segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Natal no meu tempo de menina e moça em Ansião

A minha querida mãe vestida de Pai Natal sob o olhar do meu painel de azulejos de Coimbra alusivo a 17.. e troca o passo...
Carta ao Pai Natal…chegadas as férias de Natal nos meus tempos de menina e moça a televisão incitava as crianças a escrever ao Pai Natal. Durante anos escrevi a minha carta onde pedia o meu presente, a minha mãe dava-me sempre o selo para imediatamente a colocar na caixa vermelha ao lado da porta de entrada do Correio, despedindo-me dela com um beijo. Tantas esperanças. Carta colorida com lápis de cor, desenhos com arco-íris, balões e flores. Acredito que o Pai Natal não teria assistentes ao tempo, a correspondência deveria ser muita em verdade nunca recebi resposta, muito menos presente. Com o passar dos anos, desiludida, abandonei a causa.Nesse tempo a tradição da ceia de Natal na minha casa era o mesmo de hoje na casa de muitos portugueses: o bacalhau cozido com couve asa de cântaro. Para mim repasto semanal sempre que m'alembre. Nunca percebi porque lhe conferiam tanta importância. Bem sei que os tempos eram outros.Nas mercearias só via as pessoas a comprar bacalhau do miúdo, do corrente mais caro só poucos lhe chegavam, comia-se muita raia seca, recordo a faca de guilhotina no balcão para cortar o fiel amigo  ou  amiga raia, que o rabo também se levava para fazer um bom arroz acompanhado com pataniscas ou bolinhos com muita salsa e pimenta. A agricultura é uma paixão, sempre gostei da horta: cultivar e colher. A couve deve escolher-se uma com o melhor olho, porque a geada nesta altura do ano não perdoa, outras ainda cheias de gotículas de chuva, tem arte a escolha da melhor com talos tenros para a consoada. De véspera cozia-se a abóbora menina. Que me perdoe a minha rica mãe, na altura os tormentos com o meu pai, que nada fazia e implicava com tudo, para ele tudo estava mal e ela nervosa e com horário para cumprir no correio, os velozes não lhe calhavam bem...

Receita dos velozes fofos de abóbora-menina: coze-se à roda de um quilo e meio com sal e um pau de canela, depois de fria deixa-se a escorrer num pano uma noite, prensa-se com as mãos até tirar toda a água. No alguidar mistura-se com o fermento de padeiro  (15 a 20 gr) dissolvido no sumo de uma boa laranja ou duas, junta-se 3 ovos pequenos ou dois grandes, um de cada vez mexendo sempre, um cálice de aguardente , 100 gr de açúcar amarelo e 250 gr de farinha, menos ou mais, consoante a textura da massa que deve ficar mole e de consistência rendada depois de levedada  coisa de 2 horas em local abrigado. Fritam-se colheradas de massa, ensopam-se do excesso de azeite da fritura em papel pardo e cobrem-se numa mistura de açúcar amarelo e canela. Prontas a saborear. 
Nem é bom lembrar o momento dos  velozes na minha casa que originava quase sempre discórdia, a minha mãe na altura nem a minha avó Maria da Luz tinham mão certa para os fazer, criativas inventavam cada ano, umas vezes batiam as claras em castelo em vez de usar os ovos inteiros, já a farinha ou punham a mais ou a menos, também na adição de sumo de laranja e aguardente. O que sei os últimos eram os melhores, há medida que viam a massa não estar no ponto, remediavam o azar da receita acrescentando mais farinha. Escolhidos os melhores guardavam-se para levar no dia de Natal para oferecer de fogaça ao Menino Jesus. N cestinha redonda de aba baixa e asa alta em arco onde atava um lacinho punha os velozes embrulhados em papel vegetal como se fosse um naperon pelo recorte feito à tesoura pela minha mãe, ao subir as escadinhas do adro logo a deixava no palanque das oferendas junto à parede da casa do Porfírio ourives. De mãos livres ia a caminho da igreja para arranjar um lugar sentada onde me perdesse a olhar para o presépio de figuras grandes, não faltavam os montes e uma gruta. No fim da missa em fila indiana gostava de beijar o Menino Jesus como agradecimento por não se ter esquecido de me deixar uma prenda no meu sapatinho. As fogaças eram leiloadas no final da missa, um ano a minha foi arrematada pelas filhas bonitas do Sr. Coutinho que viviam Aquém da Ponte da Cal… Moçoilas e mulheres airosas me devolveram a cestinha com sorrisos … 

A consoada no turno da meia-noite no Correio velho…tempos e foram muitos que a minha mãe teve de trabalhar na noite da consoada e as vezes que lhe fiz companhia? Deus sabe que foram mais que muitas. Filha mais velha  me levava para dividir o medo, nem tinha como fazer capricho de ficar em casa a ver televisão. Deus sabe o que me custava no tempo de invernia sair de casa, da beira do lume ou de cima da cama aconchegada com a pele de bode alentejano, consolada a ver televisão. Não perdia um Natal dos hospitais e da reportagem das Boas Festas que o contingente militar no Ultramar em fila ditavam para o microfone para familiares e amigos, alguns soldados de tanto matutar no que haviam de dizer quando chegava a sua vez engasgados com o aparato diziam mal o recado - “desejo à minha família muitas propriedades, em vez de dizer prosperidades" na altura reconheci o irmão mais novo, o Dr. José Luís advogado, irmão do então Padre Filipe Antunes que não se enganou ao mandar saudações para a família e namorada a “Celinha do Vinte e nove”. 
Ritual às pressas  com a minha mãe antes de sair de casa para o turno da meia-noite enchia a lata de brasas para nos aquecermos na braseira,a nossa companheira fiel, não fossem as pratas dos maços de cigarros para as fazer aguentar, já eu não me esquecia de deixar religiosamente o sapatinho no pial da lareira. Anos mais tarde a estação de Correios recebeu um grande aquecedor de barras a óleo, em que o modernismo fez perder a beleza da braseira em contemplar do brasido a morrer em cinzas ao jus de castelo de cartas em derrocada... Quão grande era o prazer de sentir os pés assentes no seu estrado na quentura morna do borralho a saborear o parco farnel aviado de casa. Muito gostava eu de pôr a tranca grossa de madeira na janela, fechada a sete chaves a nossa ceia era degustada por volta das 10 horas; uma mão cheia de passas pingo mel, nozes que partia com o peso da balança, velozes, papo secos com maminhas, lascas de presunto e uma miniatura de vinho do Porto “bem arresuadas” (termo calão usado nas bestas sinónimo de bandulho cheio, que a minha mãe ouvia dizer ao seu pai), para se chegar horas de me aconchegar no chão na minha soneca, a fazer de colchão uma ou duas malas de lona ao lado do cofre vermelho e frio, enregelada e mal aconchegada com um parco e velho cobertor de uma fábrica do Avelar trazido da herança da minha avó Maria da Luz. Impossível esquecer os cheiros da estação de Correio: pó, papéis, malas de transporte da correspondência e das encomendas, e do odor forte da cabine telefónica forrada a corticite, do soalho velho gasto de tanto esfregado, da braseira e até do cheiro do petróleo do candeeiro de latão quando faltava a luz. Forçada a acordar ao som das badaladas do relógio da Reguladora. Inesquecível o som de duas cordas, música para os meus ouvidos, inigualável, único .No melhor do sono acordar às pressas à chamada da minha mãe para me levantar, num ápice vestíamos os casacos, pegava na lata das brasas e no saco do farnel, a minha mãe com a grande chave em punho descíamos ao rebate da porta para dar duas voltas, em espera de ouvir as badaladas do relógio da igreja, da fábrica Cousinha de Almada...
Quantas noites de Natal e passagens de ano, Carnaval, feriados, tantas noites ali passadas a fazer companhia à minha mãe. Naquele tempo não me lembro de haver um assinante sequer que se lembrasse de telefonar para desejar "Boas Festas". Pasme-se! E não pagavam, porque naquele tempo o sistema era manual com verbetes. Uma noite como outra qualquer, sem troca ou partilha de afetos com os assinantes do dia-a-dia.Denota a falta de globalização, de cultura para se constatctar a mudança brutal em poucas décadas. Hoje assistimos a um exagero de troca de votos em moda cansativa, desprovida quase sempre de sentimento, só porque se usa, é moda, faz parte. 
Vínhamos abraçadas caminho fora por ruas vazias de gente e pouco iluminadas,  o pior era passar ao Ribeiro da Vide pela escuridão  do arvoredo onde me amedrontava, valendo-me a fé, rezava - eu vou com Jesus, Jesus vai comigo, ao mesmo tempo redopiava o pescoço em todas as direções do baldio repleto de plátanos na mira descobrir um vagabundo ou ladrão, começava a enxergar a fonte, o lavadouro público, só havia um poste de luz elétrica na casa do Zé André, outro junto do poço camarário e há nossa porta.
Mal podia esperar por chegar a casa para me deitar na minha caminha, apesar de dormir inquieta a pensar na prenda do Pai Natal, pela manhãzinha ao acordar com a casa gélida, fácil era saltar da cama para em corrida rápida pelo corredor só parar junto ao pial da chaminé para ter na mão a prendinha deixada no sapatinho que dormia ao lado da cama de cinzas ainda quente... Deleite maior sentir que o Pai Natal nunca se esqueceu de mim nem da minha irmã. Durante anos, acreditámos que descia pela chaminé com o saco das prendas às costas, por isso era limpa com o vassoiro de urze, porque o nosso pai, amante de grandes fogueiras atiçava o lume com ramos de oliveira, labareda farta para a limpar da fuligem, dizia…
Pior os anos que a prenda já era conhecida...a entidade patronal dos CTT no final da década de 60 começou a enviar presentes, sem a destrinça "menino ou menina" .Recordo uma grande bola feita em  gomos às cores em plástico e uma girafa amarela com manchas castanhas e corninhos  que a minha mãe os escondia atrás da porta do seu quarto que tem uma reentrância...claro que eu e a minha irmã dávamos conta de tudo, mas fazíamos conta que era surpresa... Em 69 a minha mãe encomendou a prestações o Cabaz de Natal que chegou numa grande camioneta que parou à nossa porta, dela saiu um grande caixote que deixaram na sala de visitas para ali logo o abrir, vimos quase tudo e voltámos a fechar. Quando os nossos pais voltaram do trabalho ficaram estupefactos com o nosso entusiasmo  pela enorme surpresa e felizes de nos verem de joelhos a tirar bolas azuis para a árvore de Natal, o pinheiro bravo cortado nas traseiras do hospital da Misericórdia por a semente ter caído farta, trazia o caixote vários frutos secos; caju que não conhecíamos e tâmaras, passas, licores, aguardentes finas, vinho do Porto, sumos e néctares - afinal a Compal era uma empresa recente, recordo a marca  V5, chocolates, bacalhau, latas de fruta , goiabada, prendas para as crianças e,...Sempre foi fácil  fingir as surpresas...
Eu e a minha irmã éramos no tempo levadas da breca!
Não faltava nunca o bolo rei encomendado telefonicamente nas boas pastelarias de Coimbra; Briosa ou Café Internacional que vinham na camioneta do Pereira Marques.Confesso que na altura nenhuma de nós apreciava a iguaria, escarafunchávamos o bolo todo para lhe tirar as frutas que nesse tempo não apreciávamos só para encontrar a prenda...inacreditável eles deixavam!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Feira de Velharias nas Caldas da Rainha

Há muito que pensava estrear-me nesta feira, uns diziam bem, outros nem por isso. No feriado de Nossa Senhora da Conceição só ao meio dia me lembrei que o era, talvez pelo dia ter acordado com imenso nevoeiro, batiam as doze badaladas quando decidi sair até à  Costa de Caparica, o sol esse maroto desperta nestes dias ao Funchalinho -, assim desta feita me brindou mais uma vez.Deparei-me com a feira de velharias - afinal podia te-la feito já que o meu marido teve de ir trabalhar, senti o ambiente muito fraco, poucos feirantes, a Maria José e a Olga convenceram-me a fazer no domingo a feira das Caldas - deram-me as coordenadas, a minha ideia era fazer a feira de Azeitão. Tive tempo para comprar uma minúscula mala de cartão com chave para a minha filha, um pires de vidro da VA e um copo "casca de cebola".
Regressei a casa satisfeita com as minhas compras. A minha filha veio jantar com o namorado ainda tive de ir às compras, passei umas horas na cozinha: fiz sopinha com couves que trouxe do lavrado da minha mãe para ela  levar, arroz de tamboril com carapaus de bigodes, ameijoa,  e sabor a coentros ( aproveito para dar uma dica  para o estrugido estar pronto a usar - quando tenho muita coisa no frigorífico( tomates, pimentos, coentros, cebola, alho, curgete...ponho tudo a estufar com azeite, reduzo a puré, e ponho num tabuleiro no congelador, passado um bocado ainda meio congelado divido o concentrado em quadrados voltando novamente ao congelador que depois vou usando à medida das necessidades. O  meu marido foi fácil de convencer para irmos às Caldas... pelas 4,30 quando acordámos foi hora de levantar, vestir, e tomar o pequeno almoço, saímos às 6. Há quantos anos não ia às Caldas...o centro da cidade está na mesma - no imediato apesar do lusco fusco do alvorecer o reconheci.O jardim tem várias entradas, contudo o portão de entrada para os feirantes faz-se pelo portão em frente da Fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro, antes passei numa ruela estreita e íngreme ladeada pelos Pavilhões do hospital termal , um belo conjunto emblemático de casario alto em pedra que me reportou ao típico holandês .Tive a sorte de ao parar junto à câmara para perguntar a uma transeunte que passeava o seu cão se estava na direção certa , nesse instante ia a passar o zelador da feira que se dirigia para o jardim para abrir o referido portão - uma esticada e pêras tal caminhada sempre a subir!
Já havia fila de feirantes,  outros na rua de mãos nos bolsos em alegre cavaqueira a quem cumprimentei - um deles distingui com um sorriso, e disse - " estive consigo na feira de Torres Novas..."o Joaquim "cigano"...homem alto e moreno, gostou senti!
Só entram feirantes credenciados, havia uma -, a Fernanda  que não o sendo, e tal como eu a sua primeira vez nesta feira, pediu-me para abancar junto a mim e assim dividirmos o terrado. Os feirantes habituais assolam no terrado central, cada um ocupa o espaço a seu contento - os outros mais recentes dividem a rua de acesso aos sanitários ladeada de plátanos centenários tal como todo o jardim. Quanto a mim a Câmara deveria apostar mais nesta feira tornando-a mais apelativa por se tratar de zona turística da Costa Verde tão perto de Óbidos, Nazaré, Peniche e,...as  bancas deveriam ser todas iguais como a  Feira de Belém ou com toldos iguais como na de Évora ,e os espaços marcados. Apenas a zona central deveria ser o recinto de velharias  e nelas destaque para : antiguidades, velharias e coisas velhas de hoje sendo que na tal rua paralela deveria ser para o artesanato, roupas e móveis usados - Assim sim seria uma feira interessante e organizada para todos os gostos da clientela. Havia de haver mais publicidade para excursões  - seja a Óbidos que dista a escassos 3 km , S. Martinho do Porto, Nazaré e tantos outros bons e belos destinos ali tão perto podiam vir a ser um bom futuro para a feira se tornar mais apelativa e promissora para as vendas se a mesma fizesse parte destes roteiros turísticos. 
Não vislumbrei cestos de lixo, os desperdícios do meu parco farnel tive de os trazer de volta a casa . De referir os sanitários asseados e com papel, falta um espelho - sou vaidosa e gosto de me mirar...o jardim pareceu-me pouco cuidado - os plátanos deveriam ser podados a "talão", não faz sentido aqueles ramos esguios infinitos. O Museu Malhoa está implantado ao meio, paga-se 3€, não tive tempo de conhecer, ficará para outra vez, pois o mestre faz parte da minha infância de tanto dele ouvir falar - viveu no seu casulo em Figueiró dos Vinhos a escassos 20 km de Ansião , a sua  casa  sempre me pareceu de bonecas -, um chalet romântico com vistas para as serranias de Pedrogão e Pampilhosa de caras para o  jardim Bissaya Barreto com as suas cameleiras já seculares lindíssimas - devem estar a florir -, as conheço desde sempre e o jardim também!
A feira podia ter sido melhor, mesmo assim vendi alguma coisa, já deu para pagar o combustível e fazer mealheiro. Havia boas peças da OAL e Bordalo, caríssimas. Havia Faiança Miragaia, e Coimbra igualmente carrérrimas. Havia uma garrafinha cilíndrica com rolha em vidro da VA - o Sr Joaquim não estava na banca por isso não a comprei , acredito seria em conta, triste estou por não a ter trazido comigo seria uma excelente oferta de natal com ginja - a minha primeira feita em casa para obsequiar a minha irmã - tenho de arranjar outra, também fiquei triste por não ter comprado uma peça assinada de Coimbra - um defumador com 3 buracos - dada...onde tinha a cabeça? Para não falar da púcara de cevada em barro vidrado amarelo e respectiva tampa...ainda vi um belo móvel de sala que gostaria para a minha casa de Ansião...barato 300€, ficará para segundas núpcias, porque desta última feita mandei fazer uma porta envidraçada para o cimo da escadaria de mármore de acesso ao 1º andar de forma a casa se tornar mais acolhedora no inverno, também a pensar nas crianças que acredito virão um dia destes  - gosto e zelo pela segurança de todos.
Travei conversa com uma colega da minha idade, mulher signo Peixes que me disse - "casei por amor, nada tenho a dizer mal do meu marido apenas que me deixou...estive 29 anos sozinha, agora vivo com o H...tem 30 anos -, veja como me adora, não sai do pé de mim e da banca, faz tudo em casa, ainda agora foi fazer o almoço, trouxe para mim, aspira, faz compras, passa a ferro...não julgue que me juntei com ele por causa de sexo - é muito inesperiente, estamos às vezes um mês sem acontecer...ele é muito carinhoso, pergunta sempre como me sinto...porque tenho sempre muitas dores..."
Boquiaberta estava pelo seu relato nem questionei se havia preliminares que no caso acabavam com as ditas dores porque relaxava...mas como me disse que ele  era inexperiente, acredito ela supostamente também -, se somos da mesma geração atendendo à educação e adolescência vivida em ditadura não se sabia quase nada de sexo, nem a palavra era usada e assim falada...contudo é muito interessante pensar que mulheres desta idade hoje já param para pensar em mudar, interiorizam a ideia de que no amor tudo é possível com diálogo com o companheiro para passarem à prática as suas fantasias e desfrutar da  sua vida sexual com preliminares, ver filmes, usar brinquedos, o que lhes aprouver fazer - isto para quem quer ser feliz, sentir um orgasmo nesta vida - porque deve ser muito triste para uma mulher sentir que pariu e nunca sentiu um orgasmo - antes foi usada como um depósito de espermatozóides. Graças a Deus e aos Santos - se é que existem - quero acreditar que sim - estamos no século XXI e esta mulher inteligente que a vida não agraciou para estudar senti ser uma mulher sem preconceitos e clichés - uma mulher de fibra! Havia outra da mesma idade já vai no terceiro companheiro e com vontade de partir para o quarto sendo que o atual é mais novo 10 anos. Que mulheres!
O pior foi o frio que se apoderou dos meus pés - gelados todo o dia...
Vendi um par de brincos compridos a imitar ouro a um "cigano" que me ofereceu 1€ com a retórica - os fechos são um de cada cor...respondi na "ponta da língua" - olhe só vendo velharias estou a pedir 4 se quiser leve por 3, e levou, encantado ficou quando os pus numa bolsinha de voile transparente que fechei com tiras de seda...não sei se ficou mais encantado com o embrulho ou com os brincos...moral da estória - comprou os brincos para a sua amada - há poucos homens com esta envergadura!
Revi o Sr Henrique e a esposa Ilda a quem deferi um elogio - "não sei o que faz à esposa está cada vez mais bonita..." rosto cândido de cabelos curtos aos caracóis e olhos grandes em verde parecia um rosto das belas estátuas romanas - será que tem alguma costela após 2000 anos da sua passagem e vivência neste Portugal?
Falei com o Miguel do Beato , e o Sr João de Oleiros. Travei conhecimento com o Hector Castro que me comprou um pires de 1885 de Sacavém com florzinhas para aparelhar com a sua chávena. Longa conversa a nossa confidenciou-me que é um apreciador nato desta fábrica e desta feita algumas peças suas fazem parte do blog da especialidade por cortesia  - http://mfls.blogs.sapo.pt
Ainda me ensinou a dica para tirar a gordura das peças com água oxigenada - que sabia - não sabia o segredo...tem de ser a 60 volumes! 
Mostrei-lhe um pires de vidro da Vista Alegre explicando a sua origem - ele sabia que a produção do vidro se iniciou no Covo perto da sua terra - na zona de Aveiro , mas da VA não sabia e mostrou-se feliz por ter alguns pires em casa desta fábrica.Com a conversa esqueci-me de lhe mostrar uma chávena de coleção com o trevo verde de Sacavém...
 
Também travei conhecimento com um jovem magro que estava numa banca com outros jovens que conheço nestas andanças mui recentemente - vendem boas peças. Falamos sobre a fábrica de Alcântara , Cantão Popular e Vista Alegre.
Ao sair do jardim  para rumar a casa reparei que há painéis de belos azulejos  e casario Arte Nova que vale a pena ver e apreciar , por isso tenho de voltar!
Na minha banca o objeto mais visado - um pepino com uns 20 cm da fábrica Bordalo talvez pela ilusão de parecer um objeto fálico...

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