quarta-feira, 9 de março de 2022

A seca na Foz de Alge em fevereiro de 2022

                             

No dia 3 de setembro de 2021 teimei aqui findar o meu passeio em dia de aniversário de casamento.

Ainda com água.

A foz da Ribeira de Alge vista do alto

Em finais de fevereiro de 2022 em cenário de seca com brutal descida do nível de água da Albufeira de Castelo de Bode .
O rio Zêzere o segundo maior rio a nascer em Portugal, mantém bom caudal.
Já a Ribeira de Alge na sua foz em quase regato...

Foz em garganta apertada da Ribeira de Alge no rio Zêzere, no concelho de Figueiró dos Vinhos 
Pilares da primitiva ponte na Ribeira de Alge
Vislumbrei os pilares da primitiva ponte. Segui pela ponte absoluta e palmilhei o carreiro para o complexo ruinal da ferraria real,onde se fizeram os primeiros canhões, muitos foram para a Índia.
A  ponte obsoleta, só para uso pedonal, ao lado para sul da nova ponte
                     
 Distingui boas paredes em xisto, com cimento, quiçá para solidificação do complexo com o enchimento da Albufeira 
                     
Lodo, vegetação a nascer com um telhado quase ao mesmo nível
Resta meia coluna em redondo
                       
Desafiei muitos perigos
Desci a ribanceira íngreme sem escorregar, já o meu marido escorregou, com sorte para a barreira e voltou para trás... Há buracos e gretas no lodo pela secura, a lembrar brechas nas estradas em terramotos. A levada está quase toda assoreada. Senti medo junto do açude com a massa de água para montante...afinal estava sozinha...

                                          
                    
                                               
                    
                    
Ruína das Reais Ferrarias da Foz de Alge

As Reais Ferrarias da Foz do Alge surgiram como recuperação das desactivadas Ferrarias de Tomar e Figueiró, mandadas encerrar entre 1759 e 1761.

Fábrica de fundição de ferro localizada na margem nascente da Ribeira de Alge. Era movida a lenha , o combustível existente nas encostas de ambos os lados. O seu primeiro alvará terá sido concedido em 1655. Esta fábrica foi encerrada de 1759 a 1761, tendo sido feitos esforços para a sua reabertura já no início do século XIX, em cumprimento da carta régia de 18 de maio de 1801. Contudo, foram abandonados aquando das invasões francesas. As infraestruturas ainda foram usadas para o fabrico de armas pelo exército Miguelista a utilizar no cerco do Porto.

Por Carta Régia de 18 de Maio de 1801, dirigida ao Bispo de Coimbra, Conde de Arganil e Reitor da Universidade de Coimbra, o então Príncipe Regente D. João, considerava "(...) a grande necessidade, e utilidade que ha de crear-se hum estabelecimento Público (...) que tenha a seu cargo dirigir as Casas de Moeda, Minas e Bosques (...)", para o desenvolvimento daqueles ramos da indústria, fundamentais para a Real Fazenda e para o bem estar da sociedade. Considerando que José Bonifácio de Andrade e Silva, Professor de Metalurgia na Universidade de Coimbra, nas viagens científicas pela Europa que fizera a mando da Rainha D. Maria I, tinha adquirido vastos conhecimentos e experiência nas áreas das Ciências e da Indústria metalúrgica, bem como da Administração Pública, reunindo condições para o cargo, nomeava-o Intendente Geral das Minas e Metais do Reino, ficando "(...) encarregado de dirigir, e administrar as Minas, e Fundições de Ferro de Figueiró dos Vinhos; e de propor [ao Príncipe Regente] todas as providencias, e regulamentos que [julgasse] necessarios para pôr em acção, o valor produtivo das mesmas Ferrarias. (...)".

José Bonifácio de Andrade e Silva deveria organizar e consolidar o ensino da cadeira de Metalurgia na Universidade de Coimbra durante seis anos, findos os quais deveria ocupar-se unicamente da Intendência Geral das Minas e Metais, ocupando-se particularmente das Ferrarias de Figueiró dos Vinhos, localizadas junto da Foz de Alge, bem como da abertura das minas de carvão de pedra.
No ano seguinte foi iniciada a reconstrução dos edifícios e foi contratado pessoal para os trabalhos. Entre 1807 e 1809 José Bonifácio de Andrade e Silva suspendeu as suas funções, devido às Invasões Francesas, tendo-se alistado no Corpo Voluntário Académico. Há, no entanto, registos de documentação durante esse período. A Fundição recuperou, depois o seu funcionamento normal, tendo atingido um bom nível técnico, de acordo com um relatório de 1837 do Barão de Eschwege, então Intendente Geral das Minas e Metais (segundo um estudo de António Arala Pinto, in "Indústria Portuguesa", 1947, referido no "Dicionário de História de Portugal").

As minas e a fundição estiveram em laboração até ao princípio do século XX.

Saída da água pelos arcos em meia lua cerâmica, que serviam para temperar o ferro

                 

Os fornos
Estão abatidos. Um apresenta estrutura circular interior em ferro
A chaminé
Os esticadores em ferro da chaminé
                                                  
Por todo o lodo com fendas brutais 
                                          
O açude da Ribeira de Alge
                    
Açude feito com arcadas em cerâmica que se visualizam pela derrocada
A represa do açude e a boca da levada com madeira trazida em enxurradas
A levada é larga
Apresenta duas rupturas que fazem cascata
A Ribeira de Alge antes do açude tem elevado manto de água
Mimosas floridas


Selfie em cariz feliz ao desfrutar de tanta emoção na vivência afoita e, deslumbre de  mais uma aventura!

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