sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Ecos ao passado da Sarzedela, Ansião

Resumo publicado em agosto e setembro de 2024 no Jornal Serras de Ansião

1ª Parte

Fiz aprendizado em anos nos meandros da investigação a destrinçar o trigo do joio, porque nem tudo o que parece o é, mesmo que tudo indicie o seja, persistencia e "calo" a elevar o conhecimento à triagem como a disciplinar o texto, por vicios do exercicio laboral profissional, à laia do pensamento de Duby; Tentar alcançar um grau académico, escrever e publicar um livro, não é praticamente nada, se não estivermos perante o nosso trabalho em total envolvimento existencial com a História o que faz, o prazer do historiador acontecer!

Começei há anos a deslindar o rico passado da Sarzedela.

Pesquisa de anos de bibliografia inédita, dedicada ao saudoso e estimado colega do meu pai - Sr. António Paz, mui afetuoso nas minhas visitas em criança ao Tribunal, jus a sua querida filha D. Augusta, extremosa a cada encontro, colegas no Externato, Celeste Marques, Cátia Simões, Pedro Silva, Tita, “Ti Emília Santana e Ti Carmita da quinta”, Helena Pires, mana de coração Fernanda Paz, Joel, menino-prodígio, e a todos que amam a Sarzedela. Cujos testemunhos foram contributo à triagem, filtro, e a limar dados enviesados. Ainda enaltecer as manas “Manguinhas”; amistosa, bondosa e sábia Augusta, Lurdes, Fátima, em aclamação à Isabel, o gesto altruísta em 1971, à laia da Rainha Santa, desafiou regras, assumiu o perigo, e destemida, facultou-me o seu rascunho, no exame de matemática do 2º ciclo, em Pombal, a validar a minha dispensa à oral. Ato de valor creditício, sem rival, a põe no meu coração, no altar do concelho!

A escritura da Quinta das Alagoas (Lagoas) em 1176, limitava a norte com a água da Sarzedela – um Lugar de termo, da Paroquia de Santa Maria de Ansião, com outros, eram pertença da Comarca de Coimbra - um território maior, que a herdade de Ansião. 
Em 1627, as memórias paroquiais referem capelas na Sarzedela, ao Espírito Santo, e São Silvestre, «pegado ao dito lugar – esta foi deslindada a sua ruína, no cimo do outeiro entre pedras, a pedido do Sr. Padre Manuel Ventura Pinho em 2016, a um jovem que fez a casa a norte e a poente, onde se suspeitava tinha sido a capela de S. Silvestre, mobilizou amigos para roçar o mato onde encontraram os restos de paredes. Não se sabe quem a instituiu, nem se chamou viandantes do ramal medieval: Fonte Coberta, Junqueira, Freixo, Netos, Areosa, Gamito e Sarzedela - a estrada real, viva na voz do povo, atestada a sul na Freixianda na Póvoa e Granja

Estrada real vinda da Areosa ao Gamito 
                                          
Cruzeiro na sala de visitas a norte da Sarzedela
Marco simbólico de cariz religioso da fé Cristã  sobre pedestal redondo em degraus que nascem mais largos na base evoluindo em graciosidade menor para encaixe  da Cruz em trevo.
Sita a norte da Sarzedela, em pequeno largo entronca com a estrada principal e o caminho para o Gamito ,  Areosa , antiga estrada real.
Não sei o apelido da familia que morou neste casario ao Cruzeiro.
                                
A sul da Casa da Câmara na beira da actual estarda, antes caminho, foi a estalagem imortalizada pela morada do “Ti António da estalagem”, que era servida pela estrada real. 

A Rua da Quelha do Melro 
Toponomia à alcunha de tez escura; moura ou "parda" do Brasil, trazida nos meados de 700, pela Casa de Pereira, para secar paules nas suas terras entre Montemor o Velho e Ansião.
                                

O nº 9 dos Cadernos de Estudos Leirienses no Numeramento Geral do Reino, de 1527

A vintena ou concelho da Sarzedela 

Surge pela primeira vez nos livros da receita e despesa da Câmara de Coimbra no ano de 1626, com valor de 500 réis, igual à de Ansião, neste mesmo ano, com Lousal, Casal da Pedra, Caniço, Anacos, Moinhos, Matos, Empoyados, Cazais, Carrascal, Fonte Galega, Machial, Carrasqueiras, Ribeira do Açor, Rio Torto, Netos, Constantina e Ariozas. Desaparece no ano seguinte, e em:1637, 1639, 1645, 1647 e 1672.

Instituída a norte, na casa de sobrado e janela de avental, sem quintal, adoçada ao que foi o curral do concelho. Em crer, a prisão e a forca, foram sitas a sul, em barracões, cujas ruinas persistem. 

Após a sua extinção, a Sarzedela integrou em 1875, a Comarca de Ansião. 

Em 1908, a sala ampla da Câmara e do Tribunal, foi dividida a tabique para morada dos avós maternos da minha querida amiga Celeste Marques, onde nasceu. Estimo o seu querido avô – José Freire Neno, do Escampado de Santa Marta, avoengo do estalajadeiro em 1736, no Bairro de Santo António, Manuel Freire Neno, do Escampado de S. Miguel, genealogia a desenlaçar por especialistas.

A Casa da Câmara da Vintena da Sarzedela

                          
Foto postada pela minha amiga Celeste Marques na sua Página do Facebook  a  16.07.2016 
Criança com a sua querida mãe, na frente de casario antigo de sobrado com janela de avental, com a sua querida avó materna à janela . 
A casa resiste de pé, herança de muitos e alguns radicados no Brasil.
                               
A notícia em 1721, sobre a Sarzedela
Memórias paroquiais (...) 144 vizinhos com 550 réis  a sua juradia até 1740. Em 1747, o Padre Luís Cardoso «são Termo da Cidade de Coimbra: a Sarzedella e com os Lugares do Termo da Villa, fazem quatrocentos e cincoenta fogos».

Excerto da Memória do tempo e presente para lição dos vindouros 
Sobre a quadrilha de salteadores . Impresso em Lisboa na Megia offictna typographtoas .
" No ano de 1802 — 4, 14 para 15, 20 (dois crimes neste dia), 23 e 31 de janeiro.
D — Noite de inverno, n — 2 e 2 para 3 de fevereiro.
E cinco datas totalmente incertas, isto é, sem dia, nem mez, nem amio designado.
Não se creia porém que está tudo dicto acerca das maldades da quadrilha.
A sentença depõe 1." de que alguns crimes foram descobertos ao acaso, isto é, por occasião de se investigar do outros que eram conhecidos
2.° e de que por esses mesmos de que ella se occupa, e porventura por outros mais não houve em tempo competente o menor procediínent o judicial .
Todas estas maldades se practicavam á vista das auctoridades publicas, cuja inércia somente pode explicar a existência e persistência do bando.
A sentença dá testemunho de que uma pistola havida pelo crime a tinha adquirido o escrivão da caudelaria, por compra, termo talvez empregado adrede para o salvar do crime de receptação e acoitador.

No  anno de 1803 
A tradição de que nos princípios d'este século houvera nas suas vizinhauçaa uma grande quadrilha de malfeitores, que, alem de outros crimes, perpetrara um assalto de casa e roubo (e até morte se accrescentava, mas não é verdade) no sitio do Calhabé a 2 kilometros na actual estrada do Alva ou da Murcella), e que, sendo por tal motivo muitos d'eliea Junho 25 José de Campos, de 31 annos, do Espinhal, juncto de Penella, solteiro, sapateiro, chefe da quadrilha.  Manuel Fernandes Figueirinhas, 30 annos, de Pousafolles, termo de Miranda do Corvo, casado, almocreve. Martinho Soares da Costa, de 26 annos, de Escarigo, juncto de Castello Rodrigo, solteiro, cigano. António Gomes (pae), 54 annos, natural de Constantina, concelho de Sarzadella, comarca de Coimbra, casado, trabalhador. anuel Rodrigues Monteiro, de 35 annos, natural dos Palhões, termo de Montemór-o-Velho, viúvo, tanoeiro. José dos Sanctos Carvalhinho, de 40 annos, do Espinhal, casado, alfaiate. Francisco António Guedes, de 29 annos, fílho de um cirurgião, de Socaes, termo da villa de Lamas de Orelhão, desertor da brigada de marinha. José Joaquim de Sousa, por outro nome José Cardoso, de 27 annos, de S. João da Pesqueira, desertor do regimento de Penamacor."

"SERIE DE DELICTOS

Mortes 4 - Assaltos e roubos de casa 6 - Assaltos para roubo de casa, frustrados 2 ; Roubos de estrada 5; Roubos em feiras 3; Roubo com arrombamento em loja desabitada 1; Roubos sein ser em estrada:
Roubos em adecras 2 ; Roubos de bezerros e éguas no curral, e nos campos de Coimbra,Formozelhe e Sancto Varào 4 - Espera sem effeito para roubo de estrada ao norte de Coimbra, depois realizado ao sul 1 Furto simples 1 Resistência 1 - Tirada de presos 2 - Ferimentos em nove victimas 9 - Estupro violento 1 Tentativa de estupro violento 1 - Ataque ao pudor 1 Lobo defronte da estalagem de Francisco Nunes, logar em que elle perpetrou a morte de António Correia do Offensas corporaes com chicote e espancamento em diversas victimas 5, Injurias ás victimas, porte e vso de arinas defesas e pequenas cousas uào merecem conta, nem menção.

LOGABES

Foram estes crimes perpetrados nos sítios ou togares seguintes: Adega no sitio da Cheira, aros de Coimbra. Aluialaguez, teimo de Coimbra. Braçal, termo do Rabaçal. Calhabé, subúrbios de Coimbra. Casal de Sancto António da Ribeira, termo de Revelles.Campos de Coimbra a Montemor (diversos sítios). Constantina (Feira da Senhora da Paz), termo de Sarzedella, comarca de Coimbra. Copeira, subúrbios de Coimbra. Estrada real, juncto a Alcabideque. Feira de IS. Bartholomeu, de Coimbra. Fonte Gallega, termo de Sarzedella, comarca de Coimbra. Lameira das Poldras, limite da Viila de Cabra. Lapa do Lobo. Loja juncto á egreja de S. Bartholomeu (Coimbra). Nabainhos, termo de Gouveia. Nazareth{Feira) termo da Villa da Pederneira. Patòes, concelho de Legação, comarca de Coimbra. Rebolhinos, concelho de Alva. Sancto António do Cântaro. Sitio da Vinha, juncto da Anobra,
concelho de Coimbra. Sitio da Ponte do Curro, na estrada de Louçaiuha, termo de Penella. Sitio das Calçadas de Coimbra (estrada de Lisboa).Sitio fronteiro a Villa Secca, na estrada de Coimbra para Chão de Lamas. S. João de Tarouca.Venda do Peste (na Charneca de Pombal). Venda do Atalho, Ansião (Ribeiro da Vide).

DATAS

Quanto ás datas dos crimes, estas constam da sentença.
1799 — Dia incerto de janeiro. Amaral; a de Figuelrinhas no sitio da Cruz dos Mourouços, como centro da união desta infame quadrilha 
1799 — 23, 23 para 24 (assim, intenda- se sempre pela noite) e 24 para 25 de abril.
1800 — 16 de fevereiro. » — 25 de outubro.
1801 — 1 de fevereiro. » — 11 p;ira 12 de abril. . — 27 e 29 de junho. » — 24 para 25 de agosto.
» — 6 para 7 de setembro, » » — 13 de novembro. » — 18 para 19 e 30 de dezembro. »
Dia incerto de dezembro,
1802 — 4, 14 para 15, 20 (dois crimes neste dia), 23 e 31 de janeiro.
D — Noite de inverno, n — 2 e 2 para 3 de fevereiro.
E cinco datas totalmente incertas,isto é, sem dia, nem mez, nem amio designado. Não se creia porém que está tudo dicto acerca das maldades da quadrilha.
A sentença depõe 1." de que alguns crimes foram descobertos ao acaso, isto é, por occasião de se
investigar do outros que eram conhecidos; 2.° e de que por esses mesmos de que ella se occupa,
e porventura por outros mais não houve em tempo competente o menor procediínent o judicial .
Todas estas maldades se practicava á vista das auctoridades publicas, cuja inércia somente pode
explicar a existência e persistência do bando. A sentença dá testemunho de que uma pistola havida pelo crime a tinha adquirido o escrivão da caudelaria, por compra, termo talvez empregado adrede para o salvar do crime de receptação e acoitador. Com effeito, apsim como nas quadrilhas hailavtes ha pares dos dois sexos, também nas quadrilhas que secevam nos direitos do cidadâo ou do estado, com ofiPensa da lei e da moral, ha pares de duas ordens, os milifantes e os auxiliares ou officiaes e officiosns, sem que, dada a essência, importe a forma, ou se tracto de saltear ou de construir a estrada publica, ou de assaltar o domicilio, ou a urna eleitoral, ou de impor o jugo do tributo de sangue ao que o nâo deve, ou de eximir d'elle o devedor, ou de metter a mão nas algibeiras do cidadão, ou nos cofres do estado, ou dos bancos das companhias, ou ainda dos estabelecimentos de piedade,ou de administrar a fazenda publica, egualando-a a roupa de francezes ou a pao do nosso compadre, ou de a converter em ganânciaindividual, e assim ..."

" de Soares do sitio da Feira da Paz, concelho de Sarzadella, onde a mesma quadrilha practicou os
escandalosos insultos, que ficam recontados, diz a sentença, de certo no intuito do estupro violento,
practicado ahi pelo réo.
Foram alem de condemnados em penas pecuniárias desde 20;5000 a 200;
000 réis para 08 despezas da Relação, já se sabe, e junctamente cora os cúmplices de menores penas
também nas custas do processo  "
Retrata a Feira da Senhora da Paz, e não Feira dos Pinhões…

A Rua da Quinta atestada a nascente
                                        
A norte, na frente da estrada
Uma casa corrida de sobrado, requalifiacda, ainda ostenta no r/c um a ferragem de 700, encimada por Cruz. 

                                                     
Logo a sul da Rua da Quinta, quiça foi a quinta da Togeira, que existe logo a sul como é toponimo no Avelar e na Nexebra, recuada da estrada está uma ruína de sobrado, adoçada à morada de apelidos italianos: Patrício Parola, aportados para ensino do ciclo da seda. 
Graças ao testemunho da “ D. Carmita da quinta”; a casa teve varanda em grade de pedra, como a da Quinta das Lagoas e outra no tardoz da capela da Constantina, foi de gente muito rica, a criada não dava nada aos pobres. 
Arquitetura setecentista da arte de lavrante regional, com beirado triplo; a chamada eira, beira e tribeira, 3 janelas de avental, bancos namoradeiros, concavidades nas paredes, uma exibe cantaria no lintel. 
O palco da capela ao Divino Espírito Santo, só podia ter sido aqui, instituída pela “antiquíssima e nobilíssima Caza da família Mendes de Vasconcelos”. 
Como estimo foi morada da Sra. D. Maria Leonor de Vasconcelos, natural da Sarzedela, casada, filha de Nicolau Subtil de Carvalho e D. Isabel Maria da Paz Mendes de Noronha e Menezes. 
Em 1771, ingressou na Ordem Terceira de S. Francisco, em Coimbra. 
Sendo desconhecida a razão, como a situação futura da quinta, a modos aclarada nas cartas dos manos Azeredo Coutinho, da Casa de Pereira, no arquivo da Univ. de Coimbra; “ em 1776 das trez fazendas compradas ao Snor. Marquez (Pombal) em Ancião, huma terra sita acima da Quinta de Ansião. Hé pois necessário que determineis o género de cultura a que quereis aplicá-las. O meyo de fazer ali grande rendimento hé o de pôr amoreiras; pois hé sítio muito próprio dellas. A pôr amoreiras não devem ser aos centos, porque nenhuma conta faz armar fábrica para criaçoens tão insignificantes. Hé necessário pô-las aos milhares. Ahi se podem pôr quatro, ou sinco mil, ou mais. Tem a grande conveniência, de que não embaraçaõ a sementeira do milho, e não custaõ a pegar
Viva, a contar a historia desse tempo uma velhinha amoreira na Quinta da Bica.
                                       
Anexos
O janelo terá sido da capela ao Divino Espirito Santo?
            
Notícias em 1721, das Villas e Lugares da Comarca de Coimbra
(...) Nas Notícias em 1721, das Villas e Lugares da Comarca de Coimbra; a Sarzedella, he hum lugar que tem huma ermida a Santa Luzia; esta nam tem rendimentos; tem um morgado que he Marcos Teixeira Gomes e Colaso; tem mais e tem mais vinte e seis vizinhos; este Lugar tem uma fonte para a parte do Nascente e tem água todo o anno

O herdeiro de um Morgado era o primogénito, a capela servia o culto familiar e sepulcro. 
Induz o orago Santa Luzia vir do Minho, a origem do seu instituidor aportado a Penela, de apelido Colaço, antes de 1176, por datar nessa altura o toponimo na escritura da quinta das Alagoas.

O Mosteiro de Celas,  fez aquisição de terras e recebeu doações . 
As abadessas; Maria Manuel e Maria de Mendonça, eleita em 1648, foram as pioneiras de mandar compilar o seu património a Frei Bernardo da Assunção. 
Apelido Colaço que nos aparece no cartório do mosteiro de Ceals, em 1555, como outros: Gomes Colaço, Vaz, Rodrigues e Soares na região; em 1608 o aforamento no termo de Penella por três vidas o cazal da Lagarteira, que tem muytas propriedades feito a Manoel Vaz, e seu irmão António Vaz, que o mosteiro ouue do D. Manoel Collaço, pay de D. Hieronyma de Vasconcellos, D. Catherina Ferreira, e D. Francisca, com foro de 133 alqueires de trigo, e 5 alqueires de azeite: na condição que farão entupir de três fornos de cal, dous delles. E, em 1647, desistio do cazal da Lagarteira, Manoel Vaz, e obrigação que fizeraõ Diogo Rodriguez, e António Vaz, o novo, de pagarem 70 alqueires de trigo de duas ametades deste cazal, do qual se pagauaõ 130 alqueires (…) Em 1555, o dote de Izabel Gomez e Magdalena Collaça, duas Religiosas com condição de herdar o casal de Caneue, em Penela, a fazenda comprada no dito lugar, em 1541, por António Colaço, que depois herdarão as suas filhas Colaças e o mosteiro (…) O prazo de Caneve foi dos Colaços (…) Petição para fazer concerto com Antonio Gomez Collaço sobre herança de D. Maria Joana Suarez, filha do Sr. Cristovão Suarez.

Aclara a notícia uma fonte perene, no chão do Morgado
A fonte sofreu restauro em 1904, foi um poço de chafurdo ou fonte de mergulho, de origem romana, como outra na quelha do Lombardo, resta o arco de pedra, a desentulhar para memória dos vindouros!

             
                 
                                 
2ª Parte

A genealogia dos Colaços razoavelmente estudada foi discussão com o meu amigo Henrique Dias, cujo Morgado na Sarzedela era desconhecido. A partir da Quinta da Mouta do Lobo, em Chão de Couce, resta parte do solar com escadaria e portal de bela cantaria, onde morou António Teixeira de Mendonça, natural da Sé de Coimbra, casado com Maria Evangelho de Penela, e nasceu Jerónimo Teixeira Evangelho, Capitão-mor nas Cinco Vilas. O seu filho Marcos Teixeira Evangelho, nascido e casado com Antónia, em Chão de Couce, viúvo, casou em 2ªas núpcias a 05.05.1692, em Ansião, com Mariana Curado da Paz, da Sarzedela. Coligi em 1715, que foi juiz  e escrivão, na Confraria de NSda Paz, na Constantina, fazendo uso do apelido Gomes. O seu filho João Teixeira Evangelho Gomes Colaço, nascido na Sarzedela, casou em 6.11. 1729, com Madalena Machado Coimbra Sarmento, na capela da Quinta do Vale Damito, Penela. Entre vários filhos, em 1732, o  vereador de barrete, José Marcos Teixeira Evangelho Gomes Colaço Sarmento. E, Marcos Teixeira Evangelista Gomes Colaço, nascido na Sarzedela, batizado a 15.09.1732, em Ansião, Bacharel na Faculdade de Cânones de Coimbra em 09.07.1752. Diz na matrícula que é filho de João Teixeira Evangelho Gomes Colaço, natural de Sarzedelo, Guimarães. Aclara sem presunção a origem do topónimo Sarzedela, fidelizado no feminino, por avoengo Colaço, aportado à região antes de 1176. Indicia que a morada do Morgado foi a casa de sobrado com Crucifixo azulejar na fachada, anexa a casario com janelas de avental, ao limiar do Lameirão. Recorda a “Ti Emília Santana” foi de alguém de apelido Teixeira, cujo interior tinha pertences ricos, acrescentou a filha Tita

Genealogia dos Colaços, cortesia de Henrique Dias

Os Colaços deram origem ao 1º Visconde de Condeixa João Moreira Colaço de Magalhães Vellasquez Sarmento nascido a 15.01.1806.

Localizei no Arquivo da Univ. de Coimbra o Registo Vincular nº 10 

De  João Maria Colaço de Magalhães Velasques Sarmento (1806-1871), Visconde de Condeixa, Comendador da Ordem de NS da Conceição, pediu registo dos Vínculos dos Colaços num só, a 24.02.1863, na qualidade de herdeiro e sucessor nos direitos de seu pai, João de Magalhães Colaço Velasques Sarmento. O primeiro vínculo dos Colaços, foi situado em Penela e Chão-de-Couce, instituído por testamento do Dr. Manuel Colaço, Desembargador da Casa da Suplicação, e Comendador da Ordem de Cristo, em 30.04. 1594, em Lisboa. O segundo vínculo foi instituído pelo Dr. António Gomes Colaço de Magalhães Teixeira Sarmento, nos bens no limite da cidade de Coimbra e de Cernache

Indicia que o Morgado da Sarzedela fará parte do 1º vínculo. 

Cortesia de Rui Portela nas redes sociais

(...) Foi-me contado pelos meus bisavós que as gentes da Sarzedela vieram ao Pinheiro com uma carroça puxada por bois, levar o Santo com a conveniência da Igreja. O que resta da capela está numa rua do Casal da Pedra. A capela foi notícia do juiz João Mendes de Vale de Boi, em 1721, o Pinheiro tem 9 vizinhos e uma ermida de Sam Joam, e em 1769; há huma capela de São João no Lugar do Pinheyroe no dia do Santo he o Parocho obrigado a ir em procição, e o povo e dizer nella Missa e o costume praticado hé darem lhe de esmolla duzentos reis. Esta não tem bens alguns, só o tenue rendimento de humas fogaças que os devotos offeressem ao Santo e deste piqueno rendimento e zello dos moradores daquelle lugar, a tem muito bem asiada tanto no corpo da capella como no Altar e retabollo que há poucos annos se lhe fes, de madeira pintada, e o Santo encarnado, e hé tão bem de madeira; tem caliz, patena, e colher, missal, vestimenta de osteda branca, alva, três toalhas tudo bom, frontal de madeira pintado e do seo rendimento, e despeza the ao prezente dá conta no Eccleziastico. Presume ter sido instituída pela descendente da Quinta das Alagoas, descrita na Brasonaria de Pombal, de 1991, do Dr. Pedro França; Bernarda da Conceição casou com Sebastião Mendes, dos Anacos. Família com quatro quebras de varonia afirmou o peso dos patronímicos em potência, na filha D. Ana Maria Noronha Menezes. Casou com António Rodrigues Pereira. Assumiu o cargo de capitão-mor em Ansião em 29.07.1773, por morte de João da Silveira Furtado. 

Nas Memórias Paroquiais de 1721 na notícia do juiz de Vale de Boi João Mendes 

(...) o Pinheiro que tem 9 vizinhos e tem uma ermida de Sam Joam que não tem rendimento algum senão a finta em que se fintão os mesmos vizinhos. 

Em 1769 o Cura Diogo Mendes de Santiago da Guarda 

(...) a capela de S João Baptista  do Pinheiro, por ser muito pequena solicitaram licença para  ampliar a Capela, onde ouviam misas e recebiam os sacramentos. O cura emitiu parecer favorável, louvando os moradores pelo seu zelo a 2 de maio de 1747. Depois de concluídas as obras e feita a vistoria, em 1748 a administração diocesana dispensou a capela da bênção e de licença nova para na capela se poder celebrar (...) 1769 há huma capela de São João do Lugar do Pinheyro e no dia do Santo he o Parocho obrigado a ir em procição, e o povo e dizer nella Missa e o costume praticado hé darem lhe de esmolla duzentos reis. Esta não tem bens alguns, só o tenue rendimento de humas fogaças que os devotos offeressem ao Santo e deste piqueno rendimento e zello dos moradores daquelle lugar, a tem muito bem asiada tanto no corpo da capella como no Altar e retabollo que há poucos annos se lhe fes, de madeira pintada, e o Santo encarnado, e hé tão bem de madeira; tem caliz, patena, e colher, missal, vestimenta de osteda branca, alva, três toalhas tudo bom, frontal de madeira pintado e do seo rendimento, e despeza the ao prezente dá conta no Eccleziastico.

O Dr. Manuel Dias  no seu Blog https://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/13441.html  menciona a Ermida  de Santa Ana, no lugar do Pinheiro, obviamente enganou-se!

Mais um testemunho a enriquecer a história do que foi o  Património Religioso de Ansião, hoje desaparecido, que não foi menção no Livro temático de um dos autores acima referenciado.

Capela de S. João Batista na Sarzedela

(...) huma Capella, e nella, as Imagens de Santa Luzia, da Santíssima Trindade, de Sam Silvestre, de Sam Martinho, e de Sam Joam todas em vulto, bem incarnadas, a Capela hé muito baixa, forrada de guarda pó, tem seu retábulo bem pintado, e o que havia de cer dourado, he pratiado com sua cor que parece dourado, pedra de ara, quatro toalhas, trez mezas de corporais, seis sanguinhos, calis, patena e colher de prata, dois frontais, hum de damasco incarnado, e outro de osteda roixo, huma vestimenta, de osteda branca, com os bentinhos incarnados,dois castissais de bronze, e cruz de páo tudo em bom uzo, trez alvas.duas quazi novas e huma munto uzada, quatro amitos, trez novos e hu uzado, hum cordão munto uzado, sachrista, caixão, palio, alenternas, e sino, corre o seu reparo por conta do povo, tem lampada de latão, amarello, dois veos, hum novo, e outro uzado.  

A situação da capela com a lei da separação da Igreja e do Estado no arquivo do Ministério das Finanças, enviado por Henrique Dias

Em 1911, o arrolo de bens: S. João; NS do Amparo e Espirito Santo – espólio menor ao descrito em 1769, com Imagem jamais elencada, retrata a falta de credibilidade dos arroladores de Ansião, já que se mostra gáudio inequívoco o cariz zelador deste povo, fiel guardador secular de Imagens sacras de capelas desaparecidas. 

Coligi um excerto do arquivo do Ministério das Finanças, enviado por Henrique Dias sobre a lei da separação da Igreja e do Estado em 25.08.1911

Reclamação feita em Ansião 25 de agosto de 1911, dos abaixo assinados Benjamim Simões Pires, casado, proprietário, António Luiz, casado, proprietário, Manuel Rodrigues da Paz, casado, proprietário e António Mendes Júnior, casado, proprietário, todos moradores no Lugar da Sarzedela, freguesia do concelho de Ansião, vem perante vós reclamar contra o arrolamento do edifício e demais objetos de culto da capela denominada Capela a São João, situada no referido Lugar da Sarzedela, pela razão da já referida capela, ser exclusivamente de uso e administração dos suplicantes e não poder de forma alguma ser considerado edifício publico. Os suplicantes tem desde …..muito    respeito  o que também procedeu com os seus antepassados  , sido os únicos possuidores da referida capela.Esperança confiados na justiça que lhes assiste que podeis vião competentes, seja dada ordem de forma lição ser conciliada, arrolada a benefício publico e restituída ao culto dos suplicantes seus legítimos possuidores da referida capela e mais objetos conforme consta do respetivo auto de arrolamento feito pela respetiva concentração. 

Demanda justificada  por a capela ter sido instituída por Maria Rodrigues, mulher que foi de António Pires da Sarzedela e hoje (1721, nas memórias paroquiais) são seus administradores: António Nunes e sua mulher Maria Rodrigues, Domingas Freire viúva e António Freire, viúvo, todos da Sarzedela, a qual foi instituída a 5 de maio de 1658 com 7 missas. Não há dúvida que se trata da capela a Santa Luzia que entesta no ribeiro da Sarzedela e a norte e poente, o caminho. Presume a mudança de orago a São João Evangelista, em apelo ao apelido – Evangelho, dominante no Morgado.

Em 1911, o seu arrolo de bens: S. João, NS do Amparo, e o Divino Espirito Santo – espólio menor ao descrito em 1769, com Imagem jamais elencada, retrata a falta de credibilidade dos arroladores de Ansião, já que se mostra gáudio inequívoco o cariz zelador deste povo, fiel guardador secular de Imagens sacras de capelas desaparecidas.

Os morgadios em Portugal foram extintos em 1863.

Capela de São João na Sarzedela

              

Imagem de São João Evangelista

Guardada na sacristia até ao dia que uma corrente de ar o tombou e teve de ser restaurado. 

Mais tarde ainda foi encontrada parte da cabeça...

                                                

Encima o dourado e belo altar da capela, um Santinho escuro, quiçá fora o São João, orago no Casal da Pedra. O Sr. Silvério Costa, membro jubilado dos Bombeiros, entrou com o meu pai, pese meio século falecido, o relembra com saudade, ilustra a sua estirpe. Há muitos anos fez uma cascata sob um veio de água, junto do coreto desaparecido que encimou com Ele, debalde, a pequenez e escuridão lhe ofuscou estrelato, a fomento aquisição da graciosa Imagem São João. 

Encima o dourado e belo altar um Santinho escuro, quiçá fora o São João, orago no Casal da Pedra 

                                             

O Sr. Silvério Costa, membro jubilado dos Bombeiros

Entrou com o meu pai, pese meio século falecido, o relembra com saudade, ilustra a sua estirpe. Há muitos anos fez uma cascata sob um veio de água, junto do coreto, e a encimou com esse Santinho, cuja pequenez e escuridão, ofuscou estrelato, vindo a fomentar aquisição da graciosa Imagem São João. 

                                              
Gente aportada à Sarzedela 
Vivos genes do Minho de cariz festivaleiro e arraial. 
Enlace de gerações cruzadas de mãos dadas com o Sagrado e profano na festa do solstício de verão, da tradição celta, cuja falta do sol da meia-noite escandinavo foi imitado nas fogueiras aos Santos populares. 
Persiste a herança do Minho da “doença dos pezinhos”. 
Cita Guilhermina Mota; “ o  Dr. Joaquim Manuel de Morais de Mesquita Pimentel  da Quinta de Valouro, no Espinhal, em 1828, foi eleito procurador às Cortes, com domicílio na Sarzedela. 
O Sargento-mor Manuel Mendes Lima, do Rabaçal, casou a 1ª vez com Joaquina Rosa, da Sarzedela, o seu filho Francisco José Mendes Lima, foi médico em Ansião.
Outros vieram de Penela e Montemor-o-Velho.
Fomentou casamentos com a família nobre do Espinhal; Mascarenhas, Sarmento Velasquez e Alarcão, vinda de Espanha com a corte dos Filipes; cujos ramos se fixaram na Fonte Galega, Além da Ponte, Sarzedela, Quinta da Bouçã, Penela, e Vale da Couda, Almoster. 

Fecho em apelo ao altruísmo de mãos dadas com a Missão Autárquica, e demais órgãos da edilidade com raízes, sem delongas lançar ação filantropa, a ser atestada em lápide perpétua, ou aquisição justa; da courela que ladeia o adro a norte onde repor o coreto. A pujante arte musical privilegia a fundação da Casa da Música, na Casa da Câmara, e a ruína do solar? Casa dos Territórios de Pedra; pousada de artistas e atelier, em homenagem à arte lavrante do concelho em memória do saudoso escultor, Sr. Ezequiel Carvalho. O Salão Paroquial, já se mostra palco das Artes. Falta dotar de bom piso, lago e mais frescura, o parque de merendas do Lameirão. Saber valorizar o património histórico e cultural, sem o comprometer na memória futura, é atestar identidade à alta requalificação da capela, ganha na aposta de fundir o antigo no moderno, sem perder a graça nem a traça, jus o idílico passeio público que tanto engrandeceu a Sarzedela. Assaz convite de Bem-Vindos à sala de visitas a norte de Ansião, em franca união à vila, cujo auspício breve, seja o de eleição a Cidade! 

Resquícios de grade em ferro forjado antiga que limitava o adro a norte
                 
Fotos da procissão

                              
                                                  
 
 Arraial das marchas de S.João         

Bem-haja a todos ao me receberem tão amistosamente, na sua Sarzedela, onde me senti em casa!


Fontes

Livro de Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas de  Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes      

https://archive.org/stream/mosteirodecelasi00bern/mosteirodecelasi00bern_djvu.txt

Excertohttps://archive.org/stream/memoriasdotempop01henr/memoriasdotempop01henr_djvu.txt

Arquivo da Universidade de Coimbra, Casa de Pereira

Vários testemunhos; Padre Manuel Ventura Pinho , etc   

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Feira de S.Lourenço ou dos Posseiros, em Ansião

Lástima a perda até agora das Memorias Paroquiais de 1758 de Ansião, pelo que nada se sabe sobre a Feira de S. Lourenço. Aventa vir dos finais da centuria de 600, se atender às feiras francas da Constantina dessa altura, em franca concorrencia à vila, pelo ganho da aposta do milagre da Fonte Santa, que chamou  romeiros, cujas receitas permitiram a concessão de  emprestimos aos confrades. 

Pois temos de nos valer nos concelhos limitrofes, para mais entender. 

Encontrei referencia à vila de Cernache, em 1758, da feira de S. Lourenço com vendedores dos termos vizinhos, auspicia alguns de Ansião, que lhe fica a sul; “hũa quasi feyra realizada no dia de S. Lourenço, que somente consta de sal, posseyros de vimes, e verguas de salgueyro para as vendimas, e pas de pao de amieyro e encinhos, para alimpar, e ajuntar os trigos, e milhos nas eyras, e alguns poucos belforinheyros com suas tendinhas, e muytos tremoços; de sorte que o principal he o sal, que ha em muyta abundância, he somente pagam de medidas hum vintém cada carro”194 . ANTT – Memórias Paroquiais: Dicionário Geográfico… do P.e Luís Cardoso, vol. 34, n.º 133, pp. 964- 965.

Hoje a feira de Cernache, julgo perdida, apenas resiste a de Celorico da Beira, em Trancoso e a de Ansião, a 10 de agosto, em dia de S.Lourenço, Santo espanhol. 
A feira é testemunho da tradição de trabalhar o vime e canastras (muito viva em Castanheira de Pera, Figueiro dos Vinhos, e também em Ansião, trazida de Espanha, pelos judeus, ainda viva no sul - Mijas e outras terras, a cestaria de cana, como a que se faz na Bairrada, e a de vime a duas cores mantida  na tradição da  Torre de Vale de Todos, como penduram os vasos nas paredes, já entre nós perdida,  nos piais que foram poiso de penicos, agora ornados a vasos de sardinheiras de folha rendilhada. 
Julgo que a arte de fazer canastras, era com aparas de pinho. 
Em Ansião, as vendedeiras no tempo da minha avó Piedade,  até anos 50 do sec. XX, andavam de cestas de verga branca à cabeça , como a Ti Angelina de Albarrol, recentemente falecida, até o meu pai e tio Chico, fazerem a venda de pão de bicicleta pasteleira, em cestões, antes de irem para o colegio.

                        
Também chamada S. Lourenço, aos dez de agosto, por altura das Festas  do Povo, o certame decorria na rua de S.Lourenço, do cemiterio e depois na Avª Vitor Faveiro, com estaminés de cesteiros prostrados no chão, com panoplia de estilo e tamanho; cestos para as vindimas de vários feitios,  cestas de mão, cabazes, cestas de costura, fruteiras, garrafões empalhados, onde não faltavam também os carateristicos da região feitos em cana, que ainda existe uma artesã da Bairrada -, a Flor, que os faz muito bem, e dela tenho alguns exemplares. O meu bisavô Elias do Alto, a recordação que tenho dele num sábado em cima do almoço de o ver no seu passo lento vindo da Praça do Peixe a descer a rua a caminho de casa , e cesta de cana  na mão com a sardinha. 
Num passado mais antigo havia obras de vime em branco, herdei na Mouta Redonda uma cesta oval em vime branco que seria para levar piqueniques para a Nexebra.
O meu cabaz de verga branco feito na região de Ansião, que foi tanta vez na camioneta do Pereira Marques para Lisboa...
O meu pai gostava de os encomendar em Aquém da Ponte da Cal, no cesteiro artesanal ,o "Ti Zé Mau" , que trabalhava sobre um parco alpendre, levantado por troncos frágeis e secos, sem paredes, onde o dia se via por todos os lados, castiço em telha vã antes da Ponte da Cal...Onde o vi muitas vezes sentado a trabalhar.
O meu pai encomendou-lhe num ano, duas pequenas cestinhas, como a que mostro acima, uma para mim e outra para a minha irmã, e com elas pelas mãos fomos numas ferias de Natal, airosas caminho fora à "vinha", toponimo perdido no Vale Mosteiro, a  fazenda com oliveiras, fazer de conta que apanhávamos azeitona para retalhar...Julgo nunca os enchemos!

Lembro os poceiros grandes usados nas vindimas, que depois de encher algumas vezes se tornavam pesados por ficarem molhados com o mosto, havia quem os usasse para carregar o estrume à cabeça e outras tarefas.

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Ensaio às primas Brízida Ferreira e Maria Marques da Mouta Redonda, Pousaflores

Resumo publicado em julho de 2024 no Jornal Serras de Ansião

Salvé alvorecer 27 de julho de 1934, ainda sem novidade, para o paneiro - José Lucas Afonso, em pressa aparelhar o macho, e colocar na carroça fardos de fazenda e chita, e se fazer ao caminho da feira de S. Pantaleão, em Figueiró dos Vinhos. Chegou pelo rondar da noite ao Vale, tinha à sua espera em “pulgas a coscuvilheira Ti jaquina tecedeira” para lhe dar a boa nova; Ti Zé Lucas já tem em casa uma menina branquinha e lourinha”. Nascida em tempo de menopausa, a única viva de 6 irmãos e primos, netos da avó Brízida Ferreira, falecida em janeiro de 1935. 
Minha querida mãe, Ricardina Ferreira Afonso, arremeda ao pai genes celtas; olhos verdes e visão ao empreendedorismo. Foi sua madrinha de batismo, a paneira Ricardina, das Ferrarias, além da bênção do seu lindo nome, um corte de vestido a cada ano.

Nasce o Ensaio, a jus oferenda de aniversário prestes a acontecer - 90 anos - por Deus, de boa saúde, graças à ginástica diária a cuidar da horta no quintal. 

Homenagem em tríade saudosa ao seu irmão Alberto Lucas de Pousaflores, e primo “ António do Vale”. Nascidos na Mouta Redonda, a eleita dos seus corações, o mesmo gosto pela história, e o querer saber de onde vieram. Reviam extremas na Nexebra, com lanche elogiado que tão bem lhes soube oferta da minha querida mãe, o primo anuncia a vinda de Almofala de uns colonos, sem filhos, para a Mouta Redonda. Lançou o mote para deslindar a vida da avó Brízida Ferreira e da prima Maria Marques, bisavó do meu marido – Luís Coimbra, a partir de memórias enviesadas, onde outros poderão alicerçar mais informação.


Dados transmitidos pela prima Lídia Lucas:
"os pais do meu avô eram uma senhora chamada Brizida Ferreira e o marido José Lucas, sendo que esta era filha de um António (a quem chamavam Verdasca e que era do Avelar ).
Maria Prioresa (talvez alcunha), não era a sua mulher legítima (no entanto a sua mulher legítima, compreendendo o desejo do marido em ter filhos e sendo ela infértil, ofereceu-se para criar a criança (que é a tal Brigida) o que aconteceu. Esta Brigida gostava muito de crianças e foi uma catequista muito fervorosa. Esta história, que do lado da Inês ou da Nelita, ou da Isabel Coimbra também deve ser conhecida, talvez contada de forma diferente, mas talvez ajude para esclarecer parentescos. Uma irmã minha registou por escrito os parentescos que o meu pai ia dizendo. Já lhe pedi estes registos, mas agora anda muito ocupada e tenho de aguardar... mas fica aqui este auxiliar de memória."

Notável enlace de primos direitos e colaterais em gerações cruzadas de genes: celtas, gregos, mouros, judaicos que em todos modela vetusto feitio...pela segurança dos bens na família.

Tradição a que não fugi, apenas na linhagem de primos.

As primas Brízida e Maria, eram pobres, induz conjetura de herança a divisão de uma casa e talhos metidos uns nos outros. Quem teria sido o filantropo? Pontas soltas, se foi António Simões Medeiros? Nome coligido num artigo do Jornal de Alvaiázere. Encetei telefonema ao Sr. Américo Estanqueiro, cuja cortesia agradeço, adiantou ser oriundo de Almofala de Baixo, casou nas Vendas de Maria, com Maria da Conceição, foram donos da estalagem. Sem filhos, acolheram Josefina Maria da Conceição, de quatro anos, veio a ser a sua mãe, a quem doaram bens. Homem abastado com muitos bens de Penela, Nexebra, a Ourém, vendeu alguns entre doações. De comum com a Mouta Redonda, a mesma origem em Almofala, e sem filhos. Nesse tempo a estrada depois da estalagem e da fonte de mergulho, seguia pela Nexebra, Pardinheira, com atalho à Mouta Redonda de Baixo. Trajeto usado pelo meu sogro para ir à escola de Maças de D. Maria, com o Regente Escolar da Mouta Redonda; José Lucas. 

Então território de Penela,  com limite a sul no Prazo, topónimo vivo num talho do meu tio João Veríssimo, antes da Ribeira Velha, com moinhos de água. 

Sem fixação de casais no Painçal, fidelizado Pensal, antes para norte, nos apelidos: Ferreira, Marques, Lopes, Gomes, Silva Medeiros, Fernandes, Neves, Serra Veríssimo, Santos, Lucas Afonso, etc. na Rascoia, Quelha, Horta, Vale, Fojo, Portelinho, Outeiro e Marco, na Mouta Redonda de Cima. 

Dando origem à maior rua da freguesia com mais de 3 Km… atestada na toponímia Rua do Lavadouro, sem qualquer uso, obra do séc. XX, sem respeito ao passado ancestral, a merecer emenda: Rua da Mouta Redonda de Cima e Rua da Mouta Redonda de Baixo. 

Após a extinção das Cinco Vilas, Pousaflores foi pertença do concelho de Figueiró dos Vinhos, integrando o de Ansião, desde 1875. Solicitei pedido à biblioteca de Figueiró, se existe testamento que envolva os visados, para coroar a minha perspetiva, debalde quem procura a custo zero? Já de graça, a partilha do amigo genealogista Henrique Dias:

Registo de Brízida Ferreira

Aos 5 de maio de 1864 nesta paróquia de Pousaflores, concelho de Figueiró dos Vinhos, diocese de Coimbra,  batizei solenemente um individuo do sexo feminino a quem dei o nome de Brízida que nasceu às seis horas e meia da tarde do dia 27 de abril do mesmo ano, filha natural , primeira de Maria Ferreira que se ocupa governanta da sua casa , natural do Lugar da Mouta Redonda desta freguesia, onde mora. Neta materna de  António Marques e Joana Ferreira.
Foram padrinhos Manuel Simões da Lameira , carpinteiro e sua mulher governanta da sua casa desta freguesia de Pousaflores .
Filha de pai incógnito.

a 5 de maio de 1864 na paróquia de Pousaflores, concelho de Figueiró dos Vinhos, diocese de Coimbra,  batizei solenemente do sexo feminino a quem dei o nome de Brízida, nascida às seis horas e meia da tarde do dia 27 de abril do mesmo ano, filha natural, primeira de Maria Ferreira que se ocupa governanta da sua casa, natural do Lugar da Mouta Redonda desta freguesia, onde mora. Neta materna de  António Marques e Joana Ferreira. Foram padrinhos Manuel Simões da Lameira, carpinteiro e sua mulher governanta da sua casa desta freguesia de Pousaflores. No julgar da minha querida mãe tinha sido exposta na igreja de Chão de Couce, ficou claro que é filha de pai incógnito. Negociante ambulante de carneiros e cabras, por conta própria, após a extinção das Cinco Vilas do ofício de vendedor do curral do concelho.

Partilha do registo de casamento de Brizida em 1882

Com o primo direito, José Afonso, de Lisboinha, de 24 anos e 5 meses, solteiro, trabalhador . Filho legitimo de Lucas Afonso e Maria do Carmo de Lisboinha , nascido em 1858. 

Ela de idade 18 anos e 6 meses e por ser orfã de mãe já falecida apresenta alvará da licença passada pelo juiz de Ansião , solteira, doméstica , moradora no Lugar da Mouta Redonda.
Padrinhos Manuel Nunes, seareiro do Pereiro de Baixo e Manuel Simões, carpinteiro do outeiro da Lameira, ambos desta freguesia.

Brígida Ferreira em 1882, aos 18 anos e 6 meses, órfã de mãe já falecida apresenta alvará da licença passada pelo juiz de Ansião, solteira, doméstica, moradora no Lugar da Mouta Redonda. O noivo, seu primo direito, José Afonso, de Lisboinha, de 24 anos e 5 meses, solteiro, trabalhador. Filho legítimo de Lucas Afonso e Maria do Carmo de Lisboinha, nascido em 1858. Já sabia escrever. Padrinhos Manuel Nunes, seareiro do Pereiro de Baixo e Manuel Simões, carpinteiro do outeiro da Lameira, ambos desta freguesia.

A falta de aposta digital dos registos após a República é obstáculo a levantar celeremente a genealogia das visadas. Também não localizei os registos de nascimento e óbito da mãe da Brízida. Perdurou a grande religiosidade, resiliência ao sofrimento e apaziguadora de conflitos, o fatal carisma da Brízida, já a sua filha, Maria da Luz, amiga de dar sem olhar a quem, mal chegado o marido da safra do Alentejo pelos montes de Avis, Casa Branca e Sousel, sem pudor incriminava as filhas por esconderem vaidades na casa dela…

Ao fundo casa de sobrado dos meus avós maternos seguida da casa que foi dividida pelas primas

A Brízida depois de casada morou no Vale, na parte da casa a poente, de fachada estreita e comprida para os leirões, com cozinha, forno e um quarto. O nascimento dos filhos obrigou a fazer um sobradito de madeira. 
A prima Maria, morou noutra casa acima, adoçada a nascente ao curral do burro do “Ti Mateus”. 
Pela noitinha chegado da serra dos Carrascos onde ia buscar pedra, já com “um grãozito na asa” insistia para o burro entrar de recuas no curral, valia-lhe a pacifica Maria Marques: oh Mateus, o burro é teimoso, é teimoso... A sua filha Rosa Marques, alcunha “Rosa da quelha” alta, olhos azuis, e bigode, avó paterna do meu marido, casou com António Coimbra do Outeiro da Mó, filho de Maria Ferreira, da Mouta Redonda, irmã da minha avó Maria da Luz, filhas da Brízida.

Registo de batismo de Rosa Marques

                                                         

Filha de Mateus Simões e Maria Marques

A Brízida saberia quem era o seu pai, cujas parecenças, se falava eram evidentes. Jamais perfilhada pelo rumor que seria casado no Avelar, e não tinha filhos. Ténue lembrança de uma Prioresa – quem seria? Talvez a mulher dele? Tentei apurar mais no Avelar com o amigo genealogista Raul Coelho, pesquisa infrutífera, dados os parcos dados.

Ao primogénito a Brízida deu o nome de António, o do seu avô materno, e quiçá seria o do avô paterno, alcunha “Verdasca”, já que a herda para a vida, com ganho do apelido Lucas, o nome próprio do sogro dela. Casou e ficou a morar na casa da avó no Vale, onde nasceram os três filhos, e só se mudou para a casa nova, ao cimo do Lugar, caras a sul, balcão soalheiro, cimalha esponjada e pombal a poente, quando pronta num brinco!

Aos 25 anos, a Brízida enviúva, grávida da minha avó, que batizou Maria da Luz Ferreira.

Registo de óbito de José Afonso, marido da Brízida Ferreira

“Em 3 de agosto de 1888 às 2 da tarde na Mouta Redonda, freguesia de Pousaflores, concelho de Figueiró dos Vinhos da diocese de Coimbra, tendo recebido os sagrados sacramentos da  Santa Madre Igreja José Afonso de 30 anos, casado com Brizida Ferreira, trabalhador, natural de Lisboinha, deixa filhos. Foi sepultado no cemitério desta freguesia.

Registo de batismo da minha avó Maria da Luz Ferreira 

Rumores que o “Verdasca” pai da Brízida se foi confessar para absolvição da vida de libertinagem. Mudou a conduta, convertido à fé católica para agrado da sua filha devota a Deus, e catequista fervorosa. É desconhecido se alguma vez se assumiu seu pai, e lhe deu amparo. Talvez o papel de mediador na venda de talhos para a sua sobrevivência no estado de viúva, sem rendimentos e com três filhos para sustentar. Dada a existência de terceiros, entre os talhos dela e da prima. 

À laia o lote da “Ti Jaquina tecedeira” ao gaveto do Beco do Vale, veio a ser do Silvério e Maria Silva Medeiros, cujo barracão do tear entesta no curral das cabras e adega, herança da Maria. 

Quelho do Vale, hoje Beco do Vale

Ao fundo a casa do Silverio seguida para cima do barracão do tear, curral das cabras e adega que foi herança da Maria Marques.

Não há memória de o “Verdasca” morar na casa da filha. 
Perdurou a gíria: lá vem os carneiros do Verdasca… grito lançado aos animais soltos em descida brusca pelos leirões…A República obrigou ao uso de apelido, e muitos fizeram uso de alcunhas. Verdasca não é alcunha pejorativa; deriva de vara, o pau, trazido por povoadores de Cabeceiras de Basto, usado para defesa, jogo do pau e pastoreio. Admito fidelizada em Ourém.

“António do Vale” o neto que puxou ao cariz religioso da avó Brízida, incumbiu mais tarde o seu filho Zé Lucas, que vive em Ansião, para lhe fazer uma pesquisa sobre os padres paroquiantes da Igreja de Pousaflores. Tinha o sonho de fazer uma capela onde a sua filha Fernanda, religiosa, pudesse rezar, nas férias na Mouta Redonda. Gosto que espevitou o vizinho “João da horta”. Perdurou a falta de consenso à escolha do orago: S. Lucas ou S. João a deixar a Mouta Redonda mais pobre, sem um palco religioso!

Longe vai o cortejo alegórico ao Fundo da Rua que o seu irmão Joaquim Lucas Afonso exaltava mérito ao recém-falecido irmão José Lucas – homem que faz tanta falta a Ansião. De facto, serviu o associativismo, educação e a saúde. Debalde esquecido na toponímia pela contínua falta cultural, pese espevitada, assaz negligenciada, a prol, à dupla atestada ao Padre António Freire em Lisboinha, e na Garreaza (Cimo da Rua, Ansião), onde jaz esquecido este topónimo ancestral…Primo da minha mãe, celebrou o meu batizado, filósofo, enalteceu a Grécia, sem sentir o chamamento aos genes, sendo evidentes, não os decifrou, como não valorizou literatura à Marzugueira, terra do seu pai, nem de Lisboinha, a de sua mãe e sua, e do concelho de Ansião, que se saiba, nada!

A par outro mártir na toponímia de Pousaflores - Alberto Afonso Lucas, irmão da minha querida mãe. A JF de Pousaflores deve sem favor proceder à alteração da Rua das Cucas e agraciar o seu nome. Autodidata que imortalizou bibliografia inédita aos clãs judaicos aportados às Cinco Vilas. Palmarés à cultura honrou a transmissão da sua avó Brízida Ferreira, da Mouta Redonda, chegada a hora do seu finado adeus ao Vale, formou-se em cima do caixão uma coroa de borboletas brancas, aclamada à vida em santidade - milagre!


Excertos da literatura de Alberto Lucas
(...) Filha Flor do rei D. Afonso III, o bolonhes, que perguntando ás filhas o quanto gostavam dele – uma delas respondeu – quero-lhe tanto como a comida quer o sal e não refletindo o que este pensar queria dizer a desterrou para a  Chousa,   no Carvalhal dos Mestres onde há  restos de um forno de cozer pedra para cal e vestígios da casa da princesa Flor e mais acima ao entroncamento para a Portela, debaixo de uma laje havia uma fonte – Boca da Fontinha, de água férrea que despareceu com a estrada de ligação à Portela.  Em que mandou fazer uma capelinha e mais tarde uma caçada em que o rei veio com a nobreza, a filha presenteia o pai e convidados com uma banquete, mas o pai não acha a comida saborosa, onde a filha responde  aqui está a prova que em tempos no seu palácio real lhe disse  lhe queria tanto como a comida quer ao sal .Comprrendeu e pediu perdão.
A partir dali a coroou Rainha Flor desta povoação de Pousafoles - sitio a descando do carregod e foles cheios de cereal ou com farinha, dos minhos de água. A Rainha Flor, das cinco piovoações, em redor da  Arega:  Pousaflores , Chão de Couce, Maças de D. Maria, Aguda e Avelar . 
O rei leva a filha para o seu palácio real e a Rainha Flor doa a sua propriedade da Chosa com a capelinha, e usufruto ao padre, e a referida propriedade foi até 1980 assim administrada.
Porém, naquele tempo o ultimo padre daqui natural, e já idoso  a veio a doar aos sobrinhos , porque ao ter pago a sisa a registou nas finanças em seu nome. Sem ter havido alguém a reindivicar o que fosse.
Cre-se que o concelho de Pousaflores tenha sido criado em 1270, com gente vinda de norte para sul oriundas do médio oriente  vindos para auxiliar a Peninsula Ibérica  na luta dos cristãos contra os mouros .Desses povos os Fariseus, fixaram-se em Maças de D Maria com descendência em Chão de Couce. Os Galileus  fixaram-se na Portela de Pousaflores. E outros povos  como os Caldeus e hebreus, aqui chegados nas cruzadas com a missão de expandir a cristiandade da vida de Cristo que tinha vivido na Palestina, lutando contra a fé muculmana . 
Estes povos souberam tirar riqueza da terra desbravando matos , desenvolvendo a agricultura construindo  castelos, mosteiros, igrejas  ministrando a instrução da religião de Cristo. 
Na Portela de Pousaflores viveu um padre  católico da Galileia que se conta viveu com uma serviçal e dela teve um filho  de onde descendem  os que alcunham de galileus  - Dias – no Monte das Canas. 
A capela de S. Caetano foi mandava fazer por um padre  galileu que ali celebrava o culto cujas  imagens de Santos  em algumas casas foram espolio desta capela. 
E por volta de 1900 o padre Abilio sobre essa ruina construiu outra capela. 
Por ali havia ruinas de um forno com uma pedra e a inscrição de 1695 que seria da capela primitiva.
Mais outros dados tenho-os ouvido há minha avó materna Brizida Ferreira , que foi uma muito competente e dedicada religiosa naquele tempo que me dizia que ainda se lembrava da antiga igreja de Pousaflores ampliada da capelinha doada pela Rainha Flor , essa igreja tinha um pequeno alpendre na porta de entrada.Dizia ainad que se lembrava do Arcipestre que morava na Portela de Cima, hoje S. Lourenço, numas casas da família das Ritas, e mais tarde mandou fazer umas moradas na entrada para a serra ao lado do Sr Maximiano Mendes  e hoje pertencem aos Marretas dos Ariques.Onde veio a funcionar a escola primária.
Jose Lucas Afonso o seu pai, nascido em Lisboinha em 1897 , frequentou esta escola, com o Prof Varanda, de Almofala de Cima , deslocando-se a pé 20 km por dia e depois foi substituído por outro também de Almofala o Prof. Boavida.
O padre Arcipestre devia ter paroquiado a freguesia até 1835, tendo sido substituído pelo padre Pedro também residiu nas casas da Portela e depois para as moradas do monte dos Mestres, na saída apertada para o vale do forno ainda lá existiam casas antigas hoje a servir de currais. Seguida de uma grande eira antiga  e carvalhal e outras propriedades que foram deste padre.Morreu em 1883 inscrição numa pedra no tardoz da igreja para a entrada do cemitério.Teria sido antes ou depois desta data que o padre Abilio Simões de Sousa Ribeiro tomou conta da paroquia de Pousaflores, natural de Chão de Couce onde está sepultado em jazigo de família. Um politico da monarquia mesmo despois da republica, dinâmico tendo sido delegado do Procurador da Republica, em Ansião. Deve-se a ele a iniciativa de abertura de novos caminhos rurais, que antes só davam para peões e cavalaria.O povo de Pousaflores principalmente os do oeste da serra são muito folclóricos. Este padre mandou fazer a torre com os sinos fundidos na Boca da Mata . O sr padre Abilio fuixou residência na Portela de S Caetano que teve um filho da sua criada Josefa Alberto Mendes da Silva, a quem deixou a maior parte dos seus bens.
Em 1933 o padre Abilio vindo de Maças, ao Carregal , caiu da mula e ficou mal sendo substituído pelo padre Melo, natural  do Luso, a paroquiar há 3 anos o Avelar que tinha sido interdito ao culto católico em virtide das ocorrências muito indignas contra  a pessoa de D. Antonio Antunes , então bispo de Coimbra . Como não havia residência paroquial viveu em Lisboinha  em casa da familia Afonso e depois veio viveu para Pousaflores para acsa de Antonio Rodrigues (calhau) para o povo vir a construir uma casa para residência paroquial.
Toponimos de antigamente ...Vale David; , Chã da Ruiva; Outeiro da Sarzeda, Sarzeda; Galegas
Casal Novo veio a ser S. João de Brito.
Mouta Redonda,  Cova do Gavião, Amieira, Cavada , Cova do Penhasco, Cova do Vale, Cova dos Dias.
Nexebra,  terreiro cabeiro, Castanheiro Belo, Fontes das Calhes , Hortas Fundeiras e ao cimo o Marco.
A serra da Ucha depois de Liboinha em tempos teve moinhos de vento.
Castejo de Almoster lugarejo quase extinto a seguir a Bairrada e Cavadas.
Murtal, estalagem na casa do Monte de Teresa de Barros que vivia na Cerca de Chão de Couce, deixando uma fortuna aos seus sobrinhos  - grande riqueza em azeite nas Bouchinhas, Dedona, Cerca de Chão de Couce, Torre de Pereira, em Miranda do Corvo e outras a esposas do Sr. Policarpo,  do Sr. Acursio de  Alvaiazere, e do Dr Falcão do Avelar e  Dr Carlos  Pereira de Miranda do Corvo.

Facho,  a seguir ao S. João de Brito para o lado da Ramalheira
Fontes e fontinhas em Pousaflores: Fontinha da Mingueira Quebradas; Nexebra com os outeiros Mações, Cuco , Marco
Minas de água  usadas por gravidade para rega chamadas  regadas soltas
Ribeira do Painçal, fidelizado Pensal.
Veigas de terras para amanho

Pedra de Adega
Entrte as Portelas o monte chamado do Talegre com o Vale da Mingueira 
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