quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Chão de Couce, para mim o chão mais airoso e belo das Cinco Vilas

As Cinco Vilas do Maçico de Sicó, englobadas nos concelhos de Ansião, Alvaiázere e Figueiró dos Vinhos, a saber,  por ordem alfabética -, Aguda;  Avelar; Chão de Couce; Maças de D.Maria e Pousaflores.
Sem desprimor das demais, uma foi a minha eleita em visita de tarde de calor abrasador, mal estacionei avistei gente no adro com a chegada de pessoas de Ansião...
Chão de Couce, sinto ser vila princesa!
Altaneiro no cimo da torre do campanário da Igreja encimada por estrutura em ferro forjado com uma Cruz enlaçada na graça de Anjo.
No adro a graça da data feita em calçada 
Afinal o movimento anormal de gente  estava relacionado com a despedida da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima.
A frontaria da  Igreja apresenta nas laterais painéis de azulejo, sendo um alusivo a Santo António e outro ao Beato Santo Condestável-, Nuno Álvares Pereira, que historiadores acreditam ter nascido no paço do pai em Cernache do Bonjardim, também na igreja existem outras imagens do mesmo Santo, o que me intrigou ao pensar ao tempo já a  sua devoção acérrima nesta terra !
Bem sei que ao tempo nos meus estudos dele se falava como o mentor da tática vencedora da Batalha de Aljubarrota, sobre os espanhóis no campo de S. Jorge, onde foram dizimados em grande número, entretanto homem casado, ainda assim a matar e a casar, foi eleito beato!
Com o devido respeito por quem lhe confia tamanha devoção, um paradoxo enigmático para mim, claro está!
Átrio do alpendre forrado nas laterais por dois belos painéis de azulejo e na cimalha até ao teto
Padroeira de Chão de Couce-, Nossa Senhora da Consolação
 A igreja se ia compondo de moldura humana vinda de muitos lados.
 No adro as janelas e varandas se engalanavam com colchas para a procissão.
Deixei o recinto de festa e na estrada um ajuntamento de homens conversava com o cónego Adriano Santo
Segui a Rua do Laranjal, confesso não distingui uma única laranjeira, mas deveria haver, talvez no quintal da casa onde foi morada e ainda será(?) do padre.
Gostei francamente desta janela com a criatividade das telhas mouriscas adaptadas na  renovação de ar.
Já em plena Rua da Mó,  logo mais à frente, entrei na Rua do Centro Pastoral  da Diocese Sul de Coimbra, supostamente edificado em parte da Quinta das Eiras (?)
Vistas sobre Chão de Couce e serra da Mata da Quinta de Cima
 Centro Pastoral
A rua termina com a Fonte do Cano-, não sei o porquê da designação "cano", supostamente a bica era dada inicialmente por um cano? Tenho a vaga ideia que houve um tempo muito recôndito que foi mandada construir ou reconstruir, pelo então Presidente da Junta, José Coimbra, em terreno particular, sem a suposta autorização da dona (?) e que esta com uma máquina a mandou demolir (?), lembranças esfumadas, nada sei de mais concreto, nem sei o  seu local original. 
Foram mencionadas por Lopes (1892, 249), que escreveu sobre as nascentes do Furadouro
 Não consta porém, que tenham medicamente aproveitadas” (1892: 197)
Água ferrosa
A fonte encontra-se sita em terreno do tardoz do Centro Pastoral, que tem uma porta para sul, o que evidencia que seja sua pertença(?).
Fácil dar conta que do outro lado da Fonte do Cano, da estrada é visível em propriedade particular, recentemente limpa, a existência de uma estrutura em pedra, supostamente pertença da Quinta de Eiras, ou da antiga fonte (?) que dela foi a água encanada para a atual,  atendendo à forma de conduta antiga em pedra ,com rego escavado para a  água  correr, o que transparece (?).
O meu avô na Moita Redonda, tinha água em casa que vinha da mina da Cavada do costado da Nexebra, no sistema de queda livre, para um grande tanque em pedra que ainda existe numa propriedade da minha mãe a saída da água era por pedra esculpida sob o comprido com bico, que a minha irmã teimou trazer para o seu jardim e novamente em queda livre por rego na terra, só mais tarde encanada.
Aqui acaba o alcatrão, sendo que a  estrada continua em terra batida para a Serra de Nexebra, logo no entroncamento para norte com um quelho para a Mó, são visíveis no chão restos de canos finos de plástico enterrados a partir dos anos 50, para abastecer as casas com água das minas da serra.
 Quelho na direção da Mó
 Um grande tanque com água na quinta de Eiras(?)
Marmelos bonitos e sadios de bom tamanho 
Também andei com o queimbo nas ribanceiras da Moita Redonda onde os apanhei, o saco com o peso abriu e rolaram pelo alcatrão, apareceu um carro que fez o favor de parar para os apanhar.
Fiz marmelada, que a minha filha devora, uma prática em desaparecimento,afinal é bem melhor do que a comprada.
 Abandono do cultivo da vinha, ainda assim carregada de cachos biológicos...
Vista central da Mó, aqui deveria ser um farto largo com pequena rotunda na Mó com a Mó-, onde outrora houve um grande tanque em pedra, com água para abastecer as casas.
A Mó  que dá nome ao Lugar, jaz de encosto na casa do Presidente da Junta, não deixa de ser mote aliciante e criativo.
Nesta rua vislumbra-se o tardoz da casa dos bisavós paternos do meu marido, o Ti António Carolino(Coimbra) e da Ti Maria, tia da minha mãe, que foi nascida na Moita Redonda.
Em redor da casa tinham no tardoz e nas laterais vinhedos, além de outras propriedades nas imediações, quem sabe não foi uma pequena quinta (?).
Vistas sobre Chão de Couce 
Acaba o alcatrão, o caminho faz a ligação às imediações do Bairro em terra batida por entre vinhedos tratados, cujos cachos me pareceram de pior aspeto que outros de cepas em abandono ...
No meu julgar ponderei a hipótese de haver ainda um caminho de ligação à  vila embocando no gaveto da casa que foi do Ti Artur Coimbra, mas não.
O meu marido encaminha-se para a sua propriedade na saída da Mó a caminho da Pardinheira.
Aqui no passado foi uma bela vinha com cepas trazidas do norte, por gente que veio trabalhar nas minas de gesso no Bairro.
A Junta de Freguesia remediou parcialmente a situação anómala das enchentes de águas no inverno em enxurrada na descida da Nexebra, lamentavelmente só foram calcetadas as valetas na frontaria da casa do presidente e da sua oficina, deixando precisamente a propriedade do meu marido que lhe confina a poente, sem requalificação, sendo nela que se vão afundar todas as águas e lamas-, a casita  é nota disso, atulhada de lama seca já nem abre a porta há anos...
E ao tempo foi mote de conversa com o presidente, mas sem aparente valia!
Mulher prevenida armada de cesta e um saco de plástico, com o canivete do meu marido, à laia do prevenido alentejano, sempre com algum na algibeira, dei azo à vindima biológica, sem poda nem qualquer trato, apenas numa parreira de cachos grandes, que em tempos de antanho a família pendurava no teto de madeira para  se aguentar até ao Natal, seguramente 15 quilos... e ainda lhe deixei cachos!
Só depois de ver tanta uva nos questionámos o que fazer com elas, o mote foi fazer uma pinga de vinho branco. No dia seguinte de novo na Mó onde apanhei mais um saco de uva preta e alguma Fernão Pires. Na casa da minha mãe fizemos a pisa retirando o engaço, apenas ficaram no mosto os bagos esmagados e grainhas; uva branca e noutra tina uva preta. Ferveu a bom ferver durante quatro dias, depois foi o mosto envasilhado; 15 litros de branco; cinco de vinho e outros 5 de meio vinho, acredito seja melhor do que água pé.Vamos ver para o Natal!
Outra hipótese não havia senão de voltar a Chão de Couce pela rua da Mó, onde deparei com um estrangeiro que tratava do jardim da sua casa recentemente adquirida. Reparei que alteraram valetas, na sua melhoria, por serem em meias manilhas, fundas e perigosas, em caso de resvalo, mas nem toda a rua foi devidamente tratada  e devia, no meu julgar.
Com a minha mãe que estava no dentista partimos pelo burgo para apreciar a fonte que no tempo dela  não era neste local atual.
Segundo o seu testemunho, a fonte seria localizada nesta entrada onde está o carro, tinha dois tanques com duas bicas a correr e os painéis de azulejo, tendo sido mudada tardiamente para o local onde se encontra hoje, por razões que desconheço.
Curiosamente entre os dois locais, existe uma vivenda cuja frontaria mural nela encontrei encastrado um pedestal em pedra com a  inscrição da data de 1898.
Será o  primitivo mural edificado da fonte, pelo buraco da bica, na teima e bem, em o deixar perpetuar?
Foi um tempo áureo no concelho de Ansião a edificação de fontanários 
No ano anterior, 1897 no Ribeiro da Vide, a minha fonte!
De seguida paramos ao mítico Café  Jolu, do "Americano"-, o Comendador Alberto Rosa, nascido em Lisboinha, padrinho de batizado do meu sogro, de quem sempre foi fiel amigo.
Ainda me lembro do café aberto que achava especial, com mesa de bilhar, belo balcão em madeira, como os carismáticos de Coimbra.
Chão de Couce merecia de novo vê-lo aberto em glória, o mesmo do outro ao Furadouro, que o sítio o conheci uma vida como casa em ruína  erguida em xisto e laje de barro, carateristica da região, que alguém meteu mãos e fez obra, a transformando no respeito da traça antiga, onde a madeira no interior era rey, fazendo nele nascer um café, acolhedor e gracioso, lamentavelmente se diz, foi à muito incendiado... A falta de cultura e a insegurança  limita pessoas  com medos, com isso mingua a prosperidade das suas gentes e do progresso da sua terra.Fatalmente o que sinto!
Apreciei na vila a inscrição de  datas nas ombreiras das portas na construção do casario.
Revela que sempre aqui houve gente de presunção em fazer bem feito para deixar história.
Chão de Couce prima em  brio e talentos por terras do palco das Cinco Vilas.
Famosa seja pela linda arquitetura da maioria do seu casario, seja pelas muitas quintas, seja pela paisagem ora bucólica, campestre, seca, mui verdejante, mas sempre airosa.
Rua onde era a padaria do Sr Rocha, à esquerda.Ainda chegou a explorar a nossa em Ansião.
Casa dos herdeiros do Prof. Elísio Mendes Oliveira-, nesta casa deu aulas antes de fazerem no adro a Escola, no meu tempo era o Diretor Escolar,   e a esposa a Srª D. Maria Luísa Rêgo, também professora.
Casa da prima da minha mãe a " Maria do sacristão"
Casa onde viveu o Dom João
Perdeu-se o fetiche  mágico dado pelas palmeiras, das primeiras do género que havia no concelho
Um belo edifício onde funcionou na minha meninice a Casa de Saúde do Dr Quintela e do Dom João -, o Dr Travassos,  médico de Arganil,  radicado em Ansião, também  aqui vinha dar consultas, um belo dia numa brincadeira de médicos e doentes, éramos cachopos de mente diabólica, em minha casa a minha irmã aramada em médica dá uns comprimidos do nosso pai, a um garoto, claro se veio a sentir mal e de táxi os avós aqui vieram em pressas por o médico aqui estar, que lhe fez uma lavagem ao estômago... Neste agora o edifício em agonia e decadência no centro da vila, e não devia, em prol das circundantes sempre briosas em aparato, a câmara deveria instaurar agravamento de IMI nestes prédios degradados, como o fazem outras congéneres. Ainda na fachada ostenta a graça dos vasos em cerâmica e o belo painel de azulejo ao cimo da escada.
D. Manuel I deu novo foral à vila em  12 de novembro de 1514.
Pelourinho
O edifício onde funcionou a Estação de Correios
A conheci bem quando acompanhava a  minha mãe. A recordo no início dos anos 60-, duas plantas trepadeiras trazidas da ilha da Madeira pela responsável da Estação, moradora no edifício, as ostentava no cimo de um móvel arquivador em madeira de tola, cor de oiro, as trepadeiras faziam as minhas delícias pelas hastes aéreas que se enlaçavam quase a rondar o chão, pois nunca antes vira plantas tão bonitas, já o chão em tacos, podia-se nele lamber mel, de tão limpo e encerado, irradiava brilho, o mesmo da lareira em tijoleira vermelha. Aqui passei horas vazias sem nada para fazer, brincava com a balança, a marca de dia, ia ao pão e à fonte buscar água fresquinha e a ver gente que vinha para usar a cabine telefónica, receber vales, enviar cartas, encomendas, e ouvir conversas de ocasião, a recordar tempos da minha avó, da sua bondade, e da minha mãe quando pequena. A hora do almoço acontecia na estação a degustar o farnel trazido de casa, depois íamos dar uma passeata pela vila onde a minha mãe me falava do casario, das pessoas que nelas moravam, do Dr. Quintela; do padre Manuel; do sacristão e da sua loja; da loja do Pecelica, onde se vendia de tudo; da loja na esquina do correio que vendia e arranjava máquinas de costura; da farmácia na outra esquina; do Zé da Quinta o motorista da Quinta de Cima com loja, mecânico de motas, se desenrascava na profissão de eletricista, a ele se deve a maior parte das casas eletrificadas nas aldeias circundantes-, na Moita Redonda quando o Comendador Alberto Rosa ofereceu a puxada à aldeia no início da década de 50; do D. João, a quem me interrogava o motivo do trato por "Dom" que só conhecia em gente de sangue real, me respondia ser de descendência nobre, das suas lembranças de miúda, da história da Quinta de Cima e das estórias que os caseiros falavam.Chegava-se o final da tarde, o regresso a casa fazia-se de boleia nas camionetas do armazém do Sr. Júlio do Fundo da Rua de Ansião, no carro do transporte dos Correios, táxi, ou a pé até à Ponte Freixo para apanhar a camioneta.
Ao tempo nesta casa funcionava a farmácia do Dr Barroso-, os velhotes no correio diziam  que iam à "botica".
Lembro- me deste edifício ter sido construído
Ruínas da primitiva casa da Quinta da Cerca que cheguei a conhecer -, já não existem. Desde sempre me desafiou a imponente chaminé, ainda bem que a fotografei antes de ser derrubada, não sei onde seria a entrada principal da casa, se a norte ou a nascente, o mais provável (?). 
Não sei quando foi a abertura da estrada que dividiu a quinta da Cerca em duas, aquando da  ligação aos Pombais, Amieira, Serra do Mouro e,...
A atual Quinta da Cerca fica a norte da primitiva, no que julgo foi no tempo, o celeiro da mesma (?).
A Quinta da Cerca  supostamente no passado foi sendo vendida  parcelarmente(?) e nela se  foi construindo algum casario sobranceiro à estrada até às imediações da propriedade da Quinta de Cima.
Vista do sítio da primitiva casa, da Quinta da Cerca com vista sobre a Nexebra, em venda.
A poente nasce uma nova estrada de ligação ao Loureiro e Furadouro, que sempre existiu, agora asfaltada.
Defronte ficam as ruínas da Câmara de Chão de Couce onde distingui vestígios de obras, com remoção de pedras soterradas e uma vala para ser feito um muro(?).
Vila e comarca  entre 1514 e 1855. Aqui funcionou a  sede da Comarca das Cinco vilas.
O meu olhar descobriu dois fragmentos, um em cerâmica vidrada em verde( de um alguidar? E o outro em faiança com filetes em azul, prato?. 
Podem ter sido da cozinha da quinta da Cerca(?) que lhe ficava ao lado.
 Na lateral existe um tanque ornado a canas da Índia
 Outras vistas tiradas a sul
Lamentavelmente o quelho para sul de acesso ao lavadouro da Quinta de Cima se encontra atulhado de silvas, se mostra inacessível e não devia!
A Quinta de Cima data dos primórdios da nacionalidade  e foi palacete real , apesar da abundância de pedra calcária na região, hoje se apresenta de beleza ingénua de fachada, mas bela pela graciosidade, sem janelas de avental (?) possivelmente ao longo dos séculos foi sofrendo remodelações, quiçá supostamente parcialmente ruído com o terramoto de 1531, que dele nada se fala, sendo que na época poderia igualmente ter ruído o Mosteiro e a primeira Igreja de Ansião de orago a S. Lourenço.
O sobrado estende-se sobre o comprido com um torreão a nascente, de realçar ao longo da frontaria talhas espalhadas pelo patamar largo lajeado repleto de sardinheiras de todas as cores, o palacete tem adoçada    capela a poente, com orago de Nossa Senhora do Rosário, no tardoz um lindo jardim com uma palmeira de tronco fino, as primeiras a chegar a Portugal no tempo dos Descobrimentos.
Para nascente do palacete existe um varandim  em forma de mirante bucólico, com colunatas em pedra que dão cobertura a trepadeiras com vista  privilegiada para a vila de Chão de Couce, no lado oposto, no contraforte da Mata, um souto de castanheiros de folha estreita que se diz ser primitivo, bravio (?), se o fosse haveriam mais pelas redondezas a meu ver, sendo que este se mostra plantado em terreno bem delimitado, único nas redondezas(?), comparável ao carvalho francês, que se veste de cores quentes no outono, apesar do castanheiro ter sido abundante na região,dizimados com uma doença há mais de 50 anos, deles ainda restam grandes pés de diâmetro extraordinário pela Nexebra .
No sopé  da Mata, jorra com força água e da boa, julgo abastece além do lavadouro, dois grandes tanques em redondo da Quinta, e não sei se o tanque enorme que existe mais abaixo do palacete.
O que me intriga é a força da nascente no tempo aproveitada para a quinta, mais tarde lavadouro, mas no passado longínquo  não haver no local vestígios de regato, regateira ou ribeiro? Ou há e não conheço?
A Quinta mostra-se envolta por prados tipo Bocage, embora de sebes secas, melhor seria se fossem verdes para dar ênfase à designação-, campos a perder de vista-, ainda perdura uma grande vinha, pomar que enxerguei raquítico (?) e o mesmo do olival, campos em pousio com aspeto de extrema secura, empestada com tufos de junco aqui e além.
Diz-se que esta Quinta albergava na sua biblioteca manuscritos do reinado de D. Fernando e, até um quadro por ele pintado no tempo que foi casado com a D. Leonor Teles, também que a filha D. Beatriz por aqui teria sido gerada, a beleza da rainha e a do Lugar, tudo a condizer para tão eloquente recato amoroso. O mesmo se conta que esta, depois de viúva, voltou aqui foragida com o seu amante o Conde Andeiro, vindos de Lisboa a caminho de Espanha.
Também por aqui passou a rainha D. Maria, para comemorar a efeméride, a família ao tempo encomendou a propósito um serviço de loiça francesa para presentear a soberana( quem sabe se os castanheiros não vieram nessa altura?) mal a comandita real se fez de novo à estrada, imediatamente os donos o mandaram destruir para não voltar a ser utilizado por ninguém, coisas e loisas que deixam qualquer um com bom senso a pensar...
Fiquei com água na boca sobre o futuro da Quinta de Cima, nos últimos anos em mudança de mãos, especulou-se da possível venda a um grupo americano em tempos que não foi avante, quiçá ainda outros investimentos falhados(?) .
Neste meu alvitrar modesto, seja o mote dado pelo seu passado rico como palco de Reis, aias, frades de Santo Tirso por duas vezes, Casa do Infantado, por fim propriedade da família de António Lopes do Rego, o Sargento-Mor  e cavaleiro da Ordem de Cristo, cujo último descendente o Dr Alberto Rego, sem descendência direta, foi vendida.
Porque a vida é curta e nada se leva na hora da morte, o ato de doar é eterno, só digno de gente de mente aberta-, um mecenas, que goste de patrocinar, agraciar ou doar gratuitamente, em contrapartida ficam para sempre narrados nos anais da história pelo tamanho gesto perpétuo da dádiva benemérita-, nesse pressuposto sempre julguei que tivesse sentido o gosto e prazer em ter doado a Quinta à vila-, sem favor, seria o favor mayor, de a dignificar em honra e também do seu nome, no presente e futuro, pela eloquência e da história aqui vivida no passado, também pelas gentes desta terra que sempre a família acolheu e brindou em serviços e excelência!
Neste agora o que será que o futuro lhe reserva?
Que me perdoem a frontalidade neste opinar, a meu ver aqui  ficaria implantado em excelência e glamour um Boutique Hotel, com o nome da Quinta de Cima (?)...Melhor seria que todos os prados e até os costados da Mata agora de eucalipto cobertos a vinhedos de boas castas, pelo menos umas cinco pelas pragas, não haver anos de fraca produção, enólogo permanente  e adega para produção de vinho com a marca do sítio.Isso sim seria um caminho de sucesso!
Amaria contemplar a Quinta de Cima fosse na primavera ou no verão repleta de vinhedos verdes a perder de vista, desafiando o palacete branco ornado no contraforte pela moldura do souto de castanheiros no outono vestidos de folhagem em tons doces, desde o ocre ao castanho e escarlate, qual cenário idílico de extasiar e de fazer perder a respiração com a bênção da bica fresca de águas cristalinas, e nela instalada uma pequena produção de engarrafamento-, no mesmo outra parceria com a câmara para anulação do troço de estrada Dr Alberto Rego, de ligação de Pombais à vila, que divide a quinta em duas partes, na parte superior localiza-se o palacete, celeiro, adega, olival, vinha, pomar e mata, na parte de baixo paisagem de pousio e um grande e comprido lago debruado a pedra retangular, muito grande com patinhos, abrindo duas novas variantes em cada topo da quinta na direção à estrada da Pedra do Ouro, sendo que a população em nada a meu ver perdia, e a quinta ganhava em profundidade como o foi no passado, no caso de aposta na produção vinícola, a ser implantada, modernizada com rega automática, como na Bacalhoa em Azeitão e outras.
Fatores de progresso que engrandeceriam a vila e suas gentes, mas claro para isso é necessário muito investimento.

Fatal remédio senão voltar à estrada  a caminho do palacete, a estrada ainda que sendo pública, sempre me incomoda por julgar que invado propriedade privada -, agora ainda mais em triunfante expetativa dos novos donos-, ouvi falar que foi supostamente comprada pelo Dr Isaltino Morais e o Eng Arménio Neno (?)...
O que sei-, o cão foi o primeiro  a ladrar... Um pachorrento Serra da Estrela, preso na corrente que corre ao longo de um ferro comprido sem chegar à estrada, o certo, para não pôr em perigo as pessoas na sua caminhada. Apenas estranhei o triste aparato na frente do palacete, ainda por cima com o focinho esmurrado supostamente nas pedras dos patamares, sendo que jamais senti igual cenário assim tão deprimente nestas paragens. Desculpem a franqueza, fatalmente me reportou laconicamente para bairros periféricos das grandes cidades ou acampamento de ciganos...
Melhor esperar que tal atitude comportamental seja passageira ...
Ao longo dos muros tílias antigas com chão calcetado de pedra antiga até à entrada do palacete 
Ao longe o pomar que me pareceu de aspeto raquítico(?)
Vista parcial ao longe sobre Chão de Couce e o prado em secura da quinta em final de verão
O alcatrão acaba ao celeiro da Quinta, continuando a estrada em terra batida de acesso à restante propriedade, lavadouro público e acesso ao Furadouro.
Lavadouro público, nada mais do que a rede social antiga, que se mostra completamente em abandono.Supostamente o espaço foi adquirido pela câmara de Ansião(?), mas nele pouco ou nada investiu no tempo.
"A. Costa Simões (1860), na sua Topografia Médica mencionou outra nascente perto de Chão de Couce, na serra da Mata, onde " de uma rocha em grés brota um pequeno manancial de água, a Câmara Municipal comprou para fazer melhoramentos mas nada fez".
Ora seria útil a ser o dono, em o limpar, remodelar e aproveitar a água. 
Espaço emblemático enquadrado em paisagem fresca e romântica para passeio, lazer e descanso, se retirado o lavadouro que aos dias d'hoje deve ter pouco uso, reciclando as pedras em estrutura de bancos, muros e que tal uma piscina ou investimento em engarrafar água?
Deveriam também apostar em abrir um novo caminho na extrema da propriedade da Quinta de Cima, de ligação à Amieira ( até pode haver), para acesso pedonal das gentes ao espaço, como já existe de ligação ao Furadouro, para melhor usufruto dos espaços.
No sopé da Mata o souto de castanheiros vestidos em cores a chamar o outono
No tardoz da bica de água ouvi ruído saído desta casinha, supostamente uma das minas (?)
Vista do lavadouro de poente
Difícil  deixar o bucolismo que esta paisagem é fatal  inspiradora...
De volta ao caminho sempre com Chão de Couce em pano de fundo , vila delicada na calêndula dada pela folhagem verde e fresca do antigo e frondoso carvalho alvarinho, qual imagem ténue tranquila e serena de paz e emoções que desperta.
Abaixo do lavadouro num silvado distingui uma pedra arredondada em cima como são habituais outras a servir de ombreiras a portais pela quinta, não sei a que dá acesso.
No passado conheci dois frondosos tanques, desta vez apenas encontrei um deles
Não fotografei a  frontaria do palacete, havia gente na travessa confinante da casa que foi dos caseiros, em remodelação, onde foi aplicado um telhado a imitar telha, canelado, com grande espessura de esponja, os dois pombais também me pareceram ao longe ter sido intervencionados, pintados de fresco, em candura o brilho do branco, com os telhados  na graça o remate em rebique, iguais ao do torreão a nascente, e claro as guaritas para os pombos.

O celeiro e a  adega a norte estavam na mesma, o mesmo do palacete a reivindicar obras (?) sobretudo nas madeiras, já as parcelas imensas de campos se apresentam com imensos tufos de junco em terra seca, quase estéril, ainda assim com gado caprino... 
O tanque ou represa enorme, não sei se a água é aqui nascente ou virá canalizada do excedente das minas da serra da Mata (?)
Difícil dizer por palavras o que aqui senti nesta entrada onde tanta gente ilustre durante séculos caminhou a pé , coche, cavalo ou carro-,  acredito se deleitou como eu extasiada, qual orgasmo inteletual, coisa brutal!
O correto a meu ver ,deveria ser Rua da Quinta da Cerca . Lamento observar que não tenham privilegiado a toponímia antiga com o sufixo da palavra Quinta-, afinal dois pesos e duas medidas  na mesma vila; atendendo à atribuição da Rua da Quinta de Cima...
Não sei o porquê da designação de MOITAS-, melhor a meu ver seria Rua da Quinta do Salgueiral, com as suas águas termais ( será que ainda existem?) . 
Julgo(?) apenas existe a Travessa do Salgueiral, mas como existe travessa sem existir Rua?
Marmelos da quinta do Salgueiral
A casa onde viveu o Dr.Quintela
Seria interessante saber a origem da família do Dr Quintela, pela data na frontaria da casa e pelo apelido fez-me eco que pode ter descendência do filho do  2º  Barão de Quintela , Joaquim Pedro Quintela  que também foi o 1º Conde Farrobo (?).
O médico conhecido por Dom João, jamais chamado de doutor...
O arbusto antigo que reveste uma parede deu o nome à travessa-, Era ou HERA?
Será que não haveria melhor sítio para colocar a placa de vigilância?  Junto da inscrição  1857 na ombreira?
Mesmo em cima da hora da procissão
Nossa Senhora Peregrina
Uma das Confrarias da vila de Ansião presente, cujo estandarte está seguro num dos lados pelo meu compadre Fernando Moreira, e na outra ponta um rapaz que agora não me lembro o nome, morador no Casal das Peras, esteve também presente a Irmandade da Sarzedela, Constantina, Torre de Vale de Todos, não sei se mais.
Alvaiázere apresentou-se com umas parcas 20 pessoas, dizia um homem acoberto da sombra da tília para o meu marido, "isto da religiosidade já não é o que foi, nem Pelmá, Rego da Murta nem Pussos, ninguém veio...
Motars fizeram-se à procissão

No tardoz da igreja avista-se ao longe a Quinta da Rosa
Não faltou a mulher do peixe frito do rio , a rolote das farturas e vendedeiras de lenços brancos, não sei se fizeram negócio bastante!
Voltei à Igreja agora vazia para fotografar o altar mor revestido a belos painéis de azulejo de azul sobre branco. Ao centro o retábulo de Nossa Senhora pintado pelo Mestre Malhoa em 1933, assíduo visitante no mês de setembro com quarto na Quinta de Cima.

Nicho com uma imagem em pedra quinhentista sem policromia de Nossa Senhora com o Menino.

Escada em caracol de acesso à torre sineira e do relógio
Pelo chão os vestígios da passagem da procissão
Os meninos da creche acenaram à Imagem com lenços brancos
De  saída gente de Ansião já carregava estandartes
Deixei Chão de Couce depois da hora que marcava o relógio...
Tarde maravilhosa em deleites nesta vila princesa, mas pacata, com muito para ver, sentir e seduzir, fatalmente a deixei a caminho da Serra do Mouro a trautear versejos feitos pela minha mãe...
Ricardina Ferreira Afonso, nascida na Moita Redonda , nas faldas da Nexebra com  81 anos.
Chão de Couce teve um dia
altos nobres visitantes
vinham aqui em folia
Reis, princesas e infantes!

Aqui passava  férias em setembro
Mestre Malhoa, artista de valor
Ofertou  retábulo da Virgem Mãe
com muita arte, devoção e amor .

Esta vila é um jardim
que envolve o meu coração
ela representa para mim
todo o enlevo e devoção.

As belezas que ela encerra
não as posso descrever
da Quinta de Cima à Nexebra
tudo me faz renascer.

Lembro a  minha infância
no gosto de ver a fonte antiga à distancia
com as  suas belas bicas a correr...

E casas tão bonitas que fazem perguntar
qual seria o arquiteto que tão bem  soube desenhar?
Quinta de Cima a princesa, o ex libris da vila
toda ela  foi realeza, sua beleza me aniquila !

Tudo o que há e eu gosto
há muito que já existe
Hoje já pouco foi feito
O que lamento é triste!

Fontes
http://www.aguas.ics.ul.pt/leiria_salgueiral.html

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