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| Fachada de casa em Torre de Moncorvo |
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Nos azulejos relevados da Fábrica de Massarelos, os
meus olhos viram amêndoas em forma de pétalas. Na barra cachos de uvas a fazer
jus ao bom vinho da região vinhateira do alto Douro. Nas flores senti o bom
queijo Terrincho de ovelha curado. Na interligação senti o paladar macio e saboroso
de lascas de presunto, nesta terra saboreado assim, o meu primeiro; talvez por
ser espanhol... Raios me partam, sempre ouvi dizer " de Espanha nem bom vento nem bom casamento"...na
nítida provocação de rivalizar com o nosso, igualmente bom - de Montalegre e
Alentejo. Nas folhas distingui a pureza destas Gentes no saber receber, exaltar
o ego ao forasteiro -, sobretudo em obsequiar com tudo do melhor que tem!
- Bem hajam a todos com quem estabeleci conversa alheia!
Ao fechar da noite - termo que ouvi por terras de Torre de Moncorvo, haveria de ouvir outro - rilhar maçã . O calor e o cansaço apoderaram-se de mim...quis a vontade férrea solta em frenesim dealbar em magnitude escaldante e frenética neste meu querer maior em narrar a odisseia desta viagem programada e nela as vivências, conhecimento, e olhares pelas escavações arqueológicas . Uma oportunidade única. Elevado privilégio nesta minha vida - ver o que quase ninguém sabe estar a acontecer em Trás os Montes com a feitoria de duas barragens no Baixo Sabor cuja dimensão e modernidade antes nunca praticada em análogas construções no passado. Durante o Estado Novo, Salazar mandou edificar bairros de casas e afins para se instalarem neles todo o pessoal técnico: Cabril; Bouça; Castelo de Bode, e outras. Hoje aqui nesta terra transmontana vemos em plena actividade a maior britadeira da Europa - extraem o xisto que é de boa qualidade, o transformam em brita e com ela erguem paredões 24 sobre 24 horas, do mesmo modo a empresa das turbinas deslocalizou a fábrica e operários para o estaleiro, fazem ainda aqui os túneis de forma inovadora para o peixe migrar rio acima - o que no passado não aconteceu com outras construções - caso de Coimbra em que a lampreia tem muita dificuldade de passar o açude no choupal . Por aqui nesta obra monumental há muita novidade em termos de construção e aplicação de novas metodologias muito avançadas. A média de operários ronda mais de 1600 -, sendo 200 técnicos ligados à arqueologia, antropologia, conservação e restauro. A população alugou muitas casas desocupadas, outros compraram pelas redondezas, um investimento de futuro, porque toda a região tem especial encanto em todo o ano e não só no tempo das amendoeiras em flor. O estaleiro contempla outras infra estruturas de logística; cantina; posto médico; padeiro e,...salvo conduto para entrar - nem parece Portugal!
Sob sol escaldante, a aba do chapéu de palha revirou!
Na minha primeira visita in loco ás escavações...Emocionei-me, e de que maneira!
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- Placa explicativa de uma escavação no terreno.
- Em baixo foto panorâmica de escavações em actividade sob terraços fluviais
- vê-se na foto uma fossa em terreno carbonatado apenas a 1 metro e meio da superfície...julgo daqui a mais uns mil anos - se transformará em pedra...
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Grandiosa a empresa concessionária - EDP na aposta da preservação do património cultural relativo à ocupação humana desde um período ainda não certificado por fraco número de provas e de carvões por datar - calculado entre 100 a 200 mil anos até aos dias de hoje - forçosamente estes locais irão submergir com o enchimento da albufeira, mas estão a ser devidamente catalogados e registados - grande manancial de estudos - medições, fotografias e,...para quiçá daqui a 100 anos outros técnicos se deleitarem e com novas metodologias voltarem desta vez a mergulhar e voltar a redescobrir...porque a intervenção vai ficar devidamente "arrumada em submersão", por outro lado acredito a barragem não vai ser eterna!
- Uma curiosidade. Nas conversas com os especialistas ao lhes fazer a pergunta,- se costumam escavar nas suas terras...resposta escorreita " Santos de casa não fazem milagres" - por aqui vim encontrar um conterrâneo - Ricardo de Freixo -, Torre Vale Todos, tem o privilégio de viver em terras cujo registo remonta a 1175 afectas à herdade de Ansião pertença do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra onde proliferaram torres pequenas no tempo da reconquista cristã e castros mais antigos com achados arqueológicos. Fiquei com a nítida sensação de tão rico património desconhecer, pior, sequer demonstrar curiosidade...estaria tímido, um amante destes artefactos do passado deve ser VIVO...estarei a exagerar - é a minha paixão...nem todos são arqueólogos...há gente a manobrar máquinas, outros escavam,acarretam baldes de entulho para peneirar, agachados varrem para encontrar espólio, fazem medições e,...outros...todos vi fazerem trabalhos de pesquisa sob sol escaldante no meio de nenhures com o Sabor sempre por perto!

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Lagar da Quinta das Laranjeiras em ruína- por detrás da porta aberta estão os tanques em pedra
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Já os antropólogos visitam as populações envolvidas, fazem inquéritos com recolha de tradições, saberes, rituais, para melhor se perceber e saber fazer a interpretação do modo de vida das gentes e de locais que no passado foram à superfície referenciados - agora por causa das barragens explorados em profundidade .
- a título de curiosidade - aqui houve uma forte imigração nos finais do século XIX , igual na década de 50 do XX para o Brasil, tal como noutros zonas do País. Alguns deles regressaram com fortuna construíram casas apalaçadas e de lavoura com apontamentos artísticos interessantes à época - chalets - ainda persistem algumas - apreciei um cor de rosa com beirado de madeira a branco em Felgar que no imediato me catapultou para a casa da Barbie...
A Quinta das Laranjeiras também comprada por um desses imigrantes a viria a perder ao jogo - tal o vício descomunal ...hoje em ruína a casa, o lagar de azeite e de vinho, ainda um mais pequeno o alambique de aguardentes de vinho e figo.
- Também se fala da Santinha de Vilar Chão senhora a rondar os 90 anos que vive em Bragança - na minha perceção um negócio lucroso engendrado ( sendo ao tempo o povo beato e iletrado deu azo a ser enganado) - negócio que viria a ser gorado perpetuado por dois irmãos, um padre, outro médico e ainda um fotógrafo. Na mulher viram a santidade da oração, e da piedade...tanto ouro os peregrinos aqui deixaram na mira de receber milagres... já da Santinha se diz só ter recebido umas arcadas e um fio... (?).
Nestas terras era uso a sazonalidade rural tendo em conta o inverno rigoroso.
As gentes de Felgar tinham azenhas ao longo do rio Sabor - por aqui lhes chamam moinhos onde se moía a farinha com a força motriz da água do rio - o passavam em barcas, nelas levavam carroças pela altura da apanha da amêndoa , da azeitona, trigo, centeio, aveia e linho.Sendo que a festa rija se fazia no Santuário de Santo Antão da Barca onde acorriam muitos romeiros de todas as redondezas. Actualmente encontra-se em trasladação para monte altaneiro - em registo acelerado andam as terraplanagens em curso com vista deslumbrante - os peregrinos irão desfrutar do outeiro rodeado de um lençol de água e praia fluvial insuflável aos pés do adro - "O Santo deve dar pulos de contente" ao sair da beira do rio Sabor que atravessei de jipe, quem diria num troço de calhaus rolados e cota de água mínima -, parecia um regato e vai voltar a ficar nele, mas desta feita em grandioso cenário!
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| Monte onde se vai reinstalar o Santuário Sto Antão da Barca |
Também a capelinha de orago a S. Lourenço vai ter honras na mudança do terreiro em Cilhades, com reboco pintada de branco, a única na aldeia, tal e qual como na aldeia de Piodão por terras de Arganil .
- Cilhades - aldeia desertificada, totalmente abandonada, que linda foi toda em xisto, saltam aos olhos as ombreiras das portas engalanadas com pedras grandes a entrar pelas paredes mais claras no contraste do reluzente xisto mais escuro ,dão mote da grandeza das gentes que nelas habitaram.
Gostei francamente da oliveira no adro com um muro de pedra solta em redondo alto, no momento transportou-me para o Santuário de Fátima igual foi no passado de roda da azinheira onde dizem apareceu a Virgem Maria...
Linda aldeia na margem do Sabor.
Aqui a família do Seixas - tanto ouvi falar dele - teve haveres...riqueza mayor saber viveram sem o saber paredes meias com um cemitério de mouros a olhar para o Castelinho, pelo meio o Laranjal outra necrópole onde foram encontrados dois esqueletos na mesma sepultura, noutra uma linda taça asada de cerâmica campaniforme de bojo alto canelado e base redonda - que fascínio haveria em mim provocar este achado - em tempos no blog da Maria Andrade postou um parecido mais recente 1600 fabrico de Aveiro Cojo(?) na minha intuição achei pela raridade estar associado a rituais, e não é que está! !
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Oliveira no adro enfeitada com muro de pedra solta
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Neste lugar reza a tragédia ocorrida em 1917...Levantados os pilares da ponte - persistem nus ainda hoje, assim irão ficar para sempre...ou serão retirados tal como as árvores(?) - decorriam os trabalhos da última fase de acabamento para nela suspenderem o lastro em ferro - num repente o rio subiu, talvez uma enxurrada - a barca com os operários vira-se, pereceram no rio afogados 17 pessoas ...a ponte nunca mais foi acabada - julga - se que por nessa altura o valor do ferro ter encarecido devido à 1ª guerra mundial, também do viver da tragédia dos filhos da terra. Só nos anos 80 junto a uma azenha abandonada foi aproveitado o caneiro, e nela feito um passadiço com manilhas de cimento. Junto ao rio o verde em alguns locais transporta-nos para o romantismo de Sintra ao entardecer!
Tive a oportunidade de ver reservas de Museus. Jamais julguei entrar nelas e foram duas com tesouros distintos - no do Ferro vi um filme recuperado pelo meu bom amigo Arnaldo sobre o trabalho mineiro - no meu julgar as minas esventravam a terra em infindáveis túneis - afinal laboravam à superfície...
- Tal conhecimento e visitas gratuitas só possível graças à generosidade, hospitalidade, influências e disponibilidade do meu bom amigo Arnaldo Silva, esposa Ilda e filhos, Bernardo e Inês...a quem chamei Joaninha...outro nome carinhoso pronunciado pelo pai à sua princesa...dei-me conta quando ouvi o Bernardo a perguntar-lhe " a Joaninha é a nossa Inês?)... .
A minha chegada ...O meu bom amigo fez espera por mim na estação da camionagem - trocámos sentido abraço fraterno - amizade cimentada na mesma paixão pelos cacos, e pelas fotografias, caia o entardecer - levou-me para sua casa, a Ilda veio ao nosso encontro - mulher alta, bonita de traços fisionómicos de beleza incomum, doce e meiga - atrevo a dizer que nesta vida de mais de meio século nunca tive visão de mulher tão distinta, e compreensiva - mulher que merece respeito, e muita gratidão - recebeu-me como se fosse sua irmã - fatalmente o que senti!
Sorte do meu bom amigo Arnaldo que a merece - igualmente lindo - da sua boca saí um sorriso aberto - irradia beleza dental de fazer inveja a muitos - soberba, a foto com 13 anos na entrada da casa ao lado de outras da sua Ilda, e dos belos filhos, ainda um candeeiro a petróleo - espólio que herdou da sua querida mãe - tantas vezes o ouviria assim pronunciar - igualmente bela , a saudade refletida nos fetos que dela foram um dia , e por aqui na sua casa preservados com tanto carinho, delicados no contraste com balanças antigas, onde os pesos noutros tempos - a serventia era uso serem calhaus de pedra!
Precisei vir a sua casa para descobrir esta faiança que me ajudou a catalogar outra que adquiri ultimamente .
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| Faiança de Lagoa - Açores |
Remato em esplendor ...Tal o carinho que me distinguiram os meus bons amigos Arnaldo e Ilda extensivo aos seus também amigos que me apresentaram, e me deferiram carinho - Prof Madeira, e esposa D. Ester; Acácio, e esposa Natalina linda de olhos azuis, Esperança , e o marido de Figueiró dos Vinhos; Fátima, do Museu do ferro; São, da catedral; Susana - arqueóloga a quem tive o atrevimento de perguntar o que mais a fascinou até hoje...responde " um esqueleto no Museu do BCP na Rua dos Correeiros..." então não sei do que falava? Num repente gravita numa lição sobre a romanização na capital lisboeta - de pé, e nós sentados numa mesa de esplanada no Larinho cujo café reconverteu a antiga estação ferroviária onde chega o passeio ecológico ficámos de boca aberta, com tanto saber!
No domingo de manhã fui ao café onde encontrámos o Prof Maurício Ferreira...Homem de olhar redondo luminoso quando
me foi apresentado no imediato havia de me catapultar para descendência real-,
sabendo que D. Dinis casou em Trancoso...haveria de me confidenciar na mesa do
café da terra não ter especial interesse no assunto salientando que
outros na sua família na pesquisa da árvore genealógica aventam descendência de
linhagem por parte de D. João II com uma senhora chamada Pelicana cuja casa dessa
amante do monarca ainda existe em Torre de Moncorvo...haveria de ficar com aquele olhar tão subtil na mente, mais tarde fez-me lembrar tal brilho ...igualzinho ao da D. Manuela uma senhora de Tomar cujos genes os transmitiu aos filhos, viveu em Ansião mais de 30 anos, quem sabe afinal reminiscências dos Templários!
Todos para mim ficaram no meu coração por serem uns amores, é o que sinto todos serem, por isso um nome que merecem!
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| Selfie tirada no autocarro |
A pensar no calor da terra quente vesti-me fresca de vestido. Viagem morosa, nela quis que o dia se fizesse sentir nas 4 estações - no Marão choveu!
De Lisboa parti na frente do autocarro na companhia de uma mulher da minha geração, solteira - Virgínia - Gina para os amigos de Vinhais...não nos cansámos de conversa...confidenciou-me que no seu tempo de escola a pobreza era tal que para comprar uma folha de 24 linhas para fazer a prova a pagava com um ovo!
O desenlace deu-se em Vila Real com a certeza de nos voltarmos a encontrar. Mudei de camioneta e de companhia, agora outra senhora também da mesma geração vinha de férias da Alemanha. Mulher sofrida...
Estradas novas por todo o norte, vi o túnel do Marão - incrível, obra gigantesca a romper e desafiar o horizonte e as serras - num repente estou em Mirandela a cidade cresceu, no meu ver candidata-se a ser a 5ª cidade do País - não vislumbrei o Palácio dos Távora - longe vão os anos que vi a correnteza das janelas imponentes e tanto me fascinaram pela exuberância garbosa no imitar de babetes.
- Haveria, depois do jantar aqui voltar para assistir ao Sarau de encerramento do ano letivo dos alunos da Escola de Música. A filha dos meus bons amigos - Inês, toca Viola d'Arco - usa franja - ao centro de blusa branca onde a abertura glamorosa no tardoz rivaliza com a frente não menos bela...um peito perfeito talhado por Deus com a ajuda genética dos genes da sua querida mãe!
Menina mulher - olhar doce, voz meiga, fatalmente no meu passado me marcou por não o ter e nela se mostrar deslumbrante - peito de pasmar rara beleza faz inveja ao silicone! Daqui a tempos acredito será conhecida mundialmente tal como outros - porque bons músicos o são, tal o empenho,dedicação a estudar, e ensaiar. Uma mestrina deu mote aos pequeninos os primeiros a
actuar, haveria de ver outros maestros de alto gabarito.No público senti
: denotarem o saber de apreciar cultura; no saber obsequiar , tantas
flores vi serem ofertadas, e ainda no saber comer - tal a magreza - só
vi dois adultos obesos, julgo problema hormonal, distúrbios da
tiróide...deixo para tese aos especialistas...mas que bem se come nestas
terras, silhuetas de fazer inveja, digno de ser visto...perco-me a
pensar - terá haver com o lanche ajantarado, e antes de deitar
torradinhas com leite...sem falar nos produtos ecológicos produzidos
ainda sob a forma artesanal.
No final houve a entrega aos finalistas de prendas
alusivas à região - uma oliveira para plantio, quem sabe algumas vão
crescer - por certo vai haver gente de brio e as replantem, e daqui a
anos o digam com orgulho aos seus descendentes..."esta foi ganha por mim tinha eu 18 anos, e tratei com carinho..."
também uma lata ou seria frasco de azeite, e uma rosa branca de alto
caule com espinhos - ainda assim bela, simbolizando a pureza, e a luta
árdua pela vida simbolizada pelos picos... o Sr Presidente da Câmara,
homem com o dom e destreza da palavra, de pasmar a eloquência apesar de
fadiga - acabado de chegar de Lisboa tal como eu - afinal podia-me ter
dado boleia...bonita a amabilidade, e carinho pelos alunos no palco
demonstrada.
Fiquei estupefacta com o acolhimento, auditório cheio,
superlotado com gente de pé. Amei o Sarau. No final do concerto, nas despedidas, a conversar com a prima da Ilda senhora de belos olhos azuis, e da filha, recém médica, linda, Ana(?) mui graciosa passa por nós um miúdo com o instrumento descomunal às costas - um contrabaixo - pena não registar tal cenário, o miúdo não se via tal a grandeza do instrumento, apenas vi a ponta dos sapatos - parecia um pinguim - brutal, o seu empenho, como dizia o poeta - engenho e arte!
Amei presenciar a juventude em alegre cavaqueira nas suas despedidas de verão, alguns com os instrumentos às costas, de flores nas mãos, lágrimas no canto do olho, apresentaram-se vestidos a rigor para a cerimónia, gente bela - olhos claros, ora verdes ora azuis, raiados, e castanhos iguais aos meus, nestas terras de Trás os Montes - palco de uma comunidade judia ( por isso as alheiras - não comem carne de porco) ainda vikings aqui deixaram raízes, e claro da última invasão francesa.
Volto à minha viagem ...Passei Vila Flor - no Cachão relembrei os tempos áureos da indústria dos produtos do nordeste transmontano, hortícolas, frutícolas, e de transformação de carnes - DEVERIA RENASCER - jamais me esqueço do nome, no tempo áureo ao ler a noticia no jornal com a minha pressa apressada - li caixão - por tal não me suar tive de voltar atrás e reler...
Rico Vale da Vilariça
O Nilo Português fértil aqui o Rio Sabor desagua no Douro -a Foz!
Entroncamento para a Adeganha no gaveto quinta da Portela com um nicho de granito escavado e nele um crucifixo do outro lado uma capelinha com fresta visigótica.
Almoço domingueiro na Foz do Sabor a convite dos meus bons amigos
No dizer do Bernardo : Miguinhas de peixe, toda a gente adora , no Rio Sabor
em casa da D. Aurora!
Muita fartura, as migas no dizer do Bernardo " tem de se aprender a gostar"
exalam sabor a erva pesqueira que me pareceu da família do poejo...a D. Aurora não acatou a reserva, valeu-se do que tinha de sobras...julgo. lhe faltou o peixe estufado. Os
barbos fritinhos até as espinhas se comeram. Na espera de mesa chega-se
um "bruto mercedes, e dentro dele gente rica de Lisboa (?)..." perguntava se sabíamos onde era a tasca de peixe cujo dono falava alto, de modos, destravado... seria a casa João e Lucinda ou a tasca do Recta ou,...o importante o modo como interagiu connosco..."estive lá há tempos, pedi um bitoque, o bom homem disse-me em tom alto, forte e feio - aqui na minha casa só se come peixe e do bom"...
Falar de Torre de Moncorvo visto de dia e de noite
Dei conta que a vila portuguesa do nordeste transmontano é apenas chamada
pela maioria de - Moncorvo, pertence ao distrito de Bragança, e tem uma população com cerca de 3 000 habitantes.
- Perguntei a origem do nome - Torre de Moncorvo -
debalde não obtive resposta sustentável - no meu modesto julgar alvitro
a existência de uma torre de vigia altaneira no sítio do Castelo sendo que em tempos de
antanho Moncorvo era um castro na outra margem do rio Sabor onde ainda
se vêem vestígios da muralha de xisto . Possivelmente por causa das
cheias se mudou para o alto onde estava a torre - adaptando os dois nomes
que lhe assentam como uma luva!
A
vila à noite apresenta-se iluminada em todo o seu redor - luzes cintilantes - aqui, ali, e além, no desenlace das
serranias - imagem brutal de luz e contraluz em meias luas de cantos,cantinhos (aldeias e vilas) de todos os
tamanhos - cenário idílico - o brilho irradiado no horizonte, e o pôr do
sol só vi igual em Serpa, na foz no Porto, e no alto da Ameixieira em Ansião...cores
fortes laranja e vermelho - em brasa, escaldantes!
O município é limitado a norte pelos
municípios de : Vila Flor; Alfândega da Fé; e Mogadouro, a sueste por Freixo de Espada à Cinta, a sudoeste por Vila Nova de Foz Côa e a oeste por Carrazeda de Ansiães.
O concelho recebeu foral de D. Sancho II em 1225.
Aqui há casas solarengas a meu gosto - Solar dos Pimentéis - não sei se da linhagem daqueles que viveram em Maças de D. Maria no concelho de Alvaiázere, conheci em miúda, e me ficou na memória pelos babetes em pedra - aqui nesta região tão evidentes.
- Freguesias no concelho de Torre de Moncorvo:Açoreira, Adeganha, Cabeça Boa, Cardanha, Carviçais, Castedo, Felgar,
Felgueiras, Horta da Vilariça, Larinho, Lousa, Maçores, Mós, Peredo dos
Castelhanos, Souto da Velha, Torre de Moncorvo, Urros.
Não tive tempo de visitar o Convento das Carmelitas no Larinho - tem o hábito de oferecer um escapulário aos visitantes. Ainda um dia lá vou buscá-lo!
Há ainda a casa da Pelicana - amante favorita do Rei D. João II - alguns insistem dizer ser de Freixo Espada à Cinta - olhem que é daqui de Moncorvo.
E muito mais património - venham e descubram!
Um ilustre da terra na arte de representar - Tó Zé Martinho - então não me lembro dele com a mãe no programa de entretainem - Cornélia...com saudoso Fialho Gouveia - tinham aqui uma grande quinta. Ainda a Sónia Araújo aqui nasceu no concelho e,...
Chafariz Filipino
Junto à muralha do Castelo , ao lado da Porta da Traição passava o "Cromo doutor Pimentel"... por aqui há gente que lhe chama outro nome...obsceno...todos os dias pela noitinha o haveria de ver na esplanada a pedinchar fosse cerveja, cigarros ou mesmo uma moeda...
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Igreja matriz para mim uma catedral
Gostei imenso de aqui voltar entrar - ouvir outra
vez a estória do tríptico com a vida de Santa Ana de 1500 feito
em Antuérpia...roubado por gente do património num inventário... recuperado à posterior - ladrões deportados... aqui veio um
descendente de um repatriado e, contou a sua estória...tem de aqui vir - ouvir da São - mulher gira e com saber - se
explica muito bem.
Edifício do séc. XVIII, com fachada barroca, pertenceu à família de Oliveira Pimentel.Aqui nasceu o General Claudino e o Visconde de Vila Maior.




Adorei ver as hortas comunitários sustentáveis
Criadas
para as pessoas mais desfavorecidas...faltou
gente para a distribuição dos talhões - deste modo os meus bons amigos
tiveram direito a um de gaveto junto à Mãe d'água...não sei se ela vai
chegar para
regar os tomates, pepinos, feijão frade que aqui chamam de chícharo, e
não devia ser ( são duas
leguminosas distintas sendo que o chícharo é da forma do tremoço em
seco,
e de sabor igual ao grão de bico).
Gostaria que a entidade camarária fizesse do espaço um jardim - matéria prima tem de sobeja - xisto. Adoraria ver muros baixos em xisto e os tanques de água igualmente assim revestidos, ainda banquinhos para se sentarem e uma casinha onde todos guardassem as alfaias. Preservassem os muros tradicionais lindíssimos e plantio de árvores de fruta na vez das que aqui foram plantadas típicas de jardins...ouvi dizer que são restos do projeto inicialmente previsto por um arquiteto de renome - caríssimo sem serventia! Quanto à casa - linda colunata em pedra - deveria ser reconvertida em salão de chá com venda de produtos endógenos biológicos das hortas de fazer inveja , muito
bonitas , tanta gente jovem
que delas trata com carinho, e que dizer das flores .
Destaco amigos
fervorosos do Bernardo - irmãos - denotam ter muita paciência nos seus leirões - a terra barrenta aperta os vegetais - mesmo assim, mais o Pedro
- trintão de cabelos, e barba da cor do trigo, olhar claro denota
saber ( então não disse logo que a urina por ter azoto é um excelente
fertilizante misturado com cinza....e, o Vitor rapaz mais
intelectual vestido de magreza com óculos de massa pretos os dois
em roda viva de volta das plantas que me pareceram reles...pobrezitas...( alvitrei ao Vitor para de futuro deveria semear os feijões em linha , para não
germinaram do mesmo buraco 3 ou 4 , naquilo ele responde-me...são para
transplantar...respondi - o feijão não se transplanta, é semeado no local
...diz-me de voz solta...na escola fazíamos assim em copos e,...Grande o encantamento
com a sua horta, os vi abaixar, regar, e o carinho a mirá-las, ainda a tirar do embrião do feijão a terra seca para ele sair da dobra e se levantar para o sol... - montaram
uma estrutura aérea para suspender rede, e assim a proteger do calor tórrido,mas ainda não a tinha, e fazia falta.
Naquele fim de tarde com o sol a bater na colunata de pedra da casa da
quinta - vi o Ricardo, alto de belos cabelos escuros pelas costas, vocalista da Banda Duff - fazia-se ao palco - pose de modelo com tiques no modelar o penteado...não o vi tratar da horta, prefaciando as palavras do Bernardo - Muito bons músicos, pena residirem no interior !




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Antiga casa da Roda dos Expostos aqui funciona hoje o turismo
Casa típica da arquitectura rural
transmontana com varanda exterior de alpendre e pequena janela com a
data de 1785.
As andorinhas adoram este beirado...no dizer do meu bom amigo Arnaldo o maior beirado de ninhos de andorinhas - adivinhem qual a freguesia?
Cardenha
Relógio da Fábrica Coisinha de Almada - na lateral o antigo relógio de sol
Moldura do nordeste transmontano tirado por detrás do vidro do jipe...
Intrigada ando há muito com a toponímia. Encontrei por mero acaso nesta zona do nordeste topónimos de localidades iguais a outras da minha zona no centro do País e não sei a razão de tal coincidência:
- Almofala; Avelar; Rabaçal; Mogadouro; Penela da Beira - Penela;Carrazeda de Ansiães ; Ansiães - Ansião...será que ainda há mais?
O Dr.Valmedar disse-me que o Dr Paulo Dórdio tem uma explicação para esta coincidência - durante a reconquista cristã os soldados ao virem de norte para sul foram repovoando as terras, dado-lhes nomes de outras já reconquistadas no norte ... agora pergunto - Rabaçal não é topónimo romano? Fica o desafio - acho muito interessante!
O autocarro parou junto à Quinta da Portela - adorei o nicho de granito escavado, dentro dele um crucifixo. Fiquei com ele na cabeça, no dia seguinte a caminho da Adeganha o Arnaldo parou, registei esta foto e ainda do outro lado apreciei
uma pequena capela - de um dos lados uma fresta da época visigótica. A
paisagem é deslumbrante, de tirar a respiração - se o visitante conseguir olhar para os penedos graníticos - ver neles arte talhada por Deus em formas arredondadas, e pelo homem - riscada - a arte rupestre. Tais os brutais achados a cada dia.Nesta zona situa-se a quinta do Tó Zé Martinho - actor conceituado de teatro, cinema e televisão . De facto a mãe dele é muito bonita - ele herdou-lhe a genética. |

Vestígios da estrada medieval
Trilhei a calçada na subida íngreme pelo meio de giestas - cortesia do meu bom amigo Arnaldo
- por aqui há castros nos cabeços graníticos - tanto castro , tantos
vestígios de ocupação humana desde os primórdios da idade da pedra, do
cobre, ferro, romana e medieval. No meu rápido dizer - O Mayor - só
falta encontrar um azulejo romano para a monumentalidade ser plena
nestas terras do Baixo Sabor...não o consigo pronunciar,apesar de fácil - tal sapiência
destas gentes...falam dele com amor, pela riqueza que lhes dá em peixe:bogas;escalos,barbos pequeninos para fritar em azeite e grandes para as migas de peixe, axegam e,...um pescador - Relhas anda aqui nestas águas desde os 7 anos, e já conta mais de 70...rijo que nem um pêro!
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| Estrada medieval - Linda |
Espero que a atividade na Ferrominas renasça para bem da população e da riqueza do País.
Incrível numa terra com exploração de minas de ferro - não vi esculturas - ao invés das câmaras de esquerda ostentam em demasia escultura deste material - Almada e,...
- Se houver empenho em preservar memórias podem aproveitar esta chaminé da Quinta das Laranjeiras...depois de limpa e tratada ficaria soberba enquadrada num dos recantos da vila a fazer jus a uma das riquezas transmontanas - o ferro - daqui extraído e fundido não sei onde.
Pormenor da corrente onde se prendia a panela ao lume - quantos Museus gostavam de ostentar assim uma...
Há muitos espaços, passeios e paredes na vila para recuperar e modernizar - alguns em reabilitação a paralelepípedo de cimento às cores - outrora em cinzento em Espanha... longe da calçada portuguesa genuína!
ADEGANHA ALDEIA VIVA
- Dizia-me o historiador António Júlio Andrade que o nome de raiz latina quer dizer...a caminho das minas...
Sábado 14 de julho de 2012 - festa rija, há anos que não se fazia - só possível graças a gente vinda de fora aqui radicada temporariamente ( a trabalhar na preservação do património que vai ficar submerso com o enchimento das barragens) arqueólogos, antropólogos, gente do restauro e conservação e,...gente muito jovem, moderna amante das tradições, de lhes voltar a dar vida - tiveram a arte de envolver a população , tal paixão os cativou, deu forças para fazer acontecer - das arcas retiraram vestimenta de antanho - domingueiro e de trabalho, mostraram as artes e ofícios da terra, improvisaram tasquinhas e bancas de vendas - o Dr Paulo Dórdio, arqueólogo deu-lhe o mote no negócio - muito pelo sorriso livre de encanto, quicá do dente encavalitado a fazer lembrar o meu ídolo Richard Gere...( ainda me contou que se tem encontrado muita faiança de Aveiro no Canadá - disse logo eu - do tempo dos bacalhoeiros...a resposta não poderia estar mais certa.Quem faltou? o antropólogo Dr Valdemar que por razões que aqui não interessam sei visitou a feira de velharias em Vila Real...que inveja...ainda me disse com um sorriso aberto e franco " fui muito feliz em Tomar"...pudera...as mulheres são igualmente belas!
Havia gente sentada na praça em bancos feitos de Mós, de boa grossura granítica, cortadas e dispostas em círculo sob a sombra deliciosa das amoreiras - sim - por aqui floresceu a rota da SEDA - em Alfandega da Fé ainda há indústria dessa arte - apreciei workshop de fazer sabão com azeite, e jogos tradicionais: saltar à corda; malha - aqui feita de pedra e pesada - passeatas de burro; jogar ao arco,danças medievais - de todas a que me fascinou no testar limites - SEGADAS - prefaciando o dito popular “Pelo junho foice no punho, e pelo São João sega o teu pão”.
venchelos - molhos do cereal atados com o próprio cereal
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A caminho da Segada...forasteiros e homens para malhar, mulheres para varrer o cereal no eirado de granito - coisa brutal - uma eira feita pela natureza.
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Homem castiço o dono do jumento Zé...Haveria de o
questionar por que razão não levaram para o eirado uma mó manual para os
forasteiros saberem como no antigamente se fazia a moagem manual...resposta
escorreita...ah não, o cereal ia para a azenha lá é que é
moído...voltei a insistir, a explicar...debalde não entendeu...voltei uma terceira vez, e nada...ri-me
para a Ilda... percebi que não valia a pena insistir, não tem culpa de não saber como se fazia há 100
anos...apesar de na terra ter visto à laia de abandono algumas , no caso
deviam estar guardadas, antes que mudem de sítio ... a minha
análise!
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| Pedi para ele parar e registar a foto |




Chegada do cereal ao eirado de granito feito por Deus...
O Arnaldo apresentou-me um homem que fora seu aluno, com quem aprendeu a ler e a escrever - sorriso branco, e olhar radiante a quem distingui com um piropo soft...no final disse-me ser padre...Eduardo o seu nome - um espectáculo!

Este bom homem quis presentear todos calçado como antigamente usando socos -o calçado de antanho.
O ritual da segada foi feito a preceito com o cereal disposto no eirado para ser malhado com o malho
ou amengueira, pelos homens possantes: no passo, e batida certeira -
caso o malho ao alto se desvie, bata no peito do colega da frente, o
mata de imediato. Há muito guardados no celeiro - vi pelo menos 4 malhos desintegrarem-se...
As mulheres carregam vassouras de giesta, umas
grandes, perdi o nome, e outras pequenas, ainda havia a pichorra -
cantarinha de barro com água fresca para se refrescarem e moringues (barris de dois bico).
Amei apreciar estes homens, bonitos, simpáticos, muito possantes, mas que força - de arrepiar - sorte das suas mulheres, porque homens destes julgo nunca vi...alguns com 70 anos pareciam ter 50...coisa para pensar. As mulheres são lindas, mas também tem a sorte de ter maridos com energia - coisa rara...um deles deu-me 4 beijos de fiada, trazia um chapéu vermelho à cowboy...


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Mós manuais para triturar o grão e fazer farinha
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Malhada batida e palha tirada - barre-se o eirado para o centro onde o monte de grãos é agora limpo com pás de madeira atirados ao ar.Tem arte o limpar o cereal. A Esperança do teatro vestida a rigor de pá
em punho o atirou ao ar com preceito - sim tem técnica - para um lado cai o
grão e para o outro os ciscos.
Fazia-se horas de chegar o tacho com as sopas da segada : Pão demolhado
com bacalhau, e ovo cozido regadas com bom vinho saboreadas à sombra do
sobreiro.
- Pensamento humorístico...
Nestes
tempos de antanho todo e qualquer serviço tem arte -, o que equivale a
dizer que todos reúnem muito saber nesta Universidade da Vida. Poderiam
graças ao Processo de Bolonha se candidatar a meu ver no pedido de conversão
em Créditos para equivalência a Licenciaturas...que as merecem tal como
aqueles que
queimaram as pestanas a estudar, para não falar dos pais que pouparam
para lhes pagar os
estudos....e, não o que se tem visto com gente do governo - acabam os
cursos
por "compadrio, cunhas e tuta e meia de aulas"...ouvi na viagem de comboio do Pocinho à Régua um
homem comentar com outro " quando há uma revolução tem de correr sangue, e
não cravos, no 25 de abril deixaram ficar os ladrões que se juntaram
outros..."curiosamente este pensamento é comungado por mim,desde que
nasci assisti a guerras na televisão, Vietname, Biafra e,...quando chegou a
nossa senti-me frustrada tal como este homem...no meu pensar de
adolescente senti um fracasso na comparação do antigamente termos sido
grandes em desbravar aqui e além mar, e agora cravos...começa a fazer
sentido!
- Quem foi o herói da festa - ANDRÉ - Homem novíssimo - 29 anos, franzino, usa barbicha, olhar doce, e voz semi rouca , afável, de andar castiço ganho julgo, a bailar danças medievais. Presente sempre em todo o lado, em todos os momentos. Grande solicitação ... só se ouvia chamar pelo André..o vi acudir a todos com carinho, vestido de calça surrada com remendo cozido à mão como em tempos de antanho era uso tal vestimenta, e camisa tradicional sem botões de atilho na gola do pescoço - na presilha das calças pendurado o púcaro de alumínio para se refrescar - imprescindível a um bom trabalhador - porque fontes há muitas como já não é uso ver-se!
Conheci a sua linda mãe senhora magra de estatura baixa, e cabelos sedosos alvos, dei-lhe os Parabéns pelo filho, que apreciei ter muito talento. Não resisti perguntar o dia de aniversário - 30 de maio igual ao aniversário do Bernardo filho dos meus bons amigos - uma coincidência gira que registei com agrado...também o meu mês mas no início.
Tirei esta foto no adro de uma ermida graciosa de caras para a casa da D. Aida - senhora, que amavelmente nos ofertou comida, e bebida a roudos...sem falar nos doces..destaco a amêndoa torrada, e o licor de laranjeira.O marido igualmente simpático, parecia um estrangeiro tal a finura da pele, e o jeito de matar o cabelo com o chapéu à campeão.
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Igreja de Santiago da Adeganha remonta aos primórdios de 1248. Feita com silhares de granito onde há poucos anos foram descobertos belos frescos, parcialmente destruídos julgo em 76 pela conservação dos monumentos nacionais... felizmente interrompida por alguém que conseguiu ver tal património escondido pelas camadas de cal .
- o historiador António Júlio Andrade - tive a sorte de me ser apresentado, com quem aprendi e troquei impressões...haveria de me confidenciar que a 1ª mulher portuguesa que entrou no Canadá foragida de Mogadouro vestida de homem no tempo da inquisição.
- Haveria de haver outros a quem o meu bom amigo me apresentou: realizador Leonel de Brito com quem gracejei sobre o Manoel de Oliveira...que me disse" quando estagiei com ele já lhe chamavam velho...teria na altura 60 anos.."
- esqueci o nome das meninas...que chatice, só me lembro da Rita, havia outra com tese em olaria, de Sintra e,...perdoem-me a falta de memória...esqueci o caderninho de tomar notas, e não devia.
- Amei conhecer o Presidente da Junta - Guilhermino - e a sua bela esposa - então não estou farta de dizer que as mulheres são todas lindas - belos olhos azuis, exala rara beleza nórdica.
Igreja de Santiago da Ateanha
Pormenor das conchas de vieira esculpidas na madeira da porta lateral
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Porta lateral virada a norte
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O sineiro pareceu-me que mugia as tetas de uma vaca...haveria eu na mesma figura ficar registada numa foto registada pelo Arnaldo
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O fascínio da luz do vitral da pequena janela
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Alminhas Santa Barbara quase na empena da casa ao invés das que conheço mais abaixo ao nível do olhar |
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Menino Jesus engalanado de vestido...e, calcinha com rendas
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Intrigou-me esta porta de madeira virada a norte ter esculpidas
conchas de vieira. Antes de saber o orago da igreja - o descobri desta forma.Não sei
se a Rainha Santa na sua peregrinação a Santiago de Compostela por aqui
passou - sei que esteve em Coimbra - só foi reconhecida em Espanha
pelos presentes que levava,caminhou como qualquer
peregrino.
- Seja como for o meu bom amigo Arnaldo gosta de escrever o meu
nome Izabel tal como o dela...eu adoro!
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Sepulturas no exterior de um lado e de outro da igreja escavadas para encaixe da cabeça e dos pés - uma ainda conserva a tampa com uma linda cruz esculpida
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Artes tradicionais - algumas em desuso
Teares...ouvi dizer que o André comprou um com uma colega, ou seriam dois...
Colcha lavrada cerise da cor das cerejas
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| Meias de algodão feitas à mão |
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| Tigelas de barro do requeijão da Cardanha |
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| Linho com maço e espadelas de madeira |
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| Sabão de azeite |
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| Lindos os meus amigos: Ilda e Arnaldo |
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Esperança - Linda moça, já esteve no Espaço de Interpretação do Nabão em Ansião numa formação de teatro
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Havia uma senhora que trazia nas orelhas uns belos brincos compridos com mais de 400 anos...guardados em cofre forte!
Apicultora vestida de traje domingueiro |
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| Ruína de casa que exala beleza imensurável de pedra e património |
TORRE DE MONCORVO
Espaço Museológico do Prof. Arnaldo Silva , assim o ouvi cumprimentar por todos.
Projecto
particular que teve a sua materialização no Núcleo Museológico da
Fotografia do Douro Superior. Neste espaço, da sua iniciativa, guardam-se mais de 100.000 registos fotográficos na casa do antigo fotografo de Torre de Moncorvo para o estudo da história contemporânea da região. Os
registos mais antigos remontam aos primórdios da fotografia, e alguns
deles estão datados de 1884. A iniciativa tem sido levada a cabo sem quaisquer subsídios ou apoios institucionais. O interior do espaço
museológico apresenta um conjunto de painéis alusivos aos
movimentos populacionais, população agrícola, à cultura da amendoeira,
ao gado ovino, produção de vinho, caminhos de ferro e à actividade da
Ferrominas.
A jóia da coroa deste espaço museológico é o seu arquivo
fotográfico, onde se guarda mais de 100 anos de imagens da história
local de finais do século. XIX e todo o século XX.
Lamentavelmente a minha máquina fotográfica avariou...aqui fiquei sem registos, e havia tantos para todos os gostos, desde a fotografia que me encanta associado a outros artefactos encontrados na remodelação da casa - cacos de faiança dos bons - também de vidros - pedras - cerâmica e,...
Difícil escolher a peça emblemática, aquela que no conjunto sobressai, nos eleva a sonhar!
A minha escolha recaí na casa onde habita - abundância de fotos da família dispostas em harmonia, de tamanhos vários, graciosa à vista, a fazer de quadros - nunca antes visto - um autêntico tesouro!
No Espaço Museológico foram 3 : trepadeiras de jasmim a ladear a frontaria .
A arquitectura interior - obra de revitalização do Espaço tendo em conta a sua pequenez - sob o comprido entre paredes - brilhante e bem conseguida com o painel de vidro para entrada de luz - é de ficar de boca aberta.
Quanto ao espólio perdoem-me ...não consigo ultrapassar o fascínio de ter visto tantos...
- falo de pedras fálicas romanas - afinal somos gente de carne e osso - perdoem-me a loucura da frontalidade - adorei - a minha segunda vez que tive um fálio na minha mão - sendo que o 1º - foi outro ainda mais belo por ser completo - em calcário encontrado no Rabaçal onde passava a via romana a caminho de Tomar - feliz coincidência levou-me a divagar, a tentar perceber estas gentes que há 2.000 anos já os usavam...e, questiono-me...encontrei um escrito AS MÁSCARAS DE DEUS - onde retirei um enxerto...
Primeiro - "o Deus bíblico é assexuado;ora descrito como marido
e pai e outras figuras masculinas(com mais frequência);ora descrito
como figuras femininas (como uma ave que abriga seus filhotes ou como
uma grande Mâe).
Segundo - Nunca é dito na Bíblia que Deus tenha empregado instrumentos fálicos e penetrado sexualmente Maria.Deus,sobre naturalmente,a fecundou.
Terceiro - as similaridades nos relatos podem servir como comprovação de que o substrato da história registada nos escritos sagrados é sólido. Contudo, não tem poder evidencial para estabelecer qual versão se aproxima mais da verdade"
.........................................................Pois é!
- Amei ouvir ..."onde foi o pai?...foi ao Castelo..." tal o carinho que os meus bons amigos demonstram sentir pelo seu Espaço Museológico. Quem gosta de história gosta de castelos...eu sei que amava ter um igualzinho ao cimo do quintal da minha mãe onde outrora também foi um burgo medieval...
- Julgo sem modéstia - alguém do Pelouro da Cultura de Torre de Moncorvo deveria olhar para a cultura aqui exposta, dar uma mão e fazer acontecer cultura viva - patrocinando, e relançando este Espaço além fronteiras - investindo no projeto seja na publicidade, seja na sua abertura ao público, cujo sucesso não há dúvidas de virar fenómeno - as barragens, e a criação de um Museu com o espólio encontrado possivelmente em Felgar, a Terra quente vai virar destino turístico - os australianos estão a apostar forte no Douro - afinal o Sabor na foz beija aqui o Douro.
Vai aparecer gente com muito dinheiro que aprecia cultura, gastronomia, e adora paisagens surreais por aqui em contrastes...é, a grande aposta neste futuro imediato para o desenvolvimento do nordeste transmontano!
Trocámos presentes...
Levei perfumes e chocolates para o Bernardo, e para a Inês - quis a
vendedora no Fórum ao ser por mim interpelada como distinguir os
cartuchos, me dizer em modo acelerado " não há como enganar, a cor do laço..."
só sei que a Inês recebeu o telemóvel, e o Bernardo a caixa de
batons...forte risada...valeu este ter a ideia de a guardar para
saborear com a namorada Mariane... levei para o meu amigo Arnaldo copos em cálice da VA fabrico com mais de 150 anos, e pratos: Cantão Popular Cavaco de Gaia, outro verdadeiro em porcelana do século XVIII ,
China, e Coimbra - miniatura com corações , ainda lhe ofertei o catalogo de Faiança Ratinha elaborado por Ivete Ferreira sobre o espólio do Museu Gargaleiro
em Castelo Branco de onde o pedi via correio ...bordados de bilros de
Peniche , e da Madeira para a Ilda e,...
- A Ilda foi como uma mãe - fez-me o farnel para a viagem - comprou pão de Carviçais, Bola de azeite, queijo Terrincho
,e juntou: amêndoa do lavrado dos pais , e salpicão
oferecido pela D. Ester para trazer. O Arnaldo deu-me um pratinho da Lagoa - Açores,
e uma floreira igualmente em faiança, dois livros: Igreja de Santiago da Adeganha e a revista nº 1 de fotografia - Superior D'Douro, tinteiros
de porcelana da escola primária e aparos, ainda notas antigas, e uma bela moldura oval para
por o retrato da minha família. Deram-me hospedaria no quarto da sua
Inês, saciaram a minha fome a todo o momento...todas as noites depois da meia
noite sentados na cozinha se faziam torradas, bebi leite com chocolate,
outra vez brindámos com bom vinho, naquela casa comida foi em fartura -
bela posta mirandesa grelhada, que dizer do bacalhau frito ou da torta
de bacalhau recheada com camarão e pickles da D. Ester - que o Bernardo ficou adepto fervoroso - boa a
sopa de feijão verde, cremosa, e fruta - a cesta em cima da mesa sob toalha em estoupa debruada a crochet - magnífica - a tapava ao centro de tão grande, já a fruta havia-a de
todas as cores, ameixas, pêras Joaquina, maçãs, laranjas, melão e,...
Não me deixaram fazer nada. Andaram sempre ao colo comigo a
mostrar a sua terra - cansados senti estarem, não era para menos -
acabados de entrar de férias, desgastados, logo apareci neste frenesim
de querer conhecer - não há forma de lhes pagar tal acolhimento e
bondade. Gente de gabarito!
Torre de Moncorvo preserva as tradições das suas gentes -
só mesmo os ciganos aqui proliferam integrados na sociedade na antiga
cadeia onde vivem em comunidade. Aliás o mesmo se passa em toda a
arraia, e nas grandes metrópoles.
Ter escrito sobre estas terras foi um prazer, deixaram - me maravilhada para não dizer em êxtase!
Acredito
que estas terras longínquas do progresso dito da beira litoral , está a
ganhar foros de grandeza a olhos vistos com as feitorias e, achados
arqueológicos enquanto testemunhos do passado - riqueza de espólio para
Museus - esperamos venha a ser conhecido no mundo, sobretudo da sua arte
rupestre. A D. Ester na viagem de
comboio deu-me informações sobre as freguesias que revivem ainda
tradições que podem a meu ver chamar mais turismo:
Felgar
- No passado um grande centro oleiro de cariz familiar. Julgo
encerrado - deveriam apostar num Museu ou mesmo voltar a ser viva esta
arte.De vez em quando vejo vinagreiras com a cantarinha de grão
grosso de Trás os Montes a ser vendidas por ciganos...
Felgar tem algumas casas feitas por imigrantes brasileiros - lindas, a do Seixas igualmente bela com varanda em ferro forjado e data de 18.. e azulejos.
Felgueiras: Prolifera a indústria artesanal de velas de cera - os cereeiros tem um Museu.
Cardenha - Produção artesanal de queijo e requeijão.
Carviçais: O bom pão, saboroso, verdadeiro.
Urros: Mulheres tecedeiras ainda fazem obras de arte nos teares manuais.
Larinho: Indústria do queijo certificado -Terrincho.
Em toda a região: a certificação do borrego - Terrincho.
Também por aqui há muita produção de Mel. O Prof Madeira na sua Quinta de Ligares em Freixo de Espada à Cinta desenvolve essa actividade em consonância com outras, vinho e,...
Amêndoa coberta - única em todo o Mundo - deveria-se apostar
mais na sua confeção e apostar na exportação...
Em toda a região...bom vinho...c'om caneco!
A receita das amêndoas cobertas, deu-ma a D.
Ester:
Deve usar-se uma bacia de cobre com
asas com 20 cm de altura onde se põe a amêndoa pelada um pouco
tourada, não muito - vai a aquecer para ser trabalhada na bacia em
movimentos para baixo e para cima com regularização da temperatura -
anéis nos dedos da confeiteira para não se queimar - vai sendo regada
com açúcar em ponto pérola. O segredo é a temperatura e o ponto do
açúcar - se não foi a preceito a amêndoa fica rombuda.
Freixo de Espada à Cinta: Ainda viva a indústria da seda.
Torre de Moncorvo:
Do tempo áureo da seda ainda resiste a - Rua das Amoreiras
por aqui proliferaram feitorias, nelas havia o comércio de especiarias,
seda e,...
Fábrica do sabão de azeite: deveria ser reabilitada - investir na produção de sabonetes tal e qual se faz na Grécia - os turistas compram como souvenir...há falta de imaginação no poder local...e não devia!
Receita de sabão da D. Ester - antigamente era feita com borras de azeite e soda cáustica - caso metam um nadita de omo fica branco. Por alto a dose para uma barra de sabão de um kg = 2 malgas de borras +120 gr soda cáustica e água à ronda de 315 decilitros.
Bola de Azeite - Outra iniciativa para investimento - podiam fazer de vários tamanhos, o turista ao chegar levava - porque é maravilhosa, leve fina, deliciosa, aguenta-se dias macia - nas pastelarias poderia ser vendida na vez dos croissants gordurosos ou pão de leite, porque é muito melhor...podiam até inventar um nome alusivo à terra ...imagino chegar ao café e pedir " olhe se faz favor quero uma Patoleia com fiambre e queijo..." a fazer jus a um ilustre fotografo transmontano Paulo Patoleia - amante na arte de fotografar rostos!
E que bem!
A receita das bolachas deu-a a Ilda :
como se faziam antigamente uma a uma - ao lume em forma manual de
alumínio na casa de sua mãe.
6 ovos + 250gr de açúcar igual de farinha c/ fermento + 100 gr de manteiga + raspa de limão, canela ou chocolate.
Mistura-se a manteiga com o açúcar a que se juntam as gemas e vai-se alternando a farinha com as claras batidas em castelo a que se junta a raspa de limão ou o que se quiser.
A forma é pincelada com manteiga e nela se despeja a massa que fica de aspeto líquido,e vai a cozer no bico do fogão quem tem a forma antiga - hoje podem fazer-se noutras igualmente pequenas.
- Outra ideia para introduzir na gastronomia - bolachas da Ilda ou com o nome da sua estimada mãe.
Remato com outra sugestão - Bolos de pastelaria em forma de - Torres - alusiva ao nome da terra - feitas com amêndoa triturada regada com caramelo; chocolate e de recheio doce de ovos...
Quem de direito nesta terra deveria intervir no Olival dos Távoras na Quinta de Crestelos!
Falando dos Távoras...Como se sabe foram decapitados e os seus bens voltaram para a Coroa - fruto de resquícios de amores proibidos - o rei tinha como amante favorita uma mulher Távora cujo marido era Vice Rei na Índia - quando este regressou ( na altura já não se usava o cinto de castidade...) ao saber da infidelidade da mulher logo a quis meter fora de casa, por se sentir desonrado - o rei ao saber de tal acto indigno (?) aprontou-se a mandar recado "que tal não ousasse fazer" ( afinal o rei pode tudo...) quis a coincidência, ou não do rei, numa das suas escapadelas noturnas vir a ser atacado por desconhecidos, sofreu um tiro num braço - motivo forte para o seu ministro - Marquês de Pombal usar contra estes nobres afortunados que no seu entender tinham muito poder e este incidente era brutal para os destituir do poleiro no reino - o que conseguiu - ao fervilhar no ouvido do rei a intenção que tinham de o matar por vingança - com esta hábil manobra o Marquês de Pombal com a ajuda preciosa do
jurisconsulto um homem de Ansião, a minha terra adotiva - Pascoal José de Melo - teve
direito a rua em Lisboa, igual na terra natal , agora estátua nem uma...ditaram o triste desígnio - Forca - só os pequenos foram para um convento. Felizmente ainda resistem Távoras!
No
meu ver as oliveiras deveriam ser todas transplantadas,apresentam podas bem feitas com copas verdes em harmonia com troncos belos a ditar os anos que carregam - valem um dinheirão para exportação: Dubai, Japão
e,...claro - ao serem retiradas da terra a raiz parece estar quase à
superfície...é mesmo assim - trata-se de uma árvore habituada a
sobreviver em secura, e terrenos pobres com pedra.
- Não as estraguem por favor...que bem ficariam na vila...há espaços a necessitar de serem melhorados...aquele vale por debaixo da ponte que confina com as hortas ficaria lindo repleto de oliveiras...vejam o que fizeram no Cristo Rei...um imenso olival em redor do Santuário...lindo!
Que ato histórico feliz seria revalorizar o olival dos Távoras - porque não!Sabiam
que esta quinta foi herdada por parte do marido da D. Antónia - a
Ferreirinha - que por ser longe, aqui julgo, nunca veio - apesar de ter
pensado aqui fazer uma experiência quando os vinhedos no Douro apanharam uma
doença - Filoxera.
- Não conto tudo ...para
obrigar a pensar - perceberem que a região tem grandes potencialidades
para singrar e, criar postos de trabalho - deveriam apostar na juventude
para exportar os produtos da terra - os jovens tem apetência para línguas, usam bem as tecnologias, são
dinâmicos,seria uma aposta de sucesso. Então não vi em todos o
mesmo dom...falando de mim por comparação , julgo que sou simpática, e gosto de
ajudar...ao pé do que presenciei...não sou quase nada.
Constatei com agrado a forma como interagem na conversa - as gentes nas escavações - não
se queixam fora do horário laboral,não se fazem de "coitadinhos"...no sentido se fosse eu...dizia... - "bem está na minha hora de almoço, mas vamos lá num instante..." não usam desculpas, a sua linguagem é clara, transparente, apesar de técnica, no passar da mensagem...muito bons, mesmo.Amei!
Especula-se que o Siza Vieira
famoso arquiteto foi convidado para no paredão fazer uma abordagem
contemporânea(?)...almejo ser em xisto, e assim a mesma no seu conjunto
vir a ser considerada Património Mundial...por isso a obra irá parar um tempo...
Digam lá se os transmontanos não são gente que pensa em devido tempo!
Dia da partida...feliz, com o coração cheio, na companhia de uma ilustre senhora D. Ester, senhora linda, de cara redondinha uma gracinha. Ofereceu-me um chá - com ela em Campanhã o bebemos, gesto que quero voltar a repetir depois de saber que se reabilitou no imbróglio da sua falta de saúde. A fé que nesta senhora é grande, tal e qual a energia, e a força...dizia-me " se estivesse por aqui para a semana que vem, ia ver a retirada do Mel ".
Ajudou-me no transbordo com a mala. Sempre muito querida e boa ouvinte, se calhar fui aborrecida...peço encarecidamente ao meu S. Judas Tadeu para a agraciar com a benesse da viver ainda muitos, e bons anos com plena saúde.Senti que sofre com a doença. Forçosamente a "morte" está mais intrínseca nela...do que em outro qualquer mortal. Confidenciou-me que para a semana é o seu aniversário - sendo caranguejo o último dia é 22 - dei o palpite para descer o Douro de barco...responde apressada "fica para outra vez, tenho faltado aos ensaios ( coro e do teatro) , e não quero..."...gostava tanto que o marido se lembrasse de a presentear com uma bombástica surpresa!
Mulher culta e esclarecida conhece as estatísticas da doença. Arrepiei ao ouvir da sua boca: " já preparei a minha mortalha "- tal me fez lembrar a minha avó paterna que também fez a sua, não sei se a levou, julgo que não...
Senti que se quer despedir de todos que a amam vestida de SANTA FILOMENA - afinal o nome que carrega - Ester Filomena - o mesmo nome da mãe do meu bom amigo Arnaldo. Uma Mulher com M grande tal como a Ilda e, afinal a maioria nestas terras. Nada tinha para lhe oferecer - apenas um anel com uma pedra semi preciosa - turquesa - ficou emocionada quando lho coloquei no dedo!
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| D Ester Filomena |
Deliciem-se com paisagens maravilhosas - de ficar sem
fôlego. Pena não ter uma máquina boa - claro foram tiradas dentro da
carruagem ...o vidro é um obstáculo tal como o andamento do comboio...

Escolhi esta foto na Régua - desde pequena
sou uma apaixonada por relógios, deliro quando vejo os ponteiros
encavalitados um no outro...o pleonasmo é propositado para dar ênfase à
união - seja de casais, seja na força de lutar por ideais, seja em
qualquer outro gesto de grandeza.
- Desculpem se esqueci de realçar algo importante...a minha cabeça fervilha nas memórias até me doí, e de que maneira!
Bem hajam a todos !
E desculpem qualquer coisinha!
Joguei no euromilhões em Campanhã - a D. Ester desejou-me sorte - respondi se for contemplada compro uma casa em Moncorvo - no Castelo!
Mal chegada a casa telefonei para dar a nova de boa viagem. Refresquei com um bom banho, nisto fui surpreendida com a chegada do meu marido, logo me apanha a saborear o creme na pele nua...um beijo afortunado aguçado com o remate " reguei-te as flores todos os dias..."
vídeo da mesma viagem a preto e branco em andamento...
http://vimeo.com/22282058
Amei estar na vossa terra! Sois uns previligiados!
O Prof Madeira numa noite ofereceu-me este raminho de manjerico que guardei no bolsinho da minha blusa. Voltarei a reparar nele agora seco porque a lavei - claro - vou guardá-lo como estima na minha vitrina de recordações...sim, porque para mim o que me dão tudo tem VALOR!
Obrigada amigos por me fazerem esquecer de quase tudo até de outros amigos igualmente bons...foi estonteante conviver, sentir esses ares transmontanos!
O acumular de decepções faz com que as nossas defesas cresçam
desmedidamente, e quando nos apercebemos estamos sozinhos na nossa
inalcançável torre, mesmo com muita gente à nossa volta!
Sou forte, corajosa, ponderada e moderna - decidi viver a oportunidade desta aventura - coisa inédita - voltei outra - a minha alma sente-se magnânima!
Finalizo a minha expedição com pintura contemporânea onde se nota a ponta de um dos meus joelhos... pormenor artístico a rivalizar com a Joana Vasconcelos....eheheh!
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| Cais de Campanhã feita com pastilhas elásticas! |
Padre Vitor tanto havia de ouvir falar dele...
Homem jovem, moderno pop, atrai a juventude para a música.
Já foi à televisão - http://www.youtube.com
Ainda há outro padre ...Eduardo, igualmente novo e moderno!
Quem diria...mas também ouvi dizer que há uma freguesia que eles não podem lá ir...parece que há encantamento delas com eles...finam-se os votos!
- Vamos beber mais um caneco - à Vossa saúde - Bem hajam bons amigos por me terem facultado - viagens com sabores culturais de vária
índole. Indescritível as vivências, os cheiros, a comida, a luz , os
ambientes, as pedras, os rios, as serras, os pombais e, as Vossas
Gentes!
- Sentados neste canapé da Quinta das Laranjeiras - não há casa que não o ostente dentro ou fora no varandim - aqui se chama Escano...despeço-me com lágrimas nos olhos com a certeza de voltar um dia!
Até sempre amigos de Torre de Moncorvo!