quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Arte Contemporânea no Museu Nacional do Chiado

Visitei ao entardecer o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, instalado desde 1911, ano da sua fundação, no que foi o espaço do Convento de S. Francisco da Cidade, fundado em 1217, afetado com o terramoto de 1755, pouco hoje existe dele, além da fachada e belas abobadas em cerâmica, situa-se em frente do Hospital da Ordem Terceira, ao Chiado -, ainda muitos se lembrarão que a zona sofreu um grande incêndio em 1988,  que obrigou a repensar o espaço com obras de requalificação, sob projeto do arquiteto francês Jean-Michel Wilmotte, tendo sido reinaugurado em 1994.


António Teixeira Lopes
A Viúva em mármore, 1893 
"Arte vanguardista, surreal e contemporânea, em todas as formas: pintura, escultura, fotografia, design, vídeo e instalações. Este museu tem a principal coleção de arte contemporânea Portuguesa.
Preserva, documenta e revela algumas das mais importantes obras nacionais do século XIX e do período modernista. 
A exposição permanente é renovada com certa frequência. 
A colecção começa com o surgimento do Romantismo em meados do século XIX, às obras de Amadeo de Souza-Cardoso, que marcam a transição para o século XX, incluindo algumas das peças de Júlio Pomar e Julião Sarmento. 
É no Museu do Chiado que encontrará as melhores obras de Arte Contemporânea Portuguesa."
O jardim exterior apresenta-se com esculturas em bronze dos séculos XIX e XX e dá acesso à cafetaria a norte, e a sul por porta envidraçada, à passadeira elevada no átrio, descendo à receção.
Caro o bilhete 4,50 € -, para reformados , à laia de outros Museus só praticam preçário mais baixo depois dos 65 anos... havendo tanto reformado sem ainda ter essa idade...
Vamos entrar pela porta envidraçada do Museu do Chiado que  serve de acolhimento aos visitantes, apresenta uma arquitetura neo-moderna que respeitou os vestígios históricos pré-existentes do imóvel adjacente ao antigo convento,datável após a reconstrução do terramoto, posteriormente adquirido, após a extinção das Ordens Religiosas por um inglês que aí instalou uma fábrica de bolachas . 
A renovação do espaço que foi alvo respeitou e valorizou estes vestígios, tomando partido do pé-direito elevado através de uma plataforma suspensa que permite um nível de visita intermédio, onde se apresenta escultura. 
Passadeira e escadaria  de acesso ao balcão de atendimento, painéis de sinalética, obras, e outros, valorizada pela pedra de azulina de Cascais polida que reveste o pavimento.
Os cinzas predominam na sala subsequente e superior, onde se expôe escultura, cujo elevado rasgamento vertical amplia ilusoriamente o reduzido espaço da exposição.
Através de uma escadaria empedrada o visitante acede ao segundo piso do edifício.
O espaço da "Sala dos Fornos" espaço erguido entre 1830/40 por Wheelhouse ao dotar um importante conjunto de fornos de tijolo para fazer as suas bolachas. 
Abertura quadrangular no piso que comunica com o hall inferior, atualmente coberta por vidro rocha, destinava-se porventura à elevação de farinhas.

Alberto Carneiro
Raiz, caules, folhas, flores e frutos
Jorge Vieira
Figura de Mulher 1960

Novo lance de escadas conduz a uma galeria quadrangular que deita para a sala da escultura e permite o acesso quer aos gabinetes da direção e terraço superiores, donde se vislumbra o Tejo, quer a outra zona de exposições, duas galerias longitudinais e comunicantes em "L", entrecortado por estreitas frestas de iluminação natural.
Ao sair do elevador para visita da exposição permanente dá-se de caras  com este poster da Viscondessa Menezes
Imenso quadro que apresenta os amigos da corrente naturalista, que se reuniam no café-cervejaria Leão - a Turma de 1885, o "Grupo do Leão" pintado por Columbano Bordalo Pinheiro - na altura havia uma Prof. com os alunos que lhes perguntava onde se teria retratado o pintor...dizia-lhes ela "é o homem de cartola e bengala em jeito de saída".
"Acabo de chegar de Paris onde apanhei um famoso banho de arte", escreveu Columbano Bordalo Pinheiro ao conde de Arnoso, a 7 de Novembro de 1900. 

O maior pintor português do século XIX, é o artista que melhor expressa valores de modernidade, numa situação única na arte nacional. Inicialmente, regista os ambientes burgueses como cronista radical da vida moderna e já na viragem do século, apesar das ambiguidades do seu percurso, é testemunha atenta da sociedade portuguesa, ao longo de três gerações, inventariando os espíritos da inteletualidade nacional e as mais destacadas ."

José Veloso Salgado
Amor e Psyché 1991
Francisco Metrass 
Só Deus1856
Camões na Gruta de Macau 1853
Naturalismo
 Tomás Anunciação 
Vista da Amora 1852
 Conde Luís de Menezes
 Viscondessa Menezes 1817
Columbano Bordalo Pinheiro
Estudo para Camões e as Tágides
Mulher de Luneta 1896
                                                                     Alfredo Keil
                                                                 Leitura de uma carta
Um rebanho em  Sintra 1898
Miguel Lupi
Os pretos de Silva Porto 1879
Aguadeira de Coimbra
Silva Porto
Volta do mercado 1886
Charneca de Belas
Azenhas na margem do Ave 1887
Marques de Oliveira
Esperando os barcos  na Povoa do Varzim 1892
Malhoa
Clara 1918
"Pedro a cortar o milho reparando em Clara, rapariga de cintura estreita, mãos pequenas, formas arredondadas, vivacidade de lavandisca, digna efetivamente das atenções de Pedro e até de qualquer outro mais exigente que ele. As mangas da camisa alvíssima, arregaçadas, deixavam ver os braços bem modelados, nos quais se fixavam os olhos com insistência significativa.De quando em quando, levantava ela a cabeça e sacudia, com um movimento cheio de graça, a trança mais indomável, que, desprendendo-se-lhe do lenço escarlate que a retinha, parecia vir afagar-lhe as faces animadas, beijar-lhe o canto dos lábios, efetivamente de tentar.Num desses movimentos frequentes, reconheceu que era observada, se é que certo instinto, peculiar das mulheres bonitas, lho não fizera já advinhar porque diga-se o que é verdade, tinha um tanto ou quanto de vaidosa. Lisongeada sentiu Clara desejos de se fazer apreciar mais que pelos olhos, de cujo conceito ela já podia duvidar.Elevou para isso a voz, e em uma toada conhecida, em uma dessas eternas e popularíssimas músicas da nossa província, das que mais espontaneamente entoam as lavadeiras nos ribeiros e as barqueiras aos remos, cantou a seguinte quadra:
Ó rio das águas claras, que vais correndo pro mar
Na pausa que, segundo as exigências da música, se faz ao fim de dois versos, Clara torceu a roupa que estava lavando, e lançou com disfarce, os olhos para o lugar, onde Pedro a escutava; e depois concluiu: Os tormentos que eu padeço."
Jovem regista no seu moleskine,  esboço de um quadro, como também vi no Louvre.
A. Loureiro
Paisagem
 José Malhoa
Festejando o S. Martinho 1907
"O quadro representa uma taberna onde seis homens festejam o São Martinho, em volta de uma mesa.
Apresentam-se claramente embriagados. A figura da esquerda, com um avental de ferreiro, adormecido e numa pose de abandono, pintada numa difícil perspetiva, estende-se pela cadeira e apoia as costas na mesa, o chapéu tombado, com a mancha de luz no fundo dá ao quadro profundidade.
A figura da direita, que imediatamente capta o olhar do espectador, fitando-nos com um olhar de bêbado de pálpebras pesadas, com a mão direita mal consegue segurar o jarro de vinho, enquanto o braço esquerdo se abandona pela mesa derrubando uma malga.
Malhoa vai pintar com grande realismo um conjunto de elementos que identificam o São Martinho. Na mesa de madeira, tipicamente  popular, (repare-se no espelho da fechadura, nas gavetas e na moldura que trava as pernas), estão espalhadas as tradicionais castanhas do S. Martinho, sardinhas assadas, uma enfusa das Caldas da Rainha em vidrado amarelo com laivos em verde e uma malga entornada que espalha pelo tampo da mesa, formado por duas tábuas, o vinho novo, cuja mancha reflete a malga."
Praia das Maças
João Marques de Oliveira
Banhos na Povoa do Varzim 1884
Modernismo Ruturas
Columbano Bordalo Pinheiro
Um Concerto de Amadores 1882
Dei com uma aula ao vivo
Um Dó Li Tá
"Espacillimité" de Nadir Afonso aqui os alunos estudam as formas, brincam com elas e constroiem quiçá a sua própria obra de arte
1º quadro, auto retrato de Columbano 1904
 Adriano Sousa Lopes 
1908
António Carneiro
Contemplação 1911
Noturnas 1910
Guilherme Santa -Rita
"Foi um pintor e escritor Português, considerado introdutor do Futurismo em Portugal. Apenas resistiram duas das suas pinturas, todas as outras foram destruidas, segundo o seu desejo, pela sua família depois da sua morte. São elas, Orfeu no Inferno e Cabeça. Em 1912 era bolseiro de Belas-Artes em Paris, com apenas 23 anos de idade, viu a exposição dos futuristas italianos e aderiu ao movimento. 
Para muitos o introdutor do futurismo em Portugal- o mentor ausente e secreto- é sem dúvida um personagem misterioso e ao mesmo tempo fascinante; companheiro de Amadeu, em Paris viria a ser «lançado» pelo Portugal Futurista que de forma verdadeiramente sensacionalista o apresenta como o criador do futurismo em Portugal. "
Cabeça 1910
Amadeu Sousa Cardoso
Cabeça
Aurélia de Sousa
Atelier 1916
Eduardo Viana
Pousada de Ciganos 1923

Alexandre Pomar
Presses
 
Ernesto Canto da Maya
Adão e Eva em terracota policromada  1929/39 
Carlos Botelho 
Lisboa e o Tejo 1899
Neorealismo
Júlio Pomar 
Gadanheiro 1945
"Na altura do regime didatural Salazarista, assume claramente uma postura contrária ao mesmo, notória na sua produção deste período, vinculada à contestação política e social, fez da sua arte uma forma de intervenção na sociedade e na política. Tal como outros artistas da época, Júlio Pomar é influenciado por escritores que se impunham no panorama literário português".
                     Mário Cesariny 
                    Soprofigura 1947
Vespeira
1948
Abstração
          Nadir Afonso  
                                O mestre da abstração geométrica                    
José de Almada Negreiros
A Sesta 1939
Neo Vanguardas
Paula Rego
Auto retrato em vermelho 1962
"A Arte Bruta vinha justifucar a sua necessidade de romper com o instituído e com a conformidade hipócrita que exalavam da ditadura de Salazar e da moral bafienta de uma religião com que não se identificava."
Rolando Sá Nogueira
Os amorosos 1965
Nova Figuração
Manuel d'Assumpção
Meditação e Lirismo Azul ambos de 1958
Maria Helena Vieira da Silva 
Sem título Casas 1956
O meu marido atento
Pires Vieira
Antalógica da Pintura à Pintura Superficie 1 e 4 
"Afirma-se com a geração de 70, inicialmente em conotação com o grupo francês Supports-Surfaces. 
No entanto, a cada década seguinte, conquista novo fôlego e surpreende pelas abordagens e desafios, numa atitude de independência, com um trabalho que se centra na pesquisa, questionamento, empirismo e contenda face aos limites da pintura."
João Vieira 
Sem Título 1972
Ângelo de Sousa
Sem Título 1972
"No final da década de 60, o artista enceta um conjunto de obras em que o interesse pelo Suprematismo de Malévitch e oMinimalismo o leva a questionar e experimentar o Branco e o Preto, refletindo sobre a pintura numa nova perspectiva de fusão entre forma e ideia.
Anulam-se os limites clássicos de entendimento da pintura, na função de elementos como o fundo, perspectiva, contorno, o que interessa neste diálogo nunca resolvido entre o monocromatismo branco do Nada, ou do negro, como Tudo, é a ideia plástica, é a matéria das ideias. 
Anula-se a percepção de planos, exploram-se as texturas, e o observador descobre que, de longe, existe uma aparência pura de contraste, mas que vislumbrado de perto, o quadro revela uma nova nomenclatura dirigida à ideia de pintura, que já não pode ser um mero reflexo do mundo."
António Sena
Deep 1975
No piso térreo acede-se à Biblioteca e Gabinete de Desenhos, porventura as zonas onde a memória conventual é mais visível, o átrio ostenta dois pilares de Lioz que suportam uma abóbada de tijolo de seis panos, austeridade de linhas da construção tradicional da arquitetura portuguesas chã. que se destacam entre o equipamento técnico.
Na loja do Museu descobri um livro sobre faiança portuguesa em francês com esta travessa da Fábrica de Santo António do Vale da Piedade, sendo espécimes raros, pedi autorização para fotografar.
Não havia exposições temporárias que mostram obras de produção entre 1975 e a atualidade, com destaque para a fotografia e a Multimédia-,em preparação.
Fica-se sempre mais rico culturalmente a visitar Museus!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Exposição Arte e Cultura dos Trabalhadores da Indústria Naval em Almada

Inaugurada a 29 de novembro ainda a decorrer até ao dia 4, no átrio da Academia Almadense em Almada.

Ontem depois do almoço na voltinha a saborear o sol, no Central deparamos  com um folheto publicitário-, muito feliz, com a fragata D . Fernando II e Glória no estaleiro de Viana do Castelo, para onde foram deslocalizados trabalhadores do Arsenal do Alfeite e logo partimos na direção da Academia.
Mostra significativa de trabalhos de artistas de artes várias, da indústria naval do Arsenal do Alfeite e da Lisnave. 
Só peca por ser de tempo, reduzida!
Ensaio sobre a cegueira de Mário Rebelo de Sousa. 
Gostei francamente deste quadro!
Quadros na técnica de mosaico muito interessantes
Autor  Gaspar que vive na Charneca
Labirinto?
Quadro inspirado nesta imagem da Praça da Figueira
Cartas de póquer?

Sem título de José Gabriel 
Gostei do jogo de cores grená com os dourados, o artista deve ser um romântico, quiçá sedutor!
Técnica aguarela de Francisco Moura do Barreiro, é para te sentires orgulhoso, tens arte dentro de ti!
Grua centenária, que trabalhava a vapor...máquina de outro século...adaptada.
Tal como a Sagres de outro século...
Tal como eu....
Isabel como foste reparar que a Sagres não tinha velas...
Sagres  garbosa, de velas despida , ancorada  na doca seca no Arsenal do Alfeite
As minhas selfies de cabelos desgrenhados...
Assisti de camarote à última viagem da F 481 
 Ao Francisco Moura, o meu marido pediu para fazer um quadro com a Sagres, que executou em  platex pintado com restos de tinta de esmalte da oficina, feito à hora do almoço.
Em folha de papel pintou a Sagres, desenhada a lápis de cor que lhe ofereceu
Ainda havia de oferecer outro com uma fragata e a peça de 100 com o helicóptero a levantar-, afinal a sua especialidade, a peça de 100!Está guardado mas não sei em que casa... por isso não tenho a foto.
Todos foram colegas no Arsenal do Alfeite
Alguns dos artistas da exposição
Lamento não ter registado o nome de todos os artistas. Desculpem, não foi por mal.
Fotos do pôr do sol  a cores quentes, lembraram-me do arsenalista grande pintor Guerreiro, que aqui não está lamentavelmente representado - ,alcunhado "picha d'aço"...
Tenho o quadro encomendado pelo meu marido com flores -, jarros, prenda do meu aniversário de 40 primaveras.Quando o foi entregar ao Banco, teve uma chuva de encomendas e de ciúmes também!
Mais tarde comprei-lhe um por do sol na Fonte da Telha a lápis de cor, soberbo, que copiou da revista Inatel do concurso -, foto premiada...
o mar a cores quentes
Pesca na arte xávega na Costa de Caparica ao entardecer onde andava em outubro uma senhora do refeitório, com quem o meu marido desenferrujou a língua...supostamente esta foto foi nessa altura.
Bela foto no contraste da luz nas águas...
Autor Nuno Neves
Lindas miniaturas dos barcos, homem que andou pela  Europa e pela Rússia, um aventureiro com arte nas mãos.
 Barco de água de cima
O meu marido sempre mais vagaroso...
Ferramentas de carpinteiro de machado
Coisas e loisas em lérias de conversa que o meu marido me contou ao longo de anos dos colegas artistas ao jantar...Sendo ele também abençoado de mãos, torneadas pelos anjos, perfecionista , sem lhes dar uso nestas artes e disso tenho pena. Ainda assim recordo-me do início de casada me ter feito uns bibelôs em latão, em moldes, que apareceram na oficina, objetos graciosos que ainda existem nas casas de todos, a quem os ofereceu.
Assinei o livro de honra com uma dedicatória às gentes da indústria naval, sempre mal pagos em relação aos empregados da Marinha, ainda assim dedicados a outras maiores artes, no mesmo rigor ao meu marido pela dedicação de 40 anos de serviço prestado, sempre assíduo no empenho maior do trabalho no dever em honrar o parco ordenado auferido, também no prazer da partilha de saberes e interajuda -, o fosse a chefias ou a desfavorecidos de cabeça, homens perdidos, que no dia da despedida nunca deixaram de lhe agradecer em carinhoso cumprimento, o afável obrigado.
Porque jamais foi  trabalhador subserviente nem "lambe botas"!
Homem de cariz inteligente, dedicado ao trabalho, no desprimor de encosto de bancada a fazer de conta -, antes gostava de se sentir ocupado, também animador abençoado de humor no gosto de abrir a boca em voz alta nos balneários, com isso soltar risos para a malta descomprimir!
Mas também se exaltar-, fosse por maltrapilho, ou por ideias pré concebidas sem "pés nem cabeça" de gente que não  sabe pensar!
Infelizmente nesta vida não teve a sorte de ter nas hierarquias, gente de visão, que nele apostasse acreditando no seu perfil e potencial -, com isso quem ficou a perder foi a empresa, no mesmo acredito outros colegas -, seja mote da causa fundamental do estado atual da empresa, o declínio-, afundamento a olhos vistos do Arsenal do Alfeite!
Porque só homens de valores e  de cariz incorrupto, são aposta de salvação de empresas!
Muita vez de semblante preocupado com o trabalho, desde que se reformou passou a dormir sossegado!

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