A produção agrícola necessitou do esforço e do engenho humano, na secagem do paul do Nabão e de levadas artificiais abertas à força de mãos com açudes ou roda para elevar a água que corre nas ribeiras; Nabão, Açor e Mata, que se perdeu o nome e dos ribeiros: Ribeirinho, Ribeiro do Cimo da Rua, Ribeiro da Vide, Salgueiro e de outros a desaguar no Nabão durante o inverno até meados de junho, para fazer mover moinhos e munhos de água, atafonas lagares de azeite e pisões . A água depois de cumprir a sua missão seguia pelo leito natural para servir outros engenhos até foz. Os lagares de azeite afanavam água às pedras de fazer pão. A inconstância dos cursos hídricos era guardada em comportas para a hora da moenga, caso do Ribeiro da Vide, para os moinhos da quinta de S. Lourenço, Seriam compostos por duas mós sobrepostas, movidas pela água e pela força do braço humano ( tocadas a sangue) ou animal, caso das este moinho estroçoava o milho, para as papas de milho. O moinho de água no norte até Tomar pela herança romana era tocado por rodízio de madeira provido de palhetas onde bate a água, conduzida por intermédio dum cano normalmente recebendo água duma levada, quando as mós são accionados por uma roda exterior movida pelo peso da água, o moinho toma a designação de azenha.
Os moinhos de vento fazem parte da identidade da nossa região, a qual importa preservar e valorizar num contexto de desenvolvimento territorial alicerçado nas suas mais valias. Iniciado recentemente em Ansião, mais precisamente na Serra da Portela, na freguesia de Pousaflores, o projecto “Ciclo do pão”, da autoria da Liga dos Amigos da Gramatinha e com o apoio da Junta de Freguesia de Pousaflores e da Câmara Municipal de Ansião, a única excepção num cenário nada animador no que concerne à valorização do património molinológico da região de Sicó. Este património “é de todos, é testemunho de vida e aguarda que todos nós lhe reconheçamos importância e o preservemos” (Miranda & Nascimento, 2008).
Quem desenterraria das lajes frias e tantas vezes esquecidas e de chão sagrado profanado avoengos para nos recontarem a história da sua vida e do passado de Ansião do vasto património molinológico no Maciço de Sicó, referenciado no Livro de Testamentos do Lorvão, a uma disputa territorial entre o abade Árias, do Mosteiro do Lorvão, e Paio Halaf e Soleimão Afla. O documento está datado do ano de 1064-1065, tendo Sesnando Davides participando como juiz, “E o senhor Sisnando pediu a Árias que depusesse sob juramento” presidindo a uma disputa entre o Mosteiro e aqueles proprietários sob os direitos dos moinhos de Forma.
Os moinhos ou munhos de vento aparecem mais tarde.
Desse passado existem ainda testemunhos recuperados em memória da identidade dos moinhos ou munhos de vento na Serra da Portela em Pousaflores, Melriça em Santiago da Guarda e Outeiro no Alvorge. Julgo apenas existe uma azenha recuperada ao limite poente do Pessegueiro .
outra nos moinhos João da Serra e outras fechadas ainda recuperáveis e ruínas.
A origem destes moinhos hidráulicos segundo diversos autores, nacionais e internacionais aparecem na civilização Europeia durante o séc. I a.C., destinando-se em primeiro lugar à moagem de cereais para produção de pão, e posteriormente para outras funções. Um epigrama de Antípatro de Salónica datado do ano 85 a.C. descreve a implementação do moinho hidráulico:“Cessai de moer, ó mulheres que trabalhais no moinho; dormi e deixai os pássaros cantar à aurora cor de sangue. Ceres ordenou às ninfas aquáticas que desempenhassem a vossa tarefa, e elas obedientes à sua ordem, correm sobre a roda, e fazem girar o eixo por meio das palas que o rodeiam, e, com ele as pesadas mós”.
Azenhas, ou moinhos de água foram os primeiros em Ansião . Alguns maiores a água era elevada com roda e alcatruzes, características na ribeira do Nabão até Tomar, em aventar ser herança da ocupação árabe? Em Ansião pese a água da ribeira do Nabão e suas afluentes, a Ribeira da Mata, toma mais à frente a designação de Ribeira do Açor e demais ribeiros dão caudal de inverno com as chuvas o algar atinge a cota máxima para expulsar a água que corre até meados e junho, havendo anos de grande secura.Esta água foi usada durante séculos por vários moinhos com mecanismos adicionais; açudes e levadas nada mais que ribeiros artificiais abertos à força de mãos, o valongueiro, tradição trazida de norte, e mais recente o ribeiro do munho ou levada.No período romano este canal da caleira ou levada era mais largo na entrada e mais estreito na saída . A água dava serventia ao longo do seu percurso a vários moinhos, lagares de azeite e um pisão, entrava nos engenhos e depois de cumprir a sua missão nos rodízios voltava de novo à ribeira para nova empreitada, mais outra e outra, na sua servidão maior fazer mover engenhos que o saber do povo soube aproveitar, valorizando a água escassa em terras cársicas sem ter sido esta actividade jamais catalogada e inventariada, a morrer sem o estrelato merecido.
A arte moageira de vento em moinhos ou munhos tenham surgido na região vindos do litoral da foz do baixo Mondego onde se estabeleceu uma rede de povoamento fenício com fortes ligações ao comércio oriental. O Museu Municipal Santos Rocha da Figueira da Foz contem inúmeros materiais na coleção arqueológica escavados em Tavarede, cerâmicas de fabrico manual e os artefactos metálicos com influências orientais decorrentes do contacto com populações fenícias e gregos vinculados ao comércio mercantil correlaciono a herança dos moinhos de vento da Gândara ao Maciço de Sicó trazida pelos mercadores da Rota da Seda do oriente, Afeganistão, onde ainda existem exemplares únicos no mundo. A Rota da Seda da China para o Mediterrâneo e daqui partiram para ocidente para fundarem assentamentos ao longo do litoral de Portugal, e na região centro em Tavarede e Ílhavo nos séculos se tenha perdido a vocação mercantil para se dedicarem à pescaria em Buarcos, sazonalmente partiam para sul e na Caparica viviam da pesca em casas feitas de arbustos, entre a Páscoa e setembro, praticando em paralelo uma agricultura de subsistência, seguidos na temporada com algarvios de Olhão, sendo comunidades diferentes, não se davam bem, os primeiros queimavam as casas para os outros não se servirem delas. Os que se encaminharam da Gãndara para o Maciço de Sicó deixaram testemunhos de moinhos cuja tipologia em geral de pequeno tamanho quase totalmente construídos em madeira, de formato irregular ao jus de um triângulo isósceles com um lado virado para o vento muito estreito em prol dos demais moinhos em pedra e cal de formato circular e fixos. O Moinho é concebido de forma a que a totalidade da sua estrutura possa rodar na horizontal com a força física de uma única pessoa, de forma a ajustar a posição das velas com a direcção do vento, em determinado momento. Característica que o diferencia da maior parte dos outros moinhos, nos quais apenas o mastro no telhado se movimenta para se adequar à direcção do vento. Para possibilitar a rotação o moinho era construído de forma em que apenas três partes móveis estão em contacto com o solo sobre duas rodas de madeira, ou em pedra as quais se movimentam em rotação na eira, um circulo de pedra calcária pela força de apenas um home, o moleiro .A Mó, uma grande pedra ao centro do moinho serve de base para o eixo de rotação do moinho. Em Ansião também os chamavam de munhos.
Dia Nacional dos Moinhos a 7 de abril
Portela , serra do castelo e a caminho de macanicas 2 no monte das Relvas
Na Portela, Pousaflores
Já no concelho de Alvaiázere existiram Moinhos de água, um deles foi dos Galileus, havia outro no Carregal dos Dias, junto ao lagar.
Quer a moinhos de madeira ou azenhas de pedra. Os de vento edificados sobre uma pequena elevação artificial de terra, como conheci um na Costa, em Ansião e na ilha de Porto Santo semelhante.
Havia um grande Moinho num ribeiro que passa na quinta da Várzea, ao Avelar e outro na Rapoula.
Ao limite da freguesia de Pousaflores
A sul com Alvaiázere na Ribeira Velha, conheci as ruínas de um moinho de água da família do meu marido, e ao Painça, hoje Pensal na Mouta Redonda, encontrei Mós de xisto.
Havia um lagar que tinha uma levada de mais de 2 quiloemtros que trazia a águade um monte a sul do Pereiro.Esquecidos dois munhos, no Monte das Relvas, a caminho de Maçanicas, que lhe chamavam os Moinhos de Vento.
A actividade moageira dos moinhos de vento ditaram o nome Pousafoles por ser local de descanso do fardo dos foles pesados com o cereal para os moinhos e na volta em os trazer com farinha.Mais tarde julgo por haver este topónimo para os lados do Espinhal foi alterado para o actual Pousaflores, em alegada menção a uma lenda da Rainha Flor...Actividade moageira jamais abordada na sua plenitude por investigadores ou historiadores, apenas abordagem aos moinhos de vento - em que o meu olhar curioso despertou para abordar a sua globalidade dos exemplares que apurei no concelho de Ansião e não só, desde há pelo menos uns 5 anos venho a distinguir além dos Moinhos de água desactivados e suas levadas, uns e outras nem sempre em bom estado, pese tenham sido moinhos a ditar a toponímia do Moinho das Moutas, a sua levada foi entupida, encontrei ruínas de moinhos de água, um transformado na Fonte Carvalho, moinhos de vento encontrei dois sítios na Costa. Pese as águas que alimentam o Nabão e ribeiras afluentes só correm durante o inverno, não invalidou no passado uma vida muito activa até aos meados do século XX, disso é prova o numero extraordinário de lagares, moinhos de água, em que também houve pisões e engenhos de linho e na centúria de 600 uma saboaria.
Depois da Fonte Carvalho toma o nome de FRibeira do Açor onde ainda existem ruínas do que foi um lagar e pedras grandes onde as mulheres lavavam a roupa a que o povo chama Serrabino.
O estudo da Academia EDU abordou os moinhos de vento nas suas variantes e as eólicas em 2011.
A primeira vez que passei a caminho da Tocha chamou-e a atenção um pequeno moinho de vento igual aos que conhecia na Portela, arte em madeira de formato irregular que se estendeu ao Maciço de Sicó com pólos na vila de Ansião no Escampado da Costa, Fonte Galega e na nascente dos Matos para o Casal Soeiro, o que conheço. De água nas suas ribeiras - Ribeirinho, Olhos d'Água, Moinho das Moitas, Fonte Carvalho, Ribeira do Açor, Constantina, Além da Ponte, Moinhos João Serra, Marquinho e daqui até ao Rebolo.
Nas suas freguesias ainda hoje moinhos de vento em Santiago da Guarda, Alvorge e Pousaflores com moinhos de vento e de água que existiram ao limite do Pereiro e Ribeira Velha (Alvaiázere) Avelar moinhos de água e na quinta da Amieira na Serra do Mouro e Ribeirinho em Chão de Couce e nos concelhos limítrofes - Penela, Alvaiázere com azenhas em Almoster, Figueiró dos Vinhos azenhas na Ribeira d'Alge e,...Na região os moinhos de vento e de água aparecem com o povoamento do povo árabe vindo da Galiza .
Fascínio percorrer caminhos em cenários ora debruados a muros de pedra seca com leiras de terra em chão de pedra calcária escalabrada, onde irrompem cheiros a erva de Santa Maria para na Pascoa se vestir de lírios, rosmaninho, jacintos, orquídeas silvestres e madresilva a rivalizar a beleza imensurável das vistas que se contemplam aos miradouros, onde se sentem aromas quentes e a brisa dos ventos, onde o pôr do sol é de tirar o fôlego, se descobrem pedras esculpidas pela erosão entre salpico de olival em paraíso de perdizes e perdigotos, ora em tempo de farta água desde a Lagoa do Pito, Ribeira do Açor, Constantina, Além da Ponte e Moinho das Moitas com ruínas de moinhos e munhos de água, e mais à frente no Nabão os moinhos João da Serra ,e no Marquinho até à foz do Ribeiro de Albarrol, a necessitar que alguém lhes dê atenção e os dignifique na paisagem o valor do seu passado dignos de menção no presente!
Nos Olhos de Água, em Ansião, o traçado do IC8 veio estrangular o espaço emblemático das nascentes deixando penedos acima do costado ,perdidos os testemunhos dos valongueiros , dos munhos e do moinho grande, bem poderiam ter coexistido na sua requalificação como a ponte de pedra e a eira, na proteção do passado que ali existiu e foi importante enquanto pólo de interpretação da actividade moageira e como funciona um moinho.

Há que saber tirar proveito desta beleza campestre que se apresenta em silêncios multifacetada com aragens que o bucolismo do musgo e fetos a cobrir carvalhos no inverno e nos Mourochões com as tamargueiras floridas em rosa pálido na primavera o seja em tempo farto de águas ou em secura, com açudes a precisar de recuperação, as poldras - fila de pedras altas que servem de passagem e ainda as pontes em pedra onde pode nascer a escalada nas grutas do Calais, contemplação da vegetação crespa do costado mediterrânico da Mata da Mulher, as dolinas carsinas - lagoa do Castelo, Escampado da Lagoa, Ribeirinho quase assoreada, entre outras, em franca companhia melodiosa em tonalidades várias da sombra de carvalhos centenários a deslindar troços de calçada romana onde persistem ruínas de pedra do casario da gente deste passado e nossa ascendente e suas heranças, com aldeias desertificadas - Escampado dos Calados, poços de chafurdo, outra herança em que a venda de casario em pedra a merecer atenção na obrigação em manter a traça e a estética do exterior, para não se perder a sua e nossa identidade tudo a acontecer em caminhadas turísticas e culturais do concelho de Ansião!
Mesma herança de "um núcleo molinológico fora do comum e a evidenciar uma atividade proto-industrial com relevância, entre o final do século XIX e o início do século XX", com vantagem de terem água todo a ano à volta de 350.
Jaz hirta no terreiro a Mó...
Outra assim exatamente igual encontrei no tardoz do que foi o lagar dos frades no Vale do Mosteiro

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| Ponte pedonal e ao fundo o Moinho |

Na Fonte Galega não deslindei onde foram os moinhos.
Herança destes moinhos de vento e de água do médio oriente
Alguns exemplos mais antigos de moinhos de vento podem ser vistos na cidade de Nashtifan no Irão a 30 Km do Afeganistão,onde ainda estão em utilização.
A tipologia dos moinhos ou munhos caracteristicos do Maciço de Sicó são em geral de pequeno tamanho quase totalmente construídos em madeira, de formato irregular em imitar um triângulo isósceles com um lado virado para o vento muito estreito em prol dos demais moinhos em pedra e cal de formato circular e fixos. O Moinho é concebido de forma a que a totalidade da sua estrutura possa rodar na horizontal com a força física de uma única pessoa, de forma a ajustar a posição das velas com a direcção do vento, em determinado momento. Característica que o diferencia da maior parte dos outros moinhos, nos quais apenas o mastro no telhado se movimenta para se adequar à direcção do vento. Em geral os munhos foram edificados sobre uma pequena elevação artificial de terra, como conheci um na Costa, em Ansião e na ilha de Porto Santo.Nas serras ou em zonas planas da gândara onde se faz sentir a nortada do mar. Para possibilitar a rotação o moinho era construído de forma em que apenas três partes móveis estão em contacto com o solo sobre duas rodas de madeira, ou em pedra as quais se movimentam em rotação na eira, um circulo de pedra calcária .
A Mó, uma grande pedra ao centro do moinho serve de base para o eixo de rotação do moinho.

Na idade antiga, os persas construíam moinhos de vento de eixo verticais utilizados para moagem de grãos. O moinho de vento persa era bastante rudimentar pela pouca experiência daquela civilização na prática do uso do vento.
Nas imediações da foz do Ribeiro de Albarrol no Nabão
| O caneiro ou balogueiro de saída do moinho |
Serra de Janeanes
Prefaciar Miguel Torga Diário XI
Moinho restaurado ao jus dos que existiram antigamente.
Em baixo a minha filha no abrigo do burro do moleiro
Troféu uma réplica dos moinhos do Outeiro no Trail Longo e Trail Curto
Foto de um grande moinho julgo na Mata do Carrascal.
Com armações em folha de Flandres
Segundo excerto de https://www.cm-pombal.pt/
"Em 10.05.2017 o Executivo municipal aprovou por unanimidade um apoio de 4 mil euros para a Junta de Freguesia de Abiul, verba destinada à compra de um moinho nas Corujeiras.
A recuperação deste moinho será realizada posteriormente ao abrigo de um acordo de colaboração entre a Junta de Freguesia e o Município de Pombal."
Actualmente julgo seja pertença da família Pires da Sarzedela .
Teve solar e capela instituída em 1696 com orago a S. João Baptista, segundo as Memórias Paroquiais Setecentistas.
Cortesia para não se perderem as tradições de Ansião de um homem, verdadeiro amante desta terra pelos testemunhos e fotos deixados, sem os quais seria mais difícil manter viva a saudade e a paixão por Ansião.
Que descanse em Paz e nos sorria do Além com estas iniciativas a beber inspiração na sua obra.
Cortesia para não se perderem as tradições de Ansião
"A foto mais pequena data de 1968/69, em contraste com a foto da pintura do seu cunhado João Silva, também conhecido por "João Ferrero", inspirada no Engenho."
"O Lendário sítio do Engenho, perto do Relveiro e do "Olhinho", referência mítica da sua infância e juventude. O Engenho movida pela água fazia movimentar toda a maquinaria do Lagar do Sr. Fernando, onde brincou horas sem conta...
A ribeira corria cristalina, cantando entre pedrinhas e pequenos desníveis, o lagar fumegava anunciando o aroma jucundo ao azeite novo;nos moinhos ouvia-se o treco treco da pedra alveira moendo os grãos de milho que paulativamente iam caindo da caleira para o olho da Mó, e mesmo ali, junto ao engenho, havia o relveiro, esse local mágico de brincadeira e de sonhos.
Na foto vê-se o lagar do F. J. DA SILVA,que mais tarde foi do Ti Fernando Serralheiro, do lado direito corre a ribeira, e o relveiro começava ali onde o pessoal anda "de roda".
Na roda a Odete Antunes e as amigas que não sei os nomes, de calças, meados da década de 60 quando a CUF abriu em Ansião e começou a globalização...
Hoje o sitio do antigo moinho e do engenho
Transformado em restaurante. Na requalificação foi demolido o Engenho e o Moinho, bem podiam ter permanecido no espaço a terem sido reabilitados, não chocava, antes engrandecia o local. Em Coja um lagar foi transformado em restaurante que se mostra absolutamente maravilhoso conviver com mesas abaixo e acima por causa da vara e dos apetrechos... Igualmente assim belo outro requalificado na aldeia de Juízo em Pinhel.
Moinho das Moutas e não Moitas
Saída da água de um moinho no Moinho das Moutas
Moinho de água no Ribeirinho (Ansião)
O ribeirinho que dá o topónimo ao Lugar forma-se com as chuvas e vai desaguar no Ribeiro de Albarrol. É provável que depois deste moinho entre Vale Penela e Vale Perrim possa no passado ter havido outros moinhos, na toponímia existe o nome de Outeiro do Moinho e Mato de Mós.
| Feito onde existe um declive no terreno pedregoso |
Já referenciadas em 1220 no Chão d'água a sul do lameiro de Santa Cruz, o único sitio de Sicó depois da seca extrema onde corre água, sem ser aproveitada...Como bem merecia!
Moinhos de água na Ribeira d'Alge aos pés do costado de S.Simão
O meu marido junto da levada (ribeiro artificial) de água da Ribeira d'Alge e a minha querida mãe junto de uma ruína de azenha ou moinho d'água.




Jornal Serras de Sicó 5 de abril de 2019
“Testemunho e símbolo da cultura material que foi servindo várias gerações, os moinhos distinguem-se agora na paisagem em diferentes zonas do concelho, como é o caso da Melriça, do Outeiro e da Serra da Portela”, realça uma nota da autarquia, salientando que estes constituem “um inestimável património a valorizar”.
Ora, com o intuito de sensibilizar a população para a preservação deste património cultural, o Município de Ansião associou-se ao Dia dos Moinhos Abertos 2019, promovido pela Rede Portuguesa de Moinhos, com a realização de uma actividade, a decorrer na Serra da Portela, freguesia de Pousaflores.
O programa começa, pelas 15h00 deste domingo (7), com um passeio temático que pretende dar a conhecer “As Orquídeas Selvagens”, seguido de uma visita ao moinho. Já no edifício do Ciclo do Pão, Jorge Miranda, da Rede Portuguesa de Moinhos, vai abordar a história e importância do moinho e apresentar o projecto municipal para a valorização do território, intitulado de “Mountain Club Moinhos de Sicó”. A tarde termina com uma merenda, onde não faltará pão quente, cozido no local, e ainda um baile à antiga, animado pelos “Amigos da Gaita”.
Os interessados podem inscrever-se (através de 236 670 206 ou 236 672 025) ou simplesmente aparecer no local para participar nas actividades, que pretendem “dar a conhecer e desfrutar deste vasto património natural e cultural da Serra da Portela, também conhecida como Serra do Anjo da Guarda”, refere o Município de Ansião, que promove a iniciativa com o apoio da Junta de Freguesia de Pousaflores e da Al-Baiaz – Associação de Defesa do Património.
Graças ao excerto enviado pelo meu amigo Dr. Américo Oliveira da Chorographia Moderna do Reino de Portugal" de 1876, aparecem referenciadas as azenhas e assim as credenciar.
Santiago da Guarda ,Casal João Funé, Noguim, Sta Anna, Marquinhas ou Mariquinhas, Val da Pia, Val da Boa Vista, Louriceiros, Val de Armada, Lagoa Posada ou Lagoa Parada, Alho, Casal de André Braz ou António Braz, Pia –Trevada ou Pia Furada, Melrissa ou Melriço, Mouta Negra, Mouta Santa, Venda do Basílio ou Venda do Brasil.
A oliveira, que vegeta a custo na aridez dos terrenos mesozoicos dos montes de Quatro Lagoas e Degracias, e um pouco por toda a parte, justifica a laboração, na época própria, de algumas dezenas de lagares que fornecem ao consumo apreciáveis quantidades de bom azeite, muito disputado no mercado. (Santos, 1979). Se a azeitona pertencia a um patrão que contratava um rancho de pessoal para o trabalho, no final de toda a apanha fazia-se uma festa – a adiafa. Era o momento de agradecer. Os trabalhadores agradeciam a oportunidade de terem sido contratados (alguns vinham de muito longe) e os patrões agradeciam o trabalho realizado, normalmente, com um belo almoço. Comia-se, cantava-se, dançava-se e pedia-se para que a situação se voltasse a repetir no ano ou colheita seguintes. Ainda hoje se assiste à passagem e pastagem de rebanhos de ovelhas pelas bermas das estradas e caminhos dos campos do Mondego mas antigamente a «pastorícia» era uma atividade considerável na região. Além de ovelhas e cabras, abundavam manadas de toiros bravos e cavalos que pastavam nas margens dos rios, das valas e barrocas. Os toiros negros metiam medo sobretudo quando algum se tresmalhava. Eram posse de lavradores abastados e deles provinha rendimento pela venda da carne e do estrume que os animais faziam. Já na zona serrana do concelho, o rebanho é ainda hoje, cenário frequente, razão da existência de algumas empresas de laticínios. Centra-se a nascente do concelho, grande parte da zona produtora do famoso “Queijo do Rabaçal” que tem nos pequenos rebanhos que retouçam nas freguesias de Pombalinho e Degracias a sua fonte de alimentação. […] Não existe aí, praticamente nenhuma família que não crie o seu pequeno rebanho de ovelhas, cujo leite, misturado com o de algumas cabras, é misturado por asseadas mãos de camponesas, em queijos cujo peso raramente ultrapassa o meio quilo. É por alturas de Abril, quando a aromática erva-santa (ou erva de Santa Maria) recobre de boas pastagens a aridez dos montes, que esse tipo de queijo resulta mais castiço e apetitoso. (Santos, 1979). No decorrer do tempo de que dispunham, os pastores entretinham-se a construir flautas, cucharras – colheres grosseiras feitas em madeira, entre outras peças. No seu alforge – o saco que tradicionalmente o pastor costumava trazer consigo, andava também uma navalha que tanto cortava o naco de broa como torneava a madeira.
era frequente passarem por esta região grupos de ciganos que se deslocavam em carroças puxadas por burros ou mulas e iam apanhando o vime com o que faziam cestas, canastras e cabanejos que iam vendendo pelo caminho. Abundavam nas margens dos rios e pelos campos, os salgueiros, os choupos e os amieiros. Atualmente, o vime ainda é trabalhado por um artesão, empalhamento de garrafoes e de garrafas e hoje can cestaria atividades artesanais que ainda se realizam no concelho, há a referir a «tanoaria», a «cestaria» e as «rendas e bordados».
Moinhos e Munhos de água e de vento na gândara ao Maciço de Sicó
A
começo ao prefaciar José Mattoso (…) o estudo do
passado local ou regional pode ser extremamente gratificante para quem procure
conhecer-se a si próprio e ao mundo a que pertence e o de Georges Duby Acontece que o historiador
descobre inesperadamente muito do que procura quando sai do seu canto e olha à
sua volta.
No Livro de Testamentos do Lorvão a disputa, entre o abade Árias, do Mosteiro
do Lorvão, e Paio Halaf e Soleimão Afla. Em 1064 “o juiz Sisnando Davides pediu
a Árias, que depusesse sob juramento na disputa entre o Mosteiro e aqueles
proprietários sob os direitos dos
moinhos de Forma.
O registo
mais antigo documentado na moenga, na contenda de 1359, arquivada na Torre do
Tombo, entre os almocatés (aferidores) e o padre com papel de procurador do
Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
Dos pergaminhos da história ressaltam testamentos com contratos de
fornecimento de água do velho poço ou da cisterna familiar a incluir uso aos
parentes. Indicia o valor crucial da água que em tempo medieval era de grande
importância para a população e sua sobrevivência.
Pese chão cársico de parca hidrografia, ainda assim foi de importância na
economia local da população, na criação de animais; suínos, caprino, ovino e
bobino, na produção de milho, na moenga, lagareira, alambiques, pisões e até na
produção de sabão. Terra vermelha, com salpico de calhaus fragmentados e com
grandes afloramentos calcários, a condicionar a atividade agrícola, em tempo
medieval era conhecido por chão de sesmaria e baldios. O vale aquífero do Nabão
a água da chuva escoa-se pelos inúmeros “sumidouros”, que se interligam a
algares nas bordaduras do maciço. Não passa despercebido a quem for curioso os
pontos de água que se localizam em ambas as margens, desde a Lagarteira com o
poço romano de chafurdo Minchinho, o da Ameixieira, outros no Aqueidão,
Lameiras, onde teve o tanque de chafurdo da Bica, as águas soltas nas Lagoas,
etc.
Já as cisternas, para reserva de água, além de serem cobertas, fechadas e
isoladas para não haver desperdício a se diferenciarem dos poços de chafurdo de
onde lhe advém o nome, por no verão à medida que a água escasseia, desce-se a escadaria
ou laje sobre laje, até se chegar ao fundo e chafurdar junto da mina e, dos
poços, sem nascente, com paredes de pedra “insonsa”, por serem desprovidos de
argamassa. Também conhecidos por “poços rotos”, ao facilitar a penetração das
águas por entre as pedras.
Da herança dos romanos, temos a cisterna
do Carvalhal o ….. e na vila tivemos em formato de poço empedrado pelo menos
duas, sendo abastecidas com a água das chuvas que seria recolhida por
regueiras, hoje se chamariam calhas – hoje apenas existe uma em sitio catalogado de habitat romano,
pese na altura não ter sido objeto de
estudo. Seria importante saber a sua origem- se romana ou mais tardia. No
século XX, ainda recordo na vila de haver poços revestidos a cimento para
reserva de água dos beirados, antes de haver abastecimento público. É possível
que em locais de grande massa de pedra existam cisternas com “eira de poço”,
cujo reservatório nasce a partir de um buraco natural cársico, a que se vedam
as fendas com barro. A superfície em lajedo e declive para as águas embocarem
na cisterna. Há anos distingui uma em Albarrol, que estava a ser reutilizada
para fossa…
A crónica tem a missiva de chamar a atenção para uma lacuna do nosso passado que até ao momento tem passado despercebida a investigadores. A importância da água!
Mas, cuja realidade se foi alterando pela difusão de furos na captação de
água até ao acesso à rede de água canalizada. Mas se não chove há plano B?
A conquista de Ceuta
retrata o modo de vida dos mouros. Ora, se tinham sido expulsos de Portugal, os
seus castelos foram tomados na reconquista cristã, as mesquitas usadas em
igrejas ao culto da fé cristã, as casas de viajantes, vulgo estalagens ou
albergarias, os banhos públicos, revividos na centúria de 600 do séc. XX, em
milagres de fontes santas e no Nabão nos tanques de chafurdo, e os moinhos de
água. A herdade de Ansião explorava a agricultura e a arte moenga.
Topógrafos na recolha de informação local ditou menção no
mapa Moinho das Velhas - as velhas eram as donas dos moinhos, irmãs idosas, de
apelido Mouta, viveram no Casal das Sousas, ao pé da dolina cársica, hoje
assoreada. O topónimo ancestral Mouta na região em alguns casos perdido para
Moita
e Serra dos Ariques, na extrema
com Almoster.
As chuvas que se juntam ao alto dos Matos, formam um ribeiro
que foi encanado na descida ao Barranco, que o povo aproveitou o palco para
fazer casas e um lagar, ainda existe a boca de saída da água. Em dias de
enxurrada era inundação certa, ditou a emigração dessas famílias para o
Brasil.
O ribeiro do Cimo da Rua, antes de chegar ao Ribeiro da Vide, teve uma atafona no quintal do Ti Miguel - o zelador da Cerca da Misericórdia.
O curso do
Ribeiro da Vide a montante e a jusante é estreito, mas, no atual jardim com o
mesmo nome, que foi baldio, mostra-se largo, do tempo que foi usado para
represa de águas para servir a moenga na que foi a Quinta de S. Lourenço, cujas
Mós, as recordo guardadas junto do vulgo mosteiro.
Em 1797, o senado de Coimbra estipulava
“…os almotaces da cidade providenciassem a limpeza das ruas da cidade de
Coimbra, por constar ao senado que elas estavam imundas e que se procedesse de
acordo com as posturas que existem relativamente a este aspecto.” (o sublinhado
é nosso) (AHMC, Atas da vereação, livro 68, sessão de 19 de Julho de 1797, fls.
151v.-152); essas imundices, que circulavam pelas ruas abaixo, que provinham
dos detritos produzidos pelos açougues, preocupavam também a edilidade –
“propos o procurador geral que do açougue do cabido se dirigem os sangues dos
bois até a rua publica, no sitio da se velha e dai escorriam pela mesma rua e
pela do Quebra Costas até virem cair na sota do Arco de Almedina, em prejuizo
da saude do povo. Por isso se devia mandar ao cabido edificar o matadouro fora
da cidade ou continuar o cano subterraneo pela rua abaixo do quebra costas até
vir a entrar na mesma sota, para (...) acautelar a saude do povo…” (AHMC, Auto
de correição, livro 69, sessão de 22 de Setembro de 1800, fls. 80-83v.).
Desconhecemos outras funções dos almocatés em Ansião, além
da medição dos cereais.
Excerto de
https://historiasdeportugalemarrocos.com/2014/02/22/a-conquista-de-ceuta/«A
conquista de Ceuta em 1415 marca o início da expansão portuguesa em África e
tem fortes motivações económicas e
de estratégia local. A importância da cidade é confirmada por Al-Hassan Al-Wazzan Al-Fasi,
conhecido como Leão “o Africano”, que afirma na sua obra “Descrição de África”
que Ceuta tinha 1.000 mesquitas, 360 casas de viajantes, 22 casas de banhos
públicos e 103 moinhos.»
Curioso, jamais se especulou a razão dos moinhos de água não terem sido sediados ao longo das margens do Nabão – o vale do Nabão, com o topónimo Porto Largo e Lameiras, compreendia então o Paul de Ansião - zona alagadiça que nos séculos foi sendo seca pela ação do homem, com encanamento de pequenos ribeiros para escoar águas. Hoje, ao Fundo da Rua, existe pelo menos um prédio com bombas ligadas para retirar água.
Impressionante a técnica ancestral de encanar ribeiros,
para maior aproveitamento de terra arável agrícola. Reconhecem-se pela boca de
saída em formato quadrado. Localizei quatro; Barranco, Ribeiro do Cimo da Rua
na foz ao Ribeiro da Vide, Ribeira do Açor e no Escampado de S. Miguel.
Já a das minas na serra de Nexebra e a do Jardim, na Sarzeda, foi
usada para consumo doméstico, lavagem de roupa e rega
por levada, em horário concertado; Pereiro, Mouta Redonda e Sarzeda, em
Pousaflores.
Na
crónica de Pousaflores de Alberto Lucas Afonso - um
padre católico da Galileia viveu no Monte das Canas com uma serviçal e dela
teve um filho de onde descendem os que alcunham de galileus de apelido Dias. Havia
por ali ruínas de um forno com uma pedra inscrita 1695, que seria da capela
primitiva a S. Caetano, onde celebravam o culto.
com
origem da Europa do Norte e de Leste istem na
Galiza, Gândara, Figueira da Foz, Ansião, Alvaiázere, Rabaçal e Penela
A moenga foi menção no Foral de Ansião em 1514 “E pagua -se mais aa ordem ho dizimo dos
muinhos do que Rendem paguo primeiro ho dizimo a Deus”.
Em
1758,
o Padre Manuel Caetano de Carvalho “há na
freguezia da Lagarteira hum piqueno
arroyo, a Ribeyra do Assor, uma moderada fonte chamada do Carvalho ; no
estio está seca, porque já no auje do verao, e experimenta diminutas as suas
correntes; na sua corrente há moynhos,
e também lagares, que andarão no inverno, e parte do verão. Vay este arroyio metter na distancia de tres
quartos de legoas já com mais algum cabedal mendigado, se lhe unena Ribeyra de
Ansião”.
Bem
antes, o convento de Celas
em Pousaflores refere os Casais ou Prazos, com o nome do foreiro - em 1626
a sexta parte de um casal em Pousaflores que foi de João Dias. Apelido com
origem num padre da Galileia que viveu no Monte das Canas, entre as atuais
Portelas
Foram
abertas levadas para canalizar a água encadeadas com
estruturas hidráulicas;
açudes e comportas
a
poente de Pousaflores, preservado, não sei se particular ou da Junta de
Freguesia
Na Chorographia Moderna em 1876 eram vivas em Ansião: 32 caldeiras de
alambiques de destilação, um forno de cal, 42 lagares de azeite, 45 de vinho, 72 moinhos,
uma olaria, 55 teares de linho.
O moleiro até então para exercer o seu ofício tinha de prestar juramento, senão sofria coimas
Foto retirada da página do facebook de Odete Antunes
Testemunho de Maria Adelaide Mendes Simões
Testemunho da São Tojo e de Fernando Moreira
https://vilanovaonline.pt/2017/11/19/azenhas-moinhos-acudes-no-vale-do-ave-historia-cultura-patrimonio-inovacao-ii-parte-origem-sec-i-c-iv/


























Excelente comentario. Espero que este seu contributo em prol do patrimonio ajude a acordar as mentalidades.
ResponderExcluirhttp://www.academia.edu/30794285/Dos_moinhos_de_vento_às_torres_eólicas_contextualização_do_aproveitamento_da_energia_eólica_no_âmbito_do_património_natural_e_cultural_na_região_de_Sicó
Caro João Paulo Forte bem haja pela cortesia e pelo elogio ao post.
ResponderExcluirAgradeço o envio do link do seu estudo que desconhecia, vou ler para o ano, estou de partida para Ansião, onde não tenho net. Porventura vou encontrar informação de mais valia que acrescentarei. O seu lema e o meu que sou autodidata é dar a conhecer o que gostamos do Maciço de Sicó.Como sou da idade da sua querida mãe, tenho memórias que guardo e junto, para não se perderem.
Boas Festas e boas pesquisas
Um abraço
Isabel
Gostei muito de todo o artigo. Parabéns ao autor.
ResponderExcluirCaro Oceano Pacífico bem haja pela cortesia da visita e pelo elogio à crónica.
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