terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Moinhos e Munhos de água e de vento na gândara ao Maciço de Sicó

A hidrografia da nossa região cársica  e o impato  que desde sempre teve na economia local.
A  produção agrícola necessitou do esforço e do engenho humano, na secagem do paul do Nabão e de levadas 
artificiais abertas à força de mãos com açudes ou roda para elevar  a água  que corre nas ribeiras;  Nabão, Açor  e Mata,  que se perdeu o nome e dos  ribeiros: Ribeirinho,  Ribeiro do Cimo da Rua, Ribeiro da Vide, Salgueiro e de outros a desaguar no Nabão durante o inverno até meados de junho,  para fazer mover moinhos e munhos de água, atafonas lagares de azeite  e pisões . A  água depois de cumprir a sua missão seguia pelo leito natural para servir outros engenhos até foz.  Os lagares de azeite afanavam  água às pedras de fazer pão. A  inconstância dos cursos hídricos era guardada em comportas para a hora da moenga, caso do Ribeiro da Vide,   para os moinhos da quinta de S. Lourenço, Seriam compostos por duas mós sobrepostas, movidas pela água  e pela força do braço humano ( tocadas a sangue) ou animal, caso das este moinho estroçoava o milho, para as papas de milho. O moinho de água no norte até Tomar pela herança   romana era tocado por rodízio de madeira provido de palhetas onde bate a água, conduzida por intermédio dum cano normalmente recebendo água duma levada, quando as  mós são accionados por uma roda exterior movida pelo peso da água, o moinho toma a designação de azenha. 

Foi o incremento de novos colonos na herdade de Ansião em 1216, de famílias vindas de norte à procura de melhores condições de vida a pedra fulcral para desbravar terreno arável  fazendo arroteio de costados e leirões nos costados. Fixaram-se em Casais , o seu própria ninho com o nome a marcar a toponímia; Casal do Sousa, Casal do Neto, Casal Afonso d' Pera,  em locais escolhidos onde passaram a viver e constituir a sua  a sua família como a sua unidade agrícola, a sua economia de subsistência , com criação de gado e animais domésticos para a sua alimentação. Os casais mais bem sucedidos na escolha da terra, e da sua desmatação teriam mais produção agrícola, para o seu celeiro  para o seu sustento anual,  pagar os foros ao senhorio e o excedente realizar capital  dinamizando a economia local. Além da lavoura a prática da arte da moenga no inverno e da apanha da azeitona outra riqueza de Ansião que continua . No final da apanha da azeitona o rancho era agraciado pelo dono do olival com almoço melhorado e filhoses em pausa com festa a cantar e a dançar a chamada - adiafa. Os contratados satisfeitos com a jorna no bolso, e  reconhecido laboro a marcar posição para a safra do ano seguinte e o patrão com as meduras em casa prontas para ir para o lagar.
A moenga foi uma riqueza em Ansião, documentada na Torre do Tombo a contenda de 1359  entre os almocatés, homens que aferiam os pesos e medidas. Em Ansião as colheres usadas eram  mais pequenas que noutras terras por isso veio a ser mais tarde decretada uma lei sobre Pesos e Medidas chamada Metrologia."
Não havendo tombo, socorri-me do tombo de Soure e de Ega de 1508, pela proximidade para entender a razão da população se manter escassa (...) a peste bubónica chegou à Europa em 1347, progrediu rapidamente, atingindo em Maio de 1348 a Península Ibérica, e em Setembro desse mesmo ano chegou à região de Coimbra. O rápido progresso da pandemia e a elevada mortalidade, levaram a um decréscimo acentuado da população, provocaram igualmente o pânico e a procura acentuada da salvação divina, de que resultou o aumento substancial das posses das ordens religiosas e das ordens militares, pela doação de propriedades de pessoas afetadas pela doença. Aliás, logo em meados do século XIV, a área de cultivo diminui em consequência de não haver mão de obra, interrompe-se o desbravamento de novas terras na região do Vale do Mondego e abandonam-se propriedades agrícolas anteriormente produtivas (...) a monarquia manteve a proximidade, a força e lealdade da Ordem de Cristo, concedendo-lhe  a doação de territórios, a sua exploração, a atribuição de cargos e de títulos. Diga-se que a estreita relação entre as duas instituições foi para ambos os casos proveitosa, contribuindo de forma explícita para o enriquecimento das mesmas. Inicialmente a exploração das terras das comendas era direta, ou seja, os seus custos de exploração estariam a cargo dos comendadores, que organizavam, preparavam e suportavam os custos necessários ao seu cultivo; no entanto, o trabalho e os custos despendidos pelos senhorios revelaram-se excessivos, originando gradualmente o aforamento das terras das comendas a terceiros, dispensando-se os comendadores deste ónus e obtendo em troca uma renda anual paga em moeda ou em géneros. Além dos rendimentos obtidos da exploração das terras, os comendadores obtinham também proventos ao nível jurisdicional de direitos reais como portagens, açougagem e jugada e direitos sobre a água, matos, pastos e caça.

Os moinhos de vento
Os moinhos de vento fazem  parte da identidade da nossa região, a qual importa preservar e valorizar num contexto de desenvolvimento territorial alicerçado nas suas mais valias. Iniciado recentemente em Ansião, mais precisamente na Serra da Portela, na freguesia de Pousaflores, o projecto “Ciclo do pão”, da autoria da Liga dos Amigos da Gramatinha e com o apoio da Junta de Freguesia de Pousaflores e da Câmara Municipal de Ansião,  a única excepção num cenário nada animador no que concerne à valorização do património molinológico da região de Sicó. Este património “é de todos, é testemunho de vida e aguarda que todos nós lhe reconheçamos importância e o preservemos” (Miranda & Nascimento, 2008).
Preservados os moinhos do Outeiro no Alvorge e Melriça .
Os moinhos de vento  estão conotados com as aventuras delirantes de D. Quixote de la mancha, magistral criação de D. Miguel de Cervantes.

Os moinhos de vento na região de Sicó
Fizeram parte integrante da paisagem, os moinhos de vento que continuem sendo um elemento identitário da região de Sicó . Por serem autênticos testemunhos de uma cultura tradicional que já há várias décadas entrou num processo de franca decadência e esquecimento por parte das populações. Ao abordarem-se os moinhos de vento não se está apenas a referir-se a um objecto, mas sim a algo que no passado foi transversal a toda uma sociedade, englobando assim desde factos históricos, sociais e mesmo de evolução técnica, que abarca um período de séculos de implantação na região de Sicó.  A defesa deste património passa também pela questão da protecção da paisagem cultural de Sicó, o que é manifestamente complexo. (...) Larrère & Larrère (1997) menciona que proteger uma paisagem não é só proteger actividades que a evolução económica condenaria a transformarem-se ou a desaparecerem, como é o caso dos moinhos de vento, é também, e segundo os mesmos, satisfazer um olhar e proteger uma arte. Ao valorizar o objecto moinho de vento, está-se também a preservar e a valorizar as relações culturais e sociais, bem como todo o saber técnico e material que com ele esteve relacionado (Medeiros, 2009). Sobre este propósito, torna-se pertinente salientar o facto dos moinhos de vento serem reconhecidos enquanto património material e imaterial pela UNESCO, caso dos existentes na área de Kinderdijk-Elshout, na Holanda. É certo que o papel da agricultura mudou nas áreas rurais, especialmente em áreas mais periféricas, onde a produção deixou de ser viável ou então está ameaçada no presente contexto de mercado (Pinto-Correia et al, 2010), como é o caso da região de Sicó. Não foi por acaso que desde os anos 50 se assistiu a um rápido declínio dos moinhos de vento tradicionais (Medeiros, 2009), facto que foi confirmado pelo Sr. Albertino Pires, antigo moleiro em Ansião que vivenciou esses mesmos tempos, onde o moinho de vento era ainda um “daqueles bens a que só com cooperação se podia aceder, como o boi de cobrição, com os serviços prestados por outros” (Miranda & Nascimento, 2008). Tendo terminado o tempo dos moinhos de vento, desapareceu com ele a maior parte dos moinhos que existiram na região de Sicó, a maior parte dos quais construídos em madeira de pinho e carvalho, que serviu depois para alimentar muitas lareiras. Uma das honrosas excepções a este cenário de destruição foi o moinho de vento de Janeanes, o qual foi construído em 1948 e funcionou até 2002, quando o seu moleiro se reformou (Miranda & Nascimento, 2008). Este moinho giratório, de madeira, está actualmente bastante degradado, à semelhança de outros moinhos que tem sido restaurados  como no Outeiro, Portela, Melriça (Ansião), Monte de Vez (Penela), e Mata do Carrascal (Alvaiázere). 

Através do Sr. Albertino Pires foi possível determinar algumas antigas localizações de moinhos de vento, onde já não existem vestígios dos mesmos; Fonte Galega (Ansião), Cumieira (Penela), Cabeço Nacreal, Serra do Casal Soeiro, Serra do Castelo (Ansião), Serra de Ariques (Alvaiázere), Ereiras, Pousadas Vedras, Ramalhais, Corujeiras (Pombal), Ramalheira (Soure), entre muitos outros lugares. Moinhos de outras tipologias ainda existem, como o caso do moinho de vento de Avanteira, na Freguesia de Pelmá, (Alvaiázere), estando este em bom estado de conservação e de funcionamento. Este moinho é do tipo fixo de torre, ao contrário dos moinhos de armação metálica da Mouta Negra (Ansião), e de Bouxinhas (Alvaiázere), ambos construídos com chapa de zinco.
o PDF - Moinhos Videira , que guardo numa crónica em rascunho. Foi elaborado aquando do Estudo de Impact o Ambiental do Parque Eólico de Videira (Ansião), da Eolflor – Produção de Energia Eólica, Lda, foram identificadas, na Serra da Portela, no topo de um cabeço calcário assinalado pelo vértice geodésico Monte da Ovelha, vinte e três estruturas relacionadas com a atividade moageira - "moinhos judeus"(carreiras de moinhos giratórios, pias e abrigos). Pelos arqueólogos - André Pereira e, Mário Monteiro e o técnico arqueólogo Emanuel Carvalho. Os dois primeiros com menção de email, no esquema de uma imagem em rodapé, perguntando a razão do topónimo Videira , o que eu tinha pretensão de fazer.

Património cultural relacionado com a actividade moageira no cimo da Serra da Portela (Pousaflores, Ansião): moinhos, pias e abrigos André Pereira, Mário Monteiro e Emanuel Carvalho
Monte da Ovelha (nome pelo qual aquele relevo é conhecido em Pousaflores) ou Serra da Portela, localizada no distrito de Leiria, no concelho de Ansião, freguesia de Pousaflores. Dividem-se em três núcleos: o maior, junto do vértice geodésico Monte da Ovelha, a que chamámos Núcleo da Serra da Portela, engloba vestígios de doze moinhos de vento giratórios (bases, sendo a exceção um moinho reconstituído), três pias escavadas na rocha e dois abrigos estruturados; a cota inferior, pouco mais de um quilómetro para Noroeste, outro grupo havia sido identificado, mais pequeno, sendo apenas constituído por uma base de moinho de vento giratório e um abrigo estruturado, o Núcleo da Serra do Casal do Soeiro; refira-se ainda um outro núcleo, a cotas inferiores, a menos de um quilómetro do primeiro, na direção Norte-Nordeste, englobando três bases de moinhos de vento giratórios e um abrigo estruturado, o Núcleo da Ucha. Os três núcleos localizam-se em áreas bastante desabrigadas, sujeitas a ventos fortes, dominantes, provenientes de Norte, o que decerto deve ter influído na implantação das estruturas de moagem.
Os moinhos giratórios: onde e como. A recolha intensiva e extensiva das actividades e estruturas relacionadas directamente com a actividade moageira, efectuada por Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira, em Tecnologia Tradicional Portuguesa. Sistemas de Moagem (Oliveira, Galhano & Pereira, 1983), elucida sobre a abrangência espacial, construção e tecnologia utilizada neste tipo de moinhos. Os autores definem o tipo de moinho de vento giratório como “moinhos com um sistema de rotação em que o edifício roda na sua totalidade e não apenas o tejadilho”. Desta forma, o edifício é, regra geral, totalmente de madeira. Em Portugal também são conhecidos como “moinhos judeus”, localizando-se na área litoral, desde Caminha até à Figueira da Foz, atingindo o interior até Alvaiázere, com maior incidência nas terras gandaresas de Mira, Tocha e Figueira da Foz. Para além de Portugal, estes moinhos de vento estão presentes na Europa do Norte e Leste, embora estes sejam compostos por casotas maiores e menos rústicas. As casotas dos moinhos giratórios portugueses são geralmente de formato prismático de seis faces desiguais (quatro maiores laterais e duas mais estreitas, uma à frente e outra atrás, onde se situa a porta). Rodam em torno de um espigão excêntrico e apoiam-se sobre duas rodas de madeira ou pedra. Quanto aos tipos de velame, de acordo com os autores, podem ser de: (1) quatro velas triangulares de pano montadas em 4 pares de varas (como nos moinhos fixos de torre em geral), ocorrendo na região gandaresa, de Mira e Tocha à Figueira da Foz e para o interior até Alvaiázere e Vila Nova de Ourém; (2) quatro velas trapezoidais de tábuas (em posição deitada) dispostas em grades montadas em outros tantos braços, ocorrendo na região litoral entre os rios Minho e Lima (como em certos moinhos fixos, de torre, da mesma região, e que se viram a par deles); (3) de tabuinhas (em posição radial), dispostas num aro octogonal. Por volta de 1900 viase moinhos desta categoria na região de Aveiro, mas ignoramos se o mesmo sucedia no resto da sua área, que era então muito vasta. Actualmente encontrase na mesma área dos primeiros, em casos esporádicos e raros. Ainda em 1950 os moinhos de vento giratórios eram muito frequentes. A forma dos moinhos giratórios, por toda a sua área de dispersão, não oferece diferenças sensíveis. Contudo, a construção da casota e o barroteamento das paredes e do telhado varia de local para local, em função da madeira disponível e do critério do construtor. Hoje em dia, vemos chapa em alguns telhados.
Há moinhos giratórios em Ansião (Alvorge, Junqueira, Ribeira), Alvaiázere (Alto da Mazoqueira), Tocha (Cantanhede, Casal Novo), Espinho (Granja) e noutros locais. As rodas são geralmente pequenas e de madeira, havendo casos de rodas de pedra e de maiores dimensões. Em Penela, no Moinho de Camarinho, as rodas são de calcário e têm cerca de 1 metro de diâmetro. Em Caminha, as rodas são mós em desuso. O espigão tem muitas vezes forma primitiva, como um pião de madeira, de formato cónico. No moinho giratório da Brenha (Figueira da Foz), o pião consiste num espigão de ferro cravado em pedra central, no chão (eixo). Em moinho próximo deste ainda são visíveis pranchas de madeira na carreira. Em Alvaiázere, o uso da bóia (delgada lamela suspensa de um prego cravado um pouco acima de pequeno orifício circular – cerca de 3 cm de diâmetro - que mostra ao moleiro as mudanças de direção do vento) verifica-se em cada face lateral da casota. Quando o vento muda, soprando com mais força de um dos lados do moinho, a lamela desse lado agitase sobre o orifício. Nos moinhos da Granja (Espinho) e da Ribeira (Ansião), a pequenez das velas deriva da reduzida altura. Em terras baixas e planas (como na Figueira da Foz), os moinhos são montados, para melhor exposição ao vento, sobre elevações artificiais de terra (“aterros”) circulares, com cerca de 1 a 1,5 metros de altura. De modo a permitir uma boa percepção do sistema acima explicitado reproduz-se seguidamente um desenho e o glossário dos moinhos giratórios retirados da obra Portugal, Terra de Moinhos (Miranda & Nascimento, 2008). “O moinho giratório (paltrock mill) possui casota de madeira e tracção por alavanca, rodas e carreira. As rodas podem ser de pedra ou madeira. […] O moinho de Jeneanes, no concelho de Condeixa-a-Nova, propriedade de António Neves Bispo, laborou desde 1948 a 2002.” (Miranda & Nascimento, 2008). 2. Estruturas moageiras na Serra da Portela Como já referido, com o objectivo de registar os elementos de um património etnográfico em vias de desaparição, elaboraram-se três tipos de fichas Figura 2. Moinho giratório de Jeneanes (Condeixa-a-Nova) (Miranda & Nascimento, 2008) descritivas, adequadas ao tipo de realidade. Desta forma, foi criada uma ficha-tipo para os moinhos giratórios, uma ficha-tipo para as pias e uma fichatipo para os abrigos estruturados, que se apresentam de seguida. São também apresentadas as representações gráficas (desenhos técnicos à escala 1:50 no caso dos moinhos e abrigos e à escala 1:20 no caso das pias), efectuadas em campo, bem como fotografias de cada caso. 2.1. Bases de moinhos giratórios 2.1.1. Ficha-tipo 1 . n ú m e r o d e i n v e n t á r i o ; 2 . d e s i g n a ç ã o / topónimo; 3. tipologia; 4. folha da Carta Militar de Portugal 1:25.000; 5. coordenadas Gauss (Datum de Lisboa); 6. altitude (em metros); 7. carreira; 7.1. número de lajes; 7.2. diâmetro central (em cm); 7.3. diâmetro interno (em cm); 7.4. diâmetro externo (em cm); 7.5. altura ao solo (em cm); 7.6. matéria-prima; 8. bloco do eixo; 8.1. comprimento (em cm); 8.2. largura (em cm); 8.3. altura ao solo (em cm); 8.4. matéria-prima; 9. cavidade do eixo; 9.1. comprimento (em cm); 9.2. largura (em cm); 9.3. profundidade (em cm); 10. casota; 10.1. largura (em cm); 10.2. comprimento (em cm); 10.3. altura ao eixo (em cm); 10.4. matériaprima; 11. telhado; 11.1. largura (em cm); 11.2.
Quadro 1. Glossário dos elementos componentes de um moinho giratório (Miranda & Nascimento, 2008) Designação local Designação tipológica Significado Aguilhão Espigão Veio de ferro terminado em bico para rotação do mastro Andadeira Andadeira Mó de cima, que se move sobre o poiso. Cabresto Cabresto Corda ou corrente para atracar as varas quando o moinho está parado e a andadeira descida, impedindo a sua rotação e consequente esforço da transmissão. Cantadoira Rela Apoio anterior do mastro. Carreira Carreira Caminho circular em pedra onde roda o moinho giratório. Carrete Carreto Carreto que forma par de engrenamento com a entrosga, possuindo normalmente entre 7 a 9 fuselos verticais de madeira. Casota Torre Torre do moinho giratório, em madeira. Coixão Ponta Pau vertical, aplicado aos pares no chaco do moinho de vento para balizar o movimento lateral do mastro em rotação. Eixo Mastro Mastro. Entrosga Entrosga Roda dentada, de madeira, de grandes dimensões, variando em regra entre 1,1 m e 1,6 m e possuindo normalmente 32 ou 36 dentes de madeira que engatam nos fuselos do carreto. Grade Grade Base do moinho de vento giratório, constituída por grandes travessas de madeira, formando um triangulo em que um vértice recebe um veio de ferro cravado ao chão, em torno do qual gira o moinho, e os restantes dois recebem rodas de madeira ou pedra. Mastro Mastro Eixo horizontal e peça central do moinho de vento onde se prendem as varas no exterior e a entrosga no interior. Mesa Fechal Espécie de fechal, em madeira, que encima a casota do moinho giratório, dando-lhe fecho e consistência para receber os vigamentos de suporte do mastro. Nestes moinhos é um único fechal uma vez que a rotação se faz ao nível da base. Poiso Pouso Mó de baixo, fixa. Restanda Aliviadouro Mecanismo rudimentar de elevação da mó, usualmente vara de madeira ou verga de ferro. Tempero Urreiro Apoio inferior da mó andadeira, trabalhando no piso de baixo das mos, sobre o qual se situa a rela onde encaixa a extremidade inferior do veio da mó. É basculante e a sua altura é regulada pelo aliviadouro, permitindo regular a altura entre as mós e afinar a farinha. Travadoiro Travadouro Corda de linho e/ou travessa de pau pregada entre as duas varas da vela nos moinhos de vento para manter as distancias e equilibrar o sistema das varas do moinho. Tremonhado Caixa Caixa ou parte reentrante do sobrado frente à mó onde cai a farinha. Vara Vara Trave de madeira colocada aos pares a varar o mastro no exterior, num total de oito, por forma a receber as quatro velas dos moinhos de vento. Varão Veio de cima Veio superior da mó comprimento (em cm); 11.3. altura (em cm); 11.4. matéria-prima; 12. rodas; 12.1. número de rodas; 12.2. roda 1; 12.2.2. diâmetro (em cm); 12.2.3. espessura (em cm); 12.2.4. matéria-prima; 12.3. roda 2; 12.3.1. diâmetro (em cm); 12.3.2. espessura (em cm); 12.3.3. matéria-prima; 13. descrição / observações. Nota: os parâmetros omitidos referemse a dados indeterminados, dado o estado de conservação débil de algumas das estruturas e ocultamentos. 2.1.2. Inventário 1. 1; 2. Serra da Portela 1; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 177086, P = 322863; 6. 523; 7.3. 580; 7.4. 660; 7.6. calcário; 8.1. 385; 8.2. 300; 8.3. 0; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 10; 9.2. 10; 9.3. 8; 13. Cavidade central do eixo sobre plataforma de bancada de afloramento calcário. Possui base de sustentação para as lajes da carreira, de aparelho de pedra seca, constituída por blocos de calcário de média dimensão, com uma altura máxima, a este, de cerca de 70 cm. Lajes da carreira furtadas. Ainda visíveis os negativos de algumas, sob a forma de ausência de vegetação a oeste e mancha amarelada na superfície da base de sustentação. Percepção total da estrutura de sustentação dificultada pela existência de vegetação densa, a sul.
1.       2; 2. Serra da Portela 2; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 177077, P = 322846; 6. 525; 8.1. 140; 8.2. 123; 8.3. 23; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 10; 9.2. 9; 9.3. 8; 13. Cavidade central do eixo sobre bloco saliente de afloramento calcário. Possui base de sustentação para as lajes da carreira, de pedra seca, constituída por blocos de calcário de média dimensão, sobrepostos a bancada calcária, com uma altura máxima, a este, de cerca de 100 cm. Lajes da carreira inexistentes. Abrigo (Serra da Portela 3), de aparelho de pedra seca, adossado à base de sustentação, a nordeste.
2.       1. 6; 2. Serra da Portela 6; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M=177062, P=322828; 6. 525; 7.1. 5; 7.2. 610; 7.3. 528; 7.4. 690; 7.5. 12 a 22; 7.6. calcário; 8.1. 140; 8.2. 61; 8.4. calcário (bloco solto); 9.1. 11; 9.2. 10; 9.3. 9; 13. Estrutura da base de bancos e mesa de pedra no centro, onde se localizaria bloco central do eixo, afastado do local original para fora do círculo da carreira. Cinco lajes da carreira conservadas in situ. Visível carreira percorrida pelas rodas, nas lajes conservadas no quadrante sul. Visíveis calços das lajes da carreira na metade este.
3.       1. 7; 2. Serra da Portela 7; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 177058, P = 322822; 6. 525; 8.1. 165; 8.2. 85; 8.3. 21; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 11; 9.2. 10; 9.3. 8; 13. Base de moinho giratório da qual se conserva apenas o bloco onde se escavou a cavidade central. Cavidade central do eixo sobre plataforma de bancada de afloramento calcário.
4.       1. 8; 2. Serra da Portela 8; 3. moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 177049, P = 322810; 6. 527; 7.1. 15; 7.2. 638; 7.3. 566; 7.4. 680; 7.5. 15; 7.6. calcário; 8.4. calcário (afloramento); 10.1. 231; 10.2. 402; 10.3. 31; 10.4. madeira; 11.1. 257; 11.2. 420; 11.3. 73; 11.4. metal; 12.1. 2; 12.2.1. 75; 12.2.2. 27; 12.2.3. calcário; 12.3.1. 73; 12.3.2. 28; 12.3.3. calcário; 13. Moinho em laboração, reconstituído graças a projecto de desenvolvimento regional. Estrutura constituída por base de moinho giratório e respectiva estrutura de moagem reconstruídas. Quinze lajes constituem a carreira, tendo cimento portland como aglutinador. Em todas as lajes é visível o percurso das rodas. A cavidade central está ocupada por pião (espigão que funciona como eixo). A casota, de madeira, com telhado de chapa, e o velame de pano, estão reconstituídos. No interior da casota, elementos presentes: varão, mastro, mós, bóia, restanda, entrosga e carrete. Constitui a única estrutura moageira reconstituída do conjunto.
5.       1. 9; 2. Serra da Portela 9; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 177028, P = 322785; 6. 527; 7.1. 9; 7.2. 585; 7.3. 532; 7.4. 630; 7.5. 10 a 19; 7.6. calcário; 8.1. 143; 8.2. 128; 8.3. 15; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 9; 9.2. 9; 9.3. 8; 13. Cavidade central do eixo sobre plataforma de bancada de afloramento calcário. Ainda conserva nove lajes da carreira, seis delas in situ. Vestígios do desgaste das rodas no quadrante sudeste. Bancos e mesa de pedra no interior
6.       1. 10; 2. Serra da Portela 10; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 177014, P = 322770; 6. 527; 7.1. 14; 7.2. 574; 7.3. 540; 7.4. 654; 7.5. 14 a 23; 7.6. calcário; 8.1. 64; 8.2. 59; 8.3. 0; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 9; 9.2. 9; 9.3. 9; 13. Cavidade central do eixo sobre bloco de afloramento calcário. Catorze lajes da carreira in situ (parece faltar duas). Vestígios do desgaste do percurso das rodas em três lajes do quadrante oeste. Bancos e mesa de pedra no interior
7.       1. 11; 2. Serra da Portela 11; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 177002, P = 322752; 6. 527; 7.1. 14; 7.2. 575; 7.3. 511; 7.4. 642; 7.5. 16 a 24; 7.6. calcário; 8.1. 315; 8.2. 94; 8.3. 4; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 10; 9.2. 9; 9.3. 5; 13. Cavidade central do eixo sobre bancada extensa de afloramento calcário. Catorze lajes da carreira in situ (parece faltar uma). Vestígios do desgaste do percurso das rodas em três lajes nos quadrantes sul e oeste. Pequena cavidade subcircular escavada em laje do quadrante Noroeste, que pode ter servido para colocar travão das rodas. Visíveis alguns calços das lajes da carreira no quadrante sudeste. Bancos e mesa de pedra no interior.
8.       1. 14; 2. Serra da Portela 14; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 176982, P = 322737; 6. 526; 7.1. 10; 7.2. 566; 7.3. 534; 7.4. 650; 7.5. 10 a 20; 7.6. calcário, 8.1. 106;8.2. 57; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 10; 9.2. 9; 9.3. 8; 13. Cavidade central sobre bloco de afloramento calcário, extraído e colocado na extremidade norte da carreira. Neste bloco ainda são visíveis as alterações da parte em tempos exposta. Dez lajes da carreira in situ, sendo que as duas mais a norte se encontram fraturadas. Vestígios muito ténues de terra revolvida em local onde se encontrariam duas lajes, entretanto furtadas. Laje deslocada, a norte, da sua posição original. Vestígios do desgaste do percurso das rodas em duas lajes da metade sul.
9.       1. 15; 2. Serra da Portela 15; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 176968, P = 322722; 6. 525; 8.1. 188; 8.2. 123; 8.3. 23; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 9; 9.2. 8; 9.3. 6; 13. Base de moinho giratório da qual se conserva apenas o bloco onde se escavou a cavidade central, sobre plataforma de bancada de afloramento calcário.
10.   1. 16; 2. Serra da Portela 16; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 176958, P =322713; 6. 524; 7.1. 8; 7.2. 555; 7.3. 510; 7.4. 620; 7.5. 9 a 25; 7.6. calcário; 8.1. 150; 8.2. 111; 8.3. 16; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 8; 9.2. 7; 9.3. 6; 13. Cavidade central sobre bloco de afloramento calcário. Oito lajes da carreira, seis delas in situ, sendo que duas se encontram afastadas cerca de 2 m para oeste. Vestígios muito ténues de terra revolvida em local onde se encontrariam quatro lajes, entretanto furtadas. Vestígios do desgaste do percurso das rodas em duas lajes do quadrante nordeste.
11.   1. 17; 2. Serra do Casal do Soeiro 1; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 176097, P = 323965; 6. 493; 7.1. 3; 7.3. 598; 7.4. 725; 7.5. 5 a 15; 7.6. calcário; 8.1. 102; 8.2. 92; 8.3. 25; 8.4. calcário (bloco solto); 9.1. 12; 9.2. 12; 9.3. 10; 13. Base de sustentação composta por pedra miúda formando um círculo. Semicírculo exterior na metade Norte, de cerca de 70 cm de espessura e 80 cm de altura máxima, composto por blocos aparelhados de calcário, sustenta o embasamento de pedra miúda. Cavidade central do eixo sobre bloco aparelhado de calcário, colocado sobre base de sustentação. Conserva duas lajes da carreira, a este, e fragmento de laje da carreira, aparentemente deslocado, a sul.
12.   1. 19; 2. Ucha 1; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 177400, P = 323583; 6. 435; 7.1. 13; 7.2. 603; 7.3. 510; 7.4. 655; 7.5. 10 a 20; 7.6. calcário (afloramento); 8.1. 170; 8.2. 123; 8.3. 14; 8.4. calcário; 9.1. 12; 9.2. 10; 9.3. 7; 13. Cavidade central do eixo sobre bloco de afloramento calcário. Todas as lajes da carreira (14) in situ. Vestígios do desgaste do percurso das rodas em duas lajes no quadrante oeste. Fragmento de mó de arenito entre o bloco central e a carreira, na metade este. Visíveis alguns calços das lajes da carreira no quadrante sul. Figuras 35 e 36. Aspecto e representação gráfica da base de moinho giratório Ucha 1. 1. 21; 2. Ucha 3; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M=177437, P=323644; 6. 435; 7.1. 12; 7.2. 575; 7.3. 541; 7.4. 648; 7.5. 6 a 14; 7.6. calcário; 8.1. 77; 8.2. 64; 8.3. 3; 8.4. calcário (afloramento); 9.1. 12; 9.2. 10; 9.3. 7 a 8; 13. Cavidade central do eixo sobre bloco de afloramento calcário. Doze lajes da carreira in situ. Parece faltar duas. Vestígios do desgaste do percurso das rodas em três lajes no quadrante este e duas no quadrante sudeste. Cinta de aperto de ferro no interior da carreira, que poderá ter pertencido ao mastro ou grade da estrutura da casota. Visíveis alguns calços das lajes da carreira no quadrante sudeste.
13.   1. 22; 2. Ucha 4; 3. base de moinho de vento giratório; 4. 275; 5. M = 177450, P = 323677; 6. 435; 7.1. 18; 7.2. 550; 7.3. 610; 7.4. 659; 7.5. 14 a 19; 7.6. calcário; 8.1. 115; 8.2. 935; 8.3. 20; 8.4. calcário; 9.1. 10; 9.2. 10; 9.3. 6; 13. Cavidade central do eixo sobre bloco de afloramento calcário. Todas as lajes da carreira (18) in situ. Vestígios do desgaste do percurso das rodas em duas lajes no quadrante oeste e em uma no quadrante sul. Pequena cavidade circular escavada em laje do quadrante sul que pode ter servido para colocar travão de rodas. Fragmento de mó de arenito entre o bloco central e a carreira, na metade Norte. Visíveis alguns calços das lajes da carreira no s quadrantes sul e oeste.
14.   1. 23; 2. Serra da Portela 17; 3. base de moinho de vento giratório (inacabada); 4. 275; 5. M = 177003, P = 322748; 6. 527; 13. Área com aparente preparação do terreno para implantação de moinho de vento. O terreno foi limpo e nivelado em redor de um afloramento ligeiramente elevado que serviria para abrir o encaixe central do moinho. A forma circular assim o indicia. Todavia, a inexistência de uma cavidade central ou vestígios de assentamento da carreira, levam a crer nunca ter sido construído.
15.   2.2. Pias
16.   2.2.1. Ficha-tipo 1. número de inventário; 2. designação / topónimo; 3. tipologia; 4. folha da Carta Militar de Portugal 1:25.000; 5. coordenadas Gauss (Datum de Lisboa); 6. altitude (em metros); 7. forma; 8. largura (em cm); 9. comprimento (em cm); 10. diâmetro (em cm); 11. profundidade (em cm); 13. descrição / observações. Nota: os parâmetros omitidos referem-se a dados não aplicáveis à estrutura inventariada. 2.2.2. Inventário 1. 4; 2. Serra da Portela 4; 3. Pia; 4. 275; 5. M = 177073, P = 322832; 6. 525; 7. subcircular; 10. 19 a 20; 11. 9; 13. Pequena cavidade subcircular em bloco de afloramento calcário. Parece ter sido escavada. Pode ter servido como pia. 1. 12; 2. Serra da Portela 12; 3. Pia; 4. 275; 5. M = 177025, P = 322739; 6. 526; 7. subrectangular; 8. 27; 9. 30; 11. 12; 13. Pequena cavidade subrectangular em bloco de afloramento calcário. Parece ter sido escavada. Pode ter servido como pia. 1. 13; 2. Serra da Portela 13; 3. Pia; 4. 275; 5. M = 176998, P = 322727; 6. 526; 7. subrectangular; 8. 27; 9. 28; 11. 7; 13. Pequena cavidade subrectangular em bloco de afloramento calcário. Parece ter sido escavada. Pode ter servido como pia.
17.   2.3. Abrigos
18.    2.3.1. Ficha-tipo 1. número de inventário; 2. designação / topónimo; 3. tipologia; 4. folha da Carta Militar de Portugal 1:25.000; 5. coordenadas Gauss (Datum de Lisboa); 6. altitude (em metros); 7. largura (em cm); 8. comprimento (em cm); 9. altura conservada (em cm); 10. altura total (em cm); 11. paredes; 11.1. espessura máxima (em cm); 11.2. espessura mínima (em cm); 11.3. matéria-prima; 11.4. dimensão dos blocos; 12. cobertura; 12.1. tipo; 12.2. matéria-prima; 12.3. largura (em cm); 12.4. comprimento (em cm); 12.5. espessura (em cm); 13. interior; 13.1. orientação da entrada; 13.2. largura da entrada (em cm); 13.3. tipo de piso; 14. descrição / observações. Nota: os parâmetros omitidos referem-se a dados indeterminados, dado o estado de conservação débil de algumas das estruturas e ocultamentos. 2.3.1. Inventário 1. 3; 2. Serra da Portela 3; 3. Abrigo; 4. 275; 5. M = 177082, P = 322849; 6. 524; 7. 255; 8. 350; 9. 95; 11.1. 85; 11.2. 30; 11.3. calcário; 11.4. reduzida a média; 13.1. Nordeste; 13.2. 108; 13.3. derrube de pedras; 14. Abrigo de planta quadrangular, com parte das paredes derrubada. Encosta a base de sustentação de base de moinho (Serra da Portela 2) e a bancada de calcário (lapiás). Aproveita essa mesma base de sustentação para constituir a parede sudoeste. Paredes erguidas tendo como base, a sudoeste e a sudeste, bancada de calcário. Sem cobertura. Vegetação rasteira no interior. Figuras 51 . Aspecto do abrigo Serra da 1. 5; 2. Serra da Portela 5; 3. Abrigo; 4. 275; 5. M = 177076, P = 322821; 6. 524; 7. 410; 8. 775; 10. 161; 11.1. 113; 11.2. 40; 11.3. calcário; 11.4. média; 12.1. lajes; 12.2. calcário; 12.3. 175; 12.4. 255; 12.5. 9 a 13; 13.1. Oeste; 13.2. 103; 13.3. derrube de pedras; 14. Abrigo em estado de conservação regular. Aproveita diáclase sinuosa na bancada de calcário como corredor estreito de acesso. Câmara coberta com duas lajes suportadas por viga de madeira (tronco). Intervalo entre as lajes coberto com cimento portland. Vegetação rasteira no interior. 1. 18; 2. Serra do Casal do Soeiro 2; 3. Abrigo; 4. 275; 5. M = 176113, P = 323948; 6. 492; 7. 303; 8. 425; 9. 135; 11.1. 80; 11.2. 58; 11.3. calcário; 11.4. reduzida a média; 13.1. Nordeste; 13.2. 85; 13.3. derrube de pedras; 14. Abrigo de planta quadrangular, com parte das paredes derrubadas para o interior. Aproveita bancada de calcário (lapiás) para base da parede Noroeste. Paredes erguidas tendo como base, a sudoeste e a sudeste, bancada de calcário. Sem cobertura.
19.   1. 20; 2. Ucha 2; 3. Abrigo; 4. 275; 5. M = 177414, P = 323594; 6. 434; 7. 338; 8. 755 (inclui carapaça de pedras); 10. impossível de registar por inacessibilidade ao interior; 11.1. 85; 11.2. 44; 11.3. calcário; 11.4. média; 12.1. misto; 12.2. variada (inclui lajes de calcário suportadas por viga de madeira, carapaça de pedras de calcário de reduzida dimensão, manga plástica transparente, rede de sombra verde e ramos secos); 12.3. impossível de registar por inacessibilidade ao interior; 12.4. impossível de registar por inacessibilidade ao interior; 12.5. impossível de registar por inacessibilidade ao interior; 13.1. Sul; 13.2. 70; 13.3. impossível de registar por inacessibilidade ao interior; 14. Abrigo ainda em uso e fechado, foi impossível obter autorização para aceder ao interior da câmara. Pequeno corredor elevado com muro de pedra seca a partir de bancada calcária conduz a uma câmara de planta indeterminada. À entrada do corredor, vestígios de utilização recente: pequena lareira estruturada, lixo variado. Fecho da entrada com uma palete de madeira. Cobertura mista de lajes de calcário suportadas por barrote de madeira (viga), carapaça de pedras de calcário de reduzida dimensão, manga plástica transparente, rede verde de sombra e ramos secos.
20.   3. Conclusões

21.    As estruturas moageiras existentes na Serra da Portela (Figura 66) formam um conjunto de elevado interesse arquitetónico e etnológico, senão mesmo arqueológico, dado que os seus vestígios são já uma ténue memória da presença e atividade humana, apesar de se terem encontrado em atividade até um passado muito recente. Tendo como base primordial os moinhos de vento, que formam conjuntos disposto em bateria ao longo das cumeadas, as estruturas moageiras não se limitam a estes. Associados encontram-se abrigos e pequenas cavidades (pias) abertas na rocha que testemunham o dia-a-dia do moleiro. O moinho era o local de labor onde o moleiro passava grande parte da sua vida, isolado no alto da serra. Porém, certamente traria quase sempre como companheiro um jerico, uma besta de carga eficiente e dócil que serviria como meio de transporte de cargas. Dado o exíguo espaço do interior da casota do moinho, era necessário criar uma proteção para o animal se resguardar da exposição ao agreste clima da serra. Serviriam para este fim os abrigos Figura 67. localizados junto dos moinhos, senão mesmo para o próprio moleiro. As pias, ainda que de reduzido tamanho, deveriam ter a função de bebedouro para o jerico. A tipologia de moinho que aqui documentamos abrange, em Portugal Continental, toda a faixa litoral entre Alvaiázere e Caminha. Contudo, são estruturas pouco visíveis e, talvez por essa razão, desconhecidas para a grande maioria da população, para quem um moinho de vento é a típica estrutura em alvenaria que frequentemente se distingue ao longe na paisagem. Os “moinhos judeus” estudados existentes na Serra da Portela, distribuídos por três núcleos, são de reduzida dimensão e construídos maioritariamente em matéria perecível, possuindo rodas que permitem uma fácil movimentação na busca do melhor vento. Neste caso específico são as carreiras (em calcário) onde estes se deslocavam que permanecem in situ. As carreiras identificadas possuem um diâmetro balizado na sua maioria entre os 5,50 metros e os 6 metros, existindo carreiras que passam os 7 metros. No centro da carreira encontra-se uma cavidade quadrangular onde encaixava o espigão central (pião) sobre o qual rodava todo o moinho, o que significa que os moinhos teriam, em geral, cerca de 3 metros comprimento. Essa cavidade está escavada num bloco de afloramento calcário in situ, ou em bloco para aí transportado, mas firmemente fixo no solo, já que teria de suportar todo o peso da estrutura da casota. Geralmente a escolha da localização prefere um terreno nivelado (ou grosseiramente nivelado, sendo necessário pouco investimento na preparação), geralmente em torno de um bloco de afloramento que permita a escavação da cavidade central. De modo a nivelar o terreno, quando necessário, são construídas bases de suporte, de forma circular, em pedra solta, sobre as quais assenta a carreira, como é o caso da base de sustentação do moinho da Serra do Casal do Soeiro 1 – n.º 17, onde esta situação é mais expressiva. No topo da Serra da Portela existe um moinho giratório reconstruído na íntegra, o moinho da Serra da Portela 8 – n.º 8, constituindo um excelente exemplo que, para além do carácter didático, testemunha um modo de vida que já se extinguiu, e de um passado que, sendo tão recente, corre o risco de cair rapidamente no esquecimento.







Quem desenterraria das lajes frias e tantas vezes esquecidas e de chão sagrado profanado avoengos para nos recontarem a história da sua vida e do passado de Ansião do vasto património molinológico no Maciço de Sicó,  referenciado no Livro de Testamentos do Lorvão, a uma disputa territorial entre o abade Árias, do Mosteiro do Lorvão, e Paio Halaf e Soleimão Afla. O documento está datado do ano de 1064-1065, tendo Sesnando Davides participando como juiz, “E o senhor Sisnando pediu a Árias que depusesse sob juramento” presidindo a uma disputa entre o Mosteiro e aqueles proprietários sob os direitos dos moinhos de Forma
A região do Maciço de Sicó, nomeadamente no concelho de Ansião a actividade moageira em azenhas, também chamados moinhos e mais tarde munhos de água  encontra-se documentada desde 1359 na contenda arquivada na Torre do Tombo  veio regular a Metrologia nos pesos e medidas entregues nos foros, e em Ansião eram as colheres mais pequenas que as de Santarém, os almocatés ficavam com uma maquia que depois vendiam por fora teria dado azo ao adágio - Ansião terra de 30 moradores e 31 ladrão.
Os moinhos ou munhos de vento aparecem mais tarde.

Desse passado existem ainda testemunhos recuperados em memória da identidade dos moinhos ou munhos de vento na Serra da Portela em Pousaflores, Melriça em Santiago da Guarda e Outeiro no Alvorge. Julgo apenas existe uma azenha recuperada ao limite poente do Pessegueiro .

 outra nos moinhos João da Serra e outras fechadas ainda recuperáveis e ruínas.

A origem destes moinhos hidráulicos segundo diversos autores, nacionais e internacionais aparecem na civilização Europeia durante o séc. I a.C., destinando-se em primeiro lugar à moagem de cereais para produção de pão, e posteriormente para outras funções. Um epigrama de Antípatro de Salónica datado do ano 85 a.C. descreve a implementação do moinho hidráulico:“Cessai de moer, ó mulheres que trabalhais no moinho; dormi e deixai os pássaros cantar à aurora cor de sangue. Ceres ordenou às ninfas aquáticas que desempenhassem a vossa tarefa, e elas obedientes à sua ordem, correm sobre a roda, e fazem girar o eixo por meio das palas que o rodeiam, e, com ele as pesadas mós”.
No mesmo século, no tratado De Architectura, Livro X, Capítulo V surge o primeiro projeto “tipo” de uma azenha, cuja designação romana é Hydraletae, elaborado pelo Arquiteto Romano Marcos Vitrúvio Polião: «Azenhas(...) Disposto na vertical, em cutelo, o tambor gira a par com a roda. Igualmente dentado, está montado junto dele um tambor maior, disposto na horizontal, com o qual se encaixa. Deste modo, gera-se necessariamente a rotação das mós ao porem-se em movimento os dentes do tambor horizontal com os dentes do tambor que rodeia o eixo. Pendente de cima deste engenho, uma tremonha fornece às mós cereal que, com a mesma rotação, se transforma em farinha.»
Estudos arqueológicos recentes, do final do séc. XX, realizados em Itália, nomeadamente em Saepinum e Roma revelaram a existência de azenhas que funcionaram no séculos III e V. Em Portugal existem referências arqueológicas de azenhas e moinhos durante o período de ocupação romana. Nélson Borges refere a existência de uma azenha em Conímbriga e um moinho de rodízio em Beja que funcionariam durante a época luso-romana. Além destes casos, são apontados como presumíveis moinhos hidráulicos romanos – a azenha da Barragem de Chocapalhas, em Tomar, o moinho de rodízio de Tanque de Mouros, em Estremoz, e o moinho de rodízio da Barragem de Grândola.Segundo Abbott Usher, após o uso mecânico da força animal surgiu a exploração dos recursos naturais – a energia da água – e assim surgem os moinhos hidráulicos como processo evolutivo da tecnologia mecânica.

Azenhas, ou moinhos de água foram os primeiros em Ansião . Alguns maiores a água era elevada com roda e alcatruzes, características na ribeira do Nabão até Tomar, em aventar ser  herança da ocupação árabe?  Em Ansião pese a água da ribeira do Nabão e suas afluentes, a Ribeira da Mata, toma mais à frente a designação de Ribeira do Açor e demais ribeiros dão caudal de inverno com as chuvas  o algar atinge a cota máxima para expulsar a água que corre até meados e junho, havendo anos de grande secura.Esta água foi usada durante séculos por vários moinhos com mecanismos adicionais; açudes e levadas nada mais que ribeiros artificiais abertos à força de mãos, o valongueiro, tradição trazida de norte, e mais recente o ribeiro do munho ou levada.No período romano este canal da caleira ou levada  era mais  largo na entrada e mais estreito na saída . A água dava serventia ao longo do seu percurso a vários moinhos, lagares de azeite e um pisão, entrava nos engenhos e depois de cumprir a sua missão nos rodízios voltava de novo à ribeira para nova empreitada, mais outra e outra, na sua servidão maior fazer mover engenhos que o saber do povo soube aproveitar, valorizando a água escassa em terras cársicas sem ter sido esta actividade  jamais catalogada e inventariada, a morrer sem o estrelato merecido.

A arte moageira de vento em  moinhos ou munhos  tenham surgido na região vindos do litoral da foz do baixo Mondego onde se estabeleceu uma rede de povoamento fenício com fortes ligações ao comércio oriental. O Museu Municipal Santos Rocha da Figueira da Foz contem inúmeros materiais na coleção arqueológica escavados em Tavarede, cerâmicas de fabrico manual e os artefactos metálicos com influências orientais decorrentes do contacto com populações fenícias e gregos vinculados ao comércio mercantil correlaciono a herança dos moinhos de vento da Gândara ao  Maciço de Sicó trazida pelos mercadores da Rota da Seda  do  oriente, Afeganistão, onde ainda existem exemplares únicos no mundo. A Rota da Seda da China para o Mediterrâneo e daqui partiram para ocidente para fundarem assentamentos ao longo do litoral de Portugal, e na região centro em Tavarede e Ílhavo nos séculos se tenha perdido a vocação mercantil para se dedicarem à pescaria em Buarcos, sazonalmente  partiam para sul e na Caparica  viviam da pesca em casas feitas de arbustos, entre a Páscoa e setembro, praticando em paralelo uma agricultura de subsistência, seguidos na temporada com algarvios de Olhão, sendo comunidades diferentes, não se davam bem, os primeiros queimavam as casas para os outros não se servirem delas. Os que se encaminharam da Gãndara para o Maciço de Sicó deixaram testemunhos de moinhos cuja tipologia em geral de pequeno tamanho quase totalmente construídos em madeira, de formato irregular ao jus de um triângulo isósceles com um lado virado para o vento muito estreito em prol dos demais moinhos em pedra e cal de formato circular e fixos. O Moinho é concebido de forma a que a totalidade da sua estrutura possa rodar na horizontal com a força física de uma única pessoa, de forma a ajustar a posição das velas com a direcção do vento, em determinado momento. Característica que o diferencia da maior parte dos outros moinhos, nos quais apenas o mastro no telhado se movimenta para se adequar à direcção do vento. Para possibilitar a rotação o moinho era construído de forma em que apenas três partes móveis estão em contacto com o solo sobre duas rodas de madeira, ou em pedra as quais se movimentam em rotação na eira, um circulo de pedra calcária  pela força de apenas um home, o moleiro .A Mó, uma grande pedra ao centro do moinho serve de base para o eixo de rotação do moinho. Em Ansião também os chamavam de munhos.
Com a descoberta do Brasil em 1500 muitos judeus embarcaram levando a arte da moagem de grãos em moinhos de vento horizontais, com eixo vertical longo com seis a doze velas retangulares cobertas de esteiras de junco ou pano utilizados  assim como na trituração para o preparo de munições e nas indústrias de cana de açúcar, a que chamaram engenhos, nome em Ansião trazido por emigrantes do Brasil onde alguns enriqueceram  com o ouro verde- o café, para no regresso em Ansião dar este nome- Engenho a lagares e moinhos de linho .

Dia Nacional dos Moinhos a 7 de abril

A merecer preservação a tradição ancestral moageira  no uso do vento e da água herança dos  nossos antepassados.Recordo a  moagem do Sr Pires em Ansião, o moinho dos Olhos d'Água, as azenhas dos Moinhos João Serra , dos moinhos da Serra da Portela e do munho que existiu numa propriedade dos meus ais ao Escampado, na Costa, o alto cerro , em cima  o munho onde se acedia por escada de madeira. Só muito mais tarde encontrei ao longo do Nabão depois do Marquinho, Constantina, Fonte Carvalho e o moinho de Além da Ponte. Finalmente encontrei uma bela azenha no Ribeirinho, com barragem para segurar a água, finalmente os três moinhos que deram o nome ao Moinho das Moutas e claro outros desaparecidos e deles ainda vive na toponímia Segundo Maria Adelaide Mendes Simões, vive no Brasil, nascida no Carrascoso, a sua avó viveu nos Matos - Maria de Jesus Duarte, cujos irmãos tinham apelido Tojo. O seu pai com propriedades no Carrascoso uma das quais de nome alusivo a munhos ou moinhos de vento - Mato das Mós e outra do seu tio António - Outeiro do Moinho. .



O meu avô materno era o moleiro da Portela de S. Lourenço, e era conhecido pelo "João do Norte"
O teu avô tinha o moinho na Serra do Castelo e não no Monte de Ovelha. Penso ainda lá existir a base.Seria bom tentar construir um nesse local. 


O meu Pai e o meu Avô Manuel e Ze Godinho é que tiveram mesmo nesse sitio... Mas havia mais . Está ai tbem tipo uma caverna onde o meu Avô guardava a mula . Bem haja a estas pessoas que se preocupam com a história sim porque isto é história
O meu bisavô conhecido como Joaquim moleiro teve um na Serra dos Ariques, mas até hoje ainda não consegui localizar o local exacto...
Moinhos de vento no concelho de Ansião
Portela , serra do castelo e a caminho de macanicas 2 no monte das Relvas
Perduram exemplares recuperados pela autarquia de Ansião no Outeiro, Melriça e serra da Portela. Actividade intensa a moagem de cereais - trigo, milho e centeio em Ansião pelo menos da centúria de 300 com moinhos de água ao longo do rio Nabão desde a nascente aos Olhos d'Água ao Rebolo e no seu afluente a ribeira da Mata, desde pelo menos da Lagoa do Pito, Constantina e Além da Ponte, e outras possivelmente mais tardias Ribeirinho ao Casal Soeiro, um ribeiro que se forma com águas vindas do Cimo da Rua antes do Ribeiro da Vide houve uma atafona do Ti Miguel, zelador da Santa Casa da Misericórdia que a movia com o seu burro, até se chamava a quelha da atafona. 

Na Portela, Pousaflores
Já no concelho de Alvaiázere  existiram Moinhos de água, um deles foi dos Galileus, havia outro no Carregal dos Dias, junto ao lagar. 
 Pereiro na serra do castelo e Portela

Em Ansião curiosamente se chamavam Munhos de vento e de água 
Quer a moinhos de madeira ou azenhas de pedra. Os de vento edificados sobre uma pequena elevação artificial de terra, como conheci um na Costa, em Ansião e na ilha de Porto Santo semelhante. 


Segundo o Raul Manuel Coelho amigo das Cinco Vilas
Havia um grande Moinho num ribeiro que passa na quinta da Várzea, ao Avelar e outro na Rapoula.

Ao limite da freguesia de Pousaflores
A sul com Alvaiázere na Ribeira Velha, conheci as ruínas de um moinho de água da família do meu marido, e ao Painça, hoje Pensal na Mouta Redonda, encontrei Mós de xisto. 
Havia um lagar que tinha uma levada de mais de 2 quiloemtros que trazia a águade um monte a sul do Pereiro.Esquecidos dois munhos, no Monte das Relvas, a caminho de Maçanicas, que lhe chamavam os Moinhos de Vento.
A actividade moageira dos moinhos de vento ditaram o nome Pousafoles por ser local de descanso do fardo dos foles pesados com o cereal para os moinhos e na volta em os trazer com farinha.Mais tarde julgo por haver este topónimo para os lados do Espinhal foi alterado para o actual Pousaflores, em alegada menção a uma lenda da Rainha Flor...Actividade moageira jamais abordada na sua plenitude por investigadores ou historiadores, apenas abordagem aos moinhos de vento - em que o meu olhar curioso despertou para abordar a sua globalidade dos exemplares que apurei no concelho de Ansião e não só, desde há pelo menos uns 5 anos venho a distinguir além dos Moinhos de água desactivados e suas levadas, uns e outras nem sempre em bom estado, pese tenham sido moinhos a ditar a toponímia do Moinho das Moutas, a sua levada foi entupida, encontrei ruínas de moinhos de água, um transformado na Fonte Carvalho, moinhos de vento encontrei dois sítios na Costa. Pese as águas que alimentam o Nabão e ribeiras afluentes só correm durante o inverno, não invalidou no passado uma vida muito activa até aos meados do século XX, disso é prova o numero extraordinário de lagares, moinhos de água, em que também houve pisões e engenhos de linho e na centúria de 600 uma saboaria.

Ribeira da Mata 
Depois da Fonte Carvalho toma o nome de FRibeira do Açor onde ainda existem ruínas do que foi um lagar e pedras grandes onde as mulheres lavavam a roupa a que o povo chama Serrabino.
Já na Constantina existem ainda três açudes para elevar a água depois de passar pelo moinho voltar à ribeira. 

Na Fonte Galega não deslindei onde foram os moinhos.


Tamanha riqueza a merecer ponderação e ser revitalizada no seu todo e não pela metade.Deve-se investir na recuperação de moinhos de vento em paralelo com os munhos e moinhos de água em permitir potenciar imagem turística e cultural global de toda a herança e testemunhos do seu  passado.
O estudo da Academia EDU  abordou os moinhos de vento nas suas variantes e as eólicas em 2011.
A primeira vez que passei a caminho da Tocha chamou-e a atenção um pequeno moinho de vento igual aos que conhecia na Portela, arte em madeira de formato irregular que se estendeu ao Maciço de Sicó com pólos na vila de Ansião no Escampado da Costa, Fonte Galega e na nascente dos Matos para o Casal Soeiro, o que conheço. De água nas suas ribeiras - Ribeirinho, Olhos d'Água, Moinho das Moitas, Fonte Carvalho, Ribeira do Açor, Constantina, Além da Ponte, Moinhos João Serra, Marquinho e daqui até ao Rebolo.
Nas suas freguesias ainda hoje moinhos de vento em Santiago da Guarda, Alvorge e Pousaflores com moinhos de vento e de água que existiram ao limite do Pereiro e Ribeira Velha (Alvaiázere) Avelar moinhos de água e na quinta da Amieira na Serra do Mouro e Ribeirinho em Chão de Couce e nos concelhos limítrofes - Penela, Alvaiázere com azenhas em Almoster, Figueiró dos Vinhos azenhas na Ribeira d'Alge e,...Na região os moinhos de vento e de água aparecem com o povoamento  do povo árabe vindo da Galiza .
Fascínio percorrer caminhos em cenários ora debruados a muros de pedra seca com leiras de terra em chão de pedra calcária escalabrada,  onde irrompem cheiros a erva de Santa Maria para na Pascoa se vestir de lírios, rosmaninho, jacintos, orquídeas silvestres e madresilva a rivalizar a beleza imensurável das vistas que se contemplam aos miradouros, onde se sentem aromas quentes e a brisa dos ventos, onde o pôr do sol é de tirar o fôlego, se descobrem pedras esculpidas pela erosão entre  salpico de olival em paraíso de perdizes e perdigotos, ora em tempo de farta água desde a Lagoa do Pito, Ribeira do Açor, Constantina, Além da Ponte e Moinho das Moitas com  ruínas de  moinhos e munhos de água, e mais à frente no Nabão os moinhos João da Serra ,e  no Marquinho até à foz do Ribeiro de Albarrol, a necessitar que alguém lhes dê atenção e os dignifique na paisagem o valor do seu passado dignos de menção no presente!



Nos  Olhos de Água, em Ansião, o traçado do IC8 veio estrangular o espaço emblemático das nascentes deixando penedos acima do costado ,perdidos os testemunhos dos valongueiros , dos munhos e do moinho grande,  bem poderiam ter  coexistido na sua requalificação como a ponte de pedra e a eira, na proteção do passado que ali existiu e foi importante enquanto pólo de interpretação da actividade moageira e como funciona um moinho.





Açude aos Mourochões no Nabão

Há que saber tirar proveito desta beleza campestre que se apresenta em silêncios multifacetada com aragens que o bucolismo do musgo e fetos a cobrir carvalhos no inverno e nos Mourochões com as tamargueiras floridas em rosa pálido na primavera o seja em tempo farto de águas ou em  secura, com açudes a precisar de recuperação, as  poldras - fila de pedras altas que servem de passagem e ainda as pontes em pedra onde pode nascer a  escalada nas grutas do Calais, contemplação da vegetação crespa do costado mediterrânico da Mata da Mulher, as dolinas carsinas -  lagoa do Castelo, Escampado da Lagoa, Ribeirinho quase assoreada, entre outras, em franca companhia melodiosa em tonalidades várias da sombra de carvalhos centenários a deslindar troços de calçada romana onde persistem ruínas de pedra do casario da gente deste passado e nossa ascendente e suas heranças, com aldeias desertificadas - Escampado dos Calados, poços de chafurdo, outra herança em que a venda de casario em pedra a merecer atenção  na obrigação em  manter a traça e a estética do exterior, para não se perder a sua e nossa identidade tudo a acontecer em caminhadas turísticas e culturais do concelho de Ansião!

Recordar o ditado antigo"Quem um fole de milho carrega para o munho tem que trazer de volta outro de farinha" . Actividade moageira  no concelho de Ansião foi intensa desde pelo menos da centúria de 300 com moinhos de água ao longo do rio Nabão desde a nascente aos Olhos d'Água ao Rebolo, no seu afluente a ribeira da Mata, da Lagoa do Pito, Constantina e Além da Ponte, ao Ribeirinho ao Casal Soeiro, com as chuvas o ribeiro que se forma com águas vindas do Cimo da Rua antes do Ribeiro da Vide onde houve uma atafona do Ti Miguel, zelador da Santa Casa da Misericórdia que a movia com o seu burro, até se chamava a quelha da atafona. 

Moinhos João da Serra
Termo "munho" desde miúda em Ansião ouvia sem perceber o seu significado então associado ao Sr. António Bernardino também conhecido por " António dos Munhos" pessoa afável e assídua na nossa casa em tempo longínquo a desentupir os bicos do fogão Singer...O "Sr. Bernardino dos Munhos" que Deus tem,  partiu tão cedo e a sua esposa D. Lucinda foi para sua companhia este ano, ambos com tanto saber sobre Ansião que ficou por perguntar.  Afinal trata-se de alcunha do local que hoje perpetua a toponímia com o nome de Moinhos João da Serra.
A abertura da passagem de água dos munhos mostra-se semelhante a muita boca de fornos de cozer a broa com abertura em "V" invertido aventar herança visigótica continuada pelos judeus .
Alencar sobre a genealogia - João da Serra, apelido de Ansião (Josefa Serra casou em 2ªas núpcias com Belchior dos Reis, com provável origem na família nobre da Lousã que se ramificou na Ameixieira, Casais Maduros, Chão de Couce, Aguda , Escampado e pelo Mundo.
Uma tradição da região centro até arrabaldes de Aveiro em chamar munho às azenhas ou moinhos de água, e aos moinhos de vento que rodam à força de um homem, segundo me esclareceu na dúvida a minha mãe. 
Albergaria a Velha
Mesma herança de "um núcleo molinológico fora do comum e a evidenciar uma atividade proto-industrial com relevância, entre o final do século XIX e o início do século XX", com vantagem de terem água todo a ano à volta de 350.
Os munhos foram edificados junto de pequenas ribeiras ou ribeiros e nas serras- no Escampado da Costa tenho uma fazenda com a minha irmã  a extrema sul com o caminho do munho. Na ribeira do Nabão  onde perdurou o nome mais tempo. Encontrei alguns com levadas de água  que faziam o desvio da ribeira para o munho ou azenha. Num cortejo alegórico de Santiago da Guarda a fazer aguardente de ameixa disse-me um homem que a estes canais ou levadas se chamava- valongueiro, que entendi balogueiro, pela pronuncia, o seja o primeiro termo vindo com povoadores do norte, e faz sentido. Excerto de http://munho.blogspot.pt/2010/03/os-munhos-sao-moinhos.html « à medida que a água escasseava fazia-se o desvio da água fechando o curso normal da ribeira obrigando este a tomar a direcção da cale - em geral um tubo aberto em madeira para assim cair dentro do moinho, mesmo por cima do rodízio. O rodízio, situado na parte inferior é a peça fulcral de todo o engenho, é uma roda de madeira que, com a força da água, roda e ao fazê-lo faz movimentar o fuso, também de madeira, que nele está encaixado. O fuso, no seu movimento giratório, fazia, então, mover as pedras (as Mós) fixadas na sua parte superior e estas, por força do movimento imprimido, esmagavam os pequenos grãos que iam caindo muito lentamente da moega.  A moega, um aparelho de madeira em forma de funil cortado transversalmente, era onde se colocava o cereal e tinha na sua parte mais próxima das pedras, e adelgaçada, a quelha onde caía o cereal. Estava suspensa da moega e dela saía a taramela que tinha na ponta uma roda de cortiça, a qual, rodando sobre a mó, agitava o cereal, fazendo-o cair.O moinho fazia-se parar, impedindo a entrada de água para cima do rodízio, colocando no seu caminho outra peça de madeira: o pejadouro ou pejadoiro. O cereal posto na moega, quase sempre carregado pelos mais novos, era transportado em foles contendo, por norma, entre um a dois alqueires. Os foles eram sacas em pele de carneiro ou de cabra de grande impermeabilidade e resistência, que eram adquiridos aos “matadores” destes animais, quando atravessavam as aldeias, normalmente nas ocasiões mais festivas."
Moinhos João Serra
Na foto o moinho atrás maior que o da frente mais pequeno junto da ponte em lajeado com uma laje caída, merece melhor sorte em ser reposta.
Estes dois moinhos de água eram abastecidos de água por um vcalongueiro - ribeiro que conduz a água aos dois moinhos, aberto à força de mãos pelo povo do médio oriente que na sua Diáspora aportou à Península Ibérica e no consolidado Condado Portucalense na sua contínua migração de norte para sul se fixando por toda a região do concelho de Ansião e limítrofes. Souberam retirar proveito da parca água que só corre de inverno a meados de junho e com talento aproveitaram a inclinação do terreno em relação à ribeira principal do Nabão para elevar a água para os moinhos e depois de esta cumprir a sua função na moagem voltar à ribeira principal. 
Constantina 
A Ribeira da Mata depois da Ribeira do Açor ainda existem ruínas do que foi um lagar e pedras grandes onde as mulheres lavavam a roupa a que o povo chama Serrabino. Já na Constantina existem ainda três açudes para elevar a água depois de passar pelo moinho voltar à ribeira. 
Ao olhar da estrada o açude que dei o nome de véu de noiva deslindei desta vez um valongueiro para desvio de água que  atravessa a propriedade do "Fernando Paciência" para sul para servir o moinho num percurso a olho medido de 50 metros. De chapéu aberto na ponte privada  deslindei o moinho apesar da frondosa vegetação se mostra difícil de visualizar na esquerda com o leito da ribeira pela frente e a levada que lhe corre  acima vindo da direita com fraga abrupta para desaguar depois abaixo na ribeira.Tenho de lhe pedir autorização para noutro inverno entrar e fotografar!
Serpenteada em seu contorno em mais de dois anos de camioneta a caminho de Pombal para estudar depois do 25 de abril, sem jamais me cansar da imagem dos valongueiros de água para os munhos. Deleitava-me com os moinhos que gosto de chamar azenhas, das pontes de pé direito em pedra e dos açudes para reter a água em idílico espectáculo paisagístico inigualável ao fundo do quelho do Caniço aos Mourochões com as tamargueiras floridas em filamentos rosa pálido a beijar agriões floridos e mulheres a lavar as ovelhas para o ganho na venda da lã mais cara ao Ti Raul Borges, ainda assim outras por não a lavarem era um cheiro a cebum na casa onde ele a guardava no Bairro de Santo António na espera do negociante...Igualmente belo para mim o leito do Nabão sem pinga d'água com os agriões ressequidos...

Marquinho
Antes do Marquinho outro balogueiro que se encontra em paralelo ao Nabão com algum estrangulamento um pouco antes do Marquinho  servia o grande lagar que ainda lá se encontra.
 Neste último troço antes do moinho o valongueiro sem água com ponte pedonal
 
Jaz hirta no terreiro a Mó...
Outra assim exatamente igual encontrei no tardoz do que foi o lagar dos frades no Vale do Mosteiro
Ponte pedonal e ao fundo o Moinho
Serra da Fonte da Costa aos Escampados
A extrema de uma propriedade minha e da minha irmã tem como serventia a sul - serventia do munho que descobrimos após valente trovoada com relâmpagos na década de 60 em que um raio partiu um grande pinheiro e um pequeno incêndio. Em que descobrimos o morro de terra alto em formato redondo, que estranhei  a razão de ali estar para anos mais tarde o "António Arrebela" homem que conhecia a serra como ninguém, partilhar que em miúdo a corria com as ovelhas,  me dizer  - o morro foi feito pela força do homem para nele colocar o munho mais alto onde see acedia por uma escada de madeira, naquele tempo eram dois munhos de madeira assentes em morros que ali haviam
Percebi a razão do morro quando fui à ilha de Porto Santo onde distingui vários munhos assentes em morros de pedra.
Vila-baleira em Porto-Santo 

Há poucos anos voltei à serra da Costa em Ansião com a minha irmã e ao nos deparar na impossibilidade de caminhar pelo mato e silvas na única opção andar por cima de muros de pedra seca onde escorreguei no  musgo que cobre as lajes,  vivermos momentos inesquecíveis  em paisagem maravilhosa onde o verde se fundia com o azul do céu e nada mais se enxergava. Aventura pautada pelo sucesso em reconhecer os limites a poente da propriedade dando conta do palco onde esteve a eira do outro munho, este já não está no nosso chão, lamentavelmente foram roubadas as pedras para algum jardim, nem deve ser difícil saber onde se encontram...Teimosa voltei mais tarde por outro lado mais perto armada com a máquina, debalde nas imediações a queda de um carvalho frondoso seguramente com mil anos, infelizmente sem maleabilidade nem ginástica para  o ultrapassar, com fé  voltarei, e se conseguir aqui acrescentarei.
Miradouro da Costa sobre Ansião
Serranias dos Matos ao Casal Soeiro  em Ansião
Segundo a cortesia de uma amiga Maria Adelaide Mendes Simões que vive no Brasil, nascida no Carrascoso, a sua avó viveu nos Matos - Maria de Jesus Duarte, cujos irmãos tinham apelido Tojo. O seu pai com propriedades no Carrascoso uma das quais de nome alusivo a munhos ou moinhos de vento - Mato das Mós  e outra do seu tio António - Outeiro do Moinho. Seria interessante descobriu os sítios que pelo menos um deles seja de água do ribeiro chamado "Ribeirinho".
Na Fonte Galega não deslindei onde foram os moinhos.

Herança destes moinhos de vento e de água do médio oriente
Alguns exemplos mais antigos de moinhos de vento podem ser vistos na cidade de Nashtifan no Irão a 30 Km do Afeganistão,onde ainda estão em utilização.
A tipologia  dos moinhos ou munhos caracteristicos do Maciço de Sicó são em geral de pequeno tamanho quase totalmente construídos em madeira, de formato irregular em imitar um triângulo isósceles com um lado virado para o vento muito estreito em prol dos demais moinhos em pedra e cal de formato circular e fixos. O Moinho é concebido de forma a que a totalidade da sua estrutura possa rodar na horizontal com a força física de uma única pessoa, de forma a ajustar a posição das velas com a direcção do vento, em determinado momento. Característica que o diferencia da maior parte dos outros moinhos, nos quais apenas o mastro no telhado se movimenta para se adequar à direcção do vento. Em geral os munhos foram edificados sobre uma pequena elevação artificial de terra, como conheci um na Costa, em Ansião e na ilha de Porto Santo.Nas serras ou em zonas planas da gândara onde se faz sentir a nortada do mar. Para possibilitar a rotação o moinho era construído de forma em que apenas três partes móveis estão em contacto com o solo sobre duas rodas de madeira, ou em pedra as quais se movimentam em rotação na eira, um circulo de pedra calcária .
A Mó, uma grande pedra ao centro do moinho serve de base para o eixo de rotação do moinho.

Moinho de água afegão
A energia eólica tem sido usada desde a antiguidade. Os portugueses lançaram-se em oceanos para explorar terras desconhecidas graças à utilização de velas usando a força do vento. Também o vento levou a construção de munhos e moinhos para a moagem de grãos para produzir farinha, e nos leitos de rios se chamam munhos e azenhas.Julga-se que os primeiros moinhos de vento surgiram na Pérsia, possivelmente por volta do século 5 D.C. A tamanha semelhança  que existe entre estes moinhos e os da Pérsia dita a sua origem ao êxodo do povo judaico quando atravessou a Ásia na Diáspora de Israel a caminho da Europa que  trouxe consigo artes que acabaram por ficar perpetuadas em Portugal aqui na região centro em Ansião, Alvaiázere e Penela . Com a descoberta do Brasil em 1500 muitos judeus embarcaram levando a arte de moinhos de vento horizontais, com eixo vertical longo com seis a doze velas retangulares cobertas de esteiras de junco ou pano utilizados para moagem de grãos, assim como na trituração para o preparo de munições e nas indústrias de cana de açúcar, a que chamaram engenhos, nome em Ansião também dado aos moinhos de água grandes como o que havia nos Olhos d´'Agua, bem poderia ter  coexistido na sua requalificação com os ribeiros tresmalhados para outras azenhas, bem me  lembro ...
Segundo excerto de https://www.ufrgs.br/sieolica/hist.html "Existem controvérsias do início da utilização da força do vento pelo homem. Segundo Marschoff (1992), em torno de 3000 A.C. os egípcios iniciaram o uso do vento como forma de energia para ajudar os escravos na propulsão de seus barcos. Já para Tolmasquim (2003), pelo menos há 5000 anos eram feitas navegações pelo Rio Nilo, no Egito, utilizando velas.
Na idade antiga, os persas construíam moinhos de vento de eixo verticais utilizados para moagem de grãos. O moinho de vento persa era bastante rudimentar pela pouca experiência daquela civilização na prática do uso do vento. 

Na Europa, segundo Steadman (1978), até o século XII não se conheciam moinhos de vento. 
Tenha sido o movimento das cruzadas para o Médio oriente que os primeiros moinhos apareceram em Inglaterra, e outros foram aparecendo noutros locais, variando de região para região, de acordo com características geográficas e culturais. Dessa forma, certa evolução pode ter culminado no projeto de moinhos de eixo horizontal."
Moinho persa
Moinhos no rio Guadiana
Na minha visita a Serpa e ao rio Guadiana despertei para os moinhos com o meu bom amigo e arqueólogo Rhodes Sérgio . Em que se verifica a sua antiguidade pelo uso das paredes com contrafortes e em baixo uma cúpula. Em atestar a herança do médio oriente. Fotos retiradas do google.
Moinhos de água no Nabão
Nas imediações da  foz do Ribeiro de Albarrol no Nabão
Moinho com duas entradas de água depois da Foz do Ribeiro de Albarrol  cujo valongueiro  atravessa o caminho para servir o moinho que se encontra do outro lado do Nabão quando o vi há 5 anos estava limpo . 
O caneiro ou balogueiro de saída do moinho
Limite poente do Pessegueiro 
Nabão com um caneiro a nascente que se encontra desmoronado servia o moinho em ruínas
 

Serra de Janeanes
Prefaciar Miguel Torga Diário XI 
" O esqueleto de um moinho de vento a entristecer ainda mais esta paisagem desolada de paredes ressoantes, olivais mirrados e carrasqueiras agressivas. As rodas de pedra em que assentava todo o engenho, que assim podia ser adaptado a qualquer aragem, o ciclópico vigamento de carvalho que as unia, e as duas mós, suspensas no vazio, coladas uma à outra como maxilas defuntas. As velas voaram, o grão deixou de cair da moega, a fome mudou de rumo e da fábrica alada ficou apenas, à margem da estrada da vida, uma caricatura espectral. E é junto dela que penso noutros moinhos, que em vez do pão do corpo moeram pão do espírito, e de que só restam também carcaças semelhantes. Moinhos que, como este, tiveram destino, mas não tiveram futuro." 
Foto e o poema retirados de https://meioseculodeaprendizagens.blogspot.pt/2012/12/a-serra-de-janeanes.html
O moinho na serra de Janeanes no Rabaçal
Quando aqui vim fiquei impressionada com os eucaliptos, árvore recente no Maciço de Sicó , por os ver encerrados em courelas de muros de pedra seca , onde outrora se semeou cereal...
Outra visão do moinho de Janeanes
Moinhos na serra da Portela em Pousaflores
Moinho restaurado ao jus dos que existiram antigamente.
Em baixo a minha filha no abrigo do burro do moleiro


 
Moinhos do Outeiro no Alvorge
Moinhos do Outeiro
Troféu uma réplica dos moinhos do Outeiro no Trail Longo e Trail Curto
Santiago da Guarda
Réplica do moinho de vento carateristico da região de Sicó, em madeira, roda sobre eira de pedra, fez parte do cortejo alegórico das Festas do Povo de 2014 em Ansião.
O presidente da Junta de Freguesia de Santiago da Guarda nessa noite na Mata Municipal confidenciou-me que o iria colocar em local público-, promessa cumprida.
Boa escolha do cenário  que favorece a sala de visitas de Santiago da Guarda.
 Melriça em Santiago da Guarda

Monte Vez em Penela
Fotos retiradas de http//azinheiragate.blogspot.pt/ - Alvaiázere 2014 
Foto de um grande moinho julgo na Mata do Carrascal.
 
Eira de um moinho em foto de João Paulo Forte
Moinhos de armação
Moinho das Corujeiras em Abiul no concelho de Pombal
Foto tirada em Abril de 2007 de Armando Ferreira
Com armações em folha de Flandres
Restam apenas três moinhos nas Corujeiras, datados do século XIX, fazendo parte da história industrial da localidade desde então pela sua forma, que se  crê seja de influência norte americana, conta-se que foi um emigrante regressado dos Estados Unidos da América que construiu dez moinhos, destes apenas restavam cinco com caraterísticas específicas que fazem deles únicos na Europa, actuamente só três sendo um deles propriedade da Junta de freguesia de Abiul.

Segundo excerto de  https://www.cm-pombal.pt/ 
"Em 10.05.2017  o Executivo municipal aprovou por unanimidade um apoio de 4 mil euros para a Junta de Freguesia de Abiul, verba destinada à compra de um moinho nas Corujeiras.
A recuperação deste moinho será realizada posteriormente ao abrigo de um acordo de colaboração entre a Junta de Freguesia e o Município de Pombal."
Moinho de armação americano
Na região de Sicó só me lembro de ver um na quinta de Moçambique em Pussos nos Cabaços deve reportar à década de 30, quando o Arquiteto Raul Lino fez o projecto da casa do avô da deputada Dra Ascensão Cristas. Por não ter a foto mostro um igual que existe na quinta do Conde dos Arcos ou de S.Miguel, na Caparica.
Casal Novo em Quiaios na Gândara

Na estrada Nº 109 da Figueira na Foz a caminho da Tocha, onde se vai para as lagoas deparamos na beira da estrada  a poente com um moinho gandarez tradicional, tantas vezes me deixei a vê-lo ali a caminho do mercado da Tocha ao domingo, nas vezes que ali passei e foram muitas, de férias na Figueira, saudades...
Inexplicável, durante anos, para mim os moinhos localizavam-se em locais altaneiros, em contraste com o gandarez sito em zona plana, mas que sofre influência da nortada do mar.
Um dos poucos moinhos de vento gandareses tradicionais que restam nesta região. 
Foto retirada de http://visoesdagandara.blogspot.pt/2016/10/o-moinho-gandarez-do-casal-novo.html. Em agosto de 2018 passei na estrada com  ideia de o fotografar, quando me deparei com a sua quase total vandalização, que a JF devia manter a sua manutenção.
Moinho de água em Além da Ponte em Ansião
Actualmente julgo seja pertença da família Pires da Sarzedela .
Teve solar e capela instituída em 1696 com orago a S. João Baptista, segundo as Memórias Paroquiais Setecentistas. 
O valongueiro que servia o moinho de Além da Ponte foi estrangulado com o IC8 da ribeira da Mata, assim aparece referenciada nas Memórias Paroquiais, nasce na Fonte do Alvorge e toma a direção de Aljazede, Poço Menchinho, Fonte Carvalho, Ribeira do Açor, Constantina onde aqui vai de leito abundante para desaguar logo abaixo nas hortas de Além da Ponte no Nabão.
Em Ansião o último moinho a laborar julgo foi o dos Olhos d'Água do Ti Eduardo Dias, irmão da Prof. D. Laura Dias do Marquinho, onde também haviam moinhos mais pequenos alimentados pelas suas levadas.Recordo de encontrar o moleiro  na vila, na boleia da sua carroça a fazer a entrega dos taleigos enfarinhados às freguesas da vila.

Olhos d'Água em Ansião
No meu tempo de criança este belo local era mais apelativo com a ponte em pedra e os vários valongueiros que serviam as azenhas pequenas e mais abaixo havia um moinho grande com a roda de alcatruzes e um lagar a que se chamava engenho .Hoje após a requalificação apenas foi deixado este moinho...

Foto do saudoso Américo Antunes  retirada da pág Facebook

Cortesia para não se perderem as tradições de Ansião de um homem, verdadeiro amante desta terra pelos testemunhos e fotos deixados, sem os quais seria mais difícil manter viva a saudade e a paixão por Ansião.
Que descanse em Paz e nos sorria do Além com estas iniciativas a beber inspiração na sua obra.

Cortesia para não se perderem as tradições de Ansião
"A foto mais pequena data de 1968/69, em contraste com a foto da pintura do seu cunhado João Silva, também conhecido por "João Ferrero", inspirada no Engenho."
"O Lendário sítio do Engenho, perto do Relveiro e do "Olhinho", referência mítica da sua infância e juventude. O Engenho movida pela água fazia movimentar toda a maquinaria do Lagar do Sr. Fernando, onde brincou horas sem conta...
A ribeira corria cristalina, cantando entre pedrinhas e pequenos desníveis, o lagar fumegava anunciando o aroma jucundo ao azeite novo;nos moinhos ouvia-se o treco treco da pedra alveira moendo os grãos de milho que paulativamente iam caindo da caleira para o olho da Mó, e mesmo ali, junto ao engenho, havia o relveiro, esse local mágico de brincadeira e de sonhos.
Na foto vê-se o lagar do F. J. DA SILVA,que mais tarde foi do Ti Fernando Serralheiro, do lado direito corre a ribeira, e o relveiro começava ali onde o pessoal anda "de roda".

Na roda a Odete Antunes e as amigas que não sei os nomes, de calças, meados da década de 60 quando a CUF abriu em Ansião e começou a globalização...  

Hoje o sitio do antigo moinho e do engenho
Transformado em restaurante. Na requalificação foi demolido o Engenho e o Moinho, bem podiam ter permanecido no espaço a terem sido reabilitados, não chocava, antes engrandecia o local. Em Coja um lagar foi transformado em restaurante  que se mostra absolutamente maravilhoso conviver com mesas abaixo e acima por causa da vara e dos apetrechos... Igualmente assim belo outro requalificado na aldeia de Juízo em Pinhel.
Nos escombros enlameados perdi um chinelo, mas trouxe de souvenir uma pequena grade velha para recordação... A levada de agriões levava a água para a roda tradicional do Nabão com os alcatruzes foi reposta uma reprodução, pelos vistos colocada ao contrário, não funciona...

Moinho das Moutas e não Moitas
Disseram-me que  um moinho, ou possivelmente seriam os dois primitivamente pertença da família de apelido "Moita" do Escampado da Lagoa. Conheci a casa, que ainda existe onde moravam as minhas amigas da escola primária, a Arlinda e julgo Gracinda,cujos pais tinham emigrado para a Rodésia, Abílio Moita.Na verdade havia gente com origem nos Escampados que tinham propriedades na margem do Nabão, e defronte das Lameiras, mas mais a poente. 
Os dois moinhos de água a estar implantados nas hortas do Nabão e serem ainda hoje herança de gente do Casal de S Braz faz crer que tenham sido de umas velhotas a quem chamavam as Moutas viviam entre o Casal das Sousas e S Braz acima da lagoa cársica,  parece já não existe.Dando o nome Moinho das Moutas. Estes moinhos eram alimentados por uma levada de grande extensão que recebia água do Olho da Sancha e do Nabão dos Olhos d'Água para servir o Lagar de azeite do Sr. Duarte e mais três  moinhos. 
Beco às hortas do Nabão 
Onde nasceu o Lugar do Moinho das Moutas!
No final do beco um casario que outrora foi um moinho com data de 1864 segundo me confidenciou o meu compadre Fernando Moreira foi um lagar.
No século XX a levada foi entupida parcialmente para ser feita a estrada para a Lagarteira (hoje fechada pelo IC8), na altura a ponte sobre o Nabão era em madeira que se alongava para passar o caneiro mais a sul, ficando depois o valongueiro apenas a servir este Lagar de azeite.
Interessante constatar nesta margem a sul do Nabão foi em grande parte da família de apelido "Duarte" e "Tojo" com a casa dos pais da São Tojo Duarte cuja levada lhe passava à porta e no Carrascoso onde também houve munhos de vento eram de gente com os mesmos apelidos. Dita a tradição judaica da sucessão do mesmo ramo de actividade na família.

Os moinhos de água que deram o nome ao Lugar Moinho das Moutas
Julgo de donos diferentes pelas heranças (?). Este mostra-se descaracterizado pelo telhado moderno, ainda assim atitude válida para não ruir.

Saída da água de um moinho no Moinho das Moutas
Igreja velha na requalificação do Nabão
Sempre conheci esta pequena casa sem saber se no passado foi um moinho, porque nunca lhe deslindei o valongueiro, podia ter sido a saboaria que existiu em 1630...não foi avante pela queixa dos foreiros ao Mosteiro de Santa Cruz por se queimar muitos carvalhos cuja bolota era o alimento dos porcos.

Moinho de água no Ribeirinho (Ansião)
O ribeirinho que dá o topónimo ao Lugar forma-se com as chuvas e vai desaguar no Ribeiro de Albarrol. É provável que  depois deste moinho entre Vale Penela e Vale Perrim possa no passado ter havido outros moinhos, na toponímia existe o nome de Outeiro do Moinho e Mato de Mós.


Feito onde existe um declive no terreno pedregoso
Azenhas de Almoster em Alvaiázere
Já referenciadas em 1220 no Chão d'água a sul do lameiro de Santa Cruz, o único sitio de Sicó depois da seca extrema onde corre água, sem ser aproveitada...Como bem merecia!
Moinhos de água na Ribeira d'Alge aos pés do costado de S.Simão
O meu marido junto da levada (ribeiro artificial) de água da Ribeira d'Alge e a minha querida mãe junto de uma ruína de azenha ou moinho d'água.

                          
Broa
Recordo ainda o moleiro de Ansião enfarinhada na sua carroça a fazer a distribuição da farinha às freguesas. Noutros tempos a broa era o alimento que se comia todos os dias em muita casa, na minha comia-se pão fresco todos os dias da padaria dos meus avós patenos- Piedade e Zé do Bairro, mas via as vizinhas a acender o forno para a cozer com mistura, trigo e milho, gostava francamente do cheiro em fuso a deambular pelos quintais para logo ver a minha tia Maria de passo apressado ao adro da capela a caminho da casa da Ti Maria do Raul Borges para lhe levar o crescente...E muita vez fazia uma merendeira entalada com açúcar amarelo, azeite, uma petinga, chouriça,  o que tivesse à mão para nos dar.Os carolos da moagem mais grossa, os farelos usados na alimentação sobretudo nos mais velhos sem dentes, comiam papas de milho, regadas com azeite, mel ou leite de cabra, simples ou  com grelos se os houvesse na horta, e para as crianças num tempo que nada mais havia para os alimentar além do leite materno, e na falta dele, o das amas de leite.
Os Munhos, Moinhos e Azenhas produzem farinha o  apanágio associado a qualquer festividade da nossa história e tradições, além de matar a fome a broa e o pão, em dias de festas fazia-se iguarias;bolos e doces mais tradicionais da nossa terra, entre outros as merendeiras entaladas com o que havia-sardinha, bacalhau, açúcar, canela com  mel, chouriça- Pão-de-ló, Bolo de Noiva, Cavacas da Ti Matilde do Cimo da Rua

Lesmas, Formigos
Bacia do crescente da broa da minha coleção

Depois desta crónica tomei conhecimento de um trabalho na Academia EDU de Leiria sobre moinhos de vento e as éolicas em que não foi aborddao a sua plenitude por desconhecimento
https://www.academia.edu/30794285/Dos_moinhos_de_vento_%C3%A0s_torres_e%C3%B3licas_contextualiza%C3%A7%C3%A3o_do_aproveitamento_da_energia_e%C3%B3lica_no_%C3%A2mbito_do_patrim%C3%B3nio_natural_e_cultural_na_regi%C3%A3o_de_Sic%C3%B3
Moinhos de cana
Recordo com saudade no Bairro de Santo António ao cimo do quintal dos meus pais o Ti Manuel Maneira, o marido da Ti Olímpia -  mulher que levava o correio a pé borda fora pelo Pessegueiro, sentado no  banco de pedra corrido na soalheira da porta de casa a espiar o sol da tarde entretido a fazer moinhos de cana que dava aos cachopos..

Jornal Serras de Sicó  5 de abril de 2019

 “Testemunho e símbolo da cultura material que foi servindo várias gerações, os moinhos distinguem-se agora na paisagem em diferentes zonas do concelho, como é o caso da Melriça, do Outeiro e da Serra da Portela”, realça uma nota da autarquia, salientando que estes constituem “um inestimável património a valorizar”.

Ora, com o intuito de sensibilizar a população para a preservação deste património cultural, o Município de Ansião associou-se ao Dia dos Moinhos Abertos 2019, promovido pela Rede Portuguesa de Moinhos, com a realização de uma actividade, a decorrer na Serra da Portela, freguesia de Pousaflores.

O programa começa, pelas 15h00 deste domingo (7), com um passeio temático que pretende dar a conhecer “As Orquídeas Selvagens”, seguido de uma visita ao moinho. Já no edifício do Ciclo do Pão, Jorge Miranda, da Rede Portuguesa de Moinhos, vai abordar a história e importância do moinho e apresentar o projecto municipal para a valorização do território, intitulado de “Mountain Club Moinhos de Sicó”. A tarde termina com uma merenda, onde não faltará pão quente, cozido no local, e ainda um baile à antiga, animado pelos “Amigos da Gaita”.

Os interessados podem inscrever-se (através de 236 670 206 ou 236 672 025) ou simplesmente aparecer no local para participar nas actividades, que pretendem “dar a conhecer e desfrutar deste vasto património natural e cultural da Serra da Portela, também conhecida como Serra do Anjo da Guarda”, refere o Município de Ansião, que promove a iniciativa com o apoio da Junta de Freguesia de Pousaflores e da Al-Baiaz – Associação de Defesa do Património.



Graças  ao excerto enviado pelo meu amigo Dr. Américo Oliveira da Chorographia Moderna do Reino de Portugal" de 1876, aparecem referenciadas as azenhas e assim as credenciar.

Ansião
Moinhos das Moutas, Sarzedello, Constantino, Empiados, Bairro de Santo António.
Santiago da Guarda ,Casal João Funé, Noguim, Sta Anna, Marquinhas ou Mariquinhas, Val da Pia, Val da Boa Vista, Louriceiros, Val de Armada, Lagoa Posada ou Lagoa Parada, Alho, Casal de André Braz ou António Braz, Pia –Trevada ou Pia Furada, Melrissa ou Melriço, Mouta Negra, Mouta Santa, Venda do Basílio ou Venda do Brasil.
32 caldeiras de alambiques  de destilação, um forno de cal, 42 lagares de azeite, 45 de vinho, 72 moinhos, uma olaria, 55 teares de linho.

http://repositorio.ual.pt/bitstream/11144/3992/3/2018-09-03%20FINAL%20Gentes%20e%20Terras%20de%20Soure%20e%20Ega%20%281508%29%20Estudo%2
De meados de novembro em diante começava a «apanha da azeitona» do chão. Toda a família ia para o olival de manhã à noite e se o olival fosse longe, levava-se o farnel que normalmente constava de sardinha assada regada com azeite e broa.
A oliveira, que vegeta a custo na aridez dos terrenos mesozoicos dos montes de Quatro Lagoas e Degracias, e um pouco por toda a parte, justifica a laboração, na época própria, de algumas dezenas de lagares que fornecem ao consumo apreciáveis quantidades de bom azeite, muito disputado no mercado. (Santos, 1979). Se a azeitona pertencia a um patrão que contratava um rancho de pessoal para o trabalho, no final de toda a apanha fazia-se uma festa – a adiafa. Era o momento de agradecer. Os trabalhadores agradeciam a oportunidade de terem sido contratados (alguns vinham de muito longe) e os patrões agradeciam o trabalho realizado, normalmente, com um belo almoço. Comia-se, cantava-se, dançava-se e pedia-se para que a situação se voltasse a repetir no ano ou colheita seguintes. Ainda hoje se assiste à passagem e pastagem de rebanhos de ovelhas pelas bermas das estradas e caminhos dos campos do Mondego mas antigamente a «pastorícia»  era uma atividade considerável na região. Além de ovelhas e cabras, abundavam manadas de toiros bravos e cavalos que pastavam nas margens dos rios, das valas e barrocas. Os toiros negros metiam medo sobretudo quando algum se tresmalhava. Eram posse de lavradores abastados e deles provinha rendimento pela venda da carne e do estrume que os animais faziam. Já na zona serrana do concelho, o rebanho é ainda hoje, cenário frequente, razão da existência de algumas empresas de laticínios. Centra-se a nascente do concelho, grande parte da zona produtora do famoso “Queijo do Rabaçal” que tem nos pequenos rebanhos que retouçam nas freguesias de Pombalinho e Degracias a sua fonte de alimentação. […] Não existe aí, praticamente nenhuma família que não crie o seu pequeno rebanho de  ovelhas, cujo leite, misturado com o de algumas cabras, é misturado por asseadas mãos de camponesas, em queijos cujo peso raramente ultrapassa o meio quilo. É por alturas de Abril, quando a aromática erva-santa (ou erva de Santa Maria) recobre de boas pastagens a aridez dos montes, que esse tipo de queijo resulta mais castiço e apetitoso. (Santos, 1979). No decorrer do tempo de que dispunham, os pastores entretinham-se a construir flautas, cucharras – colheres grosseiras feitas em madeira, entre outras peças. No seu alforge – o saco que tradicionalmente o pastor costumava trazer consigo, andava também uma navalha que tanto cortava o naco de broa como torneava a madeira.
 era frequente passarem por esta região grupos de ciganos que se deslocavam em carroças puxadas por burros ou mulas e iam apanhando o vime com o que faziam cestas, canastras e cabanejos que iam vendendo pelo caminho. Abundavam nas margens dos rios e pelos campos, os salgueiros, os choupos e os amieiros. Atualmente, o vime ainda é trabalhado por um artesão, empalhamento de garrafoes e de garrafas e hoje can cestaria atividades artesanais que ainda se realizam no concelho, há a referir a «tanoaria», a «cestaria» e as «rendas e bordados».


 

Moinhos e Munhos de água e de vento na gândara ao Maciço de Sicó

 

A começo ao prefaciar José Mattoso (…) o estudo do passado local ou regional pode ser extremamente gratificante para quem procure conhecer-se a si próprio e ao mundo a que pertence e o de Georges Duby Acontece que o historiador descobre inesperadamente muito do que procura quando sai do seu canto e olha à sua volta.

No Livro de Testamentos do Lorvão  a disputa, entre o abade Árias, do Mosteiro do Lorvão, e Paio Halaf e Soleimão Afla. Em 1064 “o juiz Sisnando Davides pediu a Árias, que depusesse sob juramento na disputa entre o Mosteiro e aqueles proprietários sob os direitos dos moinhos de Forma. 

 

 Na foz do ribeiro da Sancha, nascia uma levada para lagares e os moinhos das Moutas. Logo abaixo destes nascia outra levada que passava abaixo da Ponte da Cal para o lagar da Igreja Velha.

O registo mais antigo documentado na moenga, na contenda de 1359, arquivada na Torre do Tombo, entre os almocatés (aferidores) e o padre com papel de procurador do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.

 

 

Dos pergaminhos da história ressaltam testamentos com contratos de fornecimento de água do velho poço ou da cisterna familiar a incluir uso aos parentes. Indicia o valor crucial da água que em tempo medieval era de grande importância para a população e sua sobrevivência.

 

 

Pese chão cársico de parca hidrografia, ainda assim foi de importância na economia local da população, na criação de animais; suínos, caprino, ovino e bobino, na produção de milho, na moenga, lagareira, alambiques, pisões e até na produção de sabão. Terra vermelha, com salpico de calhaus fragmentados e com grandes afloramentos calcários, a condicionar a atividade agrícola, em tempo medieval era conhecido por chão de sesmaria e baldios. O vale aquífero do Nabão a água da chuva escoa-se pelos inúmeros “sumidouros”, que se interligam a algares nas bordaduras do maciço. Não passa despercebido a quem for curioso os pontos de água que se localizam em ambas as margens, desde a Lagarteira com o poço romano de chafurdo Minchinho, o da Ameixieira, outros no Aqueidão, Lameiras, onde teve o tanque de chafurdo da Bica, as águas soltas nas Lagoas, etc.

Já as cisternas, para reserva de água, além de serem cobertas, fechadas e isoladas para não haver desperdício a se diferenciarem dos poços de chafurdo de onde lhe advém o nome, por no verão à medida que a água escasseia, desce-se a escadaria ou laje sobre laje, até se chegar ao fundo e chafurdar junto da mina e, dos poços, sem nascente, com paredes de pedra “insonsa”, por serem desprovidos de argamassa. Também conhecidos por “poços rotos”, ao facilitar a penetração das águas por entre as pedras.

Da herança dos romanos, temos a cisterna do Carvalhal o ….. e na vila tivemos em formato de poço empedrado pelo menos duas, sendo abastecidas com a água das chuvas que seria recolhida por regueiras, hoje se chamariam calhas – hoje apenas existe  uma em sitio catalogado de habitat romano, pese na altura não ter sido  objeto de estudo. Seria importante saber a sua origem- se romana ou mais tardia. No século XX, ainda recordo na vila de haver poços revestidos a cimento para reserva de água dos beirados, antes de haver abastecimento público. É possível que em locais de grande massa de pedra existam cisternas com “eira de poço”, cujo reservatório nasce a partir de um buraco natural cársico, a que se vedam as fendas com barro. A superfície em lajedo e declive para as águas embocarem na cisterna. Há anos distingui uma em Albarrol, que estava a ser reutilizada para fossa…

A crónica tem a missiva de chamar a atenção para uma lacuna do nosso passado que até ao momento tem passado despercebida a investigadores. A importância da água!

Mas, cuja realidade se foi alterando pela difusão de furos na captação de água até ao acesso à rede de água canalizada. Mas se não chove há plano B?

 

 

 

 

 

A conquista de Ceuta retrata o modo de vida dos mouros. Ora, se tinham sido expulsos de Portugal, os seus castelos foram tomados na reconquista cristã, as mesquitas usadas em igrejas ao culto da fé cristã, as casas de viajantes, vulgo estalagens ou albergarias, os banhos públicos, revividos na centúria de 600 do séc. XX, em milagres de fontes santas e no Nabão nos tanques de chafurdo, e os moinhos de água. A herdade de Ansião explorava a agricultura e a arte moenga.

 

Topógrafos na recolha de informação local ditou menção no mapa Moinho das Velhas - as velhas eram as donas dos moinhos, irmãs idosas, de apelido Mouta, viveram no Casal das Sousas, ao pé da dolina cársica, hoje assoreada. O topónimo ancestral Mouta na região em alguns casos perdido para Moita

 

 

e Serra dos Ariques, na extrema com Almoster.

 

 

As chuvas que se juntam ao alto dos Matos, formam um ribeiro que foi encanado na descida ao Barranco, que o povo aproveitou o palco para fazer casas e um lagar, ainda existe a boca de saída da água. Em dias de enxurrada era inundação certa, ditou a emigração dessas famílias para o Brasil. 

O ribeiro do Cimo da Rua, antes de chegar ao Ribeiro da Vide, teve uma atafona no quintal do Ti Miguel - o zelador da Cerca da Misericórdia.

O curso do Ribeiro da Vide a montante e a jusante é estreito, mas, no atual jardim com o mesmo nome, que foi baldio, mostra-se largo, do tempo que foi usado para represa de águas para servir a moenga na que foi a Quinta de S. Lourenço, cujas Mós, as recordo guardadas junto do vulgo mosteiro.

 

 

 

Em 1797, o senado de Coimbra estipulava “…os almotaces da cidade providenciassem a limpeza das ruas da cidade de Coimbra, por constar ao senado que elas estavam imundas e que se procedesse de acordo com as posturas que existem relativamente a este aspecto.” (o sublinhado é nosso) (AHMC, Atas da vereação, livro 68, sessão de 19 de Julho de 1797, fls. 151v.-152); essas imundices, que circulavam pelas ruas abaixo, que provinham dos detritos produzidos pelos açougues, preocupavam também a edilidade – “propos o procurador geral que do açougue do cabido se dirigem os sangues dos bois até a rua publica, no sitio da se velha e dai escorriam pela mesma rua e pela do Quebra Costas até virem cair na sota do Arco de Almedina, em prejuizo da saude do povo. Por isso se devia mandar ao cabido edificar o matadouro fora da cidade ou continuar o cano subterraneo pela rua abaixo do quebra costas até vir a entrar na mesma sota, para (...) acautelar a saude do povo…” (AHMC, Auto de correição, livro 69, sessão de 22 de Setembro de 1800, fls. 80-83v.).

Desconhecemos outras funções dos almocatés em Ansião, além da medição dos cereais.

 

 

Excerto de https://historiasdeportugalemarrocos.com/2014/02/22/a-conquista-de-ceuta/«A conquista de Ceuta em 1415 marca o início da expansão portuguesa em África e tem fortes motivações económicas e de estratégia local. A importância da cidade é confirmada por Al-Hassan Al-Wazzan Al-Fasi, conhecido como Leão “o Africano”, que afirma na sua obra “Descrição de África” que Ceuta tinha 1.000 mesquitas, 360 casas de viajantes, 22 casas de banhos públicos e 103 moinhos.» 

 

Curioso, jamais se especulou a razão dos moinhos de água não terem sido sediados ao longo das margens do Nabão – o vale do Nabão, com o topónimo Porto Largo e Lameiras, compreendia então o Paul de Ansião - zona alagadiça que nos séculos foi sendo seca pela ação do homem, com encanamento de pequenos ribeiros para escoar águas. Hoje, ao Fundo da Rua, existe pelo menos um prédio com bombas ligadas para retirar água.

 

Impressionante a técnica ancestral de encanar ribeiros, para maior aproveitamento de terra arável agrícola. Reconhecem-se pela boca de saída em formato quadrado. Localizei quatro; Barranco, Ribeiro do Cimo da Rua na foz ao Ribeiro da Vide, Ribeira do Açor e no Escampado de S. Miguel.


Já a das minas na serra de Nexebra e a do Jardim, na Sarzeda, foi usada para consumo doméstico, lavagem de roupa e rega por levada, em horário concertado; Pereiro, Mouta Redonda e Sarzeda, em Pousaflores.

 

Na crónica de Pousaflores de Alberto Lucas Afonso - um padre católico da Galileia viveu no Monte das Canas com uma serviçal e dela teve um filho de onde descendem os que alcunham de galileus de apelido Dias. Havia por ali ruínas de um forno com uma pedra inscrita 1695, que seria da capela primitiva a S. Caetano, onde celebravam o culto.

 

com origem da Europa do Norte e de Leste istem na Galiza, Gândara, Figueira da Foz, Ansião, Alvaiázere, Rabaçal e Penela

 

A moenga foi menção no Foral de Ansião em 1514 “E pagua -se mais aa ordem ho dizimo dos muinhos do que Rendem paguo primeiro ho dizimo a Deus”.

 

Em 1758, o Padre Manuel Caetano de Carvalho “há na freguezia da Lagarteira hum piqueno arroyo, a Ribeyra do Assor,  uma moderada fonte chamada do Carvalho ; no estio está seca, porque já no auje do verao, e experimenta diminutas as suas correntes; na sua corrente há moynhos, e também lagares, que andarão no inverno, e parte do verão. Vay este arroyio metter na distancia de tres quartos de legoas já com mais algum cabedal mendigado, se lhe unena Ribeyra de Ansião”.

 

Bem antes, o convento de Celas em Pousaflores refere os Casais ou Prazos, com o nome do foreiro - em 1626 a sexta parte de um casal em Pousaflores que foi de João Dias. Apelido com origem num padre da Galileia que viveu no Monte das Canas, entre as atuais Portelas

 

Foram abertas levadas para canalizar a água encadeadas com estruturas hidráulicas; açudes e comportas

 

a poente de Pousaflores, preservado, não sei se particular ou da Junta de Freguesia

 

Na Chorographia Moderna em 1876 eram vivas em Ansião: 32 caldeiras de alambiques  de destilação, um forno de cal, 42 lagares de azeite, 45 de vinho, 72 moinhos, uma olaria, 55 teares de linho.


O moleiro até então para exercer o seu ofício tinha de prestar juramento, senão sofria coimas


FONTES
Miguel Torga Diário XI
https://meioseculodeaprendizagens.blogspot.pt/2012/12/a-serra-de-janeanes.html 
https://www.cm-pombal.pt/ 
http//azinheiragate.blogspot.pt/
https://www.ufrgs.br/sieolica/hist.html 
Foto retirada da página do facebook de Odete Antunes 
Testemunho de Maria Adelaide Mendes Simões
Testemunho da São Tojo e de Fernando Moreira 
https://vilanovaonline.pt/2017/11/19/azenhas-moinhos-acudes-no-vale-do-ave-historia-cultura-patrimonio-inovacao-ii-parte-origem-sec-i-c-iv/

4 comentários:

  1. Excelente comentario. Espero que este seu contributo em prol do patrimonio ajude a acordar as mentalidades.

    http://www.academia.edu/30794285/Dos_moinhos_de_vento_às_torres_eólicas_contextualização_do_aproveitamento_da_energia_eólica_no_âmbito_do_património_natural_e_cultural_na_região_de_Sicó

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  2. Caro João Paulo Forte bem haja pela cortesia e pelo elogio ao post.
    Agradeço o envio do link do seu estudo que desconhecia, vou ler para o ano, estou de partida para Ansião, onde não tenho net. Porventura vou encontrar informação de mais valia que acrescentarei. O seu lema e o meu que sou autodidata é dar a conhecer o que gostamos do Maciço de Sicó.Como sou da idade da sua querida mãe, tenho memórias que guardo e junto, para não se perderem.
    Boas Festas e boas pesquisas
    Um abraço
    Isabel

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  3. Gostei muito de todo o artigo. Parabéns ao autor.

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    1. Caro Oceano Pacífico bem haja pela cortesia da visita e pelo elogio à crónica.

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