quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Falta atribuir na toponímia de Ansião o insigne Prof José Lucas Afonso Lopes

O meu artigo de opinião publicado no Jornal Serras de Ansião, em Novembro
Na última Assembleia Municipal o Sr. Presidente da Câmara Dr António José Vicente Domingues abordou a temática de se baptizar a Rua da Rotunda que parte do prédio Tarouca para o Mercado, artéria inserida numa das Quintas adquiridas pelo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra entre 1175/6 para formar a Herdade de Ansião. A Quinta de Nossa Senhora da Conceição, também denominada Quinta do Vale Mosteiro de Baixo, é uma dessas quintas, o palco onde se insere a artéria referenciada, ainda não atestada na toponímia.

Mais que justo vir a ser agraciada com o nome do Prof José Lucas Afonso Lopes
Nasceu no Vale na Mouta Redonda a 24 de março de 1914 na freguesia de Pousaflores. Criança adorável, a sua prima Maria da Luz Ferreira, nascida em 1911, brincou com ele no mesmo terreiro alpendrado do quintal  e na quelha do Vale, a ouvir as águas do ribeiro da Nexebra, na frente da casa dos pais dela e dos avós de ambos, onde o primo viveu até o seu pai ter construído casa ao cimo do Lugar. Nesses anos de convívio familiar foi fácil despertar com a sua forte personalidade acalentando nela fascínio e adoração a tamanha capacidade brilhante de retórica e de humanismo. Mais tarde, ela apesar de primogénita e mulher, o seu pai José Lucas Afonso, a pôs a estudar para professora em Coimbra, tenha o primo sentido constrangimento por não ter a mesma oportunidade, em virtude dos seus pais não terem na altura capacidade financeira. Não se deixou derrotar, homem dinâmico, interessado em mais saber e lutador, foi em Coimbra, no cumprimento do serviço militar que tirou o 2º ano para Regente Escolar, vindo depois a concluir o Curso Geral dos Liceus e mais tarde o Complementar. Eloquente autodidata de grande craveira sentia as enormes dificuldades que existiam nas vilas do interior para o ensino. Como Regente Escolar fazia-se transportar de bicicleta, andou pela Serra de El Rei e Maças de D. Maria. A minha mãe, sua prima com menos 20 anos e a Maria do Carregal, foram suas alunas entre outras, todos andaram de cama de ferro e malas às costas, por Santiago da Guarda, Lagoas e Ribeiro da Vide, em Ansião. Valeu a pena tanto empenho, as preparou eloquentemente para o exame do 5º ano sendo aprovadas com distinção. Em 1966 foi convidado para inaugurar a Escola Primária dos Casais da Granja, em Santiago da Guarda. Sobre a sua conduta, a minha querida mãe sempre me falou do primo como um homem acima da média de cariz inteligente, excepcional carácter, nascido com a missão de passar a palavra, um verdadeiro professor pelo gosto que nutria pelo ensino, não gostava de mexericos nem conflitos, sobretudo muito respeitador, a mais-valia num tempo de menina e moça. No papel de marido a minha mãe via no primo um homem educado, encantador, verdadeiramente apaixonado pela sua esposa, e esta atenta às lições dadas às alunas, aprendeu de ouvido, falar francês.
José Lucas decidiu residir em Ansião tendo adquirido um lote de gaveto ao quelho da Quinta do Vale Mosteiro de Baixo, na ligação à vila, onde foi construída uma bela vivenda, o Mestre-de-obras, o seu irmão, António do Vale. 
José Lucas imortalizado como Ilustre Ansianense no II Livro do Dr Manuel Dias (…) em 1941 sabendo das carências para o ensino foi sócio fundador do Externato António Soares Barbosa, onde foi Professor. Casa-se com a Srª D. Lídia Ferreira Afonso a 22 de setembro de 1945.O casal teve dois filhos. Na década de 50 entra como funcionário público na Câmara de Ansião. Em 1957 é o segundo sócio honorário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, seno o primeiro o Dr Vitor Faveiro. Igualmente também fez parte da Direção da Filarmónica de Santa Cecília. Por último foi Provedor do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Ansião. Enquanto Provedor foi o maior responsável pela reabertura do Hospital ao Ribeiro da Vide, na década de 60 então desativado desde o início da década de 50, pouco depois da chegada do Dr Fernando Travassos. A faceta social que vim a conhecer o primo José Lucas foi na área da saúde, onde se veio a constactar a sua tremenda eficácia. Reaberto o Hospital com enfermeira permanente e uma criada, além de médicos, a chegada de táxis e da ambulância dos Bombeiros com gente doente e parturientes era corropio-a menina dos seus olhos , tantas vezes o distingui na estrada, vindo a pé de pasta na mão para acompanhar o seu bom andamento e o bem-estar dos seus doentes. Um cuidador!
Anos mais tarde, já não estando entre os vivos aconteceu a infeliz medida da extinção do Hospital da Misericórdia de Ansião, não me oferece qualquer dúvida que se teria debatido contra tudo e todos pela sua continuidade, por ser um homem de valores, acreditava no progresso e no desenvolvimento do seu pequeno concelho inserido no interior, cujo crescimento se faz com apostas válidas, e o Hospital era valia necessária para com talento, engenho e arte argumentar em sua defesa, louvando o seu historial de 300 anos, de todos o mais antigo no concelho, debalde sem a sua voz a clamar merecida e justa defesa, se perdeu e não devia, por fatal desconhecimento cultural! 
José Lucas, como gostava de ser conhecido, faleceu a 5 de março em 1967 e com ele se finou repentinamente o Futuro e o Progresso do Concelho de Ansião, sem outro(a) desde então ao seu perfil se assemelhe; dinâmico e estratega! 
José Lucas e a esposa jazem em sepultura na entrada do cemitério com o passeio público, a metros do palco da primeira igreja de Ansião, mérito do destino em os presentear para a eternidade. Já lamentável passadas décadas e ainda sem ter sido distinguido na toponímia, como bem o merece, pese o alto contributo e riqueza testemunhal deixada ao concelho, a herança a deixar aos vindouros, de um homem único que não olhou a esforços para melhorar a vida das gentes do concelho de Ansião, quer no ensino quer na saúde, além de participativo noutras atividades de cariz social e cultural. Em repto final, a sua família sinta o calor de todos nós ansianenses na meritória distinção, mais que justa, urgente!


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Proteção das árvores no palco da Mata Municipal de Ansião

No Parque Infantil os meus netos brincaram para depois começar uma aula inusitada ao ar livre na procura do carvalho cerquinho, alvarinho, negral e americano, o último introduzido, nesta altura outonal se apresenta em tonalidades carmesim, ao jus da cor de alguns bugalhos de uma espécie de carrasco, parasitados por um insecto que tomam esta tonalidade. Em 1747 ainda era riqueza a grãa, nas Serras de Ansião. Deleite a mexer nas folhas grandes e rendilhadas, viçosas e verdes do caravalho alvarinho, em comparação com outras sem brilho, peludas de tonalidade baça do carvalho negral e as pequeninas do carvalho cerquinho em manto a cobrir o chão...Árvores seculares ainda vivas e outras mais jovens todas convivem em salutar e franca convivência com frondosos pinheiros; o manso e o bravo além de medronheiros. 

Paragem ao painel alusivo à proteção das árvores  com Poema de Veiga Simões, Arganil
O Vicente fez -se à foto a jeito do “Homem Vitruviano” que Leonardo da Vinci se retrata aos 38 anos para explicar a perfeição das proporções do corpo humano: ciência, arte e sensualidade.
Paragem para leitura e reflexão ao painel azulejar
Sentados nos bancos de pedra graciosos pela estética e pelo material igual nas mesas, no privilégio de ser usado um produto da região- pedras esburacadas, dantes se encontravam muito para os lados da Venda do Brasil, deixados do tempo que o mar cobriu estas terras, e a excelência dos medronhos em agosto já tão madurinhos, no meu tempo só me lembro de os encontrar em outubro, ainda encontrámos pinhões, ali partidos com uma pedra que foi deixada em
sitio que não afecte mal a ninguém, pelos passeios de areia e de calçada andámos na jogatina ao bugalho, e ainda lhes falei da famosa ceramista minhota Rosa Ramalho sobre os Cristos que fazia e pintada de amarelo ocre, a coroa de espinhos na cabeça teria sido inspirada em bugalhos...
A Mata Municipal com exemplares de Carvalho Cerquinho, Alvarinho, Negral , e Americano, o último introduzido, convivem com pinheiro manso, bravo e medronheiros

Carvalho alvarinho, carvalho roble ou carvalho vermelho
Folhagem do carvalho cerquinho ou português
Carvalho americano
Foto da Mouta Redonda, Pousaflores
Nas ribanceiras dos leirões arroteados pelos primeiros povoadores, o abandono das culturas há 30/40 anos, as raízes por terem permanecido  no subsolo adormecidas, há anos a rebentar...parece negral
No meu tempo de aluna no Externato a Mata tinha uma espécie invasora de acácias, talvez trazidas pelo Dr Adriano Rego quando foi médico em Quiaios, foram no principio do séc XX plantadas nos areais para segurar as dunas no litoral. Hoje dizimadas na Mata Municipal.
 O adeus 
Reconfortados de Cultura e alma satisfeita, num olhar à cisterna!

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Isabel não és tu que andas sempre com Ansião na boca?

A minha amiga Maria dos Anjos encontrou um Jornal bimensal de Antiguidades e Velharias  e 2º Mão que me ofereceu  com a lábia que serve de título à crónica.

O palco do cemitério actual de Ansião foi sito no primitivo burgo de Ansião, a poente.
Depois de 1593 este burgo foi transferido para nascente, onde se encontra  sendo os  enterramentos feitos no adro e dentro da igreja.
A instauração da Comarca em 1875 foi cumprida a lei que obrigava a locais próprios para enterrar os mortos em cemitérios, para nessa data foi ter sido reimplantado no mesmo local onde o foi em tempo medieval.
Em 1969 a ampliação  do cemitério
O terreno para o seu alargamento a nascente  tinha sido do meu bisavô Elias da Cruz, herança  dividida pela  minha avó Piedade da Cruz e a sua irmã Maria do Carmo, reza na escritura Ribeiro da Igreja, o ribeiro ainda hoje é o limite do que resta da fazenda. Ao cimo do ligeiro planalto na parte nova do cemitério foi sediada a igreja primitiva de Ansião e o cemitério medieval.
Para o alargamento do cemitério  o caterpillar a remover as terras e as  oliveiras  trouxe ao de cima com as raízes vários testemunhos desse passado ali vivido- moedas, ossadas humanas, pedras esculpidas, lajes sepulcrais, bilhas, cerâmica, imbrices e tegulae e pesos de tear partidos segundo informação do então Presidente da Junta de Freguesia José Capelo que  mandou guardar a base de  uma pequena estátua em calcário e um marco lavrado no mesmo material com 4 letras esculpidas STTL? Este foi abusivamente metido no novo muro do cemitério tendo sido retirada em 1979 e guardada convenientemente (...)Sempre que uma sepultura é aberta  outros achados são encontrados  e moedas da primeira Dinastia e reais e ceitis da Segunda, abarcando 14 reinados e somando 86 moedas. A segunda moeda de Dom Sancho I - Dinheiro Bolhão A/-,REX SANCIVIS, entre dois círculos  granulados. Cinco escudetes triangulares, em Cruz, cantonados por quatro besantes. Muitos anos mais tarde num funeral o Padre Coutinho chamou-me para ver na terra de uma sepultura que tinha sido aberta, facilmente mostrou fragmentos  cerâmicos e em vidro do tempo romano aqui foi palco .
Numária Medieval do Cemitério antigo de Ansião do Padre José Eduardo Coutinho.
Foi-me oferecido pelo Padre José Coutinho , entretanto o perdi da vista, até me equivoquei se não o tinha entregue na Biblioteca com outros do mesmo tamanho e por isso o engano...Debalde ainda não o encontrei!
O ANTIQVÁRIO  nº 20 de junho de  1997 

Artigo sobre a   Numária do Cemitério de Ansião pelo Padre José Reis Coutinho

A origem das Quinas de Portugal
Segundo o Padre Coutinho remonta ao reinado de Dom Sancho I, época em que se começou a generalizar o uso de armas de nobreza como símbolo heráldico. Entretanto, a primeira referencia textual ao Escudo Nacional data de 1380, quando o bispo de Lisboa, Dom Martinho, evoca, a Carlos V, de França, a História de Portugal, desde D Afonso Henriques, e onde, igualmente, descreve a origem das armas nacionais, dizendo representarem os cinco escudetes, ou Quinas, os outros tantos ferimentos que o Fundador recebeu durante a batalha de Ourique, em 25 de julho de 1139, as quais ficaram no corpo do Rei dispostas em cruz. Esse facto, bastante discutível(que para uns, foi tido como determinação dos desígnios divinos, para outros, como ocasional coincidência, para uns outros,m acção polémica acesa por ardor crítico(cf Alfredo Pimenta, Fontes Medievais de História de Portugal, Lisboa 1948, 10 e 70-71; e Manuel Gonçalves Cerejeira, Vinte anos de Coimbra, Lisboa MCMXLIII, 113-19) tem certo paralelismo na vida de S Teotónio, primeiro Prior do Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, onde é salientado ter o Rei combatido contra cinco reis mouros, que venceu com auxilio divino: devicit auxilio sibi facto divino, aspectos mais tarde retomados pelos frades daquele Mosteiro a fim de identificarem os ferimentos do monarca com as Chagas de Jesus Cristo.Simultaneamente, o culto das Cinco Chagas do Senhor, as feridas que Cristo recebeu na Cruz e manifestou aos Apóstolos, depois da Ressurreição, foi sempre, uma devoção muito viva entre os Portugueses, desde os começos da nacionalidade. São disso testemunho a  literatura religiosa e anomástica referente a pessoas instruídas. Os Lusíadas sintetizam (1,7) o simbolismo que, tradicionalmente relaciona as armas do estandarte nacional com as Chagas de Cristo. Assim, os Romanos Pontífices, a partir do Bento XIV, concederam para Portugal uma festa particular, que, ultimamente, veio a ser fixada a 7 de fevereiro.
O Autor da Cartilha da Numismática Portuguesa, 1, 266-67, assim, o fundamental acerca de tal problemática: A Heráldica portuguesa surge por ocasião do casamento da Infanta Dona Teresa, filha de Dom Afonso Henriques, com o conde da Flandres, em 1184; a representação das Quinas aparece em inícios do reinado de Dom Sancho I , a partir de 1185; a analogia às feridas de Dom Afonso Henriques é perfeita nos documentos diplomáticos, esfragísticos, e numismáticos de D Sancho I; as feridas, representadas por golpes desenhados, passaram a pontos aglomerados dentro de uma formação amendoada;evoluíram em alinhamento e fixaram-se em número de cinco, em casa escudete, no final do reinado de D Afonso III, antes de 1279;possivelmente, em atenção à determinação heráldica de ser colocado em número de cinco em sautor peças, de número e posição indeterminada; e tomaram essa disposição já no reinado de Dom Dinis.
Por conseguinte, tratando-se de matéria heráldica, é perfeitamente lógico que a simbologia seja baseada, principalmente nas gentes mais admiráveis dos cavaleiros medievais, com particular incidência para os feitos de armas praticados em combate, onde se situa a origem dos ferimentos recebidos por Dom Afonso Henriques, na Batalha de Ourique(?).
Portanto, as Quinas traduzem a honrosa evocação das feridas causadas e assinaladas em cruz, inerentes à paradigmática batalha ganha aos Muçulmanos, e imortalizariam a ideia de ter sido a espada e o escudo os agentes efectivadores da defesa e vitória da Cruz sobre o Crescente. Isso é peremptoriamente manifestado no dinheiro nº 9 de Dom Sanho I ( cf J.Ferraro Vaz e Xavier Salgado, op Cit.22;e Pedro Batalha Reis, op Cit., I, 268) e nos morabitinos do mesmo monarca, neles representado a cavalo, galopando, à direita, com o ceptro crucial levantada na mão esquerda, e, na direita, a espada erguida, numa atitude guerreira e outra tanto expressiva da Cruz defendida pela Espada.
Um tanto comum aos morabitinos, também os dinheiros permitem encontrar a representação figurativa do Escudo com as Quinas. Os exemplares de Dom Sancho I exprimem a difícil execução bem patente na incipiente monetária medieval.porque perdeu a tradição de elevada perfeição alcançada nas cunhagens clássicas dos moedeiros da Grécia e de Roma -, apenas indicando os escudetes através de cinco pequenos escudos triangulares, dispostos em cruz.
No reinado de Dom Sancho II, verifica-se um duplo processamento:inicialmente o escudo arredondado na parte inferior- cujo formato definitivo desde então se estruturou em evolução  no sentido do arredondamento, vai gradualmente, sendo acentuada até final da Dinastia Avizina -, com cinco escudetes, em cruz, ou menos, pela dificuldade de os colocar num espaço tão limitado, sempre mantendo algum dos eixos da cruz;e, ulteriormente, os cinco ou quatro escudetes , vazios, em formação crucial. 
Assim, começaram os escudetes por aparecer carregados de um só besante; depois, totalmente vazios e em número de quatro, por vezes com um besante entre eles. Com Dom Afonso III, a formação alarga-se até cortar as legendas, e cada escudete recebe mais besantes, desde logo fixados em cinco e dispostos em sautor, disposição essa que, a partir de Dom Dinis, é tornada representação comum regular nos reinados seguintes.
Poe último, a presença dos castelos apenas surge no séc. XV, com as cunhagens monetárias doe Dom Duarte, provavelmente ligada ao alargamento territorial, pelas campanhas ultramarinas do Norte de Africa, das quais Ceuta marcou o primeiro momento e início.
Ápice da impugnação de argumentos inerentes ao feito de Ourique, é a intrépida publicação de Alfredo Pimenta, Ainda a Batalha de Ourique, Lisboa 1945, de aliciante leitura.
Conclusão
A avaliar pela abundância dos referidos materiais achados onde, desde 1875, se situa o cemitério da freguesia, podemos chegar à existência de uma relação de simultaneidade, por ter sido ali uma estação arqueológica romana, posteriormente usada em local cemiterial, e é provável localização do primitivo centro da vida religiosa de Ansião medieval, pois, ao que inicialmente ficou enunciado, junta-se, ainda, a exumação de um tambor de coluna, em calcário amarelecido pelo tempo, e a base de uma ingénua imagem de S Sebastião, no mesmo material, a qual conserva visível o cuidado deposto da escultura, como evidenciam os pés; é datável do séc. XV e, certamente, deixada nos escombros porque está muito danificada (...) que sentido traduz o pedaço de imagem quatrocentista, entretanto surgida entre outros materiais arqueológicos da época e ulteriores?(..) assim à luz dos numismas deixados aquando de sepultamento, os quais abrangem um período de quatro séculos, trata-se de um cemitério medieval, e atendendo ao contexto  situacional em que aparecem os vários achados, necessariamente podemos inferir a proposição lógica consequente das premissas; 
a primitiva ou velha igreja de Ansião estava situada no local presentemente ocupado por parte das propriedades pertencentes a José da Fonseca Lopes, a herdeiros de António Maria Caseiro, actual cemitério e terrenos limítrofes, a Norte(...)Além do exposto, os factos permitem estabelecer três momentos circunstanciados: inicialmente, a igreja medieval situava-se naquele planalto do lugar de Igreja Velha, e aí foi o primeiro e antigo cemitério, desde o séc XII a 1593; seguidamente, com o séc. XVI, o núcleo medieval estendeu-se para nascente, edificando-se, naquela data a actual igreja matriz , e para ela o adro envolvente passou o moderno cemitério, como testemunham os registos paroquiais, bem como algumas lápides funerárias, das quais apenas subsiste a de André Fernandes  e mulher, Catarina Fernandes, na sua capela lateral, seiscentista;finalmente, desde 1875, o local de enterramento é o cemitério contemporâneo, regressando, portanto, ao antigo local onde estivera do séc. XII ao séc. XVI.
Identifiquei a ruína da primitiva igreja com o óculo de iluminação para nascente,tendo a frontaria para poente como era comum na época.Em credenciar o seu palco foi ali depois da junção do cemitério velho com o novo, no sitio onde o planalto é mais alto e por isso foi vista do adro da igreja onde a comitiva ouviu missa antes de deixar Ansião a caminho de Coimbra.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Falar do Dr Manuel de Melo Júnior e da sua esposa a Prof D Otília, Ansião

Dr. Manuel de Melo Júnior
Aportou a Ansião como advogado e Conservador do Registo Civil, casando com a  Prof. D. Otília natural do Casal Viegas, em Ansião. 
Segundo o testemunho do meu bom amigo Isidro Freire Leal 
" a Prof. Otília filha de uma amiga de minha Mãe do Casal Viegas viveu com sua mãe, seu avô e sua irmã. Seu pai foi para o Brasil muito cedo, por motivos que não escrevo. Sua mãe, avô e irmã foram ter com ele, por onde ficaram."
O Dr Melo e a esposa Prof Otília eram extremamente educados, afáveis com todos e de grande simpatia. Desconheço o apelido da Prof.Otília, com descendência também no Brasil. O Dr. Melo fazia parte do orfeão académico de Coimbra, confidência de anos e anos que nos cruzamos na frente da casa uma vida de aluguer ao Sr Pires, quando o via a descer a linda escadaria de pedra em meia-lua a caminho do trabalho no Registo Civil e partilhávamos dois dedos de conversa. Um ano na década de 70 no peditório para a Liga contra o Cancro pôs na minha caixinha amarela uma nota de 50$00 num tempo que só moedas caiam, também a sua esposa Prof. Sra D. Otília, senhora distinta de alto porte e cabelo ripado tanta vez a vi a tirar o carro da garagem a caminho da escola para a Constantina. Na minha candidatura para o BPSM tinha de apresentar referências, o nome que dei foi precisamente o do Dr Melo. Lembranças ténues das suas duas lindas filhas que só conheci em pequenas, Manuela e Paula, desde que foram para Coimbra estudar onde tinham uma casa nunca mais as vi.Na última etapa da vida o casal perdeu-se na aventura de ter a sua própria vivenda na terra da esposa-,sendo ele da zona da Bairrada, apostaram no Moinho das Moutas depois do entroncamento para o Casal das Sousas na sua construção, em etapa já reformados, julgo pouco ou nada a gozaram, um casarão grande vestido de amarelinho... a fatalidade entrou nas suas vidas com a morte inesperada da filha mais velha, seguida da deles em galopante corrida!
Ainda cheguei a ver o Dr Melo na Figueira da Foz, perdido das ideias, nem nos reconheceu...
A casa foi vendida há poucos anos.
A grande amiga da minha irmã e minha a Maria de Fátima Fernandes da Constantina partilhou vivências que vem acrescentar mais valia à crónica. Obrigada pela cortesia.
"Conheci muito bem o Sr.Dr.Melo a esposa Professora Dra Otília (foi minha professora 4 anos e também explicadora , quando casei estiveram no meu casamento, passados 40 anos, as duas prendas que me deram utilizou-as  quase todos os dias,e recordo...as filhas que conheci e brinquei muitas vezes com elas nessa casa, mais com a Paula que fez a primária comigo e costumávamos ir assistir ás aulas de francês na TV da casa dos meus Pais,nessa altura a escola primária era das 9 ás 18h. A casa que conheci era uma casa linda e bem cuidada...acrescento que o Dr.Melo era um grande ser humano  e sabia muito de arte e conhecimento histórico..."
Perdeu-se a vivência do quotidiano deste casal, quantas histórias teriam ambos para contar sobre Ansião. 
A casa foi vendida pelos herdeiros da família Pires .Foi requalificada em finais de 2015. Tenha sido a primeira vez que em Ansião, finalmente se começa a valorizar o património antigo na manutenção da traça antiga, mantendo a escadaria em meia lua, mas perdeu-se a linha chaminé e disso tenho pena.

Projecto de arquitectura modernista do Arqº Bruno Dias de Ansião. Segundo me confidenciaram a casa antiga mostra-se totalmente aberta com sala de recepção onde já não existem os bancos namoradeiros nas janelas da frente com o projecto de arquitectura modernista a desenvolver-se no terreno do tardoz  fechado em meio circulo numa aposta inovadora de vivência de fora para dentro, a nova viragem  de casa intimista e intemporal, totalmente vestida de branco a cor monocromática desta aposta .Confesso sofri um choque, até que alheada me esforcei, percebi e aceitei ao alargar o meu espírito de cariz conservador!
 


segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A família André que viveu no Pinheiro, em Ansião

Último agosto  em conversa no  jardim do Ribeiro da Vide dois homens sentados num banco - um residente no Lar e outro vindo em visita à sua mãe ali residente,  recordavam a família dos Andrés, do Pinheiro.

Família  dos Marques André no Pinheiro
Fica por saber quando esta família se  fixou no Pinheiro.Só encontrei este apelido em Almoster para se ter no tempo deslocado para norte para os lados do Pessegueiro e daqui para  Ansião para casar com uma filha de apelido Reis da Ameixieira de onde daqui um ramo partiu para o Pinheiro e viveu na beira da estrada romana/medieval  na entrada poente de Ansião. Família importante pelo poderio de  terras com parentesco  a  Belchior dos Reis de Ansião, pai entre outros de Pascoal José de Mello Freire dos Reis.
Quanto à origem do nome e apelido - André
Trata-se de nome masculino com origem no grego Andreas,  nome bíblico, mencionado no Novo Testamento como o primeiro discípulo de Jesus Cristo, e também era irmão de São Pedro. Por certo com ligação ao Convento do Lorvão, ao orago Santo André de Esgueira(?), teve a foro Almoster  desde a margem norte da ribeira à imediação do Pessegueiro. Persistem hoje genes com indivíduos de alta silhueta,  encorpados, claros e bonitos em indivíduos com este apelido  .
Os primeiros povoadores na região vindos da Galiza, judeus,  povo franco entre outros. Na centúria de 500 aportaram judeus vindos das Beiras que se espalharam por lugares do concelho de Ansião, pequenas comunidades no Vale Judeu em Santiago da Guarda, Escampado de Calados, Escampado da Costa, Lousal, Pinheiro, Sarzedela, Constantina e Almoster entre outras. Existiram famílias com genes gregos e italianos no Pinheiro, Constantina e Almoster. Também do  litoral  se encaminharam para o interior do Maciço de Sicó povos descendentes da colónia de mercadores fenícios que se instalou em Tavarede, e outros vindos da Galiza se fixaram em Buarcos para viver da pescaria. Plausível algumas famílias se encaminharam para o interior até chegar à nossa região, deixando testemunhos de moinhos de vento característicos desde a Gândara ao Maciço de Sicó, em formato irregular de madeira, rodam à força de um homem sobre eira de pedra, segundo a minha opinião também foram os introdutores da semente do pinhão  para a plantar entre o  Pinheiro, Constantina e Costa do Escampado, locais em Ansião onde hoje ainda se encontram as maiores manchas e num passado de mais de trezentos anos deu origem à Feira dos Pinhões na Constantina, onde aportavam vendedores das redondezas desde Condeixa, Soure e Tomar referenciados na Confraria de Nossa Senhora da Paz, com alugueres de terrado e de bancadas. Em Assamassa em Soure, a grande mancha de pinheiro manso evidencia a semente ter daqui sido levada na centúria de 800 dando origem ao Ramo de Pinhões ao Divino Espírito Santo, que ainda se mantém.

A toponímia devia fazer história para as gerações vindouras
O nome actual da rua - Pinheiras, já se encontra imortalizado no Lugar- Pinheiro
Urge a necessidade em dignificar o passado histórico que aqui existiu . O certo seria a alteração para  o nome de João Marques André, em virtuar a sua família aqui se instalou e ele pelos filhos que teve no Pinheiro onde morou e faleceu
Sorte  a dica do sacristão Sr João Dias
Cheguei ao local para de imediato distinguir num lintel  a data de 1729 pelo tacto, porque os líquenes não permitem melhor visualizar. Seria da primeira casa da família dos Andrés quando aqui aportaram (?).Porque o  muro que se perfilha na direita foi propriedade da família Marques André onde foi  a  casa dos avós da Ti Elvira, Virgínia e Zé Marques André que os vim a  conhecer todos no Ribeiro da Vide.
Porta da casa da família dos Andrés com data de 1729
No tardoz distingui portas para acesso ao terreno e entrada do átrio da nova casa.
A parede sul  na correnteza da estrada romana apresenta-se com abertura, teria sido antes fechada? O que parece  com as heranças foi aberta para na direita estarem  lajes grandes...
Casa de sobrado
Existe hoje a ruína de uma casa de sobrado dentro da propriedade que se limitava com a estrada romana a nascente, sem saber quem a mandou fazer.
A inicial família dos Andrés viveu na frente da estrada em casa baixa  com lintel de 1729 . Os pais de José Marques André e João Marques André  deviam viver na casa de sobrado, onde viveu ainda solteiro o João Marques André tendo vários filhos e mais tarde casou com a filha do irmão, a sua sobrinha  Elvira Marques André.
Elvira Marques André
A conheci já viúva e com idade a viver na casa que foi dos seus pais no Ribeiro da Vide, na companhia do seu irmão , solteiro o Ti Zé André. A sobrinha e afilhada da Ti Elvira, a Sra D Elvira André, confidenciou-me o que já sabia - a madrinha foi noiva de outro tio do Ribeirinho- José Marques dos Reis (parentesco com Belchior dos Reis) chegaram a ter as casas quase prontas no Bairro de Santo António em Ansião, ainda as conheci por acabar, segundo uma tradição familiar não gostou de uma atitude do futuro sogro que lhe ofereceu um copo de aguardente que recusou, para em acto irreflectido já entradote lho despeja no bolso do casaco, acto que não apreciou deixando de falar com a noiva uns 5 anos...Bem me lembro do Ti Zé Reis, velho, muito alto, seco de carnes e cariz reservado, nas vezes que vinha à sua grande propriedade defronte da casa dos meus pais, quinhão da Quinta do Bairro, que veio a deixar a outra sobrinha, a Ti Maria Marques dos Reis.

Casa atual da Sra D Emília André
O  palco das casas para a sua tia Elvira Marques André casar com o tio Zé Reis do Ribeirinho
O cancelamento do noivado estiveram  anos de portas e janelas entaipadas ,  ainda assim as conheci.
A família dos Andrés é sabedora que os seus ascendentes de apelido Varzes viveram no Escampado de Calados e Belchior aqui aportados  de Espanha, fugidos de guerras.O seu carisma de gente obstinada ao trabalho rural que ainda conheci bem vincado, o humanismo de proteger a família, o chamado amparo e ainda aos outros, bem me recordo nas peregrinações para Fátima, o Sr Zé André deixava sempre que ranchos de longe dormissem na casa da eira.Os casamentos obedeciam à regra da escolha de indivíduos da mesma descendência, só por ultimo houve cruzamentos com outras raças, sobretudo com  árabes, ainda hoje se distinguem genes de cabelos encrespados, tez morena, olhar escuro e veia negocial. O conceito do casamento entre famílias da mesma raça tinha a finalidade da concentração da riqueza, por isso os laços com familiares  directos , neste caso não aconteceu o casamento com o tio inicialmente acordado do lado materno, para vir a casar com outro tio, irmão do pai dela, então com 60 anos e ela metade, o João Marques André, do Pinheiro. Tio e sobrinha do casamento não tiveram descendência,  preceito nas famílias judaicas jamais foi alvo de estudo,  em muitas delas gente solteira e outros casados, sem  descendência.
Os judeus aportados a Ansião eram letrados,os filhos dos mais abastados estudaram na  Universidade e os outros em Seminários em Coimbra até abrirem os Seminários dos Jesuítas na Granja em Santiago da Guarda e o do Bispado de Coimbra no Couto de Torre de Vale de Todos. Após a extinção das Ordens Religiosas depois da Guerra liberal em 1834  e depois dos Morgadios surge a venda em haste pública das terras que foram adquiridas por quem tinha capacidade financeira e tenha sido uma das razões de terem tanta terra, com os filhos nas rédeas da agricultura; sementeiras e colheitas, perdendo-se a continuidade do ensino, para chegar alguns descendentes no século XX, sem ter frequentado a escola, e ainda houve noutras famílias progenitores perdidos em excessos de bebida, outros no jogo,  perderam tudo - a fortuna e casa de família. Desvalorizou-se dar estudos aos filhos porque na realidade quem saiu para estudar raramente voltava à terra  ficando as terras em abandono depois da morte dos progenitores e do primogénito, o herdeiro da terra, veio a ditar nesta família e noutras da época parentes analfabetos, somente o ganho e sábia mesca aos  meandros obscuros em  dar voltas à  vida para sair vencedor nas contendas, um puro talento judaico.

A família dos Marques André no Pinheiro, em Ansião 
Gente abastada com muita terra, abundância de vinho, azeite, cereais no Pinheiro, Sarzedela, Aljazede, Igreja Velha, Escampados, na que foi a Quinta do Bairro ao Ribeiro da Vide, com terra a perder de vista até ao ramal de Albarrol, etc...
Falava-se ainda  que esta família tinha  potes de libras de ouro enterrados...
Não há fumo sem fogo, o mito das libras teria vindo com a chegada de  judeus a Ansião na centúria de 500, na minha opinião, onde também se diz apareceu uma panela de libras  no Casal Galego, hoje Pinhal, numa casa de pedra que ainda conheci na beira da estrada real... Falava-se de outro tesouro enterrado na Lagoa do Castelo, ao Senhor do Bonfim, fora as moedas em ouro encontradas em sítios de estalagens e da estrada real que vieram a ser negociadas em Coimbra e a negociadores da terra à chucha calada...Recordo no Bairro de Santo António as moedas que encontrou o "António Trinta" e na Igreja Velha o "Mocho" deste se diz requalificou na altura a sua casa...O que me recordo de ver na casa dos Andrés ao Ribeiro da Vide num quarto sem janela a poente, pelo chão caixas brancas repletas de moedas pretas do tempo da Monarquia - Réis. Um dia destes ainda aparece um tesouro romano ou judeu para num virote Ansião ficar mundialmente conhecida!

Na oralidade João Marques André ainda solteiro teve  filhos em mães diferentes
Depois de casado com a sobrinha, alegadamente tenha  usado um estratagema de divórcio fictício com testamento para depois da sua morte deixar os bens somente à esposa, filha do seu irmão .
Quando João Marques André morre, os filhos dele de uma só mulher, contestaram uma acção à herança do pai em tribunal, contenda morosa de anos, resolvida ao que ouvi com acordo entre as partes. Os filhos vieram a herdar bens no Pinheiro com a casa de família e não sei outros que mais. A  viúva Ti Elvira deixou a  casa e foi morar para a casa dos pais ao Ribeiro da Vide, onde a conheci.Um desses filhos era a mãe da D Alda Gaspar . Recordo de ver  na casa do Ribeiro da Vide grandes pias de pedra, uma até tinha incisa uma Cruz  e talhas de extraordinária grandeza em cerâmica no tardoz da taberna do Ti Zé André, uma dessas talhas serviu de forno entulhada até ao meio a cozer a broa num carro alegórico do Bairro e Ribeiro da Vide, tinham vindo dessa casa do Pinheiro, o que se comentava.

Vista de sul  da casa dos Andrés, no Pinheiro  
Lamento a entrada em espaço privado, mas a história e os seus testemunhos obrigam a investigação antes que se percam as estórias que carregam que é dever de transmitir ás gerações vindouras!
Ao lado da entrada sul um tanque dando entrada para um átrio de ligação.
Nesta casa veio passar dias a sobrinha e afilhada da Ti Elvira, a D Elvira com casa no Ribeiro da Vide e Lisboa, a primeira a falar-me da casa, da sua grandiosidade, da sala no sobrado e da casa do forno...
No sobrado havia uma grande sala e quartos
Casa de sobrado com patamar e varandim 
Escadaria de pedra larga para o sobrado
No  átrio de ligação
Não falta a pedra de buraco  para se prenderem os animais, ao lado a casa do forno  com o bocal em ruína,  ao lado para sul corre um banco em pedra onde assentavam as masseiras.
 O banco de pedra onde assentavam as masseiras
 O forno por dentro
 Saída da casa do forno para o átrio de entrada da casa
 Tardoz do casario mais antigo a sul e de outros cómodos 
 Inertes de faiança coimbrã no terreno recentemente limpo
Vista da casa de nascente da nova estrada para o Vale de Boi onde veio a interceptar a estrada romana vinda de Vales
Vista da casa de  norte
Não distingui janelas, apenas buracos minúsculos quadrados típicos de casario judaico
Da Grécia predomina outra característica na região na arquitectura que identifico nos muros de pedra seca e casario com paredes cegas com filas de buracos quadrados minúsculos nas paredes.
Outro exemplo dos buracos quadrados nas paredes cegas
Sem se saber a razão - colocação de barrotes ?Serviam para fazer sotãos ou para acrescentar o casario, como hoje se utilizam os andaimes?
O meu batizado em agosto de 1957
Da esquerda para a direita o Sr Zé Marques André, o meu avô Zé do Bairro, José Rodrigues Valente, o padre Dr António Freire de Lisboinha, primo direito da minha mãe, que me batizou, o meu pai Fernando Rodrigues Valente, a criada do Alvorge comigo ao colo, a minha mãe Ricardina Ferreira Afonso e a minha avó paterna Piedade da  Cruz
José Marques André 
Casou com uma mulher de Aljazede e foram morar na antiga estalagem da Ti Maria da Torre no Bairro, ele era  Oficial no Tribunal. Pese a família dele ter bens no Ribeiro da Vide havia algum empecilho que os veio a demover até a sua mulher por achar o aluguer caro pesar na decisão de ele conversar com a família para usar a casa herdada por parte dos Reis ao Largo do baldio do Ribeiro da Vide, que já não existe, uma típica casa tradicional judaica, sem janelas a poente, apenas com  buracos quadrados minúsculos, na frente para o largo nascia um balcão telhado com varanda de sacada de janelas ao jus de  casa de fresco, ao lado uma porta dava para a casa de dentro com quartos e uma sala virada a nascente com janela de avental e bancos namoradeiros onde tinham no meu tempo vasos com avencas. O acesso à cozinha fazia-se por outra grande escada em pedra com ligação por um corredor a norte com a casa. Por baixo do balcão uma porta pequena  de acesso à cave.
Depois de muito reflectir teria sido com muita certeza esta a casa onde viveu Belchior dos Reis, onde vieram a nascer os seus filhos, e não na  casa da Quinta do Bairro, também herança dos Andrés, mas antes na centúria de 600 foi de familiares do ramo "Freire" por parte da mulher de Belchior dos Reis, Faustina Freire de Mello. «Belchior dos Reis veio a participar como oficial nas Guerras da Sucessão de Espanha em 1704 , cuja guerra terminou em 1714. Casou em 1717 com Faustina Freire de Melo, tornando-se proprietário da sua Quinta do Bairro, construindo casa ao Largo do Ribeiro da Vide, onde nasceram os seus filhos.»Aqui reside um busílis se naquele tempo e é provável, a Quinta do Bairro nascesse mais a norte do baldio do Ribeiro da Vide e não a sul , na verdade é coisa pouca.
Existiu a casa que falei na beira do baldio a norte e outra que ainda existe a metros para sul junto da eira que ainda é da família. A então quinta do Bairro na centúria de 600 seria de João Freire, o que veio a instituir a capela de Santo António em 1603, mais tarde abriu na quinta uma nova variante do Largo do Bairro para a vila por volta de 1647 que a  capela foi construída  virada para nascente para a quinta, no promontório que ficou da expropriação, cuja porta ainda existe onde  estão muitas sepulturas numeradas desta família Freire. As heranças no tempo se diluíram para em 1717 Belchior dos Reis ter adquirido a Quinta do Bairro a familiares da esposa do ramo Freire.E por isso ainda hoje seus descendentes com chão no que foi o palco dessa quinta do Bairro.Agora a casa onde teria vivido Belchior dos Reis?Numa ou noutra - as duas eram da mesma família, ambas ao limite a norte e outra a sul do Largo do baldio do Ribeiro da Vide, portanto difícil dizer, numa das duas foi!

A casa dos Andrés ao Ribeiro da Vide
Assisti a um filme de slides de África passado pelos irmãos Borracheiros,  antes trabalhadores na faina agrícola da casa, cuja amizade depois de regressados quiseram partilhar os ambientes do Ultramar que viveram , onde também estive presente com a minha irmã.
Não esqueço o carinho da Ti Virgínia, sem filhos via em mim e noutros os filhos que gostaria de ter tido, o mesmo com a Ti Elvira e o Ti Zé André, deste também e falava o pai não o deixou casar com a rapariga pela qual se tinha apaixonado, por ser pobre, e assim ficou solteiro e desgostoso...
Dos quatro irmãos, só o que falta e lamento não saber o nome, nem o conheci, morreu cedo julgo atropelado ao Fundo da Rua, casou em Albarrol, a sua mulher bem me lembro dela cujos filhos e são alguns os herdeiros de José Marques André e dos três filhos sem descendência, de todos eles houve sempre um grande relacionamento de amizade com a minha família paterna. O meu bisavô Elias da Cruz veio a comprar uma propriedade que foi dele no Pinheiro. Os três manos Marques André do Ribeiro da Vide deixaram-me francas e boas recordações, passei horas a falar com todos eles, sobretudo a Ti Virgínia, mal sabia eu ou podia desconfiar das histórias da família...O  Sr Zé André financiou o empréstimo de 500$00 para custear despesas do meu nascimento em Coimbra, os meus pais tinham casado há 2 meses, o meu fazia a casa,  estreada, sem estar pronta, no dia do meu batizado.

Rua das Pinheiras 
Descobri ainda a curiosa calçada com símbolos que não conheço em mais lado nenhum em Ansião.
Ansião, terra de calceteiros com o 1º conhecido  António Pataca, morador no Bairro de Santo António quem ensinou a arte ao Manuel Murtinho nascido no mesmo lugar
Segundo o Rui Portela a obra criativa de calceteiro foi do Joaquim , morador na quinta, seria  um dos filhos de João André  que viveu no seu quinhão da quinta (?).
Óbvio que os símbolos são actuais, indubitavelmente reflectem para mim o longínquo passado que as gentes transportam, o que instiga a sua leitura em mais se deslindar desta gente aportada ao Pinheiro.
Cruz de Cristo 
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Estrela de 5 pontas -, um Pentagrama, possível ligação à Maçonaria ou mais antiga de povoadores Hebreus, quem trouxe a semente do pinhão?
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