A prima do meu pai a Clementina Cruz Ruivo contou-me que o seu avô Elias da Cruz que viveu no Alto, o meu bisavô, o cabeçalho na parede com chaves na foto foi da sua cama, além de capataz no Ribatejo pelas vindimas e apanha da azeitona para se suprir tinha outro governo no trabalho de "coca", nome dado na safra ao homem das panelas, o cozinheiro.
Vista de uma cozinha...
Vista de uma cozinha...
Enfeirava ao arraial papas de milho simples em azeite, ou banha, em covilhetes ao rancho de "Ratinhos", havia dias que alternava com grelos se os houvesse nas hortas da lezíria . Tantas vezes via ranchos nos meus tempos de miúda juntos à beira da estrada com a arca de madeira, homens e mulheres, humildes camponeses, pobres, na esperança do sustento em tempos de extrema pobreza, apesar da árdua labuta de sol a sol.
Arca " de levar à vindima " da minha sogra usada durante anos a safras ao Ribatejo
As gentes perdiam os dentes cedo, as papas eram propícias a ser comidas simples, com mel ou como sopas de pão na quentura da cevada com queijo curado amolecido.Apanhei esse gosto com a minha avô materna , a minha mãe não gosta nada...porque ela assim comia por ter só um dente!
Quadro do Mestre Malhoa ,as papas de milho, pintado em 1898 com gentes da região de Sicó
A alcunha “ ratinhos” advém destas deslocações sazonais das gentes das Beiras. Reza na história que a mesma consagração fosse dada também à faiança de Coimbra nesse tempo produzida para levarem para as safras de textura grosseira, cores fortes e muito barata. Os "ratinhos" levavam esta loiça nos seus haveres na arca de madeira de dois compartimentos, como a que mostrei acima: na parte maior iam batatas, cebolas, farinha de milho, massa meada, chouriça, morcela, toucinho, ossos em salmoura e feijão d'velha para a "sopa de carnes, sopa de carnes com couves, comer à moda da terra" haveria de ficar nesta região ribatejana celebrizada por "sopa da pedra" e, na outra divisão levavam parca roupa.No final das ceifas pelo Alentejo, fosse pelas vindimas , monda, ou apanha da azeitona, fazia-se a festa das Adiafas...nada mais que um bailarico de roda na praça pública à luz do candeeiro a petróleo, gasómetro, candeia de azeite ou da fogueira ditada pela época: Natal, Entrudo, Santos Populares e Festas do orago da sua aldeia. Rapazes e raparigas solteiras davam azo à sua alegria, estrebuchavam entusiasmo , se divertiam a rir e a seduzir, o seu único modo de diversão naqueles tempos de forte tradição e conservadorismo - claro davam também azo a nascer namoricos.
Na hora de fazer contas havia quem trocasse a sua bacia de faiança por roupa usada com os donos da herdade, por haver muita falta de loiça no Alentejo naquele tempo.Outros simplesmente a abandonavam por ser barata.
Faiança ratinha minha coleção
Faiança ratinha minha coleção

Hoje graças a bons colecionadores a "loiça Ratinha" está conservada em bons Museus e na casa de particulares, que adoram ter o seu próprio espaço museológico...
Segundo alguns manuais sobre faiança, a primeira pessoa a reparar e valorizar esta loiça na década de 80 no século XIX foi o historiador Joaquim de Vasconcelos. Contudo, o primeiro colecionador deste tipo de faiança será o poeta e escritor José Régio (1901-1969) que andou com um criado a cavalo num burro pelos montes na região de Portalegre comprando a faiança a preço quase dado, além de Cristos pregados na Cruz e relógios - espólio patente no Museu de Portalegre com o seu nome a merecer visita para apreciarem a diversidade quer dos vários tamanhos da faiança quer da palete de cores extraordinária... Será secundado por António Capucho nascido em 1918. Em resumo devemos a todos estes senhores a valorização desta loiça que ainda há poucos anos era usada com fins menos dignos… Houve contudo mais tardiamente quem "copiasse" esta loiça-, Alcobaça e a fábrica da Viúva A. Oliveira em Coimbra, última olaria a encerrar portas na cidade no Terreiro da Erva. Covilhetes, pratos covos, galinheiros, frangueiros, lebreiros e,...no dizer popular das gentes pelo uso e servidão depois de velhos e esbeiçados até de aparar beiras de um telhado como um amigo encontrou um para os lados de Abrantes.
Covilhetes da minha coleção
O Ti Bernardino, tio em 2º grau do meu marido da Moita Redonda na frente da porta da cozinha no terreiro do chão tinha um lindo prato de Coimbra do século XIX motivo casario, raro, imundo com uma racha de alto a baixo do negro dos escolhidos para as galinhas que nele picavam, cheguei a ver um igual num antiquário da Sé , o preço uma coisa do outro mundo… também de uma bacia no quintal da tia Zézita no Pereiro, no mesmo jeito de comedouro de frangos, pintos e galinhas… A loiça "ratinho" começou a ser fabricada a partir do início de 1800 de aspeto grosseira, pesada, em massa malagueira com um tardoz imperfeito, apresenta muitos buraquinhos e arrepiados no vidrado, cuja decoração se classifica: Zoomórficos (pintura com animais) e Vegetalistas (pinturas com plantas e flores, muitas de linho)
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| Geométricos que são os mais antigos e Figuras populares, masculinas e femininas |
Num passado não muito remoto nas famílias mais humildes das aldeias não havia o hábito de se comer em pratos individuais. Fosse no almoço, janta ou ceia, usava-se um grande prato, geralmente oferenda de casamento com queijos, chouriças, espigas de milho e, … dele todos os de casa pais e filhos comiam .
No dizer do povo "picavam do prato" este, o prato mudava de nome consoante a região: "Barranhão (Portalegre e Avis); Fonte (Bragança); Palangana, peças de diâmetro superior a 35 cm, nome muito usado em Espanha e nalgumas regiões fronteiriças como os Barros de Beja); Prato Covo de grande diâmetro também chamado do "Cozido" (norte); Lebreiras de uma dimensão impressionante coisa de 65x16 cm , de covo fundo para a vinha-d’alhos onde depois era servida a lebre com grão-de-bico; Ladeiro, Sopeiro ou covilhete, pequena taça de aba baixa, termo usado na Beira Litoral em Abiul, concelho de Pombal, supostamente o termo se difundiu na região, quiçá pelos Duques de Aveiro, então senhores da vila,comiam em covilhetes da Companhia das Índias, e o povo que trabalhava no palácio se habituou ao nome-, quando foram excomungados pelo Marquês de Pombal por serem Távoras.Óbvio que os bens foram saqueados, ainda há pouco tempo se vendeu uma cómoda em pau santo, numa terra que só voltou a florescer depois de 60 do século passado com a emigração...O povo de volta às suas casas onde só havia loiça "ratinho" fácil foi dar-lhe o mesmo nome -, foi-me contado por uma senhora, cuja avó assim chamada ao prato onde comia; Os de maior tamanho, e de fundo afunilado lhe chamavam bacias, Taças e Alguidares .
Bacia - termo usado na Beira Litoral, em Ansião celebrizada no quadro de Malhoa, a Sesta, pintado na região numa aldeia de Figueiró dos Vinhos em 1909). Em detrimento do termo de origem árabe aljofaina para designar pequena bacia de lavatório e almofia,vaso largo e baixo servia principalmente para lavar as mãos.Citar excerto de (Aquilino Ribeiro, Os ladrões das almas.)
" Tijela baixa e larga, de barro vidrado: "Num ápice vasculhava caçoilas e tachos, arranjando um bazulaque com que atestava uma almofia em que os pequenos se atufavam até às orelhas."
O termo bacia nunca o achei apropriado!Usual no lavatório onde se lavavam e o homem fazia a barba. Um povo criativo poderia muito bem ter inventado outro nome mais castiço para dar a esta peça de faiança de diâmetro inferior a 30 cm.
Segundo informação do meu amigo Jorge Saraiva da Oficina da Formiga de Ílhavo
«Também na região de Aveiro onde muita faiança se fabricou, pais e filhos quase sempre todos comiam da bacia que se colocava no centro da mesa, de onde cada um com o seu garfo se alimentava, era comum existir nas cozinhas da região pelo menos um prato com o galo e outro com um peixe (carne e peixe), pois como só havia dinheiro para o escoado (batatas e hortaliça cozidas na panela de ferro de 3 pés), as mulheres colocavam esse escoado ora num prato peixe ora num de galo (depois de temperado com azeite e o alho) - o galo ou o peixe estampilhado no fundo da bacia de onde todos começavam a "picar" (comer) .
Os cachopos perguntavam " inh'mãe onde está a carne?" -respondia ela - "cala-te e come que a carne está no fundo…" verdade, verdadinha, a carne ou o peixe estavam sempre no fundo, mas do prato e não do escoado… »
Mais peças da minha coleção
Nos dias de hoje este tipo de faiança ganhou foros de nobreza em Lisboa, antiquário ou leilão de antiguidades onde atinge preços altíssimos o que mostra que pelo menos há uma classe social em Portugal que já não tem vergonha do seu passado camponês, e que até se orgulha dele e faz lindamente, pois por vezes a miséria produz obras de arte sublimes de grande simplicidade. As gentes, os "ratinhos" levavam na arca sem o saber a maior riqueza das suas terras: os modos, saberes, e até haveres da sua parca gastronomia e doçaria - quem se atrever a indagar dará conta que muitas das especialidades atribuídas ao Ribatejo tem origem beirã da região de Ansião e zonas limítrofes. Coexiste nas duas regiões ainda hoje muitos pratos e doces com a mesma raiz do nome e sabor: Papas de Milho, Sopa de Pedra, Requentado
( a minha avó materna chamava a este último Fertungado - nada mais que aferventado de couves ou nabos migados com batata e feijão frade ou chicaro regado com azeite, feito em abundância para se comer numa refeição a contar com a sobra para outra na cama de migas de broa repassadas pelo caldo, assim ficava no testo da panela a bacia de faiança para serrequentada no tacho de barro em estrugido de azeite, alhos e louro, a que se dá hoje o nome de migas . No concelho de Ansião nas famílias mais pobres o uso da malga grande, taça ou bacia ratinha funda de boca larga servia todos os dias o AFERVENTADO de nabos ou couve-galega migadas enriquecido com chícharo, feijão-frade ou d'velha e migas de broa ensopadas no caldo e ovos, que poucos punham porque os vendiam para a despesa da mercearia. Em minha casa punham-se num costume que aprendi com o meu pai ainda hoje faço, pôr de parte as migas da broa e sobre elas esmagar o ovo bem regado com azeite, o acompanhamento do aferventado .Adoro!
De um modo geral havia casas em que o "home" comia num prato covo individual, enquanto a mulher e os filhos sentados na beira do lume em tripés em redor da tripeça a fazer de mesa nela assente a bacia do comer de onde todos picarem com o garfo de ferro, ou à mão. Quem fosse lento a comer ou não gostasse do aferventado, que muitos chamavam couves com feijão ou feijão com couves, certo ficar com fome, porque o conduto era uma sardinha para três, postita de bacalhau, ou tira estreita de entrecosto...
Prato Meninos gordos
No contraste de muita casa onde havia fome
À laia da labuta da formiga também em terras de Ansião se arrecadava sustento no verão para o inverno. No meu tempo de miúda na loja da nossa casa, nome dado à cave, no início do verão acomodavam-se mantimentos para surtir o inverno em arcas, pias e talhas de barro.Os queijos do Rabaçal eram guardados em azeite comprados às mulheres de Albarrol e da Portela entre março a maio, os melhores naquele tempo, à exceção dos que se faziam no Escampado Belchior pelas mão da mulher do primo da minha mãe os fazia perfeitos, lisos de casca fina sem poros, redondos de bom tamanho e amanteigados feitos com o melhor leite, o de abril. Ao fundo da loja de encosto à parede havia um caixote de compartimentação onde se guardavam as leguminosas: favas, feijão da velha, grão-de-bico, feijão catarino e feijão branco. A arca do milho em agosto era cheia para as galinhas. Na arca velha da avó com dobradiças de ferro feitas por alguém que tinha jeito guardavam-se as nozes apanhadas em setembro, na altura não se usavam luvas, a casca grossa e verde deixava marcas pretas na pele por muito tempo, depois de descascadas eram lavadas no carro de mão de ferro em frente da loja para secar em cima da manta no patim. Também era tempo do trator carregado de lenha para o inverno que o Ti Alfredo cortava no "burro" feito pelas suas mãos com toros de pinho e me ensinou a empilhar as cavacas, azáfama de fazer pilhas direitas em cruz para não caírem no alpendre. Ao entardecer ia-se pelos pinhais fora de portas aos melhores terreiros limpos de mato com o ancinho juntava-se a caruma, aqui chamada de "munha" trazida numa manta de serapilheira atada as quatro pontas com o ancinho entalado e punha-se à cabeça e na mão uma saca de pinhas para acender o lume. Não faltava em finais de setembro a adega com os pipos de vinho, a cuba da água pé, o garrafão de aguardente e o do vinagre. A apanha da azeitona acontecia em finais de novembro antes era escolhida da galega de pele enxuta para retalhar na talha vidrada por dentro em tons esverdeados e amarelos onde não faltavam os temperos de tomilho, a erva de Santa Maria, louro, dentes de alho e água da fonte do Ribeiro da Vide, ao fim de um mês era mudada seguida de outras mudas até ficarem bem curtidas sem sabor amargo, havia anos que se punham orégãos apanhados na serra da Senhora de Estrela do Alvorge. As pias de pedra enchiam-se em dezembro com azeite novo e fazia-se a marcação do dia para a matança do porco. Na tradição o "massacre" do animal morto a seco com punhal certeiro ao coração. Ao tempo o porco alimentava-se com abóboras, figos, beterrabas, couves migadas, bolotas, sêmeas e restos dos escolhidos da cozinha. A carne era muito saborosa e os enchidos únicos. Desespero sentia ver a caparem os bácoros - chegava-se o capador e do bolso tirava uma navalha larga de lâmina, entrava no curral apanhava o leitão e prendia-o entre as pernas para em ato sem pedir licença puxar os colhões do pobrezito - zás e cortava – coitadinhos, os deixava a chiar, e eu sem poder fazer nada, questionava a minha mãe que dizia “ tem de ser capados para quando fossem crescidos a carne não saber a barrascum”demorei tempos a perceber!
Ritual da matança na minha casa só aconteceu uma única vez tudo por culpas ao meu pai, amigo de dar tudo o que tinha aos amigos “um mãos largas" esquecia-se do trabalho de o engordar, da distância do curral ao cimo do quintal, do trabalho de andar acima e abaixo pelo carreiro com baldes pela mão de lavagem, fizesse frio, chuva ou calor . Desesperada a minha mãe fez uma promessa de nunca mais fazer a matança, preferia vende-lo na feira dos quinze no largo do Ribeiro da Vide, e assim foi nos anos seguintes. Recordo de ver o animal de patas amarradas em cima da banca de madeira num chiar ensurdecer, sem dó nem piedade quando lhe foi desferido uma estucada a frio no coração de onde saiam golfadas de sangue ao endireito do alguidar onde era posto vinagre e se mexia com uma grande colher de pau para não coagular e se fazer as morcelas. Nos anos seguintes a minha mãe passou a comprar o lombo para fazer as chouriças que se aguentavam no inverno guardadas na talha com azeite, recordo no outono mal a noite se fazia na cozinha em cima do banco de espaldar em frente ao lume onde cortava o lombo em pedacinhos muito pequenos para o alguidar enquanto eu barafustava com a minha irmã para depenicar as folhas de louro e esfarelar com o dedo o colorau doce do cartuchito de papel aviado na mercearia em vinha-d’alhos com alhos e sal ficar a marinar. Era uma festa o dia de fazer as chouriças armadas de funil em punho de um lado eu e a minha irmã a encher a tripa seca, já demolhada comprada na mercearia da tia Carma e com a ajuda do dedo empurrava-se a carne e de guita na mão a nossa mãe ia-as atando, dando-lhes a forma de ferradura... Já as morcelas as via fazer com a mistura do sangue do porco, farinha, carne entremeada, salsa fresquinha apanhada no rebordo do poço, sal e cominhos… As farinheiras levavam gorduras frescas do porco misturado com farinha, alho, pimenta e sal. Depois os enchidos eram enfiados nas varas de loureiro para as colocar em estendal debaixo da chaminé da lareira onde se curavam com o fumo das cavacas de carvalho ou oliveira, havia dias que choravam e nos sujavam de pingos gordos…
Ritual do matar do porco na casa da tia Maria acontecia todos os anos ao cimo do quintal junto à eira. Chamuscado e raspado exalava um cheiro a carne queimada. No barracão o via pendurado enfiado no chambaril pelos tendões das patas dianteiras,depois de escorrido era aberto de alto a baixo para desmanche de carnes. As vísceras eram postas no tabuleiro de madeira, com elas se cozinhavam pratos típicos no dia da matança: Papas de sarrabulho, Cachola, IScas com elas , Fressura assada na brasa, que nós chamávamos "passarinha". As tripas eram lavadas na ribeira do Nabão junto ao canil municipal, ficavam branquinhas viradas com a ajuda de um vime, depois de volta a casa, nelas se enchiam em morcelas, chouriças, farinheiras e paios. O entrecosto, cabeça, chispes, pernil, toucinho da barriga ia tudo para a salgadeira a fiel guardadora das carnes em sal grosso para se aguentarem para o sustento do inverno.
Comia-se o bom do cozido à portuguesa aos domingos no inverno. Depois do meu avô "Zé do Bairro" enviuvar era convidado para almoçar em nossa casa, o seu prato favorito com a vaca cozida com hortelã. Atarefada na cozinha a minha mãe mandou-me ir comprar arroz à mercearia do Ti Piloto. Entrei pela taberna, a Fernanda a lavar copos de três na pia de pedra de lioz cor de tijolo, na mercearia a Bina aviou-me um cartucho de papel pardo com arroz carolino. Vinha eu a saltar e a brincar depois de passar a fonte do Ribeiro da Vide, rez vez o alcatrão acabar quando tropeço no macadame e o cartucho se estatelou à minha frente no chão, ligeira apressei-me a apanhá-lo conforme pude e fui para casa, sem contar nada do sucedido. Durante o almoço o avô dizia, "raios parta a merd..do arro, está cheio de pedras"…eu de boca caladita "não falasse o "cú" que da boca também não…"
Outros comeres de antanho:
Massa de cotovelinhos com o fiel amigo
Receita à Gomes de Sá no tabuleiro no forno
Bacalhau cozido com batatas e feijão-verde ou com raia
Bacalhau, sardinha e petinga albardada em cama d'ovo
( a minha avó materna chamava a este último Fertungado - nada mais que aferventado de couves ou nabos migados com batata e feijão frade ou chicaro regado com azeite, feito em abundância para se comer numa refeição a contar com a sobra para outra na cama de migas de broa repassadas pelo caldo, assim ficava no testo da panela a bacia de faiança para serrequentada no tacho de barro em estrugido de azeite, alhos e louro, a que se dá hoje o nome de migas . No concelho de Ansião nas famílias mais pobres o uso da malga grande, taça ou bacia ratinha funda de boca larga servia todos os dias o AFERVENTADO de nabos ou couve-galega migadas enriquecido com chícharo, feijão-frade ou d'velha e migas de broa ensopadas no caldo e ovos, que poucos punham porque os vendiam para a despesa da mercearia. Em minha casa punham-se num costume que aprendi com o meu pai ainda hoje faço, pôr de parte as migas da broa e sobre elas esmagar o ovo bem regado com azeite, o acompanhamento do aferventado .Adoro!
De um modo geral havia casas em que o "home" comia num prato covo individual, enquanto a mulher e os filhos sentados na beira do lume em tripés em redor da tripeça a fazer de mesa nela assente a bacia do comer de onde todos picarem com o garfo de ferro, ou à mão. Quem fosse lento a comer ou não gostasse do aferventado, que muitos chamavam couves com feijão ou feijão com couves, certo ficar com fome, porque o conduto era uma sardinha para três, postita de bacalhau, ou tira estreita de entrecosto...
Prato Meninos gordos
No contraste de muita casa onde havia fome
À laia da labuta da formiga também em terras de Ansião se arrecadava sustento no verão para o inverno. No meu tempo de miúda na loja da nossa casa, nome dado à cave, no início do verão acomodavam-se mantimentos para surtir o inverno em arcas, pias e talhas de barro.Os queijos do Rabaçal eram guardados em azeite comprados às mulheres de Albarrol e da Portela entre março a maio, os melhores naquele tempo, à exceção dos que se faziam no Escampado Belchior pelas mão da mulher do primo da minha mãe os fazia perfeitos, lisos de casca fina sem poros, redondos de bom tamanho e amanteigados feitos com o melhor leite, o de abril. Ao fundo da loja de encosto à parede havia um caixote de compartimentação onde se guardavam as leguminosas: favas, feijão da velha, grão-de-bico, feijão catarino e feijão branco. A arca do milho em agosto era cheia para as galinhas. Na arca velha da avó com dobradiças de ferro feitas por alguém que tinha jeito guardavam-se as nozes apanhadas em setembro, na altura não se usavam luvas, a casca grossa e verde deixava marcas pretas na pele por muito tempo, depois de descascadas eram lavadas no carro de mão de ferro em frente da loja para secar em cima da manta no patim. Também era tempo do trator carregado de lenha para o inverno que o Ti Alfredo cortava no "burro" feito pelas suas mãos com toros de pinho e me ensinou a empilhar as cavacas, azáfama de fazer pilhas direitas em cruz para não caírem no alpendre. Ao entardecer ia-se pelos pinhais fora de portas aos melhores terreiros limpos de mato com o ancinho juntava-se a caruma, aqui chamada de "munha" trazida numa manta de serapilheira atada as quatro pontas com o ancinho entalado e punha-se à cabeça e na mão uma saca de pinhas para acender o lume. Não faltava em finais de setembro a adega com os pipos de vinho, a cuba da água pé, o garrafão de aguardente e o do vinagre. A apanha da azeitona acontecia em finais de novembro antes era escolhida da galega de pele enxuta para retalhar na talha vidrada por dentro em tons esverdeados e amarelos onde não faltavam os temperos de tomilho, a erva de Santa Maria, louro, dentes de alho e água da fonte do Ribeiro da Vide, ao fim de um mês era mudada seguida de outras mudas até ficarem bem curtidas sem sabor amargo, havia anos que se punham orégãos apanhados na serra da Senhora de Estrela do Alvorge. As pias de pedra enchiam-se em dezembro com azeite novo e fazia-se a marcação do dia para a matança do porco. Na tradição o "massacre" do animal morto a seco com punhal certeiro ao coração. Ao tempo o porco alimentava-se com abóboras, figos, beterrabas, couves migadas, bolotas, sêmeas e restos dos escolhidos da cozinha. A carne era muito saborosa e os enchidos únicos. Desespero sentia ver a caparem os bácoros - chegava-se o capador e do bolso tirava uma navalha larga de lâmina, entrava no curral apanhava o leitão e prendia-o entre as pernas para em ato sem pedir licença puxar os colhões do pobrezito - zás e cortava – coitadinhos, os deixava a chiar, e eu sem poder fazer nada, questionava a minha mãe que dizia “ tem de ser capados para quando fossem crescidos a carne não saber a barrascum”demorei tempos a perceber!
Ritual da matança na minha casa só aconteceu uma única vez tudo por culpas ao meu pai, amigo de dar tudo o que tinha aos amigos “um mãos largas" esquecia-se do trabalho de o engordar, da distância do curral ao cimo do quintal, do trabalho de andar acima e abaixo pelo carreiro com baldes pela mão de lavagem, fizesse frio, chuva ou calor . Desesperada a minha mãe fez uma promessa de nunca mais fazer a matança, preferia vende-lo na feira dos quinze no largo do Ribeiro da Vide, e assim foi nos anos seguintes. Recordo de ver o animal de patas amarradas em cima da banca de madeira num chiar ensurdecer, sem dó nem piedade quando lhe foi desferido uma estucada a frio no coração de onde saiam golfadas de sangue ao endireito do alguidar onde era posto vinagre e se mexia com uma grande colher de pau para não coagular e se fazer as morcelas. Nos anos seguintes a minha mãe passou a comprar o lombo para fazer as chouriças que se aguentavam no inverno guardadas na talha com azeite, recordo no outono mal a noite se fazia na cozinha em cima do banco de espaldar em frente ao lume onde cortava o lombo em pedacinhos muito pequenos para o alguidar enquanto eu barafustava com a minha irmã para depenicar as folhas de louro e esfarelar com o dedo o colorau doce do cartuchito de papel aviado na mercearia em vinha-d’alhos com alhos e sal ficar a marinar. Era uma festa o dia de fazer as chouriças armadas de funil em punho de um lado eu e a minha irmã a encher a tripa seca, já demolhada comprada na mercearia da tia Carma e com a ajuda do dedo empurrava-se a carne e de guita na mão a nossa mãe ia-as atando, dando-lhes a forma de ferradura... Já as morcelas as via fazer com a mistura do sangue do porco, farinha, carne entremeada, salsa fresquinha apanhada no rebordo do poço, sal e cominhos… As farinheiras levavam gorduras frescas do porco misturado com farinha, alho, pimenta e sal. Depois os enchidos eram enfiados nas varas de loureiro para as colocar em estendal debaixo da chaminé da lareira onde se curavam com o fumo das cavacas de carvalho ou oliveira, havia dias que choravam e nos sujavam de pingos gordos…
Ritual do matar do porco na casa da tia Maria acontecia todos os anos ao cimo do quintal junto à eira. Chamuscado e raspado exalava um cheiro a carne queimada. No barracão o via pendurado enfiado no chambaril pelos tendões das patas dianteiras,depois de escorrido era aberto de alto a baixo para desmanche de carnes. As vísceras eram postas no tabuleiro de madeira, com elas se cozinhavam pratos típicos no dia da matança: Papas de sarrabulho, Cachola, IScas com elas , Fressura assada na brasa, que nós chamávamos "passarinha". As tripas eram lavadas na ribeira do Nabão junto ao canil municipal, ficavam branquinhas viradas com a ajuda de um vime, depois de volta a casa, nelas se enchiam em morcelas, chouriças, farinheiras e paios. O entrecosto, cabeça, chispes, pernil, toucinho da barriga ia tudo para a salgadeira a fiel guardadora das carnes em sal grosso para se aguentarem para o sustento do inverno.
Comia-se o bom do cozido à portuguesa aos domingos no inverno. Depois do meu avô "Zé do Bairro" enviuvar era convidado para almoçar em nossa casa, o seu prato favorito com a vaca cozida com hortelã. Atarefada na cozinha a minha mãe mandou-me ir comprar arroz à mercearia do Ti Piloto. Entrei pela taberna, a Fernanda a lavar copos de três na pia de pedra de lioz cor de tijolo, na mercearia a Bina aviou-me um cartucho de papel pardo com arroz carolino. Vinha eu a saltar e a brincar depois de passar a fonte do Ribeiro da Vide, rez vez o alcatrão acabar quando tropeço no macadame e o cartucho se estatelou à minha frente no chão, ligeira apressei-me a apanhá-lo conforme pude e fui para casa, sem contar nada do sucedido. Durante o almoço o avô dizia, "raios parta a merd..do arro, está cheio de pedras"…eu de boca caladita "não falasse o "cú" que da boca também não…"
Outros comeres de antanho:
Peixe
Arroz de bacalhau com um nadita de colorau e sabor a vinagreMassa de cotovelinhos com o fiel amigo
Receita à Gomes de Sá no tabuleiro no forno
Bacalhau cozido com batatas e feijão-verde ou com raia
Bacalhau, sardinha e petinga albardada em cama d'ovo
Tibornada de bacalhau assado
Roupa velha com os restos do bacalhau cozido
Caldeirada de bacalhau com ou sem arroz
Peixe frito do rio, chícharo, faneca
Sardinha assada com batata cozida com a pele e pimentos
Atum com feijão-frade, batatinha e cenoura e cebola picada com gomos de tomate e azeitonas
Escabeche de carapau, sardinha, chicharro ou perdiz
Carapau frito e petinga
Peixe frito do rio, chícharo, faneca
Sardinha assada com batata cozida com a pele e pimentos
Atum com feijão-frade, batatinha e cenoura e cebola picada com gomos de tomate e azeitonas
Escabeche de carapau, sardinha, chicharro ou perdiz
Carapau frito e petinga
Carne
Cozido à Portuguesa
Leitão
Pato assado
Arroz de pato
Frango assado no forno
Frango na púcara
Arroz de cabidela
Galinha estufada à Moda de Ansião com couve branca,receita pobre da perdiz à Moda de Coimbra
Jardineira de frango
Frango na púcara
Arroz de cabidela
Galinha estufada à Moda de Ansião com couve branca,receita pobre da perdiz à Moda de Coimbra
Jardineira de frango
Guisado de vaca
Chanfana
Ensopado de borrego
Borrego assado no forno
Caldeirada de cabrito
Cabrito assado com grelos de nabo ou couve nabo
Batatas assadas no forno a lenha com sabor a leitão da tia Maria
Galo corado
Arroz de coelho
Ensopado de borrego
Borrego assado no forno
Caldeirada de cabrito
Cabrito assado com grelos de nabo ou couve nabo
Batatas assadas no forno a lenha com sabor a leitão da tia Maria
Galo corado
Arroz de coelho
Coelho à caçador
Iscas de porco de cebolada
Favas com entrecosto com chouriça e morcela
Ervilhas com ovos escalfados e chouriça.
Peixinhos da horta
Chispalhada com grão, couve e cominhos
Mão de vaca com grão
Iscas de porco de cebolada
Favas com entrecosto com chouriça e morcela
Ervilhas com ovos escalfados e chouriça.
Peixinhos da horta
Chispalhada com grão, couve e cominhos
Mão de vaca com grão
Rancho com grão
Dobrada com feijão branco e arroz
Feijoada com carne de porco e couve
Arroz de feijão de grelos e pimentos
Todas as semanas a minha mãe fazia um tabuleiro de massa de pão de ló que depois cortava em palitos que se guardam numa lata para a semana
Pudim d'ovos
Pudim de miolo de noz
Bolo de noz
Velozes
Sonhos
Arroz doce
Leite Creme com farófias
Papas de Sarrabulho
Regelo (borrego)
Verde com sangue colhado que se mistura variantes das miudezas do porco ou do carneiro.
Bucho com arroz que a minha tia Maria no Bairro tão bem fazia com sabor a hortelã e,…
As sopas no meu tempo tinham a função de "tranca da barriga" Grão-de-bico, feijão-verde, feijão da velha com repolho, caldo verde, e sopa à lavrador ou de entulho à moda da terra ou da panela, tantos nomes para a sopa da pedra com feijão, hortaliça, ossos, enchidos e barriga de porco. Nesse tempo em minha casa só se comiam produtos da estação da agricultura de subsistência que os meus pais mantinham no quintal e fazendas no mesmo hábito se comia a fruta e legumes da época e as leguminosas demolhadas de um dia para o outro em água. No tempo das favas e ervilhas comiam-se todos os dias, igual no tempo do feijão-verde, dos grelos e da couve nabo que se chamam
" grelos couveros". E claro a couve galega era rainha em paralelo com os nabos.
Dobrada com feijão branco e arroz
Feijoada com carne de porco e couve
Arroz de feijão de grelos e pimentos
Doces
Todas as semanas a minha mãe fazia um tabuleiro de massa de pão de ló que depois cortava em palitos que se guardam numa lata para a semana
Pudim d'ovos
Pudim de miolo de noz
Bolo de noz
Velozes
Sonhos
Arroz doce
Leite Creme com farófias
Nos casamentos comeres mais antigos da nossa
terra
CacholaPapas de Sarrabulho
Regelo (borrego)
Verde com sangue colhado que se mistura variantes das miudezas do porco ou do carneiro.
Bucho com arroz que a minha tia Maria no Bairro tão bem fazia com sabor a hortelã e,…
As sopas no meu tempo tinham a função de "tranca da barriga" Grão-de-bico, feijão-verde, feijão da velha com repolho, caldo verde, e sopa à lavrador ou de entulho à moda da terra ou da panela, tantos nomes para a sopa da pedra com feijão, hortaliça, ossos, enchidos e barriga de porco. Nesse tempo em minha casa só se comiam produtos da estação da agricultura de subsistência que os meus pais mantinham no quintal e fazendas no mesmo hábito se comia a fruta e legumes da época e as leguminosas demolhadas de um dia para o outro em água. No tempo das favas e ervilhas comiam-se todos os dias, igual no tempo do feijão-verde, dos grelos e da couve nabo que se chamam
" grelos couveros". E claro a couve galega era rainha em paralelo com os nabos.
Aferventados
De nabos com feijão fradeNabos com cabeça, ou de couve nabo, também lhe chamam "nabos couveiros" como a minha avó lhe chamava, muito saborosos.
Com couves e feijão frade
Acompanha com : entrecosto , bacalhau assado, entremeada,entrecosto, pataniscas, filetes, peixe frito e,...
Acompanha com : entrecosto , bacalhau assado, entremeada,entrecosto, pataniscas, filetes, peixe frito e,...
Requentado ou Fertungado
Feito com a sobra do aferventado com migas de broa ensopadas com o caldo, "feijão da velha", debulhar, frade ou chicharo a refeição seguinte requentada com já atrás mencionei no tacho de barro com azeite a fervilhar, alhos e louro, a que se junta o aferventado escorrido, as Migas, que a minha avó Maria da Luz da Moita Redonda chamava Fertungado e nessa continuidade na família assim se chama.
Feito com a sobra do aferventado com migas de broa ensopadas com o caldo, "feijão da velha", debulhar, frade ou chicharo a refeição seguinte requentada com já atrás mencionei no tacho de barro com azeite a fervilhar, alhos e louro, a que se junta o aferventado escorrido, as Migas, que a minha avó Maria da Luz da Moita Redonda chamava Fertungado e nessa continuidade na família assim se chama.
Fertungado ou Migas
Cachola
A carne de porco com os miúdos e fígado entalado na brasa ( na chapa ao lado do tacho) que se junta no fim na cachola, deve-se comer "picada" pelo garfo do tacho de barro há quem junte batata no guisado.
A carne de porco com os miúdos e fígado entalado na brasa ( na chapa ao lado do tacho) que se junta no fim na cachola, deve-se comer "picada" pelo garfo do tacho de barro há quem junte batata no guisado.
Tiborna ou punheta de bacalhau
No olival improvisei a fogueira com umas pedras de lado para assentar a grelha, no brasido assei o bacalhau e as batatas com a pele enfiadas num arame, salpicadas de sal como via no meu tempo de criança fazer no alambique. Num prato grande desfiado o bacalhau e na roda as batatas esmurradas, tudo bem regado com abundância de azeite quente num púcaro com alhos.Prato que faço no Natal aproveitando a lareira acesa, rápido e toda a gente adora. Antes se fazia muito nas lagaradas.
No olival improvisei a fogueira com umas pedras de lado para assentar a grelha, no brasido assei o bacalhau e as batatas com a pele enfiadas num arame, salpicadas de sal como via no meu tempo de criança fazer no alambique. Num prato grande desfiado o bacalhau e na roda as batatas esmurradas, tudo bem regado com abundância de azeite quente num púcaro com alhos.Prato que faço no Natal aproveitando a lareira acesa, rápido e toda a gente adora. Antes se fazia muito nas lagaradas.
Ensopado de cabrito
No tacho de barro feito ao lume
Por Ansião se chamava Sopa de Carnes, tradição gastronómica levada pelos "ratinhos" nas suas safras sazonais para as vindimas e apanha da azeitona ao Ribatejo em Almeirim e Golegã , ma arca levavam leguminosas (feijão ou chicharo), carne salgada e enchidos, a comida ancestral de substância herdada dos antepassados que a comiam praticamente todos os dias para ditar nos Ribatejanos a sapiência de a saber revitalizar e celebrizar com o nome Sopa de Pedra!
Como fazer sopa de carnes
Feijão da velha que crescia no milheiral demolhado e no verão feijão grado debulhado. A minha mãe há muitos anos introduziu um naco de vaca ao espinhaço de porco, entremeada, bacon e enchidos. Depois de cozidas as carnes são retirados para se juntar quadradinhos de batata, nabo, cenoura, couve galega esfarrapada e repolho crespo, e uma mão de massa grossa.
Antigamente por serem pobres só usavam carne gorda e enchidos, não havia cenoura , usavam abóbora.
Feijão da velha que crescia no milheiral demolhado e no verão feijão grado debulhado. A minha mãe há muitos anos introduziu um naco de vaca ao espinhaço de porco, entremeada, bacon e enchidos. Depois de cozidas as carnes são retirados para se juntar quadradinhos de batata, nabo, cenoura, couve galega esfarrapada e repolho crespo, e uma mão de massa grossa.
Antigamente por serem pobres só usavam carne gorda e enchidos, não havia cenoura , usavam abóbora.
Gente em êxodo das aldeias nos meados do século XX para as grandes cidades à procura de melhor vida quando faziam esta sopa de carnes diziam aos filhos que era - Comer à moda da terra
Leitão à moda da Nexebra
Assado no Pereiro no BIGODES
Os temperos - Banha, sal, alhos , louro e pimenta
Assado no Pereiro no BIGODES
Os temperos - Banha, sal, alhos , louro e pimenta
Cozido à Portuguesa
Com a carne de vaca cozida com hortelã
Com feijão branco
Chanfana
A carne de cabra coze no tacho preto não vidrado "acarbada" em vinho tinto, uma cabeça de alhos, louro, azeite, banha, cravinho, colorau, salsa e sal sendo deixada temperada de véspera, no dia seguinte na falta de forno a lenha o tacho vai ao lume brando na lareira e assim fica na "mornalha" o resto da noite , serve-se no dia seguinte. Em Ansião come-se acompanhada de batata e couve cozida.
Arroz de cabidela
A minha mãe tão bem sabe confecionarGalo assado no forno
Arroz de pato
Frango do campo na púcara
( à moda da perdiz de Coimbra) com grelos
Com batata doce, herança que a minha mãe trouxe da Madeira de se comer batata doce.
Caldeirada de cabrito da região de Sicó
Sempre houve peixe à venda por terras de Ansião
Por isso a Caldeirada de sardinha , raia ou peixe variado.
A peixeira Ti Zulmira vinha à minha porta com o carrinho de mão de madeira vender o peixe que encomendava ao telefone do correio ao filho que vivia nos Riachos. As vezes que me cheguei a ela para a ver escamar e atirar as guelras para os gatos para no prato da balança não faltar o contrapeso da cabeça. Comi bom goraz assado no forno, pargo frito ou cozido, sardinha assada ao sábado, bacalhau e raia.
Caldeirada Com raia, safio, pata roxa, cação e ameijoas e coentros
Apenas com batata e juntando arroz o jantar do pessoal de fora na jorna a comer que se fazia na Moita Redonda e no Bairro Sto António em Ansião.
Ou bolinhos de bacalhau com café de cevada
Grelhada com salada, também se comia cozida ensalada com batatas e feijão verde.
Pescada cozida com couves de Ansião
Petisco de berbigão
Doutro tempo, hoje ainda mas gosto mais de ameijoas
Azeitonas retalhadasDoutro tempo, hoje ainda mas gosto mais de ameijoas
Sopas
Canja de galinha
À lavrador com feijão da velha (demolhado) com couve e ossos
Feijão debulhar com couve
Grão com massa meada
Favas
Feijão verde
Caldo de nabiças e,...
Caldo Verde com couve galega
Enchidos com picante
A chouriça com colorau, e a morcela com cominhos e salsa e farinheiras.
O Livro Pantagruel
A minha mãe comprou-o em Coimbra era tão grande com outro igual em casa só o Dicionário
Por não ter poucas figuras acabou destruído por mim e pela minha irmã...
Puré com pescada cozida e cebolada
Polvo frito em cama d'ovo
Robalo do mar assado Aprendemos a saborear nas férias na Figueira da Foz e na Nazaré que o compadre da minha irmã era pescador lúdico em Ílhavo e nos obsequiava
Pargo assado

Bife da vazia
Em minha casa é refeição desde o início da década de 60. Hoje com molho de cogumelos e natas, servido com legumes cozidos.Que só o voltei a saborear na Portugália e em Coimbra.
Lombinho de porco assado com arroz e salteado de legumes
Outras comidas depois do 25 de abril de 1974
Caril com frango
Herança trazida pelos retornados, sobretudo de Moçambique, aprendemos a comer caril
com maça e pinhões
PaelhaApós o 25 de abril em 75 a 1º vez a Badajoz ganhou-se o hábito de comer paelha
e tortilha com feijão verde.
Suflê de abóbora
Com molho bechamel e queijo ralado do Rabaçal curado, receita de uma criada.
Cataplana de caras de marauca com gambas
Depois que vim para a cidade
Bola de carne de frango de churrasco
Hábito de se comer pelo Carnaval, Páscoa e Natal
Bola de fiambre e paio
A que a minha avó Piedade fazia era de carne de porco gorda e chouriça, agora faço com franjo assado enchidos e fiambre.
Páscoa quer Bola salgada e Bola doce com avelãsA que a minha avó Piedade fazia era de carne de porco gorda e chouriça, agora faço com franjo assado enchidos e fiambre.
MASSA SOVADA
A minha primeira vez feita por altura do meu aniversário de 52 primaveras .
Depois da massa levedar, foi ao forno cozer.Foi aberta e retirado o miolo, uma invenção minha a pensar como se faz com o bacalhau no pão para levar a alcatra.

Merendeiras doces e salgadasA tia Maria do Bairro quando acendia o forno fazia para os netos as Merendeiras com sardinha, bacalhau , chouriça ou açúcar. E eu também as comia.
A minha querida e linda mãe é uma cozinheira e doceira de mão cheia!
Saudades da sua marmelada vermelha por cortar os marmelos com faca de ferro.Agora só se usam facas brancas e a marmelada perdeu aquele encanto.E fazia geleia com as cascas e sementes. Enchia taças de vidro cobertas com papel vegetal comprado na papelaria da D.Arminda e as punha a secar na pedra da janela da sala...a minha irmã adora marmelada,sorrateira levantava o papel e a comia toda...
Hoje a pus em taça de plástico...
Marmelada
Quando a minha mãe a comprava em Coimbra na Briosa, vinha nesta taça de faiança de Sacavém
Hoje a pus em taça de plástico...
Marmelada
Quando a minha mãe a comprava em Coimbra na Briosa, vinha nesta taça de faiança de Sacavém
Há pouca doçaria na vila de Ansião (?)...
Pão-de-ló tradicional
O da minha querida mãe é digno de confeitaria igual o da D Helena da Lagoa da Ameixieira.
Igual o bolo de nozes, leite-creme e do arroz doce amarelinho feito com ovos caseiros que desde sempre ornava a canela a imitar a faiança falante : Parabéns Bela; Parabéns Mena ...decorado a flores, corações ou pintinhas. Em Ansião a tradição dita 8 a 10 ovos.
Variantes de Pão de ló em formatos diferentes e coberturas
O glacê branco aromatizado com laranja ou limão que a minha mãe fazia para cobrir os bolos de noz ou de laranja quando se queimavam ou ficavam menos bonitos. Este decorei com caramelo.
![]() |
| Cobertura em glacé |
Bolo de chocolate com cobertura glacê branco
O fiz durante anos para os anos da minha filha
Tigelada cozida em forno de lenha
Herança das gentes beirãs.Pois depende do calor fica feio no aspecto mas saboroso ao paladar.
Cobertura com fios d'ovos que gosto de fazer por altura do natal
Bolo de ananás tradicionalO fiz durante anos para os anos da minha filha
Tigelada cozida em forno de lenha
Herança das gentes beirãs.Pois depende do calor fica feio no aspecto mas saboroso ao paladar.
Ao género das famosas da prima a Ti Matilde do Cimo da Rua
De cova seca servem de copo e as de Pão de Ló, macias são normais
Abóbora gila De cova seca servem de copo e as de Pão de Ló, macias são normais
Bolo com gila húmido
Em forma de tarte
Tarte de amêndoa com cobertura a natas e ao lado com caramelo
Pavlova
Por sempre adorar suspiros há mais de 30 anos que a faço com mascapone e frutos vermelhos
Em forma de tarte
Tarte de amêndoa com cobertura a natas e ao lado com caramelo
Pavlova
Por sempre adorar suspiros há mais de 30 anos que a faço com mascapone e frutos vermelhos
Pavlova de canela com doce d'ovos
Também conhecidos por mexidos de natal com pinhões, passas, nozes e resto de bolo de noiva
Na casa dos meus pais já o comia em 62 que vinha na carreira de Coimbra por encomenda.
Feito por mim em 2002
Arroz doce
Em muita casa abastada no final da desfolhada, ceifa vindimas ou na apanha da azeitona presenteavam o rancho com um grande prato de arroz doce.
Natal os Sonhos com leite
Leite creme com farófias e chocolate
Em Ansião a minha mãe fazia um tabuleiro de leite creme e o cobria de farófias levava ao forno apenas para crestar.Hoje faço tanta derivação...
Em Ansião a minha mãe fazia um tabuleiro de leite creme e o cobria de farófias levava ao forno apenas para crestar.Hoje faço tanta derivação...
E laranjas...
No meu tempo de miúda na minha casa de inverno se comiam assim finamente cortadas com uma pitada de açúcar amarelo regadas com água quente.
Bolo de laranja com casca
No meu tempo de miúda na minha casa de inverno se comiam assim finamente cortadas com uma pitada de açúcar amarelo regadas com água quente.
Tarte de laranja e cobertura
Torta de laranjaBolo de laranja com casca
Com pinhões
Inicialmente no tempo da guerra o pão em Ansião era de Rolão...No meu tempo era de trigo e mais tarde comecei a comer de centeio. O que nunca deixei de comer foi a BROA de mistura .Q1uem se lembra da bacia do crescente?
O meu pai mandou abrir um poço e com o barro que saiu do buraco fez-nos um forno, como não lhe fez telheiro acabou mais tarde por se desmoronar, mas ainda cozemos nele.Afinal era filho e neto de padeiros.
O meu pai mandou abrir um poço e com o barro que saiu do buraco fez-nos um forno, como não lhe fez telheiro acabou mais tarde por se desmoronar, mas ainda cozemos nele.Afinal era filho e neto de padeiros.
Uma tradição na região de ver secar ao sol tabuleiros de madeira que também serviam para ir ao rio lavar as tripas da matança do porco. Cobriam o fundo do tabuleiro com munha, a caruma dos pinheiros e por cima o estandarte dos figos a secar.Os meus figos de Ansião a secar na varanda.
Nozes
Havia nogueiras. Os meus pais tinham uma no quintal que era tão grande que por fim teve de ser cortada porque não havia homem que a verdejasse. As comíamos ainda quase de leite e em bolos de Noz e em pudins feito com miolo de noz e nos bolinhos dos Santos.
Queijo do Rabaçal
Queijo de mistura de leite de ovelha e cabra com cardo.
Gosto dele fresco, de meia cura e curado.
Meia cura e amanteigadoHavia nogueiras. Os meus pais tinham uma no quintal que era tão grande que por fim teve de ser cortada porque não havia homem que a verdejasse. As comíamos ainda quase de leite e em bolos de Noz e em pudins feito com miolo de noz e nos bolinhos dos Santos.
Queijo do Rabaçal
Queijo de mistura de leite de ovelha e cabra com cardo.
Gosto dele fresco, de meia cura e curado.
Curado de pasta mais dura
Ginja
A minha primeira produção
BOLOS DE NOIVA
Julgo que não se sabe a sua origem (?) …noutras terras há bolos semelhantes. Quem os fazia como ninguém a padeira Maria do Carmo Lopes, um avô de Figueiró dos Vinhos onde também existiu um Mosteiro, ainda hoje famoso o seu Pão-de-ló, a receita poderia ter vindo com ele, boa continuadora teve na sua filha Piedade Lopes ou, então do meu bisavô Elias do Alto cozinheiro na tropa no tempo do rei D. Carlos, conta-se que tinha um livro de receitas.
Julgo que não se sabe a sua origem (?) …noutras terras há bolos semelhantes. Quem os fazia como ninguém a padeira Maria do Carmo Lopes, um avô de Figueiró dos Vinhos onde também existiu um Mosteiro, ainda hoje famoso o seu Pão-de-ló, a receita poderia ter vindo com ele, boa continuadora teve na sua filha Piedade Lopes ou, então do meu bisavô Elias do Alto cozinheiro na tropa no tempo do rei D. Carlos, conta-se que tinha um livro de receitas.
Feliz a minha avó Piedade da Cruz, mulher de profissão: padeira de mão cheia, também fazia os Bolos de Noiva e o pão Coroa como ninguém!
Na semana o dia marcado - sexta feira - para os noivos os entregarem aos convidados no sábado.Tradição de ontem os noivos presenteavam os convidados com um bolo de noivos na véspera do casório, no meu tempo cumpri o ritual, hoje perdido, oferta-se na hora do adeus à boda.
A minha avó tinha dois fornos na padaria onde o pão e bolos coziam de feição, intenso era o sabor que abonava os ares ao Ribeiro da Vide.
À força de mãos a massa era bem batida pelas mulheres no grande alguidar, com a taça do crescente davam forma redonda aos bolos de massa de gemas amarelinhas, depois tendidas no tabuleiro de panos brancos enfarinhado golpeados na crista em cruz para entrarem no forno. Coziam abrolhados ao meio com maminhas repenicadas de crostas douradas deixando antever o olho do bolo menos cozido, macio, de sabor doce e aroma a limão . Lindos.
Seria o segredo a folha de couve que os protegia na quentura do forno ou das mãos sábias daquelas mulheres com tanto saber ?
Infelizmente há casa afamada em Ansião (?) que o falsifica na tradição, optando por aditivos para substituir os ovos, apesar de ter lascas de limão, mostra-se em demasia amarelo e por fora muito viscoso.
Bolinhos dos Santos
Infelizmente há casa afamada em Ansião (?) que o falsifica na tradição, optando por aditivos para substituir os ovos, apesar de ter lascas de limão, mostra-se em demasia amarelo e por fora muito viscoso.
Bolinhos dos Santos
Noz, passa de uva e erva doce com um golinho de boa aguardente em copo da Vista Alegre com mais de cem anos...
No meu tempo de cachopa as faziam assim
Bolinhos de erva doce
Lesmas
Por
não gostar de animais viscosos e no meu tempo a tradição eram bolinhos
rijos que nem cornos com sabor a erva doce...mas hoje as fazem macias...
Criatividade
Doçaria conventual (?)
Não sei se ainda alguém as faz, a D Maria Amélia as sabia fazer. As queijadas uma herança dos mouros que ficaram nesta região e deles muitos ainda hoje tem ascendência, o mesmo do almerce, os frangalhos do leite coalhado sobrante da feitura do queijo mais tarde reaproveitadas pelas freiras de Pereira em Montemor o Velho a ditar as famosas queijadas da vila de Vila de Pereira.
Tem aparecido novas recitas de doces de chicharo : pastéis, tartes e queijadas -, muito bons!
Queijadas Tem aparecido novas recitas de doces de chicharo : pastéis, tartes e queijadas -, muito bons!
Queijo fresco com massa fina a imitar a massa dos pasteis de Tentugal
Queijadas de Ancião
Com aguardente e azeite que a minha avô Piedade fazia, as minhas porém ficaram de cor insípida...
Fatias douradas à moda poveira
Pão
duro depois de demolhado é exprimido em forma de bola e vai a fritar à
laia de bolas de berlim para serem recheadas com doce d'ovos.
Sericaia
O
meu avô José Lucas nas suas idas ao Alentejo trouxe a recita com o nome
de Sericá, doce proveniente da Índia que na zona de Avis e Crato onde
existe o rio da Seda não souberam valorizar para os de Elvas aproveitar chamando-lhe Sericaia, porque lhe juntaram sabiamente a ameixa
em calda do Caia.
JesuítasEm ênfase aos frades que tiveram a quinta de Cima em Chão de Couce
Natal é Lampreia...
A primeira que fiz à minha moda sem salamecos de confeiteira foi na casa da minha mãe na Figueira da Foz, num Natal dos muitos que naquela casa passámos, fantásticos, levantei-me pelas 4 das manhã e sozinha na cozinha armada de pasteleira, quando se levantaram já estavam os doces todos feitos...
Tarte de queijo fresco com doce de morango e broas castelar
Esqueci- me de levar a massa da tarte ao forno para tostar...
Do NATAL à PÁSCOA comem-se velozes de abóbora menina
Tarte de abóbora menina com miolo de amêndoa Velozes de cenoura
Velhoses de abóbora
Receita a olho, meio quilo de abóbora
cozida bem exprimida no pano, dois ovos, uma colher de sopa de açúcar amarelo, sumo de
uma laranja, pixel de aguardente e pouquíssima farinha com fermento, fica de pasta mole. Fritam-se colheradas em óleo quente.Cobrem-se com açúcar amarelo e canela.
Filhoses
O hábito de as darem ao pessoal de fora depois da apanha da azeitona e do milho.
A receita é simples com farinha, raspa de laranja, limão e sumo, azeite e aguardente , esqueci-me de passar a corretilha, a minha avó Piedade, padeira as tendia sentada ao lume no joelho, estas foram na tábua...
Pêras cozidas com chocolate
Iguarias de natal onde a riqueza do pormenor da cesta branca de verga e pano de linho com o pão feito por nós no forno a lenha

Frutas- lichias, uvas, quivi, laranja, romã, pera e mamão para o fondue de chocolate
Bolo de natal com calda dos fios d'ovos
Figueira da Foz em noite de muita doçaria no reaproveitamento da calda onde fiz os fios d'ovos.

Figueira da Foz em noite de muita doçaria no reaproveitamento da calda onde fiz os fios d'ovos.
Um Natal com Tarte de limão; Tarte de amêndoa; Rabanadas à poveira com doce de ovos; Pavlova de chocolate com creme pasteleiro ; Entrada ; pastéis de carne, à moda da criada a D. Conceição da Portela de S.Lourenço de Pousaflores.
DELICIEM-SE...
PIOR SEJA DEIXAR MORRER A TRADIÇÃO DA NOSSA TERRA!
AVENTEM , RECRIEM E PARTILHEM
Incrível é a região ser abençoada por salpico de pinheiras, cujo fruto o pinhão não teve no tempo apreciação para com ele se fazer algum tipo de doçaria.
Um dia destes vou inventar "Beijos de Pinhão", já comecei a idealizar a receita!
Um dia destes vou inventar "Beijos de Pinhão", já comecei a idealizar a receita!
Se desse ouvidos à minha mãe há muito que tinha aberto um restaurante...bondade de mãe...entretanto vão-me "roubando as ideias e as receitas novas"...Sei gostaria muito de ter uma tasca no centro da vila...de Ansião ou um Kafé vintage...o mais provável!
Termino com o principio, mas dantes não havia Entradas... Apenas se faziam Pastéis, empadas, almofadas. O recheio?
Vitela ou frango. Hoje junto beringela e cenoura. E claro rissóis de berbigão ou pescada.
Desde miúda despertava em mim outras vontades que não os estudos
de saber fazer e questionar coisas ligadas à terra. A meu pedido o meu
pai disponibilizou um canteiro de terreno atrás da casa para eu fazer as
minhas sementeiras.O que restava do triciclo vermelho da minha irmã
servia de trator. Orgulho sentia das minhas batatas, as primeiras a
serem consumidas em casa, o meu feijão-verde fazia questão no dia da
festa de Santo António em junho fazer a primeira colheita para oferecer
na fogaça. Que danação sentia a tia Maria de o dela ainda nem florir,
esquecia-se, que eu o semeava mais cedo, de volta dele andava por causa
do piolho, quantas vezes o voltava a semear, tanta insistência e
carinho, só assim possível, também porque estava abrigado o raças do
canteiro!
Nostalgia sinto de não mais voltar a ver as noras a
trabalhar com mulas ou burros andar à roda do poço a fazer rodar o
sem-fins no louco vaivém dos alcatruzes graciosos a despejar água na
pia de pedra para os ver de novo no voltar a descer ao poço a
encher, voltar a subir e despejar. Magia da água a correr de mansinho
pelo rego, tirada nos balanços dos poços, e de andar descalça a regar
milho.
As minhas recordações ...
Em Ansião nasceram receitas em espaços novos inspirados nesta página, quando o certo é quando SE copiam ideias, se refira a FONTE ao invés de apropriação de coisa que não é sua!
Em Ansião nasceram receitas em espaços novos inspirados nesta página, quando o certo é quando SE copiam ideias, se refira a FONTE ao invés de apropriação de coisa que não é sua!

































































