sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Tratar de dentes...A melhor solução na Clínica Dr Gandum de Almada

Pese embora tenha nascido com uma dentadura similar forte a cavalo, a ignorância da infância em abrir as cápsulas de refrigerantes para dar nas vistas ditou aos 12 anos na década de 60 arrancar 3 dentes molares...Depois disso apenas os dentes do siso tiveram de ser removidos por falta de espaço. Privilegiei sempre a higiene oral com a lavagem dos dentes depois das refeições, mesmo no trabalho, com rotina ao dentista pelo menos de 6 em 6 meses.Depois dos 50 comecei a sentir as pontas das gengivas com tecido esponjoso com infecção que nem os inflamatórios resolviam, pior dentes a abanar, a gengivite é uma inflamação da gengiva que incha, fica vermelha e sangra com a lavagem dos dentes, uma doença periodontal, é isso efectivamente.Fiz escolhas erradas em consultórios novos em Almada e na Cova da Piedade, em que a 1ª consulta de avaliação era gratuita onde me foi fácil constactar que tudo era negócio... Com tantas reclamações este tipo de negócio acabou, mudaram de nomes e abriram-se clínicas novas, entretanto falaram-me da Faculdade dentária Egas Moniz no Monte de Caparica onde é obrigatório assinar declaração como não se responsabilizam em danos porque os tratamentos são realizados por alunos...Na primeira avaliação foi-me detectado um dente com defeito a abanar logo aproveitado para servir de modelo para o final de ano de um dos dentistas, em que toda a intervenção foi gratuita de horas e dolorosa, sobretudo para o registo massivo de fotos...mas antes outro dente no maxilar superior, seguro pela aluna  por estar a abanar e que o colega raspava para depois de mais de uma hora cansado dizer-me - é melhor arrancar, se calhar é o que lhe dá dores de cabeça... E foi arrancado. Nunca me disseram o que introduziram na gengiva , na altura estavam indecisos, disso recordo bem na escolha, para ajudar a revitalizar e crescer o osso. O que sei depois disso nunca melhorou antes pelo contrário de vez em quando sentia dores e a gengiva esponjosa com pus, uma gengivite aftosa que me provocava aftas, onde há 2 anos tive um grande abcesso tive de recorrer ao hospital porque estava na província, depois de tomados os antibióticos voltei à Faculdade onde expliquei o sucedido e disseram-me que estava tudo bem que era do dente de cima...Mal passado um mês comecei de novo a sentir os mesmos sintomas de um novo abcesso em que uma conversa na televisão de um homem especialista em tratar doenças com plantas diz para os dentes era bom o suco do cacto rabo de gato que se encontra nas dunas  das praias, logo experimentei e de facto resultou, comprimia o suco da folha junto do dente, doía-me muito e na gengiva para aliviar a infecção e de facto melhorava para só voltar a fazer o mesmo depois que voltava a dor a incomodar...No ano passado pela Páscoa ao comer uma fatia de folar com uma avelã senti uma brutal dor num dente que estaria  fracturado e tive novamente de ir à Faculdade do Monte, onde foi de mal a pior começando com as alunas que vem à receção chamar os utentes ao pronunciar o meu nome como era estrangeira outra utente com o nome próprio igual ao meu por estar junto do corredor logo se fez acompanhar, em que tive de ir ao balcão explicar a situação para depois ter sido chamada para uma nova equipa de duas meninas muito inexperientes, mas sobretudo sem perfil, e isso foi o pior constactar, estive sentada na cadeira pouco passava das 9 às 12 H, e se não fosse a intervenção da dentista chefe de equipa remover o resto do dente elas só conseguiram tirar parte e com o alicate bateram que se fartaram nos dentes do lado que sofreram marretada e de que maneira  para deixar a Faculdade dentária do Monte  a falar comigo, não volto mais! 
Porque é uma sorte em tanto aluno encontrar uma parelha com perfil, uma vez tive uma que na avaliação da dentição dizia sempre mal o nº do dente que a outra tomava nota, e o seria atenta por já saber da dificuldade da colega, e com isso o risco grave de ficar mal o registo dentário, e isto é de loucos, uma aluna que não sabe olhar para uma boca e distinguir o nº respectivo de cada dente é de quem não nasceu de facto para esta arte. Outra coisa que nunca gostei é estar a equipa a falar de coisas do dia a dia sem valorizar o utente que paga e merece respeito, o certo é a equipa estar calada apenas falar sobre o que estão a fazer  e se tiverem duvidas chamar a chefe de equipa, e aqui outra grande falha, há poucos chefes para tantas equipas. Por fim senti uma exponencial expansão no espaço com novos gabinetes em relação ao inicio quando comecei a frequentar este sistema a ditar suposto aumento de procura  e de enriquecimento, porque em verdade os preços não são acessíveis como o deveriam ser ao serem praticados por alunos em que ao principio havia uma funcionária na receção a receber o dinheiro que me lançou duvidas pela morosidade, letra quase indecifrável dos actos realizados em que ela suposta lerda a não perceber o que estava escrito para atribuir o preço respectivo do acto e poder cobrar outro diferente, e outras suspeições que na altura escrevi  numa cronica para reparar mais tarde não mais a vi sendo o lugar ocupado por um homem...
O dente com defeito levou não sei o quê para ajudar o osso a crescer mas em verdade não resultou em nada, passados 3 anos um aluno ligou-me para me dizer que devia voltar para avaliar o dente, e claro despipei o que pensava sobre a Faculdade, sendo que a culpa não lhe era directamente a ele ligada, mas sendo ele o interlocutor que me ligou tinha de me ouvir na minha insatisfação e transmitir a quem de direito, porque só com criticas construtivas se melhora o serviço em que os alunos também tem de ter consciência que enquanto praticam tem de tentar ser profissionais e respeitar o utente, não se trata de uma brincadeira, pese ter encontrado  alunos sem nenhuma pratica, por falta de jeito, a fazer um trabalho sem menção e ainda por cima caro, finalizei ao dizer que não voltava mais além de caro tinha sido mal servida. Deixei-me andar para me desleixar por medo sem saber onde devia ir, por ter encontrado dentistas sem escrúpulos, sem perfil, nem paixão para esta arte que é saber tratar bem dos dentes com pouco sofrimento para os utentes. E sim fui-me desenrascando com o suco do cacto nos 2 dentes, um em cima e outro em baixo a abanar em que à 2 meses o de cima descaiu e já me provocava incomodo a mastigar. Pior foi no Natal tive uma dor horrível, adormecia com o suco do cacto e por fim já era álcool, e este não se deve pôr porque a pele das gengivas é sensível, muito mais do que a pele das mãos, o álcool queima a pele das gengivas,confidenciou-me a Dra Joana, só que em horas de dor de dentes vale tudo!
Decidi começar o Ano Novo a tratar de mim em que tive a sorte do rumo da caminhada para encontrar uma Clínica dentaria  Dr. Gandun em Almada, em que o nome me despertou para o mesmo apelido da única médica que me atendeu como deve ser na Faculdade do Monte, muito bem ao desvitalizar um dente que numa Clínica central de Almada tinha sido muito mal tratado por uma brasileira...
Véspera de ano novo a clínica esteva fechada para em casa numa pesquisa encontrar comentários muito abonatórios. Voltei depois do Ano Novo para saber preços em que a rececionista foi tão atenciosa que me aconselhou esperar que a Dra me ia atender. Confesso foi um passo gigante a tamanha força para me decidir até tinha medo de sentir a agulha espetar a gengiva, tão inflamada que estava. A dentista, a Dra Joana foi extraordinária, apresentou-se jovem, com perfil, com visão, com conhecimento, com autoconfiança, com destreza, valente, sábia no uso de linguagem, que senti uma mãe, e sim nada senti de dor onde ainda me informou que o dente no maxilar de baixo estava cheio de pus tinha também de ser removido... Foi na quarta feira a gengiva brotava pus por todos os lados o tecido esponjoso que provocava essa infecção veio quase todo agarrado à raiz que fez o favor de me mostrar. Jugo que ouvi à laia de sorriso - não sei se na Egas Moniz o tiravam... Limpou tudo bem e suturou, ainda estou um pouco inchada a passos de tudo ficar bem. E seriam estes dois dentes com grande infecção a provocar dores de cabeça além dos valores de infecção nas análises clínicas de rotina, que daqui a meses vou repetir para enfim se perceber.
Finalmente dizer que tem de se escolher muito bem um dentista. Depois de tanto azar tive sorte, e o preço foi uma alegre surpresa, muito mais barato que na Faculdade e com serviço de Excelência, e esta heim?
Vencer o medo é importante, se ninguém tomar conta de nós quem toma? Por isso deixo o meu testemunho na obrigação que cada um de nós tem  a obrigação de se cuidar e enfrentar para melhorar, o meu muito obrigado à DrªJoana!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Abordar em maior plenitude o Pelourinho de Ansião!

O Pelourinho de Ansião enquanto representação simbólica do poder na elevação a vila por D. Afonso VI então um pequeno aglomerado habitacional a que se juntou lugares de termo para ter perto de 100 vizinhos  para outorga do primeiro Foral em 1514 por D. Manuel.
Jamais ninguém abordou se houve um Pelourinho primitivo de 1514.Que faz sentido ter existido ao jus de parte do que existe de beleza torneada em Pousaflores para mais tarde na sua frente a poente ter sido escolha por volta de 1686 um pequeno solar do Senhor de Ansião Luís de Menezes adoçado à ermida de NS Conceição. Para em finais da centúria de 600 o Mestre jesuíta Dr António dos Santos Coutinho voltou a Ansião incumbido da ampliação da pequena ermida em capela da Misericórdia, se devia chamar Igreja pela bela frontaria, obra que terminou em 1702, para se verificar ainda hoje o atabalhoamento da falsa impressão de terem sido ao mesmo tempo construídos quando sofrerem vicissitudes várias em alturas diferentes. Na aguarela de Pier Baldi de 1699 de Ansião não se identifica  o Pelourinho.
O actual Pelourinho para mim não será o original.
No Pelourinho está gravada a seguinte inscrição:
MERCEDE COPARATA MERITIS OB INCLITA BELLO ET PACE GESTA AD LVDVVICO MENESIO COMITE ERICÆIRÆ I686
Segundo a tradução do Padre Manuel Ventura Pinho
«Mercê concedida a Luís Meneses conde da Ericeira, pelos méritos alcançados em façanhas ímpares tanto na guerra como na paz. 1686».
A ser considerado um dos mais bonitos na região o seja pela moldura colocada no século XVII com inscrição latina da doação da vila a D. Luiz de Menezes, Conde da Ericeira, como prova de agradecimento régio pela sua valorosa participação na Batalha do Ameixial naquela data e ao mesmo tempo pretende também lembrar que a criação deste concelho e a atribuição do seu senhorio foi um gesto de gratidão a D. Luís de Meneses, pelo esforçado que pôs na defesa da restauração da independência de Portugal contra os castelhanos. 
Que o SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitetónico «Estrutura em cantaria de calcário, composta por soco de dois degraus octogonais, sobre o qual assentam oito esferas, que sustentam a base do pelourinho, também de oito lados. Sobre ele apoia-se a coluna, de secção octogonal no terço inferior, sobre base tripartida e emoldurada, separado da parte superior cilíndrica por anelete de oito lados. Na parte superior do fuste sobressai molduramento rectangular cartelado com a inscrição. O remate é composto por bloco prismático onde está inserida a pedra de armas do Conde da Ericeira, encimada por uma coroa, terminando com coruchéu encimado por florão cónico.»
O Pelourinho de Ansião foi catalogado como Imóvel de Interesse Público, desde 11 outubro de 1933. 
Foto da actual Praça do Município de Ansião onde ao meio onde está um homem com o seu burro tenha sido o local primitivo do Pelourinho.Pelo menos do que existe.
Para ter sido escolha mais tarde pelo Senhor de Ansião Luiz de Menezes para vir a construir o seu pequeno solar, dele não se conhece o plano, nem foto. Em que a foto abaixo se mostra visível que o mesmo foi requalificado na bonita idade pelo menos de 189 anos quando o Conselheiro e Padre António José da Silva foi chamado a Ansião depois de 1875 e nele instalou a Comarca de Ansião, sendo notório que os caixilhos das janelas e os gradeamentos serão dos finais do séc. XIX, pormenores que desde sempre passaram despercebidos a historiadores e investigadores...Até porque há informação dum forte temporal por volta de 1704, sendo a nota de 1706, a referir a destruição da Misericórdia que tinha apenas 2 anos a 3 anos e o solar teria por volta de 17 anos, para acreditar que o solar também sofreu prejuízos. 
O brasão do solar também se perdeu julgo com o fogo e a ampliação para ser substituído com o brasão em mármore feito pelo Sr Ezequiel da Sarzedela.


O Pelourinho foi retirado do terreiro defronte do solar de Dom Luíz de Menezes com protestos e reclamações sobretudo do pai do poeta Políbio Gomes dos Santos para ser reposto em 1902 na nova praceta em triângulo que se originou com a expropriação para abertura de uma nova rua a nascer a poente da Praça do Município para na toponímia vir a ser atestada na Rua Combatentes Grande Guerra a entroncar na bifurcação a norte com a Rua Direita, hoje Conselheiro António José da Silva, um novo local, o ideal,  para o mudar com dignidade na entrada norte da vila de Ansião.A Rua Direita nasceu com a construção da Ponte da Cal depois de 1648 quando foi iniciada rasgada praticamente em linha recta para a vila vindo a originar nos finais do século XIX novo rasgo de uma nova acessibilidade de grande impacto na  ligação Pontão/Pombal a cruzar a Rua Direita em ditar os topónimos - Fundo da Rua e Cimo da Rua (da Rua Direita).
Foto da praceta ladeada pelas duas rua onde foi recolocado o Pelourinho

A mudança do Pelourinho com nova base de suporte com oito esferas de pedra sobre as quais está assente em representação das oito Freguesias que integravam então o Concelho de Ansião, desde 13 de Janeiro de 1898 e por força da alteração ocorrida em 2013, foram as mesmas reduzidas para seis Freguesias, com a Lagarteira e Torre a serem integradas na Freguesia da sede concelhia . Quanto a mim jamais o devia ter sido permitido porque são indubitavelmente locais de maior ancestralidade pela passagem da via secundária romana, em que muito antes de 1359 já existia uma grande labuta com os almocatés nos Moinhos de água, lagares e pisões na Ribeira da Mata e na Ribeira do Nabão atestada numa contenda arquivada na Torre do Tombo, terras onde veio a ser instituído o Couto de Torre de Vale de Todos do Bispado de Coimbra com um pequeno Seminário que ainda existem ruínas entre a Ribeira do Açor e Crucial de S. Bento.E ainda mais importante pela genialidade de famílias do passado de Ansião, da sua maior concentração, a que acresce a rara beleza inóspita vestida de calhaus salpicada de dolinas cársicas e poços de chafurdo com arquitectura ancestral de casario na graça do tradicional balcão com ou sem telheiro a mercer inventariação e conhecimento do seu valor cultural a não ser desvirtuado na Ateanha, Alzazede, Lagarteira e Torre numa paisagem cortada por veredas de encostas verdes rasgada a torto e a direito pela pedra calcária que se esventra e rompe em terra rossa para nos deslumbrar em cenários enigmáticos de aprazível beleza e espraiando com várzeas a perder de vista onde historiadores e eu no papel de autoditacta avento foi palco da celebrizada Batalha de Ourique.
Outra visão mais antiga do principio do séc XX ao Fundo da Rua com o Pelourinho 

Ansião celebrou no dia 4 de julho de 2014 os 500 anos do Foral Manuelino
Além da festa apenas a pagela nos Paços do Concelho...
Onde me fiz à foto.
Tomei conhecimento das comemorações pelo Henriques Dias e Rafael Henriques nas suas Paginas do Facebook para estranhar não ver nada que me chamasse à atenção de cariz semelhante por parte da vereadora do Pelouro da Cultura de Ansião, nem anúncio na sua página de Facebook , pese embora  a Câmara tenha colocado convites no Facebook, mas como não era amiga da Página...Os folhetos e cartazes no verso mencionavam " o responsável por estas comemorações é um filho da terra para coordenar este programa está o nosso conterrâneo e historiador Manuel Augusto Dias que através de várias iniciativas dará a conhecer aos cidadãos..."
Em 2014 fiz uma crónica sobre a comemoração dos 500 anos da atribuição do Foral de Ansião em https://quintaisisa.blogspot.com/2014/07/ansiao-celebrou-no-dia-4-de-julho-500.html
Pelos vistos o evento muito publicitado (?) no entanto me pareceu de brilhos baço, e não foi por ter sido palco ocorrido ao meio da semana com presenteio de chuva e chuvisco, onde faltou a meu ver o incremento da população em aderir ao evento em massa para na graça presentear convidados e plateia com travessas de arroz doce típico na região... Teria sido ex-libris de hospitalidade em bem receber, mas mais parecem algarvios que deles se fala comem da gaveta!
O que efetivamente estranhei foi o fato das pessoas envolvidas no evento não me terem dirigido convite, apesar de muito anunciado e dele, pouco, quase nada soube ou dei conta, nem tão pouco a minha querida mãe assídua do café na vila, nada soube ou tão pouco dele ouviu falar, para estranhar nada se ter apercebido.Mais uma bofetada! Mas que grande disparate! Pois o é isso exactamente!
O que me magoou foi sentir que  houve um amigo a  não passar de suposto que no tempo me vinha a tecer convites para neste caso não me dirigir palavra, NADA de NADA!
Teve receio que lhe ofuscasse o brilho com a minha alegria.Valeu outro bom amigo, mais antigo, que se mantém fiel ao longo da vida.Mas pior , Ansião não foi objecto de enriquecimento urbano com obra estatuária a marcar o acontecimento da efeméride 500 anos!
Como outras congéneres limítrofes o fizeram e bem!
O primitivo açougue
O talho municipal. Deve-se ao empenho do Dr Domingos Botelho de Queiroz também a construção do Matadouro (hoje WC na Requalificação do Nabão) que ainda o conheci convertido em canil municipal.
 
Foto Paz reeditada pelo meu primo Afonso Lucas retirado da página do Facebook do João Monteiro
O primeiro carro dos Bombeiros junto da casa da neta do Dr Domingos Botelho de Queiroz a Srª D Maria Amélia Botelho Rego defronte o Pelourinho e ainda se distingue o belo candeeiro de pé alto antigo.Sentada no carro a Anabela Paz e o seu pai Artur Paz, atrás julgo o Sr Fernando Silva, quase na ponta o Sr João Monteiro junto de um dos dois irmãos (latoeiros) com um dos filhos? Não conheço mais ninguém...
Praça do Peixe assim chamada construída em 1838
Em virtude da falta de higiene com a  venda do peixe ao ar livre, o seria possivelmente junto do muro do solar mandado levantar por Pascoal José de Mello Freire dos Reis para no mandato do Presidente da Câmara  Dr. Adriano Barros Rego  e o incêndio no Registo Civil dos Paços do Conselho obrigou a requalificação com ampliação e na urgente retirada das barracas de gente que viviam de aluguer na sua frente, até se invoca que o incêndio teria sido provocado, mas não se chegou a apurar responsabilidades. Numa dessas barracas era o tasco da " Ti Maria da Olinda" que depois se veio a mudar para frente da Praça do Peixe, onde a conheci e a  ladear os gavetos dois talhos, a norte do "Ti Joaquim Tereso" que vendia todo o tipo de carne e no gaveto a sul da "Ti Maria da Olinda" que vendia todo o tipo de carne menos bovina.
O local onde se veio a construir a Praça do Peixe
Nada mais nada menos que o belo jardim do que foi o solar mandado construir por o Dr Pascoal de Melo Freire dos Reis que morreu sem o ver concluído e mais tarde um seu sobrinho de Almofala o vendeu ao pai do Dr Júlio de Lemos que lhe aproveitou as cantarias e teria feito o jardim. Mais tarde passou de mãos para um farmacêutico quando foi expropriado o jardim alto ornado a pedras de suporte das trepadeiras comprado por 17$5000 réis, conforme consta em acta da câmara e se revê na foto abaixo e ainda a abertura de duas transversais de ligação à rua que lhe corre pelo tardoz a Oliveira Salazar
Foto registada no tardoz da Praça do Peixe
Cortesia de Américo Antunes
Na esquerda o solar mandado construir por Pascoal José de Mello Freire dos Reis
Seguido do alto jardim que foi expropriado para se fazer a Praça do Peixe
Lateral sul da Praça do Peixe
Por altura dos finais da década de 50 quando esta transversal hoje Rua da Fonte muito mal atribuída na toponímia o devia ser Rua Comerciante Adriano Carvalho que nela viveu  num solar forrado a azulejos Viúva Lamego dos finais do século XIX que veio a adquirir quando regressou de África, sendo natural de Cotas, Pombalinho, nesta terra se radicou em 1924 como comerciante na vila,  cuja fonte na sua quinta deu água a beber a muita gente além do progresso que chamou a Ansião.
Sede da Junta de Freguesia de Ansião
Com a desativação do açougue e a minha mãe bem se lembra dele, sobretudo da imensa balança de latão. O prédio foi ampliado num feliz , raro e  harmonioso projecto de arquitectura, a dignificar o monumento histórico do Pelourinho onde funciona a sede da Junta de Freguesia de Ansião.
Na década de 40 foi a praceta engrandecida  com calçada portuguesa por Manuel Murtinho de belos efeitos decorativos a branco e preto, que ainda existe.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Casal d' Afonso d' Pêra na toponímia ancestral de Ansião !

Nas Memórias Paroquiais do concelho de Ansião « segundo o Numeramento Geral do Reino, de 1527, informa-nos que a aldea de Ansião tinha 67 vizinhos com Casal, Fonte Galega, Constantina, Ribeira do Açor, e Cervedela ( Sarzedela) , Lousal, Escampado, os Empojados (Empiados) e o casal d’Afonso d' Pêra». Nesta data, no lugar de Ansião havia 24 vizinhos «e os mais nestas póvoas».
Em 1721 a «Villa de Ancião» tinha «47 moradores», mais «hum cazal chamado Cazal de Pêras situado em hum outeiro com 2 oradores» .
Os excertos revelam além do decréscimo de população que o Casal das Pêras  já era povoado em 1527 e se veio a fidelizar na toponímia com o casal D'Afonso d' Pera .Teriam descendência, em virtude do apelido prevalecer até hoje.O casal ou foi nascido nos Impiados ou nos Matos, Lugares que lhe ficam aos pés e a seguir dos mais antigos do termo sul de Ansião anexado à vila na Vintena da Cabeça do Bairro quando foi doada a DLuiz de Menezes, pese embora em  1721 só ter dois moradores.
1585 Livro de baptismos de Ansião
O primeiro registo de batismo de Margarida que encontrei afecto ao Casal das Peras, no final da página  

Sem o devido conhecimento em Paleografia atrevo-me a traduzir o que depreendo da escrita medieval -Aos 8 de dezembro baptizei Margarida  de Paula ou Pedra? Ânes sua mãe, do Casal das Peras. Padrinhos Silvina Paiz de Sousel mulher de Manuel Paiz Galvão? de Ansião. Este registo mostra-se interessante em vários aspectos;
A data 1585 a indiciar já existir o Lugar de Casal das Pêras.
Batismo de uma criança de mãe solteira, por não ter menção do nome do pai.
Padrinhos, depreendo Silvina Paiz Sousel ? A lembrar a ligação de gente da região ao Alentejo e ao Senhorio de terras em que Pussos nos Cabaços,  no concelho de Alvaiázere, a reportar para o Visconde de Sousel António José de Miranda Henriques da Silveira.
Livro de óbitos de 1682 de Ansião
Aos dezassete de outubro de 1682 faleceu a mulher de Abel Roriz do Casal das Peras enterrada na igreja e não no adro reporta que era de gente rica.

Nas Memórias Paroquiais do Cura José Fernandes da Serra de 1769 «(...) não sei que haja discórdias ou particulares , mais que hum Manoel António do Cazal das Peras desta Freguesia , o qual por cauza de munto vinho que bebe, trata mal de palavra, a sua mulher e família pondo os fora decaza muntas vezes as deshoras da noute, com o que cauza grave escandallo, e não tem sido bastantes muntas vezes reprehencoens, e avizos queho dado, ja particulares, e publicos, e cheguei, alevar em minha companhia duas testemunhas para verem o que lhe dezia, as quais foram António Cardozo desta villa de Ansião; e António Mendes do Bairro de Santo António; prometeo immenda mas não a comprio, e continua, ainda que não sessam as admoestassoens; hé o que posso informar, e vossa Senhoria Reverendíssima mandara o que for servido, a cujos decretos sujeito a minha escravidão com quem hé.» O relato mostra-se curioso pela ingestão do vinho e uma vez esquinado fazia disparates com violência doméstica como hoje se diria, olhando ao nome Manoel António sem apelido a evidenciar filho incógnito(?).
Apelido Pêras
O meu bom amigo Pedro Guerreiro Henriques comprou uma papelada a gente de Beja , antes de vender gosta de a ler dando conta de uma caderneta militar em nome de Manuel Simões Pêras dos Impiados, Ansião nascido a 31 de maio de 1898 logo a põe de lado  por saber que muito falo desta terra, temática que jamais lhe passa em nada despercebido! 
O meu bem haja pela cortesia, por se interessar pelas coisas que escrevo sem lhe dizerem directamente respeito, porque é algarvio, o que valorizo em dobro na vontade de mais saber.
Caderneta Militar
Não tem foto
Achega em correlacionar o primeiro habitante no Casal d' Afonso d' Pêra cujo apelido se manteve pelo menos até 1898, ou não, jamais antes o tinha ouvido na curiosa interpretação o mesmo apelido do primeiro povoador, pese embora ausente há mais de 40 anos bem diferente de lá viver a julgar se tinha perdido para numa conversa ocasional o ouvir da boca do meu  compadre.Sobre alguém que mora na Lagoa da Ameixieira e nasceu no Casal das Peras onde ainda vive uma irmã que bem conheço, a Isaura, filhos do Ti Sebastião. A que se seguiu o Livro Ansião e a Primeira Guerra do Dr Manuel Dias que a minha irmã gentilmente me ofereceu  em que o autor o dedica à memória do seu avô materno José Simões Pêras .Supostamente irmão do Manuel Simões Pêras, o da caderneta militar ou familiar...

Ambos os indivíduos a evidenciar parentesco com origem no Casal das Pêras e  por casamento ou outra situação se deslocaram para os Impiados, Lagoa da Ameixieira e Manguinhas entre o Casal de S Braz e Viegas e algures no Alentejo o da caderneta militar por lá ficou quando da  safra das ceifas...
A primeira acessibilidade de Ansião para o Casal das Pêras
Rasgada na continuidade da Rua Direita da vila para sul com bifurcação ao Cruzeiro do Cimo da Rua com um caminho para nascente para a Lagoa da Ameixieira e outra para poente na direção do Casal das Pêras e Matos. Recordo no tempo de miúda como se mostrava estranha a ladeira da Garriaza até às Almitas larga com vegetação,sem jamais me passar pela cabeça tamanha ancestralidade, um dia vinha do Carril de bicicleta com uma saca de azeitona mal cheguei à ladeira para aliviar a canseira sentei-me no selim debalde a saca nas pontas tropeçou nos pedais tendo caído em amálgama  com a saca que não se abriu e a bicicleta ...
Na esquerda vive a Isaura (Peras) que não carrega o apelido do pai o Ti Sebastião em ditar tenha sido aqui primitivamente o local  por ser altaneiro onde viveu d' Afonso d'Pêra. A Isaura há anos confidenciou-me ou foi a mãe ou a avó que era espanhola.Não a tenho visto para mais saber.
A capelinha por alma das almas do Purgatório só foi feita em 1922.
Não a encontrei referenciada no Livro Património Religioso do Dr António Simões, Dra Joana Dias e Dr Manuel Dias o que se estranha, tendo à partida os dois últimos raízes neste Lugar ancestral na história de Ansião, mas não me cabe a mim fazer a árvore da sua genealogia...
O chão onde está implantada a capelinha é argila branca com laivos rouge para se expandirem em ocre, barro empedernido que se estende por uma língua que desde sempre me lembro ainda agora nas obras de requalificação da Rua Polibio Gomes dos Santos onde entronca a quelha do Canto se mostrou e bem, para se voltar a encontrar na que foi a quinta do Bairro à imediação do Ribeiro da Vide, e este foi baldio por ser chão inóspito, estéril onde nada crescia, apenas os plátanos em 40 se deram bem, e aqui apenas oliveiras se dão, seguindo para sul no chão que foi do "João das notas" ainda hoje estéril para aflorar com mais evidencia no Casal das Pêras, aqui no palco da capelinha. Os séculos até hoje em que a terra foi sendo objeto de trabalho para lhe retirar sustento ao ser adicionada com estrumes e queimadas para hoje o solo apresentar uma camada substancial à superfície arável e mais abaixo ainda permanecer.
Supostamente as iniciais no ferro forjado sejam de quem a mandou fazer?
Gosto do altar, em pedra, é gracioso e da lanterna suspensa que tem vindo a desaparecer doutras .
Estranhei com mulheres tão bonitas e prendadas a toalha se apresentar de bainha simples sem ornato de uma renda...A pensar na bordadeira de excelência a "Maria José - a  ilhoa" e do bordado da Madeira.
Passei por aqui várias vezes a caminho de uma fazenda da minha tia Maria no Carrascoso e da que o meu pai herdou no Carril a caminho dos Matos. Tomado o caminho antes das Almitas a caminho do Carril na esquerda ao alto ainda existiam ruínas de uma casa, um dia a minha prima Julia ainda era eu uma criança na sua companhia à fazenda do Carrascoso mostrou-me antes dessa ruína julgo na direita do caminho onde entramos numa fazenda até a um grande penedo para me mostrar o pézinho  de Nossa Senhora, recordo de o ver esculpido de grande perfeição, para mais tarde perceber tenha sido esculpido no calcário no tempo do homem do neolítico cuja erosão nos séculos o deixou perfeito para em tempo de forte beatização para tudo que se mostrava estranho se atribuir milagre ou relativo a Nossa Senhora...
Rua do Casal das Pêras
Desde miúda  tive o privilégio de aqui vir amiúde a casa da "Ti Otília , da Ilhoa,  da mãe da Helena e da Maria "onde haviam ruínas e me deixava a pensar o que ali teria existido no passado e ainda a razão do nome do Lugar, porque pereiras não distinguia nos quintais  alguma!
Em baixo a que foi a casa da Ti Otilia irmã do Ti Manel Silva que casou no Bairro com a tia do meu pai, Maria irmã do meu avô paterno "Zé do Bairro".
Horas de aflição naquele tempo ouvir falar em dentista aos doze anos para me acompanhar o meu pai ao consultório por cima do antigo café desativado do Calado, no largo do Correio velho, onde me extraíram dois molares. Aprendi a lição de me vangloriar na festa de batizado da Inês, filha do meu primo Afonso Lucas na sua casa de Além da Ponte onde abri as garrafas da gasosa e laranjada com os dentes, gracinhas de " maus talentos" da adolescência. A partir daí nunca mais descuidei a boca, interiorizei o que é uma "dentadura artificial" que a Ti Otília, mulher solteirona do Casal das Pêras quando descalça passava ao adro vinda da casa do irmão, o tio Manel, atazanava-me a mim e à minha irmã gesticulando a dentadura num vaivém repentino de dentro para fora da boca, há mais de cinquenta anos. Visivelmente assustadas a mulher metia medo, alta de pele enrugada, cabelo desalinhado, vestida de avental mais parecia um vampiro, apesar de excelente pessoa, mulher de paródia, adorava crianças. Mais tarde percebemos que tinha as gengivas mirradas com a idade, a dentadura larga dava-lhe o mote para nos assustar…"naquele tempo quem diria que ela usava dentadura, um luxo só dela (por ter a irmã a viver em Tomar onde tratou da boca)!".
As vezes que subi a ladeira sinuosa do Serrado das Sobreiras do avô "Zé do Bairro" hoje fazenda da minha irmã onde havia gente que atalhava caminho ao endireito do ribeiro como a "Ti Augusta do Tarouca" e os filhos: Mário, Carlos, Amândio, António, Olinda e Fátima Valente lindos de morrer os mais parecidos ao pai, quando moravam na aldeia a caminho de casa.Não me recordo do apelido do pai da "Ti Augusta do Tarouca".
Lembranças ainda de gente boa
Ti Sebastião e das filhas, Isaura e Céu, da mãe da Helena e da Maria, da casa da Ilhoa ainda viva quase a celebrar cem anos de seu nome Maria José, madeirense, o marido conheceu-a no Funchal a cumprir o serviço militar durante dois anos e meio, enamorou-se dela desse amor nasceram as duas filhas mais velhas a Conceição, carinhosamente tratada por São e a Lurdes, acabado o serviço militar foi obrigado a trazer a mulher e as filhas para o continente e vieram morar na casa dos pais dele, cuja mãe ao jus de sogra  "encravilhadora" aliciava o filho contra a nora, sorte teve o pobre homem não dar muitos ouvidos à mãe, sabia a mulher boa que escolhera, de bom coração, trabalhadora, amiga de todos e muito boa mãe, no Casal das Pêras veio a nascer a Tina, as gémeas Eulália e Amália, lindas de morrer, Fernando, muito bonito e os gémeos a Ana Maria e o Zé Júlio os mais novos, não ficavam atrás de nenhum deles nem em simpatia nem em beleza. A Maria José não tinha tempo para se dedicar ao bordado madeirense. Grande a lida em casa e a cuidar dos filhos. Mesmo assim ainda bordou um lindo vestido em xantung azul escuro, lindíssimo "rica a barra larga numa silva de flores" me confidenciou a minha mãe que a sua colega no externato tanto brilhou a Irene, filha da "Ti Alzira Aureliano" julgo irmã do "Tinta" que viveu ao Ribeiro da Vide. 
O marido da" Ilhoa, a Maria José" o apelido do marido "Lopes" homem de alta estatura e seco de carnes tal como o Ti Manel Silva nascido na casa que ficou para a irmã a Ti Otília. Dizia-se que tinham ascendência britânica (?). A linhagem é comum a outros de Ansião que os interligo a judeus, a um clã especial pelas caracteristicas dadas pela altura, elegância e cariz sóbrio muito semelhante ao do meu bisavô paterno Elias da Cruz.
Portanto a linhagem de gente que aqui viveu que agora se pôs a descoberto: Ânes;Pêras; Lopes; Santos; Silva; Carvalho e,...
A minha querida amiga Fátima Valente filha da Ti Augusta Tarouca ajudou-me nos apelidos das gentes do Casal das Pêras, o seu avô materno  António Santos. Disse-me que o "Ze da Tuba" viveu na primeira casa à entrada pai da Helena e da Maria  que bem conheci, seria conhecido pela alcunha por ser musico na filarmónica com o instrumento a tuba, falta saber o apelido.E,...

Fontes
Livro das Memórias Paroquiais
Livro do Património Religioso d Ansião
Livro Ansião e a Primeira Guerra do Dr Manuel Dias
Testemunhos da minha boa amiga Eulália, Isaura, Júlia Silva e do meu compadre Fernando Moreira
Caderneta militar de Manuel Simões Pêras
Testemunho de Fátima Valente

domingo, 25 de novembro de 2018

O Padrão ao Senhor de Ansião Luís de Meneses

Distingue-se no postal o  Memorial do Padrão  ao Senhor de Ansião Luís de Menezes isolado na frente do muro da quinta que lhe corre pelo tardoz  já velho com altos e baixos e pedras soltas na certeza de ter sido feito depois da construção da Ponte da Cal em 1648 com a abertura da Rua Direita para naturalmente ter sido feito o muro para resguardar a quinta a nascente, dela desconheço o seu nome primitivo, ainda hoje há quem lhe chame quinta Veiga, por no seu chão ainda viver descendência. 
A razão do Senado de Ansião em 1686  aqui o mandar edificar?
O Padrão foi colocado isolado a nascente da beira da Rua Direita bem evidenciado acima na foto antiga  dos princípios do séc. XX  a preto e branco apesar da folhagem da mimosa.
A razão esteja ligada à entrada da vila a norte, então a mais importante em dar a conhecer a quem entrasse o seu real testemunho.
Senhor de Ansião Dom Luís de Menezes
O pequeno solar que  mandou erigir em Ansião sem se saber se inicialmente ficou adoçado à pequena ermida de NSConceição, em verdade lhe ficou certamente adoçado na pretensa utilidade ao status naquele tempo de se possuir uma Capela privada, cuja entrada naquele tempo era a poente, no tardoz d'hoje com entrada lateral pelo jardim do solar que ainda o conheci, mas já não existe, e assim poupou nos gastos. Não se sabe se alguma vez veio a Ansião. Por sofrer de melancolia suicidou em 1690 em Lisboa.Mais tarde por volta de 1702 esta ermida foi ampliada para albergar a Igreja da Misericórdia com frontaria para nascente.
Depois de 1875 o Padre Conselheiro António José da Silva veio a Ansião instaurar a Comarca neste solar onde ainda se encontra dando fim à Vintena na Cabeça do Bairro, Casa da Câmara, Cadeias e Casa dos almocatés.
Fundo da Rua
Conheci o Padrão "entalado" conforme a foto abaixo pouco explicita evidencia do lado direito onde se encontra uma carrinha estacionada no sitio da paragem da camioneta, correndo-lhe debaixo um ribeiro encanado coberto por lajeado largo. Durante anos o Padrão passou despercebido do seu valor patrimonial ao ter sido tabelado em alto muro quando o lote foi vendido na década de 30 para nos finais do século XX o rasgo da nova variante Rua de Erbach e a construção de um prédio mais recuado sem estética na linha do passado histórico deste local ainda assim  na benesse  em  destacar o Padrão como bem o  merece para finalmente voltar ao brilho que lhe foi retirado durante anos.
O que a 1º foto mostra em relação à 2ª?
O muro da quinta a nascente em desmoronamento da 1º foto encontra-se mais recuado em relação ao que vem de sul ao pontal de remate,  evidente nesta foto nos prédios dos irmãos Júlio e José Silva. 
 
O padrão depois de voltar a ser liberto
Em 2018 com uma vida de 332 anos nem sempre pacifica foi alvo de atrocidades que as pedras disso nos falam. Ainda há poucos anos por altura da festa do S Pedro foi derrubado um pináculo que demorou muito tempo a ser reposto.Ainda vem que aqui denunciei essa grave falta à preservação do património publico. 
O Padrão como se encontra actualmente 
Teria o pedestal no passado sido em baixo enriquecido com painel de azulejos?

Ficaria bem o nome Ancião a azul e branco.

No pé notam-se as pedras laterais quando foi deliberadamente entalado no muro no ganho de uns centímetros de terreno...
A Criação do Concelho de Ansião
«Até 12 de julho de 1674, Ansião pertenceu, para efeitos administrativos e judiciais, ao concelho de Coimbra. Para recompensar D. Luís de Meneses pelos seus sucessos na guerra da Restauração contra Espanha, D. Afonso VI decidiu dar-lhe o senhorio de Ansião.
Consultada a Câmara de Coimbra, que deu um parecer positivo, a vila de Ansião passou a ser governada por um corpo de oficiais: um juiz ordinário, que era simultaneamente juiz dos órfãos, um procurador do concelho, vereadores, escrivão da câmara, tabelião e alcaide, aos quais acrescia um capitão mor com uma companhia da ordenança - os guardas campestres.
Como facilmente se pode deduzir, para um concelho apenas formado por Ansião, que na altura tinha 64 fogos, era difícil arranjar quem servisse em tantos cargos, para além da dificuldade de arranjar dinheiro para lhes pagar. Por isso foi pedido ao rei que lhe anexasse outros lugares da paróquia. Ao que o monarca anuiu que se lhe juntassem os Escampados, na altura com 44 fogos, e o Casal das Pêras com 2. Entretanto o Senado do Concelho de Ansião, mandou erigir um Padrão em memória do acontecimento e também para mostrar a gratidão a D. Luís de Meneses.
O texto em latim
«IN PERPETVAM REI MEMORIAM/D LUDOVICO MENESIO COMITI ERICEIRÆ RE-/GIS PETRI II A CONSILIO SATVS ET FISCO/PRÆPOSITO IN TRASTAGANA PROVINCIA/MAXIMO TORMENTORVM PRÆFECTO IN/TRANSMONTANA PRÆTORI PRO VICTO CA-/NALENSI PRÆLIO IOANNE AVSTRIACO EBO/RAQ RECCVPERATA HOC ILLI OPPIDVM CVM IV-/RISDITIONE CONCESSV AVCTVSQ FVIT ALIIS/PRÆMIJS ET HONORIBVS QVOD XVIII ANNOS/BELLO IMPENDIT QVINQ PRÆLIJS ET PLVRI-/MIS VRBIVM OBSEDIONIBVS INTERFVIT AD-/EPTVSQ EST GLORIAM MILITAREM ET/POSTQVAM FVIT PACE MVTATVM MAXI/MA EJVS MVNIA CVM LAVDE EXERCVIT/IDEO ANSIANENSIS SENATVS HOC ERI-/GI MVNVMENTVM CVRAVIT/ANNO DOMINI MDCLXXXVI»
A tradução do memorial em latim, do Padre José Eduardo Coutinho, perito nestas coisas da história de Ansião: « Para Perpétua Memória/A D Luís de Meneses Conde da Ericeira d'El-/Rei PedroII Conselheiro de Estado e do Fisco/Intendente Na Província do Alentejo/Supremo General de Artilharia/Governador da Província de Trás-os-Montes/em vez de João de Áustria/vencido na batalha do Canal/E após a recuperação da cidade de Évora/esta pela jurisdição/que lhe foi concedida o cumulou de tais/prémios e honras por durante 18 anos/se haver dedicado à guerra por ter travado/cinco batalhas e ter participado em tantos/cercos à cidade obtendo glória militar e/alcançada a paz exerceu os maiores/cargos com louvor Por isso o Senado/de Ansião tratou de lhe mandar erigir/este monumento/No ano do Senhor de 1686»

O Padrão de arquitectura Civil foi classificado como Imóvel de Interesse Publico em 1980
Não sabemos quem foi o seu escultor. Tão pouco sabemos se o Mestre de Obras José da Fonseca natural de Ansião que construiu a Ponte da Fonte Coberta no Rabaçal em 1637, se foi o seu autor. Tentei visualizar os registos de óbitos e casamentos na centúria de 600 para o encontrar debalde não o localizei.A pedra calcária da região, seja certo que foi aqui nalguma pedreira que foi feito o seu traço e rasgo.

Excerto http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt Nota Histórico-Artística (Rosário Carvalho)
«A contribuição decisiva do Conde da Ericeira para a vitória portuguesa na Batalha do Ameixial, uma das etapas mais importantes das Guerras da Restauração, foi muito celebrada em Ansião, pois D. Luís de Menezes recebeu o senhorio desta vila como recompensa pelos serviços prestados ao reino e, em particular, pelo seu papel de destaque na referida batalha, que teve lugar em Junho de 1663. 
Em frente da sua casa, ergue-se um pelourinho com uma lápide comemorativa deste acontecimento. Na ponte à entrada da vila, o senado da vila mandou erigir, em 1686, o padrão que perpetua a memória do Conde da Ericeira e dos seus feitos. Aí se refere, em latim, que D. Luís de Menezes foi conselheiro de Estado do Rei D. Pedro II, Intendente do fisco, supremo General de artilharia da província do Alentejo, governador da província de Trás-os-Montes, que durante dezoito anos se dedicou à guerra. 
O padrão seiscentista, de secção rectangular, é formado por uma base que se divide em três registos. O primeiro separa-se do seguinte por um friso, e em ambos os cunhais exibem pilastras, sendo que as superiores são rematadas por capitel e entablamento, sobre o qual se erguem pináculos. Remata o conjunto uma pirâmide sobre base de secção quadrangular. A inscrição latina já referida, encontra-se numa das faces. »

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Fontanário ao Fundo da Rua em Ansião

Segundo o Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu Livro de 1986 "Outra obra que se deve  à iniciativa do mesmo médico (Dr Domingos Botelho de Queiroz, e no sentido de responder a necessidades sanitárias da vila, foi a captação de águas numa mina no Carrascoso, da filtração natural das mesmas e da sua canalização para o depósito acastelado ao Cimo da Rua, de onde foram distribuídas para alguns fontanários, onde se podia ter água tratada e corrente."
O fontanário ao Fundo da Rua foi encastrado na fachada norte do prédio "Valente" a seguir ao portão de acesso do quintal. Viria a ser engrandecido com painel azulejar alusivo à Rainha Santa Isabel  dando Esmola a um Ancião fechado com elegante  moldura em pedra.
A quem se deve o embelezamento azulejar alusivo à Lenda do nome de Ancião ?
Da autoria do patriarca da família "Rodrigues Valente" .
Virgílio Rodrigues Valente  um homem de negócio aberto, bem visto na vila onde participaria nas fulcrais alterações, viria a autorizar a escolha de encastrar o fontanário no seu prédio a norte, em prol doutro local, na pretensa o imortalizar ao ter mandando executar um belo painel azulejar numa Oficina  em Coimbra em colaboração com a CMA  em 1937, o pagante da factura que detém em arquivo.Contudo o Padre Jose Eduardo Coutinho menciona no ponto 2.1.4.13, Cartaz Turístico  um erro de testemunho recolhido com algum familiar que o induziu em erro para referir que o painel azulejar é da família e não da câmara... 
« Sempre que um acontecimento marcante entra na memória pública, que interiormente o encarna e peremptoriamente o tipifica como seu,ele assume foros de imortalidade, porque aparece sempre carregado com um sentido particular que lhe é atribuído pelo significado que representa para quem o recebeu dos antepassados. O seu conteúdo torna-se sagrado, cristaliza na consciência e nunca desvanece em nada, pelo contrário, a sua lógica é factor explicativo de muitas situações e motivante de condicionantes em diversas formas exteriores.Para a vila de Ansião, e não só, esse conhecimento primodial tem por substrato conjunto a já referida lenda da Rainha Santa Isabel, circunstância que, em 1937, determinou Virgílio Rodrigues Valente (embora na parte superior do painel tenha C.M.A. 1937, é propriedade particular e pertença dos herdeiros de Virgílio Rodrigues Valente, e não da Câmara Municipal de Ansião, como à primeira vista parece). a encomendar um painel de azulejos representativo daquele "facto" medieval, referido pela legenda A Rainha Santa dando esmola a um ancião.Delimitado por cantarias, enquadra um dos mais antigos fontanários do município e situa-se no Fundo da Rua às portas da vila  
Infelizmente o antigo painel azulejar perdeu-se em 2018 ao ter sido substituído por uma reprodução mal conseguida em azulejos padrão tipo WC a lamentar em  acréscimo o descuido do seu valor patrimonial cultural e emocional quando o certo seria o dever de o valorizar pelo apelo ao topónimo Ancião, nome da vila atribuído a um germano e à sua antiguidade de 81 anos também  a não ser objecto de respeito em terra de parco património urbano preservado, tão pouco alguma vez ter sido objecto de limpeza, nem qualquer manutenção para em golpe de escolhas a oportunidade ao seu engrandecimento sem equilíbrio e consciência da sua requalificação na aposta da sua substituição, e assim se perder o seu real valor em decisão negligente quando o certo teria sido agir com cautela para não lhe acontecer tão grave descuido!
Em resulto equacionar com tristeza a cabal falha aos valores culturais a remeter para o passado  político no mesmo olhar sem reconhecer e salvaguardar património que só gente armada de talento é dele fervoroso amante e defensor!
Doeu-me profundamente este progresso em modernizar incorretamente o que foi em 1937 edificado em património particular e se veio no tempo tornando público dado pelo contexto temático subjacente à lenda da Rainha Santa intrinsecamente ligada a Ansião que a requalificação do prédio e a divisão de heranças o deixou ficar enquadrado na nova arquitectura do prédio sem destoar, ainda o dignificando enquanto elemento historial de tantos olhares durante décadas a evocar estrategicamente em vaidade a dupla alem de alindar a fonte da rede do fontanário abastecido da mina do Carrascoso à Garreaza que a elevava ao Castelindo do Cimo da Rua de onde se distribuía pelas demais sendo a última sediada a norte da vila  na estrada para Pombal/Pontão que o então proprietário do prédio o deixou encastar na sua parede Virgílio Rodrigues Valente, apesar de tanto o painel como a moldura em pedra ter sido paga pela câmara municipal, tenha sido esta vontade em rivalizar outro grande apaixonado por Ansião na dupla em evocar a lenda da Rainha Santa em que o Dr Vitor Duarte Faveiro também melhorava na mesma altura a capelinha da Rainha Santa em Além da Ponte à sua custa .
Depois do mal feito o Sr. Presidente assumiu o erro na grande diferença em relação ao passado em tanto erro nunca ouvi falar que tenha algum Presidente  assumido em público culpa, na assembleia. Por isso é de valorizar a atitude de franqueza. 
Novo painel com erro de projecção no olho esquerdo da Rainha a ser cortado pela junção do azulejo.
Resultado de imagem para ansião painel azulejar da rainha santa isabel
O que se ganhou com esta perda? 
As redes sociais abriu olhos a muitos desconhecedores do que realmente é cultura patrimonial enquanto valia maior  no dever em ser mantido e preservado para  deixar de testemunho às gerações vindouras, e ainda forte reboliço da oposição ao aproveitar o erro crasso para brilhar, debalde ofuscada pelo histórico do passado dos seus dirigentes igualmente sem qualquer prova real de substância melhor ...Antes alencar outras demais e graves perdas!
Salvou-se a bela moldura em pedra!

O painel azulejar à Rainha Santa Isabel 
Foi objecto de desafios, poesia, bordados, reproduções e,...

Desafio da Rainha lançado por Isabel Stilwell
Desafiou os seus leitores a partilhar uma fotografia ou fazer um pequeno vídeo de uma estátua, imagem ou quadro representando Isabel de Aragão, a protagonista do seu novo romance histórico.
Excerto de https://www.presenca.pt/files/editorials/Desafio_IsabelAragao2.pdf

Filipa Valente de Ansião
«Este painel de azulejo da Rainha Santa Isabel localiza-se em Ansião, num lugar conhecido como o “Fundo da Rua”. Foi encomendada por um senhor  que aqui vivia, Virgílio Rodrigues Valente, em 1937. Retrata o momento em que, numa das inúmeras deslocações da rainha entre Leiria e Coimbra, ela dá a esmola ao ancião. É por isso que esta terra se chama Ansião.»

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Poesia


Em http://poesia-avulsa.blogspot.com/2010/03/introspeccao-do-estar.html 
Do escritor /poeta António MR Martins em se referir a Ansião , para ele mais uma "Terra Presente".

O poema demonstra quanto o autor se sente bem nesta terra e quanto é feliz. Não o conheço nem sei o local onde nasceu, tão pouco pelo apelido "Martins" ...Se alguém souber agradeço a partilha.
Manhã límpida…
O cheiro das terras,
com o chão húmido,
penetra pelas janelas abertas àquela hora.
O sol espreita
num horizonte
que reflecte sua beleza
em preâmbulo de um verde fortalecedor.
Ouvem-se as aves…
Saltam nestes campos
e esvoaçam neste infindo espaço,
recantos onde a natureza mora.
As árvores
se agitam suavemente,
ao som de um vento ténue
que valoriza aquela suprema cor.
Lá cima, no céu,
outro colorido germina em tons de azul,
onde o brando branco
faz definir um sublime traço naquela aurora.
Hoje não chove,
as flores começam a brotar nos campos…
Eu fui comprar o jornal
que alguém me guarda, por favor.
Em Ansião me detenho
nesta espera do futuro…
Aqui o ar reflecte a força
de um continuar pela vida fora.
Esses sons diferem
dos contextos das cidades,
sintonia que esmera a qualidade
de uma vivência com todo o seu valor.
Para todas as outras coisas,
resta aguardar!...

Bordado pela mão do Dr Filipe Antunes na Biblioteca de Ansião
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Reprodução de um painel no carro alegórico do cortejo do povo

O saudoso painel azulejar que se perdeu mote de tanta inspiração!

Felizmente o fotografei na menção da Oficina de Coimbra de J.G.Porto & Irmão pelo pintor F Pereira 1937

O painel em evocação à Lenda da Rainha Santa dando Esmola a um Ancião 
Em  ditar a lenda da origem do nome da terra...
Outros evocam o nome de um povoador de origem franca...
Ou o nome de uma terra em Itália a reportar para o tempo romano, possivelmente a mais correcta (?).Depois do leite derramado resta a estória para virtuar no tempo com as histórias deste painel!

Fontes
 Livro de 1986 do Padre José Eduardo Reis Coutinho
https://www.presenca.pt/files/editorials/Desafio_IsabelAragao2.pdf
http://poesia-avulsa.blogspot.com/2010/03/introspeccao-do-estar.html 

A Capela de Nossa Senhora da Paz na Constantina em Ansião

A Capela de Nossa Senhora da Paz
Recordo a minha primeira visita já lá vão muitos anos onde fiquei com a má impressão da escadaria descarrilada pelas raízes das oliveiras para ao adro ficar de boca aberta com a antiga pia de água benta reutilizada  em lava mãos, bem maior  e graciosa que as novas substitutas  ...A segunda visita aconteceu ao entardecer por altura da festa com a capela engalanada onde apreciei a platibanda negra em balaústre como havia na matriz a dividir o corpo da capela com o altar mor. Da terceira vez reparei que tinham decorrido obras  com anexos para as festas a poente do adro suportados por colunatas  em analogia com o telheiro da capela tendo gostado francamente de tudo o que vi, até a antiga pia de água benta suportei em novo enquadramento da torneira e dos canteiros. Fica ainda a faltar na envolvente para poente ou norte um parque de estacionamento para desafogar a Constantina, aldeia castiça das poucas ao género concentrado com maioria de casario requalificado na traça antiga e outro em vias de requalificação a prestigiar os seus donos em manter os legados herdados do povo romano que se cruzou com o povo franco, judeu e mouros os genes que ainda persistem sem  investigação capaz de mais deslindar!
Testemunho do Sr. Padre Manuel Ventura Pinho 
« O padre José Eduardo Coutinho está por dentro de muitas das coisas históricas desta terra, como sabe. Há uns 10 anos pedi-lhe para fazer outra monografia sobre a igreja e capelas da freguesia e ele diz-me que o trabalho está adiantado. Vamos ver se sai o 1.º volume para o ano que vem 2016 . Ficou combinado ser dos primórdios até ao final do século XVI. Sobre estes séculos pouco sabemos até agora.» Desconheço os motivos para em final de 2018 sem edição, para outro livro sobre a mesma temática entretanto ter sido editado em 2008, pela Câmara de Ansião - Património Religioso do Concelho de Ansião de António Jesus Simões, Joana Patrícia Dias e Manuel Augusto Dias cuja leitura me deixou abaixo da expectativa, contudo a valia de pioneiro nesta temática pela compilação deste património concelhio pese incompleto sem ordenação temática que se mostra saltitante, para em resulto dizer bom - existe qualquer coisa! 
Sobre a capela da Constantina alegadamente a senti matéria retratada no livro do Padre José Eduardo Reis Coutinho de 1986 sem lhe acrescer mais valia em investigação, apenas enfoque do importante e rico património onde não é referida a passagem do Chantre de Évora acompanhado de Severim Faria e que a descrição da vida de Nossa Senhora da Paz é mencionado um breve relato «veio da igreja matriz de Ansião em 1622, num tempo de guerras religiosas que grassavam para la dos Pirinéus...»

Monumento de Interesse Público
Excerto de http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/155603
Arquitectura Religiosa / Capela Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público
Edital de 29-05-1996 da CM de Ansião
Despacho de concordância de 23-11-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 20-07-2011 da DRC do Centro
Catarina OliveiraGIF/IPPAR/ 20 de Julho de 2005
« A Capela de Nossa Senhora da Paz foi edificada em 1623, sendo referida a sua existência por  Manuel Severim de Faria em 1625, que descreve esta "(...) igreja fabricada de dous anos para qua no termo da villa de Ancião no Lugar da Constantina." (MALVA, Filomena, 1996, p. 54). Segundo a tradição local, a imagem de Nossa Senhora da Paz foi transferida da Matriz de Ansião para uma pequena ermida existente em Constantina cerca de 1622, originando uma série de acontecimentos milagrosos no local. Por este facto, edificou-se um novo templo naquele lugar, que se tornou num centro de romagens, passando a ser administrado pela Confraria de Nossa Senhora da Paz, instituída no ano seguinte e confirmada por alvará de Filipe III editado em 1624.
A capela apresenta uma estrutura chã de gosto classicizante e linhas sóbrias. O corpo do templo é precedido por uma galilé alpendrada composta por dez colunas. A fachada apresenta ao centro o portal principal, de moldura rectangular, onde foi gravada no lintel a data de fundação, 1623, encimado por um nicho concheado ladeado por enrolamentos e encimado por um friso. O conjunto é flanqueado por duas janelas com grades de ferro. 
O espaço interior de nave única é coberto por tecto de madeira, destacando-se no programa decorativo os retábulos laterais de talha de estilo nacional. O arco triunfal é gravado em toda a superfície com relevos de motivos geométricos e florões. A capela-mor é coberta por tecto de caixotões decorados com pintura de brutesco, no fecho dos quais foi pintado o símbolo da Dinastia de Bragança, tendo este conjunto sido realizado no período pós-Restauração. As paredes laterais são decoradas com telas alusivas ao Pecado Original e à Imaculada Conceição, "(...) que pela sua plasticidade técnica, de fraco teor regionalista, parecem situar-se no período joanino." (Idem, ibidem, p. 66). Ao centro da capela-mor foi edificado o retábulo de gosto maneirista, num modelo de estrutura arquitectural de linhas chãs. Este conjunto retabular de talha dourada, decorado com relevos de motivos grotescos, integra cinco tábuas a óleo com temática alusiva à Vida da Virgem. As pinturas dividem-se pelos dois registos do retábulo, dispondo-se à volta da imagem de Nossa Senhora da Paz, colocada no nicho central. Ladeando a escultura foram colocadas a Visitação e o Aparecimento de Cristo à Virgem, correspondendo-lhes no registo superior a Imposição da casula a Santo Ildefonso, a Adoração dos Pastores e a Virgem com o Menino. Desconhecendo-se o autor das telas, executadas cerca de 1630, este conjunto de pintura maneirista de cariz regional, com uma "(...) linguagem de ambivalência entre o culto mariano e a contextualização filipina" (Idem, ibidem, p. 56), apresenta uma notória influência dos modelos tardo-maneiristas executados à época em Lisboa.»

A merecer avaliação e inventariação o espólio desta capela, fotografado e devidamente seguro, um dever como bem merece!

Livro de 1996 da Confraria de Nossa Senhora da Paz
Autoria do historiador Dr Manuel Augusto Dias. Com o apoio da Câmara Municipal de Ansião
«Baseado nos documentos que esta Confraria possui, teve o mérito de dar a conhecer muitos fatos da história desta Associação, que doutro modo jaziam apenas nos arquivos.»
Blog Viajando no Tempo do Dr Manuel Augusto Dias
«A Irmandade de N.ª Senhora da Paz foi erigida numa conjuntura particularmente difícil, como foi a do século XVII (tempo de guerras, fomes e pestes), e é, quase sempre, em momentos de grande sofrimento que a religião, a fé e os milagres assumem particular relevância na mentalidade e comportamento populares. Aliás, a religiosidade popular da época, conhecia um florescimento do culto mariano, não só em Portugal, como em Espanha e na França. Um pouco por todo o País, o culto a Nossa Senhora ia-se generalizando em torno de pequeninos templos que veneravam N.ª Senhora, sob diversas invocações. O nome de Maria, que chegou a ser evitado no baptismo por escrúpulo, começou a ser adoptado como homenagem à Mãe de Deus, por especial devoção das pessoas mais dedicadas ao seu culto. Em 1623, precisamente na data em que se erigiu a Confraria de Nossa Senhora da Paz da Constantina, o Papa Urbano VIII, confirmou a Instituição da Ordem Militar da Conceição da Virgem Imaculada que, 17 anos mais tarde, a 8 de Dezembro de 1640, D. João IV coroaria Rainha de Portugal e se tornou, também, a padroeira da paróquia de Ansião. Assim se compreende melhor, a expansão que esta Confraria conheceu no século XVII, tendo como confrades inscritos, pessoas de toda a região centro, mormente da área demarcada pelo rio Mondego ao Norte, e pelo rio Tejo ao Sul, se bem que haja também pessoas, embora em muito menor número, de terras do Alentejo, e de localidades a Norte de Coimbra. Em torno da devoção a N.ª Senhora da Paz, milhares de pessoas foram em peregrinação à Constantina, ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Nos finais do século XIX, com a retirada das feiras pela Câmara de Ansião, que as transferiu para a vila (sede do concelho); e, na segunda década do século XX, com o fenómeno de Fátima - a escassos 40 Km de Ansião - o santuário mariano da Constantina entrou em decadência acelerada, perdendo quase toda a resplandecência de outrora. Hoje, a capela mantém a imponência dos tempos idos, mas a Confraria é pobre, sobrevivendo da cotização dos seus membros; dos superavits que resultam das festas que os mesários da Confraria continuam a organizar, anualmente, à Senhora da Paz e a Santo António; do dinheiro que cobra pelo acompanhamento dos funerais daqueles que não são seus confrades ou das respectivas famílias; e de uma ou outra iniciativa, de entretenimento ou afim, levada a cabo exactamente com o objectivo de angariar alguns fundos.»
Padre Manuel Ventura Pinho
« Na Página da Igreja de Ansião no Facebook nunca é demais enaltecer o autor do livro, porque vem dar a conhecer a alma destas boas gentes que vivem à sombra da Senhora da Paz.
Quando, em Outubro de 1985, visitei pela primeira vez a capela de N.ª S.ra da Paz, logo me apercebi de que tinha sob os meus olhos um legado precioso, cuja grandiosidade não tinha par nas capelas do Norte do Distrito de Leiria. Um conjunto arquitectónico muito agradável, basta riqueza de talha dourada e policromada e pinturas artísticas em grande número. Quanto a estas, parecia que por ali tinham passado há uns anos os vândalos ou então ainda estavam como as tinham deixado os franceses na sua fúria destruidora de há quase dois séculos. Em conversa com algumas pessoas que me acompanhavam, soube que muitas diligências já tinham sido feitas para encontrar remédio para o mau estado do conjunto artístico, mas que todas as portas se lhes fechavam.Deixei palavras de esperança e quando cheguei a casa fui consultar enciclopédias e livros de arte para ver se havia referências a esta Capela da Constantina e deparei com a seguinte frase do Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Leiria, dirigido por Matos Sequeira e já publicado em 1955: "O sacristão disse que o templo estava muito desmoralizado, e os inventariantes estiveram de acordo".
Falei com algumas pessoas conhecedoras e tentei que fosse encontrado alguém capaz de restaurar, com qualidade, altares e telas. Na Cúria de Coimbra foi-me dito que havia um senhor que já tinha restaurado algumas telas para a Casa Episcopal e que o Sr. Bispo tinha gostado do seu trabalho.
Pedi orçamento ao restaurador e logo a Mesa da Irmandade me disse que o Sr. João dos Santos, residente em Aveiro, mas daqui natural, oferecia a totalidade do custo. E, em poucos meses, o estado da Capela-Mor era outro. O Sr. João dos Santos mandou avançar com o restauro dos altares, e aqui, onde menos se esperava, é que apareceram muitas dificuldades em arranjar alguém competente. A obra chegou a estar entregue, mas o restaurador acabou por se negar a fazê-la, apesar de a Mesa da irmandade ter acedido a todas as novas exigências que ele ia fazendo. Até que, passados alguns anos, se entregou o trabalho dos dois altares laterais à Escola Superior de Tecnologia de Tomar, que está agora a ultimar o último destes altares. O Altar-Mor e talha lateral aguardam a sua vez.
Achei que tinha interesse fazer esta resenha da história mais recente desta Capela, porque por ela se vê que as sucessivas Mesas da Irmandade de Na S.ra da Paz e o Povo da região da Constantina nunca perderam o sentido da riqueza espiritual e cultural deste santuário e foram fazendo o que estava ao seu alcance para o conservar.»
1.ª página do Alvará Régio de Filipe IV  de 30.10.1624
«Eu El Reyfaço saber aos que este Alvará virem que os officiaes da confraria da nossa senhora da paz do Lugar da Constantina na freguesia de Ansião termo da cidade de Coimbra me emviarão dizer por sua petição que a dita comfraria hia em grande augmento por causa das grandes maravilhas e mylagres que a Virgem nossa senhora obrava cada dia e pêra que o serviço da senhora se podesse conservar e se fizesse com a perfeição que comvinha ordenarão por comum consentimento de todos o Compromisso que oferecido o qual corregedor e provedor daquella comarca vira e aprovara como constava do assento que disso sejizera Pedindo me lhes fizesse merçe de lho mandar confirmar, E visto seu Requerimento e a informação que se ouve pello doutor Diogo ferreira de Carvalho dezembargador da casa da suplicação que vio o dito Compromisso e he o atras escrito em onze meãs folhas como esta e querendo lhes fazer graça e merçe hey por bem e me apraz de lhes confirmar como de feito por este Alvora confirmo hey por confirmado o dito compromisso na forma e nossa maneira que neíle se contem e quero que assise cumpra eguarde como nelíe se declara e mando a todos os dezembargadores, corregedores, provedores, ouvidores, juizes, justiças officiaes e pessoas a que o conhecimento disto pertencer que assi o cumprão e guardem ejaçam inteiramente comprir e guardar. E me praz que valha tenha Jorça e vigor como sejbra carta Jeita em meu nome por mim assinada sem embargo de ordenação do segundo Livro titolo corenta em contrario Pedro Alvarez o fez em Lisboa a trinta de Outubro de mil seiscentos e vinte e quatro. Manoel Jugundez o Jez escrever.
Segue- se a assinatura de Filipe IV do Alvará que Vossa Magestade he por bem de confirmar aos officiaes da confraria de nossa senhora da paz do Lugar da Constantina freguesia de Ansião termo da cidade de Coimbra, este Compromisso na forma que nelle se contem pello mandado acima declarado. Seguem-se duas assinaturas».
Primeiro Compromisso da Confraria da Constantina 
«CAP.° 1 do Recebimento dos Irmãos nesta Confraria
Todos os Fieis Christãos; que por serviço de Nossa Snrã da paz se quizer meter por irmão desta sancta Confraria será assentado no Livro della, e dará cada hum de entrada conforme sua possibilidade, que a menos será de cada hum vinte reis e sendo pobre dez reis, e quando falecer deixe a dita Confraria de seus bens o que quizer, e será participante em todos os benefícios que o Senhor Deos e o Padre Sancto o Papa nosso Senhor outorga aos confrades que nesta confraria entrão
CAP.° II da pena que averão, os que não aceitarem o Serviço da Confraria
Ordenamos e estatuímos, que cada hum dos ditos irmãos que sair por official desta Confraria se não escuse do cargo que lhe for lançado e aquelle que o recuzar sem legitimo impedimento pagara sinco arráteis de cera se for mordomo ou Escrivão, mas se for Juiz dez arráteis de cera em pena de não aceitarem o serviço da dita confraria.
CAP.° III da ordem que avera no dizer das Missas
Nesta Confraria como dito he avera hum Juiz, dous mordomos, hum Escrivão, e hum Cappelão o qual dirá missa pellos irmãos confrades e benfeitores desta Sancta confraria, e caza e vivos e defunctos, todos os dias de Nossa Snra que ha pella roda do anno, e Domingos e Sanctos delle e assi mais os primeiros Domingos de cada mes se dirá nua missa em memoria dos doze Apóstolos de Christo para que roguem a Deos por nós pecadores tudo a custa da Confraria, e os officiaes que servirem darão candeas ou vellas aos confrades que terão acezas em suas mãos, emquanto estiverem a dita missa e o Capellão antes do Prefacio ao tomar do lavatório será obrigado a dizer pellos vivos e defunctos e benfeitores desta caza a oração do Padre nosso, e Ave Maria, e os confrades prezentes o rezarão também pedindo ao Senhor Deos haja por seu Sancto serviço aver misericórdia das almas de nossos irmãos e confrades vivos e defunctos.
CAP.° IIII Como por ordem do Juiz se mandarão dizer as missas 
O Juiz terá cuidado de mandar dizer as missas sobreditas para que a Senhora seja bem servida e assi tudo o mais que he bem parecer, conforme a possibilidade da dita confraria e para honra de Deos e de nossa Senhora e proveitos de nossas almas e dos defunctos.
CAP.° V que o Juiz que se elleger tenha as partes que se requerem
Na elleição do Juiz se terá muita consideração para que se elleja pessoa que tenha as partes que para o dito cargo se requerem: e a mesma se terá na elleição dos demais officiaes, e ao fazer delles se lerá este capitulo aos cabiduães que os hande elleger
CAP.° VI de como se ellegerão os seis cabiduães, e os mais offíciaes que hande servir a Confraria
Mais ordenamos que em cada hum anno se ellejão primeiramente seis homens dos irmãos da Confraria de boa e sam consciência e fama que sejão Cabiduães elleitores e que estes ellejão os ditos offíciaes como dito he, e o Juiz Velho da confraria lhe dará juramento para que bem e verdadeiramente sirvão seus offícios, que na dita Confraria me forem dados guardando primeiramente o Serviço de Deos e de Nossa Senhora e bem do prol commum segundo suas consciencias: estes seis homens se hande elleger em cada hum anno pello dia de Nossa Senhora da Paz para a dita elleição como dito he.
CAP.° VII da obrigação dos mordomos e como terão em seu poder as pessas e ornamentos da Confraria
Ordenamos que os mordomos que servirem e ao diante forem terão em seu poder todas as pessas ou prata e mais ornamentos e as demais couzas da Confraria que se terá dentro em hum caixão que mandarão fazer para terem as cousas sobre ditas da Confraria e terão muito cuidado e lembrança destas e de todas as mais cousas que lhe pertencem convém a saber de mandarem pedir para as missas de Nossa Senhora e suas obras na qual igreja e hermida avera alem disso huã caixa para nella os Romeyros e fieis christãos deitarem esmola para as obras de Nossa Senhora a qual terá duas chaves com boas fechaduras differentes-huã das quaes terá o Juiz da dita Confraria e outra hum dos mordomos e isto em quanto servirem o seu anno e terão muito cuidado de mandarem fazer, e pôr em recado todas as cousas que pertencem a Confraria e de as mandar fazer e comprar cada huã em seu tempos sob penna de pagarem de suas cazas a Confraria tudo aquillo que por sua negligencia ou culpa se perder; e de tudo o que Receberem e despenderem lhe será tomada conta pello Juiz e officiaes que de novo entrarem a servir a Senhora da Paz, a qual darão tanto que acabarem de servir seu anno dentro em quinze dias ao mais tardar, sob penna de mil reis para a cera e obras da Confraria.
CAP.° VIII como as cousas da Confraria se arrendarão ou arrematarão
a quem por ellas mais der
Todos os bens que ouver da Confraria se arrematarão em pregão a quem por elles mais der e o que Renderem se carregara em termo apartado no livro das Receitas desta Confraria.
CAP.° IX de que avendo duvida na elleição se ellegera por votos de
toda a Irmandade o Capellão
Ordenamos que avendo duvidas entre os seis elleitores Cabiduães, Juiz e officiaes da Confraria sobre a elleição do Cappellão dela, se ellegera a mais votos de todos os irmãos e confrades para que não aja scandalo entre os officiaes e se faça o que for mais proveito da Confraria porque assi entendemos será a Senhora mais bem servida.
E Porque de todo o conteúdo neste Compromisso somos contentes Pedimos a Vossa Magestade nos faça merçe de o mandar confirmar e mandar que o Juiz da dita Confraria tenha poder e auctoridade para obrigar ou executar nas pennas sobreditas aos irmãos que não quizerem aceitar os cargos e officios que nesta Confraria da Senhora da Paz lhe forem dados, E, R, M.»
In “O retábulo-mor da Capela de Nossa Senhora da Paz 
No lugar da Constantina”de Filomena Malva
O Retábulo Tardo-Maneirista de Constantina
«O presente trabalho monográfico de Filomena Malva dedicado ao recheio artístico de um pequeno monumento do Concelho de Ansião, a Ermida de Nossa Senhora da Paz em Constantina, assume-se como uma oportuna lição de (e sobre) História da Arte portuguesa, que não só reabilita os valores patrimoniais de um imóvel ainda hoje muito esquecido, como contribui para ampliar o nosso conhecimento sobre a conduta dos mercados regionais durante a Contra-Reforma e o tempo de dominação castelhana.
Nessa perspectiva, deve louvar-se, antes de mais, a coragem da autora, que não temeu aventurar-se na abordagem de um edifício sobre o qual era quase nula a bibliografia (com a única excepção de uma referência marginal do Inventário Artístico de Portugal da Academia Nacional de Belas-Artes, no tomo de 1955 respeitante ao Distrito de Leiria), e sobre cuja história poucos dados documentais estavam disponíveis.
Agora, fruto do estudo histórico empreendido a respeito dos diligentes mesários da Confra-ria de Nossa Senhora da Paz, pode esclarecer-se melhor o percurso e as diligências empreendidas pelos membros fundadores da irmandade no sentido de dotarem o templinho com um programa artístico adequado às exigências didascálicas do seu preciso tempo: o culto de Nossa Senhora da Paz como imagem de identidade do sítio, o dispositivo ideológico da narrativa como imagem tridentina á fidelidade aos valores católicos estabelecidos, e a imagem adoçada da Contra-Maniera como veículo para um discurso de alinhamento com a situação política da União Ibérica. Assim, o retábulo da Ermida de Nossa Senhora da Paz em Constantina (Ansião), a peça mais aprimorada do conjunto pela qualidade do entalhe de raiz serliana e pelos acertos das cinco pinturas integrantes, obra de uma ignorada oficina tardo-maneirista acaso de Coimbra, constitui um interessante testemunho dessa arte de raiz oficial, tridentina e integracionista, que chega a incluir uma destacada representação de Santo Ildefonso, patrono das Espanhas, rara na nossa iconografia seiscentista, e outras receitas iconográficas de não-perturbado alinhamento iberista. Como sucede, de resto, em muitos outros retábulos portugueses da primeira metade do século XVII, no essencial avessos à modernidade do novo figurino barroco, tão-só balbuciado numa ou noutra solicitação ao penumbrismo...O retábulo que aqui se estuda e cujo programa ideológico se reconstitui (infelizmente sem dados precisos sobre os seus autores de talha e de pintura) não será, convenhamos, uma obra de superior qualidade - antes um produto de Maneirismo tardio, e regionalista, dotado de uma certa dimensão cultural periférica -, mas é nessa esfera que ele se impõe como documento artístico preciso, como acertadamente a autora põe em destaque, à luz dos valores que a Confraria estabe-lecera como seus. Sobre o mestre entalhador, é possível que possa ser ligado ao pequeno mundo oficinal de Simão da Mota e de outros artistas e artífices actuantes no aro de Coimbra. Sobre o mestre pintor, se revela artista informado, razoável conhecedor de estampas maneiristas italo-flamengas, e dotado de certa dimensão deformadora dos cânones e formas (veja-se o Cristo com as varas da Justiça do primeiro registo, na edícula esquerda do andar principal) reflecte o mesmo espírito de algumas oficinas tardo-maneiristas conimbricenses (Álvaro Nogueira, Pedro Alvares Pereira, etc), cujas obras se conhecem, assim como de alguns "ateliers" de Leiria e Santarém (como o Manuel Lampreia da Mata), sem que possa ainda haver uma certeza sobre a sua exacta identidade, à míngua de correlativos estilísticos e de documentação precisa. Mas fica a nota, esclarecedora, de paralelos artísticos, fruto de uma investigação bem organizada, que se estende ainda à iluminura do Compromisso original, e a outros elementos decorativos da própria ermida.
Um bom trabalho de História da Arte e um contributo para a revalorização desse património artístico ainda obscuro, eis o que Filomena Malva propõe nesta sua leitura analítica sobre uma peça que as condicionantes do isolamento e a desmemória sobre os lugares recônditos do país tornaram uma verdadeira relíquia do esquecimento. 
Vitor Serrão (Professor de História de Arte da Faculdade de Letras de Lisboa
O retábulo da Capela-mor da Constantina (III)
«Numa leitura que seguimos, pela colocação e pela mensagem que traduz - "IUSTITIA ET PAX OSCVLATAE SUNT"-, a exposição pictórica da Virgem com o Menino ao Colo é bem reflexo da concepção naturalista na largueza dos paisagísticos antuerpianos na representações vegetalistas. A composição geometrizante das personagens, cujo debuxo obedece aos programas das gravuras (que neste caso nos parece ser a de um gravado segundo Guido Reni), traduz um vocabulário maneirista bem apreendido na concepção das mãos, mas inábil no posicionamento amaneirado da perna da Virgem. O seu rosto santificado, por expressão de um forte vocabulário moralesco, parece vir mesclar-se com as quedas de água que, segundo cremos, simbolizam o milagre ocorrido no Lugar da Constantina numa expressão de interiorização do artista com o meio ou numa petição dos encomendantes que aí reflectem o acolhimento dos seus anseios político--religiosos reforçados pela legenda, atrás referenciada, onde o Menino traduz a "Justiça e a Senhora a "Paz".»
«Do lado esquerdo está o interessante quadro representativo da Adoração dos Pastores sob a presença da Virgem e S. José, segundo padrões iconográficos persistentes. 0 traçado desta composição está em consonância com as linhas diagonais que induzem o espectador a fundos paisagísticos, penetrando com as suas "touches" lumínicas na intimidade da cena onde está inclusa a rígida e intrigante imposição do pastor do bordão. Esta obra, quando confrontada com as dos maneiristas que versam o mesmo tema-Campelo (tábua torrejana do Convento de Santo António, e mural do Refeitório de Santa Maria de Belém), Simão Rodrigues (Convento de São Domingos de Elvas), da parceria deste pintor e Domingos Vieira Serrão (Igreja de Nossa Senhora do Carmo e Capela da Universidade de Coimbra) passando pelas pinturas teixeirianas de Alcochete e de Figueiró – reflecte uma pessoal intencionalidade do pintor em tomar aquele figurino como o conivente interlocutor da simbologia existente entre as quedas de água e a Virgem, relevando-o pelo cromatismo e pela escala das composições do bordão e humana num contraposto incorrecto e fisionomia de esgares mal concebidos, limitações do autor no domínio de técnica e de signos pictóricos.Na continuação do estudo analítico do quadro sobreleva-se o aspecto bem vincado de naturalismo tenebrista, baseado nas raízes sevilhanas, que confere ao conjunto harmonioso das personagens, de forte tratamento do claro-escuro, um papel secundário em prol das fortes modelações lumínicas que divergem em gradações sequenciais da Virgem, modelo garbosamente rural, ao Menino, enaltecendo-a num brilho diáfano tradutor da pintura de circa 1600.19. Do cotejo que fizemos sobre o formulário global do quadro concluímos que o mesmo está bastante adstrível ao gravado do flamengo Cornelis Cort, de 1568 20, muito difundido pelas receitas do movimento maneirista, que os virtuosos epígonos de Campelo assumidos com a ideologia pós-tridentina, fizeram transparecer num vocabulário de estética de composição austera e mais despojada de elementos classicizantes. Nesta singularidade de linguagem pictórica o pintor da Constantina fez jus a esse vector, cumprindo a petição religiosa da Confraria da Nossa Senhora da Paz reiterada pela legenda TERRA PAX HOMINIBUS", e ao discurso laudatório da modernidade estética pelo tratamento da aparência dos figurinos e clareza dogmática dos princípios contra-reformistasl Esta representação imagética busca-se como o princípio e o fim da epifania do proto -barroco no conjunto retabular da capela.»
«Distanciada, a Virgem entrega a "dalmática" numa aproximação entre o celestial e o terreno. O tratamento artístico da casula, do báculo e da mitra traduz uma minúcia de pormenor detalhadamente naturalista, e remete para segundo plano as incorrecções que mãos intrometidas repintaram no manto da Senhora.
A cena descreve-se numa ambiência intimista, só quebrada por um arco de volta inteira que comunica com o exterior deixando vislumbrar uma "loggia" encimada por uma coluna perspectivamente mal concebida, e deixando penetrar as nuvens que o tratamento de luz e sombra concretizam.
O rigor da composição geométrica obedece ao novo formulário gramatical proto-barroco, pelo traçado de diagonais que se entrecruzam sobre o escapulário, numa concepção mais alargada do espaço, e permitem pontos de fuga que o artista perspectivou, conferindo fortes pinceladas lumínicas que dimanam da Virgem e se reflectem no cromatismo da casula, contrastando com o escuro das sombras da parte anterior dos panejamentos e dos fundos arquitecturais
A sua leitura iconográfica, contextualizada num momento de revigoração do culto mariano pós-tridentino na União Ibérica, refere-se à Imposição da Casula a Santo Ildefonso, governador da arquidiocese toledana de 657 a 667 pela sua diversificada actuação no âmbito da participação no VIII e IX Concílio de Toledo (ainda abade), de poeta, de orador e de teólogo inflamado na retórica que buscava os princípios ao Livro das Escrituras.»
Altar Mor

Imagem de Nossa Senhora da Paz
Explica-se a antiguidade da Imagem da Senhora da Paz esculpida de belos olhos negros, grandes e doces, nariz afilado e lábios finos ornada de farto cabelo preto e mãos compridas ao jus dos genes dos mercadores Fenícios de sangue judeu radicados em Portugal  para ter sido a musa inspiradora do santeiro uma bela mulher com genes fenícios de Coimbra, o mais provável .O povo da Constantina quando ampliou a pequena ermida na capela e sem ter Imagem adequada para pôr no altar e sabendo que havia uma Imagem na sacristia da matriz de  Ansião o povo a veio buscar num episódio rocambolesco no relato de Severim Faria « foram de noite para os ansos não se darem conta, pois eram muito ligados a esta Senhora...Em verdade a  Imagem de Nossa Senhora da Paz foi mudada para a nova sacristia da Igreja de Ansião depois de 1593, tendo sido espólio da matriz primitiva sita no actual cemitério, em roca, escura, a reportar para possível incêndio a ditar o abandono do primitivo burgo para depois na Constantina o povo a mandar pintar.
Se a primitiva Igreja tinha pelo menos uma idade de mais de 334 anos teria sofrido danos na estrutura com o terramoto de 1531 para anos mais tarde um incêndio, atendendo àquele tempo apenas o uso de iluminação por velas se atender que a Imagem de Nossa Senhora da Paz fez parte do seu espólio a vir ser pintada pelo povo da Constantina . E ainda a Senhora do Ó  foi esculpida em Coimbra à semelhança da Imagem da Rainha Santa nascida em 1271 e falecida em 1336 onde era habitual a sua estada na cidade.
Padre José Eduardo Coutinho no seu Livro de 1986 sobre o episódio recambolesco da vinda do povo da Constantina a Ansião para vir buscar a Imagem nada refere, apenas deu ênfase « do milagre da fonte e  que a Constantina tinha uns 50 vizinhos e era local de romarias» em que os autores do Património Religioso fazem alusão «este bonito templo, rico pela sua história e pela sua arte pictórica que ostenta, está em vias de classificação».

Livro
Dois anos após o Milagre já corriam longe as tamanhas virtudes chegando aos ouvidos do Chantre de Évora que em 1625 decidiu fazer uma viagem para visita de santuários na região centro.
Título do Livro: Manuel Severim de Faria e a sua ida a Maçãs de D. Maria
Autor: Ricardo Charters d’Azevedo
«(...) Manuel Severim de Faria, clérigo nascido em Lisboa, respigando o que outros autores escreveram mais ou menos desenvolvidamente sobre ele. Apesar da sua actividade intensa como sacerdote, historiador, arqueólogo, numismata, genealogista e escritor, incide-se especialmente na sua faceta de cronista de viagens, em particular nas páginas 146 e 147a viagem que fez na companhia do tio Chantre de Évora, de onde partiram e aonde voltaram, para conhecer os santuários da Nazaré, Ansião ( Constantina) e de Nossa Senhora dos Covões em Alvaiázere , sendo que depois de Tomar passaram por Ceiras, narrando a forma como foi recebido em "Maçans de Dona Maria" onde pararam em casa  da sua  irmã alegremente e regalados com contínuos banquetes de diuersas iguarias assi de carnes como de fruitas e pescados" . (...) afirma que a Vila aem Agosto de 1625, tem 27 vesinhos e posta em hum pequeno monte donde fica muito descuberta aos ventos, que nela naõ faltaõ. Tem muitas e boas fontes, he bastantemente abundante de fruitas, assi sedo como do tarde, os edifícios são pobres, a comenda della possue hoje D. Cristóvão Manoel, em cuja casa estivemos, 3 feira que foraõ 12 d’Agosto partimos para Nossa Senhora da Paz, que he hua Igreja fabricada de dous annos para qua no termo da Villa de Ansiaão no lugar de Constantina, que será de 50 vesinhos pouco mais ou menos. Era esta igreja antigamente uma pequena ermida  e porque estava falta de imagem pedirão aos d’Ansião lhe desseest a  senhora, que eles tinhaõ na Samchristia, por ser perceito do Bispo, que não tevessem mna igreja imagem vestida. Comsedeosele aos da Constantina o pediaõ. Porem  pela muita devoção que os moradores da vila tinhaõ a esta Senhora foi necessário trazerem a Imagem de noite por evitar algûa repugnância, que os  Ansos de Ansião podiaõ fazer se se viraõ despoiados deste tesouro dispois de hum anno, que hauia a Senhora estava nesta hirmida aconteceo, que hum mininodo mesmo lugar sonhou que no milho que o pai tinha semeado, nu secco areal lhe dava Nossa Senhora da Paz hua fonte aonde com fé viva se foi pella menham a cauar com asmaõs no lugar em que sonhava e fez verdadeiro, o que todos a quem elle contava o sonho tinha por impossível por ser o lugar em que a fonte saio hum sequíssimo areal e pella mesma razão incapaz de poder ter agoa dentro de si, quis mostrar a Senhora com muitos Milagres que era obra sua por a fama da fonte santa que todos lhe deraõ este nome, acudiraõ muitos géneros de cegos e aleiiados e todos com selavarem com ágoa foraõ saõs, começaraõ todos a fazer esmolaem tanta copia que em menos de hum anno depois do milagre se fez hua Igreja muito grande na qual mandaraõ por as mortalhas muitos que estavaõ para morrer, e outros ia amortalhados, e por intercessaõ desta Senhora forão livres da morte, em sinal de agradecimento da merce recebida, e saõ as que saõ ao presente na Igreja 140, fora outras muitas vendidas, e outras que estão em casa dos moradores. Succedeo este milagre a onze de Agosto de 1623. Chegamos  a Constantina as 8 horas da menham, enquanto se aparelhou a missa fomos visitar a fonte que he hum buraco aberto no areal, e diante tem feito outra pedra, para a qual vem a agoa da fonte milagrosa. Tornaminos a Igreja a sestear aonde ouvimos supicas de vários passageiros feitas a mesma Senhora, depois de passada a calma que naõ foi este dia pequena nos pusemos a caminho, que por ser todo de pedra, e cumprido, chegamos de noite a casa aonde se passou o dia seguinte sê hauer cousa de novo ao outro que foi quinta feira e trese do mesmo mês partimos em Romaria a Nossa Senhora dos Covoes hua legoa distante da Comenda, passase o caminho por Alvaiasere villado marquez de Ferreira (...).»
Curiosidade
A Imagem da Nossa Senhora da Paz e a Imagem da Igreja Matriz a Nossa Senhora da Conceição são Imagens em roca cuja semelhança se possa aventar com segurança fizeram parte do espólio da Igreja primitiva sita no actual cemitério, vulgarmente chamada por Igreja Velha. E também a Imagem da Senhora do Ó em pedra que praticamente ninguém a conhece, maravilhosamente bela e grandiosa, apesar de falta de algum restauro, nomeadamente nos olhos.Alta, com mais de um metro, o que me pareceu quando me foi dada a oportunidade de a conhecer, apesar de estar bem guardada a sete chaves. Não registei foto, embora me fosse autorizado com a recomendação de não a poder publicar, pelas circunstancias que à partida se reconhecem . Optei por não tirar.Segundo o Sr Bispo não há altar na matriz para a suportar. Mas há espaço condigno e seguro na matriz se houver vontade e empenho. Actualmente a porta sediada a norte cuja serventia aparente a cómodos apensos à igreja seria a meu ver aposta do local ideal para ali ser instalada uma ala museológica para mostrar o espólio de Imagens em reservas depois de encontrarem Mecenas para o seu restauro. E guardadas por gradeamento dourado adequado como se encontra noutras congéneres. A Imagem encontra-se bem esculpida, mui delicada com pormenores requintados nas nervuras do manto a ornar a cabeça e o traje do corpo ao jus da semelhança que reconhecemos em qualquer  Imagem da Rainha Santa Isabel  fechado acima do peito por pregadeira e com cinto de predarias a marcar a cinta em que na Senhora do Ó se mostra de lado pelo ventre com a Senhora de mão aberta em carícia ao filho, é magnânima! Diz-nos ainda que foi esta Imagem muito mais antiga que inspirou os santeiros para esculpir a Rainha Santa Isabel à sua semelhança e não o contrario.
Segundo o meu bom amigo Renato Freire da Paz « esta Imagem das senhoras gravidas teve inspiração na Isís no Egipto, inspiradas em cultos mais antigos, o que não invalida a evolução da huumanidade na direção a Deus . Na igreja do castelo de Montemor o Velho também existe uma.»
Estandarte de Nossa Senhora da Paz
Procissão das velas  
Da capela da Constantina para a capelinha da Fonte Santa e vice versa
Filarmónica de Ansião 
No seu esplendor com o Maestro Simão Castela, um jovem promissor com muito mérito 
A capela também celebra festa em honra de Santo António
Vista da frontaria da capela
De facto a capela é um belo exemplar que outro assim não há igual nas redondezas, absolutamente grandioso pela volumetria, pelas pedras, pelas colunas e pelo interior riquíssimo.

Alpendre com colunatas a lembrar a arquitectura romana
Lajeado no átrio do alpendre
Apresenta marca da fogueira deixada na passagem pelos desertores franceses da 3ª invasão depois de perdida a batalha do Buçaco na vez de se dirigirem para as Linhas de Torres para tomar Lisboa, fugiram pelas nossas terras matando, roubando e destruindo. Incendiaram a ermida de S.João das Lagoas e a do Senhor do Bonfim, ambas restauradas no século XX. fizeram fogueira aqui na Constantina, na Igreja da Misericórdia e na capela de Santo António ao Ribeiro da Vide, onde descobri as marcas.
No lajeado debaixo do telheiro  da capela da Constantina existe esta grande marca e outra dentro do corpo da capela segundo me confidenciou o "Fernando Paciência".
Falaram-me que foi nessa altura roubado um Menino Jesus em ouro...com versão que tinha sido enterrado, para as duas terem vertente válida porque no Rabaçal o povo enterrou as Imagens dos Santos no caminho na frente da Igreja, para só há uns 15 anos numa obra de esgotos ou água foram descobertas.Todos os instrumentos em ouro e prata que foram descritas pelo Padre Serra na centúria de 700 afectos às capelas foram todos roubados e arte sacra, a mais leve com andores.
 Portal da capela com nicho 
Em pedra que mereceu limpeza, parece novo
Vista sobre o adro da capela de Nossa Senhora da Paz
Foi objecto de obras de engrandecimento o adro em virtude do pedido de classificação como Imóvel de Interesse Público.Há anos que aqui não vinha devo confessar que as demais benfeitorias foram feitas com sentido  estético no bom gosto em nada fere o património.
Anexos de apoio às festas e confraria
De arquitectura simples sem chocar o património religioso onde foram colocadas pequenas colunatas à semelhança do alpendre da capela e ainda na frente um espelho em mármore debruado a calçada portuguesa. Bom gosto.
Canteiros com calhaus rolados 
A norte do adro o espaço foi ajardinado com canteiros a ser enriquecido com calhaus redondos de boas proporções  não sei onde os foram buscar,  Segundo as Memórias Paroquiais de 1758 "dá referência sobre o mármore da Lagarteira extraída das viagens histórico-naturais de Manoel Dias Baptista (...) a Lagarteira é sumariamente rica de excelentes mármores, que no ano de 1777 foi descoberta pelo celebre Mestre o Senhor Doutor Domingos Vandelli das quais me fez mercê de oito amostras, que remeto a esta Ilrissima Academia (...)" Domingos Vandelli foi um químico italiano que veio para a Universidade de Coimbra a pedido do Marquês de Pombal. 
Podiam optar pelo plantio de mais oliveiras podadas em copa redonda como agora é uso, afinal a única árvore que aqui não colide com nada e convive bem com este passado rico. 
Porta fechada para poente
Seria a entrada da primitiva ermida?
Escadaria para o sino 
Ao jus da que existe na capela da Venda do Negro
Sino datado de 1692.
 A Lenda da Fonte Santa
"Segundo a lenda, se deu a aparição da Virgem, em 11 de Agosto de 1623 junto de uma eira, sob a ardência dos raios solares, estava uma criança a brincar com umas flores campestres, guardando o milho que naquela eira seus pais tinham a secar. Recomendaram-lhe que não abandonasse a eira, mas a criança mortificada pela sede, esquece aquela recomendação e vem a casa pedir água. A mãe irada por a filha ter transgredido as suas ordens, não só lhe não deixou beber água, como a castigou e obrigou a voltar com sede para a eira. A pobrezinha lá foi chorando a sua desdita, e sentou-se na eira junto das flores colhidas já quase secas, como secos seus olhos estavam de chorar. Ninguém ouvia os seus gemidos, ninguém passava que a socorresse, e a infeliz não podendo por mais tempo suportar a sede que a devorava, lembrou-se de Nossa Senhora; ajoelhou, com as mãos erguidas, olhos fitos no céu-, aquele anjo depois de ter pronunciado as primeiras palavras da Ave Maria, vê junto de si, cercada de um resplendor imenso, a Rainha dos Anjos a dizer-lhe: «Não chores filha, procura nessa areia e encontrarás água.» A tremer, a criança, volve com as mãos a areia e encontra logo água cristalina com que matou a sede que a consumia. Poucos momentos depois, passaram por ali varias pessoas que ficaram admiradas de verem a criança a beber água num local onde bem sabiam não a haver horas antes, e interrogando-a, ouvem aqueles lábios juvenis que já sorriam de alegria, contar a milagrosa aparição de Nossa Senhora. A boa nova bem depressa se espalhou por toda a freguesia de Ansião e o povo correu a procurar naquela água remédio para as suas doenças, e levado de santo fervor mandou construir naquele lugar uma fonte de cantaria que é conhecida pelo nome de FONTE SANTA em que mandaram gravar a seguinte inscrição: «ESTA FONTE APPARECEU A 11 DE AGOSTO DE 1623» 
«Algumas pessoas mais devotas de Nossa Senhora lembraram-se de colocar no nicho da FONTE SANTA uma imagem da Virgem e encontrando uma nas ruínas da antiga igreja paroquial de Ansião, em S. Lourenço, mandaram-na pintar e no meio de grandiosos festejos para lá a conduziram e ali se conservou até à construção da capela da Constantina, onde hoje se venera o milagrosa imagem, sob a invocação de Nossa Senhora da Paz. 
Instituiu-se então naquela capela a Confraria de Nossa Senhora da Paz, em reconhecimento das mercês com que a mesma Senhora favorecia o povo da freguesia de Ansião e dos contínuos milagres por ela praticados. Os irmãos da confraria pediram ao Rei D. Filipe III confirmação para o compromisso que tomaram de velarem pelo culto de Nossa Senhora da Paz, de se amarem uns aos outros com verdadeira caridade cristã, socorrendo-se mutuamente nas suas necessidades e em louvor de Deus e da Santíssima Virgem reunirem os pobres na capela da Constantina uma vez cada ano e dar-lhes um bodo em memória dos finados. A Confirmação foi-lhes dada em alvará de 30 d’Outubro de 1624.Com o andar dos tempos arruinou-se a fonte e a água deixou de correr. Em Junho de 1905, devido aos esforços da Confraria de Nossa Senhora da Paz e por meio de subscrição entre o povo da freguesia de Ansião a fonte foi reparada e hoje como outrora na FONTE SANTA, corre a água cristalina com que os doentes vindos de toda a parte se curam dos seus padecimentos, e aos pés da Virgem da Paz, na sua capela da Constantina, todos encontram consolação para as suas mágoas, alívio para as suas dores e a esperança de pela sua intercessão alcançarem a felicidade eterna.»
Fonte Santa 
O nicho mostra-se muito pequeno para ter abarcado a Imagem e ainda sem haver proteção...

A base do Milagre foi a falta de água
A região é muito seca e árida de verão, a maioria dos poços eram de chafurdo e as ribeiras só correm com chuva de inverno.
O que me chama a atenção? A data da inscrição na Fonte é a mesma data inscrita no portal da capela da Constantina. Será que só durou quatro meses e meio a sua construção? Se a Virgem apareceu a 11 de agosto... «ESTA FONTE APPARECEU A 11 DE AGOSTO DE 1623». Não vi gota d'água!
A devoção a Nossa Senhora da Paz 
Começou no século XI em Toledo, Espanha.O nome "PAZ" advêm dos confrontos entre cristãos e muçulmanos expulsos, com o povo orando à Santa para a catedral, a casa de Deus, não voltar a ser profanada pelos infiéis, e por terem almejado o sucesso pretendido, a partir daí consagraram o fato à devoção da imagem de Nossa Senhora da Paz.
Senhora com muitos Milagres que era obra sua por a fama da Fonte Santa que todos lhe deram este nome onde acudiram muitos géneros de cegos e aleijados e todos os que se lavavam com aquela água ficavam sãos e começaram tantos a deixar esmola , passado menos de um ano depois do Milagre se começou a fazer uma ermida maior .
Em virtude da actual Capela de Nossa Senhora da Paz ter um aporta para ponte alvitre dizer que foi a entrada da primitiva ermida para no mesmo local altaneiro se edificar a capela com frontaria para sul, para onde em 1622 veio a Imagem de Nossa Senhora da Paz pertença da Matriz de Ansião que veio a originar na Constantina uma séria de acontecimentos milagrosos no local, o motivo da construção de uma capela maior para acolher os peregrinos.
Procissão à Senhora da Orada em Santiago da Guarda 
Em 1714, ano de grande seca aparece a referencia nas  Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas do Licenciado Padre Cura Manuel Mendes, pároco de Nossa Senhora da Orada, da paróquia de Santiago da Guarda, que o Sr. Padre Manuel Ventura Pinho actualizou a grafia do texto   «houve grande falta de água nesta terra, e pelas mais circunvizinhas, e da oitava do Natal até vinte e nove de Abril não choveu; fez-se nesta freguesia (da Orada) numa grande procissão, em que ia o Cristo da Igreja, a Nossa Senhora da Paz. Foram desta freguesia dezoito tabuleiros de trigo de oferta à Senhora. Ia muita gente acompanhando o Cristo, não somente desta freguesia mas das circunvizinhas todos a pedir água, por haver dela grande necessidade. Eu me ofereci a ir pregar de devoção, fomos tão bem sucedidos na nossa petição que quando dela viemos começam os ares a dar mostras de água, e naquela noite seguinte choveu por espaço grande e no dia seguinte todo o dia. Atribuímos que fora milagre da Senhora, e dali a nove dias fomos buscar o Cristo, em procissão com grande veneração, e naquele dia fizemos sermão à Senhora da Paz em acção de graças etc. e por verdade e lembrança para os vindouros fiz este acento hoje cinco de Maio de 1714.»
A primeira vez que admirei a Imagem de Nossa Senhora da Paz tão de perto para me deixar impressionada. Bateram os meu olhos nas suas mãos com dedos compridos, olhos grandes, doces e expressivos , boca de lábios finos, nariz comprido, cabelos negros de fio grosso e ligeiro encaracolar e ainda queixo pequeno. Supostamente foi em Coimbra que um Santeiro produziu esta obra tomando como modelo uma linda mulher  de ascendência judaica do clã com os mesmos genes dos meus ascendentes vindos da Fenícia, apesar dos cruzamentos e dos séculos, ainda hoje persiste em Ansião na família indivíduos de alta silhueta, olhos grandes, cabelos negros de mãos e pés finos e dedos compridos.
Casa do Capelão 
«Está escrito que a Confraria da Senhora da Paz pagava a um padre capelão para celebrar Missa pelo menos aos domingos e dias santos e conhece-se mesmo o nome de diversos capelães.
A tradição dita que a casa do capelão seria a  sua residência .Propriedade particular a viver em Lisboa,muito carecida de grandes obras.»
Se não lhe acodem a tempo, acaba como outros imóveis de interesse neste concelho.
Aposta interessante seria a sua aquisição para nela instalar um auditório/galeria para exposição de artes e espolio  que desejem ofertar para engrandecimento da terra e chamar o turismo.
A tradição dita que a casa do capelão seria a  sua residência . Trata-se de uma casa muito grande com janelas de avental  devia servir para hospedar outras pessoas que  vinham à capela e às feiras francas duas vezes por ano. Parece datar de 1731 que não deslindei.
 Se não lhe acodem a tempo, acaba como outros imóveis de interesse neste concelho.
Aposta interessante seria a sua aquisição para nela instalar um auditório/galeria para exposição de artes e espolio  que desejem ofertar para engrandecimento da terra e chamar o turismo.
Não tenho a certeza, ficaram de me confirmar nesta Casa  viveu uma família de apelido "Vaz" 
Teria sido Carlos Manoel Vaz falecido em outubro de 1928, cuja campa se encontra no cemitério de Ansião?Cuja sua 1ª esposa se chamava Constantina, com campa alta que se encontra na 1ª fila na entrada à esquerda do cemitério em pedra recentemente limpa.


A casa do capelão no alto sobranceira ao adro da capela
Achamento de pequena coluna
Em obras de remodelação da escada para o sino, apareceu há anos esta pequena coluna. 
Poderá ter sido da primitiva capela? Pode até ser romana? Segundo Ilídio Valente, também existe um lavatório em cantaria semelhante ao que se encontra na sacristia.
Confraternizações
No recinto do adro onde se faz o magusto dos irmãos da Confrariana na encosta visualiza-se uma pedra que parece de cantaria (?), a meu ver deveria ser avaliada e outras que supostamente poderão estar soterradas no local serem pertença da antiga ermida (?), seria interessante perceber a época que foi mandada construir.
Almoço onde distingo na primeira linha o Arlindo Moreira (Pirão) do Casal S. Brás casado com uma filha da terra a Graciana,  foi meu colega no Externato, em baixo o Fernando(Paciência) e na diagonal é um Paz
Vista para sul da rampa da escadaria
Há anos estava muito descarrilada com as raízes da oliveiras. Pareceu-me francamente melhor. 
 
Rua das Feiras Francas
Acta nº 10 da sessão de 7 de julho de 1892 
Cortesia da Dra Teresa Falcão da Biblioteca de Ansião
Tradução «José Lopes Vieira, José Simões, Manuel Leal Lopes, José Luiz Pinto Xavier Delgado como Administrador do concelho (...)Em seguida foi presente à comissão uma representação assinada por vários indivíduos, quase todos moradores nesta vila, pedindo-lhe a transferência das feiras que se costumavam fazer anualmente no lugar da Constantina, freguesia de Ansião, para esta vila. A câmara resolveu transferir para aqui as dictas feiras, onde deverão realizar-se nos mesmos dias em  que se realizavam na Constantina, o qual se deverá fazer público por editais; e para  não prejudicar os interesses da Confraria da Senhora da Paz, no mesmo lugar da Constantina pois que aquelas feiras lhe davam ali alguma receita para ajudar a fazer face às suas despesas, resolveu também incluir anualmente nos seus orçamentos, sendo necessário à referida corporação para custear as suas despesas, um contributo equivalente à importância que dantes ela lhe conferia.(...)»  A Confraria da Senhora da Paz da Constantina no século XVII com o intuito de ajudar na conservação da sua Capela granjeou duas feiras para suportar as despesas. Ao terem sido transferidas para Ansião por decreto camarário de 1892 , constata-se na acta o compromisso da câmara contemplar no seu orçamento o montante que a Confraria angariava anualmente nas mesmas. Assim sendo como se explica a ponto do “O Inventário Artístico de Portugal” de 1955 inserir a respeito o seguinte desabafo: «O sacristão disse que o templo estava muito desmoralizado, e os inventariantes estiveram de acordo.» 
Reflexão:Das duas uma - a câmara não procedeu aos pagamentos prometidos em acta, ou os fez durante algum tempo, sem se saber o destino que lhes deu o tesoureiro da Confraria! Seja óbvio que nos livros da Confraria estejam mencionadas as verbas ou a falta delas para se deslindar a explicação para num hiato de 98 anos em que a capela pouco ou nada recebeu de obras de benfeitoria. E ainda saber se a Confraria durante um  século tivesse alguma vez solicitado apoio financeiro à câmara para a reabilitar, uma vez que tinha perdido as receitas com as feiras, seria um pedido mais do que justo. O que parece e desculpem a franqueza houve falta de visão e determinação no comando da Confraria nesse tempo para se deixar tanto ano seguido sem valorizar o seu mais rico património, no mesmo agravo os párocos que passaram por Ansião apenas se salvou o Padre Manuel Ventura Pinho na primeira vez que a visitou logo enxergou o real património!
Na década de 90 
Graças ao empenho do pároco de Ansião Padre Manuel Ventura Pinho quando aqui veio imediatamente reconheceu o valor deste património religioso pelo que encetou o possível restauro do que era mais urgente. Fulcral a ajuda financeira dos grandes beneméritos, o Sr. João Pires e da sua esposa  sendo ele daqui natural, a viver na região de Ílhavo, filantropo, atestado na toponímia, com muita honra pela grande ação benemérita, mais que merecido.Falta prestar honras ao Sr Padre antes que se reforme em o igualar no mesmo mérito em Ansião de ver o seu nome atestado na toponímia.
O grande benemérito João dos Santos Pires
Foto retirada da Página do Facebook da Confraria de Nossa Senhora da Paz
Com o Sr. João dos Santos Pires com a esposa e os irmãos. Só lá falta uma irmã que está no Brasil e, naturalmente, a que faleceu em criança. Alguns dos irmãos presentes nesta fotografia também já faleceram. Retirei um enxerto «HOMEM, também natural da Constantina, deu boas ajudas monetárias às principais Associações de Ansião: Centro Paroquial, Santa Casa da Misericórdia, Bombeiros Voluntários, Filarmónica Ansianense, etc e há Capela da sua Terra (Constantina) ofereceu a restauração das telas da capela-mor e dos altares laterais, assim como pagou a maior parte do último restauro do largo e nova capela da Fonte Santa.O Sr. João Pires nasceu a 27 de junho de 1926 e faleceu a 1 de maio de 2011. Natural da aldeia da Constantina, foi o 2.º filho mais velho de uma irmandade de 8 filhos. Uma das filhas morreu de acidente quando ainda era criança.Após o grande ciclone de fevereiro de 1941, apareceram por cá uns homens da zona de Aveiro para comprar e levar algumas árvores caídas que davam para a construção de barcos de pesca. O João tinha então 14 anos e foi um dos trabalhadores assalariados para o corte dessas árvores e seu transporte. Esses homens gostaram tanto dele que pediram autorização aos pais para o levar para Aveiro. E lá começou bem novo a luta por uma vida melhor. Na Gafanha da Nazaré conheceu aquela com quem casou – Graciana Ramos Loureiro, dali natural – o que o fixou definitivamente a essas paragens. Mas nunca esqueceu a Terra de origem e a família. Depois de uns anos a trabalhar por conta de outros, estabeleceu-se por conta própria e acabou por criar a fábrica de tratamento e secagem de bacalhau – a FRIAVEIRO – na Gafanha da Nazaré, talvez a melhor no seu ramo. Fui um dia visitá-lo com mais dois amigos e encheu-nos o carro de bacalhau. E do melhor que comi na minha vida!
Era muito amigo da esposa e, como não tinham filhos, criaram um sobrinho como se fosse filho, sem contudo nunca esquecerem os restantes familiares. Se alguma associação de bem-fazer lhes batia à porta, nunca iam embora de mãos vazias. A esposa faleceu pouco depois dele, em 23 de julho de 2011. Havia nascido em 25 de janeiro de 1932.
A Confraria da Constantina está-lhes muito grata!»
Um grande filantropo!
FONTES
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/155603
Pagina facebook da Igreja de Ansião
Blog Viajando no Tempo  do Dr Manuel Augusto Dias
Wikipédia
In “O retábulo-mor da Capela de Nossa Senhora da Paz 
No lugar da Constantina”de Filomena Malva da Editora Serras de Ansião
Livro do Padre José Eduardo Reis Coutinho de 1986
Património Religioso do Concelho de Ansião de António Jesus Simões, Joana Patrícia Dias e Manuel Augusto Dias
Testemunhos; Padre Manuel Ventura Pinho e Renato Freire da Paz
Fotos da Pagina da Confraria de Nossa Senhora da Paz
Acta nº 10 da sessão de 7 de julho de 1892 
Livro Manuel Severim de Faria e a sua ida a Maçãs de D. Maria do Engº Ricardo Charters d’Azevedo
Memórias Paroquiais Setecentistas

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