terça-feira, 6 de março de 2018

Belchior dos Reis cristão novo da comunidade judaica em Ansião

Voltar a prefaciar o pensamento
Não há nada mais prático do que uma boa teoria
Ribalta histórica em mim se havia de cimentar ao longo de 50 anos pela capacidade de armazenar em memória porquês, dúvidas, questões e conversas sobre os primórdios de Ansião, para se fazer luz no local improvável à partida no meu querido e amado Bairro de Santo António, na certeza de ter sido palco do primeiro poder político na vila de Ansião! Mas que grande e sentida emoção!
Estranhava em miúda o complexo ruinal ao cimo do quintal dos meus pais que foi repartido no herança com a tia Maria onde a sul entesta com o casario onde morava o "Carlos Pêgo" com um átrio lajeado e na frente duas colunas em quadrado grandes e cada uma com parreira secular para o Largo do Bairro, mas também as grandes fazendas desde o Ribeiro da Vide até ao Pinhal na mão de gente dos lados da Ameixieira, em prol dos residentes do Bairro com pouco quintal. Por altura das sementeiras os via chegar; o "Ti Zé Reis" o "Ti João das notas" e outras famílias que nunca soube o nome, uma delas vinha amanhar a fazenda onde hoje é a casa e escritório do Dr. Delfim, advogado, seria ele e uma prima entretanto falecida, recordo eram um casal de adolescentes bonitos abençoados de belos cabelos negros asa de corvo, e outras pessoas amanhavam fazendas junto da actual rotunda da Avª Comendador Américo Simões Santo, onde foi construído um prédio. Demorei anos a entender a razão da herança deste património no salpico de outras famílias de apelido "André", "Serra" e "Nogueira" para enfim entender que todos tem laços familiares na herança do seu quinhão da Quinta do Bairro que foi de Belchior dos Reis. Há dois anos na Lagoa da Ameixieira na casa da Sra. Helena Duarte Silva, gentilmente me convidou em dia de Natal onde na cozinha dei conta de dois objectos com mais de 180 anos da Vista Alegre que tinha numa cristaleira, facto que estranhei pela antiguidade, apenas acessível noutro tempo a gente endinheirada, pelo que mais quis saber. Disse-me que os herdou de uma tia casada com um "Manuel dos Reis" nascido numas casas junto do cemitério da Ameixieira, tendo aqui vivido na Lagoa numa casa de sobrado com sinais evidentes de ter sido abastada com recheio da Vista Alegre, depois de viúva ainda foi a Coimbra ver a Rainha Isabel II de Inglaterra quando veio a Portugal em 1957, por não deixar descendência, a D. Helena se habilitou a herdeira conjuntamente com os outros sobrinhos, contando episódio passado com o Sr. Raul Borges, então vizinho dos meus pais no Bairro, em que estranhei a sua ligação aqui, afinal a herança não era devida a ele e sim à sua esposa-, Maria do Carmo Marques dos Reis que sempre conheci e tratei por " Ti Maria" outra dificuldade de anos de não a ligar à Ameixieira, afinal de onde é oriundo o seu pai da família "Reis" que se foi casar na Quinta do Martim Vaqueiro comprada pelo pai deste na altura da fuga dos apoiantes Miguelistas, para assim entender finalmente as interligações e o seu encaixe histórico do que foram no passado estas terras onde ainda hoje alguns seus descendentes carregarem orgulhosamente o apelido - Reis, sem contudo saberem da ligação ao seu ascendente o ilustre de Ansião-, Pascoal José Mello Freire dos Reis e ainda , alguns  hoje a viver em chão do que foi a Quinta do Bairro que a avó do Carlos Cotrim do Escampado de S. Miguel chamava à propriedade que aqui tinha cota parte, hoje pertença dos pais dele - a quinta do Bairro.
Fechei a chave d'oiro esta ligação com a "Ti Maria Reis" e a sua filha a São Borges dos Reis, residentes no Bairro de Santo António, vizinhas da minha mãe. Ascendência familiar que em vaidade já lhes transmiti!
Ninguém sabia desta relação familiar, apenas salpicos de episódios que foram transmitidas oralmente na família, sem ter havido alguém a fazer correlação de ascendentes e concluir tão ilustre passado.

Em Ansião gente com apelido "Reis"
Na Sarzedela de onde é natural a mãe do Padre José Eduardo Reis Coutinho houve um ascendente que foi padre - Damião Freyre dos Reis nascido em 1695.


Passaporte de José dos Reis
1900-06-23 Idade: 38 anos
Filiação: Manuel dos Reis / Maria Rosa
Naturalidade: Bate Água / Ansião
Residência: Bate Água / Ansião
Destino: Santos / Brasil

Passaporte de Alberto dos Reis
1908-04-04 Idade: Não mencionada
Filiação: Francisco dos Reis / Florência de Jesus
Naturalidade: Fonte Galega / Ansião
Residência: Fonte Galega / Ansião
Destino: Santos / Brasil
Observações: Escreve

Passaporte de Adelino de Jesus
1901-05-13 Idade: 31 anos
Filiação: Pai incógnito / Maria da Conceição
Naturalidade: Ansião
Residência: Ansião
Destino: São Paulo / Brasil
Observações: Pai incógnito. Acompanhada de seus filhos, Manuel dos Reis, de 10 anos, Alfredo dos Reis, de 7 anos e Bonifácio dos Reis, de 4 anos. 
Filho de pai incógnito tendo dado aos filhos o apelido Reis. Suposto dizer que pai um descendente Reis da quinta do Bairro onde a mãe teria trabalhado?
Adelaide Mendes Simões nascida nos Matos com 5 anos partiu para Santos com os pais, lembra-se de Alfredo Reis que morreu no dia do seu pai.
Segundo excertos dos Cadernos  de Estudos Leirienses nº 9 "Para concretizar este intuito, El-Rei consultou a Câmara Municipal de Coimbra que , na vereação de 30 de setembro de 1665, emitiu parecer favorável à doação régia, sob protesto do seu procurador - geral que declarou que desta decisão receberia Sua Majestade "grande perda". Entretanto, tendo ocorrido a destituição do Monarca,interrompeu-se este processo, que só foi retomado já durante a regência do Infante D. Pedro, jurado herdeiro a 27 de janeiro de 1668"
"O Rei D. Pedro, por alvará de 15 de Julho de 1689, anuiu a que se anexassem a Ansião os lugares mais próximos, de modo a conformar uma população de, até, 100 moradores, conforme havia prometido a D. Luís de Menezes; e, para o efeito, incumbiu o corregedor da Comarca de Coimbra de assistir às demarcações.Em resultado desta determinação régia, em 1721 a «Villa de Ancião»".
" tinha «47 moradores», mais «hum cazal chamado Cazal de Pêras situado em hum outeiro com 2 moradores». Do seu termo fazia parte «o lugar do Escampado situado em hum outeiro alto, e fragoso de pedras todo cuberto de carvalhos, e olivais, com 44 moradores». No total, no ano de 1721, Ansião e seu termo possuíam 93 moradores (fogos), a que corresponderiam entre 325 e 372 indivíduos."
A razão de partir nesta aventura?
A propósito do que transcreveu o Dr. Manuel Augusto Dias , Ansianenses Ilustres 1, Ansião, 2002 referente a excertos do jurista natural de Ansião Júlio de Lemos Macedo dos finais do séc XIX  retirado «do paiz, notas e criticas d'um provinciano, Imprensa Civilização, Porto, 1892 Júlio de Lemos Macedo exerceu o cargo do primeiro notário em Ansião, sem conseguir ascender ao lugar de juiz saiu várias vezes prejudicado na sua vida profissional por força das suas convicções políticas, tendo sido várias vezes preso depois da implantação da República. A condição de monárquico convicto obrigou a que se exilasse no Brasil, em 1912 de onde julgo não voltou. "
"Nos finais do século XIX o jurista natural de Ansião (op. cit., p. 177) escrevia que em Ansião já não vivia qualquer parente conhecido de Melo Freire, apenas em Almofala de Cima, ainda pertencente à Comarca de Ansião, vivia um seu sobrinho. É ainda o mesmo autor que nos informa que «Pascoal José de Melo Freire mandou construir em Ansião um bom edifício de vivenda que não chegou a ver concluído. Esse edifício, em estado de ruína, foi vendido por José de Melo Freire, de Almofala de Cima, filho de Bernardo Freire de Melo, capitão-mor das extintas ordenanças, um primeiro e outro segundo sobrinho do eminente jurisconsulto, ao pai de quem escreve estas linhas, José Luís de Macedo, que o fez reconstruir, aproveitando-lhe as paredes e a cantaria, e que do mesmo faz sua casa de habitação». Segundo o que conseguimos averiguar, esta casa ainda hoje existe, precisamente na Rua da Vila que ostenta o seu nome».» Em abono da verdade nenhum dos dois alegadamente investigou esta família para infelizmente os contradizer e concluir ambos os relatos com fulcral engano, pese embora tanto tempo já passado demonstrar  que ainda existe descendência desta família ilustre em Ansião, em chão da que foi a sua Quinta do Bairro, Casal Galego (hoje Pinhal), Escampado Belchior e S.Miguel, Ameixieira, Martim Vaqueiro, Pombal, Barreiro, Lisboa e pelo Mundo!
O pai de Júlio de Lemos Macedo foi José Luís de Macedo sepultado no cemitério de Ansião onde já distingui a sua sepultura, comprou a vivenda  mandada construir por Pascoal José de Mello Freire dos Reis por concluirContinua o relato do magistrado «Numa simples louza, que no adro da egreja (de Aguda) cobre a sepultura d'aquelle magistrado, se lê o seguinte: - "Aqui jaz o Conselheiro José de Mello Freire, porfesso na Ordem de Cristo e na de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, Comeendador da Torre Espada, e fidalgo da Casa de sua Magestade, etc.»
«Em nota de rodapé, diz ainda: O sr. Bernardo Freire de Mello, morreu em 25 de Setembro de 1852. O seu filho primogénito, o Sr. José de Mello Freire, dedicou-se à direcção dos trabalhos agrícolas de sua casa; e o filho imediato, o Sr. Abílio João de Mello Freire, frequenta os estudos preparatórios da Universidade (em 1859).»
Na visita que fiz à Aguda deslindei no adro pedras sepulcrais em calcário, a maioria o tempo e a erosão destruíram os seus caracteres, recentemente em duas delas foram retocadas a cinzel as suas inscrições, ficando as demais sem reparo, por não ser mais possível distinguir o que ali foi esculpido.Sendo estas uma delas pertença ao Conselheiro José de Mello Freire.
Adro da Igreja da Aguda
A crónica desenrola-se no papel de investigadora autodidata sem o rotulo de historiadora credenciada, mulher prática de teimosia bastante, umas vezes a avançar outras a recuar, fazendo fé no dito popular " nem tudo o que parece é" aqui seja verdade, sem medo a partilha e glória, por chegar a tanta certeza!
Agradavelmente tive ajuda nesta odisseia de documentação e achegas que imediatamente consegui deslindar em feeling ou instinto correlação  em a colocar nos espaços. Aos que importunei tanta vez exaustivamente agradeço a tamanha ajuda que se mostra fulcral para finalmente decifrar questões do passado de Ansião, em particular da ascendente família com apelido "Reis" com raízes primitivas no Escampado dos Calados onde nasceu Manuel Roriz Bicho.
Encontrei num povoador do Alvorge por volta de meados de 1140 o apelido Buchum, sem saber se dele derivou Bicho...em registos de batismo na centúria de 600 encontrei seguido do nome - de alcunha o bicho, a evidenciar o apelido tenha derivado do estado calado do carisma do povo judeu , letrado, convertido à força em cristãos novos depois do êxodo de 1492 expulsos de Espanha entraram na raia espanhola e fixaram-se com este apelido em Alcains, Vila Nova de Tazem, Tondela, Monforte da Beira, Figueiró da Serra na Guarda, Sabugal, desceram ao Alto Alentejo - Malpica do Tejo, Rosmaninhal, Redondo, Bencatel, Borba, Campo Maior ,Alvito e,...O apelido "Bicho" aportou a Gois, Proença a Velha , Ansião, encaminhou-se para Condeixa e Pombal, e para o litoral Lavos, na Figueira da Foz e daqui para norte Povoa do Varzim e Vila Real. Houve várias pequenas comunidades judaicas aportadas à região de Ansião que se estenderam aos concelhos limítrofes, lamentavelmente até hoje nunca foram motivo de estudo, o seja pelo fatal desconhecimento deste passado em jamais assumir a sua herança de costado judaico.Gente de cariz reservado, ainda hoje descendentes se notam as caracteristicas, apesar da globalização.O que ditou este substancial interesse foi a partilha do Renato Freire da Paz ao me confidenciar que os seus bisavós paternos de Ansião, eram judeus. Conheci toda a família, na sorte de um dos seus tios o António Freire da Paz também meu tio por afinidade por ter casado com uma irmã da minha mãe, a que juntei memórias do meu tempo de criança da sua família, e ainda da estrela de David que via pintada nas casas e muros, da qual desconhecia o significado. Havia muitos anos mais tarde de aflorar numa conversa com o meu amigo Carlos Serra Cotrim do Escampado de S. Miguel, cujo temperamento alegre e descontraído se revela muito semelhante ao meu, confidenciou-me que o seu apelido paterno provêm de Paio Mendes, Ferreira do Zêzere, outro lugar com história do passado ligada a judeus que ali se refugiaram e em Abiul, povo de origem franco/alemão com ascendência judaica, asquenezes. De facto o seu pai é um homem de alta e forte estatura, bem entroncado, característica desse povo , não nega essas raízes. Confidenciou-me ainda na família da mãe de apelido "Serra" também de ascendentes judeus houve um que foi estudar para padre tendo sido denunciado pelo que não pode prosseguir , por nesse tempo até à 4ª geração eram considerados de sangue impuro. Ao limite da Fonte da Costa  onde antes foi um poço de chafurdo ao lado da quinta do Sr. Calado, supostamente nome que advêm do lugar acima "Calados" hoje herança de um filho.Na verdade (Calados) terá ganho a alcunha do facto das famílias não falarem para não ser reconhecidos da sua origem judaica a "impureza de sangue ditava não poderem exercer as artes que tanto gostavam e tinham especial talento como a medicina e boticário, se deixando ficar nas de barbeiro que fazia de dentista e de médico, sapateiro, alfaiate e agricultor"Dessa comunidade viveu gente com apelidos espanhóis que vingaram até ao séc XX: Roiz, Rodrigues, Varzes, Mendez, Carualho, Sylva, Freyre, Mello, Gonsalvez , Velasquez, Serra, Ssa, Coutinhõ, Medeiros, Pays, Affonso, etc.Adoptaram novos apelidos para despistar a Inquisição com referência à natureza; animais, plantas, árvores, legumes com que se identificavam entre si  na sua ascendência judaica e ainda a fidelização de alcunhas e apelidos: Bicho, Barata, Nogueira, Oliveira, Pereira, Coelho, Feijão, etc e nomes alusivos aos Reis Magos - Reis, Belchior, Gaspar e Benjamim; e ligados à cristandade Cruz, Santos, Lucas, Matias , Ramos, etc; e ganhos pelo perfil Calado, Feyo, Ruivo, Moreno, Mouro, etc
Na capela de Santa Marta no Escampado em Ansião, um dos primeiros lugares a se instalarem famílias judaicas  o local onde mais capelas cristãs foram instituídas e se realizavam casamentos. Encontrei num os padrinhos Reverendo Padre José Freyre Marques do Escampado de Santa Marta...debalde não consigo decifrar a letra do pároco , como testemunhas Francisco Mendes e Belchior dos Reis ambos do Escampado dos Calados ( a naturalidade dos avós e pai de Belchior dos Reis, porque este  teria já nascido no Casal do Galego para onde foi morar o pai depois de casado, ou não veio nascer ali .
Registo na página na direita ao cimo em que ambos assinam o seu nome
Manuel Roriz Bicho 
Bicho alcunha?
Na minha opinião o apelido "Bicho"  alcunha ganha ao perfil calado e fugidio, "bicho do mato que se diz de alguém calado" nascido no Escampado dos Calados, onde os seus ascendentes  fugidos do êxodo de Espanha depois de 1492 se vieram a encaminhar em finais da centúria de 500 de concelhos das Beiras para Ansião . Depois de casado foi morar para o Casal do Galego, (indicia a sua origem da Galiza), lamentavelmente no séc XX a toponímia foi alterada e mal, para Pinhal. Construiu a casa a poente acima da berma da estrada real. O local chegou aos meus dias como pinhal, cujo destino se revela impressionante, por um seu descendente o Nuno Borges dos Reis Costa ter  construído a sua vivenda no mesmo local onde a sua avó materna em nova chegou a encontrar fragmentos de alguidares em verde e a minha amiga de sempre a Tina Mendes Faveiro e a mãe Florinda, no tempo das pinhas se lembram das ruínas da casa ainda existirem.Local onde nasceu o filho Belchior dos Reis, a quem já não deu o seu apelido em prol de outro mais sonante alusivo aos Reis Magos, a pensar no seu futuro, uma ideia estratégica de status, ascensão profissional e despiste à Inquisição, porque era povo inteligente e de grande sabedoria para se saber defender.
Belchior dos Reis

Lembro-me em miúda ouvir falar no Casal do Galego de uma casa velha em chão de uma mulher dos lados da Ameixieira, junto da beira da estrada real a nascente, onde havia um grande castanheiro, se falava que tinha sido encontrada uma panela com libras em ouro. Naquele tempo os tesouros se escondiam em casa. Havia gente que dizia que estes judeus tinham trazido moedas em ouro...Estes terrenos foram no passado e hoje ainda resistem alguns em mão de descendentes dos Reis vindos da Ameixieira.
Manuel Roriz Bicho 
Seria taberneiro, a razão de vir a morar na beira da estrada real, onde corriam as noticias com os viandantes de norte para sul e vice versa.Onde veio a nascer os eu filho Belchior dos Reis .
«Belchior dos Reis veio a participar como oficial nas Guerras da Sucessão de Espanha em 1704 , cuja guerra terminou em 1714. Casou em 1717 com Faustina Freire de Melo, tornando-se proprietário da sua Quinta do Bairro, construindo casa ao Largo do Ribeiro da Vide, onde nasceram os seus filhos.» Segundo o Dr Vitor Faveiro ( cf.  op. cit., pp. 33 e 34) «Belchior dos Reis ao se ter destacado na participação militar portuguesa, nunca pediu qualquer remuneração pelos seus serviços militares, optando antes pela compensação no seu filho primogénito Marcos Freire de Melo e Reis, nascido por volta de 1730, formou-se em Leis pela Universidade de Coimbra com a atribuição do cargo Capitão-Mor das Cinco Vilas que, então, pertenciam à Casa do Infantado, e incluíam Chão de Couce (sede da Ouvidoria), Aguda, Avelar, Maçãs de D. Maria, Pousaflores e ainda as povoações de Mouta Bela e Ameixeira. Foi, também, Procurador, na mesma Comarca, da Casa e Estado do Infantado .»
Depois de muito reflectir teria sido com muita certeza a casa dos seus descendentes da família dos Andrés a norte do largo do Ribeiro da Vide, que ainda a conheci, tradicional judaica , sem janelas a poente, apenas com buracos quadrados minúsculos, na frente para o largo nascia um balcão telhado com varanda de sacada de janelas ao jus de  casa de fresco, e ao lado uma porta dava para a casa de dentro com quartos e uma sala virada a nascente com janela de avental e bancos namoradeiros onde tinham no meu tempo vasos com avencas. O acesso à cozinha fazia-se por outra grande escada em pedra com ligação por um corredor a norte com a casa. Por baixo do balcão uma porta pequena  de acesso à cave. Se foi nesta casa onde viveu Belchior dos Reis, onde vieram a nascer os seus filhos, ou noutra casa da Quinta do Bairro, também herança dos Andrés, mas antes na centúria de 600 de familiares do ramo "Freire" por parte da mulher de Belchior dos Reis. Aqui reside um busílis se naquele tempo e é provável, a Quinta do Bairro nascesse mais a norte do baldio do Ribeiro da Vide e não a sul , na verdade é coisa pouca. Existiu a casa que falei na beira do baldio a norte e outra que ainda existe a metros para sul junto da eira que ainda é da família. A então quinta do Bairro na centúria de 600 seria de João Freire, o que veio a instituir a capela de Santo António em 1603, mais tarde abriu na quinta uma nova variante do Largo do Bairro para a vila por volta de 1647 que a  capela foi construída  virada para nascente para a quinta, no promontório que ficou da expropriação, cuja porta ainda existe onde  estão muitas sepulturas numeradas desta família Freire. As heranças no tempo se diluíram para em 1717 Belchior dos Reis ter adquirido a Quinta do Bairro a familiares da esposa do ramo Freire.E por isso ainda hoje seus descendentes com chão no que foi o palco dessa quinta do Bairro.Agora a casa onde teria vivido Belchior dos Reis?Numa ou noutra- as duas eram da mesma família, ambas aos limites norte e a sul do Largo do baldio do Ribeiro da Vide e portanto difícil dizer, numa das duas foi!
Descendência de Belchior dos Reis
Marcos Freire Mello dos Reis 
«O seu primogénito foi nascido em 1730 , veio a ser Capitão-Mor das Cinco Vilas, tendo casado com  Ana Maria Joaquina da Graça natural da Aguda, onde ficaram a morar e tiveram descendência. O seu assento de batismo diz de onde são naturais os avós: os maternos, José de Carvalho são de Vila Cã hoje no concelho de Pombal, e Luísa Freire, da Ribeira do Açor (Ansião); e os paternos do Casal do Galego (Ansião).»
Esta família começou por serem agricultores em terrenos pobres com muita pedra, valendo-se da vantagem de serem letrados e do movimento da estrada real que passava a um escasso km do lugar altaneiro onde se concentrou pelo menos uma comunidade judaica, com ligação ao vale Cerejeiro por um caminho que se bifurcava em dois, um para a centralidade  onde estavam as estalagens, e outro onde Manuel Roriz Bicho veio a construir a casa para se casar a que deu o nome de Casal do Galego, a um km a sul da primeira onde seja suposto teve uma taberna (?) . Naturalmente soube valer-se do movimento dos viandantes e das noticias que traziam a sul de Ansião , o primeiro antes das estalagens no Largo do Bairro . O movimento de chegada e partida de forasteiros trazendo e levando a notícia das quais soube tirar proveito para poder vir a alistar na guerra da sucessão espanhola o seu filho Belchior dos Reis, a quem já não deu o seu apelido nem o da esposa, a pensar quanto a mim em despistar a Inquisição para singrar na vida. Regressado a Portugal após a vitória os historiadores a ele se referem não quis  receber favores em prol do filho mais velho, Marcos Freire de Mello e Reis , o que levanta uma grande questão- na verdade após regressar é que se casa, ainda sem filhos, o que fez durante esse tempo? Se não tinha dinheiro como se explica a forma de ter adquirido a extensa quinta do Bairro em Ansião que fazia parte da herdade de Ansião pertença do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra? Vinha  esta quinta a foro na família Freire no final da centúria de 500 e sendo a sua mulher  Freire, a teria comprado ou herdado onde passou a viver e nasceram os  filhos? Óbvio teria sido recompensa pelos préstimos militares para se dedicar a ser agricultor! O seu primogénito veio a ser Capitão Mor das Cinco Vilas, casando na Aguda onde ficou a morar.
E ainda teorizo fosse o seu pai ou avô, um deles foi estalajadeiro ao Largo do Bairro onde na extrema da quinta do Bairro com a estrada real houve uma primitiva estalagem.
De facto era costume os padres terem como criadas as irmãs solteiras, A filha de Belchior, a Ana, veio a casar no oratório da  casa de um irmão padre em Coimbra. Outra irmã a Joana, casou em Ansião, mas veio a enviuvar, pelo que veio a ingressar na Ordem Terceira de S. Francisco em Coimbra.Belchior Reis casou duas vezes, com uma senhora de apelido "Serra" julgo veio a ter filhos deste casamento.
DILIGÊNCIA DE HABILITAÇÃO DE MARCOS FREIRE DE MELO E REIS
O meu amigo Henrique Dias enviou-me a Proc. de Habilitação de Marcos Freire de Melo e Reis ao Santo Ofício. O tribunal do Santo Ofício eram exímios a apurar a pureza de sangue, e não lhes "cheirou" a terem fama de Judeus, senão teriam sabido.
Excerto retirado de https://repositoriohistorico.pt/ 
DILIGÊNCIAS DE HABILITAÇÃO DO SANTO OFÍCIO
Bacharel Marcos Freire de Melo e Reis 
Data do processo 9-06-1761
Naturalidade - Ansião, Ansião
Pai Belchior dos Reis (Ansião)
Mãe Faustina Freire de Mello (Ansião)
Avô Paterno
Manuel Rodrigues Bicho (Ansião)
Avó Paterna
Isabel Rodrigues

Avô Materno
José Carvalho
Avó Materna
Luísa Freire

Cargo a que se candidata 
Familiar
Processo Torre do Tombo
PT/TT/TSO-CG/A/008-001/21882  Informação do arquivo
Outros parentes com habilitação no Santo Ofício


Na minha opinião em 1882 esta família já iria na 4ª geração (?) o limite considerado na descendência de sangue limpo do considerado "sangue impuro". Além disso temos de atender no passado só ficou escrito o que se quis e muitas vezes distante da realidade,veja-se o relato da batalha de Ourique. A foto do Pascoal, o jurisconsulto filho de Belchior tem rosto de judeu com nariz e mãos compridas para não falar do extraordinário talento para Leis. É impossível não ter descendência judaica,  aliás no Escampado dos Calados viviam também a família dos Varzes, apelido galego, os Mendez, entre outros. Os descendentes dos Roriz vieram a ter apelidos - Reis, Serra, André ouvindo dizer aos pais que eles aqui aportaram fugidos de guerras, um deles Serra, foi para padre ao ser descoberto a falta de pureza do seu sangue judeu foi escorraçado, facto que a família abafou, o soube agora por um filho da minha idade... «Belchior dos Reis ao se ter destacado na participação militar portuguesa, nunca pediu qualquer remuneração pelos seus serviços militares, optando antes pela compensação no seu filho primogénito Marcos » se Belchior se deixou ficar como agricultor da sua quinta do Bairro, denota um tempo como hoje de compadrio em Ansião no seio da comunidade judaica que comandava os interesses da vila. Ansião era quase deserta de povoadores na centúria de 500 quando aqui aportaram  judeus vindos das Beiras e depois outros vieram pela  via de casamento, na verdade naquele tempo esta região viveram muitos judeus. Na quinta da Gramela em Pombal o avó do Marquês de Pombal com costado judeu, não invalidou a sua ascensão como ministro de D. José, porque foi grande visionário em almejar riqueza, o pior sofisma da maior parte dos clãs judaicos, não do meu, apenas gosto de ter poupança para acudir a uma aflição. Uma dispensa para não se apresentar declaração de pureza de sangue era um elemento da família seguir a vida sacerdotal para os irmãos ficar dispensados de a apresentar, não é por acaso o numero excessivo de padres sem igrejas para paroquiar, em Ansião houve padres a instituir capelas para rezar ou os pais deles lhe as  fazer, que se interpreta da vida de padres nas Memórias Paroquiais. Por fim os descendentes de Marcos Freire de Melo dos Reis em Ansião que conheço tem carater reservado e poupança, também indivíduos desapegados aos bens e ao mundo, outros de mente conflituosa e justiçeira, com genes do irmão do Marcos, o meio padre  Luís de Melo  provocou o maior caos no bispado de Coimbra para subir na hierarquia , só um carácter judeu  clama justiça assim fazia, encontrei um mestrado de um padre de Ferreira do Zêzere, aliás ele não correlacionou alguns pormenores por não conhecer Ansião onde nasceu Luís de Melo, o cuidador dos estudos do irmão Pascoal em Coimbra, mais tarde foi viver para Lisboa, o irmão Luís de Melo saia do bispado de Coimbra sem dar cavaco a ninguém e ia a Lisboa tratar da sua vida- claro que ia cobrar ao  irmão os favores que lhe tinha feito em Coimbra e agora este o tinha de ensinar a se defender com retórica no Bispado e na verdade ganhou a causa. Outra  caracteristica judaica é o amparo de família, o Pascoal dos Reis quando morreu tinha a viver consigo entre irmãs e sobrinhos, 10 pessoas. 
Maria Aparecida Rezende Mota 
« Qualquer discussão sobre o papel desempenhado pelos judeus na construção do Novo Mundo passa pelo esclarecimento de uma espinhosa questão prévia: a dos critérios segundo os quais, e em que sentido, determinado indivíduo poderá ser considerado como judeu. Quer no caso dos judeus da Europa central e oriental, quer no daqueles judeus de origem ibérica que, antes de abandonarem a Europa (...)Estas questões são, evidentemente, centrais para a nossa compreensão da sociedade portuguesa na época moderna e do papel desempenhado pela Inquisição. São também centrais para se perceber o sentido que se deve atribuir às acusações de criptojudaísmo dirigidas contra cristãos-novos em todos os níveis da hierarquia social. Menos óbvia, talvez, será a sua pertinência para a nossa percepção do papel desempenhado pelos cristãos-novos ibéricos na construção do Novo Mundo. Deve ser recordado, contudo, que os cristãos-novos portugueses não foram importantes só no Brasil colonial. Representavam, igualmente, uma proporção significativa dos mercadores conversos que desenvolviam as suas atividades nas possessões espanholas da América do Sul e Central. Por outro lado, os judeus que se transferiram de Amsterdão para Pernambuco, e daí para as Caraíbas e América do Norte, eram também, em grande parte, de origem portuguesa.Como já vimos, a perseguição aos conversos espanhóis pela Inquisição estava mais ou menos terminada em meados do século XVI. Seguiu-se um período em que os inquisidores espanhóis se preocuparam mais com os delitos menores dos cristãos-velhos e, em Aragão, com os moriscos. Estes tribunais, e em particular os de Castela e da América espanhola, só retomaram a repressão do judaísmo quando, a partir de 1580, um elevado número de cristãos-novos portugueses se dirigiu para a Espanha e para as possessões espanholas. Uma proporção muito significativa dos processados por judaísmo pela Inquisição espanhola depois dessa data era, na realidade, portuguesa ou de origem portuguesa. Isto significa que a experiência dos cristãos-novos portugueses e, em particular, os mecanismos subjacentes à transmissão e construção social da sua identidade religiosa e cultural são de importância decisiva para a nossa compreensão do papel desempenhado pelos cristãos-novos no conjunto das Américas. Ao contrário das vítimas da primeira fase da Inquisição espanhola, cuja identidade judaica raramente estava em questão, os cristãos-novos portugueses dos séculos XVII e XVIII eram o resultado final de um processo complexo em que as identidades católica e judaica se encontravam profundamente imbricadas.»
Pascoal José de Mello Freire dos Reis e Luis de Mello
Ambos a  merecer a sua crónica.
O mais novo, Pascoal, viria a notabilizar-se como grande jurisconsulto, o conhecido Pascoal de Mello Freire. Aliás, este notável jurista português esteve inicialmente sob os cuidados de seu irmão Luiz de Mello, padre em Coimbra, quando, aos doze anos, transita para sua casa em  para iniciar os seus estudos preparatórios, ingressando na Universidade com apenas treze anos onde viria a doutorar-se em Direito Civil com apenas dezanove anos.
Ana de Mello Freire 
"Foi criada do irmão o padre Luís Mello, onde se casou no oratório da sua casa na Rua de S.Cristóvão em Coimbra com o Dr. Bernardo Correia de Azevedo Morato.
Inácio Morato Freire de Mello, seja o filho deste casal , que veio a apadrinhar uma criança em Arganil a 2-8-1816. Não o faz pessoalmente, mas sim através de um procurador, Manuel Gomes Nogueira, e a madrinha é uma irmã deste, Maria Bárbara Gomes Nogueira, ambos de Cavaleiros de Baixo, Fajão. Estes são primos ou sobrinhos do Dr. José Acúrsio das Neves. Em Arganil, viviam então a futura Condessa das Canas e seus 6 irmãos que usavam «Melo Freire de Bulhões», mas neste caso o Melo vem-lhes do pai e o Freire da mãe e além disso não há possibilidade de serem Morato.
Na freguesia da Sé Velha a 15-4-1798 morre na Rua de São Cristóvão o Dr. Bernardo Correia de Azevedo Morato."
Joana de Mello Freire 
Outra irmã. Em 1807 esta filha de Belchior dos Reis e de Faustina Freire de Melo, viúva, veio a ingressar na Ordem Terceira de S.Francisco em Coimbra.
Em 1807 Joana de Melo Freire
Viúva
Filha de Belchior dos Reis e Faustina Freire de Melo
Ansião

Três filhas raparigas, uma das quais cega.
Descendência de Marcos Freire Mello dos Reis
Filhos de Marcos Freire de Melo e Reis   
João de Mello Freire
"Nascido na Almofala de Cima em 05.12.1756 e baptizado na Aguda em 12 do mesmo mês. Sobrinho do famoso jurisconsulto Pascoal de Mello Freire dos Reis é neto paterno de Belchior dos Reis (aqui referido como Melchior) e de Faustina Freire de Mello da vila de Ansião, já defuntos nesta data, e maternos de Manuel Fernandes Themudo e de Maria da Graça moradores na Almofala de Cima, Aguda. Os padrinhos foram o Rev. Pe. Manuel Lopes de Chão de Couce e Dª. Anna mulher de João de Abreu Corte-Real da Rascoia, Avelar."
Joana Maria da Conceição
"Nascida em Almofala de Cima, em 08.12.1772, e baptizada em Aguda em 25.12 . O padrinho foi o próprio Dr. Pascoal de Mello "Colegial em Coimbra na ordem Militar" e Joana Maria de Lisboa que o foram por Procuração que deu ele a João de Mello, seria padre (?)."
Bernardo Freire de Mello Reis 
"Nascido em Almofala em  14.08.1778, batizado  em 22.08 na Aguda. Os Padrinhos foram um tal Bernardo Cezar ?) de Azevedo Moraes e sua mulher D. Joanna Freyre de Mello, moradores na cidade de Coimbra. Formou-se em Leis pela Universidade de Coimbra, e foi Capitão-Mor das Cinco Vilas (este cargo militar deve-o a seu pai, já que, quando da Guerra da Sucessão, Belchior dos Reis nunca pediu qualquer remuneração pelos seus serviços militares, optando antes pela compensação em seu filho, com a atribuição deste cargo), que, então, pertenciam à Casa do Infantado, e incluíam Chão de Couce (sede da Ouvidoria), Aguda, Avelar, Maçãs de D. Maria, Pousaflores e ainda as povoações de Mouta Bela e Ameixeira. Foi, também, Procurador, na mesma Comarca, da Casa e Estado do Infantado (cf. Vítor Faveiro, op. cit., pp. 33 e 34). Foi casado com Joaquina de Melo e Abreu morreu em 25 de Setembro de 1852 com 74 anos em Almofala de Cima, Aguda."
Maria Teodora 
"Nada se sabe ainda.
Por motivo de ausência de Almofala teve mais duas filhas uma nascida em Tavira e outra em Lisboa."
Ana Joaquina Freire de Melo 
"Filha do Bacharel Marcos Freire de Melo e Reis natural de Ansião da freguesia de N. Sra. da Conceição, e de Dª Anna Maria Joaquina da Graça natural da vila de Aguda da freguesia de N. Sra. da Graça, nasceu em Tavira a 25.11.1774, tendo sido baptizada no dia quatro do mês seguinte. Os padrinhos foram o Capitão Sebastião Coelho Xavier e sua mulher Joana Maria.Viveu com o irmão cónego em Coimbra Luís de Mello."
 Maria Freire de Mello 
"Foi baptizada em 28.11.1778 na Igreja de S. José em Lisboa onde nasceu a nove desse mês. Os padrinhos: Manuel José Mendes e Magdalena Violante da Silva mulher de Manuel Francisco da Cruz."
Descendência de Bernardo Freire de Mello 
José de Mello Freire 
"O seu filho primogénito foi Conselheiro.
Dedicou-se à direcção dos trabalhos agrícolas de sua casa
Faleceu em1836 em Almofala de Sima, Aguda."
Abílio João de Mello Freire 
"Frequentou em 1859 os estudos preparatórios da Universidade de Coimbra. 
Foi Padre na Freguesia de Aguda pelo menos no período de 1868 a 1906."
Joana Ermelinda Augusta de Melo
"Nascida em 1842 em Almofala de Cima, Aguda, casou em 25 de julho de 1879 com Manoel Mendes, nascido em 1856 na Salgueira em Maçãs D. Maria." 
Francisco Freire da Silva e Melo
«Nascido por volta de 1760/64 em Ansião , sobrinho de Pascoal José de Mello, 
Nos anos de 1797/98 também aparece vivendo em companhia do anterior outro seu sobrinho José de Melo Freire da Fonseca.»
Outros Reis sem saberem se tem costado...
Tive pelo menos três colegas com o apelido "Reis" no Banco em Lisboa em tempo que esta temática não gravitava na minha cabeça... Um deles de Grândola "Pereira dos Reis" cujos apelidos podem suscitar ligação num tempo de famílias da região de Ansião foram Senhores e Capitão mor em Arronches e Avis,  e mais tarde outros se deslocaram a ceifas tendo ficado por lá por casamento (?).
E outros pelo País e pelo Mundo!
Em que na toponímia em Lisboa e em Ansião o nome de Pascoal José de Mello Freire dos Reis ao se mostrar incompleto afasta a quem tem o apelido "Reis" de pensar sequer na possibilidade na sua ascendência a este ilustre ansianense.
Alguns célebres
Rodolfo Reis Ferreira
Será o antigo jogador capitão do Futebol do Porto, sobrinho neto de Pascoal dos Reis?
A olhar as semelhanças no rosto e pelo apelidos ainda vincados na região de Ansião e Aguda...
Obviamente pode ser pura coincidência...
António Manuel Soares dos Reis
O mais famoso escultor nascido em Vila Nova de Gaia em 1847, iniciou estudos aos 13 anos na Academia de Belas Artes no Porto, seguiu para Paris e depois teve um atelier em Roma onde esculpiu o famoso "Desterrado" em 1872, onde teve um precalço quando regressou e mandou vir a escultura alvitraram a mesma não ser da sua autoria, quem lhe valeu foi o II Conde de Tomar, a famosa estátua de D.Afonso Henriques em Guimarães é da sua autoria entre outras. Casou-se em 1885 com  Amélia de Macedo, de quem teve dois filhos: Fernando e Raquel Soares dos Reis.Suicidou-se aos 41 anos no seu atelier de Vila Nova de Gaia.
Estive no Museu com o seu nome no Porto, depois  no programa sobre a sua vida, ao ver a sua sepultura de onde lhe foi roubada a escultura da campa, de ver a foto e ainda a coincidência dos apelidos Soares + Reis + Macedo da esposa, todos naquela época de Ansião entendi pertinente aqui deixar esta reflexão.
Foto tirada em Paris 
Citar excerto da autobiografia https://antoniosoaresdosreis.wordpress.com/autobiografia/
Joaquim de Vasconcelos,  critico de arte e grande amigo de Soares dos Reis, enviou-lhe em 1879 um questionário ao  qual o Artista, não respondeu de imediato. A este respeito aponta Joaquim de Vasconcelos: «o questionário que apresentamos ao artista em meados de 1879 tinha um fim bem claro; mas Soares dos Reis, sempre um tanto desconfiado, deixou passar mezes, antes de responder. Venceu, afinal, o instincto do próprio interesse; e como ele não sabia mentir, e eu não soube nunca enganar ninguem com traiçoeiras lisonjas, redigiu e escreveu toda de seu próprio punho, com poucas ou nenhuma emendas, essa preciosa biographia, singela, sem atavios, sincera como o seu autor sempre foi."
Vasconcelos -, outro apelido que se acrescenta à região de Ansião, ao falar de Soares dos Reis "sempre um tanto desconfiado; e como ele não sabe mentir" alvitro a sua descendência dos Reis de Ansião,judeus oriundos da Goisas. 

Zé Pedro dos Xutos e Pontapés
Nascido em Lisboa a 14 de setembro de 1956  . O pai militar José Pedro Amaro dos Santos Reis. Apelidos da região a que se acresce o ar carismático, bonito, bem disposto e gosto musical, pode ter raízes na região (?).
Estrada real para sul na saída do Largo do Bairro
Hoje casa da Sr D Emília André
Baldio do Ribeiro da Vide
Em virtude das substanciais alterações com a instauração da Casa da Câmara no Largo do Bairro obrigou ao rasgo de nova acessibilidade a nascente que cortou a quinta do Bairro na centúria de 600 em baixo o novo muro da quinta que chegou aos meus dias com o portelinho entaipado e um promontório onde veio a ser construída uma pequena capela que tinha sido instituída em 1603 por João Freire a  Santo António.
No final do séc XIX novas artérias foram abertas no largo do baldio do Ribeiro da Vide.
No final do séc. XX na requalificação do jardim público foi retirada a entrada da quinta do Bairro para o Largo do Ribeiro da Vide procedendo a nova abertura para a Rua do Ribeiro da Vide.Integrado no muro jaz uma pedra deitada reutilizada do portal que conheci.
Onde teria sido a casa de Belchior dos Reis?
A origem do nome "Bairro" tenha origem na comunidade judaica aqui instalada em meados da  centúria de 400, pelos estalajadeiros entre o Vale Mosteiro e o Largo do Bairro, seriam quatro estalagens ao longo da estrada real com viandantes de todas as estirpes onde desenvolveram o seu negócio,  sendo então as quintas aforadas ao Mosteiro de Santa Cruz e  por isso o nome de Bairro, da sua comunidade judaica.

A Rua do Ribeiro da Vide
Nos anos 40 se chamava quelha da Atafona, pela existência a nascente de uma num ribeiro, movida por um burro, teria sido rasgada em finais do século XIX, porque os terrenos de um e outro lado da actual estrada eram contíguos do chão da quinta do Bairro, a comprovar o terreno do advogado Dr Delfim que se encontra do outro lado cuja mãe julgo seja descendente dos Reis da Ameixieira. Um dos primeiros habitantes a instalar-se na quelha antes do Pinhal Tenreiro teria sido Bernardo Mendes, julgo teve ascendência no Escampado.
Quelha da Atafona, hoje Rua do Ribeiro da Vide
Onde foi a casa de Belchior dos Reis ?
Típica arquitectura da casa de judeus ricos de sobrado com duas portas sempre a conheci a servir de palheiro que o Sr Zé André deixava os peregrinos para Fátima dormir. Pela frente ainda tem a grande eira para poente com uma grande nespereira.Hoje é pertença da minha grande amiga Elvira André, a quem não solicitei autorização para fotografar, ainda tentei encontrar o pai que de carro se desloca do Escampado todos os dias à vila, a corri mas não o encontrei, só quando me vinha embora a "Mena trinta" me disse que ele tem o costume de parar no Bastiorra, por isso aqui me desculpo neste enxergar do passado de gente ilustre que muito a deve honrar, a mim me inveja por não ter na descendência rivalidade assim igual.
 
  A grande nespereira e a eira que alcançava da casa dos meus pais e me fascinava...
O chão empedrado em pedra preta no r/c seja um enigma, não sei de onde veio, possivelmente dos lados da Lousã (?). Sabe-se que Belchior Reis casou duas vezes, facto que o filho Pascoal não tenha gostado (?) para em represália tenha deixado de assinar o apelido Reis do pai (?) e por isso lamentavelmente conhecido pelos apelidos Mello Freire.
Belchior dos Reis veio a casar com uma senhora chamada Josefa Maria da Serra  teria raízes na Lousã (?), de onde era oriundo o apelido . E por isso a pedra negra (?), muito usual, como a vi no palácio da viscondessa do Espinhal e também no Espinhal na entrada de um solar onde é habito fazerem o presépio. Carece por isso de investigação. Naturalmente teve deste casamento mais descendência.
 
 
 Um lintel com inscrição dá a sensação que foi reutilizado e posto ao contrário D C ...
 Ao lado norte da casa restos de um muro, seria da casa primitiva a que foi de Belchior Reis , que mais tarde foi requalificada no que hoje se encontra.

 
 Vistas da casa sobre o Bairro de Santo António
A casa alta que se observa em primeira linha da São Borges Reis e na frente a quadrada a da minha mãe, ao cimo do quintal em pedra o que restam dos casões que pertenceram à primeira Casa da Câmara de Ansião, mas antes podem ter sido fundações de um castro (?).
O  ribeiro que vem de nascente e abastecia a  atafona,  foi  encanado debaixo da rua e da quinta no baixio, desaguanado na frente da propriedade na foz ao Ribeiro da Vide, junto ao poço camarário.

FONTES
Livro de Noticias e Memórias Paroquiais Setecentistas de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes
Ansianenses Ilustres do Dr Manuel Augusto Dias
Cadernos e Estudos Leirienses nº 9
Dr Vítor Faveiro
https://geneall.net/pt/forum/59276/pascoal-de-melo-ascendencia/
Dr. António Augusto da Costa Simões, "Topografia Médica das Cinco Vilas e Arega
o Jornal do Comércio, n.º 4 626, de 3 de Abril de 1869
https://terrasdaribeirinha.wordpress.com/author/terrasdaribeirinha/page/6/Testemunho oral do Renato Freire da Paz, Chico Serra, D Emília Andre, Elvira André, Maria Marques dos Reis, São Borges dos Reis, Zé Maria dos Reis, Helena da Silva, Carlos Cotrim .

http://www.scielo.br/pdf/topoi/v11n20/2237-101X-topoi-11-20-00172.pdf

2 comentários:

  1. Olá
    Poderia citar a fonte para este texto:
    "comunidade judaica que ali se refugiou na região e se expandiu nos concelhos limítrofes depois de 1492 fugidos da Galiza, que nos seus descendentes ainda corre na oralidade vindos de Espanha fugidos de guerras a que se juntam os nomes que ficaram atribuídos na toponímia ligados à Galiza - Casal do Galego; Chã Galega; Galegas; Fonte Galega."

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  2. Cara Gisele Camacho muito obrigada pela cortesia da visita. A citação referida é da minha autoria, não foi retirada de nenhuma fonte. Trata-se da minha teoria fundamentada na citação da história referente ao êxodo de 1492, que originou a chegada de judeus a Portugal, que se converteram em cristãos novos, e nesta região alguns se refugiaram. Na verdade tenho outra crónica em rascunho sobre este fenómeno, a razão de aqui terem aportado, quanto a mim está associada ao Condado Portucalense onde já viviam judeus ricos que sabiam tirar sustento e riqueza das terras para na Reconquista Cristã na grande ajuda a Reis a enxotar os sarracenos haviam de receber regalias,terras E títulos. Por exemplo no Espinhal a escassos 10 km de Ansião, já no concelho de Penela existiu outro núcleo judaico, gente letrada que granjeou títulos e terras, pelo menos uma das famílias de apelido Velasquez e Alarcão veio com a corte de Filipe I .Comunidade judaica na região e circundantes que se estendeu até ao alto Alentejo pelos altos cargos de capitães mor e outros títulos de senhorios de terras, jamais abordada por nenhum historiador ou investigador, pelo menos nada conheço, apenas se fala e escreve das comunidades raianas. A que juntei a minha curiosidade de 50 anos a questionar porquês para em graça conseguir fazer correlação de dados retirados das Memórias paroquiais, sobretudo dos nomes com apelidos de origem judaica com relatos ouvidos da boca dos seus descendentes e ainda engenho e talento em conseguir colocar essa temática nos espaços, onde viveram , para com verdade dizer que aqui se refugiou e sobreviveu e ainda se difundiu pelos concelhos limítrofes, pois casavam entre si para manter os bens, hoje ainda é visível essa herança, assim como nomes focados na crónica que ficaram atestados na toponímia, e claro o carisma reservado do povo judaico, não falavam para não serem denunciados.
    Isabel

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