sábado, 25 de fevereiro de 2017

Aldeia desertificada dos Matos em Ansião

Em tempo medieval o Lugar dos Matos, um dos mais antigos da vila de Ansião, fez parte do seu termo, hoje apenas resta a sua capela graciosamente alcandorada no viso do outeiro, correndo-lhe aos pés ao Barranco, o ancestral Caminho de Santiago de Compostela vindo do sul, da Venda do Negro, em tempos idos se chamava  no plural - Venda dos Negros, nome  ganho pela herança dos mouros do Magrebe, do norte de África, negros, cujos cruzamentos deles ainda hoje descendência apresenta tez trigueira, olhar castanho escuro e cabelos encrespados...
Desconheço o paradeiro do sino, para não ser roubado o teriam retirado (?) .
O que ditou a desertificação desta aldeia foi a falta de água e más acessibilidades. Nos meados do séc. XX houve pessoas que emigraram e não voltaram, outros saíram para outras aldeias pela via do casamento. Ainda conheci em miúda a aldeia , nela vivia o velho Ti Sabino, a família Mendes que tinha uma filha, a Rosalina tecedeira e por último a Isaura que daqui saiu para casar já em farta idade no Alqueidão.Não vive aqui ninguém há mais de 30 anos.
Excerto do livro "Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas de Ansião " O Lugar dos Matos em 1721 tinha sete vizinhos, apesar de não ter água floresceu na vereda sul abrigada e soalheira do outeiro a espreitar os Empiados de igual número, e pela frente ao longe se avistam os Escampados."
O primeiro acesso que conheci a caminho dos Matos pelo Ribeiro da Vide tomando a quelha da Atafona à Garriaza, onde à mina se impunha para sul uma ladeira larga e íngreme  para de novo atalhar à esquerda às Almitas do Casal das Pêras, outro Lugar dos mais antigos de Ansião -, de seu nome primitivo D' Afonso Pêra. A família do meu pai herdou terrenos nas redondezas por isso aqui vinha com a minha prima Júlia amiúde, onde no corte à direita na direção do Carril recordo de comigo entrar numa courela de mato para me mostrar uma grande pedra com toneladas com o "Pezinho de Nossa Senhora" , num tempo em que tudo o que eram sinais diferentes ou estranhos revertia para "Milagres, Deus e Nossa Senhora..." hoje faz-se luz dizer que em virtude do calcário ser uma rocha de pouca dureza o pezinho tenha sido esculpido pelo homem do paleolítico (?) ou por um qualquer pastor, que a erosão nos séculos seguintes o evidenciou bem torneado. No Carril, fazenda da minha irmã o meu pai dizia haver um filão de mármore (?) e de facto há pedras com sinais de fósseis, tenham sido aquando da erupção que exterminou os dinossauros que fragmentos de outra rocha mais mole ( amarela) ao cair na rocha mais dura, o calcário, lhe deixou pequenas esculturas, na mesma assim encontrei ao cimo da serra do Mouro, antes de começar a descer.

As minhas pedras incrustadas de fósseis
Outro caminho a partir de Ansião ao Casal do Galego, hoje Pinhal para à frente na curva fechada cortar à esquerda  pelo caminho da casa que foi do Ti Manuel Borracheiro, descendo na direção ao entroncamento ao Barranco, onde passa o Ribeirinho, o riacho que só corre de inverno, e mais à frente muda de nome para Ribeiro de Albarrol, e pela frente se impõe a ladeira austera, por ser íngreme, agora mais larga, onde se avista fila de casario adoçado sobretudo do lado direito, com r/c e sobrado em ruínas, contudo se adivinha terem sido de gente com posses, pela vaidade das faixas da frontaria de barras pintadas a ocre, uma tradição perdida que outras terras, como o Sardoal, hoje mantém na tradição, seguido de parco casario disperso, e mais acima a casa dos pais da tecedeira Rosalina. O caminho fechava com a capela de orago a S.Mateus, com data esculpida no lintel de 1740.Sofreu há poucos anos um restauro.Curiosamente e com grande lástima nunca aqui vim à festa de S. Mateus que se realiza em setembro, no tempo das nozes.Há poucos anos rotearam uma nova variante seguindo o lado direito da capela na direção a caminhos remotos; Vale Penela ; Vale Figueira e Lagoa da Ameixieira.
Para aqui vir em caminhada o trajeto mais pitoresco o sejam ambos, a acessibilidade faz-se por entre pinhal  e carvalhos por caminhos de terra, ladeadas as courelas por muros de pedra seca, lamentavelmente há anos ao alargarem os caminhos destruíram alguns e não o deviam, a largura era suficiente, só necessária limpeza e manutenção onde ainda reina a paz e os silêncios, só interrompidos pelo chilreio dos pássaros ou de algum javali quando se avistam filões de chão remexido indicia  procura de raízes frescas. 

Em dia de festa chega-se o povo principalmente do Carvalhal do Bairro, Pinhal e da Ameixieira.
 Enquanto as crianças se divertem em redor da capela

Citar o Padre Manuel Pinho de Ansião 
"Um documento de 29 de maio de 1769, intitulado “Relação do estado das igrejas, confrarias e capelas da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Ansião”, redigido pelo padre José Fernandes da Serra, que devia ser o pároco de Ansião nessa altura, diz o seguinte a respeito desta Capela:No lugar dos Mattos esta huma Capella e nella, as Imagens de Sam Mateus, Senhora da Piedade, e das Preces, todas em vulto feitas em páo bem esculpidas e incarnadas; tem seu retábulo, bem pintado, toda a Capella forrada de painéis; tem os ornamentos precizos como sam pedra de ara, três toalhas, dois purificadores, dois castissais, e cruz de estanho, Missal, galhetas e prato de estanho, vestimenta, de osteda branca, bentinhos incarnados, duas alvas, dois cordois, dois amitos, tudo em bom uzo, dois veos, hum branco, e outro incarnado, seis sanguinhos, duas mezas de corporais, e bolssa de duas cores, frontais de festa, e roixo em páo pintados, calis, e patena, e colher de prata, palio, duas alemternas tudo bom; corre o seu reparo por conta do povo."

Numa pesquisa encontrei passaportes com mais de cem anos afetos a pessoas com o mesmo apelido em Chão de Couce, o que pode aventar  originalmente esta família que veio morar para os Matos e mandou construir a capela tenha ligação à Quinta da Amieira  a seguir à Serra do Mouro, ou originária do Freixo, em Torre de Vale Todos, locais com mais apelidos comuns, em detrimento de apenas um em Albarrol cujo nome é igual e outro na Aguda, sem se saber de onde teria sido a sua origem.  
Curiosa a matriz da desta família abonada de apelido "Jorge" . Nos finais da era de 1800 e inicio de 1900, encontrei pedidos de passaportes com o mesmo apelido de várias terras circundantes. Desconheço se hoje o apelido ainda persiste.
Passaporte de José Jorge 1896-02-07 Idade: 46 anos
Filiação: José Jorge / Genoveva de Jesus
Naturalidade: Corga / Chão do Coice / Ansião
Residência: Corga / Chão do Coice / Ansião
Destino: O ( Brasil )
Observações: Levando sua mulher, Maria José
Observações: Não escreve
Passaporte de Manuel Jorge 1899-03-07 Idade: 30 anos
Filiação: Joaquim Jorge / Ignácia da Conceição
Naturalidade: Albarrol / Pousa Flores
Residência: Alqueidão / Chão de Couce / Ansião
Destino: São Tomé / Africa Portuguesa
Passaporte de Abílio Jorge 1904-07-04 Idade: 22 anos
Filiação: António Jorge / Joaquina de Jesus
Naturalidade: Aguda / Figueiró dos Vinhos
Residência: Aguda / Figueiró dos Vinhos
Destino: Santos / Brasil

Passaporte de Joaquim Jorge  1904-05-13  Idade: 62 anos
Filiação: Manuel Jorge / Teresa de Jesus 
Naturalidade: Freixo / Torre de Vale de Todos / Ansião 
Residência: Freixo / Torre de Vale de Todos / Ansião 
Destino: Santos / Brasil 
Passaporte de Emídio Jorge 1904-05-13 Idade: 27 anos
Filiação: José Jorge / Antónia de Jesus
Naturalidade: Freixo / Torre de Vale de Todos / Ansião
Residência: São Jorge / Torre de Vale de Todos / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Acompanhado de sua mulher, Carolina Maria, de 29 anos.
Passaporte de Gaudêncio Jorge 1904-05-13 Idade: 22 anos
Filiação: José Jorge / Antónia Maria
Naturalidade: Freixo / Torre de Vale de Todos / Ansião
Residência: Freixo / Torre de Vale de Todos / Ansião
 
Destino: Santos / Brasil
Passaporte de José Jorge 1900-04-17 Idade: 21 anos
Filiação: José Jorge / Antónia de Jesus
Naturalidade: Freixo / Torre do Vale de Todos
Residência: Freixo / Torre do Vale de Todos
Destino: Santos / Brasil
Passaporte de José Jorge 1901-11-11 Idade: 52 anos
Filiação: Manuel Jorge / Bernadina Maria
Naturalidade: Relvas / Chão de Couce / Ansião
Residência: Relvas / Chão de Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Passaporte de Augusto Jorge 1906-11-06 Idade: 24 anos
Filiação: Luís Jorge / Isabel Maria
Naturalidade: Cabecinho / Chão de Couce / Ansião
Residência: Relvas / Chão de Couce / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Passaporte de José Jorge 1912-11-19 Idade: Não mencionada
Filiação: Luís Jorge / Isabel Maria
Naturalidade: Cabecinho / Chão do Couce / Ansião
Residência: Casal de Baixo / Chão do Couce / Ansião
Destino: Santos ( Brasil )
Outra perspetiva da capela dos Matos 
Onde lhe corre a nova variante pela direita, outrora um lugar sem saída. 
Acrescenta ainda o Padre Manuel Pinho "O Padre Manuel Jorge foi o primeiro capelão desta ermida, sendo a sua origem de família abastada. Tinha 28 anos quando se fez a capela, decerto para ele poder celebrar Missa e exercer assim o ministério sacerdotal.Está escrito que foi um bom sacerdote e que ajudava o pároco de Ansião sobretudo nas confissões." 
A casa que fica do seu lado esquerdo em aparente ruína, é da mesma época e tem valor arquitectónico pelo balcão e colunatas a suportar o telheiro, teria sido edificada pelos seus pais, até porque ali ao lado instituíram a capela, o que representa dizer o chão era deles.
Acrescento por ter sido em tempo farto de homens a abraçar o sacerdócio em relação a igrejas disponíveis, pelo que os seus pais procederam à construção da capela no seu terreno, e ainda tomando como certo o seu nome Manuel Jorge,  sem se saber se seria filho único, à época cabia ao filho mais velho receber a herança da família e o segundo em geral seguia o sacerdócio, já as filhas ou se casavam ou entravam em conventos, sendo que a maioria não tomava o hábito, em muitos conventos além de levar mobília também levavam criada, os houve assim em Lisboa onde já se encontrou uma taça de porcelana da China com cenas eróticas explicitas, revela que abriam portas a homens ricos onde se afogavam desejos e vontades, seria melhor que se morrer solteira...

Gentil partilha de Maria Adelaide Mendes Simões "Veja só, tudo começou com um link que eu vi no facebook  sobre uma caminhada.As pessoas passaram ao lado da Capela do São Mateus e aparecia um pedacinho da frente da casa, fiquei toda arrepiada, me emocionei muito e fui procurar no Google, o que vi me deixou muito triste por ver os meus primos deixarem tudo se acabar. Por favor Isabel não quero perder contacto consigo, porque sempre vejo alguma coisa da minha Terra. Eu vi o que você publicou e chorei muito, pois amo cada pedra , cada árvore, morro todo dia um pouquinho com saudades e vontade de viver aí , mas não posso infelizmente.Você não imagina o bem que me fez. Nasci no Carrascoso, mas meu pai era dos Matos. A família dele morou nessa casa. Só que essa casa era do meu avô, Manuel Simões. Nela nasceram meu pai e meus tios. Meu pai, Alberto Simões, nasceu em 1922. A minha avó chamava-se Maria de Jesus Duarte, mas os irmãos dela tinham o sobrenome Tojo, tinha um vizinho Moreira que andava sempre às turras com ela por causa da água do poço. Vim para o Brasil com 5 anos. Os Cancelinha de Albarrol são família da minha avó, mas a minha avó era natural do Ribeirinho (e os Cancelinha também de onde partiu para Albarrol por casamento). A casa, as terras são da família Simões. O meu tio António ainda vive no Carrascoso. Minhas tias e meu pai já faleceram. Para o Brasil vieram dois. No Casal das Pêras,  vivia a minha tia Ana da família Mendes que tinha um tear. E o correeiro casado com a Oliva era primo do meu pai. Havia uma família no Carvalhal  que eram primos da minha mãe. A senhora se chamava Jesulinda, um filho dela se correspondeu comigo muito tempo na década de 70 , ficava perto da casa da Olívia. Sabe Isabel muitos anos já se passaram muitas coisas mudaram, mas a lembrança  e as saudades ficam. Também tenho um primo que tem um táxi na vila, o Alfredo, a esposa de chama Isaura.Encontrei em Santos uma pessoa que morou ali numa daquelas casinhas. Mas vim para São Paulo e perdi contacto. Mas foi tão bom falar sobre a Terra..."

As fotos possíveis da família "Mendes Simões " 
Da sua descendente Adelaide cuja cortesia em me enviar e autorizar a partilha.Tiradas na varanda de balcão da casa aos MATOS onde viveram os seus avós e os pais Com vizinhos que viviam mais abaixo,  meu pai, e o primo Álvaro.
   Tias Emília de Jesus e Gracinda Simões
 Minha tia Emília, minha tia Gracinda, minha prima Marieta com a filhinha Ana Lúcia, o meu pai e eu ao colo.
 
Na frente da capela de S.Mateus o meu pai Alberto Simões, meus primos António Santos,  Álvaro Simões Abreu e o vizinho.
Fica esclarecido que os seus avós teriam recebido esta casa de herança ou por compra, na verdade a casa data dos primórdios de 1700, a capela ostenta a data de 1740 e quando foi instituída por esta família do padre Jorge já ele contava 28 anos, o que equivale a dizer que nasceu em 1712.
Um dos problemas de quem emigra, ao deixar a futura herança por receber, cujas vicissitudes várias da vida que não lhes foi favorável sem posses para manter, porque não tem forma de vir a Portugal. 

As poucas vezes que visitei o Lugar dos Matos foi a pé, a última ocorreu há anos quando procederam à abertura do novo caminho pelo tardoz da capela na direção a norte, à Lagoa da Ameixeira e Vale Penela. Estacionei o carro da minha mãe e aventurei-me a entrar nesta casa por ter a porta aberta onde distingui vestígios do parco mobiliário ali deixado com arcas de pinho e cama de ferro. Nesta casa viveu a última moradora neste Lugar, Isaura, mulher triste e abnegada teria sido ludibriada por artes do diabo pelo namorado de Albarrol, e o seu querido filho, o Zé, só foi reconhecido pelo pai biológico recentemente, a fazer fé no ditado popular " mais vale tarde que nunca" até ouvi dizer que este filho, o Zé da sua tenaz têmpera  para o trabalho, o pai que lhe deu sociedade nos negócios, o considera um verdadeiro filho!
Mas antes a pobre e triste mulher deixou este Lugar dos Matos em idade cansada para se casar e ir morar para outro outeiro, o Alqueidão, por estar num lar não sei se ainda dona das suas faculdades para receber esta boa noticia da paternidade do seu querido filho...

Actualmente a  casa da família do Padre Manuel Jorge, onde viveu e depois os avós e pais da Adelaide


Recordar as temporadas da minha avó Maria da Luz da Moita Redonda na minha casa em Ansião. Amiga de conversa fiada com as vizinhas durante o dia, à noite de inverno à lareira a rasgar em trapos roupa usada até amolecer de sono enquanto a minha mãe da cesta ia juntando as fitas com nós para eu fazer os novelos. Aquela avó só pensava em mantas de tear para o enxoval das suas netas-, o meu e da minha irmã. Até ao dia que me levou a pé depois do almoço aos Matos à casa da tecedeira Rosalina para encomendar uma colcha e duas mantas, onde reconheci os seus pais, por terem uma fazenda ao Carvalhal do Bairro, onde vinham amiúde. Conheci outras irmãs da tecedeira, a Gracinda, das mais novas, e a Alice com reminiscências do cabelo encrespado a denotar gene mourisco, veio a casar com o Carlos Pego, sempre a conheci a viver no Bairro de Santo António, minha vizinha, mulher igual a si mesma, sem se dizer dela bem nem mal, sendo bastante difícil de se manter esta personalidade do saber viver com todos, no mesmo seja o feitio do único rapaz na família, o irmão que também conheci, de todos o mais bem afeiçoado, seria o mais novo que no início da década de 60 emigrou para França, recordo de o ver chegar de "vacanses" ao volante dum carro vermelho...Ainda construiu casa na fazenda do Carvalhal do Bairro, não sei o que realmente aconteceu num tempo em que muitos pais dispensavam uma parcela de terreno para a construção da casa, sem se fazer escritura, a modo da legalização ocorrer apenas nas partilhas após os falecimento dos pais com ajuste na herança com os outros irmãos. No caso outra irmã também construiu noutra extrema, em melhor local, na frente da estrada principal, mas algo aconteceu de nefasto  entre eles para o rapaz ver da noite para o dia a sua casa a ser entaipada por muros altos, pior que fosse uma prisão, até que se foi embora...Cenas brutais marcam as crianças, a mim marcou-me ao ver o brutal impato, sem sequer imaginar aqueles tristes pais as vltas que deram no caixão, o quão aflitos deveriam ter ficado, e o teria sido evitado, se não se tivessem deserdado em vida, mas ao serem de bom coração os quiseram presentear com o melhor que tinham, a fazenda mais perto da vila em prol de continuarem a viver na agrura de parca água nos Matos...Lições para a vida!
A Alice Mendes confidenciou-me que descia ao vale junto do Carril da minha irmã para encher o cântaro de água no poço do primo do meu pai, o Acúrcio Monteiro, seria estafa, estafadinha ter de subir com o cantaro  à cabeça a brutal ladeira, na certeza teria uma boa rodilha...
No Barranco vivia uma família abastada  que tinha uma criada, a Olívia, veio a casar com um dos filhos, o Ti Cecílio, o ultimo correeiro em Ansião, também deixou o lugar para construir no  Carvalhal do Bairro, não sei de herança ou compra dos pais, onde já o outro irmão vivia depois de casado . 
No seguimento da pesquisa encontrei passaportes de gente nascida nos Matos, ou que daqui saiu ou aqui aportou por casamento e voltou a partir, na busca de melhores condições de vida no inicio do século XX. Não sei se algum deles voltou.

Passaporte de Joaquim Simões 1908-03-24 Idade: 41 anos
Filiação: José Simões / Preteciana (?) de Jesus
Naturalidade: Matos / Ancião
Residência: Matos / Ancião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve
Supostamente seja tio (?) da minha amiga e colega dos Anacos, a Fátima Simões, cujo pai nasceu nos Matos, o Sr. Ernesto Simões, taxista na praça de Ansião.

Passaporte de Francisco Rodrigues 1908-09-23 Idade: 32 anos
Filiação: Luís Rodrigues / Mariana Marques
Naturalidade: Martim Vaqueiro / Pousaflores / Ansião
Residência: Matos / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve 

A avó do Zé Maria Marques Reis nascido na Quinta do Martim Vaqueiro era dos Matos, confidenciou-me.

Passaporte de Joaquim de Oliveira 1913-03-29 Idade: 26 anos
Filiação: Manuel de Oliveira / Casimira Maria
Naturalidade: Matos / Ansião
Residência: Foz do Arelho / Caldas da Rainha
Destino: Santos ( Brasil )
Observações:Levando sua mulher, Maria da Conceição e 20 anos de idade.

Passaporte de Alfredo Mendes da Silva 1913-03-19 Idade: 16 anos
Filiação: António Mendes da Silva / Maria de Jesus
Naturalidade: Matos / Ansião
Residência: Matos / Ansião
Destino: Santos ( Brasil
Observações: Não tem

Processo de inventário orfanológico Data descritiva 1901Inventariado: José Simões; inventariante: Feliciana de Jesus Freguesia: Mattos - Ansião.

Conclusão
Será interessante vir a averiguar se o Padre Manuel Jorge teve descendência em famílias de Chão de Couce, Freixo, na Torre de Vale de Todos, Aguda ou Albarrol, na suposta e pertinente abordagem exarada, e ainda apreciar a contínua existência de emigrantes pelo menos há mais de cem anos cujos passaportes revelam manter o espírito de aventura, pelas faixas etárias, ainda dos que levaram a mulher e filhos, seria porventura com a ideia de não mais voltar em busca do desconhecido, o ouro verde - o café, por isso o destino Santos, também África para S. Tomé para as roças como feitores (?). 
Na verdade na mudança do século XIX para o XX os portugueses na maioria não foram ao Brasil no sentido de emigração, mas sim ganhar dinheiro no Porto de Santos como estivadores a carregar sacas de 60 kg de café, das carroças para os porões dos navios, em condições precárias por passadiço de madeira sujeitos a cair ao mar.
Ainda os houve de força bastante que se conta havia um que conseguia levar seis sacas de uma vez, entre eles faziam concursos de peso- quem mais sacas aguentava sob os ombros, uma maioria levava duas, três ou quatro, sendo seis no total 300 quilos um absurdo...
Porque faziam isto? Se não ganhavam à saca então eram tolos...Não acredito, era sinal de força, de poder!
Concurso
Houve os que voltaram ao fim de uns anos para casar, montar negócio, ou continuar na sua vida de agricultor. Também os houve que a vida lhes correu mal e se deixaram ficar por lá...
No entanto para partir era preciso terem dinheiro para a passagem, por isso houve muitos que venderam o que tinham, disso me recordo ouvir o meu avô " Zé do Bairro" a propósito de um pinhal que tinha comprado a um primo para este ir ao Brasil, outros receberam carta de chamada de familiares já instalados, e lhes pagariam depois de arranjar trabalho, pior, os que se aventuraram em emigrar assinando contrato com despesas incluídas e ainda acomodação, sem jamais verem o "fundo ao tacho" na liquidação da divida que na vez de baixar crescia com juros capitalizados...
Pois houve produtores de café que se aproveitaram dos emigrantes portugueses, descaradamente!

Fontes

https://www.facebook.com/igrejadeansiao/
http://digitarq.adlra.dgarq.gov.pt/results?t=leiria&p=1006&s=CompleteUnitId&sd=False
“Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas - Ansião" de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes

2 comentários:

  1. Olá! Meu nome é Maria Adelaide Simões. Nasci no Carrascoso, mas meu pai era dos Matos. A família dele morou nessa casa. Só que essa casa era do meu avô, Manuel Simões. Nela nasceram meu pai e meus tios. Meu pai, Alberto Simões, nasceu em 1922. Tenho uma foto da casa (na qual apareço junto com meu pai) tirada em 1972. Interessei-me pelo assunto pois você disse que a casa era do padre, mas na verdade era do meu avô. Gostaria de enviar-lhe a foto, assim como algumas fotos da família, tiradas em frente à capela de São Mateus, também tiradas em 1972. Meu email é mariaadelaide.simoes@gmail.com. Enviei-lhe um convite pelo Hangout.

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  2. Cara Adelaide muito obrigada pela cortesia da visita e pela partilha de saberes. Já lhe enviei um email.
    Cumprimentos
    Isabel

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