quinta-feira, 4 de maio de 2017

Fontes, Lagoas, Poços e Tanques de Chafurdo em Ansião

Desde que me conheço no quintal dos meus pais ao Bairro de Santo António em Ansião a existência de um poço de formato estranho, sob o comprido, abaulado dos lados (que me reportava para o formato de urna)  com uma escadaria em pedra de bastantes degraus que muita vez subi e desci para tirar água coberta de limos pequeninos para a rega do couval em agosto...Mas também serviu para andar de barco, numa câmara de ar de um pneu das camionetas Serras de Ansião que as limpavam ao Ribeiro da Vide, onde a deixaram e a minha irmã  reutilizou ao lhe dar um nó com uma corda ao meio para fazer dela um barco que navegou neste poço e se remava com a vassoura de piaçaba...
A foto apenas mostra a entrada com a escada, ao fundo a minha mãe mandou fazer uma parede prolongando-se o resto para outro quintal
Jamais assim encontrei outro semelhante por Ansião,  e também ninguém nunca me soube explicar porque tinha aquele formato em relação  aos demais poços todos em redondo.
Anos mais tarde falei com a D.Maria José Nogueira que me disse ser um poço de mina. Há anos a minha mãe mando-o limpar e não lhe distinguimos nem  mina,  nem tesouro...Aclararia numa conversa com a Fernanda das Lagoas, que me falou da existência de uma mina de água na quinta das Lagoas com data de 1779  onde fui há dois anos, propriedade camarária com terreno limpo, mas a fonte envolta em silvedo não a pude observar devidamente, mas tudo aventa ser uma fonte de chafurdo com mina, porque dei conta que a água escorre por ribeiro até se extinguir mais à frente na propriedade. Necessita ser limpa para saber se ainda tem a data e porque é património público histórico a preservar.
Mina de chafurdo da fonte da Quinta das Lagoas
Quinta da Bica - Fonte da Bica com tanque de chafurdo
"O Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu Livro de 1986 na pagina 78 em nota de rodapé   menciona que dos antigos fontanários de "chafurdo" , é considerável o que existe no termo de Lagoas e à entrada da Sarzedela.Fica junto à estrada e, pela estrutura de alvernaria, parece um forno de cozer pão;sendo exemplar único no seu género, merece ser atentamente preservado, porque é património cultural. Outro existe na Bica, e data de 1783."

Na minha memória guardo ainda a Quinta ao Lameirão com  um enorme tanque de chafurdo em lajeado e no canto o  fontanário, a fonte da Bica, sita na beira da estrada coimbrã , hoje soterrado no nó do IC 8 em Ansião. De tanto (falar e bater...) tenha havido clarividência para na rotunda à imediação da sua primitiva localização ter sido recentemente  colocado o enorme barril que serviu de ornato ao cortejo do Povo o ano passado do carro dos Netos, no tema  alusivo à água e às fontes para aqui neste sítio ter sido colocado o barril, para mim não foi por acaso!
E obviamente me parece a atitude de louvar!
O barril encontra-se com o bucal para a vila
Aqui no tardoz para se ver que foi do carro alegórico de A.C Netos
Uma das tradicionais fontes que o concelho foi apetrechado em 1964 numa empreitada do Sr.Margarido de Santiago da Guarda, e do pedreiro, o meu avô "Zé do Bairro" . Neste caso a fonte  com a roda em ferro para fazer emergir a água, outra assim igual ainda existe na Fonte da Costa , ao Salgueiro,  Granja e Carvalhal em Santiago da Guarda, Lagoa do Pito, Aljazede e,... tendo dado conta nesta Páscoa que a roda da fonte ao Ribeirinho foi retirada...
Fonte do carro alegórico dos Netos de 2016
Fonte da Costa desconheço se antes da intervenção 1964 pelo meu avô, acaso seria um poço com tanque de chafurdo (?)
 Fonte da Granja em Santiago da Guarda na mesma situação da anterior
 
Poço e Fonte do Carvalhal a intervenção alterou supostamente a fonte que seria também com tanque de chafurdo.
 
A água é um bem essencial para a vida, os nossos antepassados na região sempre tiveram escassez de água por ser um chão cársico com muitas fendas e a água se entranhar  pelos algares que dão vida de inverno a vários rios, (Nabão, Dueça, Anços, Rio dos Mouros, Rio do Olho do Tordo, ribeiras e ressurgência d'àgua perto de Formigais.
Sendo certo que em toda a região cársica a única que encontro com água no verão, apesar deste ano com seca que outra igual não se deslinda nos últimos 100 anos, se encontra a nascente de Almoster  num grande poço ao cimo da encosta cuja estrada de terra atestada na toponomia como Rua da Fontinha.
Seja o poço que abastece a Ribeira de Almoster, e outro veio abasteça as azenhas a poente, e no passado aqui se chamava Chão d'águas, hoje não sei, o que senti um deslumbre de fresquidão que não tem sido aproveitado, e o merecia para usufruto da população e viandantes em peregrinação a caminho de Fátima e de Santiago de Compostela.Que outro nasceu o ano passado na Freixianda também com um ribeira, que o visitei, se mostra fresco, florido e muito agradável para se passar um dia em família com fornos, churrascos, parque infantil e outras estruturas, para pensar a câmara de Alvaiázere em distinguir Almoster apesar de estar de costas tem mérito e o merece e bem em ser engrandecida! 
Ribeira de Almoster 
Com a ponte restaurada nos ombrais laterais, cujo lameiro tenha sido este ano limpo, já crescem silvas e as árvores na moldura da ribeira estão muito grandes
Na lateral apesar da interrupção da variante de Almoster para o Arneiro a norte se encontram as azenhas onde ainda corre a água.
No costado a nascente da serra de Nexebra em que o povo escavou minas  para captar a água, dividida por dias, ou horas pelos moradores, consoante a mina estivesse em terreno do dono, este teria o quinhão maior. Recordo em miúda nas férias em casa da minha avó materna Maria da Luz de apreciar as levadas de água a correr de mansinho, imagem que até hoje guardo pela beleza da água a desliza pelo rego debruado  a verdes onde o bucólico e os silêncios só interrompido pelo chilreio dos piscos, do cuco ou da coruja à noite a minha música, porque a minha avó não tinha rádio. Havia também minas férreas, na sua volta tudo era ocre, o povo aproveitava para cozer a hortaliça e ficava verdinha.Para lavar a roupa era a norte da Moita Redonda nas Calhas, nome que lhe ficou pelas calhas em pinho que traziam a água da mina do alto da encosta até um baixio onde fizeram um tanque e as mulheres lavavam a roupa, correndo a demasia para um grande poço que ainda existe e dele se regavam as hortas ao Furadouro.No meu tempo de criança, anos 60 na Moita Redonda, por ter aparecido a novidade, o plástico, o povo canalizou a água das minas para as suas casas com canos finos, duros em preto que deles ainda se encontram facilmente pela serra. O meu avô José Lucas fez a ligação à sua mina da Cavada, descia pela força da gravidade para encher um grande tanque em pedra que ainda existe ao cimo do quintal herança da minha mãe cujo bocal, uma pedra esculpida com formato de rego  muito trabalho me deu a mim e à minha irmã trazer para recordação,  a água chegava à torneira presa ao postalete de madeira, nada mais que um tronco de árvore meio torto a servir de pilar ao telheiro da casa de chão de terra a imitar África pela cor forte da terra em contraste com a bacia grande em plástico azul bebé que os tios "Paredes e Rosária", na sua primeira vez de férias após a sua emigração para Luanda haviam de comprar, porque a casa já tinha luz elétrica oferecida pelo Comendador Alberto Rosa de Lisboinha, muita novidade que noutras aldeias ainda nada disto havia. No entanto o ribeiro que lhe corre pela frente do caminho do Vale uns metros acima da casa que foi da Ti Rosa da quelha, na passagem à mina do Vale o ribeiro estrangula-se onde haviam duas ou três pedras brancas para lavar roupa trazidas da serra da Ovelha no dorso do burro do Ti Mateus, o sitio onde gostava de tomar banho junto de figueiras enfezadas que acabaram por morrer, nesta Páscoa apesar do caminho da quelha ter sido fechado para a serra há uns anos, indevidamente, nas imediações o  seu dono por ter roçado as silvas teimei nele voltar a passar, foi dificil, mas consegui para ficar fascinada ao reparar que as figueiras rebentaram, pequenas, mas bonitas...Por toda a Nexebra existe ainda o rasto de antigas minas, na maioria secas pela forte eucaliptização. Seja a sul a mina do Gavião que foi do avô do meu marido com tanque, era uma mina de chafurdo como era a de S.João do Outeiro do Cuco e outras por certo.
Mina da Cova da Raposa na Nexebra, atualmente seca e visível pelo fogo...

Mina na estrada do Pinhal do Índio de Pousaflores para o Furadouro
Mina de S.João do Outeiro do Cuco na Nexebra
Antes e agora intervencionada pela JFP em setembro de 2016
A JFP ao fazer a ligação da Mina de S.João à fonte pública se devia ter acautelado, a mina esteve durante anos com pouca ou quase nenhuma saída de água, quando toda uma vida esteve a correr dia e noite em tempo sagrada, para agora ter sido deixada de porta aberta se mostra sujeita a vandalismos (?), sendo que supostamente a água não foi sujeita a análise (?) estando a fonte sem qualquer aviso, sendo inevitável que quem dela se abeire seja levado a beber água. Foi o que fiz pela saudade de outros tempos ao encher 3 garrafas, para mim, o meu marido e a minha mãe, imagine-se foi um Deus nos acuda de vómitos, disenteria, ficando o corpo sem forças, três dias e tivemos muita sorte porque disso logo dei conta !
O que não foi feito aqui devidamente? O lavadouro foi requalificado e abastecido de água.
Ligação da água da Mina pela JFP sem se saber se procedeu à análise das águas que deveria estar afixado o seu relatório na fonte. 
A JFP deveria ter procedido ao fecho da Mina com porta de ferro por precaução de vandalismo com  fonte na sua frontaria para quem passar pela serra se saciar.
Em cúmulo a fonte não apresenta qualquer aviso sobre a qualidade da água e no passado apesar de seca tinha aviso, ainda identificável nesta foto.

Primitiva fonte e lavadouro ao Vale, na Moita Redonda
Alguém o mandou construir na década de 60, disso não tem qualquer menção, porque era pessoa sem vaidade, mas que hoje dá a falsa  sensação que foi a JFP em 2016 que o fez, e isso não é verdade. 

Por não haver placa sobre a qualidade da água leva qualquer pessoa a saciar a sede, ainda mais porque o espaço foi requalificado há pouco tempo.
Esta água contaminou pelo menos 3 pessoas-, a mim, à minha mãe e ao meu marido.
A JFP deveria ser mais cautelosa ao executar tarefas que envolvem terceiros, tomando cautela de prós e contras, porque com a saúde pública não se brinca!

Requalificação da fonte ao Vale na Moita Redonda 
Sendo uma aldeia antiga, o telhado deveria ter sido privilegiado em telha vã, que ainda existe em muita ruina.
A mangueira ainda ligada para salvar as casas do incêndio...e o continuou para rega de quintais...
Em Ansião além das fontes públicas as pessoas em geral tinham nos quintais poços para abastecimento das casas, minas, ou fontes de chafurdo onde mergulhavam os cântaros para retirarem a água.Sem saber os riscos que corriam, porque as águas não eram analisadas, e todos os dejectos domésticos eram despejados na estrumeira e claro com risco de contaminação. Mas também me lembro de ver gente a limpar poços, tinham essa preocupação, embora não os tapassem para encher com a chuva, mais tarde a água era encaminhada dos beirados por calhas direcionadas para encher os poços que não tinham nascente,  em geral era cimentado para não perder a água. Conheci alguns assim.
Em 1939 foi um ano de grande seca, a maioria do milho secou por falta de água, havendo pouca ou nenhuma safra. Outras secas se seguiram em 1944 a 1946 por todo o País, além dos efeitos secundários da grande guerra faltava milho para fazer a broa. Nesta altura houve uma epidemia de tifo, que vitimou muita gente. No Pereiro morreu o pai da minha querida tia Emília e a irmã mais nova por terem bebido água que estaria inquinada de um poço.
Em tempo de parca cultura em povo fortemente beatizado via  em Deus a sua salvação para em tempos de aflição em anos de seca era costume fazerem novenas ou procissão aos campos com preces de rezas com pedido a Nosso Senhor que mandasse a chuva...Então não me lembro da minha avó Maria da Luz quando se ia a Chão de Couce ou a Pousaflores levava todo o santo caminho a rezar, " este pinhal que foi do Ti Columbano avé maria e padre nosso e este que foi do sicrano e aquele do beltrano...Um tempo de tanta reza para hoje a minha se mostrar mui reduzida, que ainda a faço diariamente...
No inicio do séc. XX  procedeu-se ao abastecimento de Fontes na rede pública na vila de Ansião com água da Mina da Garriaza,  elevada ao Castelinho do Cimo da Rua, que tem pela frente um pedestal, que ainda existe com esculturas interessantes, já deviam estar limpas, que delas dei a conhecer em setembro de 2015, sabendo que já andaram em sua roda ...
O pedestal era encimado por uma Cruz alta, por isso se chamava Cruzeiro. 
Toponímia incompleta - Rua da Mina
O deveria ser Rua da Mina da Garriaza
 
 Obra da Câmara municipal datada de 1902
Com muita certeza realizada pelo meu bisavô Francisco Rodrigues Valente, pedreiro durante anos limpava o canal de areias para a água se manter limpa.
Porque razão de se chamar castelinho à casinha com paredes encimada por ameias?
As ameias ditam aqui ter havido qualquer construção antiga de defesa (?) ou capela, tendo sido reaproveitada, o que faz sentido (?).
Castelinho, ao Cimo da Rua em Ansião
Fiquei de boca aberta ao reparar como foi possível o arquiteto da Câmara ter permitido que a casa no seu tardoz lhe ficasse tão "entalada"...
A estrada da vila bifurcava-se aqui uma seguia pela Garriaza na direção do Casal de Afonso Pera com dois moradores na era de 600, por isso uma das primeiras estradas de ligação da vila a um Lugar de termo da mesma, e outra seguia a serra para Chão de Couce.
O Cimo da Rua apresenta ainda algum casario de traça bem antiga com janelas de avental que alguns aventam a data de 1735, num linter apesar de seguro por uma tira em ferro o que deslindo é 1 3 1 4 (?).
O enigma estará apenas no 2º algarismo que pode ser um "8",  algo que deveria ser apurado, porque faz toda a diferença sobre o passado de Ansião.
Rua Jerónimo Soares Barbosa a Fonte  já não existe, apenas o estreito edifício do depósito de água que daqui descia para a vila.
Fontanário em ferro no Largo Adolfo Figueiredo na vila

Em 1903 Alberto de Pimental na sua viagem pela Extremadura esteve em Ansião tendo-se referido à existência de uma fonte - um marco fontanário no terreiro da Praça do Município, supostamente foi retirado por volta de 1937, devido ao incêndio nos Paços do Concelho que depois foi ampliado e na mesma altura foi executada a primeira calçada e a placa com bancos  pelo Manuel Murtinho, cuja data se encontrava emoldurada em calçada 37/9 ? ,  não sei se preservaram para um dia mostrar no Museu que tarda nesta terra abrir!

Fontanário ao Fundo da Rua 1937
Com duas pias em pedra para os animais saciarem a sede
Fonte do Ribeiro da Vide
Com poço de nascente próprio . As pessoas abasteciam-se de água em cântaros à Fonte do Ribeiro da Vide.Até que a vila foi dotada de abastecimento e água em 1972.
No meu tempo já existia ao Ribeiro da Vide um outro grande poço público onde os bombeiros enchiam os tanques e também servia para encher os tanques do lavadouro público ligando o motor elétrico.
Se a fonte foi construida em 1897 com poço de nascente a uns metros para sul, e havendo este poço maior a nascente, evidencia terem ambos sido no passado pertença da mesma quinta- Quinta do Bairro  que o rasgo da estrada a caminho de Alvaiázere depois de 1875, os deixaram em terreiro público, altura que fizeram os aquedutos em pedra para encanar o Ribeiro da Vide em quatro viadutos, que no verão com os cachopos gostávamos de os passar a rastejar.Isto para dizer que tudo leva a crer que este poço maior por estar a escassos metros da confluência do Ribeiro da Vide e de outro ribeiro que se forma ao fundo dos quintais do Pinhal Tenreiro que em tempos o Ti Miguel com o burro movia nele uma atafona, por isso se chamava à atual Rua do Ribeiro da Vide a quelha da Atafona.
Possivelmente este poço grande que hoje abastece os Bombeiros, teria sido no passado um poço de chafurdo (?), sendo que sempre o conheci  já intervencionado e fechado com um lavadouro público a metros sito a poente, entretanto demolido na primeira requalificação do Jardim do Ribeiro da Vide tendo sido outro feito agora junto do poço.
Fonte do Ribeiro da Vide de 1897
 As pedras na frente serviam para lavar roupa, a cheguei aqui a lavar
Ainda a recordar a temática da falta de água recordo em 1981 ter ido pela primeira vez a Monsanto onde a subir distingui na praça um fontanário com uma  correnteza de cântaros em lata pintados em cores berrantes enfileirados e na sua espera mulheres.Uma imagem impressionante, pelo tamanho da fila e pelas cores azul, amarelo, vermelho, verde...
Dolina cársica que o povo chama lagoa- AMEIXIEIRA

A seu redor a nascente alguns poços para rega das hortas de onde trouxe boa alface e couve galega para aferventar.Um deles é de chafurdo disse-me o meu compadre.
Na minha infância o meu pai em Ansião mandou fazer um poço novo e um tanque no sótão, porque a casa foi a primeira na terra a ter placa com cimento, a água era puxada por um motor eléctrico que ainda existe com canalização debaixo da terra, só possível porque naquele tempo a electricidade tinha puxada para o Hospital que estava na altura desativado,  depois do Ribeiro da Vide só a nossa casa e a da tia Maria a tinham até ao 25 de abril.
Tanques debaixo de um dos arcos da Ponte da Cal
Para mim estes tanques são nada mais nada menos, do que tanques de chafurdo que no final do séc. XIX o povo lhe atribuiu aqui tomar o Banho Santo...Na verdade as pessoas chafurdavam dentro dos tanques, porque são muito baixos, e as águas as acharem milagrosas, de facto as água tem carateristicas medicinais, sobretudo para males de pele. Já no Agroal um afluente do Nabão, com água todo o ano com as mesmas carateristicas quimicas de Ansião, onde assisti durante anos a muita pessoa a tomar efetivamente banho com sabão azul e branco, junto da roda dos alcatruzes, que hoje não existe, ensaboavam o corpo, deles se ouvia o reparo  "olha-me  para aquele mastunso ensaboado acarvar-se na água até ao pescoço..."
A pia que na tradição popular dita ter sido onde a Rainha Santa Isabel se banhava inserida dentro do tanque das mulheres,  indicia ter sido feita com o propósito para uso das crianças para não se afogarem, até porque a Rainha Santa Isabel jamais por aqui passou por a ponte ser bem mais recente.
Assim, estes tanques foram em tempo de antanho tanques de chafurdo em águas "milagrosas", na minha visão!
Na requalificação da envolvente do Nabão 
Os poços das propriedades confinantes que ficaram no espaço foram reconvertidos na traça antiga.
Poço na minha propriedade e da minha irmã com nora nas Lameiras em Além da Ponte
Poço desprotegido nas Lameiras em Além da Ponte
A guarda em tijolo em derrocada
Contudo tenho apreciado muito poço coberto por grade em ferro  e outros com vedação em rede
 Poço totalmente desprotegido na Moita Redonda
Ribeirinho
Poço de chafurdo conhecido por poço da Ameixeira e na verdade o sítio é RIBEIRINHO
 
Um grande poço em redondo com o canal de acesso por escadaria em pedra ao género da entrada para a câmara usual numa anta
 
Nesta Páscoa cheio de água até quase ao primeiro degrau.
Canal de entrada pedonal para a escadaria que lhe dita o nome de poço de chafurdo.


 Fonte do Ribeirinho feita em 64 pelo meu avô "Zé do Bairro"
 Foi-lhe retirada a roda de ferro para fazer emergir a água...

 A foto que registei a todos os que fizeram o favor de me acompanhar nesta caminhada
Bem hajam pelo carinho, disponibilidade e prontidão de me aturarem nas minhas divagações.

Quem se lembra do balanço para tirar a água dos poços?
Herança deixada pelos mouros... com outros nomes;picota, cegonha e,...


Lagoa cársica do Ribeirinho
O que dela resta, mostra-se afunilada por terem feito o caminho , apresenta-se ao género de um barranco, que está neste estado atulhado de vegetação.
Se em Ansião os tanques da Ponte da Cal estão no estado que mostrei , aqui a JFCC não se mostra de melhor eficácia. Algo é necessário se fazer e rapidamente para não se perder a identidade do nosso passado. As lagoas da Ameixieira e do Ribeirinho, devem ser limpas para ser motivo de atração turística, e ao se mostrarem em total abandono, o tenham sido até aqui de visão curta!
Uma achega para campanha nas próximas eleições!
Chão de Couce na primitiva Quinta da Cerca resiste o poço de chafurdo com escada
Escada em pedra sobre pedra seca , a casa foi arrasada, o poço ainda existe...
Belchior em Ansião
Quiçá um dos mais antigos poços de chafurdo ainda por terras de Ansião (?)
Encontrei-o pela Páscoa, sozinha, depois da dica da D.Emília André, que conheceu bem o local, foi dela, e por isso lhe agradeço. Este poço é diferente dos demais.Apresenta -se o poço de chafurdo pequeno a poente e a nascente o poço redondo maior, também com escada em pedras secas colocadas na parede do poço, prática ancestral que em miúda me lembro de haver também para se subir a propriedades.

Em virtude dos poços terem proteção, lamentavelmente o seu actual  dono entendeu que as telhas velhas aqui atulhadas, estariam  bem, e já se encontra entupido mais de metade...Homem que descende de gente ilustre desta terra, jamais foi à escola, por isso o deficit cultural...Os musgos, as ervas, e o tempo de antiguidade de séculos dificultam a visualização da escada, ainda assim a distingui.
A escada corre-lhe abaixo na foto
Havia outro poço de chafurdo onde hoje é o Intermaché, num terreno do Sr.Artur Paz que dele falou e mostrou ao sobrinho Renato Paz que fez o favor de partilhar comigo, dizia-lhe o tio " no verão o descia pela escada e se metia num túnel, seria a mina da água onde a água nascia..."
Interessante falar deste poço para memória futura  por ter estado inserido no primitivo burgo de Ansião.Atendendo às carateristicas destas construções neste maçico de Sicó a sua origem seja moura (?), atestada  na toponímia no poço da Ateanha .E na várzea de Aljazede existe o poço do Carril com escadaria dado a conhecer pelo historiador Dr Arnault.
Na região de Sicó e Ansião haverão outros poços e fontes de chafurdo acredito, só partilhei o que conheço e conheci, sendo que jamais  alguém se referiu sobre este tipo de poço ou fonte com este nome - CHAFURDO, até podiam ter mostrado algum, mas dai saber do que se tratava, vai meia légua...

Poço de chafurdo conhecido por Poço dos mouros na Ateanha
A escadaria se desmembrou no muro que havia atrás de mim, segundo a mãe do Costa, vizinho da minha mãe com 94 anos, me confidenciou.
 Poço e fonte de chafurdo na Torre da Ladeia no Alvorge
Na atual quinta do Dr.Faria que fazia parte da quinta do Vale Mosteiro sempre me falaram de um tanque, que encontrei agora em junho de 2017, em formato retangular fechado por vedação em rede. Por estar com água e limos, tem de ter nascente, por não se encontrar devidamente limpo, fica a dúvida se é um poço de chafurdo com tanque (?) .
Poço com tanque de chafurdo (?) ao lado da escada de acesso à casa da Quinta do Dr.Faria
A "Bina piloto" leu a crónica e disse-me que no quintal do seu tio Jerónimo Coutinho no Cimo da Rua recentemente vendido à Celeste Neno também havia um poço de chafurdo com escada. A Celeste interessada em lamento envia-me mensagem a dizer que não é no quintal da casa que comprou, mas sim noutro que os pais do Zé Manel (electricista) cultivaram quando era miúdo.

A minha amiga Helena do Carvalhal, também me disse que ia buscar água a um poço com estas carateristicas ao quintal do Ti Augusto Lopes, perguntei à Celeste se ainda existia, disse-me que o irmão o remodelou com manilhas tendo retirado a escadaria e na volta tinha  um lajeado lindo.

Por confirmar na Quinta da Fonte que foi de Adriano Carvalho, cuja fonte veio a dar o nome à urbanização tenha sido também um poço de chafurdo (?).
No mesmo na Fonte Santa, cuja mina e fonte foi alterada em 1902/3 pelo meu bisavô, tal como a do Cimo da Rua, no castelinho, por certo todas seriam poços com fontes de chafurdo, o que faz sentido dizer e com as alterações do progresso se perderam essas caracteristicas.

Lucília do Carmo  teceu o seguinte comentário -  "Havia uma fonte de chafurdo junto ao Casal da Raínha, perto de Almoster, deixou de ser porque me lembro de o meu Pai como estava na Junta de Freguesia, de terem feito as ditas obras, isto por volta de 1949/50 não sei ao certo !"
Estive no local e vi a fonte, mas nem me lembrei de registar foto, tudo aventa que tenha sido de facto uma fonte com tanque de chafurdo.
Coluna com escada de pedra seca em Almoster

Casal da Rainha em Almoster
Muro com escada em pedra seca, registada em andamento...
Muro na Cabeça Redonda com escada de pedra seca

E outros que conheci e no tempo desapareceram.

Lagoa cársica da Cabeça Redonda
Agosto de 2017, com pouca água...



Lagoa de Aljazede
Lagoa do Pito na Lagarteira em setembro de 2015
Mais uma achega a os vários tipos de captação de água seja em lagoas, poços , fontes e tanques tradicionais na região de Sicó inserido a sua maioria em trajetos medievais .

Esta crónica nasceu ao gosto de adeus aos meus 59 anos, ao jus do ditado mais vale um gosto que 10 vinténs no bolso, que afinal até recebi  da minha querida mãe,  este ano abriu os cordões à bolsa para ofertar neste último abril às suas ricas filhas um bom quinhão, com a retórica mais vale vos agraciar em vida e ouvir obrigado, que depois de morta ...Tenha vencido a preferência, em véspera de aniversário na grande motivação em prol de apressada sair para a rua e comprar o que não preciso!

Fica o aviso
Toda e qualquer partilha de imagens ou de saberes aqui exarados  tem de ser mencionada em Fonte, caso contrário teremos chatices.Cansei-me de roubos; ideias, informação, fotos, para os ver em brilho radiante, que de todo não o merecem !

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