Tal
como imaginei o almoço pascal de 2009 decorreu na minha casa rural .
A minha irmã
trouxe leitão acabadinho de sair do forno( na véspera quando pretendíamos
encomendar no Bigodes no Pereiro onde fomos por duas vezes -, sentia-se o cheiro mas a porta essa
esteve sempre fechada, já na Ansileitões não aceitavam encomendas-, valeu-nos a
empresa do primo Coimbra do meu marido nos Palheiros.
No domingo a minha irmã foi buscar a encomenda, a fila era enorme com 10 pessoas a aviar, quem apareceu sem encomendar ficou
com água e cheiros a destilar na boca...
Claro que a minha irmã trouxe como de costume espumante Messias bruto . A
mesa repleta com o arroz doce amarelinho e cremoso que a minha mãe ainda
fez bem cedinho e se baldeou no caminho, mas nada que não conseguisse
ajeitar...Faltavam crianças ao redor da mesa, tantos foram os enfeites com ovinhos,
coelhinhos, gomas que ninguém tocou, um desperdício...Tirámos muitas fotos.
Depois da cozinha arrumada rumámos em rota de passeio...A tarde amena e soalheira convidava a passeio pelo Pinhal Interior na redescoberta de paisagens e aldeias de xisto de cariz idílico .
Deixámos a Moita Redonda com os lírios a chamar a Páscoa rumo a passeio.
Chegadas à aldeia de xisto de
S.Simão no concelho de Figueiró dos Vinhos que o meu marido ainda não
conhecia.Tomámos o caminho pelo Avelar subimos a estrada do Castelo rumo
ao pinhal e aqui e ali encontrámos aldeias em planaltos com vista sobre as serranias.
Na ermida de S.Simão com inscrição de 1675 estacionámos o carro e fomos a pé até
à aldeia a desfrutar da paisagem. O restaurante estava cheio, entoámos em uníssono -, ainda bem que degustámos o nosso saboroso
leitão e bebemos espumante bruto...
Sob o espanto da minha filha foi um gosto revisitar a aldeia em família.
Quase total a reconstrução do
casario englobado nas aldeias de xisto.
Aventura sem igual parece que tudo foi
pensado ao pormenor...
Achei muito bonito, muito rústico, muito acolhedor. Sejam
as escadinhas, os corrimões e varandas em madeira, os vasos floridos, as
cortinas em renda, as traves de madeira grossa em jeito de cimalha a segurar portas e
janelas, sejam as fechaduras, algumas em madeira a imitar os antigos
ferrolhos e a telha de canudo mourisca tão castiça.
Breve foi o descanso numa escada de xisto.
Maravilhada com a boa reconstrução da aldeia.
Porta de um curral recuperada .Gosto sobretudo da ombreira -, um grosso tronco de madeira.
Casa de gaveto recuperada. Exterior de traça antiga, por dentro moderna, os donos de fim de semana...Adorei.
Varandim com flores são uma constante em toda a aldeia
Calcorreando a calçada da rua na aldeia de S. Simão no alto das Fragas de S. Simão.
Casa onde a Prof. D. Maria José Nogueira que casou e vive em Ansião, nasceu - lindo quintal cheio de cameleiras, hoje pertença de uma sobrinha. Foto tirada da fonte cujo terreno o seu pai doou às gentes da aldeia.
Porta estilo gótico da capela, possivelmente do anterior culto aqui existente.
Portal da capela de S. Simão com inscrição 1675
Perspectiva de dentro para fora
Evidências de altar mais remoto da capela de S. Simão do lado norte
Apontamento de uma cancela que deixa antever o jardim, escadinhas, o cântaro...
Mais uma casa com telheiro e cancela de madeira
A simbiose da trapologia branca no reluzente xisto
O gatito espreita pelo varandim de madeira da casa da irmã da Mavilde
Sacadas, cortinas de linho, rendas, vasos, xisto...lindo.
Cancela de madeira com trinco de cordel
Janela de calcário em avental
Pormenor de janela sem portada, varandim, telheiro...Tudo muito doce.
Alpendre da carroça e do carrinho de madeira de brincar, já lá voltei e não o vi...A casa estava à venda.Aqui termina a estrada.
O carreiro a pique o caminho de descida até às Fragas na Ribeira d'Alge. O que me falta ainda fazer!
Julgo
a única casa para reconstrução onde nasceu a D. Maria Augusta Morgado,
senhora que conheci muito bem -, amorosa, casou em Anião onde viveu e foi
a chefe dos Correios, pertença do seu filho mais velho que mora em Figueiró dos Vinhos!