sábado, 23 de setembro de 2017

Criptopórtico romano na baixa pombalina

Com a entrada do equinócio do inverno meti-me a caminho de Lisboa para a visita às Galerias Romanas na baixa pombalina, que conheci há 30 anos, quando as deram a conhecer ao público.
Sozinha, o meu genro só arranjou um bilhete, por estar a decorrer as Jornadas do Património e em abril no dia dos Museus, únicas alturas do ano que são abertas, pela logística da parceria com os bombeiros para bombagem de água e pessoal da câmara.
Melhorou a entrada e o meu nível cultural que se enriqueceu e assim pude constatar um olhar diferente e mais apaixonante sobre as galerias romanas.
O criptopórtico foi descoberto em 1771, quando Manuel José Ribeiro construía o seu prédio na rua da Prata (nos hoje números 57 a 63). Nessa altura foi encontrada a lápide consagrada a Esculápio, colocada então no próprio edifício e hoje depositada no Museu Arqueológico.
A inscrição constante da lápide, com as dimensões de 0,72 m por 0,74 m, é a seguinte:
«Consagrada a Esculápio. Os Augustais Marco Afrânio Euporião e Lúcio Fábio Dafno ofereceram este monumento em dádiva, ao Município."
A arqueóloga teceu breve síntese sobre o monumento datando a sua origem no império de Augusto ou Tibério pelas almofadas de alguns blocos nos gavetos.
 

Água sempre presente com a marca habitual de um metro de altura, se julga fundamental para o monumento sobreviver (?).
Depois de descobertas tiveram várias designações
Termas dos Augustais, termas romanas de Lisboa, por possuírem "águas milagrosas" para curar certas maleitas, conservas da Rua da Prata, conservas de água da Rua da Prata , catacumbas e fórum municipal . Hoje, dá-se por quase certo que são criptopórticos, construções em abóbada que os romanos usavam em terras instáveis para servirem de plataforma de suporte a outras edificações, e que terão estado também ligadas a actividades portuárias e comerciais.
Apenas é visitável um terço do monumento que se estende desde a Rua da Prata (antiga Rua Bela da Rainha) e da Rua da Conceição, onde se entra entre a linha do elétrico, estendendo-se até à Rua do Comércio na baixa lisboeta.
A sul das galerias estão a decorrer novas escavações no que foi a cave de um prédio, com indícios do que foi o porto romano onde chegava e partia a mercadoria.
 
O chão das galerias com água foi coberto por uma espessura de 40 cm de entulhos cerâmicos e cimento
 Um arco de volta perfeita,  nesta galeria pode-se andar de pé
 Nesta galeria já temos de nos abaixar
 
Com o acumular de cultura na vida e aqui vinda pela 2ª vez alvitre tenham sido um sistema de cisternas para armazenamento de água potável que nesta zona de Lisboa era deficitária,  fazendo o aproveitamento dos níveis freáticos das ribeiras de Arroios que descia da Almirante Reis e da Valverde pela Avenida da Liberdade,  a correr a céu aberto, porque só em Alfama é que havia fontes frias e quentes. 
Digo isto porquê? Pelos inúmeros poços abertos na estrutura das cúpulas.Alguns prédios hoje a serem requalificados, todos tem um poço, que para gente como eu sempre conheceu os poços nos quintais e fazendas e nunca dentro de portas de casa.

 
 
 
 
 

Contraste com a cisterna romana do Carvalhal em Santiago da Guarda em Ansião, que há 40 anos também se especulava que seria um criptopórtico ou necrópole, por se ter encontrado nele um túmulo, curiosa a fui conhecer, e o seja cisterna que abastecia uma vila romana, há poucos anos descoberta na Casa Senhorial Conde Castelo Melhor. A região do Maçico de Sicó é muito seca de verão, a cisterna apresenta na curva uma abertura tapada com pedra.

 
 
 A abertura
Uma das galerias romanas apresenta uma grande racha, que está motorizada para dar conhecimento se ceder  e no chão também


 
 A boca do poço para esgotamento das águas
Não se entende a razão do lintel acima dos arcos frente a frente
 

Entrei nas  galerias romanas com cheiro a subsolo que depressa se dissipou para sair bem disposta, mais rica culturalmente nem me lembrei do eléctrico 28 que pelos carris trepida a compasso...

No final já na rua duas brasileiras e um rapaz que estava acompanhado de outros dois me pediram o endereço do blog, naturalmente pelas minhas  intervenções,  postura e conhecimento sobre história...
Bem hajam!

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