segunda-feira, 13 de julho de 2026

Onde a Serra d’Ossa Respira Pedra e Memória

 Excerto publicado no Jornal Serras de Ansião julho de 2026

Fonte dos peregrinos 

                



Claustro

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Vista do claustro

                   
    Porta de uma capela

    Um salão

Recanto com Fonte 


Piscina





Trilho da Horta da Levada  feita pelos frades









Forno da casa do ermita


Capela de Nossa Senhora do Monte onde termina o trilho


Anta da Candieira



Fechei a minha investigação ao património pétreo da Ladeia, do megalitismo,  no alto Alentejo

Palco dos meus 69 anos: reencontrar a proto- história que liga a Ladeia ao alto  Alentejo, raiz profunda onde Ansião se inscreve no coração. A encontro âmago às coisas que amo. 

Presente da minha filha, a estadia no Convento de São Paulo, no Redondo. Envolto numa cerca de 600 hectares, no sopé  poente, abrigado, com água. Promove a chegada o aroma floral ao som da água da bica, eco a peregrinos que ali matavam a sede. A receção na ala lateral, um salão de austeridade clerical. O adeus, a pedido, a toque do sino — cerimonial.

A história começa em 1376, com  Mem Gomes de Seabra, com a Casa dos Pobres de Nosso Senhor Jesus Cristo . Em 1536 acolheu a Ordem de Santo Agostinho. Em 1577 pernoitou aqui D. Sebastião antes de partir para África. Em 1578 nasceu a Ordem de São Paulo e o convento. Em 1669 passou D. Catarina de Bragança, vinda de Londres,  após a morte do rei Carlos II. Agora, outros — e também eu.

Não dormi numa cela, mas na Casa do Cruzeiro. O pequeno almoço refastelado no antigo refeitório dos frades — seriam magros e baixos, pela  porta minúscula, a brilho dos azulejos quinhentistas. Ampliado para sul no séc. XVIII, alas de corredores largos em tijoleira. Os silhares azul e branco contam a vida do fundador ermita, com um belo relógio de sol em mármore branco. Igreja, capelas e recantos soalheiros, com conchas e fontes — onde o mármore de Estremoz é rei — quadro bucólico de paz, desafia o verde. Duas piscinas a redor de arvoredo secular: araucária gigante, laranjeiras, nespereiras, palmeiras e olival em socalcos, a salpico de talhas e ovelhas de chocalho ao vento.

O costado sul, junto da ribeira, primou arroteio em leirões  para hortas com  regadio por levada e nora. Prima o trilho, o xisto , canteiros em pousio e a ribeira envolta em silvedo . Entre silêncios, chilreios e borboletas, a subida dos passadiços, até  à antiga ermida de S. Gens — Senhora do Monte — do século XV, com a casa do eremita, a mina e o tanque. Lajes descomunais aguçadas e voltadas ao céu, dão colo ao cemitério. A redor os costados com rasgos de alto a baixo, nus , faixas de 10 metros o corta fogo certo.

Após a expulsão das ordens em 1834, nasceu a aldeia Nova da Serra, junto à ribeira, dali se mudou para a beira da estrada, pelo casario de platibanda datado de 1900. Senti o caminho antigo que ligava castros e sítios megalíticos. Turistas americanos na anta da Candieira, um dos monumentos fúnebres mais estudados da região — encanto mítico que o alto Alentejo guarda riqueza imensa.

Respirei Juromenha. Acenei a Olivença. Almocei à farta no Zé do Alto, no Alandroal. Calor abrasador em Borba. Em Estremoz burlada num mini mercado, paguei por  33 cl de água, um euro. Afronta na desforra na feira num alguidar à laia de lava loiça. Vila Viçosa cresceu tanto que não encontrei o palácio — mas vi o castelo, que nem sabia existir. 

Pesquisa a fecho d' oiro das rotas peregrinas pagãs e da arquitetura pétrea da Ladeia e ao megalitismo do Alto Alentejo e a relação à rica obra do ermita São Paulo na serra de Ossa, contra dois ermitas em 700, a viver em Ansião, sem obra que se saiba.


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