Evite-se o que o Padre Coutinho referenciou em 1980 quanto à Imagem da Nossa Senhora da Orada, hoje desaparecida, a empobrecer o concelho!
Chama-se a esta carolice na descoberta do passado de Ansião - paixão com investigação, o que parece não ter no mesmo índice e prior o autor!
Imagem de S Lourenço
Tão pouco nenhum dos autores referenciou a Imagem de S. Lourenço da capela do cemitério
Por mim dada a conhecer quando a encontrei em dia que a porta estava aberta, assim prostrada no chão...Pedi ajuda do Padre Manuel Ventura Pinho que se deslocou à capela onde a Imagem foi recolocada no altar e reconhecida como sendo de S. Lourenço. Imagem em pedra antiga a reportar para semelhança da Imagem de Santa Marta e de Santa Luzia nos Escampados - o livro de baptismos na centúria de 500 com forte ligação de gente deste lugar (Vale Mosteiro) em apadrinhar crianças a merecer estudo e catalogação das Imagens.
Segundo Reynaldo dos Santos e Vergílio Correia uma série de esculturas femininas lavradas na primeira metade do século XIV podem relacionar-se com o léxico formal dos túmulos de Coimbra e de Braga (Correia 1940; Santos 1948).
Uma Virgem com o Menino que se conserva no Museu Nacional de Arte Antiga - Inv. 984 Esc, proveniente da Colecção de Ernesto Vilhena (Carvalho 1999, p. 72) – foi identificada como a cabeça de série ou modelo deste grupo de imagens que representam Santas de várias invocações ou a Virgem Maria e aproximada do grupo da Anunciação (Arcanjo São Miguel e Virgem Maria) da igreja de Santa Maria da Alcáçova de Montemor-o-Velho. As figuras apresentam um ritmo corporal de atitude levemente sinuosa, rostos ovais emoldurados por madeixas de cabelos alisados caídos sobre os ombros - mas formando um caracol muito característico sobre a orelha -, queixos pequenos, triangulares e salientes, olhos amendoados delineados à face, mãos com dedos cilíndricos e alongados. Véus curtos, muitas vezes presos nas coroas, túnicas que envolvem os pés em pregas requebradas, drapeados de volume generoso a criarem sombras profundas nas partes inferiores dos vestidos, jóias lobuladas a ornamentarem os decotes largos ou a cingirem os mantos, cintos a reproduzirem com preciosismo o trabalho do couro, retratam roupagens que seguem a moda da época trecentista. Na composição escultórica regista-se o contraposto denunciado pela postura das pernas sob os requebros das vestes: em quase todas as imagens ora o joelho direito se anuncia flectido para deixar a perna esquerda em tensão, ora os pés se apresentam um mais avançado do que outro ao recortarem-se das bases. Nestes moldes enquadra-se não só o busto da Virgem (Inv. 3995 E22), proveniente de Montemor-o-Velho, mas também a escultura de uma Santa Mártir (Inv. 647 E19) do MNMC, a Virgem proveniente de Podentes, igualmente do MNMC (Inv. 4069 E24), como outra Virgem com o Menino do MNAA (Inv. 1087 Esc) ou as Virgens da Expectação do MNAA (Inv. 1990 Esc), do Museu de Lamego (Inv. 129 e Inv. 130) e a do MNMC (Inv. 645 E20), todas elas de maior escala do que a imagem-modelo feminina associada pelos historiadores directamente à mão do mestre. A proporção alongada comum a estas esculturas femininas seria paralela ao domínio técnico que o mestre estava habituado a aplicar nas dimensões naturais dos jacentes tumulares. Outras características formais de imagens esculpidas nos túmulos documentados, nomeadamente dalgumas personagens masculinas, como a do chapéu de copa alta e pala da arca de D. Gonçalo Pereira, repetem-se em esculturas de vulto exentas, como acontece no São Tiago do chapeirão, proveniente da Colecção do Comandante Ernesto Vilhena conservado no MNAA (Inv. 992 Esc), ou a tão característica modelação dos cabelos masculinos em dois cachos enrolados compridos dispostos paralelamente ao rosto presente, por exemplo, no São Tiago do MNMC (Inv. 644 E 17). A origem e a formação de Mestre Pero; os motivos da sua vinda para Portugal; a ligação aos círculos de encomenda da corte dionisina e isabelina; a estrutura e organização da sua oficina; a permanente opção pelo calcário brando de Ançã que tem feito com que o seu nome surja à cabeça de uma "escola" de escultura trecentista em Coimbra dominando sobre outros centros de produção nacionais, assim como a distinção entre o que foi o seu trabalho de imaginário e o dos oficiais seus colaboradores, mantêm-se historiograficamente como questões em debate.»
Na pagina Facebook das suas Memórias o Padre Manuel Ventura Pinho
«Negavam os albigenses a Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo e, em consequência, todas as outras verdades da Fé, com especial ênfase na Sagrada Eucaristia.Para suster a expansão dessa doutrina deletéria esforçaram-se os monges cistercienses e, sobretudo, o grande São Domingos de Gusmão, que criou a chamada Ordem do Pregadores para ensinar ao povo a verdadeira doutrina e afastá-lo daquelas heresias. E o nosso Santo António, embora pertencendo à Ordem fundada por S. Francisco – os Mendicantes - para ajudar os pobres, foi encarregado do mesmo trabalho: ajudar as pessoas a compreenderem que tudo foi criado por um único Ser, o Deus amoroso de Jesus Cristo. Procurou-se também fomentar a devoção a Nossa Senhora grávida, ou seja, à tradicional Senhora do Ó. Penso que as muitas igrejas e capelas consagradas à Senhora do Ó, ou onde ainda existe essa imagem da Senhora grávida terão origem nesse movimento de contrariar essas doutrinas maléficas de achar que o corpo - e sobretudo o sexo - é obra do Diabo.É o caso da Capela da Senhora do Ó de Câneve na Cumeeira, a Senhora da Orada de Santiago da Guarda e mesmo a igreja de Ansião onde ainda existe a imagem da Senhora do Ó que foi de uma capela particular.
Interroga o Padre Manuel Ventura Pinho os seus leitores
Conheço a que foi a igreja da Orada na Granja em Santiago da Guarda referenciada nas Memórias Paroquiais Setecentistas «(...) A dinamização da colonização do território de Façalamim pelos cónegos regrantes de Santo Agostinho na sua granja deu origem a casais em 1141 e, mais tarde, a lugares e aldeias, gerando a necessidade de se edificar uma ermida ou uma capela e, posteriormente no século seguinte é fundada em 1259 uma pequena igreja ( hoje capela da Orada) que nesse tempo se chamava "Senhora da Hora de Façalami.." e foi matriz de Santiago da Guarda até ao século XIX» «A 30 de abril de 1758, pelo cura da Freguesia de Nossa Senhora da Orada, Padre João Mendes Baptista, para orago da sua igreja:« Orago he de Nossa Senhora da Expectação (do Nascimento de Cristo) o que também se diz Senhora do Ó e vulgarmente se diz Senhora da Orada». Ainda hoje quando falo a gente da Senhora do Ó dificilmente alguém a identifica no estado de gravidez, na alusão do "O" fechado a simbolizar o ventre. O que quer dizer que a incultura ainda é muito grande neste século XXI. A Imagem de Nossa Senhora da Hora na Igreja da Orada encontra-se desaparecida há poucos anos, depois da década de 80, segundo o Padre José Eduardo Reis Coutinho.
Imagem da Virgem com o Menino em Maças de Caminho
Vulgo Maçanicas, Alvaiázere
Dada a conhecer no Inventário Artístico de 1955 por Gustavo Sequeira
A merecer estudo, uma variante da Senhora d'O como era a Imagem da capela da Orada em Santiago da Guarda e parece ser a de Caneve. No enquadramento na região de esculturas antigas e valiosas.
Excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas 1769 Relação do estado das Igrejas, confrarias e capelas de Ansião do Padre José Fernandes Serra «(...) Depois desta segue-se a Capela em que está um Santo Cristo, feita de abóbada sem algum ornato, e tem mais as Imagens da Senhora do Ó e S. Roque feitas em pedra bem esculpidas e a de Santo André feita em pau necessitam de ser incarnadas; esta Capela é particular; é seu administrador atual Gaspar Godinho da Silva e Sequeira Mendanha; todas as Imagens nela colocadas lhe pertencem exceto o Santo Cristo que dizem é da Igreja; tem uma toalha, dois frontais de ostentação já muito usados, umas cortinas em damasco encarnado em bom uso, e não tem mais ornamentos alguns; já ficou prevista que o administrador mandasse fazer um retábulo quando lhe o noticiei respondeu que quando os Padres Cruzios fizeram também a tribuna que na mesma se lhe mandava, que então faria ele o retábulo.»
Capela particular, com um lagar e fazendas para a sua manutenção e celebração de 14 Missas anuais.
Se em 1769 o padre diz que o administrador desta capela é Gaspar Godinho da Silva e Sequeira Mendanha reporta para a família que viveu na Quinta de Sarzedas, hoje Sarzeda, a sul da vila de Ansião com lagar que hoje ainda existe em ruína. Nesta quinta de Sarzedas nasceu em 1738 a nobre Mariana Josefa Pimentel de Almeida da Silva e Sequeira Ponce de Leão de Mendanha , filha de Gaspar Godinho de Nisa e Reis Capitão Mor de Ansião e de Josefa Silva e Sequeira Ponce Leão e Mendanha. Casou com Suplício José Pimentel de Almeida nascido em Montemor-o-Velho.
Imagem da Senhora d'Ó obra da escola coimbrã?
na semelhança com a escultura do bispo S Martinho de Tours na capela da Ateanha...
Foto possível retirada do Inventário Artístico de Portugal de 1955 de Gustavo Sequeira
A sua rica preciosidade uma Imagem da Virgem atribuída ao Mestre Pero foi transferida para o Museu Machado de Castro em Coimbra, sem saber em que data e a razão, ficando assim mais pobre uma terra que foi no passado com muita história.

Virgem do Mestre Pêro na Igreja de Santa Maria da Alcáçova do castelo
Museu Regional de Lamego
Nossa Senhora d'Ó do altar do antigo Hospital da Misericórdia de Lamego
Mestre Pêro
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| A passar despercebido e não devia... |
Sacristia, com o antigo sacrário emoldurado em baixo relevo
Cara de anjo com asas em cor crua
Pia batismal na matriz de Ansião
Concluir
Clamar a urgente necessidade de um Projeto de classificação, em Ansião, com parceria da Câmara Municipal e da Igreja matriz no pedido à Direção Geral do Património Cultural no que esta crónica pretende vir a credenciar a Imagem da Senhora do Ó da Igreja de Ansião, o seu Calvário e a Imagem do Bispo S. Martinho de Tours na Capela da Ateanha, e outras eventualmente venham a ser catalogadas. Interesse mayor em colocar ANSIÃO NAS ROTAS TURÍSTICAS atualmente a se quedarem por Santiago da Guarda, quando se deviam estender à vila de Ansião, para admirar a Igreja da Misericórdia com uma sepultura brasonada do Padre João Crisógono Figueiredo Perdigão Vilas-Boas Amaral.
Porque é Hora, outro nome que foi dado à Senhora do Ó, de mais se fazer pela Cultura em Ansião
O meu Grito de alerta com esta partilha na esperança que o PS venha a pôr Ansião no mapa da Cultura!
A partilha da crónica desplantou curiosidade no meu amigo Engº Rui Manuel Mesquita Mendes como Researcher no Instituto de História da Arte ao indicar-me a especialista do Mestre Pêro - Dra Carla Varela Fernandes, que trouxe a Ansião, mas, apesar da escultura ser bela não será do Mestre Pêro pelos cabelos, ao ter sido ignorada no Inventário Artístico de 1955 de Gustavo Sequeira, sorte ou não, pese embora se mantenha em reservas, sem estrelato merecido!
Faz-se hora!
Venham clamar a mais se fazer pela Arte Sacra do concelho de Ansião, no dever e obrigação de a valorizar para a vir dar a conhecer aos Ansianenses e ao Mundo, no júbilo ao nosso passado onde afinal, em glória dizer, nem tudo se perdeu, vendeu, roubou ou desapareceu!
Mais uma crónica a partilhar cultura em âmbito do património religioso !






















