terça-feira, 14 de agosto de 2018

Piquenique no Parque de lazer da Freixianda

Este agosto em Ansião a tomar conta dos netos sem qualquer tempo para quase mais nada. 
Um piquenique é sempre opção que agrada a todos. Convidados os quatro avós, a minha mãe e os cachopos. A escolha recaiu no parque verde da Freixianda, devia ser mote para Ansião se inspirar, pelo verde a cheirar a terra molhada em dia de tanto calor, e pela criatividade incrementada no espaço, especialmente dado pela beleza de quatro esculturas de pedra-, duas Mós a ladear a entrada e uma meia pedra de lagar recriada num pato e o mesmo numa pedra calcária cuja erosão nos parece um urso. 
 
Sombras frondosas ao longo de uma ribeira de parede com grandes lajes a sul, falta segurança a norte de água corrente que dá fresquidão ao local.Acrescentaria ao longo da ribeira mais hortenses.
Lamentavelmente em Ansião nesta altura do ano, o Nabão correi fundo e a relva no parque está seca... 
 
Belíssimo e moderno equipamento de casas de banho, impecáveis e parque de estacionamento.
Um lago artificial com nenúfares e patos.
 
A valência de um parque infantil.
Os carreiros em terra rossa.Sinceramente para mim o ex-libris, pela brutal diferença dos demais!
Em Ansião não basta escrever o seu nome em lona , é preciso mostrar como aqui em completa harmonia no contraste com o verde fresco da relva o que é caracteristico da região de Sicó em paralelo com as pedras...
 
Impecáveis o mobiliário urbano de mesas e bancos como as infraestruturas para se fazerem churrascos, dispões de um forno e lava loiças.
Um jardim japonês de lagos continuados com pérgulas a imitar os da Expo seguido de terreiro para jogar boccia e campo para voleil.
 
O Vicente satisfeito com a mini ceira de junco na mão como manda a tradição que a avó Bela teima manter!
O que falta? Sinalética nas principais estradas para quem passa na estrada  na ligação sobretudo ao Agroal e Fátima saiba da sua existência, até porque se encontra na  ligação da estrada mais antiga, sendo que nos últimos anos para o Agroal ou se segue a direito na Freixianda ou se vai pelo Fárrio e o mesmo para Fátima.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A prova da 3ª classe de 1963 na escola primária de Ansião

A escola primária em Ansião começou por ter inicio numa casa alugada que já a conheci como morada do Dr Alfredo Silveira e da sua esposa D. Fernanda Figueiredo, cujo recreio era na frente da casa, que no meu tempo se assemelhava a uma eira debruada a rebordo pequeno.A requalificação da Praça do Município ainda lhe deixou um pequeno espaço para quiçá ser aproveitado com uma estátua!
Diariamente no percurso a pé de casa no Bairro, para aqui regalar o olhar com o rebaixamento do muro do jardim do Dr Alfredo Silveira, nada mais do que um varandim bucólico com trepadeiras...
Não sei de quem foi esta casa antes. Seria interessante saber quem a mandou construir.
As escolas primárias do meu tempo em Ansião tinham sido construídas por ocasião do Estado Novo.
O carro preto dos anos 40 do Prof. Albino Simões no estacionamento privado debaixo da árvore em cima da calçada, certo e sabido de uma enorme alegria quando não se enxergava estacionado, os mais sortudos os rapazes, não tinham aulas...Debalde era raro faltar!
Entrei ao portão de ferro pela mão da minha mãe, não me lembro se ia alegre no meu primeiro dia de escola, talvez não me sentisse muito à vontade por ser tímida, para o envergonhadito. Senti a mesma aspereza do carreiro em terra batida e do recreio, a lembrar o patim da casa dos meus pais...
No meu tempo os recreios eram separados.No tardoz havia uma retrete nauseabunda e um pequeno telheiro com duas portas, entrei numa delas, ao rebate abria-se um átrio para a sala privada da Srª Contínua D.Fernanda, e ao fundo a sala de aulas com três grandes janelas viradas a nascente para a rua principal.
Portão de entrada para as meninas
Sinto uma nostalgia em reconhecer que nunca fui compreendida, acompanhada devidamente, nunca nenhuma professora soube despertar em mim a vontade e o gosto de aprender, esse dom maior que é o prazer de saber, percalço maior que resultou de forma negativa na minha caminhada académica.
Lamentavelmente frequentei as quatro salas durante 6 anos em registo de trato conservador, sem qualquer carinho, nem atenção das Professoras; D Laura Dias, D Armanda Oliveira e Maria do Nascimento por ao tempo revelarem temperamentos autoritários em discursos de distância, frias na sua relação com os alunos, aplicavam castigos e enxovalhos, então não me lembro da D Laura o que fez ao Nuno, o filho do Dr juiz, que se urinou calções abaixo quando foi ao quadro...Inevitavelmente comigo o seu estilo austero me deixava nervosa sem me deixar ir à retrete, apenas era permitido na hora do recreio, e quando já não aguentava a pressão da bexiga fazia aos bocadinhos e limpava com o trapo da ardósia...
Também em nada ajudou a rotina de fazer os trabalhos de casa, a minha mãe  os fazia por mim e tenha sido um grande erro, na vez de me ensinar a estudar e a perceber a lógica das coisas me desajudou na minha escolaridade e continuou no Externato sobretudo nas disciplinas de francês e inglês, por isso hoje nada sei. Ainda se diz que é uma mais-valia os pais ter estudos para ajudar os filhos, será que concordo? O meu pai desgostoso por eu não atinar com as contas de dividir deu-me uma vez uma brutal bofetada que fui parar debaixo da mesa de esmalte do fogão eléctrico...onde fiquei entalada!
Bem sei que ambos queriam o melhor para mim, mas não souberam ajudar! Até o meu avô paterno o Zé do Bairro, quando nas manhãs a caminho da escola parava na padaria para o cumprimentar aproveitava o ensejo de me questionar no que tinha estudado nos livros do meu pai enquanto a massa levedava para cozer o pão...para sem pestanejar entre dentes o sentia resmoer - o teu pai era mais inteligente...mas como poderia responder a geografia e história se ainda não abonava as matérias?
Óbvio que nenhum o fez por mal, a minha mãe o foi na forma de colmatar os tempos mortos no turno da meia noite no Correio velho, em que eu a acompanhava e me fazia os trabalhos, o meu pai porque sonhava que as filhas haviam de ser doutoras, já que ele por ter engravidado a minha mãe de mim se deixou pela matricula de engenharia, e o meu pobre avô pelo orgulho que sentiu com o seu filho, o meu pai, nas suas notas em detrimento do filho mais novo que não passou do 2º ano...
O que os genes nos transmitiram? O prazer da escrita na mesma feição sentimental e descritiva e o carinho pela história do meu avô, já a minha irmã puxou genes poéticos ao meu pai, no seu tempo de menina e moça tinha um Diário ao jus de Secret Book em que usou um livro de razão então uso nas mercearias para apontar as dívidas da clientela onde escrevia os seus versos, sorte que lhe o guardei…
E ainda tinha uma caixa de madeira em rectângulo esculpida, julgo tinha sido da prima Júlia que a teria herdado do avô, nosso bisavô Francisco Rodrigues Valente, onde guardava segredos, durou anos até se estraga...Gosta de caixas, gosta!
O que aprendi na escola? Francamente lamento dizer que aprendi pouco e o mal foi para mim - com poucas bases, os estudos ficaram pela metade, poderia se quisesse, debalde o tenha sido preguiçosa, gosto mais de conversar…Sobretudo faltou-me aprender a ouvir mais , a equacionar os limites e sobretudo o aprendizado em deixar de ser ingénua, esse o pior que ainda me acompanha. Foram seis anos. Infelizmente para mim chumbei na 1ª e 4ª classe.
Conheci as quatro salas, todas diferentes, todas iguais!
 Prof.Albino Simões
Recordo a sua passada  pesada, homem de alta estatura e corpo entroncado. Na sua sala ia-se julgo à terça feira ouvir o Rádio Escolar, na oportunidade de olhar os rapazes, em particular recordo um de lindos olhos lânguidos, qual lago de nenúfares, tinha vindo com os pais dos lados de Tomar, era o Salvador!
Episódio passado na 4ª classe com a Professora vinda de fora  
A Prof Maria do Nascimento entendeu não me propor a exame da 4ª classe, disse-mo numa 6ª feira. Mal chegada a casa não me contive e contei ao meu pai que de cariz destroçado por já ter chumbado na 1ª classe me tentou abrandar na minha tristeza confortando-me " na segunda-feira vou falar com a Professora pedir-lhe para te propor a exame" . O prometido foi devido e nesse dia acompanhou-me à escola, porém nada havia a fazer, já tinha sido enviada a listagem com os nomes das alunas para Leiria, a desculpa esfarrapada da Professora  que ainda desafia no conselho o meu pai "o Sr Valente devia autorizar a sua filha a participar nas revisões com as colegas que me proponho fazer e assim fica melhor preparada para o ano". Que aprovou. As explicações decorreram a céu aberto no jardim do solar da D. Maria Amélia Rego junto ao lago, sentadas num banco em pedra circular junto da pérgula ladeada de trepadeiras. No último dia a perpetuar esse momento o registo da foto na Mata Municipal numa clareira de seculares carvalhos, ao meio da esquerda para a direita está a Augusta Murtinho do Bairro, eu a Alice Tomé do Casal de S Brás, a professora, a "Irene dos Burros" do Cimo da Rua, a Lucília e a Alice, ambas do Casal S. Brás.

Jamais esqueci nesse dia na despedida as palavras da Professora! " Isabel sinto muita pena de não a ter proposto a exame, afinal a menina está bem mais preparada do que as suas colegas"
Sendo por natureza tímida e reservada, corava por tudo e por nada, não falava, ficava quietinha no meu canto, foi preciso crescer para sentir o peso da perda e da derrota na minha vida para desabrochar já passava dos 30 anos de tanta castração e humildade em julgar todos melhores do que eu, felizmente consegui sozinha dar volta ao enfrentar tanto inusitado que o desafiei sem medo sendo franca, aconteceu em vésperas de Natal em que no banco ao lanche se comia um bolo rei  na tradição a quem calhasse a fava de comprar o próximo, debalde todos se calaram...Perante os olhares de todos senti-me a corar, que me denunciaria, debalde não tinha sido a mim que me calhara a fava, e assim de rosto a arder enfrentei todos tenazmente  ao explicar que tinha este problema de corar por tudo e por nada estando na hora dele me libertar , as minhas palavras foram simples mas de grande sinceridade que houve um colega já de idade tinha sido cobrador da Siderurgia e mais tarde integrado no banco, de pouca ou nenhuma cultura ainda assim interiorizou a minha postura de integridade e abre a boca para dizer se calhar engoli a fava sem a sentir... Naquele momento aconteceu a minha revelação de me afirmar sem medo nem vergonha, uma sabedoria até ali jamais a tinha assim conseguido e jamais a deixei perder! 

Quem se lembra das folhas de 25 linhas onde se faziam as provas?Quem as guardou?
Prova da 3º classe 1963


quarta-feira, 18 de julho de 2018

A minha visita ao Núcleo Arqueológico na Casa dos Bicos

Em frente da Fundação José Saramago a  oliveira trazida da Azinhaga a  sua terra onde no sopé junto à pegada do elefante foram depositas as suas cinzas.
 
O slongan - MAS NÃO SUBIU PARA AS ESTRELAS SE À TERRA PERTENCIA...
Casa dos Bicos alberga a Fundação José Saramago e no r/c um Núcleo Arqueológico
Há anos que não entrava na Casa dos Bicos onde descobri os vários vestígios das várias ocupações da cidade, inclusive troços da muralha tardo-romana e da muralha medieval. Além dos objetos de uso quotidiano do século XVI ao XVIII, as antigas cetárias, os tanques de uma unidade fabril de preparados de peixe. 
 



A exposição de alguns achados






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