segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Queijo denominado Rabaçal em terras do Maciço de Sicó!

A meu ver a designação correta deveria ser QUEIJO DE SICÓ

 
Queijo do Rabaçal 
Denominação comum que perdura nos tempos compreendida nos concelhos das abas da serra de Sicó: Alvaiázere, Penela, Ansião, Pombal, Soure e Condeixa a Nova .
É um queijo curado de pasta mole, semi-dura a muito dura. A arte em reconhecer este queijo com bastante qualidade com fabrico nas regiões antes assinaladas de terra rossa,  calcária, pobre, onde predomina um tomilho por aqui chamado erva de Santa Maria  ao ser ingerida pelos animais, o leite absorve o seu  travo especial  que vai caraterizar o queijo na mistura certa de leite de ovelha (3/4) com o de cabra (1/4) e o uso do cardo seco este o fabrico artesanal  bem cinchado com poucos ou nenhuns buracos  na massa branca  Salgados os queijos devem ser lavados dia sim, dia não, durante alguns dias, no meu tempo era com uma folha de figueira seguindo-se a cura por um período mínimo de 20 dias em tábua em arejamento.
Trata-se de alimento completo, rico em gordura, proteína de alto valor biológico, ácidos aminados, ácidos orgânicos, elementos minerais, especialmente cloro, sódio, cálcio, fósforo e vitaminas A, B2 e B1.
O melhor queijo é o do mês de abril.

Origem do passado o nome deste queijo
Segundo o Dicionário Enciclopédico, Lello Universal, editado pela primeira vez na década de 1930, com uma amostragem de uma foto de queijos, entre os quais o do Rabaçal, envolvido em corpo de cestaria.
Eça de Queiroz, tão atento a dimensões de identidade  pontua o queijo do Rabaçal na sua obra “A Cidade e as Serras”. Mas antes no século XVIII, o  Senhor do Rabaçal e Duque do Cadaval, recomendava ao seu foreiro, mais tarde Visconde de Degracias que lhe envia-se  “uns queijinhos do Rabaçal”.

Nome  Rabaçal  quando era produzido noutras terras limítrofes?
Julgo sob melhor opinar que a celebrização do nome Rabaçal lhe advêm do itinerário da carreira do Pereira Marques que partia todos os dias de manhã da garagem em Chão de Couce a caminho de Coimbra durante décadas o único transporte destas gentes por onde ainda hoje o percurso passa, e que as queijeiras das imediações do Rabaçal , sobretudo Zambujal, souberam tão bem aproveitar como modo de escoamento dos seus queijos para suprir o seu sustento na venda no mercado diário de Coimbra. Tantas foram as vezes que também apanhei a carreira, mal chegada ao Largo do Zambujal havia sempre mulheres de pé com canastras no chão tapadas com panos brancos, apressado o cobrador subia com elas nas mãos para o tejadilho da carreira - difícil esquecer os cheiros...
Paragem da carreira na Portela de Coimbra
Mal chegadas à baixa Coimbrã as mulheres com rodilhas à cabeça carregavam as canastras em correpio apressado na direção do mercado onde montavam a banca e começavam os pregões ...
" bom queijo curado e meia cura do Rabaçal" 
" oh freguesa veja os meus queijos".
" queijinho fresco" a clientela questionava a proveniência delas, de onde vinham -, as queijeiras respondiam a pensar no paladar, no travo que as pastagens de tomilho confere ao queijo uma distinção especial - de boca cheia respondiam "queijo do Rabaçal minha senhora" por ser a terra mais sonante em detrimento doutras: Santiago da Guarda, Junqueira, Alvorge, Ribeira de Alcalamouque, Penela, Pombalinho , Cotas e,…
                                      Gosto de saborear o queijo em fatias finíssimas...  
A fermentação
Tem uma série de rituais de que, ainda hoje, existem vestígios: devem ser sempre brancos os panos que com os queijos contatem, fresco o local onde repousa o leite, frias, bem frias mesmo, as mãos de quem lhe toque no momento de o fazer , assim reza o ditado. 
No pote assado verde, também chamado açucareiro do almece, côa-se com o pano de estopa a mistura dos leites de ovelha e cabra a que se junta o coalho, flor de cardo ou de compra onde fica a coalhar à roda de uma hora junto à quentura do lume. Pronta a coalhada é despejada para uma bacia de faiança, há quem use a francela de madeira, recebi uma de herança, pasta bem espremida com as mãos para retirar o excesso de soro para a massa ficar mais compacta, por fim é enformada em cinchos ou acinchos em folha-de-flandres com buraquinhos por onde escorre o soro. Deixa-se o queijo repousar duas a três horas, por fim são cobertos de sal pelos dois lados e colocados a secar em lugar arejado e frio à roda de dois meses.
Ordenha
Recordações de ver a  minha tia Maria e a filha Júlia Silva no Bairro de Santo António diariamente  no curral de porta encostada a mugirem as tetas das ovelhas e da cabra para o açucareiro  e logo o punham na beira do lume a coalhar com o cardo que apanhavam junto ao poço velho do quintal e secavam. Adorava na cozinha assistir quase todos os dias ao ritual da sua feitura. Com os frangalhos de leite de ovelha faziam o almece que se comia com açúcar amarelo ou na malga em sopas com pão duro. Havia dias que a empreitada surdia mais, faziam um queijinho pequenino para nos regalarmos ao fim da tardinha -, gostava de ir buscar o sal à taça de esmalte, com os dedos esfarripar os cristais no queijinho e sentir na boca aquele sabor puxado a sal - os queijos maiores  punha-os na queijeira em fila sobre numa tábua de cantos arredondados suspensa com cordas presas no teto do hall de ligação da casa de baixo a caminho do sobrado. Dia sim, dia não os lavava com uma folha de figueira, depois secava com um pano de estopa e os punha de novo na queijeira, por fim já só os virava para curarem bem.  A minha mãe gostava de os comprar  às mulheres de Albarrol e da Portela de S. Lourenço - os mais afamados da região em meia cura no mês de abril - o ponto alto para o melhor  queijo do ano, os conservava com uma mistura de colorau doce e azeite,  quem também tinha uma mão divinal para os fazer como outra nunca conheci igual era a prima Albertina Lucas do Escampado Belchior , durante anos nos oferecia uma dezena pelo prado da Ferranha - queijos de forma redonda, limpissimos, alvos, e textura fina sem rendilhados...a derreter manteiga em 72 no colégio salesiano do Monte Estoril recebi uma encomenda pelos meus anos em maio que trazia um exemplar - mal chegou para aguçar o paladar das bocas em meu redor que se abeiraram, tal iguaria desconheciam, e se fartaram de tecer elogios...
Antigamente também havia gente que os guardavam depois de secos no mosqueiro, outras os conservavam em azeite, a avó Rosa ,do meu marido os guardava misturados na arca do milho na sala -, ainda cheguei a enfiar o braço arca dentro à procura de um queijo do Rabaçal. Tempos de antanho via as mulheres na tosquia nas tardes quentes recolhidas na sombra de alpendres -, as ovelhas, uma a seguir à outra, a todas elas tiravam o casaco à tesourada. Os animais eram dóceis, apesar de afogueadas queriam ver-se livres da lã. Vaidosas, e aliviadas davam saltos de contentes a passearem-se no adro de casaca nova, branca, com rasgos profundos de cortes desniveladas à toa disseminados pelo dorso, coisa da conversa  ... também das ovelhas  que não gostavam de estar amarradas na tosquia. Também é deste leite de ovelha que se faz o requeijão que adoro comer com doce de abóbora. No Carvalhal, na Nexebra e noutras aldeias de Sicó havia quem fizesse a sua produção caseira de queijo à base de leite de cabra, por ter mais cabras e menos ovelhas no rebanho. Estes queijos com mais mistura de cabra ao ser tragado " chia na boca ", sente-se no corte, parece mais plástico.
Maravilhoso desde o fresco, meia cura, e o seco que adoro, "rijo que nem corno" em sopas de café como a minha avó da Moita Redonda comia, por não ter dentes assim o amolecia, eu tomei-lhe o gosto e ainda faço, e adoro.


A certificação do queijo 
Qualidade na Produção
Desde os primórdios o fabrico familiar para consumo de casa e alguma venda.  No meu tempo via aos sábados as mulheres chegarem com cestas de queijos que os vendiam por atacado para o intermediário os trazer para Lisboa.
Nos programas televisivos onde se mostra a produção de queijo Rabaçal nas várias fábricas o que se constata é a chegada de camions cisterna com leite trazido de outras origens,essa a verdade.

O que existe são marcas registadas com nomes de variantes de queijos. 
O que falta? Denominação deste queijo no rigor das qualidades do leite, uso de cardo e ritual de feitura.
Na região existem por volta de 1000 animais, nitidamente insuficiente, e rebanhos não saõ caracteristicos na região e o deviam ser para incrementar o turismo . Numa reportagem só uma fábrica gasta diariamente entre 10.000 a 11.000 litros de leite, o que explica a mistura de outros leites vindos de fora, e isto não é que seja mau. O que devia ser separado em rigor são as qualidades do queijo em relação ao preço, em que o verdadeiro a ser o mais caro até ao mais barato com mistura de leite de vaca, aliás como outras congénitas fazem, em que o consumidor não deve ser enganado.
Por fim a meu ver não foi ganha a  aposta  do genuíno porque falhou a angariação de grandes rebanhos para pastoreio com produção suficiente de leites para a feitura do queijo. 
Para a falta de leite de ovelha e cabra chegam diariamente às  fábricas  outros leites para a confecção de queijos variados. Apesar da ostentação de nomes  de marcas certificadas quase toda a produção com derivados do puro queijo do Rabaçal, para mim que o conheço desde sempre, sei reconhecer o trigo do joio. Há contudo queijeiras certificadas que produzem o queijo em pequenas quantidades e o vendem a retalho - mas até esse pode ter falsificação porque só pensam no lucro, em faturar, querem lá saber da tradição e do preceito na mistura certa dos leites, fiquei horrorizada ao saber há  anos se misturava leite em  pó...Pior é o uso do plástico em detrimento de recipientes em barro vidrados. 
Há anos que não apanho um verdadeiro queijo do Rabaçal. 
Estes que apresento comprei-os a uma queijeira certificada no mercado de Ansião que os tinha frescos e meia cura, deles tenho andado ocupada com lavagens para secarem - porque adoro o queijo bem rijo - não é "mau", pelo menos é de pasta compata sem rendilhados, cujo travo para quem reconhece, não é genuíno. Não julguem que é só por aqui que se aldraba a feitura do queijo - pensem em todos os outros queijos neste nosso Portugal . Houve um tempo que o excedente de leite de Trás os Montes era escoado para a Serra de Estrela, para fazerem dele o queijo mais caro de Portugal, até ao dia que os transmontanos se lembraram de o certificar como queijo Terrincho e, fizeram muito bem.
Acaso continuasse a  especular, outras descobertas acredito me espantariam!
Pior é o preço exorbitante à roda dos 16€ no mercado de Ansião - francamente é roubar.
  • Numa das fábricas no Rabaçal  a caminho do Pombalinho ronda os 11 € o dito genuíno de mistura cabra e ovelha.
  • O queijo de 2ª escolha tira-se a 5 €, é francamente bom.
  • O fresco a unidade custa 3€ e é grande e o requeijão 1€!
  • Os queijos da 1º escolha  custa o quilo 6,50€.
Por estas terras do maciço de SICÓ oferece-se queijo -,  (este amanteigado foi comprado na fábrica do Rabaçal) bom pão, chouriça e vinho a quem apareça de surpresa, por sorte ainda pão-de-ló que fazem sempre ao domingo.

FONTES
2 fotos de http://astiascamelas.blogspot.pt/2015_09_01_archive.html

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O nascer do Fundo da Rua e as suas gentes em Ansião!

Deslindar o passado de Ansião ao Fundo da Rua nesta foto!
O grande prédio de gaveto em forma de L da Família "Rodrigues Valente" com letreiro publicitário pintado na quina .
O candeeiro a petróleo - lampião na quina do prédio.
Deslumbra-se ainda a norte grande mimosa na esquerda, onde vieram a ser construídos os prédios de gaveto dos irmãos Francisco e e a sul de Júlio José da Silva. Seguido do Padrão e depois do solar com janelas de avental onde viveu o Dr Domingos Botelho de Queiroz  e D. Matilde Veiga  e o solar onde viveu o Dr. Adriano Augusto de Barros e Rego , jardim  seguido do seu consultório.

Foto tirada a norte da Rua Direita de costas para Além da Ponte. 
A Rua Direita nasceu com a construção da Ponte da Cal  a dividir uma grande quinta ao limite da margem sul do Nabão à imediação da atual Rua da Fonte no tardoz da Biblioteca onde no seu chão ainda vivem descendentes da família Veiga. Desconheço o nome primitivo desta quinta, em que uma parte a nascente veio a ser doada por a família Rego/Veiga para o povo de Ansião e ainda um campo para jogar à bola enquadrado na actual Mata Municipal, além de pulmão verde serve de versátil usufruto utilitário  para eventos na vila. Esta quinta viria a sofrer outras expropriações com abertura de novas vias  de circulação nos finais do século XIX. A Rua Combatentes da Grande Guerra foi uma delas a nascer no terreiro norte da Praça do Município para confluir ao entroncamento com a Rua Direita a norte em praceta triangular onde em 1903 foi recolocado o Pelourinho com suporte de novas esferas retirado do seu local primitivo o terreiro em frente do solar do Senhor de Ansião Luís de Menezes. Outra grande expropriação foi o rasgo da estrada  a ligar Pontão/Pombal a cruzar a Rua Direita a ditar o topónimo Fundo da Rua (Direita) que a foto documenta com muros de remate a norte em que o da esquerda se mostra avançado em relação ao muro vindo de sul da mesma quinta mais recuado.
De que data será o postal? 
O prédio Valente" em 1903 já existia segundo Alberto Pimentel no seu Livro Estremadura Portuguesa hospedou-se no "Hotel do Valente". 
A iluminação pública a petróleo em lampiões de braço de ferro foi obra do Dr Domingos Botelho de Queiroz, a balizar  o período de 1903 a 1938 data da instalação eléctrica.
O painel azulejar com o nome de Ancião
Colocado a norte do prédio "Valente" pelo Automóvel Club de Portugal fundado em 1903 com  a primeira edição do Mapa das Estradas em 1928. Se alguém souber a data da colocação do painel azulejar agradeço a partilha! 
Uma pista pode ser a deste postal com a panorâmica  do Avelar  por nele ter sido colocado a data de 1906 por altura da festa de Nossa Senhora da Guia
Em ambos os postais a reportar tenham sido tiradas na mesma altura da colocação do painel azulejar (?) olhando aos trajes das mulheres vestidas de saiões e aventais compridos e homens vestidos de jaleca, casaco e chapéu.Seguramente o tenha sido entre 1906 e 1920 (?).
 
Origem do nome Fundo da Rua  
A construção da Ponte da Cal  cujo contrato de adjudicação encontrei em 1648 veio a  proporcionar o rasgo da Rua  Direita na direção da actual igreja seguindo para sul  para o Cimo da Rua com bifurcação ao que veio a ser o Cruzeiro ao Castelinho com um caminho para poente na direção do Casal das Pêras e Matos dos mais antigos referenciados de povoamento em Ansião tal como o outro para nascente para os Impiados,Vale do Frade e Ameixieira. As novas vias de acessibilidade na vila vieram a proporcionar nos finais do século XIX e inicio do XX um grande desenvolvimento com a venda de lotes para construção fazendo  jus aos topónimos - Fundo  e Cimo da Rua (Direita) .
Ao Fundo da Rua  no seguimento do gaveto do prédio" Valente" foram construídos dois chalets muito graciosos, sem saber quem os mandou construir, talvez o próprio Dr Domingos Botelho de Queiroz. Conheci o primeiro onde viveu o Dr. Amado e o Dr. Manuel da Junqueira, médicos onde cheguei a ser consultada, no outro vivia o Sr. Arcipestre Carlos Barata sepultado em Ansião, infelizmente os chalets foram demolidos para no sitio ter sido levantado um mamarracho seguindo-se ainda hoje o que resta do chão primitivo da quinta com um portão cujo seguimento do muro apresenta um rebaixamento airoso onde os donos se podiam sentar e apreciar o movimento da estrada que ainda existe.
Solar da Família Veiga/Rego ao Fundo da Rua
Implantado com frente para a Rua Direita
O  médico vindo do norte para trabalhar no hospital da Misericórdia Dr Domingos Botelho de Queiroz veio a casar com a Srª D Matilde Veiga. O casal viveu no solar da quinta da família Veiga a nascente do Fundo da Rua com lintel datado de 1852 o que precipita dizer que Frutuoso Veiga tenha adquirido esta quinta após a extinção das Ordens religiosas decretada em 1834 onde veio a construir o solar  em 1852 que se distingue  no postal antigo na beira nascente da Rua Direita com muro para norte com altos e baixos e pedras soltas a evidenciar o tenha sido feito por altura do rasgo da Rua Direita em meados da centúria de 600 por isso foi escolha para aqui colocar o Padrão ao Senhor de Ansião.
Solar do Dr Adriano Rego
Fotos retiradas dum site imobiliário quando os imóveis estiveram em venda. Segundo me disseram continuam na família.Conheci  o belo jardim com lago e pérgula no tempo de explicações com uma professora da 4ª classe Maria do Nascimento que se hospedara na casa da Sra D Maria Amélia Rego para mais tarde voltar pela mão de uma sua filha a Alicinha.
 
Pormenor do recanto bucólico dado pela parede em azulejo ladeada por bancos namoradeiros com escadaria em pedra para o jardim de onde podiam apreciar o movimento das ruas pela frente.
 

Consultório do Dr Adriano RegoRecordo a  sua venda e requalificação em casa.
Resultado de imagem para ansião casa do dr adriano rego em fotos antigas
Antigo consultório Dr Adriano Rego
O apelido "Caseiro"
Continua ainda vivo em Ansião. Conheci gente com este apelido "Caseiro"o tio do meu pai "António Maria Caseiro" e familiares a viver ao limite sul do Fundo da Rua num prédio adoçado a este com frente para a pensão do Melado onde viveu o "Samarra" que veio a trabalhar nas finanças, a Júlia Caseira, seria Caseiro, no feminino, um hábito de antanho, boa modista, de grande porte, acabou por ir para Lisboa onde se veio a empregar na função pública, e o  Pêgo julgo depois de viúvo daqui saiu com a filha Elisa para ir morar na que foi a Casa da Câmara no Bairro ao Ribeiro da Vide.Adoçado a sul um prédio mais alto que foi dos pais do Coronel Vitorino Henriques Godinho que conheci com o Posto da GNR, e na cave a oficina de bicicletas e motas dos irmãos do Pião ou daí perto onde no que foi o seu escritório antes foi um quartito onde nasceu  o poeta Polibio Gomes dos Santos. Do lado direito da foto distingue-se uma casa alta onde por último morou o Sr Adelino Silva, comprada pelo seu pai a Carlos Feio  onde funcionou provisoriamente o Tribunal depois do incêndio de 1937 no tempo que durou a obra de ampliação dos Paços do Concelho. Não conheci Carlos Feio, dele ouvi  falar  um caricato testemunho deu conta da fortuna, ia todos os dias a Coimbra engraxar os sapatos..." seguia-se a pensão da Maria das Caldas seguida do prédio que o marido fez "Valente"
Maestro Virgílio Caseiro
Alguma dificuldade  em o relacionar porque o seu pai que bem conheci o "Sr. Alberto Estrela" pelos vistos alcunha  e apelido "Caseiro", bisneto do patriarca Virgílio Rodrigues Valente. Apelido apela a que um ascendente tenha sido caseiro de uma das grandes quintas de Ansião, em que a alcunha se fidelizou em apelido (?).
Com 70 anos o Maestro Virgílio Caseiro a morar em Coimbra. No Algarve tabelei conversa com um casal de Coimbra em que falámos de Ansião  logo me perguntam se conhecia o Maestro, claro que sim o conheço de ouvir falar, o que já não é pouco. A meu ver esquecido nesta terra de Ansião, do seu real valor pelo contributo que tem dado à Musica. 
O primeiro açougue na praceta do Pelourinho! 
O primeiro açougue (talho) foi edificado na bifurcação da Rua Direita com a  Rua dos Combatentes da Grande Guerra depois remodelado para receber a sede da Junta de Freguesia de Ansião. Mantém-se na praceta o Pelourinho e a calçada a branco e negro primitiva.
Deslumbra-se na mesma foto a nascente o muro da quinta  Veiga para sul a entestar na casa que foi do padre quando a igreja foi deslocalizada para nascente e a conheci do Sr Nogueira, uma das mais antigas da vila construída por altura da igreja, na sua requalificação o projecto precavia consolidar a parede da frontaria precisamente por esse testemunho do passado não se perder eis numa noite se deixou cair...
Patriarca da família Valente ao Fundo da Rua
Segundo me confidenciou um familiar era natural dos Nogueiros e foi ao Brasil. 
O regresso de emigrantes com alguma fortuna nos finais do séc XIX apesar de serem naturais de outros lugares denotaram vontade em se instalar na vila com negócios, em que Virgílio Rodrigues Valente é um deles para outros mais tarde se seguir como Adriano Carvalho das Cotas, Pombalinho (Soure) enriqueceu em Moçamedes para em 1924 se instalar em Ansião com uma loja na vila no prédio do Acúrcio Monteiro, o Sr Franco dos lados da Lagarteira regressado do Brasil antes de 1913 veio a construir um grande prédio de arquitectura senhorial ao gosto dos novos ricos que o ouro verde do Brasil proporcionou onde montou um negócio no r/c, o Sr. Nogueira da Fonte Galega foi a S. Tomé e Príncipe  comprou uma casa onde no r/c montou o seu negócio, entre outros visionários emigrados e empreendedores. 
Virgílio Rodrigues Valente tenha regressado em finais do século XIX na altura que Ansião vivia um grande empreendedorismo com o rasgo de novas estradas, nomeadamente a nova estrada Pontão/Pombal com cruzamento ao Fundo da Rua  onde já existia a pensão dos pais da que veio a ser a sua esposa Maria das Caldas. Não sei se o lote de gaveto onde sediou o café e a sua continuação para poente se era dos sogros ou comprou (?).  O casal além de explorar a pensão "Maria das Caldas" tinha o Café Valente. Sobre a alcunha atribuída à sua origem nas Caldas da Rainha onde há família, sem saber a origem dos seus pais aportarem à vila de Ansião para governar a vida desconhecendo se teriam ascendência com alguém desta terra, sendo notório desde a reconquista cristã que a migração interna vinda de norte  privilegiando a região centro e da raia a caminho do litoral, com gente aqui nesta terra fixada e ainda para a zona oeste.Desconheço a árvore genealógica da família "Virgílio Rodrigues Valente".O casal teve seis filhos, três raparigas e três rapazes.
Não conheci o patriarca Virgílio Rodrigues Valente ouvindo dizer que era homem de silhueta forte com alma de artista e feitio gozão, em que havia gente a não aprovar este estar peculiar que elevo ao jus do pensar filósofo "o humor depende mais de quem o recebe do que de quem o faz" ou ainda o humor nunca é uma guerra pessoal, trata-se de piada sobre qualquer coisa para espicaçar mentalidades!
O teria sido homem incompreendido, de mente sábia sem se amedrontar, aventureiro, cuja travessia do oceano a caminho do Brasil lhe abriu um leque de novas oportunidades para negócios, empreendedor visionário, olhando ao tamanho do prédio onde montou o primeiro Café em Ansião onde servia o famoso café de saco feito na cafeteira ao lume com ciência de assentar a borra com água em prol de o coar como os brasileiros, em miúda assim o ouvia dizer e nesse propósito assim era feito na nossa casa, o que revela era gente de partilha - com a água  a ferver se retirava do lume para pôr o café , mexia-se com a colher acrescentando água fria para assentar, técnica que resulta sempre até aparecer a máquina italiana Cimbalino nome por que veio a ficar conhecido o cafezinho "cimbalino" no Porto  e em Lisboa "bica". 
Na minha perspectiva Virgílio Rodrigues Valente foi um homem  com alma de artista, de certa forma incompreendido, com Obra feita, viveu à frente do seu tempo!
Acaso se tivesse radicado numa grande cidade por certo seria um nome a marcar os negócios nos anais da história para em Ansião ser recordado como Ilustre Ansianense!
Foto anos 38/40 (?)  do Prédio da Família Rodrigues Valente  
Por altura da instalação da luz eléctrica em que se distingue o candeeiro suspenso ao meio do cruzamento e  no mesmo mote ao reclame electrificado do Café Valente. Já não ostenta o lampião olhando às letras déco dos reclames electrificados Café Valente, um na frente que já não existe, só se mantém o da fachada norte.
Candeeiro suspenso ao meio do cruzamento tendo  a luz eléctrica sido instalada em 1938. 
No prédio a norte estão afixados além da Caixa de Correio, reclames publicitários.
Quem será o homem na foto? Deve ser o próprio  patriarca Virgílio Rodrigues Valente!
Orgulhoso de peito cheio na frente da sua grande obra!

 " A Varanda da Europa"
Publicidade à bidimensão  daquele tempo do conhecimento europeu aqui discutido e vivido!
No prédio foi reposto em finais do século XX o candeeiro de braço. 
Semáforos.
                               
O portão do prédio Valente a norte abria com aldraba
Entrei algumas vezes ao portão para usar a bicicleta vermelha da Anabela Paz para aprender a andar na então estrada para Pombal... Também me recordo em miúda de entrar no Café Valente onde por cima da porta na quina da parede havia uma prateleira com a televisão, um aparelho Philips com botões de lado igual à dos meus pais, no canto esquerdo havia a cabine telefónica do posto público do assinante nº 3 do PBX do Correio, ao meio não faltava a mesa de bilhar forrada a felpo verde com a parede com tacos à espera de jogador, no balcão atendia a clientela  o João ou o irmão Eduardo, embora tivesse o seu emprego na câmara como aferidor de pesos e medidas pelo meio do café haviam mesas de pé de madeira com tampo em mármore preto raiado de branco. Café  onde se reuniam os caixeiros viajantes com as novidades, anedotas e aldrabices no melhor do carisma de cada um e ainda palco de pequenos ensaios teatrais com o Artur Paz e a D. Fernanda, os irmãos "29" D. Fernanda e o Júlio a que se juntava o César Nogueira e outros amigos de Ansião para depois no palco do Ensaio se representar a peça teatral. Nos dias d'hoje  a Anabela Paz recebeu de herança da mãe um baú com trajes dessa época e acessórios para representar esta arte há tantos anos enraizada na família para na tradição  reviver com as primas essa arte em festas de cariz especial.
O Café Valente foi ainda palco em juntar homens de saber onde se discutia política e se declamava poesia.  O poeta?  O filho, o grande João Rodrigues Valente!
Sem ter o seu nome atestado na toponímia de Ansião e no seguimento das minhas pesquisas com a migração para aqui e daqui para fora até ao Algarve, a curiosa existência de ter encontrado um nome igual atestado na toponímia - Rua João Rodrigues Valente em Quelfes - Olhão.  
 
A escolha de um seu poema escrito em 1956, ano anterior ao meu nascimento. 
PENSAMENTO LIVRE«Que importa que me prendam e me algemem as pernas e os braços? Que importa que me metam em cavernas e me tratem como farrapos velhos? Mesmo assim, algemado, acorrentado, com a carne a sangrar, o pensamento há-de ser livre e hei-de pensar e arquitetar o que quiser, pois não há cadeia nem corrente que evite que se pense livremente… »
No meu tempo de juventude ouvi falar que os irmãos (João e Eduardo) não deixavam " os cachopos casaleiros entrar no Café que ali acorriam ao chamamento da caixinha mágica espreitando pela persiana da vidraça, sobretudo o Eduardo corria com eles aos gritos, seus cachopos de merd"… conhecendo-se a linha de pensamento livre, seria tanto assim (?). O primeiro lugar onde comprei bons gelados "Olá" de leite e cobertura de chocolate, hoje ainda os que há, são tudo menos gelados como nesse tempo!
Virgílio Rodrigues Valente (Júnior)
O conheci bem, era chauffeur de táxi onde andei várias vezes, casado com a Lucinda Leal Fonseca, uma senhora de alta silhueta, vistosa e olhar doce a matiz esverdeado com mãos de fada na arte do corte e costura. Tiveram quatro filhos em que o seu primogénito veio a receber o nome do patriarca da minha idade, o mais glamoroso pela beleza do olhar lânguido em relação aos outros igualmente bonitos e inteligentes -, a Ana Maria, Cristina e o mais novo o Pedro.
A modista D. Lucinda Leal Fonseca 
Inevitável a televisão ao entrar tão cedo na minha vida alterou em definitivo hábitos conservadores na minha forma de vestir, tenho quase a certeza que fui a primeira em Ansião a usar uma maxissaia em tecido de lã em tons avermelhados feita pela D. Lucinda, esposa do Virgílio Rodrigues Valente, o mais velho dos filhos desta família Valente, homem de boa figura, seco de carnes dono de belos olhos azuis chauffeur do seu táxi.As vezes que nos levou à Figueira para ambas as famílias passarmos férias em Buarcos.  Mal pude esperar para estrear a maxissaia, apesar de tímida, atrevida de braço dado com a minha mãe numa volta pela vila no inverno de 75, recordo os olhares dos rapazes à porta da mercearia do Carlos Antunes...Durante anos a nossa modista eleita, fazia todo o tipo de roupa: camisas de dormir, saias, vestidos e blusas , estilista do meu vestido de casamento num modelo inspirado noutro que vira ainda recordo de a ouvir descrever o feitio na sua sala de jantar no tempo também a sala da costura, ao analisar o tecido crepom de algodão branco no predicado de modelo comprido mas moderno como sonhava para vir a ser reutilizado em vestido normal, que nunca foi. Ainda me emprestou um grande saiote para o armar,  pela magreza. O vestido de corte simples, atava com grande laçarote na anca, na frente decote em bico, ladeado de pequeno floreado, na cintura cós alto em trapézio para enaltecer o pequeno peito, na roda da saia uns pequenos folhos para dar graciosidade ao andar e a manga ao cotovelo de balão. Vestido airoso, diferente ao tempo tendo sido a primeira noiva em Ansião a contrariar cetins, seda lavrada, drapeados, rendas, véus e calçada de sandálias cremes compradas na sapataria Lisbonense em Lisboa, por falta de as haver em branco. Lembro-me bem das recomendações que dei à D. Lucinda, mulher de mãos muito prendada o único defeito, a morosidade. Então não me lembro das vezes que noivos esperavam as noivas na igreja e ainda a D. Lucinda a ultimar o que iria ser mais um famoso modelo nascido da sua criatividade e delicadeza de mãos. No meu caso o reparo valeu a pena, ficou pronto de véspera, mas era afinal um vestido simples. Os cabelos foram tratados na cabeleireira D. Fátima Godinho, de escova pequena torneou caracóis e prendeu a franja com fina travessa ornada com florezinhas.
Virgílio Fonseca Valente 
O filho primogénito da D. Lucinda e do Sr Virgílio Rodrigues Valente na sucessão de herança consecutiva do nome do avô, nasceu em janeiro de 57 mais velho do que eu uns meses foi o meu fiel provador no tempo de criança até ao dia que enfadado de tanto experimentar vestidos e saias, gritou à mãe "não sou menina, não quero vestir vestidos"…rapaz tímido, reservado sinto a mágoa dum tempo que não nos permitia manter conversas mais abertas, tomar atitudes mais espontâneas na construção de sólidas amizades em tempo que o recato e a defesa da honra da família era mais que um dever. O Virgílio pediu-me ajuda para o apresentar ao amor da sua vida (?) a Teresa, regressada de África a seguir ao 25 de abril vestida de lindos cabelos negros pelas costas, minha colega no Externato e amiga vivia no Escampado em casa da avó.Completamente apaixonado na primeira festa que me lembro do Senhor do Bonfim em 76 (?) o destino não os quis juntar...no arraial, acomodavam-se pessoas sentadas em mantas pelo terreiro das oliveiras, todos queriam ouvir a escritora de literatura juvenil Odete de Saint-Mauricetrazia consigo as netas, filhas do maestro Vitorino de Almeida com raízes no Maciço de Sicó; a Maria e a Inês de Medeiros, meninas vestidas de saias azuis e blusas brancas. Ainda veio o cantor Vicente da Câmara com a sua guitarra que alegrou os grandes festejos. A última vez que vi o Virgílio passava à minha porta andava de volta de ervas que teimam nascer por entre a calçada que me agraciou um demorado olhar lânguido verde água na forma de me dizer o último adeus sem palavras…dias depois partiu para uma terra que todos sabem existe, mas ninguém ainda voltou, para contar como é!
Outras recordações do Fundo da Rua doutros tempos
FERNANDO JOSÉ DA SILVA
Foto de Américo Antunes meados dos anos 30 com o pessoal de trabalho no lagar de azeite e o neto Adelino Silva na ponta

Outro grande empresário e empreendedor nascido a nascente do cruzamento do Fundo da Rua Fernando José da Silva julgo também tenha ido ao Brasil, pelo uso em chamar Engenho «Segundo o Américo Antunes o local onde instalou a fábrica de azeites, que até aí não tinha nome, passou a chamar-se sítio do Engenho, por causa do engenho de água ali montado» ao Lagar de azeite aos Olhos d'Água.  E ainda se compreender a aquisição de parte da mesma quinta que falamos desde o inicio, sem saber o seu nome primitivo e dela ainda hoje resta chão em descendência da família Veiga em que os seus filhos José e Júlio Silva vieram a construir prédios nos gavetos da mesma quinta ao cruzamento do Fundo da Rua e antes da Ponte da Cal uma irmã deles construiu a sua casa.  Deixou jazigo de família no cemitério de Ansião.
Armazém do Sr. Júlio da Silva 
Grande era e ainda persiste no casarão o portão na fachada da frente com um balcão corrido para atender freguesia onde entrei para comprar mais barato uma caixa de novelos de linha branca Ancora para me iniciar no croché. Tempos de um entra e sai de camionetas numa correria de descarga e carga de mercadorias para distribuir pelas lojas sediadas no concelho, o chão empedrado a pedras negras com prateleiras abarrotar até ao teto alto, ao lado o exíguo escritório de portada para a rua onde trabalhava o filho dos patrões - Fernando Silva, com outros empregados...o Fernando Piedade um deles, solteiro da Sarzedela mas de bom gosto, ouvi falar da cachopa casada que lhe dirigiu um piropo " és uma boneca" , tinha o hábito de ir a termas ao Gerês, morreu precocemente, ainda havia outro empregado, o Adelino casado com a linda Leonor Tomé. O Sr Júlio teve dois filhos - Fernando e Celeste que puxam raízes pela altura ao pai, quero acreditar também noutras por parte da mãe Augusta, senhora com raízes no Alvorge "Os Namoras" .
Loja e correspondente do BPSM o Sr. Francisco Silva
Grande de gaveto com a estrada a caminho de Além da Ponte  de balcão corrido sob o comprido onde havia de tudo desde mercearia, ferramentas, taberna e ainda era correspondente bancário. Conheci um empregado de quase toda a vida o "Zé Carates" sempre montado na sua pasteleira quando fazia a contagem da electricidade. Também aqui trabalhavam o genro do Sr Silva  o Sr Miranda de lentes brutalmente espessas , até a D. Dídia tinha dias de dar uma mãozinha. Os três filhos: Adelino, Palmira e Laura - senhora que conheço melhor, alta, vistosa a reivindicar heranças celta, loura e olhos verdes com cruzamento do povo judeu a contrastar com os outros irmãos morenos e mais baixos para nela ressaltar demasia beleza. Realmente uma mulher que bem poderia  ter sido Miss de Portugal dona de um belo par de olhos em verde água , cabelos cor d'oiro ainda  abençoada de belo altar e pernas...A ditar Ansião terra de lindas mulheres!
Salão da cabeleireira Ermelinda
Julgo seja de Abiul e aqui aportou um pouco antes do advento da CUF. Senhora de porte elegante, simpática e reservada o seu salão sempre a abarrotar de mulherio. Numa tarde nas vésperas de Natal de 71 aguentei horas perdidas à espera de vez para me cortar a longa trança que o meu pai exigiu que me fizesse com o condão de trazer para recordação para depois andar pelo sótão perdida anos...Antes só conhecia o salão  do Sr Monteiro em Coimbra e o do Sr Franco no Pontão e antes quem me cortava o cabelo era o barbeiro o Sr Júlio de Albarrol.
A única bomba de combustível 
O Sr Albertino era o dono, segundo me lembro era muito boa pessoa, assim dele falava um empregado que aqui aportou do Rabaçal, meu vizinho o Roberto Dâmaso.
Só teve filhas. A Milú uma estampa de mulher a reivindicar genes francos dados pela alta silhueta e mescla moura que a sua tamanha beleza inspira. Recordo quando faleceu o Sr Albertino a primeira vez que fui à sua casa em Aquém da Ponte para entregar um telegrama. As vezes que ali passei e foram muitas a caminho da Lameira onde os meus pais tinham uma propriedade  e me deliciava com a  sua frondosa mimosa de copa florida em amarelo que todos os anos se vestia pela primavera...
Recordações das bombas
Do Padre Melo que costumava atestar o depósito de gasolina em Ansião. Uma tarde passava eu e uns colegas do Externato a caminho da Mata quando nos pediu auxílio para o empurrar até pegar , tão grande que quase enchia a estrada em cor verde ervilha, um Doggie
O dia que o meu pai depois de encher o depósito da motorizada a deixou ficar ... estaria com uns copitos a mais, veio a pé para casa…quem a foi buscar?A minha irmã que nunca aprendeu  e a guiou sem medos, já eu no dia que quis experimentar sentei-me atrás do meu pai, mal arrancou, num impulso levantei-me …
Quem ainda se lembra do trágico acidente do bom rapazito que trabalhava nas bombas que uma conversa de despique e teimosia com um cliente que o afrontava " vou à laranjeira roubar uma laranja" o pobre do João, filho do "Ti João do sol posto" do Casal de S. Brás indignado com tal despropósito na defesa do património do patrão pegou na arma que havia no escritório para desencorajar o homem atrevido, apesar de assustado e temoroso, homem ainda menino prime o gatilho sem sentir a responsabilidade do que tinha feito no cliente do lado do Vale Avessada que pereceu morto no chão … Não esqueço o pai dele nesse dia pela tardinha em minha casa a implorar ajuda ao meu pai que acredito lhe a concedeu sem gorjeta seu apanágio ajudar todos a troco de uns copos de vinho, já outros colegas em "profissões chave" supostamente se faziam pagar e bem, assim se constou as gordas heranças deixadas após as suas mortes, se atendermos aos ordenados magros do funcionalismo público e às suas mulheres domésticas em comparação com a minha mãe que ganhava mais do que o meu pai, é certo que faleceu cedo em 72 , quero acreditar que o enriquecimento floresceu  após o 25 de abril... O João foi um dos últimos reclusos da cadeia da vila.Difícil dizer se há outra família numerosa de irmãos tão unida como eles!
Mercearia e taberna do Sr Calado
Onde entrei para comprar peixe congelado a primeira vez na década de 70...
Na frente houve uma estalagem /pensão 
Onde trabalhavam umas raparigas das Lagoas.Era sitio de deixar os burros e cavalos antes de entrar na vila de quem vinha de nascente.
Vacaria do Dr. Manuel da Junqueira
Médico natural da Junqueira, lindo o solar remediado da família à beira da estrada que o viu nascer.Homem de voz forte com pronúncia baralhava-me quando me pedia chamadas pelo PBX para Valado de Frades, onde tinha uma pessoa amiga. Resolveu num segundo um problema que tive no ano que estive no Colégio Religioso as Salesianas dando a receita milagrosa, uns comprimidos amarelinhos..Munida de leiteira de alumínio pela mão do Bairro até ao Fundo da Rua onde fui muitas vezes à sua vacaria na quinta de gaveto defronte do consultório médico, um chalet onde antes viveu o Dr. Amado e ao lado havia a do arcipreste.Uma afronta terem sido demolidas para fazer um mamarracho. Bom era o leite acabadinho de ser mugido das vacas, grande pena em minha casa só eu o gostava de beber. A vacaria acabaria por ditar a alcunha aos seus três garbosos filhos que na altura andaram comigo no Externato: do mais velho para o mais novo assim foram alcunhados : "Vitelo", "Vitelinho" e "Vitelão" !
Serração do Carlos Antunes
Sediada na estrada de Pombal logo a seguir ao Fundo da Rua. Era um vaivém de camionetas a entrar carregadas de toros de pinho, tantas vezes haveria de observar a serem cortados na serra alta oval de cor verde e do grande barulho a serrar, do outro lado via saírem tábuas.Grande azáfama de cargas e descargas. Os escritórios funcionavam nas casinhas brancas de janelas baixas em frente, também tinham a balança de pesagem das mercadorias, nunca soube o porquê de fechar portas tão precocemente. Outro dos seus negócios  era angariador de cortiça com grandes estaleiros de fardos arrumados no seu armazém em frente das bombas de combustível à espera de serem levadas para as fábricas. Conheci-o melhor quando comprou o trespasse da loja de mercearia e taberna que tinha sido do Sr Adriano Carvalho, que foi para Lisboa deixando um belíssimo relógio de pé com um grande pêndulo, que jamais outro assim belo vi nesta vida mas logo o vendeu e a máquina registadora cor de prata era um monumento...Rapidamente a trespassou ao Sr Manuel Murtinho. O Carlos Antunes foi homem inteligente, trabalhador de veia negocial em final de vida correu o boato da  suposta arrolação da herança para a 4ª geração…
Gente bonita  e colegas do colégio do Fundo da Rua
A Fátima Miranda sedutora morena e a irmã Dídia loura que Deus nos roubou tão cedo desta vida.
O Carlos, Graça e Mário Jorge Silva este último tão novo Deus chamou, a Si.
O Pedro e Natércia Gaspar, bonitos mas reservados.
Saudades do Dr. Amado quando faleceu falou-se dele mais de uma semana, coisa inédita de outro nunca assim ouvira falar! 
Poucas lembranças ou nenhumas do Acipreste que aqui também morou…seria por não o entender? Ainda me lembro das missas em latim e dos achaques que me davam na missa por sair de casa em jejum...
E, …
FONTES
Fotos do arquivo municipal de Ansião
Fotos do google
Memórias Paroquiais

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