sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Dor da AnaC com os enfeites na testa - os "cornos"

Sinto-me radiante...no entanto as insónias atormentaram-me o sono.
Aprovada no exame  de Mediação de Seguros com 88%, pior 4 colegas chumbaram.
A tristeza foi tal... o combinado jantar debalde não aconteceu. Não havia carisma.
Senti uma mágoa com as Anas...tão novinhas!
A mais velha, mal chegou desabafou comigo o problema grave que a tinha acometido no último dia de formação. Era o que suspeitava...muito sofrida, cheia de dúvidas, insegura, terrivelmente mergulhada em ciúmes! 
Depois da loucura de "roubar o marido" com 17 anos, ainda menor da casa dos pais, passados 7 anos, sentiu na pele a dor fria da traição... mulher adúltera quarentona, mãe de 4 filhos...tamanha tortura de se sentir trocada, do despeito, do desengano...desenganada, enraivecida, tirou férias, isolou-se na Castanheira, não estudou.Sei que sofrer de amor é violento, desgastante!
Não se conforma...pergunta-se o porquê?  e diz em tom lacónico "não lhe falta nada em casa, até têm demais..".
Mote para me fazer recordar de outro desabafo ouvido há anos da boca de um homem que utilizou a mesma frase a propósito de a mulher o ter enganado com o seu melhor amigo...
O que deixa a pensar qualquer um...não vasta viver juntos, exercitar o sexo em infinitas variantes, é preciso dar espaço, dialogar, manter a chama acesa, seduzir todos os dias, encantar com um simples olhar, toque, mordicar de orelha, acariciar os cabelos, deleitar-se num segundo de prazer...aguçar o apetite para mais tarde degustar.
O segredo em manter um homem fiel...
Incrivelmente ser má, e sorrir mel...
Ser atrevida e mui recatada,companheira e atenta aos sinais
Amiga pragmática, amante e mui descarada
Mulher, esposa, mãe...
Adorável, sentir em todos os momentos, aquele...como o da primeira vez!
Capaz de sentir essa vibração é surreal!
Mantê-la é divinal...

De regresso, triste, amargurada, queria tanto que tivessem passado. A princesa, eternamente doce, quicá no papel de rivalizar com a "Gioconda" o modelo famoso de Miguel Ângelo, adorável, sedutora, enigmática, formas a perder de vista, sinais que descem,invadem o decote, mergulham...linda a princesa!Não merecia! Só desculpável se estiver apaixonada, e não teve tempo de estudar.Mas dia 20, tem de ser!
O Jorge, furioso, descartava-se, visivelmente chateado.
O João morreu na "praia", por 2 míseros pontos, alterou uma resposta que tinha certa.
Aberta desta feita mais uma nova etapa nesta minha vida desocupada.
Agora tenho de arrancar, começar pelo início, apesar de ir ouvir muitos "nãos"...nesta vida fecham-se portas, outras se abrem - estar alerta é preciso, não deixar escapar oportunidades!Tento -, quero conseguir, o tempo o dirá. Não me falta vontade quanto mais não seja para não desencantar os novos amigos que entretanto ganhei e que apostam em mim - têm sido determinantes na atitude, força, no querer...por eles vale a pena não esmorecer, tão pouco desmerecer tamanha amizade...
Isso jamais!

Olhar o mar em Matosinhos ...

Na 2ª semana de Janeiro de 2006 tive o privilégio de desfrutar Matosinhos durante 15 dias em formação curricular.Fiquei alojada no hotel Amadeus no 6º piso mesmo em frente a uma das principais rotundas da cidade. Com vista magnífica sobre o mar, as ondas a estatelarem-se nas rochas, cenário deslumbrante quando não havia nevoeiro. O andante a passar no meio da rotunda e da fileira de camiões de combustível da Teal de Maças de D. Maria, ali tão perto...
Matosinhos é uma cidade moderna, muito limpa, arrumada, grandes avenidas, edifícios com design elegante duma nova arquitectura que está a emergir com muita massa em vidro e inox, e uma frente de mar a perder de vista desde o Castelo do Queijo até ao Porto de Leça de Palmeira.Depois do jantar, fui várias vezes em breve caminhada junto à imensa frente de mar, o prazer de sentir as ondas a tocar de mansinho a areia, parecia que estava em Sesimbra, se não tivesse a oportunidade de apreciar tão rara beleza talvez não acreditasse que ali tal fosse possível, imagem soberba, espectacular.Em frente ao mar do outro lado da avenida sucedem-se as casas de grelhados a mais famosa o 427, nº da porta...onde se pode ver muitas vezes o Pinto da Costa, cafés modernos tudo à mistura com enormes armazéns típicos do início do século XX com grandes portões agora revitalizados em discotecas, restaurantes, tabernas de degustação de vinhos, apresentam na frontaria grandes lonas a anunciar o repasto, nesta última um Lamborgoni imensamente amarelo à porta.Jantei todos os dias em locais diferentes, no Mocho Sentado com música ao vivo, batuque brasuca, os criados vestidos a rigor, um de meia-idade parecia o detective Poirrot com enormes sobrancelhas pretas e olhar irrequieto num jeito de o igualizar, até fazia impressão, também, nessa noite quem lá estava era o Diego jogador do Porto, acabou por ser dispensado do clube alguns tempos depois, festejava o seu aniversário, recebeu do barman um enorme ramo de rosas vermelhas e beijaram-se afectuosamente na face.Porém na mesma semana ainda o havia de encontrar novamente com amigos e algumas crianças na pizaria italiana, o espaço muito bem decorado. Deleitava-se com uma bela e enorme piza. Os empregados eram uma brasa tipo macho latino; morenos, altos, musculados, barba rija, mui gostosos de olhar fulminante, um delírio de homens...
Bem... falava do jantar magnifico no Mocho Sentado, do vinho, autêntico néctar dos deuses, aperitivos, carne, saladas, sobremesa...bom, o ambiente ... os casacos ficam logo à entrada em cabides altos, ambiente dos melhores até hoje onde já entrei, doce vida, só para quem pode...na praça junto à Câmara comi numa marisqueira sentada ao balcão uma belíssima sopa de peixe, faltavam os coentros, o empregado de imediato se esgueirou e numa rajada os trouxe, que cheirinho. Numa outra noite fui de andante até Sta Catarina mesmo no coração do Porto jantar no mais famoso café o Magestic.....comi uma soberba francesinha, o espaço antigo e um pouco degradado sobretudo nos espelhos e couros, ambiente tipo anos 20 com mesinhas altas de madeira, guardanapos grandes de algodão, ao fundo o piano lindo preto de calda curta.Há, já me esquecia , num desses grandes armazéns, havia um restaurante fino a funcionar no r/c e depois de subir um lanço de escadas o espaço abria-se amplo, com 20 pratos confeccionados à escolha, tentei aproveitar e comer o máximo, repeti, repeti mas debalde já não ...ambiente mui acolhedor. No almoço de despedida fomos à discoteca que também tem a vertente de self service, logo na entrada deparámos com um grande sofá a fazer lembrar o programa do Herman no formato de boca com lábios tipo a mulher do Brad Pitt...,“lábios em amarelo”, um espanto!Ao longo da escadaria estendiam-se grandes tapeçarias em jeito de imitação de quadros, muito encantador. Já no 1º andar as escadas eram insinuantes e atrevidas a abrirem-se para um espaço novo, escolhi à vontade,o bolo de chocolate estava uma delícia. No último dia fomos ao Assador à entrada do Porto, na zona industrial, o espaço muito agradável, aliás vários espaços à escolha do cliente; recatado, snob e o dito normal, com palco para se desfrutar música ao vivo, tudo é grelhado no momento, aderimos à picanha recheada de frutas exóticas, o vinho uma pomada e para remate a jeito de despedida bebeu-se uma garrafa de uísque James Marti'ns que à laia de piada trouxe de recordação, vazia pois claro, bem ,ainda trazia um pinguito no fundo que o Luís Alberto saboreou...risos. Houve dias que comia mesmo por ali numa pastelaria que servia mini-pratos, comi sobretudo francesinha e bitoque entalado em fatias de pão saloio com alface. Depois do jantar fiz grandes caminhadas, tipo "brigada do passeio", cruzava-me com algumas pessoas tipo rol de vizinhos a caminhar a passo acelerado em alegre cavaqueira , na tentativa de queima de calorias claro está. Senti as noites, apesar de ser Janeiro não eram frias, acolhedoras até para a estação, de manhã quase que não era preciso grandes agasalhos pareceu-me o frio mais seco.Numa dessas noites passeei ao longo do porto de Leça todo vedado não deu para desfrutar a beleza da foz do rio que lhe deu o nome pareceu-me no entanto bonito, subi até ao Senhor de Matosinhos, igreja enorme lá no alto a desfrutar o mar e o rio a banhar-lhe os pés, o espaço envolvente verdejante e amplo com alguns bares é confortante e eis que senão já estava outra vez na zona velha no começo da rua que deve ter quase 2 kms Conde .... e termina no hotel,de um lado e do outro vislumbram-se algum casario tipo solarres, outros pobretes mais remediados e capelas, tudo bordado a granito enegrecido pelo tempo com o fulgor do brilho translucedente dos cristais de quartzo, tão intensos a imitar diamantes na penumbra da noite. Foram 15 dias inexplicáveis de prazer de reconhecer a cidade do Porto e toda a extensa zona ribeirinha no seu mais alto esplendor até Leça da Palmeira, valeu a pena, quero voltar com a família.O tempo ajudou não choveu, o sol foi assaz resplandecente a tocar o mar parecia primavera, foi um deleite conhecer assim Matosinhos.
Naturalmente algo ficou por dizer por esquecimento talvez mas o interessante é voltar e redescobrir e assim valorizar num cenário diferente e mais agradável.Até sempre Matosinhos, de repente pareceu-se uma cidade espanhola, imaginem, a sobriedade dos edifícios, muita tijoleira... vidraria e inoxs, o modernismo num contrate quase perfeito com o passado, nunca tinha visto por metro quadrado tantas máquinas voadoras de alto calibre como nesta cidade, Ferraris azul e vermelho, Lamborgini, Mercedes último modelo assim com BMW,.....e tantos outros....imaginem até existe uma enorme loja de gaveto só com artigos para comandantes de aeronaves e afins, nunca tinha visto um espaço tão grande recheado de bonés, fardas, acessórios e um não sem fim de tudo.....crachás, insígnias tudo muito amarelo a reluzir na frontaria da grande porta com degrau redondo.
Bem Hajam os que vivem e podem desfrutar desta terra , um cumprimento especial para o sapateiro na correnteza do hotel que muito amavelmente me recolocou novas capas nas botas, pois o piso é todo em calçada granítica, mas os pés são tortos e as capas escafuderam-se, o costume, o sapateiro é que foi amável, aguardei no momento e foi muito barato.
Gostei de ter dormido em Matosinhos.
Não me lembro se por lá sonhei!

Odemira e o refúgio no Brejão da Amália Rodrigues

Agosto de 2007 de férias em Odemira na redescoberta do sudoeste alentejano -, a famosa Costa Vicentina!
  •  Soberba a vastidão dos terrenos e do mar a perder de vista.
  •  Praias lindas e mui doces:Odeceixe, Zambujeira, Almograve, Milfontes, outras mais pequenas Carvalhal, Azenha do Mar, Brejão...
Logo de manhãzinha rumei à Zambujeira  atalhei pelo Montelavado num passeio a pé pelo gosto de descobrir a nova arquitectura enquadrada na traça tradicional com aberrações também, ainda as que o cunho de bom gosto teimaram preservar.
No turismo comprei uma pequena carpete redonda  em trapologia, bonita decora uma das minhas casas.
as praias são encantadoras. Bons banhos, areia mui fina, bom sol e para almoço peixe grelhado, saboroso e fresco.
De regresso tomámos a estrada para S. Teotónio rumo ao interior numa aventura que só visto -, atalhei o caminho, percorremos uma estrada em terra batida. Coisas e gostos só para quem gosta de grandes desafios, de conhecer contrastes, belezas perdidas, aridez, pobreza, sentir o isolamento, não ver viva'alma.

Sabóia tem a doçura do nome aberto, por entre confins de serranias e montes abandonados onde a energia nos poucos habitados se obtêm por painéis solares. 
Chegados à albufeira de Santa Clara a Velha, que no tempo da outra senhora se chamava Salazar , muda a paisagem,  gostei imenso, situa-se no cimo de um pequeno monte rodeada de água a fazer lembrar uma península onde estive em 2003 na pousada.
Paisagens avistadas  de encanto fenomenal, no recinto uma carroça antiga de cores fortes, pena que o tempo não perdoe, sente-se a deteriorar lentamente...na aldeia, o burgo que lhe dá a graça do nome há bons restaurantes, um minúsculo mercado com quatro bancas, uma loja de artesanato e um antigo poço com uma lenda... empestado com a invasão de lagostins...uma praga!
Quis o destino o emprego da minha filha na escola de Odemira que aqui voltasse em 2007 . A minha 3 ª vez com mais tempo para percorrer o concelho.
O passeio torna-se doce com a companhia da linha de caminho de ferro de uma via, tanta tranquilidade, contrates de cores, aromas silvestres, torna a paisagem surreal, idílico excelso cenário a fazer lembrar Rembrandt com destino programado  Luzianes Gare
Na Junta de Freguesia  um edifício de sobrado, apreciei no r/c a obra escultórica do seu balcão num trabalho em madeira, uma autêntica obra de escultor. Disseram-me que tinha sido feita por um conterrâneo, pena um alcoólico. Pena fiquei eu de não se recuperarem pessoas tão criativas e com tanto valor para deixar aos vindouros.
Pessoas muito hospitaleiras, cheias de garra e unidas. Apreciei e atesto esse perfil nas longas conversas entre as entrevistas a que tinham vindo para as Novas Oportunidades. Admirável, reconhecer naquele fim de mundo onde o " Diabo perdeu as Botas"  encontrar pessoas com idades maduras, cheios de vontade para aprender, saber mais, no reconhecimento maior de não deixar perder oportunidades governativas. 
Sim, porque gente como esta não há, sentiram na pele a ditadura, a miséria e a fome. Nunca nesta minha vida tinha travado conhecimento com gentes de alto gabarito, na forma de agarrar, no querer, e exercer vontades, não perder o "comboio" afinal passa ao lado o da Refer , falava eu em sentido figurado, o leitor perceberá de que comboio falo, o do progresso!
Vi homens chegarem em tractores, de carro, e ainda a pé. Alguns, vinham directamente dos trabalhos agrícolas, de botas, despenteados, suados, que importava? Importante, era não faltar à hora da entrevista. E não faltou nenhum! Bem hajam. Percebi, com todos os que falei, e foram muitos, homens e mulheres - os achei melhores do que eu, que nada fazia, mulher vazia , descrédula sem rumo, com eles ganhei a força e coragem para lutar e saber estar nesta vida ainda com oportunidades, e agarrá-las!
A eles devo a força para mudar. Mudei. Mentalizei-me na viagem de regresso, obrigada a deixar o carro à minha filha, vim de expresso -, entrosei o estigma e dei corda aos sapatos inscrevi-me nas Novas Oportunidades, afinal só tinha o 9º ano.Por opção frequentei um curso EFA, - canudo referente à equivalência do 12º ano graças à conta da força daquelas gentes que conheci.Bem Hajam Povo de Lusianes Gare!
O regresso de Luzianes Gare a  Odemira de noite foi mais complicado... 230 curvas.Sem luz eléctrica, valetas cheias de erva alta, aqui e ali irrompiam à nossa frente raposas, ginetos, gatos... cheias de medo, um horror de aventura a percorrer a estrada pela serra. 
Concelho muito rico e tão ímpar na simbiose mística do litoral, e a aridez da serrania interior.O maior da Europa. Deslumbrante em tantas tonalidades.
Lamento de momento não me recordar da última aldeia antes de chegar a Odemira onde parei para travar conhecimento com o cesteiro Sr Pombareiro, homem na casa de mais de 8o anos,um deslumbre de pessoa,  quem encomendei uma cesta grande com tampa, arranjei uns clientes, ofereceu-me uma cestinha feita em cortiça , mais tarde pedi-lhe para me fazer uma tampa para o meu "cortiço" assim chamado às colmeias no centro do país na Beira Litoral, decora a minha casa rural, enriquecido que ficou com a tampa à antiga com espetos em estevas.Ofereceu-ma. Dei-lhe dois beijos, ficou fascinado com a minha alegria e espontaneidade.
  • No turismo na vila comprei um cesto grande ovalado com pequena tampa, decora a minha 2ª casa ...com as minhas bengalas que comecei a coleccionar há coisa de 30 anos.Adorei Odemira e as suas gentes. Esta é a verdade.
O parque municipal na Boavista dos Pinheiros  parece Sintra que todos conhecemos em miniatura.Grande a variedade de alegrias do lar, a maior que jamais vira. Todos os espaços muito emblemáticos, recantos muito acolhedores onde não falta o riacho a correr apressado por entre calhaus rolados. Há imensas mesas, até para grandes grupos e assadores para os grelhados também não faltam. Visitei o espaço várias vezes, fresco, romântico, simplesmente mui agradável. Um dia levei um piquenique, arroz de coelho.Lembro que nos soube muito bem, depois fomos tomar o café e o bagacinho no parque, proporcionaram-nos uma visita da típica cozinha alentejana, onde nada faltavam objectos que fazem parte do meu imaginário, foi gratificante. Um senão o difícil estacionamento, perguntei aos "Almeidas" do parque -, resposta na ponta da língua  "a câmara está em negociações com a quinta adjacente".
Brejão
 Margarida na estrada principal a forma de descobrir onde se corta para o refúgio da Diva é dada por uma margarida em ferro- azul e amarela, em tamanho grande cravada no chão no lado direito. Passa-se por terrenos com plantio de morangos, e ao fundo pouco estacionamento em terra batida ao longo dos muros da propriedade da Diva, ao meio o portão banal, o mais simples, no contraste de grandes solares e quintas que os ostentavam grandes, pesados, elaborados com requinte em ferro forjado de formas delicadas que a mim me fazem sempre parar para olhar. 
Entrada da herdade da Diva
O extremo a poente da propriedade da Diva confina com o mar e tem na escarpa escadaria, em ziguezague, que dá acesso à praia outrora privativa. Em grande degradação, sobretudo junto ao mar. O acesso que fiz à praia feito à socapa por um escuso carreiro, na extrema do terreno com um ribeiro que nos acompanha até ao mar, sinuoso, que tem de se ter cuidado, espreitam alguns perigos de pedras, ardósia, canas, mimosas, há que ter cuidado, mas vale a pena sentir este lugar que reporta a Sintra. 

A propriedade é enorme com frente para o oceano. Apenas a percorri a medo ao longo do carreiro a sul onde se encontra a construção primitiva do monte, e a nascente existe a parte nova que a Diva mandou construir em cimento armado, moderna anos 60, com piscina, também com sinais de evidente degradação onde vivem os "caseiros", gente sem qualquer formação e escrúpulos, dito pelos miúdos filhos do casal, que encontrei noutro dia sentados na falésia junto à foz do riacho a tomar conta do rebanho, para espanto meu, reparei que se regulam pelo sol, para saber as horas da merenda. Travámos conversa, putos giros, inocentes, disserem que os pais quando encontram turistas a tirar fotos os obrigam a entregar os rolos, sendo corridos a pontapé. De facto existe uma placa com a menção " Propriedade privada" muito velha meia desfeita...
A parte nova construída convive com a antiga tradicional do monte, entre elas largos passeios em cimento onde adormece uma carroça pintada de cores berrantes.Entrei pela vedação em rede esburacada junto à casa do lavadouro onde vi carpetes, camas velhas de ferro , espelho de fazer a barba ainda em papel prata, corroído pelo tempo, e moldura comida pelo caruncho, tudo jazia em apodrecimento, em cima das pedras de lavar...ao abandono, à mão de semear em estado desprezível, velho, estragado, um caos a perder-se a olhos vistos...
Enquadrado em paisagem de tirar a respiração com praia encravada no meio de duas arribas, que a torna acolhedora, única, neste paraíso místico a contracenar com a escadaria e canteiros semi desfeitos com as intempéries.
A casa tradicional alentejana, baixinha pintada de branco, com rebordos a azul a lembrar o mar, decorada com margaridas a que chamam malquereres pintados pela Diva. Eu por saber da sua amizade com a amiga Maluda, e esta gostar de cores fortes, pensei no imediato que teriam sido por ela pontadas.
Apreciei a casota do cão, o poço tapado tipo mina, o lavadouro e o muro da entrada, em todos o traço de pequenas e grandes margaridas de todas as cores.
Em miúda recordo a capa da revista "O Século" defronte da piscina a Diva vestia um traje árabe castanho comprido rasgado de lado e debruado a rendas. Ir ao local tantos anos depois, sentir o mesmo perfume que a Diva tantas vezes e na véspera de morrer saboreou, é sentir uma exaltação maior num Apocalipse sem igual.
Pá de madeira que jaz pendurada na minha cozinha velha em madeira afeiçoada em jeito de pá, quem sabe se seria da azenha na fraga a sul da casa da Diva.

Relíquia que encontrei por terras de Brejão -, idiota escrevi como ouvi Breijão. Não resisti a trazê-la comigo estava pendurada num ramo de uma pequena figueira à minha espera possivelmente teria servido para encher as sacas de farinha na azenha em ruínas, destelhada , com Mós prostradas pelo chão, entre a falésia e o riacho que comanda o carreiro até ao mar.
Voltei novamente ao local, não resisti a fazer uma necessidade fisiológica no mesmo lugar onde a Diva se passeou...coisa de vontades e reparei num monte de lixos  de onde retirei uma tela de platex velhíssima que restaurei, ganhou com a moldura ao estilo de outra que vira no CCB.

Passeio de comboio a vapor da Régua ao Tua

Um dos meus sonhos de infância era viajar num comboio a vapor. Decidi presentear a família. Se melhor o pensei melhor o fiz. Na Net descobri o endereço turístico e foi fácil fazer a reserva e transferência electrónica ao que de retoma me foi enviado o Voucher para 4 pessoas.Partimos de Ansião no sábado dia 30 de Setembro 2006, pelas 7,30 tomámos a direcção da IP3 só parámos em Mortágua para beber um café e verter águas, comemos uns folhados que tinha feito de véspera para o farnel.De seguida fomos revisitar Tondela, está em franco crescimento, muita habitação nova e infra-estruturas de grandes superfícies. Mal consegui localizar o Solar (restaurante onde há coisa de 25 anos tinha saboreado o melhor caldo verde nesta vida, apesar do que a minha mãe faz também ser muito bom, ali junto à igreja com a sua torre alta do inicio do séc XX.
Convenci o meu marido a rumar até às termas de S. Pedro do Sul. Quase que não reconhecia o local, tantas foram as obras. Deixei de ver o balneário romano. Banhei as mãos nas águas sulfurosas e quentes. 
De regresso à estrada e com receio de nos podermos atrasar só voltámos a parar na Régua. Reconheci a velha estação ferroviária e os vastos armazéns vinháticos em madeira a cair de velhos, na linha fazia-se ouvir o comboio, estava com a fornalha a arder, via-se o fumo saído da chaminé a ondular o horizonte, muito escuro.....do outro lado o rio imenso a espraiar-se num sorriso aberto e mesmo junto a nós o frenesim do vaivém das vindimas com as carrinhas a abarrotar de uvas a luzir no inox dos tanques a caminho dos lagares. Já em Godim por causa dum casamento entrámos numa estrada tão estreita como nunca vi, sempre a subir e não havia jeito de o piso melhorar nem sentido de saída, decidimos inverter a marcha em boa hora o fizemos, já quase à entrada vinha um táxi se tivesse sido um pouco mais à frente não sei como sairíamos daquela enrascada, agora a situação criada quase dá para sorrir, mas não para repetir.Naquela região, o nosso olhar só alcança beleza, vinhedos e mais vinhedos, casas solarengas com os lagares em laboração e o cheiro, o cheiro a mosto a vinho novo...nada de encontrar um parque de merendas para degustar o piquenique que levava e já se fazia horas de almoçar foi mesmo à beira da estrada numa urbanização de vivendas no muro largo de cimento armado que suporta o declive, serviu de mesa e como pano de fundo o rio como paisagem, atrás de nós o corropio da azáfama das vindimas, todos nos endereçavam cumprimentos, estávamos no norte, as pessoas são mais hospitaleiras.Depois de reconfortarmos o estômago fomos estacionar o carro e tomar um címbalo no café da estação.Visitámos o comboio estava a máquina a ser oleada com grandes regadores com bico fino e muito comprido, o operador de manutenção disse-nos que a fornalha demorava 4 horas a aquecer, vi pela 1ª vez o carvão verdadeiro utilizado nos comboios e navios de outrora, trouxe uma pequena amostra para a minha colecção de pedras. 
O comboio ia cheio, sentámo-nos nos lugares virados para o rio, muito fumo e muito apito, trim....pim... pim...quase demasiado, mas faz parte do cenário, foi-nos servido a bordo bôla de presunto de Lamego e um cálice de vinho do Porto e água fresquinha esta grátis, apenas tínhamos de comprar o púcaro de alumínio de 1 € para bebermos as vezes que os aguadeiros passavam de garrafão de palha em braços de rótulo branco a dizer ÁGUA.A nossa carruagem era das mais antigas, uma maravilha, para se abrir as janelas tinham correias de couro largas e para se porem os casacos tinham por cima dos bancos suportes em ferro forjado com rede.Todo o passeio foi deslumbrante. Todo o trajecto desfrutado é magnífico, avistam-se nas colinas muitas quintas no meio dos socalcos de vinhedos, exibem garbosamente grandes cartazes publicitários das suas produçoes ao viajante que fica viciado e espontaneamente repete em voz alta, olha ali em cima é a quinta da Ferreirinha, e a do Calém e a do K... da janela nas curvas via-se o deslizar sinuoso do comboio ao longo do rio, a estrada de fumo e barcos de recreio , trocávamos acenos de adeus, do outro lado as infindáveis paredes e barreiras de xisto como companhia e muito respeito.
 
Chegámos ao Pinhão, sítio pitoresco, no rio viam-se muitos barcos. Alguns turistas terminaram ali o seu passeio . Outros tomaram um dos barcos rumo à Régua, antes tomavam aperitivos na House Vintage do Porto. Quanto a nós preferimos apenas fazer o circuito de comboio, seguimos até ao nosso destino o Tua. Desembarcámos para o comboio mudar de linha e reabastecer de água, foram manobras muito bonitas a fazer lembrar os filmes de westerns, nunca antes tínhamos presenciado tal façanha, a fornalha a ser atestada de carvão pelos homens com pás enormes para não se queimarem. As manobras são um momento lúdico a não perder.Os turistas estavam radiantes meteram-se dentro da máquina queriam ver todos os pormenores, logicamente estavam todos farruscas, até nós, as narinas ficaram cheias de fuligem e a nossa roupa também. Durante o percurso da viagem fomos abrilhantados por um grupo de 4 pessoas de um rancho folclórico, fenomenal a miúda da pandeireta era muito bonita e sabia-o.......fogosa e atrevida o raças da moçoila!
Neste compasso de tempo trouxe umas placas de xisto para a minha colecção assim como um bloco redondo de granito típico desta zona.De regresso oferecemos os nossos lugares aos senhores que tinham vindo sentados do lado do xisto, para poderem apreciar o rio, foi um bonito gesto, sei. Pelo meio estabelecemos alegres conversas, lembro o Sr de Arco do Baúlhe que dizia ser o maior produtor de tremoços da região, o homem não se calava estava sempre a meter conversa com as hospedeiras de bordo, deviam ter trazido uns pastelinhos de bacalhau e tremoços , a bôla que nos deram só deu para o furo de um dente, caramba afinal o bilhete custa 8 contitos...

Acabou a viagem de novo chegada à Régua. Despedimos-nos dos companheiros anónimos desta linda viagem. Aproveitámos ainda a luz do dia e demos uma voltinha pela parte histórica de carro e decidimos ir até Viseu onde já chegámos de noite, jantámos no Hilário, tasca mesmo na zona histórica , barato e muito boa confecção, quando saímos estava a chuviscar, decidimos ir para casa e não dormir fora, a chuva no restante percurso foi intempestiva, furiosa, quase não deixava ver o piso mas com a graça de Deus chegámos bem, dormimos toda a noite o cansaço tomou conta de todos...
Valeu o passeio foi inesquecível!
Aconselho a todos vivenciarem tão belos cenários.

Casal do Galego e Carvalhal em Ansião

O Casal do Galego mudou de toponímia, sem saber a razão para Pinhal...
Casa da Ti Alzira Aureliano
Boa mulher acabou cega, a minha primeira vez que senti a cegueira e seus efeitos tanta aflição me fazia vê-la naquela casa jamais concluída na beira da estrada ao Carvalhal, sem luz, não enxergava nada. A casa ainda resiste de encosto à parede norte a roseira de pétalas pálidas, tantas vezes colhi as suas belas rosas de conversa com ela a caminho das Cavadas e de outras fazendas na carroça puxada pela mula "Gerica" na companhia da prima Júlia do Bairro sempre com tempo para dois dedos de conversa com a pobre mulher …"atão Ti Alzira como está vossemecê hoje?" com tempo de me abeirar da roseira para sufragar em cheiro apressado rosas!

O Ti Narciso conhecido pelo "Lavrante" com o genro trabalhavam a pedra. Ainda vive na minha memória as lembranças de os ver a partir pedra na eira atrás da casa quando ia à minha fazenda da Barroca do Bairro na extrema com o ribeiro e o quintal dele, e o dia quando trouxeram uma nova pia para o azeite, dizia-lhe a minha mãe "espero que esta não lhe ponha ranço como a outra...", retorquiu o pobre homem ”tire-lhe a senhora a borra do fundo que mau sabor a pedra não lhe dá”. Enquanto isso, o genro agradecia o gelo que os filhos tinham vindo buscar a nossa casa em  tabuleiros de gelo que se partia  com o martelo para encher a botija redonda que traziam e levavam em corrida para a mãe que tinha sido operada ao estômago… 
Casa da "Maria entrevada"

Mãe das minhas amigas: Idalina, Helena e Júlio. Vítima de um aparatoso acidente doméstico quando trabalhava como mulher-a-dias na casa do Sr. Oliveira na vila. Grávida quando subia a escada de madeira com um cântaro de água desequilibrou-se e caiu desamparada, fraturando a coluna. Entrevada ficou para sempre, assim se dizia num tempo que não se faziam seguros de acidentes pessoais, porque existir até existiam. Não se compreende em gente abonada, tal sabedoria não abonar, nem tão pouco entender reparar o acidente de outra forma. As poucas vezes que conversei com ela na cozinha junto ao lume a vi rastejar para o atiçar… Afetuosa era demais a mãe das minhas amigas, mulher de poucos recursos teve brio de obsequiar a oferta do pasto da Ferranha para as ovelhas, as filhas a minha casa vieram trazer a oferenda, açúcar, arroz e, ...Mulher bondosa, sofrida, não merecia tanto azar nesta vida!...
O marido Abílio Carvalho era do Bairro, costumava ir ao Alentejo à ceifa. Um ano a camioneta deixou-o ao Ribeiro da Vide quando eu ia a passar, orgulhoso com as oferendas que trazia logo ali me mostrou - oh cachopa olha o chapéu que trouxe do Alentejo - ali o abre, enorme, em pano azul...e um grande pão- dura 7 dias...

"Ti Ana Sapateira" 
Gostava da pinguita, abastecia-se na adega do vizinho Augusto Lopes e Ti Eufrofina, a quem chamávamos Porfina, os filhos malandros misturavam água, ela não notava, ainda lhe faziam outras tropelias, sim porque a Emília era levada da breca…
Reminiscências da arquitectura romana/visigóticas da sua casa
A empena em V invertido para sustentar a parede acima da porta,  na berma da que foi a estrada medieval
 
Já não me lembro como se chamava a mulher que aqui viveu e tinha a filha em Lisboa
Casa da prima Ermelinda já falecida
O Ti Augusto Lopes e Ti Eufrofina
Tinham no quintal um poço de chafurdo
Carvalhal do Bairro
Casa da irmã da minha avó paterna a tia  Maria da Luz Canhoto
A Ti Jezulinda era uma mulher alta do Casal Soeiro, carismática no meandro das crendices e das poções mágicas…Tirou-me o cobranto.
A Ti Ermelinda e o Ti Neco quando tinham os netos de férias estes perdiam-se nas brincadeiras no Largo do Bairro, mal a noite caia punha-lhes o candeeiro a petróleo na janela, assim o Zé Manel e a Cristina não perdiam o caminho de casa…
Mais gente do Carvalhal: Arlindo e Helena; Celeste, Emília, António e Lídia Lopes; Prima Luzita do "Canhoto" e irmãos; António, Filipe e Mário e,
No Pinhal: Helena e Fernando, altos e bonitos; Henrique, Joaquim, Mário, Gracinda, Maria, do Ti " Borracheiro", muito dados; Adelaide e,

Alhandra e sub Serra verdejante a passear...

Viagem no dia 1 de Abril de 2006 .

Segui a rota da A1 em direcção à Vialonga , ai segui pela antiga estrada N1 percorrendo as várias localidades, Sta Iria Azóia e Póvoa, parei em Alverca para visitar a nova igreja dos Pastorinhos. Ouvimos to som do carrilhão.Já dentro da igreja reparei que os padres confessavam crianças que se acotovelavam na sua vez, imagem arredada de mim há muito tempo e que de repente me fez lembrar a época que se aproxima, a Páscoa ! Também eu enquanto criança , na quaresma ia á confissão para comungar no dia de Páscoa.Gostei de sentir tanta veneração em crianças de tão tenra idade, eram muitas, pareciam tão inocentes. Percorremos muitas ruas, vários centros comerciais, muito comércio tradicional ,recantos de lazer ,alguns a lembrar a forte tradição partidária esquerdista tão enraizada naquelas gentes na mostra desenfreada de esculturas de ferro tão ao gosto imperial da grande e pesada indústria representativa de trabalho árduo e mal remunerado.
Seguimos para Alhandra. A vila enquadra-se num cenário de engaixamento entre o rio, caminho de ferro e a auto estrada.Optámos por deixar o carro logo na entrada para descobrir a pé a vila de traça ribatejana, pitoresca, repleta de casario com traça antiga, ferro forjado, azulejaria variada com a zona ribeirinha quase totalmente requalificada.
Falta aproveitar os antigos armazéns e criar infra-estruturas de sucesso como restaurantes, discotecas à semelhança do que Matosinhos fez aproveitando as enormes fachadas dos velhos armazéns para seduzir o turista com lonas gigantes a anunciar, ementas e eventos...
muito agradável para passeios pedonais e de bicicleta. Muitos bancos cobertos por lonas de cor crua para dias de muito calor. Paisagem deslumbrante sobre o mouchão de Alhandra a que eu teimo em chamar de sapal, mas não o sendo ,por ser uma ilha o que difere do sapal por ter meandros de água e terra...era chegada a hora do almoço.Passámos defronte da casa onde viveu o escritor Soeiro Pereira Gomes onde escreveu o livro " Esteiros" , situa-se na quinta da Escusa, das janelas vêem-se laranjeiras o rio e a lezíria.Já tínhamos escolhido o restaurante mesmo no canto da Praça 7 de Março dia de nascimento do Dr. Souza Martins, cujo busto está patente com o pedestal cheio de flores oferecidas pelos agraciados nas suas preces. Entrámos e já era a última mesa. O repasto como não podia deixar de ser foi Sável frito com açorda e ovas raladas , houve quem quis provar as enguias fritas com arroz de grelos, de sobremesa uma soberba fatia de bolo de bolacha rematada com um bom brandy, o preço foi uma pechincha. Voltámos a caminhar mais um pouco para degustar o repasto.Tirei mais umas fotos de estilo e visitámos o Museu implantado na casa onde nasceu o Dr Souza Martins de carisma pessoal. O espólio algo pobre, com aproveitamento para relembrar outros filhos da terra que também foram grandes no desporto e tauromaquia, no r/c pode-se observar vários tipos de cerâmica outrora fabricados em Alhandra como os tijolos de 2 e 4 buracos, as telhas de canudo que na beira se chamam de mouriscas e as telhas merselha, a arte de carpintaria, miniaturas de barcos típicos do Tejo e por fim a emblemática fábrica do cimento ainda em laboração.
De lamentar falta de simbologia da antiga fábrica de descasque de arroz inaugurada em 1932 e que hoje apenas resta a sua imponente fachada.
Saímos borda fora...e fomos ver novamente o rio , as barcaças e passadiços em ripas de madeira quando a maré está alta servem de transbordo para a margem dos pescadores.
Seguimos para o sub-serra em direcção a S. João dos Montes.
Paisagem magnífica muito verdejante toda emoldurada por flores amarelas e brancas das árvores de fruto, subimos o morro onde está a Junta de freguesia, ali mesmo o cemitério uma igreja rematada com uma cruz em pedra do tempo dos Templários e uma grande casa de quinta do outro lado, em avançada fase de construção um conjunto de grandes vivendas cuja arquitectura agradável e muito bonita com remates de tijoleira antiga , lindas ...
Apanhámos logo a CREL e viemos em trânsito sossegado até casa.
Valeu a pena!
Rico passeio, rio, serra, arte tradicional e bom almoço!
Vale a pena repetir.

Arrábida até aos confins do Moinho da Mourisca

20 de maio de 2006 - Era domingo, decidimos sair logo pela manhãzinha em direcção à serra da Arrábida. Passámos por Azeitão logo na entrada do lado direito nasceu vasta urbanização de luxo, vivendas de todos os estilos, algumas enormes, com lindos telhados e com muitos espaços em redor, ajardinados a denotar muito bom gosto com piscinas, relvados e arbustos, noutras mais o meu género antigo , apreciei objectos em barro como talhas, de todos os tamanhos, que me parece inserida em condomínio fechado  com becos, pracetas e estradas sem saída, pouca sinalética, debalde perdemos o tino da entrada, vimos-nos gregos para a encontrar, mas por fim lá nos orientámos e saímos pela estrada que vai dar à aldeia de Dois Irmãos , finalmente. De seguida tomámos a estrada da serra, logo na entrada uma grande Quinta onde está instalada uma oficina de azulejaria e pintura com venda directa ao público, mais à frente mesmo na ribanceira, julgo a Quinta do Bispo, não sei se nasce ou renasce casarão que pela vegetação luxuriante não deixava enxergar ou vislumbrar nada durante anos.Adiante algum casario isolado e quintas salpicam o espaço até começarmos finalmente a subir a serra, do lado esquerdo podemos ver o azulejo a dar o mote " El Carmen" à enorme Quinta na encosta da serra, defronte do mar....Muita vegetação exuberante típica mediterrânica de 1 a 2 metros de altura, entrelaçada quase impenetrável, ao longe ....podem ver-se os pastos verdejantes a lembrar a paisagem "Bocage", aqui tão perto em plena serra da Arrábida.Continuámos caminho por entre brechas da serra podemos observar rasgos de mar, resplandecente com o brilho do sol em tão grande calmaria. Cenário muito lindo apesar de persistirem névoas a encobrir a sua beleza.Tomámos a direcção do Portinho da Arrábida, descemos a longa estrada em declive, a vegetação nesta zona é um pouco diferente com pequenas árvores enroladas nos arbustos criando no observador uma vontade nata de desejo em tomar os trilhos e partir à descoberta de rotas no meio da serra, que se podem tornar perigosas se não forem acautelados todos os meios de orientação. A talhe de foice em frente ao Convento dos Capuchos estava um grupo de escuteiros junto a um trilho pedonal, no dia seguinte vi na televisão já na parte final da reportagem os bombeiros tiveram de ir em seu auxílio e resgatá-los.Voltando atrás, chegados ao Portinho, ainda persiste continuar a garganta apertada da estrada que contorna o Forte e nos dá acesso mesmo à água, quiçá um quadro pintado por Rembrandt, muito pela simbiose das cores, tonalidades de verdes contrastes do branco do casario , verde, azul do mar e o céu, tudo místico, quem dera ser poetisa e soltar a voz em versos de eloquência para descrever este sítio de tamanha beleza indiscritivel, incomensuravelmente bela.Caminhámos sobranceiro ao mar, desci à praia, a água calma em ondas minúsculas a rebentar devagarinho....as conchas, as pedras, de todos os tamanhos, trouxe uma e um pequeno caracol por este apresentar pingos de madrepérola.De regresso vimos casal com filhote de 4 anitos , o pai levava o saco do piquenique, gostei de ver e recordar o passado quando eu fazia o mesmo com a nossa filha. Subimos novamente a serra, a estrada para a Figueirinha ainda interdita pelas obras de requalificação das falésias é magnífica, os morros de pedras sublimes em calcário , apresentam esculturas de rara beleza que o tempo pela erosão, vento e a chuva esculpiu tão majestosamente, que a vontade é de percorrer a serra e trazer todas......a paisagem é uniforme, grande vastidão tem indícios de incêndio do último ano, deixando as pedras mais descarnadas, fazendo lembrar meandros ondulados , paisagem única...........descemos e por curiosidade fomos ver se a estrada para a Figueirinha estava mesmo fechada, depois de passada a fábrica do cimento, deparámos efectivamente com obras na falésia, gruas e um carrinho pendurado por cordas a fazer lembrar paisagem lunar na primeira ida à Lua, na colocação de redes de protecção para as pedras não caírem, bem, assim no verão já se poder ir em segurança à praia. Rumámos em seguida até Setúbal, quando passámos no parque de merendas na Quinta da Comenda já cheirava a sardinha, e de repente lembrei-me, vamos até à Mitrena, há anos que não vamos lá. Usei a minha forte dose de convencimento. Tomámos a estrada, lindo foi saborear as margens do rio ali junto a nós ao longo da estrada , também as grandes indústrias que se perfilham como cogumelos, de repente o sapal à nossa frente, vestígios de moinho de maré junto ao estaleiro que agora é da Lisnave. Estava um paquete e vários navios para reparação, mais à frente a estrada termina, tudo em redor é sapal menos do lado esquerdo que é um morro, subimos pela 1ª vez esta estrada e só vimos fábricas e uma grande quinta com uma vinha invejável.Deu no entanto para observar como era bonito todo o cenário água por todo o lado menos por um, afinal a península de Setúbal! Linda a paisagem, soberba. Fazia-se a hora do almoço, de regresso tomámos a estrada para Praias do Sado e fomos almoçar ao sítio das Pontes, nunca lá tínhamos comido. A comida era muito caseira, javali no tacho, o tempero era espectacular parecia o tempero do frango na púcara da minha mãe, divinal, a amarelinda macia , encorpada, doce, picou na glote, gostei muito , o vinho de Fernando Pó, pois claro não estivéssemos nós em terras de bons vinhos, uma pomada e o o pão alentejano, muito bem confeccionado.Bem ressoados como se diz na minha terra, o mais sensato foi tomar o caminho de regresso a casa, mas antes ainda quisemos ir ali tão perto à Gâmbia . Grande o seu parque de campismo, andavam a fazer a rede de esgotos, muitos buracos no maquedame. Apreciámos os Esteiros onde se pratica piscicultura. Nem de propósito tinha na semana antes visto num programa de televisão uma reportagem sobre este tema, para o efeito tinham levado exemplares das várias espécies cultivadas em viveiros, corvina, robalo, eiró, safio, dourada, alguns servem para confeccionar as famosas caldeiradas que exemplificaram e com o caldo desta fazem uma sopa de peixe com massinha de cotovelo para no final confortar o estômago, com sabor a coentros. Fiquei com água na boca. A atestar pelos imensos e desafogados viveiros orlados pelos altos carreiros cobertos pelo manto de água, acredito que o seu paladar nada deve deixar aos pescados no mar.

Ainda visitámos o moinho de Maré da Mourisca, restaurado com o seu passadiço de madeira a cair de velho e o barco ancorado de cor azul forte.Até exclamei, ai se tivesse outra vida, era aqui que comprava uma casita .Local muito idílico e apetecível ainda mui selvagem, onde não falta muita água, sobreiros, ricas paisagens, bom peixe vinho e pão, tão perto da capital, um cantinho feito por Deus sobranceiro ao rio, lindo vasto para sonhar, amar e morrer a sorrir.....de regresso seguimos pela auto estrada e chegámos sãos e salvos.

Foram horas de lazer e de gozo de prazeres indescritíveis para REPETIR...Havemos de voltar, disso tenho a certeza!

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