quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Alvorge no concelho de Ansião!


Gosto muito de Ansião, A minha terra de adopção, onde vivi até aos meus 20 anos.Algumas pessoas interrogam-se neste tão nobre gostar, na pretensa  saber o porquê. Direi que é muito simples, pelo carinho que sinto pela terra e pelas Pedras...Lamento muitíssimo a atitude dos nossos antepassados, alguns ainda vivos por não terem o mesmo orgulho pelas ditas Pedras...diria em jeito de ofensa "as comeram" ou simplesmente tem vendido as poucas que ainda restam, empobrecendo ainda mais o concelho e todo um Património que apesar de ser na maioria  particular, deveria ser de Todos.
Se os antepassados da vila de Ansião fossem da mesma têmpera dos da vila do Alvorge, todos no concelho nos poderíamos orgulhar também de ter mais património de pé e não temos! 
Os nossos antepassados menosprezaram as Pedras, em lembrar as gentes do Alvorge no orgulho na sua conservação e preservação, apetece-me dizer " gostaria muito de aqui ter nascido "
Parabéns às gentes que tão brilhantemente tem sabido reconstruir as casas dos seus antepassados.
"Casa dos Avós"
 
Desafio a outros conterrâneos a fazerem um passeio até ao Alvorge e percorrer as ruas em jeito de caminhada, como fiz com a minha mãe, deleitem-se com o bom gosto dum Povo que nem parece pertencer ao concelho de Ansião. Perguntarão o porquê ? Respondo mais à frente...As pessoas do Alvorge denotam serem amantes das Pedras, das cortinas de linho com rendas, das floreiras nas janelas e sobretudo muito asseadas, na visita à igreja, das mais limpas do concelho, a cheirar a lavado onde falei com as senhoras que procediam à rotina de limpeza, explicaram-me tudo o que queria saber sobre as imagens e a talha dourada, até à sacristia fui, nos pormenores é que se vê a grandeza do Povo, pois os meus olhos poisaram numa lindíssima toalha de rosto, em linho, com mais de cem anos, com uma das rendas e monograma mais bonitas que jamais descansei o olhar, e olhem que a minha avó paterna Piedade da Cruz, tinha um enxoval de rainha, executado por ela na sua máquina de costura e à mão.

Abergaria da Misericórdia do Alvorge de 1709 
Sobrado com balcão na tradição de antanho na região e o banco para descanso
 
Senti-me bem nesta terra onde percorri todas as ruas em calçada...
Hospital e Capela da Misericórdia 
Falta placa informativa defronte da Casa da Misericórdia explicando a sua origem, do brasão, do sino e até das palmeiras, trazida pelos mouros.
Apreciei com grande emoção várias janelas de avental, algumas com inscrições; a pequena capela, datada do séc.XVI; outra janela ostenta a data de 1707, esta decorei, nem a casa amarela, muito bonita por sinal, mas de cor exageradamente forte, destoa no conjunto, mas se fosse retirado o reboco mostrando a pedra firme a brilhar ao sol seria ainda mais bonita, nem a dezena de outras habitações que apesar de pedra, ainda não sofreram remodelações.Tudo em prol de mostrar a traça tradicional que foi rainha na região.
 Choca a mistura do antigo com o moderno nem sempre feliz nas escolhas...
Pedras a ladear janelas para os vasos de sardinheiras

 Casa que foi de um juiz
Na centúria de 800 disse-me a actual proprietária  D.Clementina o seu varandim de colunas veio do solar da Torre da Ladeia dos Carneiro Figueiredo.

 Pela frente bela caçada antiga de calhaus em preto e branco
Descobri na antiga estrada real antes foi romana
Uma casa onde me parece ser bem visível a reutilização de pedras antigas .
O pedestal das ombreiras laterais das portas da fachada, numa delas, apesar da grade ofuscar distingui esculpida a sigla jesuíta.E o varandim também é antigo, nada tem a ver com a arquitectura da casa simples.
Na mesma casa noutra porta encontrei outras pedras com palavras esculpidas, igualmente reutilizadas.
Induz a pensar ter havido uma pedra com uma inscrição e ao ser reaproveitada para esta porta foi cortada em partes iguais, sendo que na esquerda apresenta as letras(?) ODEVS e na direita QVEMO (?).
Enquanto que a sigla jesuíta não deixa margem para dúvidas, já as outras duas não sei se teriam pertencido à Companhia jesuíta. Aventa duas hipóteses; aberta a rua de acessibilidade a sul da capela foi demolida a sacristia no séc XX e antes tenha pertencido aos jesuítas, tendo sido reaproveitadas as pedras na casa, outra hipótese tenham vindo as pedras do paço jesuíta da Granja. Aposto na primeira hipótese, a primeira residência jesuíta foi aqui  no Alvorge (?), matéria a explorar.

Capelinha do Espírito Santo
 Casa com balão telhado e janelas de avental
 Alminhas
  Duplo beirado português e janela de avental
 Acima do lintel vestígios da meia lua em pedra ao estilo romano
Solar brasonado da Torre da Ladeia no Alvorge.
Mereceu crónica individual

 No adeus ao Alvorge...
Deixo um desafio à Junta de Freguesia, falta tão pouco para conseguirem que o centro histórico seja totalmente reabilitado e assim conseguissem reportar a vila nos roteiros turísticos, apelidada de " Vila de Pedra" conjugando esta beleza com a Cruz também  em pedra sediada no centro da praça que antes esteve junto da igreja e para abertura de acessibilidade foi deslocada em fazer lembrar um Pelourinho incrustado em bloco aparelhado com efeitos a lembrar ondinhas, juntar o artesanato e a gastronomia, o famoso queijo denominado" do Rabaçal" as nozes e apreciar as vistas sobre os outeiros envolventes, finalizando com a requalificação da encosta da Fonte da Ladeia e das ruínas do solar com brasão dos Carneiros Figueiredos com capela levantada em 1693, onde  há 60 anos ainda se rezava missa , espaço ruinal que conheci aos 9 anos com o meu pai pela altura das festas de agosto.
Mas deixo rol de alertas à Câmara; deficiente sinalética e em muitos casos falta da mesma, neste meu passeio. Acho que seria pertinente a organização de fóruns com a população para debate de ideias quando pretendem alterar centros históricos.

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