manuel Roiz Bicho e de sua mulher Isabel Roiz, também eles da freguesia de Ansião, e materno de José Carvalho, natural da freguesia de Santiago de Litém, e de sua mulher, Luiza Freyre, igualmente de Ansião. »
Historiadores sobre ele apenas a referência  foi cónego na Sé de Coimbra...
Contudo para atingir este patamar na hierarquia eclesiástica este Beneficiado, unido a seus Companheiros, produz em juízo «hum extenso, e infadonho Libello contra o Cabido», em que formulava oito pedidos, que podem agrupar-se em dois fundamentais: um «commum com os mais Beneficiados», pretendendo o titulo de Cónegos e respectivos Direitos Canonicais ; e outro, que «dizia só respeito ao seu Benefício», em que exigia que os Capelães «fossem obrigados a subsidiar o seu Cura no impedimento da doença». Pesquisa que correlacionei na Tese de Mestrado do Padre  Carlos Godinho da Diocese de Coimbra natural do concelho de Ferreira do Zêzere  https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream.
Óbvio muito extensa com termos antigos ligados à Igreja. Contudo de muita importância conhecer o que foi o  cariz de Luiz de Mello, a sua inteligência e a forma como se debateu no Cabido para ser reconhecido como Cónego e não Meio - Cónego, não satisfeito, foi a Lisboa falar com o rei para ascender nessa hierarquia e ganhar mais, torneando uma causa própria que se viria a transformar no colectivo dos colegas Meios - Cónegos.Não nega nem esconde em nada a sua ascendência judaica do seu carisma, perfil  e inteligência com tantos talentos, que ainda hoje os há em Ansião, de que tenho cota parte por simpatia e me identifico nas atitudes  de justiça!
A Monografia aborda as odisseias vividas por Luís de Mello, de quem apenas a ele se referiam antes historiadores, - cónego da Sé de Coimbra «Pedido de informação feito pelo protonotário Apostólico de Sua Santidade, Doutor Manoel Moreyra Rebello, Cónego Penitenciário na Sé Catedral de Coimbra, na chamada «Carta de Segredo», nos termos do usual na época. Nela se pede informação «sobre o procedimento, vida, costumes» do candidato às ordens sacras, a sua idade, se é ou não bem procedido, bem como se é cristão velho ou se há impureza de sangue na sua família. Acrescentam-se ainda outras informações respeitantes à freguesia de proveniência do candidato."
Sabemos, também, com base na informação «a respectivo do procedimento, vida e costumes e limpeza de sangue», que Luiz de Mello é verdadeiro cristão-velho.
1- Analisando o excerto da Tese de Mestrado salta à vista o nome incompleto do irmã  Pascoal de Mello Freire quando se chamava  - Pascoal José de Mello Freire dos Reis.
Em segundo lugar a carta de segredo referencia  nos costumes e limpeza de sangue, que Luiz de Mello é verdadeiro cristão - velho, não havendo qualquer indício em contrário relativamente aos seus ascendentes. Pode não ser verdade, se analisarmos a origem dos apelidos ( Freire, Melo, Roriz Reis) que viveram em Ansião em que todos ou a maior parte fizeram parte da comunidade judaica que  se refugiou na região e se estendeu nos concelhos limítrofes até ao alto Alentejo, desde o tempo da reconquista cristã e depois de 1492 fugidos da Galiza se fixando em quintas como povoadores e na beira da estrada com albergues ou estalagens, em Ansião ainda hoje nos seus descendentes corre na oralidade "vindos de Espanha fugidos de guerras com libras em oiro" a que se juntam os nomes que ficaram atribuídos na toponímia ligados à Galiza - Casal do Galego; Chã Galega; Galegas; Outeiro Galego, Fonte Galega e nomes de terras na Galiza em apelidos como Medeiros entre outros já seriam cristãos velhos ou se converteram em novos .A tese aborda as odisseias do eleito - Luis de Mello  sem falar da sua origem judaica.Na verdade era outra temática que abrangia outra odisseia, para se frequentar o seminário ou a universidade era necessário demonstrar que a família tinha posses para o candidato se manter, e ainda era obrigatório uma declaração a atestar que não tinha sangue impuro, portanto um verdadeiro cristão velho, para enfim hoje se perceber que ao tempo por tantos, quase todos terem passado o "crivo da impureza" denota que recebiam dinheiro ou outras contrapartidas...que envolviam além do padre as pessoas mais influentes.
«"Além disso, é pessoa de «boa vida, costumes e procedimentos» e diligente no exercício dos seus estudos. Acerca do património familiar, as indicações são contraditórias: se por um lado nos é referido que os seus pais eram «abondantes de Bens», o que permitia a Luiz de Mello candidatar-se a Ordens Sacras, podendo usufruir do património necessário, sem prejuízo de terceiros; por outro, a indicação é a de que provém de uma família de parcos recursos, chegando mesmo a afirmar-se que Luiz de Mello era «muito pobre» e teve mesmo a seu encargo o sustento de seu «Pay já velho, a trez irmaãs e alguns irmãos».
«Certo é que provinha de uma família reconhecida pelo serviço militar que seu pai havia prestado à Coroa Portuguesa, aquando da Guerra da Sucessão de Espanha, com alguns benefícios que daí advieram, de que ele fez herdeiro o seu filho mais velho.»  

2 -  Sobre a sua riqueza ou falta dela apreciar no século XVI, concretamente o pensamento de Frei Heitor Pinto, célebre autor quinhentista o aforismo segundo o qual não é pobre o que tem pouco mas o que deseja muito e não é rico o que tem muito mas o que se contenta com pouco.Trata-se de uma citação de Séneca. As concepções estóicas serão uma constante na ética da Igreja, o que se justifica facilmente pela similitude das duas morais. Para no século XVIII Frei João Tavares retomar a mesma ideia que expressamente atribui a Séneca. «O rico não he o que possue, se não quem não deseja possuir. O pobre, não he quem não tem, senao quem deseja ter. De maneyra que o ter não faz ricos, nem o não ter pobres; porque a verdadeira pobreza está na arreia de possuir, e a verdadeira abundância no desinteresse de lograr».

"Destinado à vida eclesiástica, Luiz de Mello inicia o seu processo, no sentido de receber Ordens Menores, com apenas dezanove anos, em 1738 em Coimbra. Viria a receber as primeiras Ordens nesse mesmo ano. Em 1743, após o necessário exame de cantochão, de que é «considerado capaz, é ordenado Subdiácono.
Em 1745 é ordenado Diácono, após aprovação para esta ordem a 25 de Junho desse ano e depois de, a 6 de Setembro, ser, uma vez mais, examinado no cantochão. Ainda neste mesmo ano, a 2 de Dezembro, se inicia o «pedido de averiguações» para ascender à Ordem dos Presbíteros.Como indica o processo de Ordenação, Luiz de Mello foi ordenado,neste grau do Sacramento da Ordem, «nas temporas de Santa Luzia».Tendo sido nomeado para «Ministro da Meza Eclesiastica» do Reverendo Bispo Conde D. Miguel da Anunciação, por mediação do Tesoureiro Mor e Provisor do Bispado, Doutor Manoel Rodrigues Teixeira cargo que exerceu durante alguns anos, Luiz de Mello é provido numa Meia Conezia na Sé de Coimbra, a 19 de Maio de 1749 , altura em que vagou esta «Porcionaria da Cathedral», estando a ela anexa o «Curato da Freguezia» Esta provisão havia sido confirmada por D. Miguel da Anunciação,com data de 20 de Março desse mesmo ano , tendo em consideração as necessidades económicas a que Luiz de Mello estava sujeito e a que já nos referimos. Certo é que o provido, pese embora o cuidado e « contemplação» que mereceu por parte do Bispo Diocesano e do seu Provisor, logo que viu aumentadas as suas forças e diminuída a sua dependência,«não poz tanto cuidado em moderar o seu génio», iniciando um conjunto de perturbações na Sé, movendo o Ministério da Pastoral a favor das suas causas e partindo para a Corte, «afim de atear o incêndio a que tinha dado matéria». Neste contexto, não só dá início a um processo profundamente perturbador da paz da Catedral de Coimbra, como ainda se manifesta, de «viva voz» e por escrito contra o Prelado «seu Benfeitor» e contra o «dito Doutor Provizor, a cuja mediação devera tanto», facultando ao Marquês de Pombal «de sua mesma letra hum papel do qual se formaram os Interrogatórios» da devassa a que dava origem. Não admira, por isso, que alguns autores, como Fortunato de Almeida, denominem Luiz de Mello como «astuto e intriguista», «sem escrúpulos», não refreando os meios no sentido de atingir os seus fins. Ou ainda que o Cabido, nos seus escritos, o denomine como «mais ingrato do que Judas». O próprio Bispo Coadjutor, D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho, na sequência da «Conta» que dá ao Marquês de Pombal, chega a denominar Luiz de Mello como «o Sacerdote mais miserável, que tem o Bispado», não tendo em mente outra coisa senão «o projecto de arruinar a Jerarquia da Cathedral» (...)
 Este conflito, accionado por Luiz de Mello, inicia-se quando este Beneficiado, unido a seus Companheiros, produz em juízo «hum extenso, e infadonho Libello contra o Cabido», em que formulava oito pedidos, que podem agrupar-se em dois fundamentais: um «commum com os mais Beneficiados», pretendendo o titulo de Cónegos e respectivos Direitos Canonicais ; e outro, que «dizia só respeito ao seu Benefício», em que exigia que os Capelães «fossem obrigados a subsidiar o seu Cura no impedimento da doença». A causa correu no Juízo Eclesiástico durante dois anos demorando-a Luiz de Mello com um conjunto de «incidentes , após os quais foi avocada para a Cúria Metropolitana, para que esta fizesse juízo da primeira instância ex causa retardatae justitiae ». Deferida, em Braga, a causa a favor de Luiz de Mello, reacendeu-se de imediato «hum grande incêndio de discórdias na Cathedral» , nas palavras de D. Francisco de Lemos. Como se inovava uma causa já discutida e vendo o Cabido a desordem em que se entrava recorreu este para Sua Majestade para que fosse avocada a causa para a Secretaria de Estado, como veio a acontecer, por acção do Marquês de Pombal. Deste modo, pretendia o Cabido que se mantivesse a autoridade das sentenças anteriores, que Luiz de Mello queria anular; que se mantivessem os Direitos da Catedral; e que esta se conservasse em sossego. Avocada a causa, por Decreto Real, para a Secretaria de Estado, onde permaneceu por muito tempo, pareceu que Luiz de Mello ficaria «prezo para prosseguir na execução do projecto intentado». Por outro lado, via-se «restaurada a paz no Sanctuario; desterrada a discórdia da sua corporação; e os Officios Divinos restituidos á sua antiga ordem, e formosura». Todavia, o Meio Cónego, impossibilitado de seguir por este caminho, logo abriu outro, por onde pôde prosseguir os seus intentos. Não esperando pela «Resolução, e Providencias de Sua Magestade», na causa avocada, mudou de «acção»,de « Pessoas» e de « Juízo", movendo uma força aos Capelães, no juízo da Conservatória da Universidade, tratando agora exclusivamente do artigo que lhe dizia respeito, sem que deste modo iludisse o processo anterior. Nesta segunda causa, pretendia Luiz de Mello que os Capelães fossem obrigados «a subsidiar o Cura da See em todos os seus impedimentos» petitório que havia deduzido do primeiro Libelo. Resolvida a causa a favor dos Capelães, Luiz de Mello não desarma e recorre ao «Supprêmo ribunal da Supplicação».Nesta instância, por desconhecimento da fraude do Suplicante, uma vez que a causa estava entregue ao poder régio, foi decidida a questão a favor de Luiz de Mello com data de 18 de Janeiro de 1763. Entretanto, em todo o processo, Luiz de Mello sempre se denominou como Meio Cónego. Este Beneficiado, que ora estava em Coimbra, ora desaparecia da cidade,sem conhecimento do Bispo e do Cabido, «para effeito de poder ser contado como presente», logo que viu resolvida a causa a seu favor ali se apresentou de novo com a sua Sentença. Todavia, deixou de requerer a sua execução ao longo de vários meses. Foram os Capelães, apoiados pelo Cabido quem notificou Luiz de Mello para que exibisse em Juízo a Sentença, de modo a que, conhecendo o seu conteúdo, pudesse executar-se. Opôs-se o Meio Cónego, «tanto pelos seus Procuradores, como pela sua própria letra», respondendo que «não podia a isso ser obrigado, porque o Direito lhe dava o espaço de trinta annos», para que esta se executasse. Gerou-se novo litígio entre Luiz de Mello, os Capelães e o Cabido, exigindo os últimos a exibição da Sentença e recusando o primeiro a sua execução.Por fim, instado a que se lhe desse execução, declarou nos autos que «exhibia a Sentença». Porém, não só não a exibiu, como partiu para Lisboa, queixando-se a Sua Majestade de que «o Cabido lhe impedia a execução da Sentença, e não queria estar pela authoridade da causa julgada». Além disso, na petição que dirige ao Rei, passa a nomear-se Cónego Meio Prebendado, na esperança de que assim a decisão a tomar resolvesse a causa comum avocada à Secretaria de Estado, passando Luiz de Mello e seus companheiros não só a denominar-se com o título de Cónegos, mas a exigir, igualmente, os respectivos Direitos Canonicais. Certo é que o rei providencia para que a Sentença seja executada a favor de Luiz de Mello, mediante Decreto Régio, datado de 4 de Setembro de 1766, no qual, entre outros elementos, o denomina Cónego Meio Prebendado. Além disso, o rei censura a desobediência do Cabido, pelo facto de os Capelães não subsidiarem o Cura da Sé e de este ter sido multado nos dias em que esteve doente, exigindo que se proceda à devida liquidação dos direitos que lhe assistem. 
O Cabido, resignado, obedece à Carta Real e procura liquidar as multas bem como dispor a que os Capelães procedessem segundo a régia decisão.Todavia, na procuração do Cabido, em que se fazia «Termo deste ajuste» Luiz de Mello não era nomeado «Conego Meyo Prebendado», mas simplesmente «Meio Conego». Ora, não aceitando este que se lhe negasse o título que lhe havia dado Sua Majestade, «com summa industria gritou Luiz de Mello, que o Cabido desobedecia ao Decreto». Os Capitulares, aterrados, fizeram-lhe nova proposta, no sentido de se assinar nova procuração sem menção dos «Títulos dos seus respectivos Benefícios» .Todavia, Luiz de Mello não aceitou. O Cabido propõe fazer nova procuração, em que o nomearia Cónego Meio Prebendado, mas apenas em «reverencia ao Decreto». Resiste Luiz de Mello, exigindo ser tratado pelo Título que lhe havia dado Sua Majestade.
Percebendo o Cabido o intento de Luiz de Mello, que outro não era senão o de aceder aos direitos que advinham da denominação como Cónego, «não quizerão estar pela assignação pura e simples do dito Titulo», fazendo-se a liquidação na «forma do Decreto».
Luiz de Mello não desarma e faz petição ao Provedor para que mandasse vir à sua presença os Livros do Cabido, «não só os da Fazenda, mas do Governo Espiritual, e do mais expediente». Foram colocados os livros à sua disposição, para que averiguasse não só o que respeitava aos descontos feitos, mas igualmente o que se referia ao exercício dos últimos dez anos. Luiz de Mello, todavia, «com fingidos pretextos, e soffismas», não só embaraçava a liquidação, como de imediato começa a espalhar rumores de «haver nelles falsidades, e extravios de dinheiro». Efectivamente, achando nos livros «algumas aspas» e «huma folha cortada», pediu logo ao Provedor que mandasse fazer auto destes factos.
Na verdade, não interessava a Luiz de Mello que se desse por terminada a questão, já que a sua pretensão, bem como dos seus companheiros, era a de passar do nome de Cónego para o sufruto dos direitos Canonicais, usando, portanto, deste expediente; uma vez que lhe estava vedado outro caminho pela causa avocada. Ora, neste sentido, nada lhe era mais conveniente do que «metter as cousas em confusão». Assim, «fazendo correr que havia falsidades nos livros, e extravios do dinheiro da Massa», principiou também, com os seus companheiros, a espalhar pela cidade de Coimbra que o Cabido «estava contumaz em desobedecer ao Decreto»; que o «seu governo era o mais desordenado que podia haver»; «que falsificava livros»; e que «extraviava dinheiros da Massa Commua».Mas de todas as queixas, sobressaía, particularmente, a de desobediência «formal» dos Capitulares, ao não quererem nomeá-lo como o fazia Sua Majestade. Certo é que o Cabido, no desejo de ver restabelecida a paz no seu interior, havia estabelecido com Luiz de Mello a liquidação de «seis mil e quinhentos cruzados», que fez entregar em Casa do Ministro Provedor, através de dois Capitulares procuradores, com a obrigação de «assignar o termo da ditta composição». Todavia, como na procuração não se dava a Luiz de Mello o nome de Cónego Meio Prebendado, este «não quis receber o importe da ditta composição», ficando o dinheiro depositado «em juízo», nas mãos do mesmo Procurador. Entretanto, neste contexto da denúncia de falsificação dos livros, propalada por Luiz de Mello, o Provedor Pascoal de Abranches Madeira, que desconhecia os objectivos deste Meio Cónego, «adopta os seus sentimentos» e dá conta ao Rei de que o Cabido era realmente «rebelde», «falsificador de livros», e «Administrador infiel», propondo que os Meios Prebendados e Tercenários tomassem parte no governo Capitular. Se, neste ponto do conflito, o Provedor Pascoal de Abranches Madeira tivesse agido com «justiça», «quietação» e «socego» - nas palavras de D.Francisco de Lemos –, tudo se dissiparia. Mas não: persuadido de que Luiz de Mello era Cónego; vendo a repugnância do Cabido em nomeá-lo com este título; aceitando como verdadeiras as «falsidades suppostas, de que fez Auto; decidiu não apenas dar conta do sucedido a Sua Majestade, mas igualmente propor-lhe «hum arbítrio para terminar as questões, e obviar as fraudes do Cabido». Sugere que Luiz de Mello se continue a chamar Cónego Meio Prebendado, que um dos Beneficiados fosse «perpétuo Secretário do Cabido», e que na administração do Cacifo e do Celeiro «concorressem simultaneamente com os Conegos Capitulares». Ora, nada servia melhor os intentos de Luiz de Mello, já que estes elementos eram os que constavam da causa avocada à Secretaria de Estado. Expedida a conta do Provedor, eis de novo Luiz de Mello a caminho de Lisboa, com procuração dos seus companheiros, naturalmente interessados na causa, pois que ela entrevia o fácil acesso aos direitos Canonicais. À «contado Provedor» acrescentava Luiz de Mello queixas de «grande miséria», a que o Cabido o havia «reduzido», concluindo «todo este arrazoado, com lágrimas,para extorquir dos ouvintes a compaixão. A questão esteve sem ser decidida alguns anos, permanecendo Luiz de Mello em Lisboa, «para onde hia, sem dizer nada ao Cabido, continuar as mesmas lamentações de vexação, e de miséria» .Entretanto, em 1775, o Rei decide a causa, dando razão, uma vez mais, a Luiz de Mello, por Decreto Real datado de 23 de Setembro desse mesmo, ano.No Decreto, não eram simpáticas para com o Cabido as palavras e a atitude do monarca: se considerava os Capitulares, por um lado, temerários, obstinados e desobedientes no cumprimento das sentenças régia; por outro, exigiu ao Provedor da Comarca de Coimbra que, logo que recebesse o seu Decreto, intimasse o Deão António Xavier de Brito, o Cónego Nuno Pereira Coutinho e o Cónego mais antigo da Catedral e os desterrasse para uma distância de trinta léguas de Coimbra, sem que pudessem ficar a menos de vinte léguas uns dos outros. O Decreto Real, que fazia eco das queixas de Luiz de Mello e do Provedor, nomeadamente a falsificação dos Livros do Cabido, determinava, como elemento essencial, que se fizesse integral restituição ao «Espoliado» - as multas pretéritas na quantia de seis mil, e quinhentos cruzados» –; bem como se efectuasse o pagamento apenas com recurso à «Massa dos Capitulares vogais» e não da que pertencia ao conjunto dos Beneficiados da Sé, uma vez que – alegava-se ali – «os Conegos Meyos Prebendados, e Tercenarios, não tiverão culpa» alguma. Além destas determinações, estipulava ainda que de entre os «Conegos Meyos Prebendados» se fizesse a eleição de um para «Secretario do Cabido» e que concorressem sempre hum «Conego Prebendado, e outro Meyo Prebendado» para os ofícios de Cacifeiro e de Celeireiro. Mas de todas as decisões régias, aquela que mais servia os interesses de Luiz de Mello e seus companheiros era a denominação de Cónegos Meyos Prebendados, que o monarca assumia como legítimo nome destes Beneficiados. Efectivamente, declara em relação ao Suplicante: «E na questão do nome, se fique o Restituído denominando Conego Meyo Prebendado, como athé agora se denominou, pondo-se nesta questão hum perpetuo silencio» Dirigido o Decreto ao Provedor da Comarca de Coimbra, a quem chegou em Outubro de 1775, Luiz de Mello não tardou em regressar a esta cidade sendo recebido no meio de «acclamações, e vivas dos seus sequazes» . A Sentença foi logo executada, quer no que respeitava «ás perdas, damnos e multas», quer na denominação de Cónego Meio Prebendado dada a Luiz de Mello.
Por outro lado, três dos seus colegas foram investidos nos ofícios de Secretário, Cacifeiro e Celeireiro. (...) Mas Luiz de Mello, por outro lado, «trabalha por confundilla», elaborando agora um «extensíssimo Memorial», no qual «elle empenhou todas as suas forças, e com o qual a ppareceo terceira vez na presença de Sua Magestade»(...) Mas Luiz de Mello não desarma e assume já novas atitudes: enquanto decorrem as averiguações decorrentes dos processos, procura agora perturbar a disciplina da Catedral. É neste contexto que D. Francisco de Lemos, então Bispo Coadjutor de Coimbra, decide fazer a exposição da sua «Conta» ao Marquês de Pombal, com o objectivo de que enquanto não se decidisse qual era a intenção do rei no seu Decreto, «se conservasse tudo na ordem em que estava até ali», já que os Meios Cónegos tentavam, por todas as vias, apoderar-se dos direitos Canonicais, que reclamavam nos «Papeis, e Memoriaes». É precisamente na sequência destas atitudes que D. Francisco de Lemos justifica a sua exposição ao Marquês, desabafando: «depois de terem exaurido toda a minha paciência por mais de hum anno, ultimamente me vi precisado a fallar nellas a V. Excellencia para lhes dar o opportuno remedio» .Se é verdade que a Catedral viveu momentos conturbados durante todo o século XVII, particularmente após 1615, como referimos atrás, agudizados ao longo do século XVIII, nada se compara aos tumultos que opuseram Beneficiados e Capitulares no ano de 1775, ano em que a paz se «rompeo de todo». Não é de estranhar, portanto, que D. Francisco de Lemos denomine este período como aquele em que se vive um «scisma aberto na Cathedral»  (...)Sugestiva é a atitude de Luiz deMello, numa altura em que presidia ao Coro o Cónego João Leite Cabral Tavares. Tendo este Capitular mandado a um beneficiado que suprisse a falta de um hebdomadário, e tendo ele recusado, replicando-lhe «que o fizesseelle», foi multado por desobediência. Luiz de Mello, que estava no Coro, vem em defesa do beneficiado, disputando ao presidente o direito de multar. Ora, o Cónego João Leite, vendo tamanha desobediência em Luiz de Mello, multa-o também. Mas este não se conteve e declara « que também o multava»(...) Curiosamente, com a sua habilidade jurídica, tal foi o que Luiz de Mello conseguiu para si, com os Decretos Reais resolvidos a seu favor.Não admira, portanto, que, perante tal abuso e injustiça, D. Francisco de Lemos interpele, na sua missiva, o Marquês de Pombal sobre tamanha violação «á Disciplina da Igreja» e à própria obrigação de providenciar à cura da Sé. E de tal modo se adensava esta perturbação, que o próprio Prelado chegou a pôr a hipótese, caso se mantivesse esta desordem, de rever o estatuto dos Capelães.De resto, ele mesmo afirma que, após as sentenças proferidas, a atitude de Luiz de Mello não só vai aterrando os Capelães, agravando as suas obrigações, como vai «ampliando os Direitos dos Curas». Na verdade, com as exigências de Luiz de Mello, os Capelães deixavam o ofício de aumentar em as vozes no Coro e as missas dos Legados, para coadjuvarem o cura da Sé, nas suas obrigações paroquiais.Ora, tal exigiria essa revisão do estatuto, uma vez que se alteravam, na substância, as suas obrigações.Podemos concluir que o «apetite que tem os Beneficiados de serem Conegos» – na expressão de D. Francisco de Lemos – suscitou ao longo de mais de quatro séculos vários conflitos na Sé Catedral de Coimbra.Todavia ,nenhum período foi tão conturbado como este em que Luiz de Mello, provido na Cura da Sé e, consequentemente, numa Meia Conezia, se assumiu como principal cabeça de motim, tornando-se ele mesmo advogado desta causa, que se estende praticamente a todos os Beneficiados. Estava em causa um interesse preciso. As demandas ganham proporção na justa medida em que as decisões régias – como vimos – favorecem os Beneficiados. Em tal circunstância, atinge-se um ponto tal de ruptura que não era mais viável prolongar o conflito. Ele necessitava de uma outra intervenção do poder régio para que a paz se restabelecesse em definitivo na Catedral. É para aí que aponta D. Francisco de Lemos, na sua Conta dirigida ao Marquês de Pombal, justificando assim a sua intervenção: «Á vista de tudo, V. Excellencia dará as Providencias, que lhe parecerem convenientes para parar o curso de tantas,tão continuadas, e tão antigas desordens» .Efectivamente, as contendas viriam a resolver-se a favor do Cabido. Mas não já no tempo do Marquês. Seria D. Maria I, entretanto aclamada Rainha quem viria a restabelecer a ordem na Catedral, dando o seu beneplácito à Bula Papal que reviu o Estatuto dos beneficiários da Sé.Os Meios Cónegos, para justificarem a sua pretensa condição Canonical,começam por referir que o Provedor Pascoal Abranches Madeira defendeu, na representação que fez a Sua Majestade, que o Meio Prebendado Luiz de Mello se devia chamar Cónego, uma vez que, no Decreto Régio, «o mesmo Senhor [assim] o denominava». Todavia, a questão de Luiz de Mello é uma espécie de trampolim para o reconhecimento de todos os Meios Cónegos como pertencentes, de pleno direito, ao corpo Capitular. Aliás, referem mesmo que Sua Majestade os reconheceu como tal, ao decretar que não só Luiz de Mellose chamasse Cónego, mas também todos os outros.E, num tom de apologia, dizem que esta foi uma sábia decisão, depois de terem sido envolvidos em toda a questão não só as «Partes», mas também «o mayor Tribunal do Reino». Tão pouco o facto de o rei ter denominado, no Decreto, os demais Cónegos como «vogais» implicaria qualquer forma de diferenciação.Tal expressão advém da exclusiva necessidade de diferenciar quem devia, ou não, suportar as despesas com o pagamento das demandas em curso, particularmente a Luiz de Mello, o Meio Cónego Luiz de Mello, nos petitórios que dirige a Sua Majestade, abandona este nome e passa a denominar-se Cónego Meio Prebendado, «tomando porauthoridade própria aquele Titulo». Deste modo, manifesta o seu espírito contraditório, porquanto se queixa da desobediência do Cabido, na presença do rei, e toma para si um nome por livre iniciativa, contra as leis da Catedral, «que participão da Protecção de Sua Magestade».Ora, Luiz de Mello obteve esta denominação com base na sua mentira, pois que não seria presumível que algum vassalo se apresentasse na presença do rei com qualquer título que lhe não pertencesse, o que este Meio Cónego veio a fazer «com muita meditação» .
(...) O Cura da Sé, agora confiada a Luiz de Mello,o Cabido E he certo, que esta Freguezia está ainda hoje unida a huma Meia Prebenda, de que he Titular o Meio Prebendado Luiz de Mello». Sendo o objectivo singular dos Meios Cónegos e Tercenários o de ascender ao Canonicato e que desde cedo perturbou a corporação Capitular de Coimbra, certo é que tal desiderato, na segunda metade de setecentos, ganhou um fôlego nunca visto na sua intensidade e durabilidade, o que provocou um desassossego ímpar na história da Catedral – e mesmo da cidade –, pela subversão que operou na ordem e disciplina que organizava a vida de tal instituição da igreja Coimbrã. Tão pouco as demais Catedrais do Reino, que registaram conflitos internos de natureza similar, se confrontaram com processos de litigância de dimensão equivalente. Para tanto contribuiu a personalidade ímpar e determinada de Luiz de Mello, por certo caracterizada por uma maneira de ser exaltada e buliçosa, que D. Francisco de Lemos evidencia ao afirmar que se trata de um «animo naturalmente intrépido, para logo o considerar como o «Sacerdote mais miserável, que tem o Bispado». De facto, considerado o quadro mental, político e religioso que viemos a definir, a verdade é que o conflito não teria assumido as proporções que atingiu senão pela conjugação de tais factores com a personalidade deste Meio Cónego. Efectivamente, devem-se à sua intrepidez argumentativa os meandros que as diversas demandas vieram a percorrer. Também, neste sentido, podemos considerar, uma vez mais, as palavras de D. Francisco de Lemos ao referir que Luiz de Mello é «poderoso na Arte do Foro, e cheio de infinitos recursos», com o intuito de alongar as demandas e "confundir os Direitos mais certos». Certo é que este Meio Cónego, dotado de uma clara inteligência, de força de ânimo e possuindo um vasto conhecimento do direito eclesiástico e da prática jurídica da época, denota, de facto, uma profunda capacidade argumentativa, sabendo aproveitar a seu favor as minúcias processuais, o que lhe permite alcançar aquilo que reclama. A título de exemplo, constatamo-lo na questão dos Capelães e, muito especialmente, na particularidade da atribuição, que lhe é feita, do título de Cónego Meio Prebendado – sendo ele a denominar-se assim, vê legitimada pela autoridade régia a sua pretensão, partindo daí para a reivindicação da plena condição Canonical.
Luiz de Mello foi o grande protagonista de todas estas contendas que opõem os Meios Cónegos e Tercenários ao Cabido da Sé de Coimbra. Não apenas porque a sua casa foi o espaço de «assembleias diurnas, e nocturnas, em que se trata da ruína dos Capitulares", na expressão de D. Francisco de Lemos; mas sim, particularmente, porque foi o próprio Luiz de Mello quem tratou de formar o «façanhoso projecto de arruinar a differença das Ordens da Jerarquia da Cathedral». Ele, homem «dotado de um animo naturalmente intrépido, poderoso na arte do Foro, e cheio de infinitos recursos, que ella tem inventado para confundir os Direitos mais certos, e alongar as Demandas»na expressão do mesmo PreladoEfectivamente, foi ele a «Cabeça» de todos os Beneficiados no desenvolvimento do conflito. Foi-o em Coimbra, onde reiniciou as demandas; e em Lisboa, onde se manteve por períodos diversos, e por vezes bem longo, como verdadeiro embaixador da causa dos Beneficiados, ocupando-se a fazer «papeis para as causas», e sob o auxílio dos seus companheiros, que em Coimbra lhe «fazião os gastos» de modo a que não fosse multado. Ainda que não isolado, pois que no desenvolvimento do conflito D. Francisco de Lemos se refere sempre à acção de Luiz de Mello e seus Companheiros, foi verdadeiramente o promotor e o rosto da grande perturbação que se prolongaria na Sé Catedral de Coimbra por mais de duas décadas.Em todo este processo não é de estranhar, contudo, que Luiz de Mello tenha contado com o apoio de algumas personalidades influentes. Ainda que as não conheçamos na totalidade, e tão pouco a natureza de algumas das suas possíveis intervenções, não podemos deixar de considerar a proximidade familiar deste Meio Cónego com o grande jurisconsulto Pascoal de Mello Freire, de quem é irmão. Isso não significa obrigatoriamente, é certo, qualquer participação directa deste grande legista no processo conflitual; todavia, estranhar-se-ia que Luiz de Mello o não tivesse consultado a propósito das demandas em que estava empenhado. A verdade é que Luís de Mello soube usar, no desenvolvimento do processo litigioso, a sua capacidade mobilizadora: iniciando as demandas com os Cónegos a partir de uma questão pessoal – a questão dos Capelães – rapidamente as abriu ao interesse colectivo, congregando as vontades e intervenção decidida de seus pares. Mas entendamos, todavia, que esta ordem de Beneficiados da Sé Catedral de Coimbra – Meios Cónegos e Tercenários – não agiu apenas por simpatia para com o Meio Prebendado Luiz de Mello. O seu interesse ia mais fundo. Mediante a acção deste «cabeça» de motim abria-se, como se compreendeu já, a possibilidade de ascender a uma nova posição hierárquica.E, neste sentido, de aceder a uma organização que proporcionava um claro desafogo económico aliado a um novo estatuto social Luiz de Mello, contudo, independentemente do modo como acedeu à hierarquia Catedralícia, encetou um percurso de auto afirmação que nos parece assentar num alto conceito que faz de si próprio. Realidade que nos permite compreender a forma como afrontou o Cabido da Catedral de Coimbra. Podemos concluir, portanto, que quer um quer outro destes Meios Prebendados reconheciam a existência de um profundo poder simbólico inerente à condição Capitular, que se transforma em força motivadora para lutarem pela posse do título de Cónego. Em certo sentido – reafirmemo-lo –essa titularidade constituía-se, no contexto do Antigo Regime, como cume de um percurso de valorização pessoal que se trilhou, ou como reconhecimento de um poder preexistente que, como dissemos, interessava agora complementar.
Luís de Mello privilegia-os, usufruindo de uma capacidade de organização interna dos Meios Prebendados e Tercenários, como acima se referiu, que suporta a sua contínua deslocação à capital do Reino. Ao mesmo tempo, este Meio Prebendado parece granjear aí apoios diversos, o que lhe permite permanecer em Lisboa por períodos de tempo mais ou menos longos. Todavia, também aqui não dispomos de elementos suficientes para determinar a natureza desses apoios, quem lhos podia prestar, ou ainda onde se recolhia Luiz de Mello aquando destas deslocações.
3 - Diz o autor que Luiz de Mello passou períodos mais ou menos longos em Lisboa, sem saber quem o recolhia e apoiava. Obviamente era visita da casa do seu irmão Pascoal José dos Reis, que antes em Coimbra o tinha apoiado nos estudos sendo hóspede na sua casa,  para agora a recompensa de irmão grato e lhe dar  luz e demais ensinamentos de retórica para se vir a defender como se fosse advogado.

O Marquês de Pombal depois de destituído foi expulso para não voltar a pisar terra de Lisboa, obstinado e teimoso havia de voltar, e ao ser instigado respondeu - "piso terra de Pombal" que tinha trazido no coche...tamanha audácia compatível com a actuação de  Luiz de Mello na contenda que travou  no Cabido de Coimbra para subir na hierarquia eclesiástica na ambição do poder e angariar mais dinheiro.
Ambos tinham genes de talento reivindicativo judaico!
Possivelmente não mais voltou a Ansião, a sua irmã Ana de Mello Freire sua criada casou-se no oratório da sua casa na Rua de S. Cristóvão em Coimbra com o Dr. Bernardo Correia de Azevedo Morato.
Luiz de Mello faleceu na freguesia da Sé Velha a 15-4-1798 na sua casa na Rua de São Cristóvão.

FONTES
Livro de Noticias e Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes
Ansianenses Ilustres do Dr Manuel Augusto Dias
Cadernos e Estudos Leirienses nº 9
Dr Vítor Faveiro
https://geneall.net/pt/forum/59276/pascoal-de-melo-ascendencia/
T ese de Mestrado
 https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream.

Jurisconsulto Pascoal José de Mello Freire dos Reys nasceu em Ansião

Livro da sua autoria com o seu nome completo
Árvore genealógica elaborada por Henrique Dias

Avós paternos Manuel Rodrigues Bicho ou Manuel Roriz Bicho - encontrei registos posteriores com este apelido dito alcunha que se  fidelizou.
Avós maternos José Carvalho de Vila Cã (Pombal) e Luísa Freire da Ribeira do Açor , Ansião.
O pai de Belchior dos Reis viveu no Escampado de Calados em Ansião, encontrei um registo de casamento no Escampado de Santa Marta que o menciona que revelo na cronica a ele dedicado. Depois de casado com Isabel Rodrigues foram morar no Casal do Galego,  hoje Pinhal, a sul de Ansião, onde ainda existem dois troços de estrada real, um em vias de desaparecer se não lhe acudirem o que se lamenta se lhe acrescentar a  perda da toponímia antiga em ditar a origem deste casal e de outros que ali moraram vindos da Galiza, onde vivia uma grande concentração de Judeus Sefarditas ou Ibéricos com minorias do povo franco, celtas e outros. A consolidação do Condado Portucalense veio a ser o sul da Galiza, permitiu a famílias partirem rumo a sul tomando as estradas romanas agora medievais onde se foram instalando como estalajadeiros e taberneiros, e Ansião não foi excepção. Aqui aportaram outras famílias descendentes de gregos, cartagineses e fenícios, mercadores e homens de mar, Judeus Filisteus que da Galiza se aventuraram em pescaria tendo aportado a Lavos e Buarcos,, onde construíram casas de brunhos redondas como as que conheciam da Citânia de Briteiros e em Santa Tecla, chegaram até aos anos 30 do séc XX na Costa de Caparica de pescadores vindos de Ílhavo, e de Olhão, onde se sabe viveu antes uma pequena comunidade fenícia en Tavarede, em Mira e Tocha ainda prevalecem os palheiros em madeira. Nem todos se dedicaram à pesca havendo famílias a se encaminhar da Gândara para o o Maciço de Sicó onde deixaram raízes da sua Diáspora nos tradicionais moinhos de madeira que rodam à força de um homem cuja semelhança só existem no Afeganistão, fui a primeira a fazer esta correlação neste Blog e  azenhas ou moinhos de água por todo o norte e na região desde Soure, Pombal e Ansião e se estendeu a Figueiró dos Vinhos, Tomar e,... Durante a centúria de 500 aportaram outros Judeus vindos de comunidades instaladas na raia das Beiras Alta e Baixa , na maioria Judeus Asquenazes na sua Diáspora se fixaram nos países que hoje formam a Alemanha , França Bélgica, Itália e mais 3 da Europa oriental e no tempo se encaminharam para a Península Ibérica e com a  expulsão em 1492 pelos Reis de Espanha obrigados a se converter à religião cristã em Portugal. Identifico  ainda hoje nas gentes, os genes, a determinar a existência de pequenas comunidades na Constantina de Judeus Asquenazes e Galileus e no Escampado de Calados, Judeus Filisteus com outros clãs a que se juntaram mouros.Outra caracteristica que se encontra e distingue nos vários clãs de Judeus foi o cruzamento na mesma linhagem para concentração da riqueza, amparo, união, interesses, entre outras.Hoje a quem é curioso como eu e observador nota além dos genes, o carater calado e grandes talentos, pese ter havido cruzamento com mouros, como eu tenho na minha família paterna e materna, em que os genes primários sobressaem em mim e noutros  em Ansião e circundantes. 
Os pais de Pascoal dos Reys
Depois de casados foram morar na Quinta do Bairro sita ao Largo do baldio do Ribeiro da Vide em Ansião onde tenham nascido os filhos.
Nas minhas investigações as quintas da herdade de Ansião estavam a foro ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, cujos padres na vigararia de Ansião acumulavam a função de Procurador. Nesse pressuposto seja verossímil a quinta do Bairro esteve a foro nos finais da centúria de 500 na família de João Freire, homem que veio a instituir em 1603 uma capela a Santo António no promontório desanexado desta quinta para abertura de um novo caminho a nascente do Largo do Bairro para a vila.
Belchior Reys só podia ter vivido em dois locais ao Ribeiro da Vide
A norte na casa que foi de João Marques André, veio a ser herança, por serem  familiares ou noutra mais a sul do largo, também hernaça que apresenta chão empedrado de calhau calcário negro no r/c , a casa no tempo devia ter sofrido alteração, ao lado encontra-se um muro baixo,  mas ainda conserva a caracteristica de duas portas à maneira judaica, seria esta a casa onde viveu Belchior dos Reys?
Parede primitiva  a norte da  casa?
Encontrei este um muro baixo quase rente ao chão onde teria assentado outrora a primitiva  parede e  nos séculos seguintes foi alterada como agora se encontra mais pequena(?).
Casa actual da Quinta do Bairro ao Ribeiro da Vide
Belchior dos Reys
Foi oficial do exército português que se distinguiu na Guerra da Sucessão de Espanha, em que Portugal participou, entre 1704 e 1712. 
Naquele tempo foi implementada uma mediada para isentar famílias que mandassem filhos para Seminários ou Ordens ficavam libertos de fazer entrega de Declaração de pureza de sangue. Por isso o seu primogénito Marcos, se licenciou e nada ficou escrito na sua ficha, o que seja verossímil dizer também porque já tinha a família ultrapassado a 4ª geração, então o limite. Há descendentes desta família em Ansião que sabem que são descendentes de judeus disseram-me um deles  foi para padre, denunciado e expulso e havia um livro em casa que desapareceu.Não há nada escrito sobre esta família nem doutras igualmente importantes que fazem parte do passado de Ansião estariam registadas em  Tombos e Actas da Câmara e da Igreja que fez entrega na implementação da Republica , para tudo se perder no incêndio nos Paços do Concelho em 1937 onde estava arquivada. Por isso a minha investigação passa por ler o que existe e falar  para correlacionar documentos jamais assim analisados ou dissecados e ainda padrões com as terras limítrofes na aproximação a esta terra do que foi o seu passado pese a contradição sem jamais me arrepender mesmo se errar porque a minha investigação é continua na procura de mais aclarar e quiçá emendar, porque é crescer, estamos a falar de História, debalde  sempre incompleta!

Citar excerto https://geneall.net/pt/forum/59276/pascoal-de-melo-ascendencia/ de Manuel Augusto Dias, Ansianenses Ilustres, vol. I, Ansião, 2002) 
" Nasce a 6 de abril de 1738 em dia de Páscoa por isso lhe é dado o nome de Pascoal. Foi baptizado a 13.04.1738. Homem dotado, e que constitui a base do carácter sisudo e austero de um magistrado público destinado a representar o soberano no exercício das gravíssimas funções do poder judicial. A partir dos 12 anos vai para Coimbra, sendo entregue aos cuidados de seu irmão Luís (padre) que se responsabiliza pelos estudos  preparatórios que antecedem a entrada na Universidade. Aos 13 anos de idade, inicia os seus estudos na Universidade onde se revela um estudante brilhante, e, no dia 13 de Maio de 1757, com apenas 19 anos de idade, doutorou-se na Faculdade de Leis, o que, naturalmente, foi considerado um feito notável e raro. Em 1772 inicia, na mesma Universidade, «uma notável carreira de lente universitário»"
«Ocupou os mais elevados cargos da nação. 
«Pascoal de Mello Freire foi provido na Colegiada de São João Baptista, de Coruche,nas Conezias Doutorais das Sés da Guarda, Faro e Braga, professor da cadeira de Direito Pátrio, Desembargador da Casa da Suplicação, Deputado da Mesa da Censura, da Bula da Cruzada, da Mesa...»
«(...) Pascoal de Mello Freire dos Reis  concorreu à cadeira de Véspera da Faculdade de Leis, que ficou a reger. No seu tempo, ocorreu em 1772 a reforma dos estudos de Direito que fundiu as Faculdades de Leis e de Cânones.
Na Torre do Tombo, encontra-se a sua habilitação de Bacharel (1778, Maço 1, n.º 32), datada de 10 de Agosto de 1778, visando aparentemente uma nomeação como Desembargador da Relação do Porto, cargo para que não chegou a ser nomeado.
Por Decreto de 21 de Outubro de 1781, ficou regente da cadeira de Direito Pátrio, em que se integrou a maior parte da sua obra escrita.»
«Cónego, jurisconsulto e professor. Foi um dos mais importantes jurisconsultos portugueses, fundador da Jurisprudência Pátria e da História do Direito Civil Português. Entre os importantes cargos e títulos.
1772-90 Professor de Direito Pátrio na Universidade de Coimbra
1783 É Deputado da Bula da Cruzada e da Assembleia da Ordem de Malta
1785 É Provisor do Grão Priorado do Crato e Desembargador da Casa da Suplicação
1787 É Deputado da Mesa da Comissão Geral do Exame e Censura dos Livros
1792 É Deputado da Casa do Infantado
1793 Deputado do Santo Ofício e Conselheiro de D. Maria I
Cónego Doutoral das Sés da Guarda, de Faro e de Braga; Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa; e Professor de Direito Pátrio na Universidade de Coimbra»
Em 1798 Morre em Lisboa, no dia 24 de Setembro, com 60 anos».

Segundo o Dr Vítor António Duarte Faveiro
"Pascoal de Mello Freire e a Formação do Direito Público Nacional, Ansião, Publicações Ediliber, 1968, p. 39. Também de seu nome completo Pascoal de Mello Freire dos Reys. (Cf. Manuel Lopes de Almeida, Documentos da Reforma Pombalina, vol. I (1771 – 1782), Coimbra, Universidade de Coimbra, 1937, pp. 322 – 323)."
Citar excerto https://portal.oa.pt « (...) inaugurou a cadeira de Direito átrio (Direito Português) que o Marquês de Pombal acabara de inaugurar. Muito jovem não era o titular da cadeira que seria o arquitecto e obreiro , tendo o curioso titulo de (substituto), embora tenha sido ele quem, sem qualquer colaboração, percorreu toda a antiga e moderna legislação , e pela primeira vez a dotou de um verdadeiro sistema doutrinal.Quando foi nomeado definitivamente, nove anos somente antes da sua aposentação, um monumento jurídico havia já sido erguido pela sua pena:a primeira história do direito português, ( Historiae Juris Civilis Lusitani de 1788) ,os dois tratados fundamentais do nosso direito o Civil e o Criminal , que ninguém jamais ousara escrever e Institutiones Juris Crimilanis Lusitani de 1789, esta última numa perspectiva mais prospectiva influenciada pelo iluminismo penal de Cesare Beccaria e Fillangeli, (Génova/1738- 1794/Milão), difundidas na Europa a partir de 1764 com a publicação do seu Dos Delitos e das Penas, tiveram eco em Pascoal de Melo e nas suas aulas em Coimbra, tendo sido chamado pela rainha D. Maria I que o encarregou em 1783 de fazer um Novo Código Penal, que ele apresentou em 1789 através de um Novo Código de Direito Público e de um Ensaio do Código Criminal a que mandou proceder a Rainha fidelissima D. Maria I (embora só seja publicado em 24 de junho de 1823), citando na introdução deste último Beccaria, Locke e Montesquieu e preconizando no seu conteúdo leis menos severas, a fim de evitar maiores tormentos aos condenados, assim como atenua penas, embora mantenha algumas infamantes. Daqui se atribui a Pascoal de Melo a posição de precursor do moderno direito penal português, por fazer eco do pensamento iluminista e humanitário, mesmo que nenhum dos seus códigos tenha sido adotado. Aliás, no processo de revisão do Livro II das Ordenações, houve uma polémica famosa entre Pascoal de Melo e António Ribeiro Santos, em que primeiro apodou o segundo de republicano. »
Foto de Francisco Leite Pinto do Arquivo Municipal de Lisboa
Arquivo Municipal de Ansião
Quadro datado de 1937. Pascoal dos Reys condecorado com uma Cruz de Cristo ao peito
Os retratos acima e em baixo são diferentes, em cima aparenta ser mais velho e em baixo mais novo de rosto oval alongado, nariz muito comprido, lábios finos, farto cabelo, olhar triste e mãos grandes.Evidencia ascendência de clã judaico que ainda perdura em Ansião, o revejo na minha  linhagem paterna dada pelo apelido Rodrigues dos seus avós paternos no perfil de alta silhueta e magreza de carnes, ao invés de outro clã também evidente de tronco bem encorpado e olhos claros. O meu tio Alberto Lucas escreveu a Crónica Histórica de Pousaflores relatando testemunhos da sua avó Brízida Ferreira - Galileus e Fariseus se fixaram em  Chão de Couce, Fariseus em Maças de D. Maria e em Pousaflores, Galileus, os Dias. Acrescento sobre as minhas investigações que os Filisteus vindos da Grécia e da Fenícia deles ainda persistem genes em rostos pesados com sobrancelhas grandes a lembrar o gigante Golias com quase 2 metros. Em Almoster supostamente a alcunha dada pelo aspecto fidelizada em apelido que se exibe neste jazigo do cemitério.
A toponímia de Lisboa com o nome de Pascoal de Melo em Arroios 
Lamentavelmente o nome pela metade!
«Após 84 anos do seu falecimento e 15 após a abolição da pena de morte em Portugal este vulto maior do direito português teve honra de dar o seu nome a uma Rua de Lisboa onde morreu a 24.9.1798».Invalida aos lisboetas de apelido "Reys" de se questionarem da sua origem nesta suposta ligação familiar... 
Toponímia em Ansião
E em Ansião...na sua terra natal na dupla a toponímia e do nome da Escola C+S, sem ninguém a reparar no passado e na história em casa que se ensina história!
Leva a descendentes a não se identificar com o seu ilustre ansianense!
O seu dia do seu nascimento já foi feriado municipal em Ansião até ser mudado para a quinta feira de Ascenção, que se mantém. Num livro de César Nogueira na década de 30  relata a taberna do Courela sita no r/c do solar conhecido pela casa do "Zé Piloto" ultimamente requalificada para Lar de luxo - naquela casa tinha nascido e por isso a menção do feriado. Diz-se que o solar data de 1735 e Pascoal nasceu em 1738.Nas minhas investigações aponto este solar onde nasceram os Soares Barbosa, seus familiares pelo comum apelido Freyre que não o receberam  do pai por este ser pobre,  quando faleceu o padre escreveu não deixou testamento não tinha de quê... mas o teria sido rico e tenha perdido a fortuna em jogo de vinho e azar(?), numa maioria  de povo pobre em nenhum assim o padre se refere.
Na toponímia  a Rua que lhe corre pela frente foi atestada com o nome de um filho - Jeronymo Soares Barbosa, em acreditar ao tempo pessoas dotadas de discernimento em deixar testemunhos credíveis do passado para o vir a perder mais tarde a decidir sobre toponímia!

A Câmara Municipal de Ansião no mandato PSD
(...) «fez a entrega de 50.000$00 ao Arquivo Distrital de Leiria para a recuperação da obra Historiae Juris Civilis Lusitani, cujo autor, Pascoal José Melo Freire dos Reis, era natural de Ansião."
Desconheço onde se encontra a obra!
Deveria integrar o futuro Museu de Ansião como  A Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza do padre igualmente nascido em Ansião Jeronymo Soares Barbosa.
«A Pascoal de Mello Freire dos Reys  se juntam muitas obras menos conhecidas , ditadas sobretudo pela motivação polémica do momento, alguns inéditos, ou publicados post mortem por seu dedicado sobrinho, Francisco de Mello, ou por outros.O famoso iluminista que tinha seguido o humanitarismo penal do iluminismo em voga, e adaptado da escola alemã o usus modernus pandectarum teve o seu baptismo de fogo. O seu projecto e a resposta às suas criticas testemunham uma muito curiosa atitude. Ribeiro dos Santos, seu colega da gémea faculdade de Canones , acusa-o e estigmatiza-o como o representante de despotismo português. é desnecessário dizer que os ventos revolucionários de França e a dissenção entre os nossos jurisconsultos desencorajaram a Rainha a promulgar os códigos constitucional e criminal.»

Pascoal de Mello Freire dos Reys 
Encontrei uma referencia que Pascoal dos Reys veio a incrementar uma medida na Lei vindo abolir o esquartejamento de corpos de bandidos e malfeitores depois de mortos no cadafalso  como tinha acontecido ao malfeitor Rui Mendes de Abreu de Ansião em 1679.

O sobrinho de Pascoal Dos Reys - Francisco Freire da Silva e Melo
(...)e que se queixava de desleixo e incúria da parte da Academia da Ciências aquando da impressão das obras de seu tio. O Jornal do Comércio, n.º 4 626, de 3 de Abril de 1869, insere um artigo da autoria de José Maria António Nogueira, que se refere à morte e sepultura deste ilustre patrício de Ansião, a partir do Dicionário Bibliográfico, vol. XVII, p. 142 e seguintes (em português actual, excepto a certidão de óbito, para facilitar a sua leitura): «Melo Freire acabou os seus dias na freguesia de S. Jorge, de Lisboa, para onde viera morar em 1796, tendo em sua companhia seu sobrinho Francisco Freire da Silva e Melo, e mais dez pessoas de família, todas com a denominação de criadas, segundo consta do rol das desobrigas daquela freguesia e ano, que examinámos. Tendo falecido a 15.02.1838 em Lisboa. A contar de 1798 não há mais desobrigas desta família na freguesia de S. Jorge, o que leva a crer que mudou de residência, após o falecimento de Melo Freire, ocorrido a 24 de Setembro do dito ano. Não será de mais que ponhamos aqui a certidão de óbito do notável jurisconsulto, não só por ser documento que ainda não vimos publicado, mas porque precisa de uma rectificação que talvez possa aproveitar de futuro. “Aos 24 dias do mez de setembro de 1798 annos, falleceu da vida presente, n'esta freguezia de S. Jorge, o illustrissimo e reverendissimo desembargador Paschoal de Mello Freire dos Reis, filho de Belchior dos Reis e de D. Faustina Freire de Mello, natural da villa de Ancião, bispado de Coimbra; recebeu sómente os sacramentos da penitencia e extrema uncção, e não recebeu o Sagrado Viatico por não dar logar para isso a molestia. Foi sepultado sem testamento n'esta igreja de S. Jorge. De que fiz este assento, dito mez e era ut supra. = O prior, Antonio José Rodrigues (Livro III dos obitos a folhas 184 verso)». 

Em https://terrasdaribeirinha.wordpress.com - Título: Discurso Anti-Académico Autor: Francisco Freire de Melo Ano: 1820 «Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra no ano de 1786, desempenhando posteriormente vários cargos, nomeadamente Deputado da Inquisição de Lisboa e Arcediago da Sé de Leiria. Francisco de Melo, foi padre, doutor, latinista, polemista, Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa mas, acima de tudo, um grande impulsionador da publicação da Obra do seu tio, Pascoal de Melo, de quem era grande admirador. Pegou nos seus manuscritos, grande parte deles inéditos,  e procedeu à sua transcrição. Com o desenvolvimento deste trabalho foi-se apercebendo que alguma da Obra de Pascoal de Melo, já publicada, teria de ser revista, pois haveria muitas correcções a fazer. Assim, comunicou à Academia de Ciências, responsável pelas Obras já publicadas, a sua disponibilidade para colaborar numa nova edição, mas nunca recebeu resposta.O Discurso Anti-Académico é um folheto raro e fundamental para se perceber a polémica entre Francisco Freire de Melo e a Academia Real das Ciências de Lisboa por causa da reedição das Obras de Pascoal de Melo Freire pela Universidade de Coimbra, em 1815.»

No Jornal do Comércio, n.º 4 626, de 3 de Abril de 1869 
" um artigo da autoria de José Maria António Nogueira, que se refere à morte e sepultura do nosso ilustre patrício, e que transcrevemos, a partir do Dicionário Bibliográfico, vol. XVII, p. 142 e seguintes (em português actual, excepto a certidão de óbito, para facilitar a sua leitura): «Melo Freire acabou os seus dias na freguesia de S. Jorge, de Lisboa, para onde viera morar em 1796, tendo em sua companhia seu sobrinho Francisco Freire da Silva e Melo, e mais dez pessoas de família, todas com a denominação de criadas, segundo consta do rol das desobrigas daquela freguesia e ano, que examinámos. Nos anos de 1797 e 1798 também aparece vivendo em companhia de Melo Freire outro seu sobrinho, José de Melo Freire da Fonseca. A contar de 1798 não há mais desobrigas desta família na freguesia de S. Jorge, o que leva a crer que mudou de residência, após o falecimento de Melo Freire, ocorrido a 24 de Setembro do dito ano. Não será de mais que ponhamos aqui a certidão de óbito do notável jurisconsulto, não só por ser documento que ainda não vimos publicado, mas porque precisa de uma rectificação que talvez possa aproveitar de futuro. “Aos 24 dias do mez de setembro de 1798 annos, falleceu da vida presente, n'esta freguezia de S. Jorge, o illustrissimo e reverendissimo desembargador Paschoal de Mello Freire dos Reis, filho de Belchior dos Reis e de D. Faustina Freire de Mello, natural da villa de Ancião, bispado de Coimbra; recebeu sómente os sacramentos da penitencia e extrema uncção, e não recebeu o Sagrado Viatico por não dar logar para isso a molestia. Foi sepultado sem testamento n'esta igreja de S. Jorge. De que fiz este assento, dito mez e era ut supra. 
= O prior, Antonio José Rodrigues (Livro III dos obitos a folhas 184 verso)”.

As exéquias fúnebres de Pascoal José de Mello Freire dos Reys
« falecido em Lisboa a 24 de setembro de 1798, foram uma grandiosa homenagem do mundo jurídico nacional ao grande mestre jurisconsulto. O elogio, em latim , de Garção Stockler, e uma bela peça de oratória e um exemplo da sua fama.Entretanto daí em diante quase foi esquecido.Os estudos sobre ele não chegam a preencher a contagem dos dedos de uma mão, e actualmente quase não aparece citado senão nos trabalhos de História jurídica e na parte histórica dos tratados de Direito criminal »

Pedra tumular de Pascoal José Mello Freire dos Reys
Encontra-se no Convento do Carmo em Lisboa 
Para um homem Grande, teve uma sepultura simples!
Pascoal dos Reys
Viveu na sua casa em Lisboa com irmãs e outros familiares no total de 10 que dizia serem criados...a denotar sistema de amparo muito comum no seio de famílias judaicas, temática jamais abordada por ninguém, levantada por mim, sem medo, em o afirmar .
Por todos os créditos que teve na sua vida, de facto Pascoal dos Reys foi homem de mente brilhante, sendo certo que ninguém jamais abordou a razão de apenas com 19 anos ter sido o juiz a bater o martelo na sentença dramática da família mais ilustre portuguesa - os nobres Távora a lhes ditar uma morte horrível no cadafalso, a favor dos interesses e ganância do Marquês de Pombal. Enigma a deslindar jamais estudado a preceito, mostrando-se o Marquês visivelmente mais ambicioso o teria supostamente coagido por ser jovem juiz , aflorando a comum ascendência da linha judaica e de parentesco, em que o Marquês com poder que o rei lhe favorecia, o intimidou para executar a sentença a seu contendo ou promessa de alguma valia...Em verdade Ansião sendo terra de canteiros nunca lhe  erigiu merecida estatuária!
De todos os considerados Ilustres Ansianenses saídos de  Ansião para estudar  em Coimbra nenhum voltou tão pouco deixou escrito memorias do passado da sua meninice, tradições e linhagens, apenas a destacar - Pascoal dos Reys por tentar regressar à sua origem ao mandar construir um solar em chão  de família Freyre, debalde a morte o surpreendeu cedo e por isso não o viu acabado. Seja esse mérito o da vontade mayor de voltar à sua terra de Ansião, que o viu nascer , em  ressaltar  tamanha nobreza em  desculpar o mal que causou a tantos com a brutal sentença  aos Távoras.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Lagoa do Castelo na encosta do Senhor do Bonfim em Ansião!

Até hoje a data de 1175 a marcar a primeira referência à vila de Ansião da escritura de venda de dois quartos da sua herdade no total de quatro vendidas até 1176 ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, por Pedro Mendes  Osório Rodrigues .

Lagoa do Castelo na encosta do Senhor do Bonfim
O Livro do Padre Coutinho de 1986 veio originar a aprovação de um Projecto da Carta Arqueológica do concelho de Ansião em 1997, com prospecções em vários anos.
Em 2010 com prospeção no Escampado de S.Miguel «O local terá albergado um povoado, enquadrável na Idade do Ferro. Na cumeada parece observar-se muralhas implantadas sobre contínuos afloramentos de rocha natural. Apesar dos elementos descritos na bibliografia, em visita ao local, e após intensa prospeção numa área com cerca de 163.680m², não foi possível detetar quaisquer vestígios arqueológicos. A este facto, não será alheia a abundante vegetação arbustiva.»
Sem se perceber concretamente a que local se referem na deficiente explicação do local e sem foto, a evidenciar não andaram com gente conhecedora dos locais (?) teria sido na Lagoa do Castelo ou para sul no final do Escampado de S.Miguel? 
Vinda de norte no final do Escampado de S.Miguel ao alto que parece terminar em abrupto outeiro fragoso distingui do caminho  num quintal uma imensidão de muros grossos de pedra que esta foto documenta.Pode evidenciar ali existiu um povoado ou simplesmente é um amontoado de muros grossos de pedra?
Limite do Escampado de S Miguel a norte

A primeira vez há anos que conheci a Lagoa do Castelo deixei-me ficar desolada por não enxergar água tanta era a vegetação e assoreamento, tendo na sua frente distinguido lajes que me reportaram para calçada romana (?) da suposta continuação da calçada vinda de norte Graminhal, com troço catalogado em Vales, ao Vale de Boi, Pinheiro, Santana, Mata da Mulher  e ao contornar a Lagoa do Castelo seguia para sul pelo Escampado de S. Miguel , Santa Marta onde em miúda recordo de ver grandes pedras aprumadas a emergir da terra como fantasmas , descarnadas, umas muito acima e outras mais abaixo no final do caminho, muito mais  tarde voltei para fotografar, infelizmente uma nova estrada roteada para Albarrol destruiu estes vestígios para sempre, pese o bom senso e ponderação - nem toda a calçada é romana. Noutra prospecção nos Escampados no caminho para o Marquinho depois de Santa Marta encontrei um caminho lajeado muito fragmentado em aventar posas ser este o da via romana vinda dos Moinhos de João da Serra, o que também faria sentido. Porque depois de Santana o caminho entronca nos Nogueiros.

Mata da Mulher 
Na margem esquerda da ribeira do Nabão, a sul da Ponte Galiz  foi dado o nome invulgar - Mata da Mulheronde o povo ainda fala que as mulheres fugiam dos romanos e se escondiam nas buracas dos carvalhos, onde ao alto ainda existe a dolina cársica atestada na toponímia por  Lagoa do Castelo onde existiram restos de muralhas, assim falava a tia  do meu pai Júlia à neta agraciada com o mesmo nome, a reportar para um povoado, castro ou castelo que aqui existiu? Que outra razão o povo teria para lhe chamar Lagoa do Castelo?  Fulcral e necessário investigar e interpretar os locais para deslindar o traçado da via romana por onde entrava a poente em Ansião.De facto não se encontra referência em nenhuma documentação de um castelo aqui junto da lagoa, mas também noutros locais do concelho igualmente existe a toponímia Castelo e não existem; Lagoa Parada em Santiago da Guarda; Torre de Vale de Todos; Avelar,  também se fala da existência de um castelo na Serra do Mouro, Ateanha e Pousaflores, já no Alvorge houve uma torre de atalaia romana que ditou o nome, e em Alcalamouque, palavra de origem árabe com a mesma designação . Torres e castelos foi herança deixada por romanos e  mouros para alguns terem sido melhorados na reconquista cristã com outros a se perderam pelo abandono, quando já  não se mostravam necessários, sendo óbvio que o povo reutilizou as pedras para as suas habitações e afins.Desconheço se hoje ou ainda haverá algum vestígio do resto das muralhas que a tia do meu pai conheceu e falava à neta, possivelmente as viu na  sua propriedade defronte da lagoa, por ser o local mais desafogado e altaneiro. Na grande probabilidade de terem sido reutilizadas na casa da quinta da Boa Vista que foi de Rui Mendes de Abreu, hoje apenas existe a capela do Senhor do Bonfim.
Em concluir,  por Ansião passaram pelo menos duas vias romanas principais que em época medieval tomaram o nome de estrada real a poente e estrada coimbrã a nascente, com troços de ligação entre elas para os habitts  romanos junto do Nabão até ao actual Vale Mosteiro actual e poente da actual vila a merecer estudo e interpretação .Sobre a Lagoa do Castelo e do Escampado de S. Miguel, a necessitar estudo para atestar qual  foi o primeiro burgo povoado e de defesa de Ansião da idade do ferro a destronar o lugar de primeiro atribuído ao chão do cemitério?

Lagoa do Castelo
O povo chamou às geoformas ou dolinas cársicas características da paisagem do Maçico de Sicó, lagoas, por serem em geral de aspecto redondo para o alongado de pequena dimensão com água. Na minha segunda vez  no mês passado que me desloquei à Lagoa do Castelo constatei com satisfação afinal não está morta, tinha muita água.No regresso encontrei a Helena Lopes que me disse  que há tempos uma máquina a encurtou nos limites das margens para alargar o caminho na sua frente e para manter água para as perdizes...
No passado conheci outras lagoas que entretanto foram literalmente assoreadas pelo traço de estradas como a lagoa de Santiago da Guarda na frente da Casa Senhorial , a que existia no cruzamento do Vale Cerejeiro a sul da Fonte da Costa, a lagoa na entrada nascente de Albarrol, a lagoa da Chã Galega com a estrada ficou barranco para  há poucos anos ter sido totalmente assoreado pelo novo alargamento da estrada, havia outro barranco que deu nome ao Lugar ao fundo dos Matos, foi destruida a lagoa ao limite do Casal das Sousas e,...Estas lagoas foram importantes no passado no Maciço de Sicó por ser parco em água no verão em que o povo delas se servia para dar de beber aos gados e no meu tempo mulheres lavavam a roupa  como na Lagoa do Pito. Também num passado mais primitivo a sua existência tenha sido fulcral para sediar um pequeno povoado ou  castelo de vigia e defesa na Lagoa do Castelo . Estas lagoas deviam merecer atenção da autarquia  e das Juntas de freguesia para as manter preservadas e limpas de vegetação infestante  por serem testemunhos indeléveis a marcar a paisagem idílica de brutais contrastes, ora insípida, agreste, desértica, de pedra escalabrada branca vestida de terra rossa e  por todo o lado debruada à toa de erva de Santa Maria e outros tomilhos; jacintos, orquídeas, lirios, orquideas, cucas, arruda, alecrim, esteva, rosmaninho e carrascos a cobrir costados e vales verdejantes de vegetação crespa e compacta chamada Mediterrânica, com salpicos aqui e ali de frondoso carvalhal, pinheiral manso e bravio, mancha de medronheiro, loureiros e ameixeiros bravios para fazer aguardente em que eucaliptos a espécie invasora alastra sem pedir licença...
Quem nunca ouviu falar do tesouro enterrado na Lagoa do Castelo?
Reza a lenda  que a capa do rei está enterrada debaixo do penedo da lagoa...
A invocação à capa do rei o tenha sido um rei mouro, por ser rica bordada a ouro e pedrarias em invocar a a riqueza ao tesouro. O penedo a merecer estudo parece ser mármore, como os há pela encosta da serra de Nexebra, nome dado pelos romanos e que no século XIX o químico italiano da Universidade de Coimbra Domingos Vandelli estudou um filão de mármore na Lagarteira, o meu pai falava haver outro no Carril ao fundo do Casal das Pêras no Vale Perrim.
Lendas de tesouros enterrados existem similares no castelo de Montemor o Velho com duas arcas enterradas uma com o bem, a riqueza, e outra com o mal, a peste.Mais perto de nós no Sobral  a sul de Penela descrito por Jarnaut  em que se diz sobre os seus rochedos  existe um grande algar  onde está soterrada uma caldeira de oiro de grandes dimensões.
Garreaza - topónimo que se não lhe acodem morre para sempre. Em miúda recordo o episódio passado com o Rafael da Garreaza agarrado à leitura do  livro de S. Cipriano alucinado com a lenda do tesouro que se falava existir  enterrado junto da Lagoa da Castelo na Costa, a poente do Senhor do Bonfim, no tempo teria feito parte da Quinta da Boa Vista,  cujo dono Rui Mendes de Abreu assaltou e saqueou muita gente para algures na sua quinta o tenha enterrado  junto da Lagoa ?...Ou não, segundo as vozes é mais antigo e tenha sido enterrado por um rei mouro...Mas também pode ter sido pelos judeus que vieram com ouro e Imagens, que esconderam debaixo de lapas de pedra, ao serem descobertas em tempo de beatice veio a ditar Milagre...e as moedas ainda podem estar de facto escondidas...
O Rafael, era boa pessoa, o conheci bem, prestava trabalhos agrícolas para os meus pais.Longe vai o tempo que não se falava de outra coisa de ter convidado o Zé Serra do Escampado Belchior, para irem escavar o tesouro"  arca enterrada cheia d'oiro" na Lagoa do Castelo. O Serra não foi na conversa, mal deixou os bois no curral foi-se deitar. O bom do Rafael embevecido na leitura do livro de S. Cipriano cujo preceito dizia para se chegar pela meia-noite foi fazer tempo no café Chico do Fernando ao Fundo da Rua, para a certeza com os copos ter dado com a língua nos dentes ao falar da sua real intenção. Desconheço se estava munido de enxada, ou já a tinha deixado no local. Estaria à meia noite no local como manda o preceito onde chegaria cansado depois da subida brutal do promontório do Senhor do Bonfim e dali ainda até à Lagoa do Castelo, grande caminhada  com  suposta candeia para se alumiar  para supor que alguém que o ouviu no café ficou com vontade de o seguir sem que disso ele se desse conta, na convição ver para crer , o que me apraz dizer. O Rafael ao chegar à Lagoa do Castelo começou a cavar quando é surpreendido por uma voz - ”Tiras tu, levo eu “ levas tu, tiro eu” “ ou tiras tu, mais eu?” Óbvio que o bom do Rafael homem destemido, sem medo, ali na escuridão responde afoito à voz : “Não, tiro só eu”!
Mal responde de forma egoísta nesse preciso instante começou a apanhar paulada de meia-noite, nitidamente  "borrado de medo" por achar que era obra de almas penadas que o atacavam pela audácia em vir roubar o tesouro,  desata em fuga a caminho do Escampado de S. Miguel onde só pára na casa do tio do meu pai, o António Rodrigues Valente, sem uma bota que a perdera pelo caminho, sendo tão medonho o seu estar, diziam, que ali pernoitou só saindo pela manhã...e já ia alta quando o bom do Rafael sai do Escampado de S. Miguel de regresso a casa na Garreaza, seriam 11 horas, e às Almitas apareceram-lhe duas velas acesas uma de cada lado, se ainda estava assustado, mais ficou...depois disso nem queria que lhe falassem da lenda da Lagoa do Castelo, visivelmente com o corpo moído pela tareia que levou horas antes e, com o raiar do sol ainda alucinado?
Nunca se soube quem o teria surrado e bem surrado. Não acredito em almas do outro mundo...
Falava-se também do Zé Forte do Lousal
Outro visionário a tentar descobrir o tesouro, dizia quando ali foi saiu montado num cavalo a galope que só parou para lá do Vale Judeu, em Santiago da Guarda...Grande alucinação, para noutra vez numas casas desmoronadas na saída da Sarzedela também andou na procura de um tesouro que se dizia estar lá escondido, até a mulher se zangou com ele...
Formigais (Ourém) onde de vez em quando aparece gente com o livro de S. Cipriano à procura de um tesouro...
Pelmá , fala-se de um tesouro romano de numerosas moedas de ouro, prata e bronze encontrado por volta de 1751, então um  priorado do Conde de Atouguia(?), Tão pouco sei o seu destino!
A norte, no Alvorge, denários em ouro foram encontrados junto da Fonte do Alvorge possivelmente escondidos por algum soldado romano.
No castro de Trás de Figueiró foram encontradas 15 moedas, que levou o Padre José Eduardo Coutinho em chamar-lhe tesouro,   um emigrante natural do Alvorge encontrou mais 14 moedas que as veio a oferecer ao seu patrão na Bélgica, denotando suposta real falta de cultura e sentido de património, em não saber valorizar a sua terra de a deixar enaltecida com os achados do seu passado para e somente seduzir o seu patrão...Uma coisa seria oferecer -lhe uma moeda, outra coisa foi oferecer o tesouro!
Bairro de Santo António em Ansião
No quintal dos meus pais quando se procedia à retirada de terra para os caboucos da casa foi encontrado um pedaço de corrente em ouro por uma prima do meu pai, que o pai dela logo vendeu. 
No quintal da última estalagem foram encontradas algumas peças perdidas por viandantes - um brinco com a data de 1640 foi-me mostrado. Falava-se que foram vendidas no Banco de Portugal em Coimbra.
No quintal dos meus tios ao lado dos meus pais os homens a cavar para a sementeira do milho ao se abaixar e levar a mão ao bolso era sinal que tinham encontrado ouro.Teria sido terreiro de acampamento de comitivas em habitat romano?No quintal dos meus pais encontrei há anos dois pedaços de telha tegulae, muito grossos.Em miúda ouvia falar ter aparecido numas ruínas de uma casa que ainda me lembro dela uma panela de libras ao Pinhal ( Casal do Galego, Ansião) na beira da que foi a estrada real...O "Mocho" do Bairro encontrou na Igreja Velha onde passava a estrada real uma moeda em ouro,  se falou requalificou a casa...Fora os que encontraram mas  nada disseram!
Escampado Ansião, o Chico Serra confidenciou-me em novo a remodelar uma chaminé de uma casa no Escampado encontrou uma moeda que dizia PORTUCALE , depois disso foi trabalhar para Seiça onde a veio a vender ao patrão que lhe deu o mesmo valor que um mês de ordenado...
Falou-me ainda quando andava a cavar vinha na fazenda do Alfredo Simões no que hoje é o cemitério novo encontrou junto ao pé de uma cepa um rolo de papel com moedas pretas, cavou mais e encontrou outro, estava acompanhado com um colega , não me lembro quem era, ficando ambos perplexos e receio ao se lembrarem do que aconteceu ao Rafael na Lagoa do Castelo e voltou a por os rolos no local e tapou, as mulheres chegaram com o almoço e contaram-lhes sucedido em que todos, nada mais fizeram com medo de coisas do outro mundo... Esta história contada pelo Chico Serra já a tinha escrita há anos para depois se perder nestas andanças informáticas, para hoje apenas disto me lembrar, em revelar se os rolos eram em papel como disse não podiam ali estar há muito tempo, pois o papel corroí com muita facilidade, e sendo ele analfabeto, mas conhecedor do dinheiro já antes distinguiu uma moeda importante que a guardou para  mais tarde a vender por bom dinheiro e ali serem  réis ou tostões sem valia alguma, ou não seriam enroladas em pergaminho a que chamou papel,  uma incógnita!
Moedas de  todos os reinados foram encontradas no cemitério tendo merecido estudo num pequeno Livro A Numária do Cemitério antigo medieval de Ansião do  Padre José Eduardo Reis Coutinho.


Lagoa do Castelo
Distingui um rasto de lajeado no caminho vindo de norte da Mata da Mulher a entroncar na Lagoa do Castelo como há anos passava igual pela frente da lagoa e agora com o alargamento do caminho já não existem...O lajeado na frente da lagoa a norte seria da entrada para um da villa romana ?
                                    
Encruzilhada de caminhos na Lagoa do Castelo.
A Lagoa encontra-se na esquerda com  a via romana, a credenciar, vinda de baixo da direita em que tomei partido de a contornar para sul, caminho que percorri com o meu marido.
Caminho para sul será o antigo romano (?)  na descida encontrei algumas lajes ao centro...
Depois de descido o caminho debruado a muros de pedra seca eis que literalmente termina dentro de um olival, o meu marido dizia que tínhamos de voltar para trás, para logo o contrariar com o meu bom sentido de orientação dizendo para nascente iríamos encontrar o caminho vindo do Escampado de S.Miguel.
Caminhei sobre chão revoltado pelo focinho do javali na procura de raízes suculentas no pior dos desafios em ultrapassar o vasto olival até que se avista um imensurável mural de silvedo sem pespectiva de alguma saída até que me lembrei de deixar o olival para seguir pelo costado que o mediava para encontrar uma saída , e logo a deslindei acima de uma casita ....
Chegados ao caminho de ligação do Escampado de S. Miguel à Lagoa do Castelo e Senhor do Bonfim paramos para descansar sentados num muro na sombra de um frondoso carvalho onde os raios de sol do entardecer se faziam anunciar mornos, doces e mui luminosos, em cenário de beleza natural onde só acordámos com o chilrear dos passarinhos...
Seguimos caminho para o Escampado de S. Miguel e no vale no inicio da ladeira dei conta de um novo caminho para poente que ao fundo extrema com o olival que percorri para se fazer luz que seja a continuação do caminho que se perdeu no tempo no vale do olival para o troço remanescente ao longo do costado ainda permanecer onde entronca neste que existe para o Escampado de S. Miguel e seguiria a caminho  do Escampado de Santa Marta, a mercer investigação este troço.
O que mais falta?
Interpretação urgente à imediação da Lagoa do Castelo com escavação arqueológica para atestar se o caminho abordado vindo da Mata da Mulher é a continuação da via romana vinda de norte catalogada ao Vale de Boi, antes que se perca com a passagem de máquinas e camions pesados no corte e transporte de madeira dos vestígios da calçada romana.
E ainda  se existem restos de muralhas ou do assentamento de um castro ou castelejo.
Em que a prospecção arqueológica de 2010 no Escampado de S.Miguel deve ser explicita quanto ao local onde foi realizada.
Em verdade sou curiosa mas não ignorante para nos últimos anos me ter dedicado ao papel de investigadora em cidadania cultural desta terra no papel de mais descobrir e especular  em que a hipótese de Ansião ter nascido num habitat ou castro no Escampado de S.Miguel ou na Lagoa do Castelo vir a colocar em segundo lugar o burgo no chão do cemitério atribuído em primeiro, premissa que deve ser inspiradora a entendidos e audazes no poder autárquico em vocacionar  entendidos !
Falta investigar a sequência das vias secundarias romanas para sul onde entravam em Ansião e os troços de ligação nas Lagoas .Apesar de viver fora de Ansião há mais de 40 anos, esta terra é o meu porto seguro onde tenho outra casa.Em cada temporada que me sobra algum tempo nos meus afazeres rurais gosto de visitar e revisitar locais do concelho, registar fotos e de escrever as minhas vivências a que junto memórias para um dia mais tarde reler e me voltar a divertir, e foi assim sem ter sido premeditado dei comigo a fazer investigação, em que o meu poder de memória e de correlacionar dados me ajuda neste crescimento em mais deslindar e partilhar de Ansião, tão apaixonadamente!
Sem medo algum em errar me tem ajudado a Crescer!

FONTES
Livro do Padre José Eduardo Reis COutinho de 1986
http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/?sid=projectos.resultados&subsid=2945845
Livro Penela história e arte de Salvador Dias Arnaut e Pedro Dias
Testemunhos orais do Chico Serra, Helena Lopes, Lúcia Parolo e Júlia Valente

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