quinta-feira, 1 de março de 2018

Venda do Negro aldeia de pedra em Ansião

Foto registada em movimento
A aldeia desenvolve-se com parco casario ao longo da estrada no correr do ancestral caminho de Santiago de Compostela na ligação de Alvaiázere a Ansião. Soalheira e abrigada pelo contraforte da serra mostra-se um quadro naturista de inexcedível valor histórico e cultural, a merecer honras e preservação!
Tanta vez passei na estrada ao lado e li a placa toponímica, sem jamais ter entrado...igual me dizia a minha mãe com 83 anos.
Logo no entroncamento o primeiro morador foi  António Fernandes, conhecido pela alcunha da família- Saguim, ganha nos finais do século XIX quando a sua família de Além da Ponte vivia junto da quinta do mesmo nome  comprada por Abel Falcão, regressado de Moçamedes, antiga Namíbia, por certo trouxe um saguim (macaco) que teria ditado a alcunha (?). A primeira pessoa que me recordo de ter falecido com cancro na garganta, por ter saciado a sede com bebida muito fria ...Então não me recordo dele e da família tão conhecida em Ansião!
Convidei a minha mãe que também não conhecia a aldeia. Deixamos o carro na beira da estrada num terreno do Sr. Gomes, tinha acabado de chegar de Lisboa com a esposa D Lucinda Simões, para fazer borralheiras. Depois de dois dedos de conversa partimos em caminhada, a tarde se mostrava muito agradável de sol radioso, a saborear os ares campestres naquela paisagem bordajada de orquídeas e sinos amarelos entalados na sobriedade das fendas da pedra calcária branca pintada de líquenes a negro e ainda vestida por todos os lados de erva verde, aqui e ali salpicos de simbologia judaica no casario dos seus primitivos habitantes, muita ruína imponente de casario e da que foi a estalagem da Venda do Negro, na verdade se chamava "Venda dos Negros"  mouros que fidelizaram a aldeia onde ainda se encontram imensos vestígios da construção ancestral que deveria ser preservada e não adulterada; balcões; pedras em triângulo invertido acima do lintel das portas ou em meia lua. A aldeia merece catalogação por estar em rota de caminheiros do mundo, pelo que a JFP e a câmara deviam encetar forma de a preservar e não permitir aberrações com a construção de novas arquitecturas.
Duvido que quem venha de Alvaiázere encontre  placa com o nome da aldeia - Venda do Negro, a não estar identificada a aldeia é uma perca enorme, pela rota de caminheiros do mundo que aqui passam podendo mais dela vir a falar e partilhar, apenas consta nas cartas, e GPS mas não é a mesma coisa. 
A aldeia formou-se à volta da Estalagem que aqui existiu desde pelo menos a centúria de 500.

Na esquerda a que foi a casa de António Fernandes, o Saguim 
A parte norte da aldeia é mais recente, só nasceu nos finais do século XIX quando foi roteada a nova estrada do S. João de Brito para Pousaflores.
 
 

Encontra-se amiúde esculpido no cimento do reboco do casario  a mistura de simbologia judaica e cristã, adulterada, fruto dos resquícios da cultura ancestral dos seus primeiros habitantes de origem judaica, vindos de Espanha convertidos à força em cristãos novos e também de mouros do Magrebe que por cá ficaram, que lhe ditou a fidelização da toponímia.
A leitora a Cláúdia Santos 
(...) mas não ficou publicado, pelo que me enviou uma mensagem 
"os símbolos fotografados não são judaicos. A origem pode parecer judaica, mas neste caso específico são símbolos utilizados nas aldeias para afastar o mal: um pentagrama e uma cruz. Um judeu praticante nunca utilizaria a cruz! E a estrela mais conhecida é a de David (6 pontas)"
A minha resposta
A simbologia tem origem judaica, disso não há qualquer resquício de dúvida, para em séculos seguintes se vir a fidelizar como bem diz para “afastar o mal” na altura não me lembrei em acrescentar, e aqui acrescento, ainda bem que me recordou. Obviamente que o povo na fuga de Israel, na sua diáspora de séculos acabou por a estrela de David de seis pontas se ter deturpado em oito, mas com intenção em despistar a Inquisição, isto aconteceu durante a reconquista cristã com o recebimento de títulos reais na ajuda a combater sarracenos, alguns com o titulo de nobres passaram a ostentar nos brasões crescentes e estrelas de 8 pontas, alusivos à sua ascendência judaica, para não se perder. Exemplo do brasão do Marquês de Pombal cujo avô paterno era de Pombal de ascendência judaica pelos apelidos "Carvalho e Melo". A Cruz cristã foi muito usada na comunidade judaica para atestar a sua nova fé - cristãos novos, as haviam de deixar em muitas casas onde viveram, aparecendo isolada ou misturada com a estrela de David na corruptela do que foram no passado a que acrescentaram crendices de afastar o mal-, inicialmente o mal da inquisição, uma vez extinta foram outros males, o das colheitas e dos animais, afinal o seu sustento e riqueza, pelo que no 1º de maio ainda em muito lado a tradição das maias, flores campestres em amarelo que se pôem em Cruz nas portas dos currais e nos campos espetadas num pau, uma tradição pagã com raízes na cristandade.
Brasão da quinta do Marquês de Pombal em Oeiras
Simbologia na Venda do Negro
Riscada no cimento pelo pedreiro na sua visão do que ouvia no passado, a sua interpretação!
Casas de dois irmãos de apelido Simões.
A primeira no gaveto da Travessa das Eirinhas, a segunda na beira da estrada para a Portela. Uma boa casa de cariz moderna, que convive atrás com a que foi dos pais, antiga de sobrado, essa sim para mim a que vale a pena vir a  ser preservada pela traça da sua antiguidade que privilegia a história da aldeia.Confidenciou-me a D.Lucinda que os filhos e netos não tem a mesma paixão que eles, o que se lamenta, pois o local é por demais aprazível, belo de encantos tamanhos, agora tem de se trabalhar para se manter as courelas limpas e as casas conservadas, mas quem corre por gosto não cansa. Só tive uma filha que desde pequena foi habituada a gostar das raízes, a perceber que é fundamental preservar o património herdado dos nossos familiares e claro o gozo que nos dá sentir que ali já foi espaço de familiares com histórias que se contam e recontam nas gerações, mas sobretudo as vivências de antanho em dias de Natal e Páscoa, ir à lenha para  acender o forno para fazer o repasto da festa; cozer o pão, preparar a assadeira com as carnes e  batatas, o tacho de barro não vidrado para a tigelada e nas bordas do forno  batata doce para ser comida com mel.E no jardim onde há sempre flores para a jarra, apesar das agruras da invernia e do calor do verão  ainda o rebuliço de abrir a cristaleira para escolher a loiça e os copos de cristal para enfim todos juntos à mesa saborear o repasto e a festa!
De saída confidenciou-me a D Lucinda que viveu na África do Sul que um dia foi ao médico com o filho mais novo e ele perguntou-lhe se não era de descendência judaica, pela mancha negra que o filho tinha na nádega. Diz ela que o marido também tem. De facto não sei nada de manchas. O que sinto sem favor dizer é que este povo que aqui habitou descende de gente com origem judaica e isso ainda hoje depois de tantas gerações ainda é visível em muitos aspectos.
Mais uma pista para a comunidade judaica que viveu nestas terras de Ansião que até hoje nenhum historiador aflorou, e bem o merecia ter reconhecimento.
 
A pedra da janela pintada a cal uma caracterisica da traça antiga beirã em diferenciar a janela, a abertura para o pensamento e liberdade!
Terra semeada a pedra escalavrada erguida da terra a imitar esculturas salpicada a orquídeas  e outras flores silvestres a chamar a Páscoa ...fechada por muros de pedra seca, uma herança ancestral que deve ser preservada, aqui rainha e o será única noutra paisagem no Mundo.
 
 
 

Avistei uma capoeira com belos exemplares galináceos- galos imponentes pretos e amarelos
Quelho a poente
Ornado a muros de pedra seca a circundar quintais. Devia ser mantido limpo.
Antigo caminho descrito por viandantes - estreito e pedregoso que fazia a ligação da Venda do Negro para as Gramatinhas onde algures na Barreira seguia para Ansião. Devia haver investimento para o redescobrir e não arranjarem alternativas como encontro na região, sem sentido.
Foto tirada do quelho para nascente onde passa a actual estrada.
Perguntei a razão deste nome, debalde não me souberam responder, ainda questionei se "eirinha" não seria um penedo calcário plano que servia de eira, como em Trás os Montes existem mas em granito...
Ao cimo da Travessa distingui uma casa nova, julgo seja da minha amiga Helena do Casal Soeiro, que conheci criada com a irmã Mariazinha na loja da minha tia Carma em Ansião. Depois de ter vivido em Ansião veio para aqui para a que foi a casa dos sogros, o que me disseram. Sita em local altaneiro, não fotografei  tão pouco outra à saída da aldeia de estrangeiros com piscina, só registo arquitectura antiga.
 
  A beleza da ruína, a boca de um forno debruado a tijoleira
 Outra característica acima do lintel da porta em "V" invertido de origem romano/visigótica
 Reconstrução de casario em pedra
 
 Outra particularidade de antanho na tradição das portas com portinhola
E outra admirável, os balcões
Caracteristica da habitação tradicional no Maciço de Sicó, e que infelizmente poucos se mantém. Esta aldeia ainda tem bastantes e deviam ser preservados.
Uma bela casa de traça antiga disse-me a D Lucinda que é do Carlos Ventura, que arranja televisões em Ansião. Tenha sido a estalagem da Venda do Negro!

Excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes "Em maio de 1568 Segismondo Cavalli, passou nesta estrada cujo secretário Lunardo Otthobon escreveu " assaz duas láguas pedragosas que medeiam Alvaiázere e Ansião se encontravam "tres ou quatro tabernas desagradáveis" (hosterie scontentissime).Estaria certamente a referir-se a vendas, que Rafael Bluteua, no Vocábulo Portuguez, definiu como "taberna de estrada ou estalagem de campo". 
Bartolomé de Villalba y Estana, em 1575, teve a desdita de ir almoçar à Venda do Negro. A verrinosa descrição poética que escreveu sobre esta venda, bem pode ficar perpetuada  na vasta literatura crítica europeia sobre a má qualidade das estalagens ibéricas.Esfomeado como estava, não lhe restou tentar melhor sorte do que ir dormir a uma estalagem de Alvaiázere. Na obra El Pelegrino Curioso celebrizou num poema satírico que aproveita a negritude do nome do estabelecimento para escurecer mordazmente esta "tan negra posada".

A la Venta del Negro hemos llegado
y negro el pan, y negros los manteles,
el caldo negro y el cabron chamuscado,
y negros de la guespeda aranbeles.
En negro punto aqui hemos llegado,
y más tener ventera cascabeles,
puerca, negra, suzia y torojada,librenos Dios de tan negra posada.

A minha simplista tradução
Há Venda do Negro havemos chegado 
E negro o pão, e negros os panos,
o caldo negro e a carne chamuscada,
E negros a santa companhia.
Neste ponto negro aqui havemos chegado,
E má cara cascavel do estalajadeiro,
Porca, negra, suja e desarrumada, livre-nos Deus de tão negra pousada.

Curiosamente seja estranho o poema tão negro à estalagem da Venda do Negro, porquanto a Albergaria ou estalagem teria sido de boas áreas, atendendo à volumetria d'hoje e ao emaranhado ruinal adjacente. Não teriam gostado da cara dos negros ou da comida...
 Não faltam as pedras laterais tão habituais na tradição habitacional noutros tempos
 Varanda virada a sul com alpendre suportado por colunatas em pedra
No complexo ruinal distingui uma pia em redondo, onde os cavalos saciavam a sede (?)...

Uma janela com gradeamento, não sei o que foi no passado...
 Capela de Nossa Senhora do Pranto
 
 
Segunda a estela em mármore a construção data de 1673.
Na parede do telheiro encontra-se uma pedra lavrada com cara de anjo ao centro rodeada de  objetos esculpidos de crucificação. Ao estar aqui colocada reporta a possibilidade de primitivamente tenha pertencido ao interior, e que na remodelação de 1754, antes do terramoto e em 1784 data que existe na verga da porta  "De 1784 Anno"  tenha sido retirada e aqui reposta para não se perder (?).
O canteiro que esculpiu esta pedra era artista, na capela de S Bartolomeu no Pereiro também existe uma pedra com a cara de um anjo. No concelho só conheço estas duas, na igreja da Aguda também em policromia e a pia de água benta da igreja do Rabaçal também tem uma cara de anho natural.
Na lateral resta a escadaria  com o pedestal onde está assente o campanário do sino e ao lado ostenta um relógio de sol.
Impressionante uma aldeia de parcos habitantes e ainda assim o dono do terreno a sul a entestar com a capela apresenta  couval galego em cima das janelas laterais e ainda feita escada ao lado da antiga, a monumental. Um verdadeiro atentado ao património histórico e cultural!
O normal seria o terreno ser do adro e não couval!
O povo necessita de esclarecimentos em saber destrinçar património e claro as JF devem fiscalizar!

Relógio de Sol
No concelho só conheço este e outro na Granja, no que foi o Paço jesuíta.
O sino
Possivelmente saiu do Engenho da Machuca. A necessitar catalogação antes que seja tarde!

Forte presença no casario de sinais da arquitectura ancestral que devem ser preservados
Uma bela casa com balcão.
O que foi uma grandiosa e bela casa com balcão

 Pedras com marcas onde encaixaram portas e fechaduras
Esta casa para fazerem a calçada tiraram-lhe o balcão...
 Muita ruína ainda de pé a clamar por ajuda...
 
Um belo exemplar de tranca em madeira, ainda me recordo delas em miúda nos currais.
Nas Memórias Paroquiais de 1758 o padre Silvestre Lopes 
"Refere que a Venda do Negro tem 10 vizinhos."

Quem de direito não se deve descuidar com esta aldeia e outras como Casais Maduros, Casal Soeiro, Ribeirinho, Ameixieira e outras.


Excerto do do Livro do Padre José Eduardo Reis Coutinho 
"no verão de 1717 andou por Portugal um franciscano de Itália, Gian-Lorenzo Buonafede Vanti. Vindo de sul, partiu de Alvaiázere, onde comeu e dormiu bastante mal, na manhã de 17 de julho - aponta outros lugares por onde passou a relevar a importância da famosa estrada real - Ansião, Junqueira, Rabaçal, Fonte Coberta e Alcabideque. Diz que da Junqueira a Fonte Coberta a estrada era "muito bela e larga", particularidade bem notória a partir daquela povoação e contrastante com a das serras a norte e a sul de Ansião, torturosa, estreita e pedregosa." 

Nesta altura a rota que passava pela Venda do Negro era da chamada estrada de Coimbram , curiosamente  o topónimo Venda do Negro na relação de foreiros da Capela de Almoster nunca é referido e sim Albergaria, ao limite das Gramatinhas, onde houve outra estalagem.
 
Muito melhor estão os munícipes que aderiram à preservação das Aldeias de Xisto, falta haver preservação  análoga para as Aldeias de pedra, que felizmente o concelho de Ansião ainda tem bastantes. Não se devia permitir a sua deterioração nem adulteração com a venda de património a estrangeiros, que deviam ser obrigados a manter a traça ancestral. 
Incentivar trilhos para caminhadas; Portela, Ariques e,... com mapas para orientação e quilometragem.
Por favor haja alguém de direito que olhe com olhos de gente e não deixe morrer a aldeia da Venda do Negro, a dignificando como o foi no passado atestada com a passagem de viandantes e de peregrinos ao seu santuário.

Apelidos de antanho naturais da Venda do Negro - Gonçalves ; Simões; Ventura; e,...

Despedimo-nos dos ilustres Sr. Gomes e esposa Lucinda Simões com a cortesia da oferta de limões e de tangerinas, em gesto de grande hospitalidade que esta gente ainda conserva!
Amei te-los conhecido, teria ali ficado a ouvir estórias com história horas...na certeza de não me cansar!
Bem hajam por saber ser anfitriões da sua ancestral e bela terra!


Fontes
Duas fotos da página Facebook da Venda do Negro
Testemunho do Sr. Gomes e esposa D Lucinda Simões
Livro Notícias e Memórias Paroquiais de Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Capelas perdidas na Sarzedela, Ansião, ao Espírito Santo, S. Silvestre e Santa Luzia

Levantar o passado histórico religioso da Sarzedela ao correlacionar o Livro de Notícias e Memórias Paroquiais (...) "em 1627, o pároco  refere duas capelas na Sarzedela: a ermida do Espírito Santo, e a de S. Silvestre pegada ao dito lugar. "
"(...)  em 1721 apenas havia uma ermida de orago a Santa Luzia."
"(...) em 1769 fala-se também de uma única capela, dedicada a Santa Luzia, à Santíssima Trindade, S. Silvestre, S. Martinho e S. João
A Relação do estado das igrejas, confrarias e capelas da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Ansião, redigida  em 29 de maio de 1769 pelo Cura Jozé Fernandes Serra No lugar da Sarzedella , esta huma Capella, e nella, as Imagens de Santa Luzia, da Santíssima Trindade, de Sam Silvestre, de Sam Martinho, e de Sam Joam toda em vulto, bem incarnadas;a Capela hé muito baixa, forrada de guarda pó, tem seu retábulo bem pintado, e o que havia de cer dourado, he pratiado com sua cor que parece dourado, pedra de ara, quatro toalhas, trez mezas de corporais, seis sanguinhos, calis, patena. e colher de prata, dois frontais, hum de damasco incarnado, e outro de osteda roixo, huma vestimenta, de osteda branca, com os bentinhos incarnados,dois castissais de bronze, e cruz de páo tudo em bom uzo, trez alvas.duas quazi novas e huma munto uzada, quatro amitos, trez novos e hu uzado, hum cordão munto uzado, sachrista, caixão, palio, alenternas, e sino, corre o seu reparo por conta do povo, tem lampada de latão, amarello, dois veos, hum novo, e outro uzado. 
Do excerto podemos deduzir em 1721 apenas havia uma ermida de orago a Santa Luzia na Sarzedela mas em 1769 já não existia.  E o orago a S. João Baptista só tardiamente foi tomado como padroeiro da capela atualmente existente.Entretanto o povo dos nossos dias ainda conserva a memória duma capela de S. Silvestre e até sabe onde ficava, segundo o Sr Padre Manuel Ventura PinhoVerossímil afirmar houve abandono das ermidas ao Espírito Santo e S. Silvestre, na Sarzedela. O Sr Padre Manuel Ventura Pinho pediu a um jovem que fez a casa para os lados onde gente suspeita existiu uma capela, tendo ele mobilizado pessoas que roçaram o mato de uma vasta área até encontrarem os restos da ruína da Capela, que pode desaparecer por estar no meio de matos, lugar onde há séculos foi o sitio da desaparecida Capela de S. Silvestre na Sarzedela ."
Falta saber se a capela a Santa Luzia nasceu com o Morgadio de Marcos Teixeira Evangelho Gomes Colaço, na Sarzedela.  E ainda quando foi construída a actual capela de orago a S João Batista, ainda hoje é fiel guardadora das imagens Dos Santos das ermidas do Espírito Santo, S Silvestre, Santa Luzia e São João, sem saber se também da Imagem de S. Martinho. E sim uma grande virtude, nenhuma Imagem venerada se ter perdido, já do manancial da sua história e das gentes, essa tenta-se agora levantar!
A ermida da quinta das Lagoas de orago a Nossa Senhora da Boa Morte o seu pedido de construção foi a 16 de janeiro de 1764. Incendiada na passagem dos invasores franceses em 1810, manteve-se em ruína  até há poucos anos. Na década de 60, os seus donos venderam o brasão que ostentava na frontaria e outras pedras, tendo sido requalificada depois da aquisição pela Câmara de Ansião. Debalde mais tarde um temporal deixou alguns estragos nos telhados do solar e da capela,  ainda sem reparo, se perdendo o património do concelho.
Por fim reconhecer o interesse cultural do que foi o passado religioso da Sarzedela com gente nobre na que  foi a Vintena da Sarzedela, a merecer mais atenção de todos em mais se vir a saber assim como do local ruinal do que foi a capela a S Silvestre a ser fotografado para memória futura . Sendo de esperar que a Câmara de Ansião possa colaborar na  sua requalificação ou encontrar um Mecenas, para jamais voltar a se perder!

Fontes
Livro de Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas de  Mário Rui Simões Rodrigues e Saul António Gomes        
Testemunho do Padre Manuel Ventura Pinho                                                                                                           

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Médico de Vila Pouca de Aguiar aportado a Ansião Dr Domingos Botelho de Queiroz

Entre o século XIX a meados do primeiro quartel do séc. XX Ansião viveu um período áureo de ricas individualidades, umas nascidas e outras aqui aportadas, todas merecedoras de reconhecida menção pública pela panóplia de funções sociais tidas no desenvolvimento do concelho a nível politica, médico, farmácia, empresarial e outras destacadas no " Livro Ansianenses Ilustres do Dr. Manuel Dias". Visualizei o seu  Blog onde distingui dois apontamentos sobre o Dr. Domingos Botelho de Queiroz o eleito desta crónica no compromisso de fechar um círculo trazido da infância de apurar a razão do seu nome constar na placa toponímica na Rua onde todos os dias passava a caminho da escola, sem  alguém que me ajudasse, apenas me diziam que tinha sido médico, e não conhecer na vila os seus apelidos, embora houvesse o "Botelho" em geração adiante da minha, com quem já não convivi, mas nem sabia, a morosidade de mais saber desta personagem, afinal minha morada, com orgulho em Ansião. Alguma ajuda documental para acontecer a correlação de factos e entender como seria Ansião no tempo que aqui aportou e viveu sabendo angariar as vantagens que usufruiu ao se filiar no partido republicano, a aquisição de de muita terra  vendida em haste pública e ainda levantar o véu da razão da construção do novo hospital fora da vila, em detrimento do local do velho adoçado à Casa da Misericórdia  junto da sua capela com terreno pelo tardoz de grande extensão, a quinta do Vale Mosteiro de Baixo ou de Nossa Senhora da Conceição. Até hoje não houve ninguém nesta temática  a teorizar a razão da sua mudança.
As origens do Dr Domingos Botelho de Queiroz
Partilha do amigo genealogista das Cinco Vilas Henrique Dias
Sabe-se pouco das suas origens com laços familiares aos Fidalgos e Morgados de Vila Real  e da Casa do Condado em Vila Pouca de Aguiar. 
Na  Wikipédia aparecem como seus  pais Carolina Augusta Pereira de Eça de Queiroz (1826-1918) 
e José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz .
Excerto de https://geneall.net/pt/forum/2096/teixeira-de-castro-de-chao-de-couce/ "Em relação ao Dr. Botelho de Queirós, a primeira obra referida dedica-lhe cerca de dez páginas com a fotografia e biografia, onde se confirma aquilo que disse em relação a Vila Real e à Filoxera. Só não confirma a ligação ao Eça de Queiroz, mas também não estamos a falar de uma obra genealógica. Diz ainda que viuvou bastante cedo, tendo voltado a casar em segundas núpcias com a D. Matilde da Veiga Botelho. Creio que o "N" (desconhecido) do Geneall se aplicaria melhor ao primeiro casamento, pelo menos até ser conhecido o nome do cônjuge, pois não há dúvida nenhuma que esta Matilde que o livro fala, é a sogra do Dr. Adriano."
Encontrei a sua matrícula no 1º ano de Medicina em Coimbra em 1870
Excerto de https://digitalis-dsp.uc.pt/html/10316.2/22956/Preview.pdf "No ano de 1870/71 matrículas em Medicina na Universidade de Coimbra 1º ano Domingos Botelho de Queiroz, filho de Henrique Manuel Ferreira Botelho, Natural de Villa Pouca de Aguiar, districto de Villa Real, morador na rua de S. João,n.°12.Quando o Domingos Botelho de Queiroz chega a Coimbra para estudar Medicina por certo encontrou colegas do 3º ano o Augusto José da Silva, filho de António José da Silva, natural de Anciãodistricto de Leiria morador no Bairro de Sant'Anna Augusto Lopes da Costa Rego, filho de Francisco Lopes do Rego, natural do Chão do Couce, districto de Leiria, morador na Rua da Ilha, n.°2." Este era da Quinta  de Cima, seria parente afastado na ligação ancestral aos Duques de Vila Real  que foram também seus donatários e com Augusto José da Silva de Ansião, o tio desempenhou um alto cargo como Conselheiro na Regeneração tendo criado a Comarca em Ansião por volta de 1875 , vir a ditar não tenha sido apenas a filoxera o motivo maior para o Dr Domingos Botelho de Queiroz deixar a sua amada terra, tenha também contribuído o facto de ter enviuvado, sem mais nada se saber como faleceu a esposa, e se  teve filhos deste casamento, para vir  aportar com a sua arte, a medicina, a Ansião. O seu  pai  bacharel em direito sem tempo para  tratar dos vinhedos da Quinta do condado de S.Pedro em Vila Pouca de Aguiar de Vila Real, cuja praga os teria dizimado . Refazer as plantações de vinha só mesmo para agricultores de gema como a D Antónia, a Ferreirinha, alegadamente também de ascendência judaica, pelo cariz foi um povo que da agricultura soube retirar riqueza, talento e arte para vir a ser a primeira região demarcada no Mundo pelo Marquês de Pombal. 
Dr Domingos Botelho de Queiroz tenha por isso aportado a Ansião por motivo do costado familiar acima referenciado, das oportunidades criadas com as substanciais alterações politicas  que então se viviam no país e nomeadamente em Ansião, onde de facto a migração de norte, do Minho e Trás os Montes, para esta região desde sempre evidentes pela via do casamento ou a trabalho, mas também pela vaga de médico do partido para o Hospital da Misericórdia de Ansião.

O Hospital da Misericórdia de Ansião
Qual a razão em mudar de lugar o novo hospital?
Então sediado onde hoje é a CGD de Ansião, no meu tempo a casa comprida de sobrado onde vivia  Alfredo Simões de bela escadaria ornada no varandim com antiquíssima glicinia de belos cachos lilazes aromatizavam a rua, mérito a minha lavra, em o correlacionar.
O enriquecimento do Dr Domingos Botelho de Queiroz aconteceu em contexto de oportunidades que então se viviam na vila com a venda em haste pública de muita terra do mosteiro e de morgadio, vindo a adquirir na vila e fora do seu termo grande quantidade de terra, entre as quais a quinta com limite na margem sul do Nabão e a Rua Direita vinda da Ponte da Cal  e se estendia ao cemitério, o englobando. Esta quinta veio a ser cortada para rasgo da nova acessibilidade com a estrada Pombal/Pontão com cruzamento ao Fundo da Rua a que se seguiu a abertura da Rua Combatentes da Grande Guerra e mais tarde outra com o se nome , na ligação da vila ao Ribeiro da Vide  para a Barreira, abertura da  rua de acesso ao Hospital com entrada ao cimo da colina, o caminho para os Escampados, hoje Rua Cidade de Santos, e mais tarde a azinhaga entre quintas na ligação ao Canto, hoje  Rua Polibio Gomes dos Santos.Estas expropriações deram-lhe novos ganhos com a venda de lotes , Café Valente, Escolas Primárias, Pensão, Casas dos Magistrados e lotes para construção de particulares.
A decisão em vir a construir o segundo Hospital da Misericórdia de Ansião a meu ver nunca esclarecido o facto de o vir a instalar fora de portas do termo da vila, por o ser ao limite da quinta da Maria Francisca com o baldio do Ribeiro da Vide, a parte sul remanescente da quinta que já tinha a maior parte e hoje resta parte com a casa em ruínas e um grande cedro herança da sua neta Dra Isabel Faria.. No promontório a poente da Quinta do Bairro, inóspito, sitio ideal para o vir a instalar premeditando a abertura de novas acessibilidades, o que pretendia para maior ganho em vendas, como antes já acontecera   Sendo por isso opção do contexto politico que se vivia  para vir a usufruir vantagens porque o primeiro Hospital estava inserido em propriedade de grande extensão de terreno pelo tardoz da quinta do Vale do Mosteiro de Baixo  ou de Nossa Senhora da Conceição onde a volumetria de uma nova construção seria perfeitamente comportável em detrimento da aposta em o situar naquele tempo fora do termo da vila pese embora com a vantagem invocada ao ar ouro dos pinheiros, uns 4 ou 5 raquíticos... As motivações de angariar mais riqueza aproveitando a onda politica do poder perdido  sediado na Cabeça do Bairro de Santo António, ao Ribeiro da Vide ficando apenas a Estalagem da Ti Maria da Torre a funcionar  em contrapartida o povo ganha o novo Hospital em conivência entre o Dr Domingos Botelho de Queiroz, o seu cunhado o Dr Alberto Lima  e claro do administrador do concelho  o correligionário (assim aparece em acta da câmara) o Visconde de Santiago da Guarda.
Para fazer face aos encargos do novo Hospital  os bens afectos à Misericórdia  são vendidos a vários particulares, apenas fica de fora a capela, tendo supostamente sido favorecidos onde se vieram a instalar. O Conselheiro António José da Silva deixou uma casa para o hospital em testamento em 1905.
Lamentavelmente na separação da Igreja do Estado a documentação da Misericórdia foi entregue e se perdeu num incêndio de 1937.Ao se acabar levianamente com a Casa da Misericórdia, a casa mãe para reuniões e arquivo do seu histórico passado da sua Irmandade, entrada de  Irmãos e seus Provedores, e ainda das iniciativas feitas  por altura da requalificação do hospital na década de 60 e depois mais tarde da decisão de ser encerrado.
Excertos do Livro Ansianenses Ilustres  
«O sr Dr Domingos Botelho de Queiroz foi pela imprensa accusado de usurpar terrenos públicos e profanar sepulturas»Quando pretendeu murar a quinta com a estrada medieval a poente, por isso a Junta da Paroquia comprou a faixa de terra onde depois veio a construir a capela do cemitério.
«Em 1895  o padre José Rodrigues Portela relata «que a parte do dito terreno com que, ha annos, foi ampliado o cemitério, foi comprada pela Juncta da Parochia d'esta freguezia ao fallecido  José Maria Pereira de Carvalho , que esse terreno é considerado profanado há mais de 40 annos.» 
«Designação da propriedade - Um olival chamado O S. Lourenço. Antes tinha Foros e outros encargos . Foreiro em dois alqueires de azeite a Senhora da Conceição, computado em dois mil e trezentos e cincoenta réis.»
Nas actas da câmara dessa altura  quanto a mim apenas ficou narrado o que quiseram deixar escrito para não chocar os demais, omitindo factos de testemunhos do passado, vivia-se um tempo de conflitos de ideias monárquicas e republicanas em que o " Dr Manuel Dias no Livro de Ilustres Ansianenses menciona o Visconde de Santiago da Guarda um correligionário ao se favorecer com bens na vila e presentear os amigos, em que o Dr Domingos de Queiroz também veio a adquirir muita terra dentro e fora da vila ( ainda hoje resta parte da quinta que adquiriu conhecida por quinta do Dr Faria, com limite a norte do cemitério, antes se chamou quinta da Maria Francisca, vinha da margem sul do Nabão) em modos e atitudes que inflamou alguns, nomeadamente um barbeiro que lhe instaurou uma ação judicial no Tribunal  de Ansião que perdeu, sendo desterrado para Setúbal" .Está-se mesmo a ver a razão, naquele tempo como hoje fundamental para o ganho de uma ação judicial além das testemunhas abonatórias a defesa na barra do tribunal do advogado.
Adesão ao Partido Republicano  em Ansião
Excerto  http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/20338.html " (...) Tendo o cidadão Doutor Domingos Botelho de Queiróz pedido a palavra e concedida disse, que saudava o partido Republicano Portuguez pelo brilho com que tornou verdadeiramente livre a nossa Pátria fazendo votos por que todos agora cooperem para seu progresso, como elle fará com as poucas forças de que dispõe (...) três novas adesões ao Partido Republicano, de Abílio da Costa Duarte, e dos médicos Domingos Botelho de Queirós e Alberto Simões da Costa Rego. "
Empreendorismo
Conhecedor da precariedade das instalações do pobre Hospital da Misericórdia de Ansião onde daria consultas com o seu cunhado o Dr Alberto Lima, por ser muito antigo, sem  as fulcrais condições no apoio à população enferma e  doentes viandantes foram os grandes impulsionadores na construção ao Ribeiro da Vide de um Novo Hospital, tendo procedido à angariação de donativos.Logicamente que reside uma questão pertinente a razão de não ter sido aposta a utilização dos ternos da Misericórdia foram vendidos para realizar dinheiro...
Excerto de http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/20338.html"Tenha tomado a iniciativa do empreendedorismo (Hospital) no papel de Presidente, coadjuvado por outro médico Alberto Mendes Lima, seu cunhado, o  Secretário da comissão, e António Narciso da Costa Leitão como Tesoureiro entre outros demais concidadãos conceituados da vila. "
Livro de Alberto Pimentel que esteve em Ansião em 1903
No momento que vos escrevo, está-se construindo o Hospital  da Misericórdia junto ao Ribeiro da Vide, sob a  invocação a Nossa Senhora do Pranto."
O inicio das obras do novo Hospital da Misericórdia ao Alto do Ribeiro da Vide acontece entre 1902/3 .

O Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu Livro de Ansião de 1986 Segundo a noticia O Concelho de Ancião  de 1 de janeiro de 1896, e por iniciativa do Dr Domingos Botelho de Queiroz, começou-se naquela ocasião a angariação de fundos para a construção de um hospital em Ansião, o que se conseguiu graças aos contributos de particulares e aos muitos auxílios recebidos que, ao declinar do séc XIX, já tinham concretizado tal aspiração.
Construiu-se ao Ribeiro da Vide, no alto de uma elevação natural do terreno, em local tranquilo e de puros ares de pinheiros, e desde logo contou com a assistência médica do seu fundador, o qual lhe prestou todo o cuidado e dedicação.Foi o Hospital da Misericórdia.  
Outra obra que se deve  à iniciativa do mesmo médico, e no sentido de responder a necessidades sanitárias da vila, foi a captação de águas numa mina no Carrascoso, da filtração natural das mesmas e da sua canalização para o depósito acastelado ao Cimo da Rua, de onde foram distribuídas para alguns fontanários, onde se podia ter água tratada e corrente."
E ainda a iluminação a gás por candeeiros de braço foi sua  obra.  
O jornal O Concelho de Ancião  de 1 de janeiro de 1896 não apurou a noticia para dar ênfase à construção do hospital da Misericórdia quando este foi o segundo, a explicitar o tempo que se vivia sem dar o verdadeiro significado dos testemunhos do passado e assim mostra-se mais difícil com tanta omissão apurar o verdadeiro passado de Ansião.

Foto do Dr. Domingos Botelho de Queiroz
Retirada https://www.geni.com/people/Domingos-Botelho-de-Queiroz

Cortesia de Renato PazFoto de 1902 em dia da festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição de Ansião do espólio do seu bisavô dono da primeira  Casa Santos de Manuel Freire dos Santos  descendente de  Florêncio Freire dos Santos, Governador do Concelho de Ansião  e o seu bisavô ilustre Juiz de Paz, em tempo da Monarquia. Com descendência de judeus vindos de Espanha, cristãos novos vieram a adoptar nas gerações seguintes o ramo "Freire da Paz".
Até hoje sem se deslindar  na foto a quem atribuir identificação à personagem distinta com porte e vestir abastado junto do irmão do seu bisavô com o estandarte na mão.Pesquisas sobre o passado aventam hipotéticos personagens para agora se fazer claro ser  o Dr. Domingos Botelho de Queiroz no papel de mordomo da festa ou como irmão da Irmandade, além de prestigiado médico, um fervoroso motivador e angariador de donativos para a construção do novo Hospital da Misericórdia que estava a acontecer, na vila de Ansião?!
Rua Dr Domingos Botelho de Queiroz e m Ansião
Placas na toponímia
Em baixo a primitiva placa toponímica, nítida  a falta  de estética, sem cuidado na passagem dos cabos ...
A segunda placa mais recente foi aposta quando foi intervencionado ao Ribeiro da Vide o prédio de gaveto que foi do Sr. Zé André tendo sido retirado a placa antiga igual à primeira apresentada para terem feito duas novas estando a outra afixada na casa da D. Piedade Lopes.
A expropriação amigável da quinta a cortando ficando uma parte remanescente a nascente que ficou designada por Canto - O canto da quinta inicial. A ligação da rua com o seu nome ao Canto, faz-se por serventia  de pé direito . No meu tempo de criança contornava  a casa da "Ti Albertina pau preto"  passando-lhe pela frente, seguindo para poente a norte da casa da D. Piedade Lopes na direção do ribeiro (Vide) onde as mulheres lavavam a roupa.
Há anos  o Sr. Diamantino Lopes na herança da esposa a nascente veio a abrir uma serventia de acesso para os cómodos herdados dos pais dela, como já havia no final da serventia onde moravam outros ascendentes.
De facto a quinta ao ser cortada,  a nova rua veio proporcionar a venda de lotes para novas construções como a casa do Sr Casimiro Martins conhecido por " Casimiro do Canto"  viria a ser comprada pelos meus tios António Freire da Paz e Maria da Luz.  A  casa da família "Lopes" a nascente da rua onde tinham um forno de cozer pão, uma das primeiras padarias no século XX na vila, antes foi no Bairro de Santo António, a primeira que se conhece. A a casa do "Ti Pau Preto",  a casa a poente da rua a casa dos  meus avós paternos e o lote da casa do Sr Diamantino Lopes. Em heranças a minha avó  recebe um barracão a nascente da rua onde veio a ser construída  a minha casa   no gaveto com a nova serventia pública. A nascente do Canto nasceu o meu bisavô paterno Francisco Rodrigues Valente.
Entrada da serventia aberta pelo Sr Diamantino Lopes
 Serventia de pé direito para o Canto 
Entrada do quelho do Canto a nascente
Mostra-se larga para atrofiar depois da curva do casario antigo 

Manhã de natal de 2017 com elementos da GNR a cavalo em patrulha
Aonde segue o antigo quelho do Canto a poente para o ribeiro, de pé direito entre as duas casas, a baixa da D. Piedade Lopes e a alta do seu filho Nécas.
A filha primogénita do Dr. Domingos Botelho de Queiroz
Recebeu o mesmo nome da mãe-, Matilde Veiga Botelho viria a casar com o Dr. Adriano Augusto de Barros e Rego, de Chão de Couce, médico que aporta a Ansião por volta de 1908, sendo construída outra casa adoçada à dos sogros.
A foto abaixo mostra a diferença da casa primitiva mais baixa e a mais alta do Dr. Adriano Rego com a parede revestida a placas de ardósia.
O Dr. Domingos Botelho de Queiroz  faleceu em 1920, os seus restos mortais repousam no jazigo de família no cemitério de Ansião que se encontra ao lado esquerdo da Capela, apesar na sua frontaria  nada dizer. Junto encontra-se o jazigo do seu cunhado o Dr Alberto Lima, quanto a mim ali construídos em  terreno que pertenceu à quinta que comprou, quando a mandou delimitar com um muro foram profanadas ossadas humanas que desencadeou revolta e o padre Portela  na altura as mandou trasladar para dentro do cemitério,  a Junta da Paróquia veio a adquirir ao mesmo a faixa de terreno a poente onde veio a construir a capela do cemitério e ao lado os jazigos, menção do litígio nas actas da câmara.
Parentesco ou não com o escritor Eça de Queiroz?
Eça de Queiroz finalizou o curso de direito em 1866 em Coimbra antes de Domingos Botelho de Queiroz ter iniciado medicina em 1870. Ou não o conheceria, simpatizaria ou não queria rivalizar estrelato.
Na verdade o apelido Queiroz  não se revela  no nome de nenhuma das filhas, a que foi dado o apelido"Botelho", naturalmente porque pretendia dar o apelido Queiroz a um rapaz que não teve, na minha opinião.


FONTES
Dois esquemas e informação de Henrique Dias amigo das Cinco Vilas, a quem agradeço a extrema amabilidade

https://digitalis-dsp.uc.pt/html/10316.2/22956/Preview.pdf 
Livro Topografia Médica das Cinco Vilas e Arega do Dr. António Augusto Costa Simões 
Livro a Extremadura Portuguesa de Alberto Pimentel
http://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/20338.html

https://books.google.pt
http://geneall.net/pt/forum/2096/teixeira-de-castro-de-chao-de-couce/
Livro do  Padre José Eduardo Reis Coutinho no seu Livro de Ansião de 1986
Livro Ansianenses Ilustres do Dr. Manuel Dias

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