Resumo publicado no Jornal Serras de Ansião em novembro de 2023
Aparece com ortografia Alçoforge na Corografia Portuguesa de 1708, pág. 33 com cem vizinhos, vigário e coadjutor, com apresentação da Universidade de Coimbra.
Nas Memórias Paroquiais de 1758
A menção do Concelho do Couto de Alvorge, a mesma apresentação no direito do Padroado da igreja e de todos os lugares desta freguesia, tem foros laudémios, rações e dízimos dos frutos das fazendas, por ser o direito senhorio delas, por cessão ou trepasse que (fez por autoridade do Pontífice Paulo III a instancia de El Rei D. João III) na dita Universidade o Real Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra a quem, em reconhecimento do primeiro domínio, pagam ainda hoje os caseiros da Universidade os foros que são aves e carneiros. Estas terras foram doadas ao Real Mosteiro de Santa Cruz pelo sempre memoriável rei de Portugal D. Afonso Henriques. A Câmara
Municipal não tem juiz ordinário, mas sim vintaneiro e almotacés, sujeitos ao
juiz de fora de Coimbra. O pároco recebe de côngrua anual 216 alqueires
de trigo, 12 almudes de vinho e oito mil réis.
Diz O Dr. Salvador Dias Arnaul que o topónimo Ladeia foi perdendo com o rondar dos anos a sua significação primitiva. Atravessando o período de denominação sarracena o nome de Ladeya seria substituído pelo do Alvorge – para ambos figurarem nos primórdios da Monarquia. Um árabe, outro com certa feição latina.
Alvorge é vocábulo grego, trazido a nós pelos árabes, com o significado de pequeno forte, fortim – ou seja de torrinha, em árabe.
Fonte da Ladeia ou Fonte do Alvorge
O Autor mostrou-se alheio à notícia clara que extraiu das Memórias Paroquiais de 1758, junto ao Lugar de Alvorge está a Torre-da-Ladeia numa quinta, a pouca distância nasce a fonte.
No tempo de Trajano fizeram esta Torre e Casa forte para defesa da fonte…
Pelas muitas requalificações, ainda distingui pedras romanas defronte da fonte, a indiciar foi uma fonte de mergulho.
Pedras romanas desaparecidas na última requalificação...
Em 1896 Pedro Azevedo publicou sob o título de “ Alvorge (Extremadura)
“ será talvez difícil de provar” a origem romana do fortim. – Torre do tempo de Trajano”
Transcreve excerto das memórias paroquiais de 1758:
” Este Lugar não he murado, nem he Praça de armas.
Junto ao Lugar esta a Torre-da-Ladeia que esta na quinta, em pouca distancia da qual, nasce a mencionada fonte.
Os Romanos no tempo de Trajano fizeram esta Torre e Casa forte para defesa da fonte…
Esta Torre principal tinha no tempo de Pedro de Figueiredo da Guerra três andares e pela demasiada altura se redúzio a somente dois que ainda existem, com 4 Pirâmides nos Cantos e o resto da fortaleza a deixou ficar em hum só sobrado fazendo lhe galeria e ornandoa com a varanda na Entrada…esta na posse della Pedro José de Salazar Jordão da Cunha de Eça de Sousa de Azambuja, senhor da casa de Salazar”.
Ruina do paço da Ladeia com o brasão
Classificação de sítios arqueológicos no Alvorge publicados em Diário do Governo de 19.11.2015
Quintal da Velha, habitat romano
Mata de Cima habita romano
Vale da Abrunheira achado isolado
Monte da Ateanha povoado fortificado
Poço do Carril habitat romano
Tras de Figueiró povoado fortificado
Pardieiros indeterminado pre historia
Agostinhas- Chãs romano
Várzea de Aljazede, cortesia de Carlos Anastácio PJF de Alvorge
Contudo é estranha a concavidade na parte superior.
Diz o povo que é pedra de lagar. A mim não me parece.
Esta pedra ancestral como outras isoladas em Aljazede, devem ser alvo de estudo.
O sítio certo para as guardar é no Museu que tarda em ser inaugurado em Ansião.
A Citânia de Briteiros tinha pedras esculpidas com arabescos com alguma semelhança...
Em
fevereiro de 1141 doou D. Afonso Henriques ao mosteiro de Sta. Cruz de Coimbra
a herdade Aluorge et est in ladeia (…) a poente no cimo de Fazalamir ia até ao Pedrogão de
Pelagio Dolios, depois do que chegava à Mata das Pias.
Diz o autor pode-se conjeturar que a atual Pia Furada, a sudoeste do Alvorge, não seja alheia à Mata das Pias… Acima nos limites da herdade de Alvorge, pelo norte o limite da herdade seguia pelo lombo dividindo com Munio Ladrão, e pela barreira que ficava sobranceira às Lapas.
O autor reconheceu as Lapas do
Mogadouro, mas náo reconheceu o toponimo Vale da Pia, a sul do Marquinho, que foi atestado num testamento
de 1869, de Manuel Mendes e sua mulher Maria Freire.
A serra da Barca limita a
norte Santiago da Guarda e a ilha de chão que é hoje a Mata de Cima, na freguesia do Alvorge, cujas Covas da Barca, não
sejam alheias às pias, escavadas no lajedo, como outras no Cabeço da Urgeiriça. Esculpidas na pré-história ou erosão? A merecer sinalética.
Cortesia do Sr. Carlos Anastácio, PJF de Alvorge.
Covas da Barca na Mata de Cima
Em 2022, acordei para uma nova realidade no Alvorge com o ladrar de um cão junto a uma coluna acima de um alto muro. Que me deixou a pensar. Em 2023, graças à cortesia da D. Leonilde, pedi para entrar e distingui prostrada no chão, uma bela coluna – admito foi o Pelourinho da Vila Couto de Alvorge, pelo diâmetro e altura, com falta do topo.
Presume foi erigido ao centro do canteiro retangular adornado por 4 colunas, unidas a ferro, como recorda quando há 50 anos para ali veio morar. Merece estudo e a ser legítimo, reposto!
Ao lado uma escada com acesso à Rua dos Loureiros
Inegável a perca no Alvorge ao velho foro do carneiro a gáudio gastronómico de Penela!
Fontes
Corografia do Padre Cardoso
Livro Ladeia, Ladera do Dr Salvador Dias Arnault.
Testemunho do Padre Coutinho
Memórias paroquiais de Ansião e Ourem de 1758
Mapa enviado pelo engº Hugo Neves
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