sábado, 12 de setembro de 2026

Nascentes de água termal em Chão de Couce e Pousaflores : um património esquecido

Em 23 de agosto de 2015 publiquei a crónica  - Nascentes de água termal em Pousaflores e Chão de Couce no concelho de Ansião, sobre fontes e minas de águas férreas, medicinais. Mereceu 1646 visualizações.

Porque segundo alguém disse "A História é longa. E ... deixa reflexões..."

Publicação no Jornal Serras de Ansião em setembro de 2026

No concelho de Ansião subsiste um património hidrogeológico quase invisível: um conjunto de nascentes férreas e sulfúreas que brotam na faixa meso cenozoica, onde o calcário acaba longitudinalmente com a serra de Pousaflores que se prolonga para sul, e para nascente irromperem rochas sedimentares formadas pelo acúmulo de matéria vegetal soterrada. A geologia local é um verdadeiro mosaico vivo: na Serra do Mouro encontra-se carvão na abertura de poços; argilitos avermelhados e laje, progridem a nascente do Avelar, Serra da Mata, Lisboinha, Pinhal do Índio, e na Mouta Redonda salpico de margas, quartzito, mármore e xisto ( pode-se apreciar após o corte de madeira ao longo do dorso do cume da Nexebra, os vários afloramentos que irrompem aqui e além ,quatro ou cinco erupções xistosas com muita mica dourada reluzente e quartzitos brancos. A sul do picoto o maior afloramento, o povo deu-lhe um nome castiço “bichana da burra”...O costado apresenta-se serpenteado de pedregulhos de mármore rosa, alguns com toneladas...semeados à toa numa courela da minha mãe, a que chamam Seixal. No Pontão, há salpico de arenito ocre; no Bairro, em Chão de Couce, e na Ponte Freixo, gesso pardo.

A referência mais antiga a águas termais nestas duas freguesias surge em 1726, no Aquilégio Medicinal, do Doutor Francisco da Fonseca Henriques no capítulo relativo às fontes de água fria faz referência a fontes em Chão de Couce e em Pousaflores.

Descreve nascentes  nos montes em redor de Chão de Couce : Furadouro (à entrada da povoação do lado sul); Salgueiral (a 500 m); Quinta de Cima (700 m a sudoeste); Nexebra a (1,5 km a nordeste) e Fonte do Cano (junto do centro pastoral de Chão de Couce) Barroca no sopé da Serra do Mouro, Silveira na Portela e, no termo da vila de Chão de Couce”, cuja água  não é muito delgada, e passa por minerais de enxofre e de ferro,  alivia dores e inflamações da boca. Há experiência de que tem grande virtude para o calor, e chagas da boca, porque em poucas horas mitiga a dor, e tempera o incêndio; para que se à de tirar a água da fonte antes do nascer do sol , e não lhe há de dar antes que se use dela". Em Pousaflores, a nascente da Silveira, na Portela de S. Caetano, chegou a ser analisada e “tinha tantas ou mais qualidades orgânicas do que a água de Luso”.

Em 1860, A. Costa Simões, na Topografia Médica, descreve duas minas na Serra da Mata que alimentavam depósitos térreos, um tanque de lavagem e uma bica na Quinta de Cima, adquirida pela Câmara para melhoramentos que nunca avançaram. Subsiste ainda a estrutura de um tanque antigo, com escadas laterais, usado para banhos — talvez romano — num habitat não classificado, e outro no tardoz da antiga Casa da Câmara de Chão de Couce.

As águas do Furadouro e do Salgueiral foram mencionadas por Lopes (1892, 249). Escreveu sobre o Furadouro: “Na base da serra da Mata, nasce de uma rocha de grés uma pequena nascente de água mineral. As águas são frias, cristalinas de sabor férreo, deixando por onde passam um sedimento cor de oca, e cobrindo-se, no remanso, de uma película azul avermelhada.”

A Fonte do Furadouro marcadamente ferrosa. "Época termal - Indicações do Furadouro – Atonias gástricas, dismenorreias (Contreiras 1951) Tratamentos/ caraterização de utentes. Ingestão é também um chafariz simples atrás do qual se encontra um tanque de água onde crescem juncos, com uma inscrição na frontaria: “Oferta do Dr. Alberto C. Rego e sua Esposa – 1959”.A água vem de uma mina da encosta no seu tardoz eucliptizada.

                              

A fonte do Salgueiral , localiza-se a norte da quinta onde morou o Dr. Quintela, à entrada norte de Chão de Couce , cujo portão tem um arco enleado em roseiral que deixa pender belas rosas em tons pálidos, Lopes  informa que "encontra-se ali numerosas nascentes de águas sulfúreas, não só poços da Vila, mas ainda nos subúrbios dela, na Quinta do Salgueiral. Não consta porém, que tenham sido medicamente aproveitadas” (1892: 197). A fonte localiza-se na beira da estrada que foi o corredor da estrada coimbrã, tem uma data da centúria de 800.

A Fonte da Quinta, em Lisboinha, junto às Alminhas  será abastecida por uma das minas focadas  da serra da Mata, pertença do Furadouro, sendo que outra existe a escassos 100 metros na Rua dos Pinhais, que foi pertença do avô do meu marido, descritas por Lopes (1892): frias, cristalinas, de sabor férreo, deixando sedimento cor de oca e película azul avermelhada.

                                

          

Nascente na Quinta de Cima,  também há uma nascente muito interessante.

Grande depósito de rega (existe ainda a estrutura circular de um velho depósito desativado, impressionante pelas suas dimensões). No exterior do atual tanque nota-se a estrutura de um outro mais antigo, de dimensões maiores, que servia para banhos como denunciam as escadas laterais. Mas seria só um tanque para banhos de lazer (?), e nunca foi referenciado nenhum processo curativo por imersão...

Conheço os referidos tanques, enormes, só tenho foto de um.


Setembro 2015 onde me deixei fotografar junto da nascente 
                                   
A Fonte do Cano
Um pequeno chafariz coberto de azulejos em verde claro, encontra-se no tardoz do edifício Pastoral.



A crer, a antiga fonte seria esta em pedra do lado oposto à atual , cuja água nasce numa mina no costado poente da Serra da Nexebra na frente do Furadouro. Talvez seja esta mina a que foi referenciada  mina do Furadouro, e  mais tarde foi feita uma nova fonte, a chamada Fonte do Cano, pelo cano de ligação da água, que ao meio ainda se distingue  como no tardoz da fonte  também canos.

 A vista para norte e poente que se vislumbra da Fonte do Cano

"A Fonte da Nexebra, tem um restauro de tipo tradicional, onde não faltam, o santo e os pequenos púcaros de água; num recanto da estrutura ficou a pedra do antigo chafariz com a data de 1712."

A sul da aldeia de Nexebra existe outro chafariz com abundancia de água e na frente um grande tanque que aventa ter sido romano.

Conheci na Mó, em Chão de Couce, uma bica de água numa telha  mourisca ( de uma mina do outeiro da  Mó, a norte, sobranceira ao muro de pedra junto do caminho, hoje estrada, onde se ia buscar  água para se fazer o sulfato para as vinhas. 

Natureza destas Fontes: Todas elas têm ferro em pequenas quantidades.
Furadouro – Férreas – Atualmente sem uso, de pequeno caudal.
Nexebra – Água de nascente muito procurada por residentes. 
Quinta de Cima – Água de nascente também procurada por residentes. 
Fonte do Cano – Água de nascente .
Salgueiral – No Aquilégio (1726) são classificadas como sulfúreas. 
Mina da Barroca de águas sulfúreas  nunca explorada pelo seu sabor a enxofre (segundo um informante).A água nasce numa mina situada no monte junto da mesma, é muito fresca e ainda corre em abundância," (onde antigamente nos abastecíamos e se lavava a roupa), era férrea)."

Quinta da Mouta Bela, em Chão de Couce, brota uma mina entre penedos de arenito, semelhantes a outros que se encontram num trilho na Serra da Mata, defronte da Amieira, na Serra do Mouro, onde ainda a Fonte da Barroca corre em força.

Os romanos deram o topónimo à Serra da Nexebra

A crer quem esventrou  minas no xisto na prospeção de ouro, porque a serra a nascente acompanhou o corredor da via militar . Não sabemos se as minas a nascente: mina velha, mina nova e mina do capitão, são antigas,  posteriores ou herança desse período. Porque nos fala a toponímia — Pedra do Ouro, Furadouro, Cascalheira na Mouta Redonda — reforça a hipótese de exploração aurífera.  Porque fizeram exploração em Góis,  Arganil,  Vila de Rei,  Zêzere, Alvaiázere etc. Ultimamente tem-se falado na prospeção de ouro nas serras de Figueiró dos Vinhos tal-qualmente também tem minas esventradas iguais a estas que supostamente no passado foram pesquisa de ouro ou garimpo na Ribeira d’Alge (?). Ainda hoje se faz garimpo no rio Ocreza, na foz do rio Cobrão, no distrito de Castelo Branco.
                               
Marco, limite da freguesia de Chão de Couce com Pousaflores.

Vindo do Furadouro para Pousaflores, existe  um barracão mandado fazer pelo meu avô José Lucas, para garagem do carro ( o primeiro automóvel na Mouta Redonda), e para guardar a mercadoria trazida de Coimbra (fazenda) depois da carroça sob chuva que resvalou para o ribeiro ao Vale, e se perdeu, e mais tarde também chegou a guardar a moedura de azeitona. A seguir a sul, entre este barracão e uma lápide funerária em pedra, na beira da estrada, encontra-se uma mina férrea é muito comprida, não se distingue o términus, sendo que o chão se encontra ensopado com crosta em amarelo ocre do enxofre.
Impressionante a minha mãe dela não se lembra desta mina, já o tio do meu marido, José Veríssimo, mais novo do que ela um ano, se lembra muito bem...Tanta vez por aqui passo e só recentemente me dei conta dela por a vegetação, ter sido limpa . Reportou-me a outra semelhante antes da aldeia de Ana de Avis, na beira da estrada, a caminho de Almofala.
Como seria no passado o  nome como era conhecida? Mina do Marco? Ou mina do Pinhal do Índio?

Nas descrições antigas, permanece incerta a localização exata da nascente férrea mencionada por Fonseca Henriques que a descreveu como sendo no limite destas freguesias. Ora esta mina fica ao limite das freguesias, eis que se fez Luz! 

Será que derruba a investigação local  na tradição recolhida por Alberto Lucas, que identificou o Cabeço das Pinheiras Mansas, junto ao atual Campo de Jogos de Pousaflores. Segundo ele, trata-se da Fontinha do Pobral...
Contudo também pode ser a fonte do Pereiro de Cima, que se encontra na mesma linha. 
Só depois é que me lembrei da mina férrea do Marco, inserida no atual  trajeto da ligação Chão de Couce a Pousaflores,  e sim, pode ser a que foi descrita pelo médico.



A memória popular confirma outras nascentes férreas na Mouta Redonda;  mina da Horta e a dos Serrados, onde se ia buscar água para o aferventado de couves ou nabos — “ficavam verdinhos”.

Mina da Amieira a sul na Mouta Redonda de Baixo, pertença do familiar, tio Acácio.
Não levava calçado apropriado e por isso não enfrentei os fetos!
O meu marido sentou-se no costado junto da zlevada que desce da mina e seguia  para a casa do seu bisavô António Veríssimo, na Mouta Redonda de Baixo.

Conheci muitas das minas da Nexebra, usadas para captação de água, a maioria hoje perdidas pela secura provocada pela eucaliptização e pela inacessibilidade. Sem inventariação, nem estudo, permanecem em abandono : 
Mina das Calhas da família dos Afonsos(família da minha mãe)
Mina da Cavada, abastecia a casa do meu avô Zé Lucas 
Mina da Amieira, com represa abastecia a casa do bisavô do meu marido
Mina da Quelha, abastecia a casa do brasileiro, tendo sido ligada à fonte da Mouta Redonda
Mina dos Serrados ( abastecia a casa do Silvério )
Mina da Horta, pertença dos meus avós, férrea .
Mina da Cova da Raposa, e no Pereiro de Baixo a Fonte do Carrapiteiro , a mina do Marco (a sul do Furadouro), a Silveira na Portela de S. Caetano entre demais. 

Na serra de Nexebra só as Minas de S. João do Outeiro do Cuco , foi da família do meu marido,  a
Mina do Leirinho da família do António do Vale e a da Amieira da família do meu marido julgo serem as únicas que conservam água.

A serra de Nexebra outrora de pinheiro bravo e castanheiro.

Com a extinção das ordenanças nas Cinco Violas, o ex capitão mor pediu ao rei para lhe doar a quinta de Cima, que lhe tinha sido aforada por duas vezes. O rei doou-lha.  Dizia o povo que o ex capitão mor, andava de cavalo branco pelos outeiros onde se apoderou de hectares no cimo da Nexebra, e costado, assim  como do souto de castanheiro bravo junto ad quinta, património que fora das Matas Nacionais e antes da  Universidade. Os seus  descendentes à volta de 90 anos apostaram no plantio de pinhal nórdico na Nexebra, que a minha mãe ainda se lembra , após 20 anos foi vendido para plantio de eucalipto. Os vizinhos seguiram a mesma opção, ao saber que crescia numa periodicidade de 8 anos e com isso o rendimento em relação ao pinheiro que não rebenta , e o eucalipto depois do primeiro corte  rebentam várias árvores .

Também porque nessa altura o souto de castanheiros foi dizimado por moléstia e os pinheirais foram dando lugar a eucaliptais. Resiste a toponímia "Pinhal do Leirinho", "Pinhal do Sérgio", "Pinhal do índio" e outros, sendo na verdade tudo hoje eucaliptal.

 O eucalipto, espécie trazida da Austrália tem-se mostrado agressiva nos solos, e sobretudo na secura dos terrenos. Por isso as minas da Nexebra e circundantes se encontram praticamente em secura.

O abatimento da madeira pelos caminhos de terra batida com a passagem de camions e de máquinas pesadas para corte e seu transporte, esventram o piso sendo fácil encontrar os canos de plástico estreitos enterrados na década de 50/60, quando apareceu em força o plástico para a canalização da água . Como bem me lembro da água canalizada na casa da minha avó Maria da Luz, da mina da Cavada, com um a torneira na ponta e debaixo dela uma grande bacia em azul bebé...todos estes canos constituem matéria combustível para incêndios. 

                            

Costa Simões, natural da Mealhada — e cujo pai era de Almofala de Baixo — foi, em 1843, médico do Partido das Cinco Vilas (Avelar, Aguda, Chão de Couce, Maçãs de D. Maria e Pousaflores). Esse exercício permitiu‑lhe estudar estas águas, então designadas minas ou nascentes. Porém, nada evoluiu. O investimento e o interesse recaíram no turismo termal do Luso, esse sim, fomentado e vivo até hoje. Por cá, venceu a eucaliptização — um inferno que secou a água, apagou memórias e deixou este património natural à beira do esquecimento.

Quem souber mais, que se exprima.

É igualmente lamentável constatar que “a Câmara Municipal de Ansião, comprou a nascente da Quinta de Cima para fazer melhoramentos, mas nada fez” — testemunho que permanece como ferida aberta na memória local.

Convém recordar que a estrada que atravessa a quinta — pelo sopé, Borda da Mata, seguindo pela antiga vereda do Furadouro, Vale Cego, Pereiro de Baixo e Relvas, já em Alvaiázere — foi conhecida como Estrada Coimbrã. Houve quem a quisesse usurpar ao povo, mas não conseguiu. Ainda bem: é um trajeto histórico que merece respeito.

Fica o repto final: seria desejável que estes lugares — sítios de fontes e de minas — fossem finalmente respeitados e protegidos pelas entidades competentes. A fonte da Mouta Redonda continua seca porque a água foi desligada da mina de S. João do Cuco. O atual proprietário do costado é estrangeiro, mas a mina pertence ao lugar: deve ser religada para abastecer a fonte, a água analisada e a mina fechada, para evitar vandalismo.

Se as freguesias perderam o proveito termal, não devem perder a pouca água que resta — um bem precioso, raro, carregado de tradição e de benefícios.

A crónica só foi possível graças à intervenção das Fontes.


 Fontes 

José  Serra Veríssimo
Ricardina Afonso
Ermelinda Coimbra
Raul Manuel Coelho
António Simões
Maria Assunção Quintas
Henrique C.Medeiros
 Abel Santos Silva
http://www.aguas.ics.ul.pt/leiria_salgueiral.html

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Onde a Serra d’Ossa Respira Pedra e Memória

 Excerto publicado no Jornal Serras de Ansião julho de 2026

 Fecho da investigação ao  megalitismo, da Ladeia e Alta Estremadura ao alto Alentejo

Serra de Ossa o palco para festejo dos meus 69 anos: reencontrar a proto- história que liga o territorial da Ladeia à Alta Estremadura para o Levante, no alto  Alentejo, que se prolonga para Espanha. 

A Ladeia, a raiz profunda onde Ansião se inscreve no coração. No encontro âmago às coisas que amo. 

Foi um presente da minha filha, a estadia no Convento de São Paulo, no Redondo. 

Envolto numa cerca de 600 hectares, no sopé  poente, abrigado, com água. Promove a chegada o aroma floral ao som da água da bica, eco a peregrinos que ali matavam a sede. A receção na ala lateral, um salão de austeridade clerical. O adeus, a pedido, a toque do sino — cerimonial.

A história começa em 1376, com  Mem Gomes de Seabra, com a Casa dos Pobres de Nosso Senhor Jesus Cristo . Em 1536 acolheu a Ordem de Santo Agostinho. Em 1577 pernoitou aqui D. Sebastião antes de partir para África. Em 1578 nasceu a Ordem de São Paulo e o convento. Em 1669 passou D. Catarina de Bragança, vinda de Londres,  após a morte do rei Carlos II. Agora, outros — e também eu.

Fonte dos peregrinos 

                



Claustro

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Vista do claustro

                   
    Porta de uma capela

    Um salão

Recanto com Fonte 


Piscina




Não dormi numa cela, mas na Casa do Cruzeiro. O pequeno almoço refastelado no antigo refeitório dos frades — seriam magros e baixos, pela  porta minúscula, a brilho dos azulejos quinhentistas. Ampliado para sul no séc. XVIII, alas de corredores largos em tijoleira. Os silhares azul e branco contam a vida do fundador ermita, com um belo relógio de sol em mármore branco. Igreja, capelas e recantos soalheiros, com conchas e fontes — onde o mármore de Estremoz é rei — quadro bucólico de paz, desafia o verde. Duas piscinas a redor de arvoredo secular: araucária gigante, laranjeiras, nespereiras, palmeiras e olival em socalcos, a salpico de talhas e ovelhas de chocalho ao vento.

Trilho da Horta da Levada  feita pelos frades

O costado sul, junto da ribeira, primou arroteio em leirões  para hortas com  regadio por levada e nora. Prima o trilho, o xisto , canteiros em pousio e a ribeira envolta em silvedo . Entre silêncios, chilreios e borboletas, a subida dos passadiços, até  à antiga ermida de S. Gens — Senhora do Monte — do século XV, com a casa do eremita, a mina e o tanque. Lajes descomunais aguçadas e voltadas ao céu, dão colo ao cemitério. A redor os costados com rasgos de alto a baixo, nus , faixas de 10 metros o corta fogo certo.









Forno da casa do ermita


Capela de Nossa Senhora do Monte onde termina o trilho


Anta da Candieira



Após a expulsão das ordens em 1834, nasceu a aldeia Nova da Serra, junto à ribeira, dali se mudou para a beira da estrada, pelo casario de platibanda datado de 1900. Senti o caminho antigo que ligava castros e sítios megalíticos. Turistas americanos na anta da Candieira, um dos monumentos fúnebres mais estudados da região — encanto mítico que o alto Alentejo guarda riqueza imensa.

Respirei Juromenha. Acenei a Olivença. Almocei à farta no Zé do Alto, no Alandroal. Calor abrasador em Borba. Em Estremoz burlada num mini mercado, paguei por  33 cl de água, um euro. Afronta na desforra na feira num alguidar à laia de lava loiça. Vila Viçosa cresceu tanto que não encontrei o palácio — mas vi o castelo, que nem sabia existir. 

Pesquisa com fecho d' oiro às rotas peregrinas pagãs e da arquitetura pétrea da Ladeia com o megalitismo do Alto Alentejo e a relação à rica obra do ermita São Paulo na serra de Ossa, contra dois ermitas  que viveram em 700,  em Ansião, debalde, sem obra que se saiba.


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