Publicação em janeiro de 2026 no Jornal Serras de Ansião
Lamento a perda das fotos, que irão ser mais tarde publicadas.
Crónica dedicada ao périplo de três amantes do concelho de Ansião; o Dr. Leonel Morgado o primeiro que partilhou culturalmente nas redes sociais, um belo exemplar de um poço de chafurdo em Soucide.
À Sónia Barros, de Santiago da Guarda, participante de caminhadas, sôfrega em angariar cultura concelhia, a cortesia em facultar as coordenadas para descobrir o poço, pelos tópicos; lagar velho, bois no pasto e tratores com depósitos a encher água.
Feliz localização na minha primeira vez em chão desconhecido onde encontrei o Sr. César de Soucide, homem de silhueta alta, seco de carnes, e doces olhos azuis, nos preparativos para se ir embora já com o depósito cheio no seu trator, se mostrou anfitrião, que orgulha a sua terra, na tabelada conversa a fascinação à alta cota de água, num verão seco, a bonita escadaria, a esbarrar na adulteração do interior do poço com manilhas...
Nato humilde sedutor confessou que não passou da 2ª classe, até disse o nome da Professora de Ansião...deixou a escola aos 14 anos, como bem o compreendi... revelou cabal potencial no discurso assertivo e generoso em querer partilhar mais informação cultural, sobre outro poço mais acima a uns 200 metros. A que respondi havia de voltar mais tarde com mais tempo, eis que eficaz me presenteia ao se mostrar livre para o poder ir mostrar. Não tinha como aceitar tamanha simpatia na partida a caminhar com paragem ao gaveto do talho da sua horta onde enalteceu a formosa couve galega para o aferventado, andantes a saborear galhos de uva moscatel roubados... Chegados ao alto da pequena ladeira a brutal alteração panorâmica numa mudança radical da paisagem salva do último incêndio, aberta a beleza ímpar infinita de contrastes verdes e sombras, pena esbarrar no telhado do tanque de lavar roupa, de chapa, que destoa, sem análise ao enquadramento histórico do local, merecia telha tradicional, remata o Sr. César à minha indignação...obra para fazer vista na campanha eleitoral...
Vistosa lagoa cársica debruada a paus de madeira tratados a ladear o Caminho de Santiago de Compostela, defronte do ancestral poço de chafurdo, requalificado em fonte com roda de ferro nos anos 60, do séc. XX. Alindado com terraplanagem pelo tardoz e ribanceira a sul ao frondoso carvalho cerquinho e da mesa de piquenique. Junto ao rebordo norte da fonte abre-se um buraco onde deslindei à mistura cantarias, alvitra sejam dos degraus cimeiros da escadaria do poço de chafurdo. Em nota negativa revela a instância que mandou fazer as obras, total desconhecimento cultural à arquitetura da água, património cultural ancestral no territorial Ladeia, a merecer ser despertado e valorado. No direito de cidadania, deve a Junta de Freguesia avaliar o cenário exposto e proceder à remoção das manilhas do primeiro poço identificado , e em ação de mãos dadas com a missão autárquica, a sugestão naquele local investir ao adquirirem as hortas em pousio no seu redor dotando o espaço com infraestruturas para continuar a servir a população na falta de água de verão, e poder abraçar uma piscina pública, pela fartura de água e acesso rápido ao IC8. Local esplêndido, aprazível, desembargado para parques de estacionamento, de merendas, para crianças brincarem , e para ansianenses e os de fora todos poderem confraternizar, e descansar em franca harmonia e deleite, desfrutando da sua beleza idílica e das águas, em terra cársica, um luxo!
Clama ainda a via romana XVI, militar ou de Antonino, no seu corredor vindo de norte, de Conímbriga, na derivação na Fonte Coberta para o Alvorge, e Santiago da Guarda, não continuava pela Estrada, e sim por Soucide, Vale de Boi e Ansião. Prova cabal são os dois poços referidos, que devem merecer aposta camarária de voltarem ao seu estado primitivo, por se tratar de património ex-libris a merecer aposta turística que honra a Pré- história na Ladeia, terra cársica, de parca água no verão, eleita com poços de chafurdo, fontes de mergulho e torres, na sua defesa e proteção, ao serviço das rotas peregrinas pagãs, vindas do litoral para o Levante, e vice versa. Nos portos de mar de Alfeizerão e Tavarede e nos portos no rio Mondego; Santa Olaia, Montemor o Velho e quiçá Conímbriga, pelas argolas de ferro cravadas na sua falésia poente, quiçá ancoradouro, mais dirão as novas investigações em curso. Aportou gente adventícia vinda do mundo, cujos genes permanecem em todos nós pelo menos uma costela. Rotas que nos séculos se foram alterando para a nova fé cristã, de que o Caminho de Santiago de Compostela premiou o concelho de Ansião, no coração da Ladeia, e não Sicó, a serra que se fina aos Ramalhais no concelho de Pombal.
A crer, rota iniciada antes da nacionalidade, iniciada por cavaleiros germânicos fundadores dos pioneiros hospitais peregrinos, à laia o que existiu no vulgo mosteiro, em Ansião, implantado num complexo ruinal romano, classificado em 2010, a ação misericordial foi a sustentação à fidelização do topónimo de Ansião, mas hoje muitos ainda abonam erradamente à Rainha Santa Isabel.
Enaltecer a Câmara de Ferreira do Zêzere como a de Alvaiázere, o esmero dedicado à preservação da traça ancestral de várias fontes de mergulho.
Ansião esclarecida por mim há anos, debalde nada fez, sem jamais valorar nem premiar a investigação!