domingo, 27 de maio de 2012

Finalmente tratei da mobilidade dentária...à borla!

Tormento com mais de dois anos com infeções na gengiva no maxilar superior - duas por ano. Ao tempo foi tema para descarregar uma raiva sobre o comércio da nova vaga de clínicas dentárias que proliferam no mercado como cogumelos...Detesto negócios com raiz em franchising - o grosso do negócio para o master - uma carestia no preço final para  cliente porque o parceiro tem de lhe pagar comissão -  royalties !

http://quintaisisa.blogspot.pt/2011/06/quem-nao-teve-dor-de-dentes.html

Perceber este filão de negócio que estes serviços apresentam confesso  tem sido o meu comodismo em decidir o que fazer. Apesar da higiene bocal - o problema persiste por força de dentes tirados em miúda e os do siso aos 20 anos - infalivelmente o mirrar das gengivas  - sendo a boca o maior foco de bactérias no nosso corpo - infiltram pela gengiva,criam fissuras, atacam o osso que prende os dentes - na sua consequência  perdem mobilidade - abanam e, acabam por perder-se se não forem tratados - esta doença tem o nome pomposo - Periodontia - em miúda julgo que  ouvia falar - Seborreia...ainda me lembro nesse tempo ver velhotes quase sem dentes, a minha avó materna só  tinha um à frente...claro que nunca os lavaram, outros tempos !
Amei esta foto apesar da falta de dentes tem um sorriso delicioso!
 
Interiorizei que tinha de ir a um consultório eficiente, consciencioso e a preço justo...não me parece que exista (?)... até que uma higienista jovem me falou na Faculdade de Medicina Dentária no Monte de Caparica, se bem que tirou o  seu curso na de Lisboa. Já há muito tinha ouvido falar -  confesso nunca lhe conferi destaque para uma visita, talvez pela morosidade na lista de espera...Contudo desta vez tomei a iniciativa - telefonei a marcar uma consulta que ocorreu na sexta feira. Gostei francamente das instalações, do espaço, da modernidade em open space dividido por gabinetes nas várias especialidades - música ambiente para relaxe e uma infindável azáfama de alunos, bacharéis e professores doutores sempre a intervir, a ajudar, a dar sugestões, a colaborar em equipa - "sem vaidades nem trunfos na manga" - em prol de prestarem um serviço de qualidade que se entende de Excelência  - vali-me do meu poder de observação - enquanto fazia espera da minha vez constatei o perfil atento de simpatia - logo no acolhimento, condução do doente para a consulta, igual na cortesia após a intervenção até à receção - onde ainda havia tempo para dicas e despedidas.Chegou a minha vez, o mesmo acolhimento cavalheiresco e afável no abrir as portas com a primazia de me fazer entrar - sentir "em casa" até ao gabinete onde me foi feito um rastreio e algumas perguntas - um dos  Drs que me fazia o diagnóstico pediu-me para olhar para ele...fácil foi constatar sem palavras que apenas queria entender o meu rosto - no caso observar os queixais na expetativa de avaliar anomalias na dentição. Seguidamente fiz um RX panorâmico com uma prévia análise por uma equipa, enquanto eu de boca aberta - ouvia as notas ditadas a outro colega das intervenções que sugeria virem a ser feitas. Sendo a primeira consulta de rasteio, estava concluída - sai acompanhada pelo Dr António Amorim que na receção agendou duas consultas. Horas mais tarde recebi um telefonema precisamente do Dr. AA se estaria disponível para no dia seguinte pelas 14 horas me deslocar à Faculdade  - "tinham analisado mais detalhadamente o RX, havia um dente a precisar de implante ósseo que seria excelente para um trabalho de Pós Graduação, haveriam fotos, mas era gratuito". Disse logo que sim. Ao chegar, cumprimentou-me com um aperto de mão fervoroso e disse " fiquei muito contente por ter aceitado "...Sou moderna, ainda me lembro do tempo da minha filha ter de fazer trabalho idêntico para Psicologia - recolha de estórias de pessoas toxicodependentes...
Pareceu-me que pelo facto de haver pouca gente seria a tarde para "trabalhos a apresentar pelos alunos em final de curso e graduações" (?).
Confesso que senti - apenas haver interesse no tratamento de apenas um dente...quando o Dr Ricardo me pergunta qual era o dente a tratar, respondi "  no maxilar superior no lado esquerdo os últimos dois dentes estão a abanar, julgo que o último não sei se terá condições de tratamento"  - sem delongas inicia o tratamento segundo a minha sugestão - mais tarde passa um colega que o instiga " não era para tratar o dente com defeito?"...responde o Dr Ricardo " sim - mas a senhora queixou-se de dois em cima, um apresenta grande mobilidade" - acordam em fazer um RX a que se seguiu a intervenção de limpeza do dente até à raiz com aparato de muitos olhinhos em cima de mim...fui pincelada na cara com betadine enquanto davam palpites -fosse do número do dente fosse do grau de mobilidade - atribuído grau dois - após uma hora de limpeza e outras intervenções - não sentia nada - mas a Drª assistente segurava no dente para não baloiçar ou cair - no entretanto oiço o Dr Ricardo desabafar isso mesmo com ela - a mim disse-me "tenho de o tirar, é um foco de infeções, quem sabe até da enxaqueca"...assim foi - de seguida começou a tratar do dente ao lado que lhe fazia parelha...limpeza e cirurgia para implante de uma cunha com osso para regenerar a parte óssea da gengiva  - na minha intuição julgo que o implante vai fazer crescer de novo o osso da gengiva e com este brutal reforço ósseo, agarra de novo o dente. Levei pontos desde o palato a toda a volta do dente mais do que foi arrancado...o médico dizia "foi a minha avó que me ensinou a dar pontos para cozer as meias" depois de cozida não sentia forças no canto da boca já passavam mais de 2 horas...aguentei ao pedir para me anestesiar junto ao lábio, assim foi mais fácil tratar do "dente com defeito" que o Professor em sorriso dizia aos colegas " nunca cá apareceu um dente igual a este de 3 pontas...merece constar em livro"  - senti que aquele dente com defeito despoletou um autentico orgasmo intelectual... A máquina fotográfica parecia dessas dos fotógrafos com uma grande teleobjectiva, na mão o médico segurava um espelho mais parecia uma tala de formas arredondadas para ajudar na visibilidade do trabalho à medida que ia sendo feito, não faltou o bocal para manter a boca aberta -a parte mais difícil porque ao estar anestesiada, não se tem a precessão do grau de abertura. Novos RXs antes e depois da cirurgia. Falavam sempre em modo profissional com termos que não são do nosso quotidiano - percebi por entre dentes um desabafo sobre o "medo" de não se utilizar o produto(?) ...substituído por osso no enxerto da cirurgia (entendi se tratar de algum método não totalmente testado cientificamente, ou ... tal e qual o que senti em situação análoga há 31 anos no Hospital de Santa Maria com a introdução no endométrio de um medicamento  em teste  - prostaglandina com a função de provocar aborto espontâneo do nado morto - debalde senti dores como se fosse um parto normal com a rotura do saco de águas - a enfermeira deixou-me uma arrastadeira com a indicação de a usar...mas nada saiu pelo que no dia seguinte tive de me submeter a uma raspagem- só me lembro à minha volta estar um grupo de estudantes de medicina de batas brancas, aparentemente brincalhões a fazer perguntas que achei idiotas tal o calibre do meu mau estar " quando menstruou a 1ª vez...quando teve a sua 1ª relação sexual...a gravidez foi pensada...e,... até que cansada fui indelicada tal a loucura de nervos - lembro-me que a anestesia não surtia efeito até levar dose dupla - no dia no recobro o médico disse-me " nunca mais cá apareça para fazer serviço igual, mesmo anestesiada não parou de se mexer um segundo na marquesa, foram os alunos que a seguraram , estavam ali para aprender..." mal sabia ele que aqueles alunos a aprender a serem doutores me fizeram lembrar o Dr. Pica no seu tempo em Coimbra - um malandreco  - "um dia corta o pénis numa autópsia  ao cadáver e sorrateiramente o deixa no bolso da bata de uma colega..." agora imaginem quando a menina sorteada  dá com o brinde ereto no bolso...julgo desmaiou!
As palavras são como as cerejas já estava a divagar...no caso optaram pelo implante ósseo - já conhecia o método em outras situações análogas que vi numa reportagem na TV. A odisseia demorou 4 horas.Se para mim não foi fácil para eles também não.Imagino o cansaço brutal de braços e de mãos para não falar cerebral.
Senti-me muito bem tratada e acarinhada. Muita educação - tantos desculpe D. Isabel...mais um bocadinho já está pronto...esta-se a portar muito bem...vou fazer o meu melhor apesar de ser do Sporting - eu do Benfica, se fosse do Porto era bem pior...está-se a aguentar...quer continuar? ...estes dentes vão ainda durar muito e, ...
Com a minha caneta prescreveu o receituário sob olhar atento de outro colega de olhar lânguido esverdeado qual lago de nenúfares ao entardecer - aquele olhar transportou-me à minha infância no meu tempo da 4ª classe na semelhança com os do Salvador...momento arrepiante - homem  por demais sedutor!
Volto para tirar os pontos no dia 5 - o Dr AA vai estar de propósito para os tirar - até me disse " se não houver muita gente retoco a coroa daquele outro dente..."

Um louvor e um BEM HAJA aos médicos que estiveram comigo extensivo aos outros que colaboraram com destaque para o Dr António Amorim  - elo de ligação para o convite , do Dr Ricardo - cirurgião e assistente a Drª....quase ficou "com o pulso aberto" de tanto segurar nas mangueiras de sução da saliva e outros apetrechos cirúrgicos. Muito obrigado a todos por me terem distinguido com a sua simpatia e aparente eficiência neste serviço de cirurgia e implante regenerador prestado na  Faculdade de Medicina Dentária cujo nome encabeça outro nome não menos ilustre - EGAS MONIZ - na Quinta da Granja no Monte de Caparica .
Não precisei de tomar o S.O.S...Bom trabalho caríssimos médicos, dormi muito bem, ajudou na minha auto estima uma dose dupla de cinema que me aqueceu o coração...Sinto-me bem. Mais umas horas estou pronta para nova aventura!

Fui de metro. Constatei com desagravo  passeios estreitos entupidos de postes de cimento armado e de madeira com espias. Ainda a falta de muros das quintinhas - fechadas com arame ferrugento e mantas em franjinhas de plástico. Um mar de ervas daninhas de grande porte a invadir a calçada, sem qualquer manutenção, junto do caixote do lixo o passeio esventrado e conspurcado...um desconsolo - pior constatar um homem -  mal saiu de casa abriu a braguilha e urinou contra a rede a fazer de muro como os cães...
Descaracterização total dum local bonito, airoso onde não há "rey nem roque"  no urbanismo - em paralelo com habitação de luxo e quintas  antigas, algumas mal cuidadas. Em frente da Faculdade a quinta da "Rosa" em abandono e desmazelo - a fazer de muro extenso canavial e arbustos entopem a valeta...com gente que fez anexos e aqui vive mesmo na frente da Faculdade  - até tem um letreiro para não estacionarem em frente do frágil portal.  Não seria mais simpático a autarquia em colaboração com a Junta de Freguesia fazer um muro e estacionamento corrido para dar grandeza à rua  assim como uma rotunda no cruzamento  para a Fomega (?). Deveria haver mais cautelas no gosto por manter os espaços limpos e cuidados onde alunos , pessoal  docente, administrativo e utentes se deslocam todos os dias para a Faculdade que dá vida  e acrescenta valor ao Monte de Caparica.
Coisa para  gente pensante actuar, porque ontem já seria tarde, hoje é imergente dar grandiosidade ao local outrora belo de solares e quintas com vista deslumbrante sobre a capital e o Tejo!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Retalhos do Avelar em tempos de antanho!


Avellaal…Desta forma o mandou escrever no foral de Penela D. Afonso Henriques em 1137. Há ainda quem se lembre de o ouvir assim pronunciar às velhotas...e, Almafalla - como herdades confinantes da primeira, no termo a sul, pertenceu aos Marqueses e Duques de Vila Real - a origem do seu nome arcaico provêm da existência de terrenos de aveleiras, foi vila por foral de D. Manuel I em 1514 pelo qual foi edificado o Pelourinho - acredito em farto largo, quis o tempo teimar em lhe dar outro uso e serventia, encafuado entre casario quis teimar ficar numa rua sem aparente fulgor …
Graças a uma lenda ocorrida no Fetal ”aparecimento de uma menina formosa “ - local onde viriam a construir uma capela - outra igreja maior foi construída - matriz em 1767 data que ostenta na frontaria da porta principal, graças às muitas esmolas dadas à milagrosa imagem de Nossa Senhora da Guia. No terreiro da igreja no forno medieval manteve-se durante anos a tradição de cozer o bolo na romaria - o forno aquecido durante os três dias da festa com carradas de lenha - o bolo -  massa de alguns alqueires de trigo, tal qual se fazia em forno idêntico em Abiúl - sendo eu neta de padeiros imagino a amassadura, a força de mãos e o brutal peso da massa no tender e no armar no lastro varrido do forno de cúpula banca(sinal que estava no ponto para a cozedura) - assim dizem ser feito  não se sabe por quantos forneiros que para tal tinham ainda de subir a escadaria do forno perante a assistência dos romeiros - o que se fala é que depois de cozido -  um  bom homem de cravo na boca devotamente o tirara do andor da Virgem - e o "milagre" acontecia - porque saía do forno sem se queimar ou crestar - levando umas sandálias calçadas - o caso nada mais era que a verificação de um vulgar princípio de Física…Prefaciando o meu colega do Externato e primo Padre José Coutinho que a meu ver se esqueceu de dar explicações do “vulgar princípio da Física” ao relatar este "milagre" ... ainda tive o cuidado de perguntar o fenómeno a uma engenheira, debalde não encontrou justificação plausível...na minha cabeça há factos que não batem certo (alqueires de trigo - se cada um equivale a mais de 10 litros... pensar que 5 kg enche um alguidar grande de massa levedada, será que teriam ao tempo uma masseira de madeira de grandes porpoções - mas como o transportavam para o forno se era só um grande bolo (há quem diga que era transportado num carro de mão, mas como se tem a escada e grande) - sabendo o calor que a boca de um forno emana como é que alguém conseguia entrar e o tirar cozido sem se queimar? Uma coisa é certa o forno existe - é muito bonito de construção hexagonal com uma cruz de trevo no topo da cúpula ladeada por dois pináculos piramidais tipo altar ao cimo da escadaria emana beleza singela e incomum.
Forno Medieval de Avelar
No arraial da festa o bolo era dividido em pequenos pedaços que os peregrinos levavam consigo de volta a suas casas - há quem diga os colocavam nas arcas de roupa contra a traça, será que a afugentava?  O inevitável aconteceu num tempo de República acabada de nascer - gente devota, maioritariamente iletrada - o bispo de Leiria excomungou os milhares de devotos que aqui acorriam para ver tal milagre e mandou fechar a igreja. Os fiéis continuaram a juntar-se na porta a rezar até que de novo foi reaberta...
Em finais do século XIX foi fundado o Hospital que adotou o nome da padroeira, continua a crescer a olhos vistos em prol da população que nunca o deixou extinguir. 
No gaveto do antigo terreiro acima da igreja existe um fontanário em pedra com serpente esculpida - tanta vez a mirei, num tempo que a minha mãe se deslocava ao Correio para substituir a D. Preciosa, chefe da estação - sem nada para fazer passei horas nas ruas desertas a vaguear - na Rua do Castelo estreita a subir a mais de meio caminho dei com uma casa comprida de gaveto e sobrado com as portas do r/c abertas - irresistível não olhar - na parede de fundo exposto um painel de grandes proporções em azul centrado por lavrado copioso de amarelos a fazer lembrar um brasão, talvez a casa da família Falcão. Continuei a subir a rua intrigada com a toponímia, onde seria o castelo (?) nunca o encontrei nem vi jeito de ruína - também na entrada da vila interrogava-me com o porquê do nome “Santo Velho...O casario estende-se sob o comprido a partir da bifurcação das duas ruas principais junto às Alminhas - lugar que atesta o marco do antigo cemitério que aqui existiu - fazendo fé em lendas e a pensar no Santo Velho a escassos metros do local, acho uma forte possibilidade de em tempos idos aqui ter existido também uma igreja, quem sabe até o burgo primitivo depois de o castelejo altaneiro ter sido abandonado ou destruído, resta a toponímia. 
Falar desta terra é falar de gente distinta: Diamantino Monteiro da Tojeira - ourives que casou com a D. Piedade Lopes- afamada padeira prima do meu pai, minha vizinha; do agora presidente do meu clube, o Sporting, Eng.º Luís Godinho Lopes, os pais avelarenses imigrados para Moçambique onde veio a nascer não perdeu as raízes, primo direito da Juju Caseiro, irmã mais nova do médico psiquiatra Américo Caseiro, o pai deles, Sr. Caseira, Solicitador, adotou Ansião para montar escritório e morar com a esposa D. Fernanda Lopes e, da sua amiga de menina e moça a D. Maria Augusta Estêvão Pais, cujo pai, Adelino Gonçalves Estêvão foi no Avelar um grande empresário têxtil no seu tempo - o maior - conhecia-a por acaso numa rua de Almada, conversa trivial sobre o caos do estacionamento nos passeios, vive a escassos metros de mim, senhora viúva com dois belos filhos: Armando e Engª Fátima Pais - Faty para os amigos, estudou em Coimbra com a Juju (filha do Sr. Caseiro) com o meu primo Rui Lucas - amigos e colegas de curso de engenharia química, exceção da prima Isabelinha - minha e do Rui - escolheu Letras.
Como tudo começou? Falo da indústria de lanifícios da grande concentração de fábricas no Avelar  - grande centro têxtil iniciado nos finais do século XIX - apesar da recesão, persiste ainda hoje. Ao tempo este império sediado no concelho de Castanheira de Pera - 3º maior pólo de lanifícios no País - fábricas de negócio familiar - a matéria-prima - a lã existia e muita, grandes os rebanhos nas serranias- também gente que sabia fiar, cardar, tecer, pisoar e tingir. Em 1860 existiu a primeira fábrica a usar a força motriz da água da ribeira de Pêra para mover a roda hidráulica em vez da utilização dos teares manuais. Por sua vez, outras fábricas proliferaram pela mão de filhos destes industriais - após o casamento partiam para novas terras levando consigo a arte da fiação, aventurando-se também no negócio. Foi o que aconteceu com uma família de nome Moreira que se estabeleceu na Lomba da Casa no concelho de Figueiró dos Vinhos com uma indústria têxtil familiar com teares manuais - rapidamente um dos  seus filhos se veio radicar no Avelar - atrás dele outros assentaram arraiais - começaram por tecer estamenha ( tecido grosseiro de lã) xailes, cobertores, mantas e meias - barretes não sei se algum tecelão tirou o poleiro do seu fabrico a Pera. De todas as fábricas no Avelar e, houve muitas, destaco - a “Fábrica de Lanifícios Adelino Gonçalves Esteves Lda.” cujo pai nasceu precisamente na Lomba da Casa - primeiro industrial de xailes no País, fabricava também tecidos para roupa de homem - especialista na fantasia lavrada em seda e merino - tecidos de melhor qualidade usados por mulheres ricas e em casamentos -também em algodão com mistura de seda - usados nos xailes das tricanas de Coimbra lavrados em relevo a vermelho e rosa. No tempo da guerra no Ultramar a fábrica produziu mantas para os militares. Os xailes eram tecidos em vários materiais que ditavam o preço - o seu traje, distinguia a riqueza do pai de cada mulher que o usava - o da minha avó Piedade Cruz de Ansião de oito pontas em merino preto e franjado de seda - de primeira qualidade. No inicio de 60 foi a primeira fábrica que se modernizou - vieram famílias da Covilhã para ensinar os tecelões - alguns acabaram por se radicar na vila com a implementação de teares mecânicos de tecelagem, tinturaria e fase de acabamentos para franjas de fitilho nos xailes, enquanto as franjadas eram feitas manualmente por duas mulheres - a sua filha Maria Augusta, menina fina a estudar, desistiu - por infelicidade de doença do único irmão que acompanhou na beira do leito até falecer - sem carecer de tal serventia avulsa sentia o frenesim de querer ajudar na fábrica contra a vontade do pai. Os outros industriais sediados no Avelar e um na Rascoia vinham nesta fábrica acabar as suas tecelagens. Prazer senti de ouvir a D. Maria Augusta contar do tempo em que as pessoas acorriam a sua casa trazer travessas de arroz doce e bolos de noivos - doçaria tão típica na região na altura dos casamentos e festas, o seu pai apadrinhou mais de meia centena de afilhados. Outra grande amiga da Maria Augusta Pais - a D. Fernanda Pintassilgo, olhando ao apelido sugere ser oriunda da Covilhã onde existem famílias de apelido igual ou então da Lomba da Casa - dos primeiros tecelões (?) Proeminente proprietária ainda hoje da fábrica Fareleiro - em atividade. 

O Avelar crescia a olhos vistos nos anos 60, novas apostas no seu desenvolvimento com a ajuda do então diretor das contribuições e impostos de Ansião - Dr. Vítor Faveiro, a ele se deve o desenvolvimento de novas fiações e do Externato Infante Sagres, mais conhecido por colégio, inaugurado em 61 onde o médico Dr. Manuel Medeiros e a esposa D. Adelina foram professores entre outros e, o diretor Dr. Jorge Condorcet que também conheci. Depois do 25 de abril frequentei-o com a Fátima Miranda e outros colegas de Ansião a título de explicações para exame - no meu caso não surtiram efeito, voltei a chumbar a Ciências mais um ano. Tempo ainda para falar de outro ilustre que aqui estudou quando os pais regressaram de Moçambique - o mágico Luís de Matos, filho de professores, o pai foi colega da minha mãe no Externato em Ansião, com casa na Serra do Mouro, aprendeu a arte da magia em pequeno em Chão de Couce com o seu amigo Serafim Afonso, há quem diga que lhe deu continuidade pela mão do Dr. Condorcet que gostava de magia - ao ir morar na sua casa em  Coimbra para estudar  com os seus  filhos...A caminho da vila abriu um Banco - uma novidade ao tempo pelo grande desenvolvimento industrial, com ele a necessidade de transações comerciais: empréstimos, letras, livranças, avales, penhores, hipotecas, inevitavelmente falências. A pensão Larsol - coqueluche da altura - na década de sessenta a volta a Portugal com o emblemático Joaquim Agostinho passou pelo concelho de Ansião, seria a primeira vez (?) Meta no Avelar mesmo na frente da Larsol onde se hospedaram, muita gente na rua para os ver chegar, eu também.

Relembrar estórias de antanho...Do farmacêutico Dr. Medeiros - do seu único filho - José Arménio frequentava o  último ano da sua licenciatura em farmácia, "dele se falava ser um rapaz inteligente e, bom, do pai diziam que ser muito exigente com ele” . O José Arménio não tinha jeito para a dança, pisava os pés das moças... Antes de se suicidar com botica que ajustou na farmácia do pai, foi na véspera a um bailarico na casa do Sr. Ferreira, a moça que com ele dançou nessa noite, pisou e repisou - no finado bailarico, sendo um rapaz educado e cavalheiro, não se esqueceu de agradecer tão gentil gesto de amizade e compreensão à moça recatada pelo seu  desajeitado dançar... Na manhã seguinte o sol ia alto e o “menino” não descia do quarto... Encontraram-no morto na cama com um bilhete. Grande consternação para os pais, sobretudo para a mãe, seu único filho! Veio a ser herdeiro o sobrinho da família o Dr. José Emídio Medeiros, advogado que conheci em Ansião - gente ilustre, socialista a dar cartas na política e a servir o País. Do médico conhecido por “João semana - Dr. Manuel Augusto Fernandes Medeiros” homem simples e bom que a todos atendia com a mesma afabilidade. Acorria ao chamamento de pobres e, … da sapataria dos pais da Fina - amiga da minha mãe de longa data, mais abaixo a casa de ferragens Farrica e, a padaria do Rocha padeiro obsequiador, gostava de dar um papo-seco às meninas - no caso dava sempre um à Maria Augusta Pais que a ela lhe dizia “não preciso, dê a outra mais precisada…” Atualmente o presidente da edilidade camarária do concelho - um filho de Chão de Couce com raízes no Avelar - precisamente neto desse homem de bom coração - Rocha (tal como eu neta de padeiro) .
Boas - as morcelas de sabor a cominhos compradas no talho de paredes meias com a sapataria da Fina - a minha mãe sabendo desta minha gulodice tantos sábados aqui se deslocou no carro para me presentear o apetite na década de 70. Bonitas casas solarengas e quintas, não menos bonito o pavão que vivia na casa defronte da estação de Correios - louca para o apanhar, tirar uma pena de cores tão fortes e desenhos exuberantes, nunca antes tinha visto um animal igual , assustado fugia de mim, abria em leque o rabo comprido… 
Quando trabalhei nos Correios em Coimbra em 76 estreei uma casa da Laura Miranda nas costas do Seminário onde vivi com a filha Fátima e duas raparigas do Avelar. Uma sofria de raiva de ser filha de pai incógnito - não ter o nome do pai no bilhete de identidade, corajosa pediu-lhe que a perfilhasse, não lhe desse mais nada, só o nome, a nós contava as vias das andanças para ele a reconhecer legalmente, julgo que a mãe uma senhora que tinha vindo da Covilhã, ela estudava história - eu não lhe via sentido nenhum para tal arte, a outra mais inteligente trazia o concentrado de tomate artesanal guardado em garrafa verde de litro que a avó do Espinhal sabia fazer - com ela aprendi a fritar o arroz, moda nova que continuo e bem a fazer. Os seus nomes foram-se “salvam-se estas memórias dos resquícios dum tempo que existia um mau estar entre o povo do Avelar contra o de Ansião e vice versa…a causa nada mais era que a sede do concelho.” O povo do Avelar reivindicava-o pela concentração da indústria têxtil, pelas ideias socialistas de um sarrafo de boa gente progressista e, do 1º banco com balcão aberto ao público no concelho. Coisas e loisas que o tempo se encarregou de adormecer e apagar - daqui a menos de 50 anos as duas vilas se juntarão numa cidade. Assolado o Camporês com unidades fabris” teria sido local ideal para um grande aeroporto no centro do Pais”... há gente que se lembra de aqui ter aterrado um dia um avião...
Enigma vai ser o nome a dar à cidade! Eu luto por Ansião. Outros vão lutar por Avelar! 
Pensamento justo, decisão difícil. Que tal inventar (?) 
Na moda parece estar a extinção de freguesias e até se fala também de alguns concelhos irem “à vida”…Urge pensar num nome sonante - quiçá apele às raízes de povos por aqui vaguearam deixando indelevelmente marcas ainda presentes no tempo. 
O desafio? Atrevo maior pensar no nome da nova cidade de todos nós -Ansianenses e Avelarenses !
Gostaria que iniciasse por "A"...
  Só a

domingo, 20 de maio de 2012

Parabéns Briosa...Parabéns Pincesa - HURRA, HURRA, HURRA!!!

Cantarei até que a voz me doa o - Grito Académico da minha cidade - Coimbra!

O Grito Académico - divide-se em duas partes: Dedicatória e Aclamação (em que existe uma voz de "comando" a que responde a assembleia).
Assim, temos:
- Então (malta), e para a Briosa não vai nada,nada,nada,nada?
- Tudo !
- Mas mesmo nada,nada,nada,nada?
 - Tudo
- Então, com toda a cagança, com toda a pujança e aclamação pela taça de Portugal aqui vai /sai um...F-R-A!

- Frá! - FRE! -Fré! -FRI! - Fri! - FRO!
- Fró!
- FRU (com prolongamento do som É da letra F: "éf "- concluindo com RU - "ériu"). - Fru!

-(todos) FRA, FRE, FRI, FRO FRU ALIQUA, (a)liquá, (a)liquá (BIS)

CHIRIBIRIBI-PÁ-TÁ-TÁ-TÁ (Bis)

 HURRA, HURRA, HURRA!!!

Sou Sporting - o meu coração não se dividiu a ver o jogo - dois clubes do meu coração na final da taça. O dia prometia festa para quem a ganhasse!
O lema de uma final além da sorte e do azar as equipas tem o dever de entrar em campo para "dar o litro"- numa luta de igual para igual, entrega, sacrifício, amor à camisola e vontade de vencer, porque é uma final -ontem no Jamor os vitoriosos foram  os da minha terra onde um dia eu nasci - Coimbra a cidade dos amores de Pedro e Inês, do Mondego, do Penedo da Saudade e dos jogadores da Académica!
Desde pequena os vi treinar no seu estádio no Calhavé, emblemático para mim com um grande arco em "U" virado ao contrário na entrada através dele divagava em sonhos para lá das grades ao ver o relvado e nele rapazes atrás de uma bola vestidos de  camisolas pretas...
Tantas foram as vezes que os havia de ver nas constantes idas à cidade berço em companhia da minha mãe no carro de táxi do Sr Estrela a consultas da especialidade -  " Doenças das Senhoras"....
Claro que via outros do clube a União de Coimbra a treinar junto ao Mondego onde depois de tirar a carta a  minha mãe deixava o carro estacionado.
Em 1978 quando trabalhei nos CTT na baixa junto ao jardim da Manga cheguei a ir ver  jogos, ainda haviam muitos estudantes jogadores -" mas foi sol de pouca duira..."

Fiquei francamente feliz com a vitória! Se sofri!O Sá Pinto não arriscou e deveria!

De manhã entrei na euforia da promoção de 50% na compra de carne no Pingo Doce. Valeu a pena comprei lombo de vitela de 20 a 10 €. Aguaceiros iam e vinham, o meu marido foi ver o desfile em mar e terra da Marinha em Cacilhas. Azáfama na cozinha, assei duas agulhas de vitela com batatinhas, aproveitei o forno  fiz um bolo de chocolate, o mais fofo de sempre...até o meu marido me perguntou onde fui buscar a receita, resposta escorreita - o segredo é a água morna e metade de uma maçã ralada...


Repasto divinal com salada de alface e laranja...até parecia leitão fingido.
Pela tarde saímos numa voltinha à Costa de Caparica. A feira pelas 3 horas estava em demanda...muitos feirantes arrumavam estaminés. Muitos lugares vazios, fraca afluência.Já não é o que foi!
Amanhã a minha querida filha completa 30 primaveras. Está em Barcelona com o namorado.
Felizes.
Eu também!

Aldrabona  nas cantigas e, fora de mim por tanta alegria  entoou o grito académico à minha maneira...

Áferreá Á
Afeeré É
Aferri  I
Afeerrió Ó
Aferriu U
A E I O U  Chiribi tá tá
URRA URRA URRA!

Parabéns Briosa!

Parabéns Princesa Dina Isabel!

URRA URRA URRA!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dia da Espiga na visita à Base Naval do Alfeite

A Quinta Real do Alfeite considerada um dos locais mais deslumbrantes e belos de Almada com uma área de 300 hectares, estende-se desde o Caramujo e Romeira, sobe a arriba ao lado das Barrocas, vira num repente na Azinhaga do Rato ao Laranjeiro para descer ao Miratejo beijar o esteiro de Corroios e terminar na Ponta dos Corvos - hoje infelizmente sem a linha férrea que fazia a ligação por uma pequena ponte para a estação do Seixal aos pés da Quinta da Trindade, um dia destes vou falar dela.
 A Quinta Real do Alfeite no século XVI  foi pertença de João Álvares de Caminha, 3 anos após o terramoto de 1755 D. Pedro III, filho de D. João V manda construir o Paço Real do Alfeite.
Em 1871 surge a transferência do Arsenal do Alfeite da Marinha de Lisboa para a margem esquerda do Tejo que só viria a ter projecto em 1906 do Engº Santos Viegas - muita discussão gerou os planos para a sua construção,os trabalhos de terraplanagem começaram em 1929, só viriam a terminar  com a transferência do velho Arsenal da  Marinha de Lisboa, para o Alfeite, em janeiro de 1939 onde ainda se mantêm nos dias de hoje. Tem uma capela, um bairro onde ainda vivem antigos militares, creche e escolas, infra-estruturas de desporto com piscina, um balcão do banco Santander - teve uma clínica e uma cordoaria, um grande estabelecimento com um restaurante no último andar com uma vista panorâmica sobre o mar da Palha e Lisboa, onde os preços eram muito acessíveis, isto antes do Pão de Açúcar se instalar em Almada, além de outras valências tem uma mata de pinheiro manso muito antiga e dezenas de pavões lindíssimos.
A uns cem metros do palácio para norte encontra-se um grande edifício cuja fachada mostra evidencias quinhentistas com reforços de meios muretes laterais de cima abaixo sendo que são mais finos em cima e mais largos na base- devem ter um nome - que se encontram nos Jerónimos e muitos  outros monumentos. A bateria da máquina "flipou" não pude registar a foto...Também na extrema da Quinta com o esteiro de Corroios há coisa de 30 anos nas minhas caminhadas até à Ponta do Mato assim o povo chama ao sapal estreito e praias iodadas, bons ares para a saúde, problemas de tiróide, vi na altura ruínas de 2 palacetes que fariam parte integrante da Quinta, pelo aspecto pitoresco seriam casas de veraneio viradas a sul  usadas pelo rei D. Carlos que aqui se deslocava amiúde.
Durante as obras de construção da nova Base Naval os operários depararam com um objecto insólito na sondagem do terreno a desbravar - uma grande talha de barro cheia de reluzentes moedas de ouro - centenas de moedas de 500 reais- raríssimas - cunhadas no reinado de D. Sebastião com finíssimo ouro dos tributos de Quiloa conhecidas popularmente por "Engenhosos" - alcunha do seu fabricante moedeiro Real João Gonçalves - o "Engenhoso". As primeiras moedas datadas de 1562, existindo porém, espécimes da mesma época e com valor idêntico mas relativamente vulgares.Como se explica a presença de tamanha fortuna em local tão ermo, descoberta mais de três séculos depois de terem sido cunhadas?
Certeira seria encontrar a resposta exacta...? Pondera-se a possibilidade do tesouro ter sido escondido(enterrado) a mando de D. João Álvares de Caminha, fidalgo da Casa Real, cuja família tinha na época a posse das propriedades do Alfeite e que acompanhou o rei D. Sebastião na desgraçada jornada a Marrocos onde veio a falecer em 1578.Num tempo que não existiam Bancos...a segurança dos bens era praticamente nula, por isso lendas de arcas com ouro enterradas...felizmente algumas descobertas de tesouros como este. Duas perguntas imperam? O que aconteceu aos homens que enterraram a talha (sim o patrão foi para a guerra  - se não os mandou matar eles podiam sempre vir à posterior roubar o tesouro e fugir ou não, já que dono fora, patrão na loja?)  e o que foi feito das moedas ainda existem em algum Museu???

Veleiro Sagres ancorada na Base do Alfeite. Visitei-a na minha primeira vez. Gostei de sentir um veleiro a sério, as cordas, os lemes, os mastros, tinha uma vela aberta com a Cruz de Cristo, na ré tem mesas com bancos corridos para se lanchar ao sabor da maresia.

Veleiro Criola mais pequeno que a Sagres não estava em visita.Por detrás o verde da mata do Alfeite.
          Na foto um navio de guerra F 487 em reparação na dica seca do Arsenal.
O Alfeite em termos territoriais é distinto para a entrada quer da Base Naval da Marinha  quer do Arsenal, na linha do rio cada um se separa no território para cada lado.Recentemente o Arsenal engloba a sociedade Impordef que também detém os estaleiros de Viana do Castelo...No caso a antiga Goame do Arsenal- oficina de armamento - ouvi comentar  a antigos reformados que deveria ter ficado englobada na Marinha por esta depender diretamente dos seus serviços - ou não - se procurar fora de portas quem faça o trabalho mais barato, outros diziam que a nova empresa exigiu  ficar com a Goame, a única que dava rendimento (?)...Refuto sérias dúvidas se esta nova empresa  Impordef não poderá ter os dias contados (?) fazendo eco ás recentes notícias ocorridas no estaleiro de Viana do Castelo ouvidas na TV, fiquei com a nítida impressão de uma - fatal visão estratega e liderança na administração empresarial cujo fundamento deveria ser - de sucesso - com objectivos definidos numa dinâmica laboral de expansão e projeção para fora de portas do negócio, rentabilizando os estaleiros e o pessoal credenciado, não deixar morrer aos poucos nenhum deles com o descrédito - despejo para a  mobilidade dos trabalhadores, todos eles desde sempre a alma e a vida a baixo custo . Por outro lado julgo que o estaleiro do Arsenal terá como principal cliente - a manutenção dos navios da Marinha - com a redução do orçamento tem de redefinir as obras, só entrega determinados trabalhos sendo que alguns são feitos pela prata da casa,onde os conhecimentos (?) da especificidade podem acarretar consequentes dores de cabeça e custos redobrados - digo eu ao ouvir dizer que militares desempenham pequenos trabalhos- ora, ninguém nasce ensinado e o que parece fácil não é  - só operários que durante anos desmontaram e montaram peças de armamento e outras específicas as conhecem de cor e salteado - acredito é de ficarem com os cabelos em pé quando ouvem " aprendizes de armamento militar" falar de avarias e da sua resolução  menosprezando um trabalho de elite bem executado pelos operários do Arsenal - toda a vida mal remunerados em relação aos militares, pelo árduo trabalho: seja na construção, mecânica, electricidade, electrónica, soldadura, preparação e outros - além do saber que acumularam com técnicos holandeses que se deslocaram aqui e os ensinaram a resolver avarias nas peças de armamento e antenas. Alguns tem um saber imensurável sem contudo o serem  remunerados na propulsão! Outros tiveram estágios além fronteiras de especialização. Coisa que faz pensar!A Marinha  a meu ver ainda está a tempo de voltar atrás e agarrar esta oportunidade de ficar com esta oficina de operários de grande valor e saber, fazendo dela escola - para novos aprenderem e continuarem o desempenho de gabarito como no passado tal como no presente sempre foi bem executado no Arsenal pela maioria dos operários, porque também os houve que pouco ou nada fizeram, aproveitaram-se das circunstâncias sem circunstância - achadiços e afilhados existem em todo o lado, é sarna deste País!
Atlântida - Navio fantasma que o governo dos Açores rejeitou por incompatibilidades no projecto... veio o presidente da Venezuela  Hugo Chavez dizer  que o comprava ao Sócrates com palmadinhas nas costas...atacado de cancro esqueceu-se do negócio...acabou por vir dos estaleiros onde foi construído - Viana do Castelo para o Arsenal...A pergunta é  para quê? Será que não existem compradores nesse mundo fora para a sua aquisição? Porque razão o governo açoriano sabotou o negócio quando Portugal contribui com riqueza, embora numa escala muito inferior em relação à Madeira...Não deveríamos ter força e dizer tem de ficar com ele? Ou querem que apodreça  e vá para abate para um dia afundar com um torpedo(uns milhares)  para ser coral - prazer na pesca submarina e mergulho de meia dúzia...


Adorei ver imagens como estas registadas por aparelhos sofisticados do navio hidrográfico D.Carlos a preto e branco do relevo da nossa costa ,depois tratados a cores para estudo e outra visibilidade.
Destaco o Canhão da Nazaré - com 30 metros de profundidade, por isso a tal onda do mesmo tamanho que deu o recorde no Guiness.
Euzinha  no navio de guerra - Fragata Vasco da Gama, ao meio da rampa de lançamento dos mísseis - Searsparrow .Com esta crise se a Grécia sai do euro, outros países se seguirão - se alguém dos governos desta Europa desnorteada dá a ordem no meu dizer " se passa dos "carretos"  e manda disparar...vamos todos  para o "Katano" com o cruzamento de misseis de todos os lados!
Na boca dos sobreviventes vai andar o nome -  searsparrow...cuja tradução - pardal do mar  - nada tem haver com destruição ( o nome advém do formato do míssil ser esguio  e rápido como o pardal do mar, julgo). Porque razão digo isto? Junto ao helicóptero ouvi cochixo de homens pareciam saber do que falavam  - no recente golpe de estado na Guiné-Bissau o ministro deu autorização para sair uma esquadra : duas fragatas, uma corveta e um petroleiro para abastecimento - até parece que somos um grande país, se tivéssemos porta aviões também ia... No caso os "golpistas militares pretos" - que o são aqui, mais do que qualquer outro lugar - isto não é xenofobia - é a cor das gentes daquele corno de África com ideias bem claras - não deram autorização para a esquadra fundear nas suas águas territoriais- "ficaram a encher pneus" a 100 milhas - tão pouco se mostraram interessados com as relações do passado - País irmão, antigo colonizador...A missão da esquadra tinha a salvação das nossas gentes imigrantes ( se houvesse massacre o povo português cairia em cima do governo, abonam agora em sua defesa...) mas houve guerra? Ao que sei houve arrufos de poleiro pelo poder da droga - outros Países  é o petróleo. O que parece ter havido - prisões e pilhagem, um hábito nestas bandas, que não é surpresa nenhuma...Conversa para muitas linhas, mas no caso não me apetece estar aqui a dissecar se o País tem de ir a correr mal se sinta uma instabilidade de guerrilha. Os imigrantes tem hoje leis mundiais que os deveriam proteger porque imigração existe desde que há descobrimentos, só agora é que se andam com estas emergências de ir a correr acudir(?) pessoas , que mal chegam depois voltam - ninguém pergunta o dinheiro que o País gastou com o repatriamento.
No  caso ouvi por entre dentes a um grupo de antigos operários(?) que o gasto se cifrou em  6 milhões!
Não acham que alguém tem de parar de continuar a dar ordens sem pensar em custos?
Quero acreditar que o País não pode continuar a ser um " rebadofe(?)" de nós e de atados, onde todos mandam e ninguém assume nada - tem  de haver obrigação de ponderar custos numa ciranda  a fazer lembrar a corda " chegar à inglesa".
Claro que gostei da visita. Doí  pensar os custos diárias com a MARINHA PORTUGUESA num País sem guerras - que não se consegue sustentar a si mesma, não produz riqueza, antes só despesa - grande na casa dos milhões, cujo Estado suporta a custo, todos nós - sem falar dos submarinos uma aberração sem limites de carestia...Quando sabemos que há gente que nada tem para comer.
País fronteiriço com o oceano - meio por meio, é verdade -  somos pequeninos - pior seria se estivéssemos enfaixados entre países no interior da Europa.
Nota-se algum abrandamento nas comemorações, mesmo assim são grandes gastos em demasia.
Temos a mania da grandeza, quem não caça com cão, caça com gato !

As comemorações terminam no domingo dia 20 com entrada livre na Base para visita de alguns navios em exposição, ainda outras exposições no Fórum Romeu Correia em Almada e rastreio por pessoal credenciado do Hospital da Marinha - parque aventura no relvado, jogos, insufláveis e piscina para mergulho com os fuzileiros.Ainda há outra exposição em frente da praça João Batista por baixo do lar e,...
  Cacilhas junto da fragata D. Fernando  - última do caminho das Índias, desfiles no rio e em terra, quem estiver interessado consulta o site da Marinha.

Esqueci-me de apanhar a espiga! Espigada estava eu com este País e os seus mandantes!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Quinta feira na feira de velharias do Campo Pequeno

Passam os anos e neles vamos memorizando dias que são especialmente azarados...falo dos meus : 4; 7;12;13 e,...
Quem me conhece diz que sou uma mulher de sorte, eu sei que sou azarada. Sempre cresci  por trilhos difíceis, parca ajuda, sempre com muito querer, à força do trabalho que se paltou pela diferença e essa criou invejas de que maneira e, me viriam a prejudicar nesta vida, embora reconheça que tive a minha quota parte de culpa!
A semana passada senti na pele outro grande contratempo que me afetou pela 2ª vez, neste caso por 31 dias  - perdi a chance que sonhei e planeei anos.Aguentei firme, nem a voz se alterou, apenas o constrangimento do inusitado.Gélida de pasta na mão, minha fiel amiga dos tempos que com ela vadiava na odisseia de escrituras aqui e ali com cheques chorudos...Horas de comer, apeteceu-me um mil folhas - há tempos que não me saboreava com tal bolo por nos últimos tempos sentir que é contrafeito com massas que nem os cães conseguem tragar cheias de gordura ao invés daquele - fresco, de massa folhada leve parecia um pastel de Tentugal. Delicioso. Consolei-me. Do outro lado da rua vi letreiros num 1º andar - Cabeleireiro - Low Cost - nem pensei duas vezes, era o dia e o momento de ir e fui. Atendimento personalizado, simpatiquíssimo e charmoso do dono um cabeleireiro na casa dos setenta igualmente do filho  quarentão de cabelos grisalhos, ligeiro me pareceu no computador. As meninas igual, nada maçadoras, trataram de mim com muito carinho. Pedi para ir à casa de banho, fiquei espantada pelo requinte da higiene, da luminosidade. Saí fresca de cabelos esvoaçantes na brisa do tórrido calor que se fazia sentir por Entrecampos. Enderecei convite a uma amiga virtual que se mostrou interessada em me conhecer, debalde por razões que desconheço não recebi resposta - em cima da hora  no acaso de um telefonema lancei o convite para um cafezinho e uma visita à feira de velharias no Campo Pequeno a um antigo colega mais velho do que eu 10 anos que reencontrei o ano passado nestas andanças.
Sou pontual, não gostei que se tivesse atrasado meia hora. No entretanto fui visitar a feira sozinha, encontrei alguns feirantes, no momento não me conheceram, fintavam-me  - "está diferente, estava a mira-la para ver se era "  - pois assim era o meu visual à senhora quando no geral me conhecem numa vestimenta mais básica - o "Igrejinha" levantou-se do seu banco para me cumprimentar, confidenciou-me - também tenho alturas que gosto de me vestir assim...Conversei aqui e ali.Ainda enfeirei numa garrafa de vidro da Marinha Grande no tempo usada para a Ginja de Óbidos, de gargalo largo e marcada 1,5 L - tenho uma pequena coleção delas com 3 tamanhos: 2,5  e meio litro. Uma particularidade é que sendo  o vidro feito com areia e restos de conchas - conferem às garrafas várias tonalidades: verde; branco e rosa como esta última , da qual já tive outra menos rosa e ofereci à minha irmã.Vi um "ratinho" - palangana pelo diâmetro mais de 35 cm que o Sr Ferreira me fazia  90€...Vacilei com uma malga grande  na mão -  tenho uma pequena igual debruada a faixa azul por dentro em meias luas e por fora com flores por entre esponjado, era barata, contudo deixei-a ficar, a vendedora era a sua 1ª vez. De olho fiquei numa terrina quadrada branco sujo pelo tempo quase dois séculos de Massarelos com a marca - ancora a verde e  pega repenicada - soberba, a um preço extraordinário para mim que o Sr João me fazia por 40 €. Definitivamente o dia não era para enfeirar!
Dirigia-me a caminho do metro eis que o vejo chegar vestido à executivo de pastinha de cabedal igual à minha, até parecíamos "manos de alguma congregação". Juro que não volto a convidá-lo para tal evento. Já lhe  conhecia um jeito sem jeito de apregoar, fazer negócio que não tolero - só quis tirar a prova dos nove.Conta que  estudou medicina, não acabou, aplica-se no conhecimento de psicologia - variante de Freud...tem o hábito de julgar os porquês das atitudes dos demais, platónico no julgar,contestatário, refila a quem de direito, julga-se um sabichão na percepção do intelecto, dá-lhe prazer descobrir enigmas de carisma emocional, mostra-se facilitador, depressa esquece a ajuda, diria um sedutor nato de muita lábia, sendo um homem do signo Gémeos revela gostar de dualidade e isso é visível e marcante. Sinto que se revela na escrita de forma soberba, afetuosa,  inteligente, com um conhecimento cultural abrangente, muito culto, lê, passeia pelo mundo frequenta locais públicos de finesse...no entanto na presença real é a antítese! Sinto dificuldade em falar dele,mas a revolta de tal perfil dá-me cabo dos nervos. Tudo porque revela ter uma fobia incrível por comprar palermices sem valor algum, o que eu diria na maioria lixo. Um ajuntador de tralhas em casa, armazéns, garagens e,... Apreça tudo, mostra-se interessado, oferece, naquilo gera até confusão, imagine-se se tivesse tal comportamento nas feiras no norte de África e no Sul de Espanha, ainda se habilitava a levar "porrada"...Apreçou travessas da VA com a decoração chinesa, quanto a mim a pior escolha da fábrica para um serviço de jantar,  doido, mexeu e remexeu como se fosse uma criança, a seguir apreçou um globo descomunal em madeira - um bar, até fugi da banca e do negócio, não gosto da peça nem das vendedoras - "falam por cima da burra, sempre de mal com a vida". Em frente da avenida viu uma banca cheia de medalhas, queria no momento que a menina em jeito de ajuda ao pai tomava conta do estaminé lhe fizesse um preço por atacado, ora ela só sabia o valor unitário,  ainda letras e livranças, nem viu ou leu o conteúdo, o que poderia ser apaixonante (?) na sua cabeça só pensava comprar, regatear...Baralha os vendedores, aparece bem vestido parecendo intelectual, vulgo doutor, alguns assim o alvitram - ele cala-se, parece gostar, por outro lado desnorteado perde com esta personalidade aérea, que confere a alguns vendedores o facilitismo do trato por "tu" o que no caso é muito mau. Nunca se deve baralhar alhos com bugalhos!
Tudo parecia encher as suas medidas...Furiosa estava eu de viver aquele clima!
Confidenciou-me que na sua quinta no norte a quer encher de velharias - no terreno quer alfaias agrícolas e, por cima do portão gostava de uns pináculos em pedra do século XVI...( ao instigá-lo o porquê deste século e não de outro responde-me " estive agora na feira de Ponte de Lima, disseram-me que os ciganos roubam coisas antigas, como não sou fiscal das finanças não me importo de comprar" claro que gastei o meu latim a falar de loiças e de pedras e até do que os ciganos e outros vendem. Alvitrei os canteiros que à beira da antiga estrada a caminho de Caminha ainda executam Santos, pináculos e outros em granito...naquilo interrompe-me e diz " mas quero pedras antigas, negras do tempo "...Ainda acrescentou que adquiriu através de um amigo em França  um sino da minha altura...Estupfacta, sem delongas perguntei onde o iria pôr, se acaso a quinta tem alguma capela ...confirmou que não, se for preciso manda fazer uma torre...
Achei-o um lunático que não admite ser contrariado, só o que pensa, faz e, diz está certo, diria - um Pavão!
Não sou mulher de aguentar tanta insensatez, nestas coisas de velharias sou mais pragmática, admiro e respeito o gosto ecléctico de cada um. Tento. No caso não consigo porque ele aprecia demasiado lixo! Estaríamos agora a dissecar o que é lixo para uns é precioso para outros...debate exaustivo, não vale a pena, sou conscienciosa, já vi uma casa dele repleta de moveis e de entulho ( loiças e loiças por todo o lado misturadas com Alcobaça berrante em azul que ali até fere o olhar, noutro contexto acredito terem interesse, quase tive de pedir licença para entrar e ir até à varanda tomar ar para me segurar nas palavras.Insisti na palestra de convencimento - deveria apostar em peças boas -  mostrei -lhe um "Ratinho"...não conhecia, de nada sabe, julgo para me contrariar o gosto respondeu..."não gosto". Tem esse direito, não tem é de ser inculto de nada saber sobre eles - lá fui desenrolando o rol da minha sabedoria, até que me interrompe e lança o desafio - comprar os meus serviços para lhe catalogar toda a tralha que tem comprado ultimamente, até recheios - neste último dois Santos altos, anda doido porque não sabe a quem se referem...
Euzinha, frontal, sem papas na língua nunca me vendi, não é agora que o vou fazer, não tenho jeito muito menos vontade, porque querer, isso sei que me daria satisfação em deitar para o lixo quase tudo...Mas ai caia o Carmo e a Trindade e a amizade terminava para sempre!
Ele parece não entender que tem de escolher alguém que o possa de facto ajudar. No meu entender deve ser - surdo e mudo - ou então mulher que não se aflige resignar à sua  fortuna (?) ouvindo, calando e comendo, porque ele sei pode proporcionar uma vida de luxo como algumas que se conhecem da alta sociallity...veio-me à ideia a  Jô Caneças...
Senti-me tão incomodada. Convidou-me para um lanche na Versalhes onde o deixei a meio do seu chá de limão, apressada despedi-me, até me esqueci de agradecer, não queria perder o horário do autocarro! 
Além de seguir a sua própria sabedoria interior,não se mostrou flexível ao ponto de saber ouvir o que eu lhe quis transmitir - mesmo que não concorde com  as minhas opiniões - tão pouco se interessou pelo tema- drama que acabara de sentir na pele.Insensível, com foros de arrogância foi o que fatalmente  senti.Como é possível a mesma pessoa apresentar duas facetas de personalidade tão distintas?
Será que fui desplendecente?
Sei que precisava trancar a sete chaves episódios nefastos desta última quinta feira insólita!

domingo, 6 de maio de 2012

Dia da mãe após o meu dia de aniversário!

Ontem casei pela segunda vez o dia do meu aniversário!
( 5 = 55)
Acordei aborrecida. O meu Sporting perdeu com o Porto!

Hoje em Oeiras um senhor dizia-me" parece que tem 40 anos"...bondade do senhor - pensei. Nisto tiro os óculos e, disse-lhe " ontem fiz anos, adivinhe quantos? - respondeu " parabéns, fez 45, ainda é uma menina"...Rápida respondi, ponha-lhe mais 10 em cima!
Continua ainda mais menina...
Malandreco! Mirava-me no espelho à venda no seu estaminé de um carro dos anos 60  naquela de ver se  os óculos rayban de 1€ me ficavam a matar!
Claro que os trouxe, para contrariar o meu marido que em tempos encomendou uns bons para me oferecer, como o intermediário falhou a entrega ...Para o aborrecer, fiz a compra, afinal são rayban na mesma!
 Risos.                                                                               

Hoje pela manhã passou por mim um Ferrari preto de 3 escapes. O primeiro desta cor que vi, em tempos por Matosinhos apreciei amarelos e azuis porque vermelhos de vez em quando passam por mim ou eu por eles.
Tempos de crise. Não sei. Talvez sinta e o saiba, no entanto ontem o restaurante na Lagoa de Albufeira estava cheio...sábado. Na mesa junto à janela estava um casal com um casal de filhotes. Gostei de ver chegar a travessa com douradas escaladas grelhadas. Num repente cada um dos pais se levanta e prepara o prato para os filhos, ela preparou para o menino, ele para a menina. Gostei de ver que incluíram alface. A bonecada na mesa era demais, para os entreter. Chegaram os pais da senhora, menina, linda. Muito mais interessante para mim do que a Rita Pereira na seção fotográfica da Plaboy...então não a conheço ao vivo...nem se dá conta dela ao pé desta que ontem enxerguei de jeans e blusa branca  giríssima, glamorosa, sexy, curiosamente de olhos pequenos iguais aos da Rita e belos cabelos compridos, mais sedutora de lábios carnudos no ponto e tez morena. Chega o pai e diz-lhe" então miúda estás boa?"...homem de cabelos e bigode alvo a rondar os setenta, a filha na casinha dos trinta.Chegam duas sopas para o casal de idade, entretanto os pais dos miúdos preparam cada um o seu prato e sentam-se para o degustar. Naquilo os pais com "os restos, sim era a 3ª escolha" fizeram o mesmo. Beberam sangria.
No final quem pagou a conta o comilão do cabelo alvo...que se saldou com as sobras...isto é que vai uma crise!
Melhor sorte tive eu. A minha filha presenteou-me com o pagamento da fatura no restaurante, e foi dolorosa, meteu marisco e tamboril fresco, ainda queria percebes, mas fiz-lhe ver...vê lá se percebes, que a vida não está para grandes ondas...
Gostei de receber inúmeras felicitações de parabéns...
Coisa brutal, talvez pela página do face, blogs e,...
Destaco três. Uma de um homem -" Hoje é um dia muito especial para ti, pois foi nesta data que vieste ao mundo. Sou feliz por fazer parte da tua vida, e poder enviar um grande beijo de Parabéns."
De uma comentadora do blog - "Parabéns pelo seu blog e pela maneira como escreve. "
De uma amiga - "Sabes que estás sempre no meu coração! "
Incentivos destes ajudam os meus dias menos afortunados e a acreditar que o amanhã será bem melhor do que a actualidade.
 Malmequeres lilazes na Lagoa de Albufeira com os brancos a espreitar.
As flores enchem o meu coração de bem estar. Adoro flores.

A maresia, o areal e o cheiro forte a plantas que se adaptam a estes meios foram ontem para mim um renovar de ar novo nos pulmões!

 De manhãzinha telefonei à minha mãezinha a dar os parabéns, logo a seguir recebi os meus, da minha querida filha.
O almoço foi em casa. Poupança. Havia sobras de rojões,acompanhei com batata frita pickles e azeitonas, a entrada requeijão do Rabaçal com doce de chila e de tomate, sementes de linhaça (para baixar o colesterol) e nozes, uma boa laranja da baía ( na sexta em Lisboa para os lados da Graça vi laranjeiras nos passeios carregadas, muitas laranjas no chão no terrado que vão caindo, parece que não há fome, ninguém as come, porque será? Afinal ali bem perto há bairros de rendas económicas. Pelos vistos habituaram-se mal...só comem fruta tropical, fazem mal, nada chega a uma boa laranja portuguesa, barata, no caso dada.
Saboreei uma fatia do pão de ló húmido ainda do brinde dos Parabéns a Você... encertei um brandy para aquecer o espírito porque o champanhe bebeu-se todinho ontem - precisava de me mentalizar para arrumar a cozinha numa de poupança de eletricidade.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Espantalho na hortinha dos putos!

De quando em vez adoro passar pelo jardim da creche da Arpica no Pragal. Gosto da hortinha dos putos...Perco-me a olhar as sementeiras, canteiros em poisio e, desta vez o espantalho - amei!
Eu não fazia melhor, nada falta: chapéu em palhinha ornado com florzinhas um espanto, jeans, cascol , camisa xadrez, luvas e botas.
As favas nesta região eram para ter fruto, no caso ainda nem sequer floriram - culpas do tempo quente sem chuva, as deixou pequenitas, tal e qual os morangueiros, eram para estar cheios de morangos e de flores brancas e ainda de raízes adventícias a cobrir o terreiro.... Alfaces de repolho, tomateiros, no canto os cheiros e ainda umas batatinhas a precisar de serem sachadas.O pessegueiro imponente acredito este ano dará bons pêssegos e o loureiro vai viçoso.
Ia a caminho do Cristo Rei em caminhada para queimar calorias ingeridas no almoço de sábado. De manhã fui ao mercado - há anos que não ia - gostei do ambiente, dos pregões, das cores da fruta, das hortaliças, das bancadas de peixe fresco, do pão alentejano, dos queijos, do vaivém de gente com sacos pelas mãos e, doutros pendurados  com favas descascadas e coentros, comprei um saco hoje para o jantar!

 Acendi o fogareiro com carvão na varanda. Assei um grande pimento vermelho e petinga  - a chamada meia sardinha - o vendedor dizia- já pinga no pão...comeu-se toda com batatinha cozida e ainda um  alguidar de salada, ( de bater os bolos ,a saladeira de serviço)...coisa inédita,  alfaces verde e roxa aboquinadas com umas gotas de lixívia deu-me mote para a fazer no alguidar de barro...comeu-se todinha - bela cebola nova ,bom tomate e ainda pepino!
Morangos de sobremesa e uma fatia de tarte de amêndoa e claro um cafezinho, em casa sai mais barato, acabámos com o brandy.
Arrumada a cozinha saímos de casa...gostei de ver canteiros de rosas amarelas e vermelhas, roubei uns botões em amarelo para secar e ornar os meus Santinhos.No terreiro do santuário pus-me na apanha de fósseis...uma mania minha, naquilo ao olhar o rio - avistei  apesar do tempo encoberto pinturas de golfinhos no mural da sapata dos pilares da ponte 25 de abril. Num repente imaginei  cardumes de golfinhos que se passeiam nas águas agora limpas do Tejo nas suas brincadeiras, tropelias de saltos e saltinhos num entra e sai da água, ao verem as pinturas podem julgar que são fêmeas...debalde desarvoram até elas, sem saberem distinguir o perigo -qual salto de sedução leva-os de caras ao cimento armado...tal embate correm sérios riscos de ficar a boiar com traumatismo craniano ou pior, morrem!
Qual foi a ideia? O país não está em recessão? Não se tem de colmatar despesas superfulas?
São giros...terão afinal alguma utilidade?
Ontem fui almoçar à Trafaria. Em tempos tinha tirado fotos a este chalet, perdi-as estupidamente no Pc...
Localizado num lote de gaveto em frente do Tejo, forrado a azulejos  - um hábito nas zonas ribeirinhas. O mais interessante nele além da marquise virada a sul pitoresca e do remate do telhado em madeira rendilhada é sem dúvida  a elevação da frontaria tipo brasão forrada a azulejos com a bandeira do Brasil encimada por cordão de flores. Uma graça - o dono possivelmente o mandou erigir, por nesse país ter ganho a fortuna para o poder construir.Um hábito de alguns imigrantes aventureiros nos finais do século XIX por terras dos Brasis - voltaram  ricos - na teimosia de deixar a marca da sua  bem abonada aventura mandando construir solares e afins...

Mais um fim de semana sem história repleto de estórias banais!

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