Para se descobrir a Quinta de São Lourenço no Vale de Palença no Pragal, tem de se descer a encosta da arriba da Caparica, sobranceira na margem do Tejo onde teve, não sei se ainda tem uma pequena baía de
praia e ancoradouro com túnel . A beleza do lugar é perturbada pelo complexo da antiga empresa
Tagol, elemento dissonante na paisagem pela adulteração e perturbação
visual dada pela altura da estrutura, das cores fortes, e do meio envolvente com a entrada e saída de camions em constante tráfego.
Obra é aventura de se atrever a descer em caminhada -, o que fiz com o meu marido pela estrada larga, não marcada, ladeada pelos campos das antigas Quintas do Pragal expropriadas, que na paisagem se mostram de canaviais a perder de vista induzindo a falsa paisagem
"Bocage" . Neste agora resistem uma maioria de residentes afro e outros vizinhos, que sobrevivem no amanho de hortas que proliferam neste agora de recessão a cada dia mais extensas por todo o lado, apesar da terra argilosa, sem contudo terem água, apenas poucos poços ainda
ativos.
Homem que cortava canas para fazer uma vedação numa horta, quando passei na volta já ia com elas de rojão a puxar por elas ...
Muitos camions estacionados ao longo da descida na espera de entrar para a antiga empresa Tagol-, o certo era terem um parque no sopé da encosta (?).
A empresa sita a nascente com frente ribeirinha na margem do Tejo de paredes meias com a Quinta de S. Lourenço a poente.
O Instituto da Qualidade altaneiro em contraste com a Quinta de São Lourenço ao fundo da arriba da mesma encosta
Casebres de lata com madeiras e lixo escondidos pelos cantos pela vegetação e silvedos
Hetares de terrenos em descampado a perder de vista pelas encostas...Outrora cobertas de vinhedos e de trigo.Hoje votados em total abandono onde predominam canas, silvas, ervas daninhas, pragas infestantes à mistura de árvores de fruto, oliveiras resistentes e amontoados de lixos. Incultivo medonho, de dar dó, ainda encontrei hortas desirmanadas, semeadas em lugares recônditos por via dos roubos, que os há na hortaliça também!
Ninguém olha para este abandono em total desespero! E o certo era alguém de olhão ver e atuar!
Se houver vontade e empenho em gente com visão o poderia voltar a ser produtivo com a plantação de vinha, porque pessoal para trabalhar sobra neste aqui, com tanta gente a precisar de emprego e outros que sabem ainda do cultivo da terra. Assim de novo seria um regalo apreciar as encostas ligeiramente aplainadas se voltarem a vestir de roupagem de cepas mas desta vez ordenadas, modernizadas com vedações sem magoar a vista, o mesmo em infraestuturas de apoio, no auge uma adega vinícola, com escoamento para o Tejo no Vale de Palença, junto da antiga fábrica de tijoloe para a ponte 25 de abril, norte e sul-, lugar de eleição sem dúvida.
O Pragal merecia esta atenção especial ao fazer deste local o renascer das cinzas, na vaidade e vontade de vencer e voltar a brilhar com produção vinícola e empregabilidade para rivalizar com o Douro vinhateiro, que a cada dia dá cartas!Isso sim a maior conquista de Abril, na margem sul, aqui no Pragal defronte de Lisboa tão mal tratada!
O muro de pedra julgo seria da Quinta de Santa Rita pelo enfiamento , sendo que foi cortado para se abrir a Avenida dos três Vales, de ligação ao Bairro do Matadouro.
Já onde se encontra o casebre de lata seria a Quinta das Casadas de Cima-, o que resta o nome na rua da frente.
Supostamente também a Quinta
de S. Lourenço foi expropriada, a fazer fé do que nesta zona aconteceu em
71, desde a arriba da portagem da ponte 25 de abril no Pragal, até ao
Porto Brandão.
"Imóvel protegido de interesse público, decreto nº 28/82, DR 1ª série nº 47 de 26 de fevereiro 1982.Obras de restauro efetuadas pelo IGHAPE (?) em 1990.
A Quinta de São Lourenço desenvolve-se num complexo
de arquitetura agrícola, maneirista e barroca. Casa rural edificada
em formato "L" data provável de construção da
residência no século XVII segundo uma inscrição numa pedra 1713.
Tem capela integrada, antecedido por alpendrada, rasgada por escada de
acesso, murada, assente em terraços ou patamares com degraus e comunicação inicial
por ancoradouro fluvial (neste agora não sei se ainda?).Imóvel de construção
seiscentista com arranjos no século XIX. Revestimento azulejar de grande
qualidade iconográfica. No jardim vê-se ainda, meia desmantelada a bacia de
uma fonte barroca, possivelmente quando esteve em abandono a tentaram
saquear...
|
Adquirida pelos Condes da
Cunha sendo da família até ao século XIX, cujo brasão se encontra sobre o portal de entrada, sendo 1742, a data
inscrita no painel central que ostenta o brasão na sala de entrada; 1760 data
de alguns painéis de azulejaria. No século XIX foram feitas obras de acrescento
de um piso, e em 1996 a casa em total abandono com projeto do IGAPHE
que laborava estudo de recuperação…Acabou em 1998 por o imóvel apesar de continuar
público, ter sido cedido,em regime de comodato, à Associação Valdecor- Instituição
Particular de Solidariedade Social onde funciona um Centro de recuperação de
toxicodependentes."
Planta do imóvel
"Casa
de residência com um andar, ampliada à ilharga com um bloco de dois pisos,
capela e instalações agrícolas, que delimitam um amplo pátio separado do
exterior por portal de volta redonda rusticado em pedra encimado por pedra de
armas, abrindo para o Tejo por murete com alegretes e bancos; uma alpendrada de
colunas toscanas sobre estilóbata antecede a fachada da casa rasgada por vãos
retangulares moldurados de cantaria; um portal com frontão triangular rodeado de
vãos retangulares marca a fachada da capela. A fachada oposta da residência abre
para um jardim delimitado do lado da encosta por espaldar de recorte
contracurvado de acesso a um túnel, continuando-se para norte sobre plataforma
e para este em patamares descendentes separados por escadas encosta abaixo.
No
interior salas intercomunicantes abrindo para o pátio e jardim, todas as
dependências da casa se encontram decoradas com lambris de azulejos de
representações diversas, na maioria figurativos.
A
capela de três naves, separadas por colunas toscanas, com uma tribuna sobre as
laterais, e outra rasgada por arcos redondos na parede fronteira à capela-mor;
lambril de azulejos barrocos policromados em todas as paredes do templo; falsa
abóbada em madeira pintada e ornatos a estuque, sobre a nave principal; capela-mor
coberta por abóbada rebaixada separada da nave por arco triunfal redondo sobre
colunas toscanas. O jardim desenvolve-se em vários níveis, apresentando-se
decorado por pequenos painéis de azulejos com motivos florais e uma fonte em
mármore."
O meu marido a caminhar na rua privada de acesso.
Do lado esquerdo visível a mina de água meia soterrada com a subida do asfaltamento do caminho privado que era de terra batida, supostamente abastecia a quinta de água potável
Portal armoriado dos Cunhas
Antes das obras de remodelação o caminho
E neste agora ainda a decorrerem obras
Onde se vê um carro estacionado e o limite da estrada que desce a colina e entronca na antiga empresa Tagol, sobranceira ao Tejo ao fundo da arriba, mas antes à esquerda nasce a rua privada de acesso à Quinta de São Lourenço.
Do alto da arriba oposta a foto possível sobre a quinta de S. Lourenço
Imagens do abandono
"Recheio azulejar na
sala de entrada com silhares em azul e branco com representação heráldica de
1742 e painéis representando animais, alguns refeitos recentemente. Na sala
contígua com silhares em azul e branco com cenas palacianas e reviravoltas. A
cozinha com azulejos de figura avulsa. A sala nobre com lambril azul e branco
atribuível ao período de grande produção joanina com três grandes painéis
representado várias caravelas, um estaleiro naval com uma nau a ser lançada ao mar
(cortado por chaminé de lareira) um grupo de geógrafos e navegadores rodeando
globos terrestres e experimentando instrumentos de medição da latitude pelo sol
e vários painéis menores com figuras masculinas segurando de navegação marítima
e na sala contígua à anterior silhares azul e branco com cenas palacianas. A
casa de jantar com composição em xadrez recente e na pequena sala contígua à
anterior cena palacianas com molduras rococó (1760/70), algumas refeitas na
Fábrica Santana. A varanda alpendrada com composição em xadrez recente. Na
capela silhar de padronagem na nave, figurativo na capela-mor, com cenas
hagiográficas em azul e branco com cercaduras policromas (1760/70). Nas paredes
da nave, sobre o arco triunfal e do lado oposto sobre a tribuna, duas cartelas
rococó em estuque com figurações emblemáticas de S. Sebastião e S. Lourenço.
No espaldar de acesso ao túnel, no jardim, um brasão gravado sobre o vão de acesso e uma lápide em latim datada de 1713."
Vista da parte ocidental de Lisboa, Alexandre Jean Noel, início da década de 1790
Palença de Baixo
"A melhor notícia de que dispomos desta fortaleza [fortim da Banática] é devida ao conde dos Arcos [D. José Manuel de Noronha e Menezes de Alarcão] que atribui a construção ao mandado de D. João III [que reinou de 1521 a 1577] e a localiza não na actual Banática mas sim em Palença de Baixo...
Duarte Joaquim Vieira Junior refere que "onde está a fábrica de tijolo — hoje é fábrica de guano — existiu em tempos um fortim que foi construído no reinado de D. João III, e do qual ainda hoje há vestígios, existindo os paióis de pólvora, que foram feitos sob a rocha, para o lado de leste, e que ainda no tempo de D. Miguel foi este artilhado e guarnecido até 1833 pelas tropas do usurpador".
Senti uma vontade louca e desenfreada de conhecer o espaço, mas fiquei travada à porta!
Segundos a pensar se me drogasse-, que nem sei bem o que isso é, porque jamais experimentei e nunca experimentaria-, JAMAIS dependente de coisa nenhuma, somente do amor, e desse ainda assim sofro por ser conservadora, regrada na solidão sozinha, apesar de acompanhada, como se fosse reclusa em convento...Vive em mim uma vontade de fugir e perder-me...
Não perdendo o fio à meada, ia dizendo-, se acontecesse neste local a desintoxicação, acaso fosse rica, sei que valeria muito a pena conhecer cada recanto, mirar as arribas, caminhar e deambular pela baía da praia nua de gente e sonhar assim despida e de trajes, a contemplar o Tejo e Lisboa, pela margem chapinhar nas ondinhas esbatidas nos pés, qual praia paradisíaca aqui neste algures perdida...
Como sei amaria!
FONTES
Informação e algumas fotos cedidas dos endereços, que agradeço a disponibilidade da partilha
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2141
http://almada-virtual-museum.blogspot.pt/2014/04/palenca-de-baixo.html


.jpg)
.jpg)

.jpg)

