No rasto dos ribeiros, valongueiros, ribeiros do munho ou ainda levadas, abertos à força de mãos serviam para canalizar a água da ribeira principal para as azenhas e lagares, e depois de cumprir a sua tarefa voltavam à ribeira a mais à frente . Quem deixou esta herança? Os romanos , visigodos ou os mouros? O que transparece é que se trata de herança romana/visigótica reutilizada por mouros de várias tribos que se fixaram na região a que se juntaram francos, povo povoador e mais tarde judeus.
Apesar da parca água em Ansião , só corre de inverno até junho, sem se saber a data que esta actividade aconteceu, certo é que 1359 era grande a actividade de moinhos de água e lagares em Ansião nas suas ribeiras e ribeiros - Ribeira do Açor, Ribeira do Nabão, Ribeirinho e,...
Levava no horizonte a visita apressada à Ribeira do Açor no concelho de Ansião em semana de Pascoela para me deslocar à nova oficina do Sr.Luís Sá, de onde parti com sede e deslumbre mais uma vez por estas bandas sem medo em desafiar o chuvisco em tempo de estrebanta a caminho da Lagoa do Pito no ensejo maior em regalar mais uma vez o olhar com a abundância d'águas...Dizia-me o meu marido, mas ainda há pouco tempo lá foste - a que respondi - foi em agosto sem água e agora está cheia!
Já noutra crónica expliquei que no caso do topónimo - Lagarteira com versão diferentedo Padre José Eduardo Reis Coutinho, para mim o nome reporta a Lagares de azeite a correr de bica em regateira, herança deixada pelos romanos, na Torre passou a via romana , teve uma derivação para a Constantina e Ansião.
Em 1758 segundo as Informações Paroquiais sobre a freguesia de São Domingos da Lagarteira "compunha-se dos seguintes lugares: Casais da Póvoa 15, Outeiro dos Casais 1 , Coelhosa 16, Vale da Figueira 1 , Carrascos 9 , Mouta e Igreja 8 , Lagarteira de Cima 9, Lagarteira de Baixo 7 , Vale 4 , Poço Menchinho 1 , Galegas 2, Pião 13, Casal dos Barrozos 3 , Machial 6 e Curcial de São Bento 22, da jurisdição do Couto de Torre de Vale de Todos) num total de 448 a 512 indivíduos) ".
Hoje muitos dos Lugares com o nome antecedente de casal, o perdeu. E Outeiro dos Casais não sei se existe. Perdeu-se o nome de Portela e Vale - um deles parece ter sido alterado para Fonte Carvalho, o mais provável seja o Vale?
Lagoa do Pinto
Aparece referenciada nas Memórias Paroquiais com a designação de Lagoa do Pinto, tenha sido corruptela do linguarejar que se adulterou da sua primitiva designação para Lagoa do Pito.
Segundo o testemunho de Silvina Gomes "a conheci antes de fazerem os muros em
volta do poço e da fonte que abastecia a população, em volta havia relva fresca onde as
pessoas estendiam a roupa a corar lavada na lagoa, que hoje
essa lagoa está imunda, de águas escuras. Lamental que a junta de freguesia não proceda à sua
limpeza e de outras)".
Trata-se de uma dolina ou geoforma cársica felizmente ainda características do Maciço de Sicó que o povo lhes chamou lagoas.No meu tempo assisti a algumas a serem entupidas, outras quase assoreadas se não lhe acodem vão-se perdendo!
O que seria a construção de formato quadrado na margem poente da Lagoa?
No interior não se vislumbram ruínas de paredes apenas esta porta e as paredes exteriores, teria sido um lagar? Esta ribeira que vem dos lados de Aljazede e a do Nabão tiveram no passado muita actividade de lagares e moinhos .
Corre a poente da actual estrada outra em terra batida julgo a primitiva usada como rota do caminho de Santiago (?) na ancestral ligação às aldeias.
Ribeiro parcialmente encanado para a lagoa virá da ribeira de Aljazede que lhe passa do outro lado da estrada.
Uns metros para sul distingui um casario que só quando cheguei ao local percebi foi um lagar com data no lintel de 1892.
Se não se encontra junto a nenhuma linha de água teria sido movido a vapor (?).
Do lado de fora encontra-se uma Mó diferente de outras mais antigas que encontrei em pedra mais pequenas e mais altas, uma no que foi o Mosteiro em Ansião e outra no Moinho do Marquinho.
Alminhas na Rua do SobreiroCaso intrigante na toponímia
Rua do Sobreiro e uns metros a sul um pedestal com Rua Principal -, duas designações na mesma estrada suposto que uma anulou a outra, deve merecer reparo...
Olival salpicado de calhaus de calcário onde se avista o novo cemitério da Lagarteira.O velho encontra-se defronte da Igreja. Junto do ralis da estrada o muro de pedra seca da Ribeira das Matas assim referenciada nas "Memórias Paroquiais de 1758 pelo pároco da freguesia Caetano Rodrigues."
Depois da Lagoa do Pito e antes da Fonte Carvalho encontra-se o Poço Minchinho também aparece referenciado nas Memórias Paroquiais .
Ostentação da placa toponímica de Boas vindas ao Curcialinho, a única nas redondezas em detrimento das demais normais, a razão de aqui ter sido colocada? Na divisão dos dois lugares pela ribeira da Mata, na margem norte o Cursialinho e na margem sul a Fonte Carvalho.
Nas Memorias Paroquiais à frente mencionada« há nesta freguezia hum piqueno arroyo, à que se chamam Ribeyra do Assor, o qual tem seo principio á uma moderada fonte chamada do Carvalho que nasce nesta freguezia» Justifica que a fonte do Carvalho hoje apenas Fonte Carvalho .
Segundo o testemunho de Silvina Gomes " quanto
ao Lugar do Rio Torto, é uma pequena povoação ao cimo dos Loureiros.O Lugar do Curcial de
S. Bento, hoje não tem moradores, mas teve à volta 70 moradores , aí nasceu o meu
marido e irmãos, lembro -me de ouvir dizer à minha sogra que existiu ali
um seminário onde foram ordenados alguns padres, cujas ruínas ainda existem no quintal da minha sogra, e na frontal da casa hoje abandonada, está uma data salvo, erro, 1763 .Existe apenas a capela dedicada a S
Bento." Bem
haja pela boa partilha de saberes. Quanto ao seminário, não encontrei referenciado nas nas Memórias Paroquiais, em 1721 na resposta do Lecenciado Padre Manoel dos Santos ao Cabido da Sé de Coimbra " (...) não tem Mosteiros, Mezericordia, Hospital nem Recolhimentos"
Nas Memórias Paroquiais em 1721 Informações do Couto de Vale de Todos pelo juiz Bernardo Rodrigues (...) «somente
há algumas pessoas que gozam de alguns privilegios como são da Bulla,
de Santo António, da Santissima Trindade, e da Universidade de Coimbra,
per serem alguns moradores cabeças da Universidade.» Se a casa tiver a data no lintel de 1763 ainda nada existia, pois as Informações datam de 1721. Pelo que se deve investigar o que foi aquela casa.
(...) «sobre a Lista de Capelas e legados de Ual de Todos he o seguinte.Neste Couto de Ual de Todos e sua iurisdisam não ha morgado algum nem igreia e nem irmandade nem spristal porquanto a igreia donde esta iurisdisam he fregeza esta huma no termo do Rabasal e outra no termo de Penella.No Lugar do Corsial Piqueno da iurisdisam deste Couto de Ual de Todos esta huma capella ou ermida da euoquasam de Nossa Senhora da Esperamsa a qual mandou fazer o Padre Simão da Silua uigairo que foi na uilla de Botam ia defunto e deixou em seu testamento misa perpetua para meio anno e sua cunhada Moniqua Mendes is defunta misa a quarta parte do anno e sei irmão João da Silua outra quarta parte do anno;ainda e uiuuo;estas se dizem por conta do administrador da dita capella Manoel da Silua ( Manuel da Silva Freire) morador ba uilla de Botam e la se disse no testamento em seu poder.
No
Lugar do Corsial de Sam Bento da uurisdisam deste Couto de Ual de
Todos esta huma ermida da euoquasam de Sam Bento, não tem obriguasam
alguma e esta na fregezia de Sam Domingos da Lagarteira termo da uilla
de Penella."
No Lugar do Corsial de Sam Bento da uurisdisam deste Couto de Ual de Todos se acha hum testamento em poder e mão de Francisquo Freire o qual testamento istituio hum Manoel Iorge e sua molher Caterina Simois moradores que forão no dito lugar e consta cer feito no anno de mil e seis sentos e nouenta annos 1679 annos, foi feita a uinte e outo dias do mes de maio do dito anno. Neste instituiram outo misas pera sempre e deixaram fazendas obrigadas pera o pagamento dellas as quais oie amdam repartidas pellos herdeiros e pesuidores seguintes"
João Mendes da Mouta da Lagarteira termo da uilla de Penella huma misa.
Joam Rodrigues do Corsial de Sam Bento huma misa.
Framcisquo Freire do Corsial paga simquo misas por si e por fazenda que traz de quatro herdeiros da dita fazenda a quem anda repartida.
Manoel Rodrigues Pisquo do Corsial paga huma misa
Em 1751 o Curcialinho tem huma ermida de S.Caetano
No Lugar de Cursialinho uma capella instituida por um sacerdote seccular, natural do mesmo Lugar, o qual se chamava Simao da Sylva; e hé esta capella de invocação da Senhora da Esperança"
O Lugar do Poso Minchinho esta em hum ualle sitiado de aruores e penedos e parte o termo de Penella pello pe das cazas, tem dous moradores"
O Lugar da Lagoa do Pito esta em hum ualle sitiado de aruores e parte o termo de Penella pello pe das cazas e tem hum so morador."
O Lugar do Corsial de Sam Bento esta antre matos sitiado e tem em si dezoito uizinhos moradores antre uiuuas e uiuuos pobres.
O Lugar de Cursial Piqueno desta iurisdisam esta sitiado de matos e penedos e tem outo moradores antre uiuuvos e uiuuos.»
Como reparos lamentável o poste da EDP ter sido colocado no leito
da ribeira, e o mesmo desta não se encontrar de leito limpo.E já que o
Curcialinho dá as Boas Vindas aos forasteiros devia encetar substancias
melhorias em parceria com a Fonte Carvalho alindando as margens da
ribeira daqui até à Lagoa do Pinto, apetrechando o espaço com um
circuito pedestre, bancos, jardim infantil e espaços ajardinados para as
gentes poderem desfrutar da ribeira com águas e em leito de secura
apreciar toda a beleza dos campos de olival debruados a muros de pedra
seca.Enfim nada enxerguei para descansar!
Foz de um ribeiro encanado vindo de nascente, técnica usada pelos judeus para terem mais terra arável para cultivo, ainda se encontra em Ansião na quinta que foi de Belchior dos Reis ao Ribeiro da Vide , na Mouta Redonda no quintal do meu marido e,...Aqui seria chão da antiga quinta da Ribeira do Açor que teve capela particular com Imagem a Nossa Senhora da Piedade em pedra bem ornada. A capela foi demolida em meados do século XX segundo testemunho da minha amiga Silvina Gomes.
A ribeira do Açor corre ao longo da estrada onde seguia a pé a desafiar a chuva a minha mãe...
Lamentável a falta de manutenção das bermas da ribeira entupidas de vasta vegetação...
A chuva atormentou-me menos do que a densa vegetação e falta de limpeza da ribeira, na verdade quase não deslindava os suportes em pedra da bela ponte tradicionais nesta ribeira e na do Nabão , que se dizem ser romanas(?) infelizmente a maioria foi substituída por cimento armado...
No Lugar de Figueiras Podres viveu o Capitão António Freire
e sua mulher Maria Inácia, foram pais de
Pascoal José Freire que veio a casar com Margarida Caetana, do lugar do
Paço,
freguesia da Lagarteira, deste casamento nasceu D. Teresa Maria Freire
da
Conceição, baptizada na Lagarteira a 6 de Abril de 1815.Junto da capela
que ditou o nome ao Lugar há uma casa de sobrado com janelas de avental,
não sei de quem foi, tenho de voltar perdi as fotos...
RIBEIRA DO AÇOR
Graças aos testemunhos de vida de uma amiga daqui natural, a Silvina Gomes " cresci ali ao lado
da ribeira que vêm do referido poço Menchinho da Lagarteira, onde as donas
de casa lavavam a roupa na água límpida, curtiam tremoços na
água corrente que ficavam uma maravilha onde antes também
punham o linho de molho para depois ser trabalhado, também naquela água
limpa cresciam agriões que a população apanhava para saladas e sopa..."
Nas Memórias Paroquiais em 1758 do Padre Manuel Caetano de Carvalho "há nesta freguezia hum piqueno arroyo, à que se chamam Ribeyra do Assor, o qual tem seo principio á uma moderada fonte chamada do Carvalho que nasce nesta freguezia;cuja fonte no estio está seca, porque já no auje do verao, e experimenta diminutas as suas correntes; na sua corrente há moynhos, e também lagares, que andarão no inverno, e parte do verão.Vay este arroyio metter na distancia de tres quartos de legoas já com mais algum cabedal mendigado, ou que voluntariamente se lhe unena Ribeyra chamada de Ansião, por correr junto daquella villa, aonde perde o nome, e corre do norte para o sul.»
Segundo os testemunhos de Silvina Gomes " na Ribeira do Açor também existiu um moinho movido a água que tinha desvio da água por um Ribeiro (levada), ainda existem as ruínas desse moinho, e o último moleiro ainda é vivo."
|
"na
Ribeira do Açor ainda existe outro lagar de azeite mais antigo do que
outro também na beira da estrada, foi convertido numa empresa
de ...??
Na beira da Ribeira ao lado do lagar que já não existe existiu
outro moinho , ainda me lembro do ver laborar, o meu avô tinha um
terreno pegado.Esse lagar antigo, pertenceu a um senhor que morava em
Ansião ,em Além da Ponte, que se chamava, Alberto Ruivo, talvez a amiga tenha
conhecido"
De facto em Além da Ponte viveu Alberto Ruivo, casado com Helena Cruz, irmã da minha avó paterna Piedade Cruz. Ainda não deslindei a origem dos meus ascendentes paternos de apelido "Cruz", apenas sei que o meu bisavô Elias da Cruz nasceu no Bairro de Santo António num tempo que ali viveu gente oriunda daqui dos lugares circundantes, cuja linhagem de alta silhueta e deu o nome de "Piedade" a uma das filhas, a minha avó, que foi mulher lindíssima , e seja também essa a ligação, o nome da Imagem que havia na capela da quinta da Ribeira do Açor.
| Se calhar o lagar foi aqui onde está o portão? |
Estela em pedra
Na frontaria de uma casa ao limite da Ribeira do Açor que desde sempre me intrigava ao passar de carro sem perceber os dizeres, pois tive de fazer o percurso a pé sob chuva copiosa para me deixar ficar francamente satisfeita. Apesar da construção da casa de 1955 retrata casal com ascendência judaica, pelo apelido "Dias" a que lhe acresce a estrela de David ao meio, no final diz CRUZEIRO supostamente alusivo à extrema da que foi a quinta do Açor (?) para Figueiras Podres.
RIBEIRA DO AÇOR
Lagar da Ribeira do Açor na beira da estrada passando-lhe a ribeira pelo tardoz.
Vista sobre a Ribeira do Açor
Testemunhos de Silvina Gomes da Ribeira do Açor a viver em Vila Nova de Gaia a quem agradeço a cortesia da gentil partilha "quanto
à capela que diz ter existido na Ribeira do Açor lembro-me de ver uma
casinha pequenina ao cimo da estrada ao fim da povoação, que a minha Mãe
dizia ali foi uma capela, e mais tarde o dono do terreno ao
lado a demoliu."
"A casa grande que se avista ao fundo sita na margem da ribeira foi construída pelo meu avô materno José Costa onde nasci e vivi com os meus Pais até aos 23 anos data em que casei e vim para o Porto .Em partilhas coube ao meu irmão David Gomes que a deu a uma neta, que tem feito obras, está linda!"
"A casa grande que se avista ao fundo sita na margem da ribeira foi construída pelo meu avô materno José Costa onde nasci e vivi com os meus Pais até aos 23 anos data em que casei e vim para o Porto .Em partilhas coube ao meu irmão David Gomes que a deu a uma neta, que tem feito obras, está linda!"
Foto tirada em movimento
"casa à beira da estrada em frente propriedade que pertenceu ao Sr. Alfredo Marques pertenceu ao Sr. Eduardo Freire que nunca a acabou e foi reconstruída por um neto que por vezes a habita, julgo tem residência em Coimbra."
"casa à beira da estrada em frente propriedade que pertenceu ao Sr. Alfredo Marques pertenceu ao Sr. Eduardo Freire que nunca a acabou e foi reconstruída por um neto que por vezes a habita, julgo tem residência em Coimbra."
Propriedade que foi de Alfredo Marques havia de deixar assinalada com placa em mármore com os nome dos filhos, os meus primos a Dra Lila e Dr Carlos.
Sempre a subir com chuva para conhecer os Loureiros, debalde as fotos com pingas d'água...
Bem lá no alto o Lugar apresenta-se alinhado ao longo da estrada e por isso não me pareceu apelativo. Encontrei a casa da quinta que foi de Eduardo Freire que a Silvina Gomes me falou, com uma parte remodelada. O que francamente gostei foi das fartas vistas desafogadas de costados borda abaixo verdejantes, porque os loureiros que ditaram o nome ao Lugar, não dei conta de nenhum!
Obrigados a fazer inversão de marcha por findar o alcatrão, continua em terra batida...Mas aqui não mora o Sr PJFA? Há que abrir acessibilidades!
O que distingui foram calhaus rolados de grande dimensão em tom amarelo torrado em cima de muros de pedra seca, por aqui algures deve haver uma jazida, que assim outra se encontra no Fárrio para os lados da Freixianda.
Segundo as Memórias Paroquiais de 1758 "dá referência sobre o mármore da Lagarteira extraída das viagens histórico-naturais de Manoel Dias Baptista (...) a Lagarteira é sumariamente rica de excelentes mármores, que no ano de 1777 foi descoberta pelo celebre Mestre o Senhor Doutor Domingos Vandelli das quais me fez mercê de oito amostras, que remeto a esta Ilrissima Academia (...)" Domingos Vandelli foi um químico italiano que veio para a Universidade de Coimbra a pedido do Marquês de Pombal. Além de notável Professor ficou obcecado com a faiança do Brioso e também quis ser produtor de faiança, fundando a sua fábrica ao Rossio de Santa Clara, e ainda aumentou a palete de cores primárias a partir das 4 de base até ai conhecidas; ocre, azul cobalto, verde cobre e manganês.
Os desertores vindos do Buçaco incendiaram a fábrica. No sitio veio a ser mais tarde implantado o Portugal dos Pequenitos. Decidiu ir para Gaia onde comprou outra fábrica - Carvalhinho.
A descoberta do mármore deve-se ao tempo anterior a 1801, quando ocorreu a maior ênfase dada à exploração mineira com repercussões no ensino da Universidade, levando à criação da cadeira de Metalurgia, o que obrigou ao rearranjo da cadeira de Química. Na altura para lente da nova cadeira foi designado José Bonifácio de Andrada e Silva, um estrangeirado que tinha passado os dez anos anteriores na Europa, tendo adquirido prestígio internacional como mineralogista. Naquele tempo além de Moncorvo já era assinalado o Avelar com o seu Engenho Real da Machuca em Chimpeles na Aguda, após ter passado por várias vicissitudes , sobretudo pelos artistas estrangeiros de pouca quase nenhuma arte para trabalhar as ligas, se aproxima o abandono, em determinada altura Domingos Vandelli foi julgo dirigente e seja nesse tempo que aqui veio e recolheu as amostras de mármore (?).
Recordo o meu pai nos anos 60 quando nos deslocávamos a uma fazenda ao fundo dos Matos chamada Carril nos dizia que ali passava um filão de mármore.Na verdade lá encontrei pedras em calcário com fósseis encastrados, reporta na origem da terra ou do extermínio dos dinossauros algo houve de brutal possível vulcão ou queda de grande meteorito que fundiu a rocha (?) atendendo que as pegadas deles ficaram marcadas na rocha ( pedreira do Galinha em Fátima) e aqui no Carril e na serra do Mouro também na mesma descobri pedras com pingos de outra rocha que ao cair secou deixando fosseis de extraordinária beleza.
"O Sr. Eduardo Freire tinha uma quinta com casa senhorial situada no Lugar dos Loureiros que foi comprada aos herdeiros pelo atual presidente da JF de Ansião, o Sr Cardoso."Bem lá no alto o Lugar apresenta-se alinhado ao longo da estrada e por isso não me pareceu apelativo. Encontrei a casa da quinta que foi de Eduardo Freire que a Silvina Gomes me falou, com uma parte remodelada. O que francamente gostei foi das fartas vistas desafogadas de costados borda abaixo verdejantes, porque os loureiros que ditaram o nome ao Lugar, não dei conta de nenhum!
Obrigados a fazer inversão de marcha por findar o alcatrão, continua em terra batida...Mas aqui não mora o Sr PJFA? Há que abrir acessibilidades!
O que distingui foram calhaus rolados de grande dimensão em tom amarelo torrado em cima de muros de pedra seca, por aqui algures deve haver uma jazida, que assim outra se encontra no Fárrio para os lados da Freixianda.
Segundo as Memórias Paroquiais de 1758 "dá referência sobre o mármore da Lagarteira extraída das viagens histórico-naturais de Manoel Dias Baptista (...) a Lagarteira é sumariamente rica de excelentes mármores, que no ano de 1777 foi descoberta pelo celebre Mestre o Senhor Doutor Domingos Vandelli das quais me fez mercê de oito amostras, que remeto a esta Ilrissima Academia (...)" Domingos Vandelli foi um químico italiano que veio para a Universidade de Coimbra a pedido do Marquês de Pombal. Além de notável Professor ficou obcecado com a faiança do Brioso e também quis ser produtor de faiança, fundando a sua fábrica ao Rossio de Santa Clara, e ainda aumentou a palete de cores primárias a partir das 4 de base até ai conhecidas; ocre, azul cobalto, verde cobre e manganês.
Os desertores vindos do Buçaco incendiaram a fábrica. No sitio veio a ser mais tarde implantado o Portugal dos Pequenitos. Decidiu ir para Gaia onde comprou outra fábrica - Carvalhinho.
A descoberta do mármore deve-se ao tempo anterior a 1801, quando ocorreu a maior ênfase dada à exploração mineira com repercussões no ensino da Universidade, levando à criação da cadeira de Metalurgia, o que obrigou ao rearranjo da cadeira de Química. Na altura para lente da nova cadeira foi designado José Bonifácio de Andrada e Silva, um estrangeirado que tinha passado os dez anos anteriores na Europa, tendo adquirido prestígio internacional como mineralogista. Naquele tempo além de Moncorvo já era assinalado o Avelar com o seu Engenho Real da Machuca em Chimpeles na Aguda, após ter passado por várias vicissitudes , sobretudo pelos artistas estrangeiros de pouca quase nenhuma arte para trabalhar as ligas, se aproxima o abandono, em determinada altura Domingos Vandelli foi julgo dirigente e seja nesse tempo que aqui veio e recolheu as amostras de mármore (?).
Recordo o meu pai nos anos 60 quando nos deslocávamos a uma fazenda ao fundo dos Matos chamada Carril nos dizia que ali passava um filão de mármore.Na verdade lá encontrei pedras em calcário com fósseis encastrados, reporta na origem da terra ou do extermínio dos dinossauros algo houve de brutal possível vulcão ou queda de grande meteorito que fundiu a rocha (?) atendendo que as pegadas deles ficaram marcadas na rocha ( pedreira do Galinha em Fátima) e aqui no Carril e na serra do Mouro também na mesma descobri pedras com pingos de outra rocha que ao cair secou deixando fosseis de extraordinária beleza.
Na serra de Nexebra ao longo do costado poente existem penedos em mármore rosa que ditou o nome às courelas - Seixal. A minha mãe tem uma com uns poucos de toneladas.
Casa primitiva com balcão alpendrado uma caracteristica da região que deve prevalecer.
CONSTANTINA
Ao deixar a Ribeira do Açor cuja ribeira passa por debaixo da estrada para o lado da Constantina onde me falaram existem ruínas do que foi um lagar, havendo na ribeira pedras grandes onde as mulheres lavavam a roupa, a que o povo chama Serrabino. Interessante deslindar este nome, se era assim escrito se possa aventar seria de um "Albino Serra" ou Sabino, nome que ainda conheci nos Matos do penúltimo habitante e aqui dito Serrabino pelo costado... Aventa ligação ao povo judaico que viveu na região e nesta ribeira da Mata soube aproveitar os parcos recursos da água de inverno para fazer mover moinhos e lagares. Sábios em abrir ribeiros à força de mãos a partir da ribeira da Mata onde a inclinação desse com ajuda de açudes para desvio da água para os moinhos e depois voltar a engrossar a ribeira principal. Não apenas existem testemunhos nesta ribeira da Mata como na ribeira do Nabão, credencia esta actividade muito forte em Ansião com os primeiros povoadores de origem judaica, francos e mouros.Os genes que uma grande maioria ainda hoje carrega e daqui partiu para o Mundo!
Fotos de 2003
O véu de noiva
Depois de 15 anos o véu de noiva encontra-se quebrado ao meio...sem o seu esplendor de antanho
O açude com o véu de noiva desmoronado ao meio, é necessário limpeza das
bermas para se apreciar a beleza com as águas em correria sob a sombra
dos carvalhos milenares, outra grande riqueza desta terra, impressionante como aqui a berma da estrada até à ribeira se encontra
desalmadamente invadida de farta vegetação e ao lado para sul está
limpa!
FONTES
Livro de Notícias e Memórias Paroquiais
Arquivo Municipal de Ansião, acta nº 10
Testemunhos de Silvina Gomes, Maria de Fatima Fernandes e Renato Freire da Paz
Transcrições do Padre Manuel Ventura Pinho das Memórias Paroquiais
José Eduardo Reis Coutinho, in Ansião, Perspectiva global da Arqueologia, História e Arte da Vila e do Concelho
José Eduardo Reis Coutinho, in Ansião, Perspectiva global da Arqueologia, História e Arte da Vila e do Concelho
Manuel Severim de Faria - Discursos Vários - in Vida
de João de Barros
Arquivo distrital de Leiria

É SEMPRE BOM E AGRADÁVEL, VER O INTERESSE, DE ALGUÉM PELA NOSSA TERRA, CONSTANTINA TÊM HISTÓRIA.
ResponderExcluirCaro Aníbal Duarte bem haja pela cortesia da visita e pelo elogio à crónica.
ResponderExcluirK
ResponderExcluirMaravilhosa exposição da nossa terra e dad nossas gentes
ExcluirFico-lhe muito grata por informações tão importantes
Cara Durvalina Forte muito obrigada pela cortesia da visita e pelo elogio à cronica.
Excluir