quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Palácio ou Castelo do Rei do Lixo ,Torre de Coina ou Palácio da Bruxa?

Para celebrar o 38º aniversário de casamento que aconteceu no sábado dia 3 de setembro, agendei lugar para o dia 6, sob intenso calor abrasador caminhada com partida de Coina, subida à Penalva, para contornar a Quinta da Machada,até à ruína do Palácio do Rei do Lixo.Finalmente o dia da visita à sumptuosa  Quinta da Torre de Coina, que no presente se encontra em avançado estado de degradação. Duvido que ainda se vá a tempo de  acudir a este património singular do concelho do Barreiro, e único no País-, a torre apresenta grande fenda a nascente que muito em breve irá ruir. Durante o percurso ouvi que o Sr. Xavier de Lima não teve filhos, o casal adoptou um filho, o "Paulinho" ao que parece supostamente não foi bem visto pela família (?) que esperava receber de herança integral da fortuna(?)...certo e sabido tem de haver dono deste império que no momento se apresenta em total abandono, sendo certo que deveria tomar conta do seu património, ou então se não tem suposta vontade, nem capacidade para tamanho incómodo, e sendo demasiado rico (?), por esta propriedade lhe acrescentar pouca valia ( supostamente tem à venda sob promontório da Arrábida o palacete da Comenda em abandono e degradado, por 45 milhões (?) onde a viúva do Kennedy fez o luto com os dois filhos), pelo que o certo seria aqui a doação à vila de Coina, às suas gentes para perpetuar a memória a todos os que na quinta trabalharam, aos que já partiram e aos vivos, que dela falam do tempo que lá foram trabalhadores, quiçá mal remunerado, ainda assim com carinho falam desse tempo, para nesta fase de agonia ainda se poder salvar, apelando ao empreendimento urgente de investidores de peso, ou subsídios da comunidade europeia. O palácio e a torre tem potencial para um hotel de charme, e a sua envolvente caraterísticas para uma panóplia de oferta de serviços turísticos  e de lazer pela dupla vantagem, a benesse da frescura da Mata da Machada e da  maresia do Mar da Palha, a que se junta a beleza dos esteiros e do sapal do rio Coina, na vontade de o imaginar desassoreado e limpo de canavial com o misticismo e beleza dos seus Moinhos de Maré, que devem ser  recuperados, sendo que para norte deveria voltar a ser o arroz plantado como o foi antigamente, na continuação de manter a vida laboral do estaleiro, a lembrar que esta terra foi forte  na construção naval, também na produção de cal, criando um espaço Museológico na ruína dos Fornos da Cal, e na mesma no espaço onde laborou a Fábrica Real de Vidros de Coina, recuperando o que resta dos seus fornos subterrâneos e do túnel de acesso para se fazer o vidro, porque a Fábrica de Biscoito, bolo que tinha uma duração de 6 meses que os marinheiros levavam para os descobrimentos, inserida na Unidade de Fuzileiros, com agendamento prévio se pode visitar, sem falar da Mata da Machada, do que resta dos Fornos de cerâmica e faiança, os primeiros conhecidos em Portugal, que deveriam ser preservados também como espaço Museológico...mas para revitalizar tanto património para chamar o turismo  e pôr de novo Coina no mapa do Mundo, haja tamanha vontade, talento e interesse descomunal em lhe voltar a dar vida e claro muito dinheiro para aqui em Coina ser investido. Importante, há que saber investir não cometendo mais erros e atrocidades com os postes de alta tensão que deveriam seguir o rio e seguem por cima do casario, para não falar da nova variante que cortou a quinta de S.Vicente e o novo acesso da estrada nacional vai embocar na entrada da mesma, quase que a atrofia, e também a ponte "romana" ao lado da nova que deveria ser limpa para ser usada como pedonal .Encontrei uma placa toponímica "Rua do Pelourinho", mas não vi nenhum, será que existe?
O investimento na quinta de S.Vicente faria sentido  criando um grande campo de golfe, e quanto à escolha de espécies de árvores, as melhores para este terreno argiloso, quase areia, a oliveira se daria bem , e a vinha,  entre outras boas apostas, Coina apesar de ter um Motel recente, quase sempre esgotado, mostra que há falta de camas, sendo fulcral atender a esta valia, pelo que na frente da quinta muito do casario agora em abandono poderia ser convertido em hostel, mais barato, e assim oferecer preços diferenciados para públicos de várias carteiras, mas tudo com muita harmonia. Na verdade é preciso saber apostar fazendo prevalecer o que existe, o revitalizando. Atendendo ao passado rico de Coina que foi habitada pelos romanos e teve o seu castelo árabe, mas no entanto o seu fausto passado é quase hoje morto, porque a vila  se apresenta enfaixada entre a EN 10 e o rio Coina que nasce na Arrábida, e aqui se encontra completamente assoreado e entupido por denso canavial  a transbordar as margens em aluvião e sapal depois dos Moinhos de Maré. Desde sempre me recordo do longo terreiro usado para a feira mensal, semeado aqui e ali  por um núcleo de casas baixas antigas e da capela de Nossa Senhora dos Remédios barbaramente adoçada a uma correnteza de casario que se mistura com outro novo sem qualquer simetria, volumetria e estética, ao longo da estrada de ligação a Palhais e ao Barreiro, tendo por companhia o muro alto da quinta de S.Vicente que também já se chamou do Inferno, tendo a sua bordadura uma fila de imensas construções que serviram de apoio à empresa agro pecuária e por último à criação de cavalos que aqui existiu e venda de vinho e fruta além de habitações de empregados,  até extremar com o  complexo ruinal dos Fornos da Cal.
O predominante canavial fino, tipo painço que o povo dele fazia vassouros para ajuntar o trigo nas eiras que no seu linguarejar lhe chamavam "coina", será o vocábulo que veio por último dar o nome a esta terra, e que para mim não é um vocábulo feliz e sonante por ser facilmente desvirtuado ao lhe ser retirado a vogal "I" . Dificilmente moraria nesta terra por causa da sua aparência dispersa, triste e sem estética, apesar das substanciais melhorias, mas também pelo seu nome, mas sinto de coração que não devia pensar assim!
"Contudo os historiadores advertem que provavelmente o nome mais antigo seja o de Equabona sita em Coina-a-Velha (no Vale de Coina  junto do "Castelo dos Mouros") o sítio da remota localidade romana. Sendo que Coina (a Nova) nasceu no esteiro do Tejo sendo o porto marítimo de Equabona."

"Com efeito, em documentos do século XII ao XIV existem registos da grafia cuinha, coinha e coina provindas de cunha, “rochedo isolado cuja forma lembra um cunha”.  
Coina é também a vassoura feita de hastes secas para limpar o trigo do casulo e do palhiço, sendo que o transitivo coinar significa "limpar o trigo com a coina". Possivelmente será referência ao palhiço que cresce nos sapais junto às margens pouco profundas e lodosas desta parte do Tejo comunicando com a sua bacia chamada Mar da Palha.
Diversos filólogos dão origem latina ao nome desta localidade afirmando derivar de "Água Boa" (que também não deixa de ser memória ultramarina da Atlântida): Equabona, Quabona, Quouna, Couna e Coina, sendo que o documento mais antigo que a ela se refere é o Roteiro Militar de Antonino Pio, do princípio do Século II d. C., informando que próximo daqui viveu o general e estadista romano Quintus Sertorius (126 a. C. – 73 a. C.). Mário de Sá no tomo VI das Grandes Vias da Lusitânia (O itinerário de Antonino Pio), Lisboa, Sociedade Astória Lda., 1967, descreve:
"(…) na época romana a via de Lisboa a Equabona era, tanto quanto possível, terrestre, e é na deste teor que se marcam as XVI milhas de extensão do cais de Cacilhas a Coina-a-Velha, por Cova da Piedade, Torre da Marinha (extremidade do esteiro da Amora), Rio do Judeu, Foros do Perú, Quinta da Conceição. É curso para 13,26 quilómetros, na equivalência das XVI milhas do texto."
"Ainda sobre Equabona ou Aquabona, o poeta e professor do Liceu de Évora, António Maria de Oliveira Parreira, num trabalho avulso feito em 13 de Novembro de 1882, escreveu o seguinte:
"(…) A situação de Equabona é completamente incerta, não obstante designar-se unanimemente como correspondente a Coina, valendo para isso uma remota semelhança das palavras e a circunstância de haver perto um lugar chamado Coina-a-Velha. Alguns escritores chamam-lhe Abona e num Códice da Biblioteca de Paris pertencente ao século X encontra-se a denominação de Aqua Bona. Pode ser que esta povoação romana estivesse situada nesta região da margem sul do Tejo, apesar de não se lhe poder determinar a situação precisa. O nome Aqua Bona só por ironia poderia convir à Coina moderna, local apaulado e sezonático, mas poderia pertencer a qualquer povoação que demorasse da falda dos montes de Azeitão e que desse o nome a todo esse trato de terreno até ao Tejo. Em Coina-a-Velha, lugar de que fala Hubner, numa propriedade denominada Casal do Bispo, no cimo de um monte existem as ruínas de um castelo que conserva ainda as quatro paredes da torre meridional em perfeita conservação até à altura de mais de três metros, outra torre mais arruinada do lado norte, pedaços de muralha abatidos e uma cisterna, tudo envolto em altas moitas de carrasco. As paredes da cisterna são de uma argamassa composta de cal, areia e tijolo britado, o que lhes dá o aspecto de um só tijolo inteiriço: só desabou a parte da abóbada. Os lanços de muralha abatidos parecem ter sido demolidos expressamente à cunha e não ser a sua ruína obra do tempo."
"Joaquim Pedro da Assunção Rasteiro é de opinião que o castelo de Coina-a-Velha é o mesmo de que fala D. Afonso Henriques num documento de 1184 (in castelo caune), fazendo doação dele a Bernardo Mendes, cónego da igreja de Santa Maria de Lisboa, aparecendo também no testamento do seu filho D. Sancho I (constructione murorum de couna).
Alexandre Herculano, na sua História de Portugal, fala na forte linha defensiva dos castelos de Almada, Coina, Palmela e Alcácer do Sal, dizendo que o conquistador árabe Iacub-el-Mansur em 1191 tomou o castelo de Coina arrasando-o, mas em 1195 a região seria reconquistada por D. Sancho I o qual possivelmente mandou reconstruir a fortaleza, para todo o efeito, desaparecida há muitos séculos."

"Em resumo, pode dizer-se que há 800 anos no Casal do Bispo existia uma povoação que se chamava Equabona e tinha um castelo. O povo foi mudando o nome até ficar em Coina. O terreno que fica entre a Vala Real e a Ribeira dos Canais também veio a chamar-se de Coina-, a de Azeitão começou a dizer-se de Coina-a-Velha e a outra de Coina-a-Nova, ou só Coina. A povoação de Casal do Bispo foi abandonada até que desapareceu, mas nasceu outra mais adiante, com o mesmo nome. 
No século XVIII a povoação de Coina-a-Velha foi baptizada com o nome de Aldeia de Nossa Senhora da Piedade, ou só Aldeia da Piedade. Isto porque Diogo da Silva de Carvalho, dono da Quinta das Donas, construiu na sua propriedade uma capela privada pondo-a sob o Orago de Nossa Senhora da Piedade, e depressa da capela o nome passou para a aldeia."

 " Diz-se que esta propriedade se chamou antigamente Quinta das Cruzes e que, andando um dia por estes sítios à caça, o rei D. João VI, viu muitas cruzes, e perguntou aos que o acompanhavam: Isto é algum cemitério? – respondeu um d’elles – Não, real senhor, é a Quinta das Cruzes. – O rei, aludindo à escabrosidade do terreno, disse – Quinta do Inferno, lhe chamarei eu. – E o nome lhe ficou até à atualidade."
Tantos nomes para a mesma quinta:  Quinta das Cruzes, Quinta do Manique, Quinta de São Joaquim, Quinta do Inferno, Quinta de S. Vicente ou Quinta do Martins ?
Não vi a gruta onde supostamente nasce a mina d'água que alimentava a quinta, no entanto vi na net uma foto cujo chão se mostrava avermelhado, sendo que o terreno é argiloso parece assim plausível que tenha sido esta cor forte ter dado o nome de Inferno à quinta(?).
"A história do palácio de Coina remonta ao século XVIII, a quinta era rural e fazia parte das vastas terras de D. Joaquim de Pina Manique, político, cavaleiro da ordem de Cristo e irmão de D. Diogo de Pina Manique fundador da Casa Pia de Lisboa.
Ainda hoje a marca de D. Joaquim está patente na quinta pois encontra-se uma cruz de Cristo inscrita numa lápide nos muros da quinta.
"Manuel Martins Gomes Júnior nasceu em 11 de Novembro de 1860 no seio de uma família humilde em Santo António da Charneca, no Barreiro, homem que desde cedo prometera a si mesmo mudar da vida miserável e tornar-se rico, e foi o que fez!
Após ter trabalhado durante algum tempo como marçano em Lisboa e ter junto algumas economias, regressou ao Barreiro, onde comprou uma padaria de venda de cereais; para ter autonomia no negócio, adquiriu o Moinho de água de moagem de cereais em frente à Quinta de São Vicente, que também viria a ser sua e onde fundaria a Sociedade Agrícola da Quinta de São Vicente. Posteriormente, com a compra de propriedades rurais a norte e a sul do Tejo, sobretudo no Alentejo,  contribuiu consideravelmente para o desenvolvimento sócio-económico da lavoura e agropecucária no país, mormente na região sul. "
"Diz-se – sem prova nenhuma mas originada no bulício inflamado das inimizades republicanas/monárquicas do seu tempo – que após assinar um contrato com uma seguradora, ele próprio terá ateado fogo ao Moinho, e como nunca se provou que não tivesse sido acidente foi indemnizado com uma elevada quantia. Com parte desse dinheiro comprou uma pequena propriedade e entregou-se à especulação agrícola, emprestando dinheiro, sob pesados juros, aos proprietários vizinhos de Coina, para cultivarem os seus terrenos. Numa época em que as colheitas foram más e os agricultores não tiveram como saldar as dívidas contraídas, Manuel Gomes não lhes perdoou: anexou as parcelas dos devedores à sua, formando assim uma quinta com mais de 300 hectares."
"Já em 1908 era dono da Quinta da Trindade na Azinheira, Seixal, tendo chamado a si a reconstrução do edifício apalaçado e construído ainda o "castelinho", nesse que fora propriedade de D. Brites Pereira, sobrinha de D. Nuno Álvares Pereira, que aí fundara a ermida da Senhora da Boa Viagem para os religiosos da Ordem da Santíssima Trindade, extinta em 1834. 
Foi assim, também, que a partir de 20.5.1897 (segundo a Carta de Arrematação do Ministério das Finanças) a Quinta do Manique ou de São Joaquim , ficou na sua posse, tudo graças aos seus dotes de especulador, diz a vox populi sentenciosa. 
Tornou-se um grande proprietário, e havia que rentabilizar o terreno. 
Dedicou-se à suinicultura após firmar um contrato com um grande negociante e exportador de carnes de Lisboa. Alugou-lhe o espaço da quinta para criação de porcos e participou no negócio de exportação de carnes. Pouco tempo depois o seu sócio morreu tendo assumido o controlo total do negócio, passando a ser um rico negociante de carnes."
"Devido à sua inclinação natural para os negócios e ao seu carácter empreendedor, atingiu o auge ao assegurar o controlo da recolha dos lixos em Lisboa (à altura os lixos eram apenas matéria orgânica) com a arrematação feita com a respectiva Câmara em 27 de Março de 1907, transportando-os para Coina nas suas cinco fragatas , o lixo servia de alimento aos porcos,  não gastava um tostão!"
 "Manuel Martins Gomes Júnior era conhecido como o "Rei do Lixo", devido ao exclusivo que tinha para a recolha dos detritos da cidade de Lisboa, e tendo feito fortuna a comprar e vender lixo.
Em Coina era conhecido por "Manuel de Coina"

Em 1910 após a revolução republicana foi quando mandou construir o palácio de Coina investindo nele muito dinheiro, conta-se que o palácio foi construído com os mais ricos materiais da época. Estava no auge o ferro, as vigas de suporte dos andares ainda permanecem e vislumbrei a construção usada nas paredes em "gaiola"-, cruzamento de madeira com "tijolo burro" que não vi nenhum marcado, e as madeiras ressequidas e queimadas seriam de boa qualidade, assim como as ferragens.
Inegável que este Palácio do Rei do Lixo, Castelo do Rei do Lixo, Torre de Coina, ou Palácio da Bruxa, tenha no tempo causado o natural fascínio a muitos que como eu se deixaram muita vez a mira-lo da estrada e até ficar com ar de pasmo pela demonstração de grandiosidade e da cor forte em amarelo torrado, que marca a diferença de nada assim nunca antes visto e ainda imaginar o poder incutido por que o mandou construir, o que seria que ele aqui queria perpetuar? Seja alvitrar, a memória do passado rico desta terra, do seu primitivo Castelo de Coina, destruído durante a reconquista cristã (?), se atender que no Seixal na quinta da Trindade, lhe mandou acrescentar uma torre com ameias, seria um homem de gosto apaixonado por castelos, torres, e tudo o que gravita à vida palaciana real, por isso foi intitulado no negócio que lhe deu fortuna  como "rei" ou como os historiadores defendem, ligação à maçonaria.
Nunca se chegou a saber qual a finalidade deste brutal edifício, tabelei conversa com a cozinheira do restaurante onde almocei em Coina, que me disse que o Ramada Curto (genro) que viria a herdar a quinta e teria herdado outra no Alentejo, onde tinha uma torre igual a esta em Minhola, na Landeira, em Vendas Novas que daqui avistava.
Outras versões na oralidade do povo;
"ir para lá morar com toda a sua família"
"que era para do alto da torre avistar as suas vastas propriedades no Seixal"
" outros dizem as terras em Alcácer do Sal"
"que era para fazer uma demonstração de grandeza e poder".
" Outros disseram que seria nova sede da maçonaria visto que a sede ardera à pouco tempo"
"O Sr. Benedito está convicto que foi com este último propósito, recorda que circular no palácio era bastante complicado "era um autentico labirinto".
"O Palácio do Inferno está disposto em três corpos distintos: a torre sobre o edifício (com três níveis, rés-de-chão, primeiro e segundo andares e a cave, o que constitui uma prefiguração simbólica das Três Pessoas da Trindade dispostas em Planos igualmente distintos, como seja: a torre para o mais alto, o Céu ou o Mundo do Pai; o edifício para a Terra santificada pela presença do Filho; a cave para o Inferno ou Infera, "lugar inferior ou interior", de onde e de si mesmo o Espírito Santo dá à luz a Criação Universal."

"Manuel Martins Gomes Júnior e a sua família nunca habitaram esta Quinta da Torre (por as suas obras terem sido interrompidas cerca de 1913-1914, deixando o imóvel incompleto), mas o facto de tê-la adquirido e lhe imposto o aspecto realengo imponente como espécie de memória póstuma do primitivo pouso cujo donatário estava ligado à Casa Real, sendo também ele "Rei" (do lixo) por certo quis ter um palácio condigno com tal título, ou melhor, alcunha, que os mais desaforados de Coina também apodavam de "porco sujo". Com isso descurava-se o óbvio da sua intenção: contribuir para a higiene pública da capital então frágil em cultura profiláctica, ao mesmo tempo que a sua perspicácia empresarial via nisso uma forma gratuita de aumentar a sua riqueza.
"Diz a vox populi que foi a sua vingança republicana sobre o regime monárquico, pousando no lugar dos antigos cortesãos lixo e porcos."
No entanto há gente que fala que aqui no palácio se fizeram grandes festas...
"Profundamente ateu, Manuel Gomes Júnior devido a seu profundo antideísmo, rebaptizou-a com o novo e inquietante nome de Quinta do Inferno, com a sua Torre do Diabo, dizendo-se que transformou a capela da quinta em armazém e estábulo".
Onde seria o local da casa primitiva da quinta, o muro onde se encontra a lápide de pedra do Manique, e a  capela que o "rei do lixo" transformou em estábulo?
"Em 1906 abriu uma escola dotada que ofereceu à educação gratuita dos seus empregados e filhos.
As suas fragatas transformadas em arrastos do lixo deu-lhes os nomes de Mafarrico, Mefistófeles, Demo, Diabo, Satanás, Belzebu, Horrífico, Caronte, Plutão, Averno e outros mais mimosamente escolhidos para chocar a conservadora e católica flora. Por certo tratou-se de uma provocação desaforada ao regime eclesiástico secular que a recente Revolução de 5 de Outubro depusera, mas com isso ficou até hoje com fama de ateu anti-deísta impenitente dotado de um feitio irregular e pouco afectivo.
Casado com Maria de Oliveira Bello (1871 – 23.7.1967), às suas duas filhas legítimas pôs os nomes de Ceres e Cibele, e às ilegítimas anteriores ao casamento, os de Proserpina e Flora, enquanto um sobrinho recebeu o nome de Libertino e a um outro afilhado quis pôr-lhe o nome de Livre Pensador, e como tal não foi possível após reflectir um instante mandou que lhe chamassem Rodas Nepervil, que é o nome anterior lido ao contrário.Estes nomes são já um sinal claro de erudição requintada de Manuel Martins e também, aparte a óbvia provocação desaforada ao regime eclesiástico, indício da sua afiliação e perfilha secreta do pensamento hermético greco-latino adoptado sobretudo pela Maçonaria do tempo."

"O Palácio e Torre da Quinta do Inferno apresentam sinais claros de simbologia com fundo deísta, conhecimento esse que Manuel Martins Júnior terá recolhido no meio esotérico em voga na época, ou seja, na própria Maçonaria Iniciática, no que tem mais de simbológica e espiritual e menos de política e temporal."
"Por isso, ainda hoje a vox populi diz sem saber, que ele se destinava a ser a nova sede da Maçonaria Portuguesa, por a anterior ter ardido há pouco tempo, o que não é verdade no que toca, pelo menos, à sede central onde está o Palácio Maçónico na Rua do Grémio Lusitano, no Bairro Alto de Lisboa."
"Também não possuo informações exactas de ter havido qualquer incêndio em alguma Loja da margem sul. Concluo que o sentido de "nova sede maçónica" será diverso do da voz do povo: ele está no próprio simbolismo do edifício que causa estranheza geral, menos àqueles que detêm o conhecimento exacto do seu significado iniciático: os arquitectos maçons que edificaram o imóvel e deixaram os sinais secretos da sua afiliação esotérica, por certo de acordo com a vontade expressa do proprietário, mesmo acaso ou decerto despossuído de maiores profundezas do pensamento esotérico."

"Figura política de peso na época, republicano e humanista, foi regedor de Santo António da Charneca, construiu a primeira escola de ensino primário na freguesia, financiou colectividades, fundou a supradita Companhia Agrícola de Portugal, concedeu regalias aos seus funcionários e protegeu os pobres. Foi um apóstolo do ideal de "sociedade republicana" justa e igualitária que se sonhou nos primeiros tempos do regime, o que se conformava ao ideal político perfilhado pela Maçonaria Portuguesa na qual Manuel Martins seria afiliado, o que não está provado mas também não descartada a hipótese severa de o ter sido, como quase todos os republicanos desse período terem, de uma forma ou doutra, andado de ligações com essa Ordem."

"Se ele foi maçom como o seu amigo pessoal e Prémio Nobel da Medicina, professor Egas Moniz, seu executor testamentário, o seu desquite do Grande Oriente Lusitano terá acontecido por volta de 1913, o mesmo ano em que Egas Moniz se afastou da Maçonaria em sérias discordâncias com a mesma, a ponto de vir a bater-se em duelo (em 1914) com o general Norton de Matos, futuro Grão-Mestre do G.O.L."

"A ser maçom, o "Rei do Lixo" terá com certeza frequentado a Loja "Boa Viagem", na Moita, e a Loja "Esperança de Porvir" (… a sociedade republicana), no Barreiro. Esta funcionava no primeiro andar do edifício hoje ocupado por um restaurante no Largo Alexandre Herculano. Tinha como extensão gremial a Sociedade Democrática União Barreirense – Os Franceses. Nesta, os anarquistas, socialistas e republicanos tinham um espaço de favorecimento cultural, não só através do convívio mas também pelo acesso franco a bibliotecas. Este centro republicano tal como outros idênticos foram um dos veículos de infiltração da Carbonária, organização revolucionária armada paralela da maçónica de que existiram vários núcleos ou "vendas" na margem sul do Tejo, nomeadamente no Barreiro, em Palmela, na Moita, em Almada, em Cacilhas, na Aldeia Galega (Montijo) e em Alcochete. A antecipação da proclamação da República pelas 12:30 horas do dia 4 de Outubro de 1910 nos Paços do Concelho do Barreiro, sitos na antiga Rua Albers, eram cabornárias as vozes proclamadoras de Ricardo y Alberty e João dos Santos Pimenta, membros da Junta Revolucionária."
Chocalho com simbologia da maçonaria
"O símbolo mais evidente da porventura afiliação de Manuel Martins Gomes Júnior ao pensamento esotérico está no seu ex-libris (gravado nos objectos pessoais, nas fragatas, nas alfaias agrícolas e até nos badalos do gado, de que é exemplo a foto acima)".
"Uma meia-lua erecta com as pontas voltadas para a direita e uma estrela de cinco pontas dentro dela. Símbolo islâmico é muito comum no Alentejo (onde este proprietário possuiu várias herdades próximas a Alcácer do Sal), em cuja etnografia popular encontra-se com frequência e sempre dotado de propriedades mágicas. À meia-lua o povo confere a propriedade de preservar as crianças dos ataques ou doenças da Lua, que aqui Gomes Júnior transpõe para as suas propriedades e bens a modo de protecção dos males psíquicos ou lunares que possam afligir tanto a ele como aos seus familiares, empregados, gados e terrenos. O signo de Salomão, o pentagrama, reforça o sentido de protecção absoluta. Isto é atestado pelo professor Joaquim Roque no seu trabalho sobre Etnografia Alentejana – Rezas e benzeduras populares (Beja, 1946). Aprofundando mais ainda o significado deste emblema fazendo recurso à ciência dos Tatvas ou "vibrações subtis da matéria", tem-se a meia-lua vertical virada para a direita como o símbolo esotérico do estado Subatómico ou Anupadaka, em sânscrito, sob a influência planetária de Mercúrio (Budha, em sânscrito), enquanto o pentagrama constitui-se na reunião dos cinco elementos manifestados expressando o quinto como gerador de todos eles: o Éter ou Akasha, em sânscrito, sob a influência planetária de Vénus (Shukra, em sânscrito). Mercúrio e Vénus juntos, ou Hermes e Afrodite, donde Hermafrodita, expressam o estado primordial a que um dia o Homem volverá como Ser Perfeito reintegrado à condição Divina."
"Seria esta reintegração final a mensagem que Manuel Martins Gomes Júnior pretendia afirmar veladamente no seu ex-libris, assim mesmo dispondo-se sob a protecção mágica dos deuses Marus, Marutas, Morias, Marizes, vulgo Mouros?… Talvez, o mistério mantém-se bem cerrado."
"O anti-deísmo do ateu e opulento Manuel Martins terá sido mais uma blague provocatória de fachada que propriamente uma convicção íntima, provocação como essa de repreender a esposa sempre que a via pôr azeite nas lamparinas do oratório da capela da sua quinta de Benfica: "Maria, não é melhor guardares esse azeite para regar o bacalhau e as batatas?".
Em contraste flagrante com esse aparente zelo jacobino misturado a um apreciado gosto anarquista de bon-vivant provocateur, deixou um enorme legado de propriedades, o seu testamento (onde consta a fortuna fabulosa orçada em 34.552.370$80 contos (24 milhões e 152 mil escudos em bens imobiliários, e 9 milhões e 50 mil escudos em bens mobiliários), segundo a Relação de Bens a 24 de Outubro de 1943, sendo notário José Valente de Araújo, de Lisboa, e a fonte do Ministério das Finanças o processo n.º 7385 de 9 de Novembro de 1943) a doação de larga quantia em dinheiro às Misericórdias Franciscanas da sua escolha prévia: duzentos e cinquenta contos em dinheiro à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa; duzentos e cinquenta contos à Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal; duzentos e cinquenta contos à Santa Casa da Misericórdia de Setúbal; duzentos e cinquenta contos à Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, com a condição, quanto a essa última legatária, de manter permanentemente uma escola primária mista em Coina, satisfazendo todas as despesas da mesma.
Isto além de ter contribuído amplamente para substituir a desmoronada capela de Nossa Senhora dos Remédios de Coina por uma outra igreja mais condigna."
Julgo apenas foi restaurada e sem pejo ou vergonha a norte adoçaram um casario que lhe tapou as colunas do alpendre...quando aqui não falta espaço!

 " O "Rei do Lixo" morreu na sua Quinta da Alfarrobeira, na Estrada do Calhariz de Benfica, e foi enterrado um dia após a sua morte, no cemitério do Alto de São João em 9 de Novembro de 1943, numa simples cova aberta à última hora, nas traseiras de majestosos jazigos, tendo por última mortalha quatro tábuas de pinho forradas de pano preto e por acompanhamento, além de raras pessoas de família, meia dúzia de amigos que conseguiram romper a discrição em que o acto se envolveu. Vítima de doença prolongada, ainda assim a lenda popular insiste que ele morreu em circunstâncias estranhas cujas causas nunca foram apuradas."
 
Não deixa de ser estranho gostando de se intitular "Rei" não ter mandado construir um jazigo para a família  tendo sido enterrado como um mero mortal com caixão feito na hora como era assim naquele tempo e por acompanhamento poucas pessoas...morreu como nasceu-, pobre, e no entanto deixou uma fortuna!
Será que alguma vez foi feliz?
Homem de temperamento estranho, ateu convicto, num tempo de grande beatice, de pensamento enigmático, signo escorpião, inteligente, abençoado de força para o trabalho, empreendedor, golpista, soube aproveitar golpes de sorte com o azar dos outros, homem de extremos e excessos, seja nos gastos com luxos sem aparente explicação ou a tenha se foi maçon (?) o que indicia ter sido para mandar construir este grandioso palácio, e avareza na vida, só amealha quem poupa ( pouco se sabe do que gozou nesta vida ou deu a gozar à família e aos seus trabalhadores) ainda assim homem  benemérito com o povo e Instituições. No entanto não vislumbrei nenhum símbolo maçónico na ruína do palácio, falava-se que seria na cave onde estive, continua firme e sólida de boa construção sob arcadas com corredores longos e salas grandes com claridade dada pelas inúmeras janelas com grades.As escadas  da torre e a outra secundária dariam aqui acesso e também podia ser por fora, nas laterais da escadaria principal.
Vivendo o local, sentindo a imensidão deste espaço implantado no meio do nada, seja fácil admitir que não bastava ter muito dinheiro, tinha de ser um homem lunático, para teimar aqui construir uma obra desta envergadura, diferente de tudo o que se conhecia naquele tempo, inserido em plena charneca, em ponto estratégico altaneiro, em redor da imensa parovela  árida, fria e tórrida no verão em que o próprio jardim ainda distante pouco ou nenhum conforto lhe acrescentaria.Não senti  ligação amena  entre o palácio e o jardim, antes lonjura sem qualquer bucolismo, embora o jardim no seu auge acredito o tivesse sido.

"Após a sua morte, a Quinta da Torre de Coina passou para o seu genro António Zanolete Ramada Curto e tornou-se o principal centro agrícola da região."
No jardim descobri estes três pedestais com as iniciais RC, supostamente seriam suporte de uma mesa (?)mas não vislumbrei o tampo, ou seriam marcos da propriedade que aqui foram deixados...

Em 1957 a quinta foi vendida a José Mota, irmão dos grandes proprietários e industriais de curtumes Joaquim Baptista Mota e António Baptista Mota, que mudaram o nome do imóvel para Quinta de São Vicente fundando aí a Sociedade Agrícola da Quinta de São Vicente, transformando a propriedade numa importante exploração pornícola.
Igualmente melhorou o seu jardim palaciano, o labirinto de arbustos, a escadaria de pedra, o pomar e as palmeiras em volta da capela."
O jardim palaciano
A minha visita ao jardim  aconteceu atalhando o terreno depois do palácio na diagonal a custo por entre entulhos de árvores mortas caídas, outras hirtas de secas, e algumas derrubadas abraçadas aos pilares da alameda triunfal, onde ainda se vislumbram os resistentes buxos, alguém  dizi terem sido dispostos em labirinto, salpicados por outros, que acredito foram de beleza exótica, ressequidos, jazem de pé, apresentando-se como autenticas obras de arte, a fazer lembrar o poema de Florbela Espanca ...se fosse apenas limpo removendo todo o entulho de madeira e folhas mortas, a visão seria de quase novo...

"O jardim do Palácio do Inferno, o sinal mais evidente da sua intenção esotérica está no labirinto, tanto o floral do jardim como o pétreo do palácio, onde circular neste mostrava-se bastante complicado para o visitante, não só como uma demonstração cabal de grandeza e poder pela imponência do edifício em si mas também por ser verdadeiramente um labirinto, cujo significado liga-se inteiramente ao mundo da Tradição Iniciática.(...) Na tradição cabalística, retomada pelos alquimistas, o labirinto preencheria uma função mágica que seria dos segredos atribuídos ao rei Salomão.  "
É impossível perceber a planta do jardim que se estende por patamares dando acesso a uma escadaria com balcão debruado a varandins em platibanda revestida a balaustres em granito, outrora nela haviam vasos com flores lindíssimas, assim contado na memória do povo, hoje deles nada resta-, para logo em deleite apreciar um chão forrado a mosaicos em cerâmica alternados com outros em azulejos, e na frente uma piscina, que no início da década de 60 o seu dono lhe concebeu proteção abençoada a nascente implantando capela disposta em semi circulo, com arcadas, apresentando as paredes das pontas dois grandes painéis azulejares e o altar encimado por Cruz, estando ao meio uma pequena mísula em pedra onde deveria ter estado a Imagem (S. Vicente? ), mas claro o organizador nem sabia da sua existência (?), na saída ouvi falar dela e apesar de visivelmente cansados e em cima da hora de almoço o acertado foi descansar, refrescar e comer para depois partir de novo sozinhos-, eu e o meu marido para tentar descobri-la...
Dizem que havia muitas fontes, não vi nenhuma, vi jeito de pequenos lagos, no entanto todo o jardim é ladeado a norte por um muro de pedra que apresenta ao meio um rego, a levada, para trazer água da gruta
( a gruta do Inferno) que supostamente deu o nome à quinta, que se localiza mais a nascente, mas não nos aventurámos na sua procura.Ali sozinhos no meio do nada é assustador!
Átrio de acesso à piscina forrado a mosaico cerâmico alternado com azulejos
Piscina a poente( que o povo chama tanque) não é visível pelo arbusto parecia ter uma cascata (?)
Vista da piscina tirada a foto a sul da capela
Lado norte da capela,  árvores morreram em cima dos telhados
Painel azulejar a revestir a parede virado para a piscina dos finais dos anos 50, início 60, mas não estão assinados, pelo menos não vi nada, supostamente de uma fábrica de Lisboa. 

 Foto tirada de sul da capela

 Lado sul
Painel azulejar do lado sul
 Outra perspectiva a sul da capela
Tardoz da capela
Arcadas de acesso ao altar
 O altar
 
 
 

 Do lado sul um retiro altaneiro debruado a bancos de pedra
Voltando ao lado norte o muro em pedra de limitação do jardim com rego ao meio, a levada, por onde seguiria água para o regar(?) também supostamente para quebrar os silêncios, dando um ambiente fresco nos dias tórridos, que aqui lembra bem o Alentejo, pela paisagem árida, seca e quase estéril. Ao lado seguia uma conduta larga coberta a lages, que se vê na foto uma aberta.
 
Depois do almoço voltámos ao caramachão abrigado por frondosas bungavílias silvestres, as mais resistentes de cor arroxeada, que no tempo de abandono por falta de poda apresenta inúmeras hastes aéreas a lembrar lianas que formam braçadas airosas em jeito de balancé, ladeada por bancos namoradeiros revestidos nas costas com azulejos em policromia azul e amarelo, pelo chão milhentas flores secas que nelas nem hesitei me deitar para a posterioridade e sem vontade de me levantar pela tamanha fofura daquele lugar idílico de onde se avista a torre e o jardim de baixo.
Fofura...
 
 Avista-se daqui um patamar do jardim e ao longe a torre
Policromia de flores prostradas no chão...
Deixando o caramanhão tomando o caminho da saída para poente
 
 Vistas do jardim ressequido, morto em total agonia
 Frontaria do jardim a poente
Os arcos de suporte da alameda são em cimento, portanto foram mandados fazer pelo José Mota 
Balcão com varandim com bancos namoradeiros e ferro forjado na frontaria do jardim de onde nasce a estrada do lado norte

A frente do palácio apresenta-se abastada em espaço mas incrivelmente nua, seria que já pensava na época para servir de estacionamento?
 
Ao  meio da estrada sita a norte onde nasce o caramanchão é visível do outro lado aqui e ali lanços de degraus, como se fossem uma escada aberta na paisagem com apenas um patamar, uma vez subidas se afirmam como miradouros ao visitante, algumas em derrocada.
Restam poucas videiras, que as havia de várias castas, desde Moscatel a D.Maria e,...resta esta que se enleou num sobreiro
 Entrada do palácio ao que parece nunca foi terminada
 A escadaria na frente não se vê que tivesse tido continuação
 O acesso à cave foi feito do lado sul sob arranhões de silvas, nem sei se alguma vez foi terminado
 Acesso à cave a única parte do palácio ainda em bom estado de conservação
 
Uma ave de rapina jovem aqui  na cave do palácio veio morrer
Só já existe este painel de madeira que revestia o salão a sul, diziam quem conheceu o local que eram na mesma os outros salões
Além da escadaria em caracol na torre no lado sul existia aqui uma outra escadaria normal
 O miolo da torre completamente despido da escada que deveria ter sido em caracol(?).
" A torre que é uma espécie de espada cravada na cunha ou coina do Concelho do Barreiro. A espada cravada na rocha ou no chão, é simbolismo que pessoalmente já vivifiquei ou realizei algumas vezes, e que levou alguns a vociferarem sobre o que desconhecem absolutamente, tanto no real como no simbólico, ficando-se pela impertinência beata e simplista característica primária da ignorância cabal das profundezas do mundo iniciático."
"O palácio suportando a torre do "rei do lixo", quer um quer outra repartem-se em três andares, ficando a torre para o Mundo Celeste (Mental, Astral e Etérico) e o palácio para o Mundo Terrestre (Agharta, Duat, Badagas), representando a cave do edifício o ponto de intercessão entre os dois Mundos, ou seja, o Plano Físico, a partir do qual se sobe ou se desce. "

Esta crónica foi possível pela visita, pelas fotos, apesar da imensa luz e da altura não ser a melhor, e sim a primavera, mas também pela crónica  de 2012/04/02/a-torre-do-inferno-do-rei-do-lixo-coina-por-vitor-manuel-adriao/ da qual retirei excertos devidamente tratados com parênteses.
Remato o autor
" agradecimento ao senhor doutor Rui Pires, dedicado investigador da história da Quinta da Torre de Coina e devotado amigo da terra, por todas as informações que me disponibilizou e confiou."

" Não creio que Manuel Martins Gomes Júnior soubesse de todos os conhecimentos iniciáticos, mas possivelmente alguns dos construtores do seu palácio e torre poderiam possuir fragmentos esparsos dos mesmos, pois que a simbologia do imóvel está em conformidade com a Tradição Iniciáticas das Idades, inclusive o Rio Tejo fazendo a vez de "Mar da Atlântida" em cuja margem se levantou a célebre Torre de Babel, que nesta de Coina servia para o "rei do lixo" subir ao seu topo para avistar as suas vastas propriedades no Seixal, diz a vox populi sempre com explicação simples e prática,  mas que não parece verossímil."
Foto retirada da crónica de Vitor Manuel Adrião
A torre
 
Alguém deixou bem a propósito na cave este grafite
 Dos lados nascem rampas alicerçadas por pedra para abraçar a entrada do palácio

 
 

A meio caminho do portão de entrada  um tanque para lavagem de roupa
 Ao fundo o portão de entrada principal da quinta
Lado sul o muro em pedra de separação do terreno agrícola

Mas na frente do palácio é bem visível que não foi terminado
Lado nascente por onde entramos
 
 
Ouvi falar gente que conheceu o "prédio" assim chamam ao palácio que não haviam casas de banho. No entanto do lado norte vi na parede manilha cerâmica de esgotos, como havia igual em casa dos meus pais em 50, o que evidencia haver esgoto para a cozinha e casas de banho, que deveriam ser no tardoz com as janelas laterais estreitas(?), mas que nunca foram apetrechadas com sanitários(?) e dai o povo dizer que não existiam? 
Não lhe contei as janelas, mas ouvi falar em 63(?).
 Lado sul
" Foi  em 1957 vendida a José da Mota que retomou o cultivo da quinta e melhorou os seus jardins palacianos acrescentando à piscina; pérgula (caramachão; labirinto de arbustos; escadas de pedra; pomar e palmeiras existentes e uma capela.
A Quinta do Inferno mudou então de nome e passou a chamar-se Quinta de S. Vicente."Mas no povo permanece o nome Quinta do Martins.
Toda a envolvente da quinta ainda com resquícios do grande pomar que chegou a ser dos dos maiores da Europa e de todo o lado chegavam famílias para aqui trabalhar.
"Em 1972 a herdade foi novamente vendida, desta vez a António Xavier de Lima, conhecido urbanizador da margem sul. Este afirmou publicamente possuir um projecto para reconverter a quinta e transformar o palácio numa pousada com cerca de 85 quartos. Mas na noite de 5 de Junho de de 1988 o palácio foi totalmente devorado pelas chamas de um incêndio, que não poucos dizem ter sido ateado de propósito. Xavier de Lima disse depois ao jornal A Capital que o restauro do imóvel implicava um investimento não suportável. Desde aí o palácio com a torre e a quinta em volta encontram-se num total abandono, já tendo abatido toda a parte intermédia e o terceiro terraço do edifício, a cada dia transformando-se mais e mais numa enorme ruína este que é o ex-libris da histórica vila de Coina, sendo este um exemplar de arquitectura única no país construído com os mais ricos materiais da época."

O povo que trabalhou nesta quinta chamava ao palácio - castelo ( seria que são memórias do tempo  do "rei do lixo" que assim ao palácio se referia?). Mais tarde já no tempo do José Mota, o homem que mais incrementou a quinta, chamavam ao palácio "prédio" onde alguns trabalhadores chegaram a dormir e também onde se caçavam pombos. Guardam memórias daquele tempo das salas muito grandes algumas com lareiras e forradas a lambril em madeira esculpida, rasgada por altas janelas e portas.Mas nunca foi acabado.Nas traseiras não haviam escadas, usavam as da altura que se encostavam à parede para subir. A cozinha era no gaveto a norte. Num tempo de pobreza, a criançada saltava os muros para roubar fruta, porque na quinta havia muita variedade desde laranjas, diospiros, pêssegos, damascos, pereiras, macieiras, uvas, romãs e,...que muitas árvores ainda resistem a pedir uma gota d' água ...
Disse-me uma amiga- Olga, mora relativamente perto e se recorda na sua adolescência quando aparecia um homem de bicicleta com um caixote cheio de pêssegos para vender, supostamente roubados da quinta (?), trazia atrás dele um canil em algazarra para se fazer anunciar, ouvia-se na voz das pessoas " olha pêssegos do Martins"... eram grandes como as pêras, chegou a ver uma foto com três pessoas a trincar a mesma pêra...
Romãs da quinta, de hoje
"Em 1988, ocorreu um incêndio de contornos misteriosos que veio contribuir para o estado degradado do palácio, na altura já desabitado há 18 anos. Diz a voz do povo , supostamente foi o próprio dono, Xavier de Lima que o incendiou..." A ter sido, falta saber a razão...

"Atualmente o palácio conhecido por "Castelo do Rei do Lixo" está em avançado estado de degradação. Se não forem tomadas medidas urgentes, este património do Concelho do Barreiro tem morte anunciada, mas enquanto o Palácio de Coina se mantiver de pé, a memória do "Rei do Lixo" permanecerá viva!"
Cacos de faiança
As pessoas tem o mau hábito de trazer "recouerdos" , já de saída encalhei num caco de faiança de Sacavém pintado a preto, claro abaixei-me e trouxe-o assim como outros que encontrei nos metros seguintes . Revela que aqui se usou muito loiça desta fábrica.


FONTES

Http://rei-do-lixo.blogspot.pt/
Http://www.lendarium.org/narrative/quinta-do-inferno
Fonte Biblio PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Portugal Antigo e Moderno Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.Tomo VIII, p. 27
Https://lusophia.wordpress.com/2012/04/02/a-torre-do-inferno-do-rei-do-lixo-coina-por-vitor-manuel-adriao/
Https://sites.google.com/site/faceocultadeportugal/lisboa/palacio-do-rei-do-lixo

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