terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Museu de Cerâmica de Sacavém

De quando em vez recebo na caixa de correio convites para palestras várias sobre cerâmica, no Museu de Cerâmica de Sacavém. Aconteceu no último sábado a minha estreia, tendo como orador o meu bom amigo Jaime Regalado, no tema “Olhares da Loiça de Alcântara”.
Constata-se que ao tempo era habitual o copianço de técnicas e até motivos decorativos, sendo que estas duas fábricas não foram disso excepção.
 
Lembrei-me deste prato que vendi com "monograma A" e decoração campainha envolta em ramagem a destacar o quadro com um peixe -, seja pelo formato, peso e decoração a preto é fácil aventar que se trata de loiça de Alcântara, sendo na verdade Real Fábrica Sacavém.
O mesmo desta travessa motivo "Leques" também vendida, depois de limpa
O meu marido presenteou-me de me acompanhar. O dia começou por volta do meio da manhã em caminhada até Cacilhas e Cais do Sodré a Santa Apolónia, para clamar em espanto com a surpresa dos comboios suburbanos para a Azambuja terem deixado de estacionar nesta estação, se mudando em definitivo para a Gare do Oriente. O bilhete é o da cidade viva. O relógio marca a hora da partida para Lisboa.
A primeira vez na estação de Sacavém...
Deixou-me quase assustada a paisagem que se avista quase medonha, dada pelos viadutos das estradas, pontes metálicas, miscelânea de fios das linhas, carris e das casas dos ferroviários de portas fechadas, e ainda gente que atravessa a linha vedada a gradeamento, como se fosse um hábito...
Estação
Por segundos em pânico até que apanhado o norte no rumo da saída , assustada quanto baste, senti enorme receio de usar a estação se aqui morasse, essa a verdade!
Imagens desse tempo na paisagem com o enquadramento da Fábrica e da linha ferroviária.
Bem podiam ter deixado o muro revestido a azulejo com a publicidade da Fábrica para perpetuar no tempo. Consegui distinguir ainda um troço da calçada de acessibilidade em basalto ao lado da linha.
O projeto da urbanização contempla os azulejos na parte de cima junto da fila de palmeiras, mas estão encobertos com a vegetação.
A antiga Fábrica de Loiça de Sacavém foi fundada em 1856 por Manuel Joaquim Afonso, dela apenas resta como património valioso o único forno nº 18, o arquivo empresarial FLS, a loiça e os azulejos.
Prefaciando Sandra Tomé Botica na sua página do facebook
"A Fábrica de Loiça de Sacavém foi uma célebre unidade industrial de produção cerâmica situada na freguesia de Sacavém, tendo marcado profundamente o quotidiano da povoação e celebrizado-a, não apenas dentro de Portugal, como também fora dele – de tal forma que a frase «Sacavém é outra loiça!» se tornou o expoente máximo dessa fama.
A fábrica situava-se na Quinta do Aranha, junto da da atual linha de caminho-de-ferro da Azambuja, tendo chegado a ocupar, na sua época áurea, uma superfície de 70 000 m²; a essa implantação não era alheia a construção do primeiro ramal de comboio em Portugal (ligando Lisboa ao Carregado, com paragem em Sacavém), que viria a ser inaugurado em 1856, permitindo assim uma mais fácil expedição das mercadorias e matérias-primas.
A fábrica teria sido instituída em 1850 (pelo menos, assim o indicava um dos painéis de azulejos colocados à entrada da fábrica, e que foi visível até meados da década de 1990), por Manuel Joaquim Afonso; contudo esta data não se apresenta como consensual, pois parece só ter começado a laborar em 1856.
Nos anos em que esteve à frente da fábrica, Manuel Joaquim Afonso teve que fazer face a diversos problemas financeiros, pelo que entre 1861 e 1863 a fábrica acabou por ser vendida a um inglês, John Stott Howorth, que introduziu novas técnicas de produção oriundas do Reino Unido. Em poucos anos, a Fábrica da Loiça tornava-se numa das mais importantes em Portugal no ramo da produção cerâmica, destacado-se pela produção de faiança fina baseada no caulino (uma argila com alto grau de pureza); o sucesso alcançado é tal que o rei D. Luís I confere a Howorth título nobiliárquico (Barão de Howorth de Sacavém), e ainda o privilégio de a fábrica se poder intitular Real Fábrica de Loiça de Sacavém. Para além disso, nos últimos anos da sua vida, o rei-consorte D. Fernando II executou e pintou várias peças cerâmicas na Fábrica, dada grande amizade que o unia ao Barão de Sacavém.
À data da sua morte, em 1893, já a louça de Sacavém se achava fortemente implantada no mercado, rivalizando por exemplo com a Vista Alegre, de Ílhavo; no ano seguinte a baronesa Howorth de Sacavém estabeleceu uma sociedade em comandita com o antigo guarda-livros da fábrica, James Gilman, a qual assegurará a administração da mesma até à morte da Baronesa, em 1909, altura em que Gilman assume sozinho o governo da empresa. Mantém-se a aposta na ligação estratégica ao mercado inglês, tanto ao nível da exportação do produto final, como da aquisição de novas tecnologias para a fábrica – em 1912, por exemplo, é inaugurado um forno-túnel com 8 metros de altura e 85 metros de comprimento, obra de dimensões colossais, e onde pela primeira vez se utilizou betão armado em Portugal.
A Fábrica de Loiça tornou-se numa das principais unidades fabris da cintura industrial da zona oriental de Lisboa (compreendida entre o Beato e Vila Franca de Xira), e o seu sucesso foi tal que conduziu ao aumento vertiginoso da população de Sacavém (que, por alturas da fundação da fábrica, teria pouco mais de 350 habitantes, tendo, porém, a partir de então aumentado a população da freguesia de uma forma constante e sustentada), sendo que em 1890, mais de metade dos quase 1890 habitantes da povoação tinham o seu emprego na Fábrica de Loiça. Muitos dos que aí trabalhavam eram oriundos de várias partes do País, que se deslocavam para a capital e zonas suburbanas na busca de melhores condições de vida.
Dessa forma, numa povoação fortemente terciarizada, não é de estranhar que a maior parte dos habitantes fossem adeptos de doutrinas como o socialismo e o republicanismo, tendo-se desenvolvido fortemente o associativismo (é pelas mãos dos operários que nascem, por exemplo, a Cooperativa de Crédito e Consumo «A Sacavenense», no dia 31 de Janeiro de 1900, na comemoração dos nove anos da fracassada intentona republicana na cidade do Porto). Após o 5 de Outubro de 1910, e com o reconhecimento do direito à greve pelo Governo Provisório da República Portuguesa, sucedem-se as paralisações, tendo vários operários participado, por exemplo, nas greves de 1912, que forçaram o governo à detenção de algumas centenas de grevistas em vários fortes da cintura da capital, entre os quais o Forte de Sacavém. Nesse mesmo ano, formara-se o sindicato dos operários cerâmicos, havendo muitos filiados em Sacavém.
Não obstante, talvez pela sua gerência inglesa, a Fábrica de Loiça de Sacavém foi pioneira em certas medidas que denotam a existência de preocupações sociais da parte do patronato: a criação de uma escola dentro da fábrica, a existência de um caixa de socorros mútuos para os seus trabalhadores, o direito a férias remuneradas, e a instituição de campos de férias para os filhos dos trabalhadores da fábrica.
Nas primeiras décadas do século XX, o pintor Jorge Colaço executou na fábrica os azulejos para diversas das suas mais significativas obras: a Estação de São Bento, no Porto (1903), o Palace-Hotel do Buçaco, no Luso (1907), o Pavilhão dos Desportos, em Lisboa (1922), ou a Casa do Alentejo, também na capital.
Em 1921, com a morte de James Gilman, sucede-lhe à frente da fábrica o seu filho Raul Gilman, tendo como sócio um outro inglês,Herbert Gilbert.
A povoação continua a crescer, em grande parte devido à fábrica, de tal forma que em 1927, o governo de ditadura militar saída da Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926 decide atribuir o estatuto de vila à povoação de Sacavém. Ao mesmo tempo, porém, inicia a política de repressão aos trabalhadores, gente de espírito combativo e que não se revê na ditadura.
Dessa forma, não é de admirar as tentativas de paralisação levadas a cabo por operários da fábrica, contra o regime que se viria a estabelecer – o Salazarismo. Destaca-se a famosa «greve dos rapazes», em 1937, em que os aprendizes da Fábrica de Loiça acabaram por ser detidos pela G. N. R., seguindo-se uma vigília das suas mães e/ou esposas, e uma dura repressão por parte da PIDE. Nesta greve destacou-se a figura de António Ferreira, dito «O Compositor», sucessivas vezes preso pela polícia política, e que acabou por se tornar um herói da resistência antifascista.
Entretanto, em 1962 ascendia à administração o filho de Herbert Gilbert, Leland Gilbert, e em 1970, entrava-se na última fase de vida da fábrica, com o derradeiro dono, Clive Gilbert.
Após o 25 de Abril de 1974, a Fábrica de Loiça entra num conturbado período, tanto a nível laboral, como financeiro, acabando a fábrica por encerrar em 1983 (em 6 de Outubro do ano anterior, Monteiro Pereira, o administrador da fábrica, fora assassinado à saída da sua casa, em Almada, por uma rajada de metralhadora, num atentado perpetrado pelo grupo terrorista F.P.'s – 25 de Abril); em 23 de Março de 1994, o Tribunal Cível da Comarca de Lisboa declarou a sua falência, fechando definitivamente as portas a 7 de Abril. A isto se seguiu a venda dos seus bens em hasta pública."
Ingressei no Banco Pinto Sotto Mayor na Avª da Liberdade em 80 , recordo-me da loja da Fábrica Sacavém na avenida, onde comprei a minha primeira peça, uma leiteira igual a esta.
Em finais de 95 uma reunião camarária deliberou a vontade da criação de um núcleo museológico que não deixasse morrer a história da referida fábrica, e da sua produção cerâmica, em prevalecer nos terrenos onde outrora esta se erguera, sendo que no restante terreno viria a nascer uma urbanização-, Real do Forte, ao que se consta no contrato de concessão tinha a obrigatoriedade de prevalecer um forno, e na sua volta disperso casario enquadrado em espaços verdes, de grande harmonia pela pequena altura dos prédios, com gradeamentos no r/c , totalmente forrados a tijoleira cerâmica, em tom cru, que passados 15 anos, se mantêm, o que revela a qualidade do material usado e da sua colocação, onde não se vêem grafites nem atentados ao património, antes um belo local para se morar.
 
O átrio do Museu mostra-se de grande lajeado em granito. No seu tardoz o telhado foi pensado como se fossem as asas de um avião. Foi o responsável da obra que encontrei numa feira que me falou.
Entrada do espaço museológico com um silhar de azulejos de figuras avulsas em pó de pedra, anos 30.

Entrada da Sala Eduardo Gageiro
Mosaico cerâmico e azulejos da Casa Oliveira , onde viveu o Mestre José de Sousa em1932. Segundo o responsável da obra que dele falei antes, foi muito difícil de colocar.
José Cardoso Pires

"De Gageiro se diz que descobre todos os dias Portugal, descrevendo o olhar mais íntimo de cada um de nós, portugueses.

Foto no sítio da batalha de Alcácer Quibir onde o D. Sebastião se finou ...
António Ramalho Eanes na Arrábida no surf...Bom corpo atlético
Feira em dia de chuva com exposição da loiça no areal...
Vaidosa na selfie na frente do fotografo

O Forno nº 18
Avistei o grande forno ao átrio a trespassar vidraças 
Sonâmbula em êxtase pela cor crua em brutal contraste
Mirabolante luz prata a encadear a justa certeza do enfado
no fado ideal, alastrando em mim incêndio fulminante!
Ambiente quente de antanho, se  mostra aqui demais apagado!
Sem dó nem piedade fluem em pressa tantas ideias!
Vigas de ferro imitam prateleiras nuas vestidas em cinza
A montra ideal da FLS para o Mundo de esplendor e brilho estonteante !
Tanto reluzir ao jus da cúpula forrada a Companhia das Índias do Palácio de Santos
Haja dia  neste Museu assim igualar se houver poder criativo capaz e humano
Em graça o desfecho do renascer da glória da FLS e dos seus amigos
Clímax demoníaco em fantasia jubilada a mirar tanta loiça...
Brutal orgasmo inteletual apreciar em deleite tantos modelos!
 Embaixada francesa do palácio de Santos
Debalde de loiça vi parca e, branca junto ao forno...
Esta cúpula parece tem vindo a dar problemas quando chove muito...
Ainda uma grande sala para workshops para crianças laborarem aprendizagem do azulejo, e outras cerâmicas, distingui meio inclinado pelo tempo, do calor e humidade a imitação do forno na vontade e brio de o construir com embalagens…
Fábrica produziu loiça utilitária e azulejos, ao gosto dos motivos tradicionais portugueses, e outros ingleses sobejamente conhecido por “cavalinho”, a preços competitivos, por isso fácil entrar na casa de todos os portugueses, que ainda hoje reconhecem esta loiça pela abundância quando herdada, de panóplia em motivos decorativos, que se revelarem no tempo em que laborou, havendo grandes colecionadores, amantes desta Fábrica, detentores de grandes coleções, atendendo às constantes inovações da evolução na textura das pastas, decoração e pintura. 
Em 1958 o serviço completo de jantar comprado para o casamento dos meus pais custou à roda de 5 contos...
Forno visto por dentro, a foto possível só com a iluminação das bocas iluminadas

Objetos de cariz indiferenciado, pertences de trabalho da laboração da fábrica
Imagens desse tempo de laboração na Fábrica
"Pela forma sensível e inovadora como aborda e preserva o património industrial e artístico, o Museu de Cerâmica de Sacavém, mereceu, em 2002, o Prémio Europeu Luigi Micheletti do Fórum Europeu dos Museus."
Perdoem se com frontalidade afirmar que não me certifico neste mesmo estar, e quero acreditar não seja por falta de valores sensíveis e inovadores ?Valores fundamentais que na atribuição mereceram a menção do prémio. 
E porquê? Porque o Museu de Cerâmica de Sacavém deveria ser a meu ver no seu todo dedicado à sua história, produção de loiça e seus operários-, loiça sendo a única que o povo português mais reconhece, por ter sido, ainda o é em casas muito usada, desde o tempo dos bisavós, avós e pais.
A minha filha tem 32 anos e faz questão de usar peças Sacavém que lhe ofereci, por serem "a cara dela" depois de devidamente depuradas da gordura entranhada.Delas faz uso no dia a dia.
 
Parte da coleção de caixas para a mercearia em vários tamanhos e a taça para a salada
Aqui as travessas ainda não tinham sido submetidas à limpeza de depuração da gordura
Fatalmente, o que se me deparou na visita agendada de véspera imaginei delirante a vontade de me vir aqui perder com a imensidão de peças ... 
Sinceramente o que esperava encontrar fosse uma admiração extasiante da exposição, e ainda perdida na contagem das peças iguais da minha coleção 
E não foi, por isso a brutal frustração!
Comecei a visita com uns parcos exemplares dentro da caseta acima, e uma trempe em material refratário com um suporte partido, para amostragem como iam a cozer dentro das casetas "caixas" no forno. 
Deveriam haver centenas de trempes, será que nas reservas existem mais?
Ainda o azar do forno de luz fundida, apenas se distinguiam os focos das fornalhas acesas que se faziam sentir no escuro e que inviabilizaram a minha percepção do tempo em que as caixas de loiça ali eram cozidas, na simbiose da sorte acreditar estar dentro do mesmo forno onde algum prato, caneca ou terrina, no meu tempo de vida já toquei e admirei, sem ser a loiça da minha primeira predileção, na certeza de querer acreditar que sim, até porque sou fã do número 18, nem de propósito o mesmo número do forno…
Deviam haver centenas de trempes-, só vi esta com um pé partido...
Apreciei a ciência do saber em manobrar os fornos, desde os pôr a aquecer com lenha ou carvão, e depois em manter a temperatura, consoante o que ia a cozer e com isso a técnica de temperaturas diferentes.
A funcionária que nos acompanhou na visita simpaticamente puxou em força o gancho
No bordo exterior a toda a volta a existência de grandes puxadores em ferro que uma vez acionados a mãos, fazem abrir no topo aberturas para escapar calor, quando a temperatura era superior à pretendida, regulada por uns elementos, fragmentos que lembram dentes de marfim em miniatura?, cada um na função de atribuir indicação da temperatura pretendida a vários graus quando introduzido em buracos específicos em quadrado como se nota na foto acima, que contornam o forno.
Quadra não espelha a mostra do Museu...
Também porque a publicidade de antanho, não combina com o que vi exposto...
Ainda a pensar que o Museu de Cerâmica de Sacavém deveria toda ele ser dedicado à sua loiça, a única que o povo português mais reconhece, por mérito próprio!
 
Vitrinas com peças expostas
Uma peça relevada para ser apreciada por invisuais
Loiça evocativa dos monumento portugueses


Apresento um pratinho publicitário da minha coleção, do tempo áureo das Caldas de Moledo no Minho.

O interesse na amostragem é para tomarem nota que se trata de produção da Real Fábrica de Sacavém, mas não foi marcado, como aconteceu com muita loiça. Alguém para o vender e ganhar mais, por ser publicitário, colou-lhe um carimbo de Sacavém, muito conhecido. Esta situação é vulgar acontecer. Por isso as precauções que se devem ter conhecendo as peças e os motivos no tempo.

Painel de azulejos da Fábrica de Sacavém
O pintor Jorge Colaço pintou os painéis da Estação de S. Bento no Porto em 1903; Palace-Hotel do Buçaco em 1907 ; Pavilhão dos Desportos em Lisboa em 1922;Casa do Alentejo e,...
Não sei quem pintou o painel na entrada do Mercado Engº Silva na Figueira da Foz
Coleção exposta no Museu
Canecas, jarras e taças que uma confeitaria em Coimbra, encomendava à Fábrica de Sacavém para vender a marmelada, e ainda fazia publicidade .Também tenho duas desta cor, verde e amarelo torrado.

Mais uma imagem de algumas das minhas peças não tão usuais
Medalhas de seis carimbos da fábrica e outra medalha com o último carimbo em jeito de "S"
Sinto alguma necessidade de evitar criticar, sejam as situações, os comportamentos, até porque, na maioria das vezes, só conhecemos um lado de cada história. Também porque se aprende muito mais a ser justo apenas ouvindo, neste remate se revela assim a personalidade a pensar em Fernando Pessoa “ Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque menos depende da minha subjetividade.” 
Ajudada pela coragem, o meu poder nesta vontade de opinar sobre o que me choca nesta vida, no dia-a-dia, mas claro sem descrédito e desprimor dos valores dos outros, no equilíbrio do respeito seja apenas o olhar que se revela em múltiplas e substanciais diferenças.
Porque na primeira impressão o que fatalmente senti? 
A entrada do Museu em design de arquitetura de linhas modernas, com abundância de vidraça e vigas de ferro cinzento, no contexto da urbanização, num estilo clássico a tijoleira, tenho dificuldade em entender o porquê de não ter sido igual, seria para chamar a atenção, dar nas vistas o destaque, e assim a distinguir na brutal diferença? Pois que seja, agora se o objetivo foi conseguido? Deve ter sido, porque o Museu, ganhou um prémio internacional...
Me perdoem insistir: porta mui pesada, virada a norte, com o frio e ventania na recepção...
Como se não bastasse este choque, outro se lhe junta pela evidencia em letras garrafais do nome do fotografo internacional Eduardo Gageiro, seja por esperar ver anunciado na frontaria "Museu de Cerâmica da Fábrica de Sacavém", apenas distingui neste placar no início do átrio lajeado que lhe dá acesso...
Julgo por Eduardo Gageiro ter sido empregado da Fábrica de Loiça Sacavém, de 1947 a 57 até que entrou nesse ano no Século Ilustrado como foto jornalista. 
Fatal choque seja a surpresa, compreendendo que o equilíbrio do certo e do errado seja tarefa difícil de estabelecer como nível ou padrão! 
Não sei se o espólio do fotografo é permanente ou temporário, bem poderia fomentar workshops a crianças, adolescentes e adultos sobre as técnicas da arte da fotografia, planos, formas, a luz e,...Contudo a meu ver o espólio de Eduardo Gageiro merecia ter a sua Casa própria, em lugar distinto, e não enquadrado no atual, na hipótese de se ensombrar um ao outro, sendo que ambos tem elevado mérito próprio, não sendo justo o desequilíbrio que senti . Qual a razão na altura em não fazerem espaços distintos, um na frente do outro, por exemplo?
Em destaque na exposição a maquete feita por um trabalhador nos anos 60, dando uma imagem do espaço que a fábrica ocupava, sendo ladeada pelo caminho-de-ferro e a estrada antiga de ligação a Lisboa-, pavilhões, fornos, o atual, e outros em túnel e ainda uma grande chaminé, as casas dos mestres… 
Onde não falta a entrada decorada a azulejos amarelos com a menção do nome da fábrica pintada a azul, que ao perguntar onde estariam, na resposta "não se sabe o seu paradeiro!"
Alvitro hipóteses:
Roubado? Após a falência, ou na desmantelação a escombros, ou mesmo a sua destruição total...
Inegável perda significativa da história e património!

Na maquete a frontaria da Fábrica, ladeada por painéis de azulejo amarelo de letras em azul.
Nada que o meu "tête a tête", modelo Art Déco de Sacavém, não resolva !
Gostei francamente do pessoal adstrito ao Museu, por se mostrar simpático.
As casas de banho modernas muito bem cuidadas. 
ACREDITO QUE AS RESERVAS-, DETÊM GRANDE ESPÓLIO (particular?) QUE DE VEZ EM QUANDO RODA EM EXPOSIÇÕES TEMPORÁRIAS. 
Defendo que as peças dos Museus devem ser mostradas em permanência, por serem a cultura viva de um povo, o nosso-, que todos nos devemos orgulhar. Aqui trabalharam homens e mulheres arduamente, a troco de parco salário, fosse a transportar carvão e lenha, acender fornos, moldar as peças no barro, aparar , regular temperaturas dos fornos, enfornar as casetas pesadas com a loiça, pintura, secagem e embalagem para os mercados, sem descuidarem a luta social para auspicio de uma vida melhor -, será que me passou despercebida a homenagem de enaltecimento honroso aos trabalhadores?
Na loja comprei o livro "150 anos da Loiça de Sacavém e outro "Da Fábrica ao Museu"muito barato, em relação ao primeiro, que se mostra de excelente qualidade.
Um porém na Loja, os espécimes para consulta e posterior aquisição, com preços a lápis antigos-, origina confusão e não devia!
Haveria de se mostrar excelente a palestra sobre a Loiça de Alcântara, com uma moldura humana interessante.
Lamento algumas fotos pela falta de qualidade, seja demasia da luz e pela máquina .
Seja a deixa o remate em beleza a escultura totalmente branca, a lembrar os primeiros malagueiros de faiança no século XV, gaivota assente na crista de uma onda, assinada SACAVÉM-, a lembrar o Tejo ali ao lado...
Citar o dono da peça Amândio Marecos  a quem agradeço o comentário " Reconheci aqui as fotos da minha peça " Gaivota, voando sobre uma onda " , pelos fundos das fotos que me foram familiares. É uma escultura imponente que guardo com muito gosto na minha coleção. Comprei-a aos descendentes de um conhecido arquiteto Lisboeta."

Fontes:
Fotos e dados da Fábrica de Loiça de Sacavém da Wiquipédia
Pagina do Facebook da autora citada na interligação
Foto da gaivota peça da coleção de Amândio Marecos
Fotos do Google

2 comentários:

  1. Reconheci aqui as fotos da minha peça " Gaivota, voando sobre uma onda " , pelos fundos das fotos que me foram familiares. É uma escultura imponente que guardo com muito gosto na minha coleção. Comprei-a aos descendentes de um conhecido arquiteto Lisboeta.

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  2. Caro Amândio Marecos, guardei esta foto que encontrei supostamente quando a partilhou no facebook ou no google, já não me recordo, a eleita para fechar em beleza a crónica, na verdade conheço uma muito semelhante, peça da minha sogra . Vou por uma menção na crónica que é sua.
    Bem haja.
    Cumprimentos

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