quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Conhecimento de Fornos de Cal no concelho de Ansião

Abordar a rubrica do Dr Mário Rodrigues sobre os Fornos de Cal em Alvaiázere 
Al-Baiäz – Notas de História e Património publicada no jornal de Alvaiázere 
A propósito do forno de cal dos Penedos Altos
«Durante muitos séculos, nas terras de Alvaiázere, centenares de homens aqui residentes, arduamente, conseguiram arrancar ao seu subsolo incontáveis toneladas de pedra calcária que, com hercúlea força braçal e aguçada inteligência, transformaram em milhares de carradas de cal, que ora satisfaziam as necessidades de consumo das suas próprias gentes, ora permitiam abastecer diversos mercados forâneos.
Um dos vários fornos de cal que ainda existe em Alvaiázere jaz a montante do Sobralchão, junto aos Penedos Altos. Quando o vislumbrei pela primeira vez, ao longe, da estrada, já há mais de trinta anos, no final da juventude, pela sua extraordinária arquitectura afigurou-se-me ser um “tholos”: um monumento proto-histórico de falsa cúpula. Era afinal uma singela construção roqueira, possivelmente da Época Contemporânea, do século XIX ou XX: um forno de cal. Serve de pretexto a estas brevíssimas notas.
Talvez tenham sido introduzidos no território português pelos Romanos. E, com poucas modificações estruturais e técnicas, perduraram até final da centúria de Novecentos, quando o cimento e as tintas sintéticas, por um lado, e o desenvolvimento dos fornos industriais, de laboração contínua, por outro lado, puseram fim a uma tecnologia antiga, que o novo modo de vida, mais cómodo, tornou humanamente insuportável e economicamente obsoleta.
Com uma compleição tronco-cónica, a estrutura em forma de torre, aberta no topo, que constituía a parte fundamental do forno, edificava-se em terreno inclinado que aumentava a solidez das suas paredes e favorecia a conservação das altas temperaturas, de mais de mil graus, que transformavam a pedra calcária em óxido de cálcio: a cal. De altura, mediam entre 4,5 e 6 metros. Na base, entre 3,7 e 4,6 metros. Os fornos mais recentes tinham a parede interior do seu corpo revestida de tijolo burro. Não era o caso do forno dos Penedos Altos. Os fornos mais antigos e rudimentares eram apenas construídos de pedras, ligadas com argamassada, e, portanto, mais vulneráveis ao ígneo processo de cozedura.
Dois possantes contrafortes, um de cada lado do paredão circular do forno, ampliavam a sua resistência. Entre eles, rasgava-se uma porta, a “ventana”, através da qual entrava parte da matéria-prima, e por onde saía a cal, após o processo de cozedura.
Em alguns locais, como em Pataias, associadas aos fornos, existiam outras estruturas, como “telheiros”, para abrigar os materiais combustíveis, e “tulhas”, para armazenagem e comercialização da cal.
Todo o processo produtivo era assaz difícil, para não dizer penoso, incluindo: o arranque manual da pedra nas “caboucas” (pedreiras); o seu transporte em carroças, puxadas por animais, até ao forno; a deposição da pedra, a “enforna”, em abóbada, no interior do forno, desde a base até um pouco acima da sua abertura superior; a cozedura, através da qual a rocha era calcinada; e, finalmente, a remoção da cal para fora do forno – a “desenforna”.
Como combustível, usava-se: o mato roçado nos baldios, bosques e florestas; as agulhas dos pinheiros; os vimes e as cepas mortas; ou, mais recentemente, os resíduos das serrações.
Possuía a cal variadíssimas aplicações: na construção, servia para produzir argamassas, rebocos e estuques, para fortalecer adobes e para caiar paredes; na agricultura, para corrigir os solos ácidos e compor a calda bordalesa com a qual se curavam as vinhas; na pecuária, como desinfectante de superfícies imundas; na actividade industrial, como adjuvante de diversas operações transformadoras, designadamente no fabrico do vidro, do aço, do papel, das fibras têxteis ou dos materiais cerâmicos; e, até nas práticas funerárias, para ser colocada nas sepulturas, minorando os efeitos perniciosos da decomposição dos corpos.
Vítimas da sua inexorável obsolescência, em Alvaiázere, como em todo o País, jazem estas estruturas pré-industriais esquecidas, abandonadas ou mesmo em ruínas. Mas é tanta a relevância histórica e patrimonial dos fornos de cal que a Direcção-Geral do Património Cultural aprovou o projecto FORCAL, protagonizado por Fernando Ricardo Silva, que tem como escopo a identificação, o registo, a inventariação e o estudo dos fornos de cal artesanais em Portugal, das épocas Moderna e Contemporânea.
Várias autarquias aderiram ao projecto FORCAL, como a União das Freguesias de Pataias e Martingança. O investigador contratado por esta autarquia, Tiago Inácio, expôs recentemente, em Alvaiázere, no Congresso de História e Património da Alta Estremadura e Terras de Sicó, o fruto das investigações que ali vem desenvolvendo.
Num projecto global, integrado, de promoção turística de Alvaiázere seria muito útil – melhor se diga, é um imperativo – a preservação e musealização, “in situ”, de um forno de cal, mas também de outras estruturas, como, por exemplo, um moinho, uma azenha, um lagar de azeite ou uma casa rural. Há quantas décadas já o propusemos?!...»

Alvaiázere Forno da Cal foto retirada da Internet de Luís Ribeiro 
Maças de D Maria
Toponímia atestada com Forno da Cal
Foto de Henrique Dias
Em Ansião à partida no terreno de fornos de cal
No concelho de Ansião que eu conheça o forno de cal em melhor estado será o que se encontra a norte da Sarzedela, quase defronte do tanque para abastecimento dos helicópteros.O distingui depois da limpeza da faixa de combustível em 2018.Na altura fotografei em movimento.
Parei em  agosto de 2019. Debalde sem óculos e com o cartão cheio, apenas duas fotos.
Pousaflores
Existe outro forno envolto de silvas altas  a escassos metros do novo cemitério de Pousaflores, graças ao meu olhar durante anos me interroguei a razão de um tanque de pedra se encontrar em cima da ribanceira do pinhal, sem aparente função, até ao dia que parei e arredando algumas silvas o distingui mas já muito estragado.
A JFP anda a proceder à limpeza das faixas de combustão ao longo das estradas, na Mouta Redonda, Pereiro, o que reparei. Não sei se aqui já foi limpo, porque atalhei por Lisboinha, mais à frente. 
O que resta da chaminé no meio de silvas
 Entrada
 Abertura do forno
 O que me despertou há anos ?
A  razão de haver este tanque de pedra em cima da ribanceira
Quando alguém me disse que era para a água para fazer cal.
Pessegueiro
Outeiro do Forno
Já perguntei a várias pessoas a razão da toponímia atestar um forno, debalde nenhuma ainda me soube dar cabal resposta ao tipo de forno que aqui existiu.Possível forno de cal romano?
Neste outeiro viveram os pais do Dr Ilídio já falecido, agora uma irmã.

Cerâmica Garriaz no Pessegueiro
Exemplar do fabrico de telha e também de tijolo burro

Bairrada
Forno da Choupana
Hoje desaparecido.

Entre Constantina e Netos
Dois fornos dados a conhecer pelo João Forte
Vale Perneto
Onde por fim ia a gente do Pessegueiro buscar cal cujo dono se chamava José Pessegueiro- outra pista se não foi um casal com este apelido a ditar a toponímia ao Pessegueiro que daqui tenha saído um ramo familiar com esta arte para o Vale Perneto onde fez outro forno.

Abiul
O Rui Rua influenciado pelas descobertas Há uma semana descobri um que tinha encontrado referências num levantamento cultural feito em 1983.a escassos 2 km do centro histórico.
A lista de fornos que consegui apurar com uma senhora com mais de 70 anos em conversa de mais de uma hora, pretende ficar anónima, a merecer mais investigação, limpeza e os que ainda restam devidamente fotografados.
A crónica será acrescentada à medida que for mais sabendo.

Montemor o Novo
Forno feito em  tijolo de burro
Desde sempre houve migração interna de gente da região centro, de Sicó para o alto Alentejo

Fontes
Excerto do jornal nº 16 de Alvaiázere
Testemunho de uma senhora do Pessegueiro que pretende ficar anónima
Testemunho João Forte
Testemunho Rui Rua
Fotos google

domingo, 6 de outubro de 2019

A modelo do Busto da República teria raízes na Pulga, Almoster?

A mulher que deu vida ao busto da República chamava-se Ilda Pulga nascida em 1892, em Arraiolos, filha de um feitor de uma herdade nesta terra. Aos 13 anos a família mudou-se para Lisboa por causa da fome que grassava no Alentejo. Não se sabe como o escultor Simões de Almeida a escolheu para modelo, claro que procurou no povo uma mulher com este carisma e fortaleza, a jovem Ilda Pulga foi, aos 18 anos, a sua fonte de inspiração para criar o busto da República.Morreu num Lar de idosos em Marvila, em 1993, com 101 anos.
Ficou na histórica  pouco conhecida e recordada|
Parece  em Portugal só existe uma família com este apelido.De onde será originário? A região de Ansião, ao seu limite a sul em Almoster, existe uma aldeia chamada Pulga- sabe-se que muitos apelidos nascem do nome das terras onde viviam. Será daqui a sua origem ?Terra de passagem de romanos- Romila ainda persiste na toponímia, e mulheres belas também. Merece maior investigação a migração sazonal desde o século XIX  homens  partiam a pé para se oferecer no trabalho da ceifa no Alentejo, mais tarde já haviam capatazes que contratavam ranchos de homens e mulheres, partiam de comboio ou camioneta, naturalmente alguém que se destacava no comando e força do trabalho na safra eram contratados para ficar nas herdades, outros encontraram o amor e acabavam por ficar no Alentejo.Esta vivência e conhecimento do alto Alentejo veio a ditar em famílias da Ramalheira, ao S João de Brito, a actividade de paneiro que alternavam as ceifas a venda de panos comprados nos armazéns em Coimbra pelos montes alentejanos, cada um tinha a sua rota.O meu avô tinha  as duas funções, capataz, contratava ranchos para as ceifas, a sua casa vinham homens pedir de chapéu na mão abnegados, tamanha era a pobreza  e paneiro na rota de  Benavila, Avis, Alcônrrego, Casa Branca, Sousel que lhe foi deixada pelo padrinho de Lisboinha.
O apelido Pereira dos Reis  em Grândola pode igualmente ter origem em Almoster onde existiu, hoje não sei.Não me recordo de ver o apelido Pulga em campas do cemitério de Almoster.
Salão Nobre dos Paços do Concelho de Ansião
O meu bom amigo João Patrício
Animador teatral convidado no âmbito das Jornadas Europeias do Património, este ano subordinadas ao tema “Artes, Património e Lazer”, a realização, no dia 27 de setembro, do Colóquio “O Património Cultural de Ansião”, que decorreu no espaço Dr. Travassos – Consultório da Memória, com a presença de um painel que contou com o Dr. Luís Ribeiro, na abordagem ao tema “Os pavimentos de mosaico da Villa Romana de Santiago da Guarda”, Dr.ª Margarida Freire, com o tema “As Cinco Vilas e Arega”, o Enfermeiro Jaime Tomás, que apresentou o tema “Importância de preservar o património – o caso de Alvorge”, terminando com um momento de poesia, proferido por José Louro.
As Jornadas Teatrais de setembro levaram ao palco do Centro Cultural de Ansião o espetáculo “Mar de Ilusões”, pela Companhia de Teatro de Poença-a-Nova, que decorreu na noite do dia 28 de setembro.

O Busto da República no Salão Nobre da Câmara de Ansião

VIVA A REPÚBLICA!

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Falta coesão em terras de Sicó para catalogar os Marcos de pedra antigos

À laia de fim de semana nunca é demais relembrar o célebre episódio com o advogado Dr Prates Miguel, também um grande amante do passado  radicado há décadas em Ansião, um belo dia aportou à Ateanha com um amigo, questionando o primeiro transeunte que lhe apareceu onde poderia encontrar testemunhos deixados pelos romanos - ao que o bom homem lhe responde-, bem, sabe, estive alguns anos em Angola, se calhar foi nessa altura...Porque a ignorância cultural no concelho ainda se revela desmesuradamente grande não só em gente com poucos estudos como igualmente em muito graduado, urge tempo de se começar a fomentar interesse no cariz desta Página, só não faz aprendizado quem estiver mesmo desinteressado.

Acordar mentalidades para a Cultura em vésperas de eleições reforçando o apelo do meu bom amigo Henrique Dias
De facto não existe (pelo menos que eu conheça) nenhum estudo sobre marcos, mas é uma pena, pois são um testemunho importante do passado e ajudaria a perceber os limites dos vários senhorios das terras fossem eles nobres, conventos, ou ordens religiosas.
É imperativo (como disse) fotografar esses testemunhos, que mais não seja para ficarem como memória futura, mas o que seria mesmo importante era proceder à sua georeferenciação.
No caso de Ansião não sei, mas há Concelhos que têm todo o seu património assim referenciado na respectiva Carta Arqueológica...

Marcos Senhoriais
O Padre José Coutinho na sua Monografia de Ansião de 1986, o pioneiro a referenciar a existência de marcos em pedras no concelho, em Alvorge e Santiago da Guarda do tempo que estas terras foram herdades de Mosteiros e da Universidade de Coimbra. Seguiu-se o  meu tio Alberto Lucas, autodidacta na Crónica Histórica de Pousaflores de 1993 fazendo referencia aos Marcos de divisão da Freguesia de Pousaflores.
Agradeço a transcrição do excerto do Livro do Padre Coutinho enviado por Henrique Dias

Falar de Marcos em pedra e da palavra MOUTA
Ambas fazem parte do passado do concelho e antigas Cinco Vilas. E assim deviam prevalecer para as gerações vindouras!

Moita Santa em Santiago da Guarda
O certo seria enquadrar o Marco da Feira medieval da Mouta Santa defronte do local onde se encontra, com  mais espaço inserido em redondel ajardinado e iluminado com placar  e inscrição em português actual, o dignificando e ainda alterar a toponímia para a ancestral que testemunha um  passado com mais de 600 anos .
Ainda conserva um Marco com inscrição medieval da sua feira sem o palco merecido por estar abafado do seu brilho ancestral pela construção da casa... Pêro de Sousa Ribeiro, filho de João Rodrigues de Vasconcelos e de D. Branca da Silva, em 8 de Dezembro de 1476, receberam carta de privilégio de couto e honra para a Quinta da Guarda com a feira da Mouta Santa. Como se percebe o topónimo é uma coruptela merecia ser alterado, até porque Santiago da Guarda por hora a sala de visitas de excelência do mais rico património cultural de Ansião!
Jaime Tomás 
No seu Livro Terra Alta Alvorge de 2012 aborda as terras da Ladeia, a que chamavam "o franquido do Alvorge", na posse do Mosteiro de Santa Cruz, 396 anos até 1537, em que D. João III as mandou transferir para a posse da Universidade de Coimbra,só em 1546 foi a data da posse pela universidade, contudo só passou a ser efectiva em 1611, no reinado de D. Filipe II gerou-se uma contenda com o mosteiro que o rei apaziguou propondo uma renda de 200 mil réis, e apesar da oferta só terminou 5 anos depois.Os Marcos foram colocados com a gravação V e DE. A norte outros marcos com as letras CD relativas ao 1º Duque do Cadaval D. Nuno Álvares Pereira de Melo , em finais do século XVII Senhor do Rabaçal, e a noroeste da freguesia do Alvorge vários gravados ALMADA na delimitação das terras de D. Antão de Almada, 5º Senhor do Rabaçal. No limite Pombal / Ansião, na zona de Ereiras há pelo menos 1 marco dos "Almadas" (ALM), faz a divisão dos concelhos. A sudoeste os Marcos do Morgado da Moita Santa, por último Senhorio dos Condes de Castelo Melhor na vantagem além da amostragem em foto a preto e branco  as respectivas coordenadas. 

Marcos da Universidade retirados da página facebook que originou o debate
 Ateanha?
Marco da Herdade de Santa Cruz de Coimbra
Camporês
O Dr Manuel Dias na Monografia de Chão de Couce
Aborda Marcos no Camporês "Ainda se encontram vários marcos como este nos limites da freguesia (de Chão de Couce) com as freguesias vizinhas" a que esta foto seja alusiva(?).
Raul Botas de Ansião partilhou em setembro de 2019 na Pagina Facebook de Ansião 
«Existem no Camporês dois marcos em pedra com a inscrição - REAL . 
Como é do conhecimento público a coroa portuguesa possuía uma leira de terreno nessa zona, não será esse o local ? Entretanto, um desses marcos , ao alargarem o caminho, foi danificado partiram um pouco e falta o L . Além disso, embora esteja no mesmo local foi colocado ao contrário(...) o outro marco ainda está no local mas, só por sorte não foi danificado porque fizeram uma vala , com mais de dois metros de profundidade, a cerca de um metro do mesmo (...) sobre a pergunta se era igual ao mostrado abaixo respondeu «Sim, um é assim grande com mais de 1,5m o outro menos de metade »

Parece claro a certeza  da minha investigação, estes Marcos são ao limite da que foi a Herdade de Ansião a nascente delimitada com o lombo da Fonte Galega e Pedrulhal com outra Herdade que a 7 de abril de 1364, D Pedro I doou a D. João Afonso Telo de Menezes, 4º conde de Barcelos, seu mordomo-mor «todo o direito real e djreito e e foro» que tinha «na qujntaa da mouta de bella com suas herdades e aldea de canaue e em seu termo» e vinhas e perteenças», nos casais da Ameixieira com todas as suas herdades.Situavam-se os ditos lugares no "Chão do Couce e termo em Penela».
Para na centúria de 600 foram postos com a sigla REAL do donatário António Abreu Corte Real e sua esposa D. Teresa de Mendonça em maio de 1695 requereram à Diocese de Coimbra a fundação de uma Capela na sua Quinta da Mouta de Bela, hoje no concelho de Ansião.
Os marcos aflorados devem estar ao longo do vale do Camporês a poente entre o Maxial e Alqueidão, o que faz sentido dizer.

Sarzeda
Na procura do palco da Quinta das Sarzedas dei conta de uma pedra do mesmo formato a fazer de vedação, aparentemente não lhe distingui nenhuma inscrição, mas ali a ter sido reposto pode estar virado ao contrário(?). é que a herdade de Ansião terminava por ali em Somio, hoje Suímbo. o terreno onde se encontra foi  recentemente intervencionado, o antigo poço, sem saber e antes o foi de chafurdo, por estar na beira da antiga estrada romana e medieval é muito provável que o fosse para ser agora feito com manilhas de cimento.
Disseram-me que uma casa julgo vendida a estrangeiros, antes foi a casa de um barbeiro parece existe outro marco da demarcação da Freguesia de Pousaflores.
Escampado de Santa Marta
O Chico Serra e a sua esposa Ti Júlia levaram-me a conhecer numa sua propriedade uma pedra grande, que registei foto na altura, como andava na procura de miliários romanos, não valorizei como devia, afinal os Marcos de delimitação de propriedades antigos são de facto em pedra, mas de vários tamanhos com ou sem inscrição.E a ele aquela pedra sempre estranhou a razão de ali estar. Se a encontrar aqui postarei. Era muito perto da capela de Santa Marta para nascente.

Lagoa da Ameixieira
Será um marco de uma propriedade, talvez da quinta da Ameixieira com a herdade de Ansião (?) apresenta uma inscrição parece uma circunferência, os líquenes tem de ser limpos, está a fazer de ombreira a uma courela junto da Lagoa da Ameixieira.
Villa de Pedra Natural Houses em Cotas 
Pese pertença do concelho de Soure a dois passos de Ansião, nas trocas e beldrocas do passado que estas terras fizeram parte do Alvorge, quando este pertenceu ao concelho do Rabaçal.
Falar do empreendimento de turismo rural onde reparei numa pedra dentro da casa junto da escada... sem saber se foi ali recolocada ou não.
Foto retirada da net
Marco templário
Partilha de Henrique Dias
Existem vários em Alvaiázere
 Encontrei este em Dornes
Marcos da Casa do Infantado do Alandroal retirado da net
Estes deviam haver pelo menos em Chão de Couce, Aguda quando os bens dos nobres passaram que conspiraram contra o rei os perderam para a casa do Infantado
Alvaiázere no Rego da Murta
Partilha do Henrique Dias  retirado do livro do Padre Jacinto do Rego da Murta, outra variante do marco de Santa Cruz de Coimbra. Certamente mais antigo.
Marco na divisão de Abiul com Vila Cã
Descoberto pelo Rui Rua de Abiul, tem um A gravado. É o único que conheço. Devem ou deviam haver similares a este junto no limite com Ansião.
Agora o Marco será de Ansião ou Abiul, sendo que o passado de Abiul foi grande e importante Senhorio dos Gomes/Silva, Silva/Coutinhos e Telo/Menezes e claro entrou em ruína com os Duques de Aveiro, e o Marco será deles, eram condes de Torres Novas e depois duques de Aveiro quando receberam o senhorio de Abiul , nesse tempo Ansião os Marcos eram do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, o que me parece, falta investigação.

A reutilização de Marcos centenários
Usar Marcos noutro contexto só se compreende depois de fotografados, tomadas as coordenadas onde foram encontrados e devidamente documentados para depois a serem retirados para espólio de um Museu e jamais reutilizados no que seja, porque se gosta. O chão, todos podem vender, mas os testemunhos do passado neles inseridos é de Todos, por isso a Câmara há muito se devia agilizar com os Notários para o referenciar nas escrituras quer a portugueses quer a estrangeiros.
Todo aquele que não sabe respeitar os testemunhos deixados do nosso passado quebra repentinamente o Futuro e o Progresso do Concelho de Ansião. 
Não gosto nada que se apoderem em mau uso de testemunhos da nossa identidade, afinal o património cultural de todos nós que gostamos de Ansião e antigas Cinco Vilas!

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Voltar ao Barreiro e saborear a maresia dos esteiros e do Tejo!

Hoje tirei os três ao passe Navegante. Saímos de manhã a pé até Cacilhas, seguimos de barco e em Lisboa o Metro para apanhar o catamaram para  em slogan - Barreiro,em  passeio inesquecível

Vistas do catamaram Lisboa
 Vista sobre o nascente de Almada 
 A espuma do catamaram, parece que vamos a voar...
 O que resta da antiga Lisnave para mais tarde recordar quando aqui for a cidade da água...
 Lisnave barcos da Marinha para abate, são afundados para criar ecossistemas para mergulho
Base Naval do Alfeite
 O prédio branco uma oficina do Arsenal do Alfeite onde o meu marido trabalhou
 Fusileiros na Ponta do Mato
Ponta do Mato, um excelente local para se  apanhar iodo
Vista de Almada e dos pilares da Ponte 25 de abril
Entrada dos barcos para o  Seixal
A nova cidade do Benfica no Seixal na quinta da Trindade
A iluminação e o hotel no centro de estágio do Benfica
Fim do Seixal
 Barreiro, mariscadores, nos meses com "r" não se deve comer marisco...
Antigo cais no Barreiro
Cidade do Barreiro vista do Tejo
 Chegados ao terminal virado a norte, imagino na invernia e com vento, um desatino... 
Entrámos num autocarro sustentável da CMBarreiro
Apetrechado  com ar condicionado percorrendo um itinerário pela Verderena, Quinta da Lomba, Alhos Vedros, Lavradio na viagem dei conta de 4 campos de futebol, para descer em frente da Câmara da cidade, entrámos em lojas, fizemos compras e,...
Espreitámos o Mercado que faz lembrar o de Loulé ao estilo árabe
Tardoz de um prédio com uma bela pintura reivindicativa do povo
No Barreiro também se bebe Ginja!
A palavra Galega 
A reportar para galegos aqui se instalaram e em Ansião também tivemos povoadores galegos.Esta região com Ansião a distingo  com afinidades. Da região centro, sobretudo do maciço de Sicó vieram homens para abrir as valas para secarem os pântanos para serem cultivados com as mesmas culturas - oliveira, vinha e cereais, em que a actividade moageira aqui com moinhos de maré e de vento, em Ansião as moendas já era activas em 1359 e aqui só no século XVI,  a sopa caramela é praticamente a nossa sopa de carnes com outros nomes como sopa da pedra onde não falta a couve galega. Encontrei indivíduos cujo aspecto e olhar podem ter raízes na nossa região. 
 O horror dos cabos suspensos...as empresas deviam ser autuadas com coimas pesadas
Uma latoaria, deixou-me maravilhada
Lembrei-me dos irmãos latoeiros de Ansião e da sua pequena banca no mercado ao sábado, o que me fascinava as folhas de Flandres encostadas na parede a reluzir e a banca cheia de utensílios como na montra...
Uma bela porta
Chalet Úrsula  com as água furtadas revestidas a lata como foi uso no século XIX
Prédio antigo quando for requalificado vai manter a traça 
 Almoço no Vasco da Gama
Servem comida para fora, um corropio. O prato do dia iscas  muito bem confeccionadas, o bagaço era do melhor, macio
 O pormenor da parede com as marcas da pá de pedreiro
Não resisti dar um aperto de mão ao grande impulsionador industrial do Barreiro, o homem da CUF  Alfredo Silva que depois transitou em 64  a parte das tapeçarias para Ansião
Descansamos na sombra do jardim 
Passou por nós uma, amiga Fernanda, emproada e altiva em cima dos saltos altos para parecer mais magra, vestida de grandes oculetas e cabelo delambido em demasia rouge...
O Barreiro terra de muitos Clubes e Associações Recreativas
Travessa dos Quintais
Como deve ser em privilegiar a tradição antiga

Azulejos nas fachadas do casario
Cores fortes
O casario adoçado sem espaço para se estender a roupa senão na rua...
Zona Ribeirinha com murtas seculares
Moinho de vento ao estilo inglês
Requalificação da frente ribeirinha do Barreiro
Voltar à zona histórica
Interessante a toponímia - Seriam aliados na pobreza ou?
Outro estendal somente de toalhas de bidé...
Igreja do Barreiro

Na frontaria painéis em pedra
           
Consagração do templo por devotos que enxergaram a Senhora do Rosário milagroza...
           
Torre com dois relógios
Na frente um Cruzeiro
Vista da esteiro
Belo casario em frente do esteiro que ficou por acabar, disseram-me que o dono fugiu para o Brasil...
Esteiro em maré baixa...
Aqui e ali dei com boas pedras calcárias trazidas da região centro onde esta rocha é rei
                
Outra visão do esteiro e da Escola do Barreiro
Moinho Pequeno
Entrada no Moinho Pequeno
                   

Forma do biscoito
Passadiço que nos leva a conhecer os moinhos de Alburrica
Eram iluminados, roubaram as lâmpadas sendo colocadas placas nos buracos, debalde até estas roubam...
Vista da cidade
Vistas  do passadiço sobre a cidade
Moinho Grande
            

Outra visão com água...
Pombo no barrote a mirar o horizonte...
Uma Mó reutilizada e jaz morta...
O nome do barco a reportar para a origem do nome e apelido André, importante ainda hoje em Ansião
Um pombal

Vista soberba sobre outro moinho ao estilo inglês
Jaz no esteiro outro Mó...
m
Metade de Mó de Cima
              
Tardoz do Moinho do Cabo, as caldeiras são para a frente
Esta foto mostra ao fundo as caldeiras do Moinho Grande e na frente as do Moinho do Cabo

Vista dos moinhos de Alburrica
               
Muitos pássaros migratórios, é agradável ouvi-los...
Aqui o esteiro verde...


Vista do cais dos barcos e da antiga estação do Barreiro
Restos de pilares de madeira  de um cais...
Muito cascalho de ostras enormes
Outra visão do moinho visto da praia
                  
Moinho recebe visitas programadas
            
             

Mós a servir de mesas
                    
                                 
Do passadiço Almada ali tão perto...

Praia
Basalto, não é rocha daqui  e sim de Lisboa
Contornar a praia pelo caminho para poente
Ao fundo a mirar Lisboa no sapal a ruína de uma grande fábrica...
No sapal  é perigoso andar, depois da areia veem água?
Praias...
Esteiro
Pombos em ramos secos...
De volta a maré enchia...
Mais pombos...
As caldeiras do moinho grande qunado passámos em maré vazia e agora na volta já com água
           
Uma ilhota de areia com pássaros...
Esplanada onde bebemos umas minis fresquíssimas em copos gelados...
Vista do esteiro de nascente
Apelido ancestral em Ansião e antigas Cinco Vilas
Oficinas antigas dos caminhos de ferro
Duas belas esculturas Bordalo II
            
Estaleiro


Vista da ponte aérea
Antiga estação de caminhos de ferro
Quem se lembra destas portas de ferro de fechar as linhas?
              
Belíssima estação em abandono...
Torres a lembrar o gótico e o árabe...
Um dia destes aqui vai ser um luxuoso hotel...



Antigo cais dos barcos
Um dia maravilhoso, se o Barreiro estava na escala de uma cidade de pouco interesse subiu desalmadamente para os primeiros lugares da tabela. Os turistas ainda não a descobriram para fazer um itinerário como o que fiz. A cidade modernizou-se depois de tanto atropelo. Claro que ainda encontrei salpicos de prédios rústicos na cidade com oliveiras enfezadas, casebres, chaparia, e tudo isso tem de ser rapidamente dissipado da paisagem. A cidade precisa de estacionamentos, junto ao esteiro em terra batida, não faz sentido. O mercado muito bem requalificado com as casas de banho fechadas apenas para os feirantes, então e os clientes?
O jardim precisa de manutenção, as árvores sem poda e a relva estragada.
Em Alhos Vedros o autocarro para dar a volta numa ruela teve de fazer marcha atrás por causa de um bico de um quintal de uma vivenda...para rir, as estradas não podem estar estranguladas com muros de quintais em abandono, há que agir, estamos no século XXI e ainda prédios sem manutenção além do agravamento do IMI, Coimas!
O Barreiro tem um potencial imensurável, o Tejo, as vistas e agora os esteiros com o passadiço, deviam pedir apoio para recuperar os outros moinhos de maré, pelo menos as estruturas de pedra, as mais bonitas e recuperar as Mós perdidas nos esteiros. As praias estavam limpissímas. Não senti maus cheiros. Qem quiser vir de carro pode piquenicar, tem de pôr mais mobiliário para piqueniques.
Adorei o Barreiro, não esbarrei com nenhum turista, se fosse em Lisboa tinha-me cansado assim amei!
Em cima da hora e com o comboio prestes a partir a aventura  de o apanhar, deslizámos pela charneca plana, quase estéril de árvores enfezada , salpicos de  mantos de canavial a perder de vista com casario de todas as tipologias, pobre, remediado e rico. Saímos no Pinhal Novo, esperámos por outro comboio para sair no Pragal e depois Metro para Almada. Foram sete transportes, andámos a pé seguramente uns 6 km, para o mês que vem voltamos e noutro itinerário e transportes, esse o encanto mais conhecer e desfrutar!

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