quarta-feira, 31 de julho de 2013

Quinta da Torre da Ladeia no Alvorge

Ontem na companhia da minha querida mãe tomámos a rota do Rabaçal para comprar queijos -, curado e fresco na fábrica Serqueijos .
No regresso apeteceu-me parar no entroncamento de Casas Novas (pertença a Soure) no sentido de rever o que resta do Solar com o brasão dos Carneiros Figueiredos de 1693 sobrepujado por óculo.
Na década de 60 deveria ter uns 9 anos fui à festa de agosto no Alvorge  com os meus pais em que ele teimou descer um caminho nas imediações da igreja e na descida ao vale saciámos a sede na fonte, vimos de longe o solar já em aparente ruína. 
A foto mostra o caminho  em terra batida que percorri a pé  
Ao lado  do caminho segue o ribeiro agora com ervas secas . Só corre no inverno  segue pela Mara eond e toma o seu nome Ribeira da Mata com forte leito no inverno passado à Lagoa do Pito na Lagarteira.
Interpelei o pessoal trabalhador que não sendo do local me endereçaram para o dono que estava ao cimo da propriedade. Mal me cheguei a ele perguntei -lhe  se as ruínas que via eram do solar...Respondeu que sim, que o brasão ainda lá estava. Depois perguntei se era o proprietário
- Em tom meio  respinga disse que não, nem sabia a quem pertencia nem se o imóvel era público ou privado.
Rematei, só perguntei porque se fosse seu queria pedir autorização para visitar.
Respondeu, só lá estive em miúdo ainda me lembro dos murais...
A minha mãe resingona ...se ganhasses alguma coisa com isto?
Pois ganho -, prazer e muito pela abordagem da partilha gratuita, especulação de estórias, com história, vivências saudáveis, para um dia mais tarde recordar!
 
O caminho não é mais do que o troço da via romana vinda de Conímbriga que se bifurca em duas variantes a poucos quilométricos atrás.O tempo ditou nela o percurso de estrada medieval e caminho de Santiago de Compostela.
O brasão dos Carneiros Figueiredos
Deixei o carro na berma da estrada principal e caminhámos pelo caminho estreito onde apreciei o plantio no ano passado de olival  e estava em curso a reconstrução de uma pequena casita em pedra , que sempre conheci arruinada.De repente no meu pensar supus que a casita  pode ser do que resta da pequena torre ou torrinha que deu o nome ao Alvorge (?) a contradizer os historiadores que dizem que foi localizada junto do solar...Foi o que ali me inspirou, pela forma quadrada. Pois se foi se perde, arqueólogos deveriam averiguar as pedras e o espaço envolvente para encontrar vestígios que ajudassem a catalogar o local da torre, ou não?Há quem diga que o solar foi feito com as pedras aprumadas da torre...No meu fraco julgar acho que a torre a ter existido junto ao solar a probabilidade será no local da Capela, o mais altaneiro, de construção ainda se apresenta segura, consistente em altura, em detrimento do restante património em muito mau estado, sobretudo a norte. Claro que tem de haver estudo, o que seria importante.
Entrada da Capela com orago a Nossa Senhora do Pilar
Há coisa de 50 anos ainda aqui se celebrava missa.O portal é encimado pelo grande brasão parcialmente coberto com hera que até o vai protegendo...
Homens com brocas de ferro furavam o terreno árido para a colocação de postes para colocação de vedação parcial da actual Quinta da Ladeia .Acredito no passado a quinta seria mais extensa para o lado de Casas Novas e foi cortada  no tempo pela actual estrada de ligação Ansião Rabaçal. Logo na curva da variante para a aldeia de Casas Novas onde passa o aqueduto do  ribeiro  há uma casa tipo azenha ou lagar, talvez  com aproveitamento da força motriz da corrente no inverno (?).
A terra era fértil pela água  que nasce na Fonte no poço  de chafurdo, tradicional no Maciço de Sicó herança dos romanos pela estrutura de pedra e requinte de escadaria que os mouros souberam usar na minha opniãor, cujas alterações posteriores distorceram esta realidade.
Junto da fonte vi estas pedras que falam-, duas em forma cilíndrica que me reportaram no imediato para miliários romanos (?) e uma pedra aparelhada  que me pareceu um pedestal aqui posto na vertical.
Fonte  restaurada, não sei se bem ou mal (?) perdeu a graça de chafurdo...
Fitei o olhar nas infra estruturas metálicas da quinta e do grande poço para armazenamento de águas na parte de cima- quiçá um investimento supostamente subsidiado (?).
Deixei a fonte com os olhos postos nas ruínas imponentes do solar...
Na campina de cima vê-se a pequena escada de pedra de acesso ao patamar onde está implantado o solar que mal se nota  no emaranhado  de vegetação do lado esquerdo.




Estruturas metálicas supostamente para estufas (?)





Cancelas abertas ao longo da quinta, na maioria ( apodreceram ) restam as portadas de pedra abertas...
A água sai da fonte passa por este viaduto e segue o caminho em canal lajeado ao longo da quinta limitado pelo muro de pedra do caminho.
  
A quinta da Ladeia é dividida no prado por tanques de pedra e aqueduto para a levada d'agua em estado impecável.

Da fonte do Alvorge parti na direção ao norte e na ligeira subida fiquei na frente das ruínas do solar.
A entrada do solar a poente, a parte norte a mais degradada. Apesar do solar se apresentar em ruína iminente, há muitos pormenores de interesse. Houvesse vontade e querer de força mayor para o limpar de lixo, remoção das pedras caídas, e de novo as pôr nas paredes que ainda se perfilham no espaço.Isso sim, seria uma obra digna de salvação do património que muito honraria o concelho de Ansião e nomeadamente da vila do Alvorge que bem merece a restauração deste belo exemplar do século XV!
Sem se esquecerem de arranjar os muros de pedra solta, há casos de necessidade de alargamento da via, só passa um carro...
Há tanto potencial turístico neste caminho de Santiago...
Na frontaria abre-se uma escadaria de lanços opostos, larga , depois do átrio ao fundo a Capela de Nossa Senhora do Pilar.

A minha mãe a subir a escada no lanço norte

Lanço de escada virado a sul mais degradada possivelmente porque aqui subiu e desceu muita gente vinda do Alvorge em prol de gente vinda do lado de Condeixa...

Lanço de escada a norte em melhor estado
Parede e dentro no corpo da Capela onde se vê o óculo de iluminação, acima da ombreira do portal uma cavidade oval que não sei a função
Ombral da porta ainda visíveis onde as trancas entravam
Euzinha no portal da Capela
Portal esculpido com frisos rectilíneos
Frontaria do solar apresenta o resto do que foi uma grande janela possivelmente do salão de  entrada do solar de paredes meias com a Capela, cavalariça (?) e 1º andar
Porta da Capela encimada com o brasão

Outra perspectiva do portal da Capela
Cúpula do altar mor da Capela
O que resta do mural em amarelos e cerise do altar mor
O que resta da cúpula vista de outro ângulo
Prateleira da Capela e porta de acesso à sala de entrada do solar a norte
Fresta da Capela virada a sul
Seria a sala de entrada com porta  e guarita para copa e cozinha(?)
A minha mãe na porta de entrada que viria do salão de entrada ou copa e cozinha... (?)
O arco deveria dividir a copa da cozinha (?). Depois de ver a foto na Genealogia das Cinco Vilas em que ainda se vê a parede a nascente, acho que não, porque só tem guaritas . Não distingui nenhum jeito da lareira e das prateleiras metidas nas paredes um hábito à época .Deve ter sido a seguir para nascente onde é grande o desmoronamento.
Em Ansião no Bairro de Santo António na última estalagem da Maria da Torre também havia um arco como este por onde entravam os cavalos...e se arrumavam os freios e outros apetrechos .
Estranho junto do topo da cúpula da Capela reparei no pilar quadrado em pedra calcária-, seria do relógio de sol?
A foto  ( está ao contrario) evidencia que havia um 1º andar-, a fresta que se vê na foto é da Capela
Curiosidade-, 2 janelas entaipadas, cada uma com uma com falta de apenas uma pedra
Do alto do solar vi a torre da igreja do Alvorge, logo pensei que lugar altaneiro ideal para a torre que deu o nome à vila...Mas logo se fez luz-, na região as várias torres de vigia para defesa do território e de Coimbra ( Torre de Vale Todos; Santiago da Guarda; Cumeeira; Quinta da Ladeia , Soucide e,... feitas para a defesa da cidade de Coimbra-, a sua localização também se centrou ao nível do terreno e não como a maioria dos castelos no alto de serras.

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